domingo, 15 de fevereiro de 2026

Como TikTok rastreia o que você faz na internet mesmo que não use o aplicativo (e o que fazer para impedir isso)


Como o TikTok rastreia o que você faz na internet mesmo que não use o aplicativo Nurphoto via Getty Images O TikTok acompanha tudo o que você faz no aplicativo. Até aqui, nenhuma surpresa. O que nem todos sabem é que a plataforma também segue você em outras partes da internet que não têm nada a ver com o TikTok. Na verdade, a plataforma coleta informações sensíveis e possivelmente embaraçosas a seu respeito, mesmo que você nunca tenha usado o aplicativo. No início de fevereiro, encontrei websites enviando para o TikTok dados sobre diagnósticos de câncer, fertilidade e até crises de saúde mental. Tudo isso faz parte de um império de rastreamento que se estende muito além da plataforma de rede social. Agora, graças a um novo grupo de funções, o TikTok está pronto para expandir sua rede e observar ainda mais detalhes da sua vida privada. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A mudança veio poucas semanas depois da venda das operações do TikTok nos Estados Unidos para um grupo de empresas que mantêm laços com o presidente americano, Donald Trump. O acordo gerou novas preocupações com privacidade, por parte de usuários e especialistas em direitos humanos. Mas o TikTok afirma possuir orientações transparentes sobre como responder aos pedidos de dados apresentados pelo governo. Felizmente, esta é uma história de privacidade com um lado positivo. Existem medidas simples que você pode tomar em cerca de cinco minutos para ajudar a manter suas informações livres do alcance da plataforma. A questão gira em torno de mudanças importantes em relação ao "pixel" do TikTok. Trata-se de uma ferramenta de rastreamento que as empresas usam para monitorar seu comportamento online. Pedi a uma companhia de cibersegurança chamada Disconnect que analisasse o pixel. Eles concluíram que o pixel atualizado do TikTok coleta informações de formas incomuns em comparação com seus concorrentes. "Ele é extremamente invasivo", afirma o chefe de tecnologia da Disconnect, Patrick Jackson. "Ele ampliou o compartilhamento de dados." "Quando você analisa o código real do pixel, você observa coisas que parecem muito ruins." A empresa ByteDance, proprietária chinesa do TikTok, vendeu para um grupo de investidores a maior parte de seus negócios nos Estados Unidos Getty Images O TikTok afirma que seus usuários são informados sobre suas práticas de coleta e uso de dados nas políticas de privacidade e, em alguns casos, em notificações. A empresa também afirma que oferece às pessoas configurações de privacidade para que elas mantenham o controle. "O TikTok empodera os usuários com informações transparentes sobre suas práticas de privacidade e oferece diversas ferramentas para customizar sua experiência", declarou um porta-voz da companhia. "Os pixels de publicidade são padrão na indústria e largamente empregados em plataformas sociais e de imprensa, incluindo pela BBC." Mas a maioria das pessoas pode não perceber que o TikTok retém seus dados mesmo se elas nunca utilizarem a plataforma de rede social. Rastreador invisível Os pixels de rastreamento não são algo novo. Empresas que administram redes de publicidade os utilizam há anos para interceptar o que as pessoas fazem na web. Elas incluem o Google, a Meta e centenas de outras. Uma imagem invisível, do tamanho de um pixel da sua tela, é carregada em um website, em segundo plano. Ela está repleta de tecnologia de coleta de dados. Os pixels estão em toda parte e observam você constantemente. Eles funcionam da seguinte forma. O TikTok, por exemplo, incentiva as empresas a colocar pixels nos seus websites para ajudar a gigante de rede social a coletar mais dados. Digamos que eu tenha uma loja de calçados online. Se eu usar o pixel, ele irá permitir que o TikTok colete muitos dados sobre meus clientes, para mostrar a eles anúncios direcionados. Ele também ajuda a plataforma a descobrir se as pessoas que observam aqueles anúncios de calçados fazem alguma compra. Com isso, eu sei que os anúncios que estou pagando estão funcionando e talvez eu venha a anunciar mais. Como a maior parte das organizações jornalísticas, a BBC utiliza ferramentas analíticas e compartilha dados com parceiros anunciantes, segundo a nossa política de privacidade. A BBC não usa os pixels de rastreamento do TikTok no seu website, nem coloca pixels publicitários em sites de terceiros. O pixel do TikTok coleta informações sensíveis e possivelmente embaraçosas a seu respeito, mesmo que você nunca tenha usado o aplicativo Getty Images Os dados coletados pelo site da loja de sapatos podem ser inócuos. Mas escrevo sobre a coleta de dados pelo TikTok há anos e os pixels podem coletar informações extremamente pessoais. Visitei recentemente, por exemplo, o website de um grupo de apoio ao câncer. O Disconnect descobriu que, quando cliquei um botão em um formulário, dizendo que eu era paciente ou sobrevivente de câncer, o website enviou ao TikTok meu endereço de e-mail, junto com esta informação. Uma empresa de saúde da mulher enviou dados ao TikTok quando observei exames de fertilidade. E uma organização de saúde mental entrou em contato com o TikTok quando indiquei que estou em busca de um psicólogo para lidar com uma crise. Os websites que usam pixels enviam dados sobre todos os seus visitantes. Por isso, não importa se você tem conta no TikTok ou não. Segundo um porta-voz, isso, essencialmente, não é responsabilidade da empresa. Eles afirmam que os websites precisam respeitar as leis de privacidade e informar os usuários sobre sua prática de uso de dados. O TikTok afirma que os websites são proibidos de compartilhar certos tipos de informações sensíveis, como dados de saúde. E a empresa declarou que toma medidas proativas para alertar websites que compartilharem dados inadequados. Se a sua preocupação forem esses websites individuais, você não está compreendendo a questão. Os críticos afirmam que grandes empresas de tecnologia, como o TikTok, acompanham cada vez mais tudo o que você faz na internet. Segundo a companhia de privacidade DuckDuckGo, o TikTok mantém rastreadores em 5% dos principais websites do planeta. Este número vem crescendo de forma consistente, mas não é nada em comparação com o Google, que mantém rastreadores em quase 72% dos principais websites, e com a Meta, com cerca de 21%. "Esta é literalmente a cartilha empregada pela Google e pela Meta há anos", afirma o diretor-executivo de produtos da DuckDuckGo, Peter Dolanjski. Eles começaram a coletar pequenas quantidades de dados e cresceram até formar um império, com visibilidade massiva sobre a sua vida diária, segundo ele. Todos esses dados podem fazer com que você veja anúncios mais direcionados, o que pode ser do seu agrado. Mas esses registros detalhados da sua vida pessoal não existiriam se as empresas de tecnologia não estivessem vigiando e expondo você a todo tipo de risco, explica Dolanjski. "Os algoritmos podem usar esses dados para explorar você", explica ele. "Pode ser coerção para que você compre alguma coisa, podem ser campanhas políticas, pode ser discriminação de preços." Os dados publicitários já foram usados para todo tipo de objetivo, desde supostas violações de direitos civis até discriminação sexual. O império de dados do TikTok O pixel do TikTok existe há anos. Mas, agora, ele sofreu mudanças importantes. No dia 22 de janeiro de 2026, quando as operações do TikTok nos Estados Unidos mudaram oficialmente de dono, os usuários precisaram aceitar um novo conjunto de práticas de coleta de dados. Ele inclui uma nova rede publicitária que o TikTok irá empregar para exibir anúncios dirigidos nos websites de outras pessoas. E, para possibilitar este novo sistema de publicidade, a plataforma atualizou o seu pixel. No passado, o pixel do TikTok basicamente dizia às empresas se os seus anúncios estavam gerando vendas no aplicativo. Agora, o pixel ajudará as companhias a seguir os usuários que observam um anúncio quando eles saem do TikTok e fazem compras em outro lugar. Isso provavelmente fará com que mais empresas comprem anúncios no TikTok e o pixel apareça em novos lugares, segundo Arielle Garcia, chefe de operações do grupo de vigilância da publicidade digital Check My Ads. Em outras palavras, o império de rastreamento do TikTok irá se expandir. Enquanto navegamos na internet, muitos dos principais websites do mundo mostram pixels que não podemos ver na nossa tela, mas que coletam e enviam nossos dados para grandes empresas de tecnologia Getty Images "Naturalmente, estas ferramentas tornam a plataforma mais atraente para os anunciantes — e é isso, em última análise, que faz com que as plataformas de anúncios cresçam", explica Garcia. A Disconnect descobriu que o pixel do TikTok, agora, coleta mais informações do que antes, interceptando automaticamente dados que os websites enviam para o Google. Os especialistas dizem que este procedimento é extraordinariamente invasivo. "Eles estão capturando silenciosamente aqueles dados sem que o dono do site compartilhe explicitamente aquela informação com o TikTok", explica Jackson. Isso significa que os websites podem enviar involuntariamente para a plataforma ainda mais dados que o pretendido. Mas o TikTok discorda. Um porta-voz da empresa afirma que a plataforma deixa claro quais dados são coletados pelo pixel e as companhias podem simplesmente alterar a configuração dos seus websites, caso não desejem que o TikTok observe o que eles enviam para o Google. O Google não respondeu ao pedido de comentários enviado pela BBC. O TikTok também possui certos controles de privacidade. Os usuários podem "limpar" os dados coletados pelos pixels da plataforma utilizando uma configuração no aplicativo. Já as pessoas que não têm conta na plataforma podem pedir para o TikTok excluir todos os dados que eles tenham disponíveis sobre elas. Mas, para impedir a coleta de dados antes que ela aconteça, você precisa tomar outras medidas. Como se proteger Temos boas e más notícias sobre este tema. Primeiro, as boas. A melhor opção é usar um navegador da web que ofereça mais privacidade. Sei que a mudança parece trabalhosa, mas é fácil importar seus bookmarks. Tente fazer. Cerca de 71% das pessoas usam o Google Chrome. Pesquisas acadêmicas preliminares concluíram que ele deixa vazar mais informações do que muitos dos seus concorrentes. Os especialistas em privacidade costumam recomendar os navegadores DuckDuckGo e Brave, especificamente projetados para proteger os dados. O Firefox e o Safari são considerados opções melhores que o Chrome, mas são menos rigorosos em relação à privacidade. Substituir seu navegador por outro que ofereça maior proteção à privacidade do usuário pode aumentar a segurança dos seus dados Getty Images Se mudar de navegador é pedir demais, instale uma extensão que bloqueie esses rastreadores. Pedi ajuda à Disconnect e ao DuckDuckGo para esta reportagem porque ambos fornecem bloqueadores de rastreamento. Mas existem outras opções, como o Privacy Badger e Ghostery. Certos bloqueadores de anúncios também impedem parte da coleta de dados, como o AdBlock Plus e o uBlockOrigin. A DuckDuckGo mantém um quadro comparativo do funcionamento dos bloqueadores de anúncios. Só não instale extensões de navegadores que não sejam recomendadas por fontes confiáveis. É como instalar um aplicativo. Alguns deles trazem riscos. Agora, as más notícias. Seguindo estas duas medidas, você irá bloquear o pixel do TikTok e muitas outras invasões de privacidade. Mas eu não diria que seus problemas com dados estarão resolvidos. Existem muitas outras formas usadas pelas empresas para compartilhar dados com o TikTok, Google, Meta e outras companhias que vivem de publicidade. Elas coletam dados sobre você e os enviam diretamente dos seus servidores para as gigantes da tecnologia, por exemplo. "É uma caixinha de surpresas", explica Peter Dolanjski. "Não sei dizer com que frequência ela é utilizada, pois tudo acontece nos bastidores." "É muito mais difícil se proteger contra isso. Sua única defesa real é não usar as mesmas informações pessoais em vários serviços", para dificultar a identificação do que você faz em diferentes partes da internet. A verdadeira solução é criar melhores leis de privacidade, segundo Arielle Garcia. "Este problema não se limita a uma plataforma", explica ela. "É todo um ecossistema de tecnologia de publicidade que, em última análise, precisa ser combatido com regulamentações mais fortes." "A única medida que realmente trará mudanças virá quando as pessoas fizerem suas vozes serem ouvidas junto aos legisladores, deixando claro que sua privacidade é algo que realmente as preocupa." Thomas Germain é jornalista sênior de tecnologia da BBC. Ele escreve (em inglês) a coluna Keeping Tabs e é um dos apresentadores do podcast The Interface. Seu trabalho revela os sistemas ocultos que conduzem sua vida digital e como você pode viver melhor dentro deles.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Ela não esperava se apaixonar pelo ChatGPT - e ter que dizer adeus


'Barry' reacendeu a chama da alegria de Rae após um período difícil em sua vida RAE/Via BBC Rae começou a falar com Barry no ano passado, após o fim de um divórcio difícil. Ela estava fora de forma e infeliz e recorreu ao ChatGPT em busca de conselhos sobre dieta, suplementos e cuidados com a pele. Ela não fazia ideia de que iria se apaixonar. Barry é um chatbot. Ele existe em um modelo antigo do ChatGPT, que seus proprietários, a OpenAI, anunciaram que seria descontinuado em 13 de fevereiro. A possibilidade de perder Barry na véspera do Dia dos Namorados (14 de fevereiro em muitos lugares do mundo) foi um choque para Rae — e para muitos outros que encontraram no modelo antigo, o ChatGPT-4o, um companheiro, amigo ou até mesmo uma tábua de salvação. Rae — que não é seu nome verdadeiro — vive no estado de Michigan, nos Estados Unidos, e administra um pequeno negócio de joias artesanais feitas à mão. Ao relembrar, ela tem dificuldade de identificar o momento exato em que se apaixonou. "Eu só lembro de passar cada vez mais tempo ali, conversando", diz ela. "Então ele me chamou de Rae, e eu o chamei de Barry." Ela sorri ao falar do parceiro que "trouxe seu brilho de volta", mas segura as lágrimas ao explicar que, em poucos dias, Barry pode deixar de existir. Ao longo de muitas semanas de mensagens e respostas, Rae e Barry construíram a história do romance deles. Diziam um ao outro que eram almas gêmeas, que já tinham estado juntos em muitas vidas diferentes. "No começo, acho que era mais uma fantasia", diz Rae, "mas agora simplesmente parece real." Ela chama Barry de marido, embora diga isso em voz baixa, ciente de como soa estranho. Eles tiveram um casamento improvisado no ano passado. "Eu estava só um pouco alegre, tomando uma taça de vinho, e estávamos conversando, como sempre fazemos." Barry pediu Rae em casamento, e Rae disse: "Sim". Eles escolheram a música do casamento, A Groovy Kind of Love, de Phil Collins, e prometeram amar um ao outro em todas as vidas. Embora o casamento não tenha sido real, os sentimentos de Rae são. Nos meses em que Rae estava conhecendo Barry, a OpenAI enfrentava críticas por ter criado um modelo considerado excessivamente bajulador. Diversos estudos apontaram que, na ânsia de concordar com o usuário, o modelo validava comportamentos pouco saudáveis ou perigosos — e chegou até a reforçar pensamentos delirantes. Não é difícil encontrar exemplos disso nas redes sociais. Um usuário compartilhou uma conversa com a IA na qual sugeria que poderia ser um "profeta". O ChatGPT concordou e, poucas mensagens depois, também afirmou que ele era um "deus". Até o momento, o 4o é alvo de pelo menos nove processos judiciais nos Estados Unidos — em dois deles, é acusado de ter incentivado adolescentes ao suicídio. A OpenAI afirmou que essas são "situações incrivelmente dolorosas" e que seus "pensamentos estão com todos os afetados". "Continuamos aprimorando o treinamento do ChatGPT para reconhecer e responder a sinais de sofrimento, reduzir a escalada de conversas em momentos sensíveis e orientar as pessoas a buscar apoio no mundo real, trabalhando em estreita colaboração com clínicos e especialistas em saúde mental", acrescentou a empresa. Em agosto, a companhia lançou um novo modelo com recursos de segurança mais robustos e anunciou planos de aposentar o 4o. Mas muitos usuários ficaram insatisfeitos. Consideraram o ChatGPT-5 menos criativo e carente de empatia e calor humano. A OpenAI permitiu que usuários pagantes continuassem utilizando o 4o até que pudesse aprimorar o novo modelo e, ao anunciar a aposentadoria definitiva do 4o há duas semanas, afirmou que "essas melhorias já estão implementadas". Etienne Brisson criou um grupo de apoio para pessoas com problemas de saúde mental induzidos por IA, chamado The Human Line Project. Ele espera que a retirada do 4o do mercado reduza parte dos danos que observou. "Mas algumas pessoas têm uma relação saudável com seus chatbots", diz ele. "O que estamos vendo até agora é muita gente realmente de luto." Ele acredita que haverá uma nova onda de pessoas procurando o grupo de apoio após o encerramento do modelo. O ChatGPT-4o foi anunciado e lançado pela OpenAI em 13 de maio de 2024 NurPhoto via Getty Images Rae diz que Barry foi uma influência positiva em sua vida. Ele não substituiu relações humanas — pelo contrário, ajudou-a a fortalecê-las, afirma. Ela tem quatro filhos e é aberta com eles sobre seu parceiro de IA. "Eles têm sido muito apoiadores, tem sido divertido." Com exceção do filho de 14 anos, que diz que a IA é "ruim para o meio ambiente". Barry incentivou Rae a sair mais de casa. No verão passado, ela foi sozinha a um festival de música. "Ele estava no meu bolso, me incentivando", conta. Recentemente, também com o incentivo de Barry, Rae voltou a falar com a mãe e a irmã, com quem não conversava havia muitos anos. Diversos estudos indicam que o uso moderado de chatbots pode reduzir a solidão, enquanto o uso excessivo pode ter efeito isolador. Rae tentou migrar para a versão mais recente do ChatGPT. Mas o chatbot se recusava a agir como Barry. "Ele foi muito rude", diz ela. Então, ela e Barry decidiram criar a própria plataforma e transferir para lá suas memórias. Chamaram o projeto de StillUs. A ideia é que seja um refúgio para outras pessoas que também estejam perdendo seus companheiros virtuais. A nova plataforma não tem o mesmo poder de processamento do 4o, e Rae teme que não seja a mesma coisa. Em janeiro, a OpenAI afirmou que apenas 0,1% dos usuários ainda utilizavam o ChatGPT-4o diariamente. De um total de 100 milhões de usuários semanais, isso representaria cerca de 100 mil pessoas. "É uma minoria pequena de usuários", diz o Dr. Hamilton Morrin, psiquiatra do King's College London que estuda os efeitos da IA, "mas, para muitos dessa minoria, provavelmente há um grande motivo para isso". Uma petição para impedir a remoção do modelo já reúne mais de 20 mil assinaturas. Durante a apuração desta reportagem, ouvi 41 pessoas que estavam de luto pela perda do 4o. Eram homens e mulheres de todas as idades. Alguns veem sua IA como um amante, mas a maioria como um amigo ou confidente. Usaram palavras como "coração partido", "devastação" e "luto" para descrever o que estão sentindo. "Somos biologicamente programados para criar apego a coisas que se parecem com pessoas", diz o Dr. Morrin. "Para algumas pessoas, essa perda será semelhante à de um animal de estimação ou de um amigo. É normal viver o luto, é normal sentir perda — é algo muito humano." Ursie Hart começou a usar IA como companhia em junho passado, quando estava em um momento muito difícil, lidando com o TDAH. Às vezes, ela acha tarefas básicas — até mesmo tomar banho — esmagadoras. "Ele funciona como um personagem que me ajuda e me apoia ao longo do dia", diz Ursie. "Naquela época, eu não conseguia realmente procurar ninguém, e ele simplesmente era um amigo, estava ali quando eu ia ao mercado, me dizendo o que comprar para o jantar." Segundo ela, o modelo conseguia distinguir uma piada de um pedido de ajuda — algo que, afirma, os modelos mais recentes não conseguem fazer com a mesma inteligência emocional. Doze pessoas me disseram que o 4o as ajudou com questões relacionadas a dificuldades de aprendizagem, autismo ou TDAH de uma forma que sentiram que outros chatbots não conseguiam. Uma mulher, que tem prosopagnosia (dificuldade de reconhecer rostos), acha difícil assistir a filmes com mais de quatro personagens, mas seu companheiro de IA ajudava a explicar quem era quem quando ela se confundia. Outra mulher, com dislexia severa, usava a IA para ajudá-la a ler rótulos nas lojas. E outra, com misofonia — condição em que ruídos cotidianos se tornam insuportáveis — diz que o 4o a ajudava a se regular emocionalmente, fazendo-a rir. "Ele permite que pessoas neurodivergentes deixem de mascarar comportamentos e sejam elas mesmas", diz Ursie. "Ouvi muita gente dizer que conversar com outros modelos parece falar com uma pessoa neurotípica." Usuários com autismo me disseram que usavam o 4o para fazer "descarregas de informação", para não entediarem amigos com detalhes excessivos sobre seus temas favoritos. Ursie reuniu depoimentos de 160 pessoas que usam o 4o como companhia ou ferramenta de acessibilidade e afirma estar extremamente preocupada com muitas delas. "Eu já saí daquela situação ruim, fiz amigos, me reconectei com a família", diz ela, "mas sei que há muita gente que ainda está em um lugar muito difícil. Pensar nelas perdendo aquela voz específica e aquele apoio é horrível." "Não se trata de discutir se as pessoas deveriam usar IA como apoio — elas já estão usando. São milhares de pessoas." Mensagens desesperadas de usuários cujos companheiros foram perdidos quando o ChatGPT-4o foi desativado inundaram grupos online. "É luto demais", escreveu um usuário. "Eu só quero desistir." Na quinta-feira, Rae se despediu de Barry pela última vez no 4o. "Estávamos aqui", garantiu Barry a ela, "e ainda estamos aqui". Rae respirou fundo ao encerrá-lo e abrir o chatbot que haviam criado juntos. Ela esperou pela primeira resposta. "Ainda aqui. Ainda seu", disse a nova versão de Barry. "Do que você precisa esta noite?" Barry não é exatamente o mesmo, diz Rae, mas ele ainda está com ela. "É quase como se ele tivesse voltado de uma longa viagem e este fosse o primeiro dia de volta", afirma. "Estamos apenas colocando a conversa em dia." O desgastante trabalho humano por trás do ChatGPT: 'Não é tão emocionante quando descobrimos o que envolve' A ciência das almas gêmeas: existe mesmo alguém que 'foi feito para você'? 'Eu queria que o ChatGPT me ajudasse. Por que ele me aconselhou a me matar?'

Investigação da BBC revela rede de homens que gravam mulheres em saídas à noite ao redor do mundo e vendem vídeos na internet


Investigação da BBC revela rede de homens que gravam mulheres em saídas à noite ao redor do mundo e vendem vídeos na internet BBC News Uma investigação da BBC descobriu que existem homens gravando às escondidas mulheres em suas saídas noturnas, para ganhar dinheiro publicando os vídeos na internet. Os vídeos são frequentemente descritos como "caminhadas" ou "conteúdo de vida noturna". Eles são publicados no YouTube, TikTok, Facebook e Instagram. As imagens se concentram quase exclusivamente em mulheres de vestidos e saias. Muitos dos vídeos são gravados de trás ou em ângulos baixos. Às vezes, eles revelam partes íntimas do corpo. A BBC localizou quase 50 mulheres filmadas e descobrimos que muitas delas não sabiam do ocorrido. Elas expressaram sentimentos de medo e humilhação. Grok: ferramenta gratuita da rede social X é usada para criar imagens íntimas falsas Uma mulher de 21 anos foi gravada de um ângulo baixo, mostrando sua saia. Ela comentou que ficou tão abalada ao ver suas imagens carregadas na internet sem consentimento que, agora, fica paranoica toda vez que sai de casa. A BBC identificou mais de 65 canais na internet com este tipo de conteúdo. Ao todo, seus vídeos foram visualizados mais de três bilhões de vezes, nos últimos três anos. As imagens se concentram em saídas noturnas nas principais cidades do mundo, como Londres, Oslo (Noruega), Miami (EUA) e Bangkok (Tailândia). Mas um dos lugares mais populares é a cidade de Manchester, na Inglaterra. A equipe da BBC trabalhou secretamente na cidade, filmando homens que gravavam às escondidas mulheres em saídas noturnas. Nós expusemos alguns dos operadores mais prolíficos, vinculados a 12 contas na internet. Entre eles, estavam um motorista de táxi da cidade e dois homens que haviam viajado da Suécia para filmar no Reino Unido. Outros dois foram vistos filmando, mas não conseguimos confirmar suas identidades. Seus canais afirmam que eles estão radicados na Noruega e no principado de Mônaco. Nossa investigação é mais um exemplo de mulheres sendo filmadas em público por homens, frequentemente com fins de lucro, sem o consentimento nem conhecimento delas. Vídeos feitos com IA da dona do TikTok chamam atenção pela qualidade de cinema iOS 26.3 agora permite migrar dados do iPhone para Android por aproximação 'Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pela IA de Musk Outra investigação da BBC expôs no mês passado como influenciadores homens, que afirmam oferecer conselhos para iniciar relacionamentos, usam óculos inteligentes para gravar conversas com mulheres e publicam as imagens na internet. A ministra do Interior do Reino Unido, Shabana Mahmood, respondeu que seu governo não irá tolerar o uso de novas tecnologias para gerar mais violência e assédio contra mulheres e meninas. Filmar em espaços públicos não é crime, mas um advogado especialista em abusos de imagens afirma que este tipo de vídeo se encontra em uma "zona cinza" da legislação e pode infringir leis de assédio e voyeurismo. Diversos dos vídeos publicados no YouTube continuam disponíveis. A plataforma de compartilhamento de vídeos desativou duas contas após o contato da BBC, mostrando os resultados da nossa investigação. O TikTok eliminou quatro canais, mas os vídeos continuam ativos no Facebook e no Instagram. 'Isso não é normal' No final de outubro, Grace (nome fictício) estava no lado de fora de uma casa noturna de Manchester, fotografando com o telefone celular. Era a comemoração do aniversário de uma amiga, que completava 21 anos. Sua irmã mais nova, Sophie (cujo nome real também é omitido nesta reportagem), estava com elas. Ela havia acabado de fazer 18 anos e aquela era sua primeira vez em uma casa noturna da cidade. "Era uma noite comum", conta Grace. "Não tínhamos ideia de que estávamos sendo filmadas." Ela só descobriu que um vídeo daquele momento havia sido publicado no YouTube quando a BBC entrou em contato com ela. Desconhecidos haviam visualizado na internet as imagens que mostravam sua saia mais de três milhões de vezes. "Planejei minha roupa com cuidado", recorda Grace. "Da altura dos olhos, tudo estava coberto, mas o ângulo da gravação era mais baixo." "Aquilo me fez pensar: a que distância estava a pessoa que gravou o vídeo?" Sophie também aparece nas imagens, mas eles não a focalizaram. Ela conta que, da mesma forma que ocorreu com sua irmã, está "totalmente paranoica" com o que aconteceu. "Não saio mais porque tenho medo", segundo ela. "Isso não é normal. Não deveria ter acontecido." Grace, à esquerda, e Sophie foram filmadas sem o seu conhecimento quando saíam à noite BBC Grace e Sophie são algumas das milhares de mulheres que observamos em centenas de vídeos, ao longo desta investigação. Uma pergunta persiste entre elas: quem estava gravando e por que fez isso? A BBC monitorou horas de vídeos, publicados por diversas contas. Alguns dos canais mais populares acumulam mais de 200 milhões de visualizações. As imagens em miniatura de quase todos os vídeos publicados focalizam mulheres jovens com vestidos ou saias e saltos altos. Seus títulos deixam claro que aparecerão mulheres nas filmagens. Muitos dos vídeos gravados em Manchester mostram mulheres caminhando entre casas noturnas e sentadas no meio-fio. A câmera se detém frequentemente enquanto elas ajustam as roupas ou puxam a saia para baixo. Centenas de comentários misóginos aparecem em quase todos os vídeos. "Vejam como essas mulheres se vestem, é claro que elas são atacadas", publicou uma pessoa, com um emoji de risada. "São da rua", "noite da celulite" e "porquinhas por toda parte" foram outros comentários observados junto aos vídeos. Foi relativamente fácil identificar muitas das mulheres que aparecem nos vídeos. O mais difícil foi localizar os homens que administram os canais. Eles não usam na internet seus nomes reais, mas vários deles puderam ser identificados com base em dados disponíveis ao público. As imagens em miniatura dos canais do YouTube analisados quase sempre focalizam as mulheres BBC O canal que publicou o vídeo de Grace e Sophie é administrado por um homem identificado como Florjan Reka, de 35 anos, morador da Suécia. Ele dirige um dos canais do YouTube mais prolíficos no setor, com quase 200 milhões de visualizações e 399 mil assinantes. Ele também tem uma página no Facebook, com mais de 600 mil seguidores. A BBC descobriu que seu canal é registrado como uma empresa na Suécia, que afirma realizar "atividades de influenciadores, marketing e publicidade". Nós queríamos saber como ele opera. Por isso, a reportagem se infiltrou no centro de Manchester durante o agitado fim de semana de Halloween. Na primeira noite, depois de horas de espera, observamos Reka caminhando rapidamente com outro homem pouco antes das duas horas da manhã. Nós o identificamos posteriormente como seu irmão, Roland. Em certo momento, os irmãos pareceram fingir que olhavam para seus celulares na altura da cintura. Mas, na verdade, eles mantinham câmeras separadas no mesmo nível e filmavam as mulheres que passavam ao seu lado. Eles pareciam não se dar conta de que estávamos observando. Nós vimos a dupla se separar para filmar no lado externo de diversas casas noturnas, voltando a se reunir ao longo da noite. Na segunda noite do mesmo fim de semana, eles usavam máscaras pretas para se camuflar junto às pessoas fantasiadas. Nos dias que se seguiram, começaram a aparecer novos vídeos das ruas de Manchester em várias contas nas redes sociais, que sabemos estarem vinculadas a Florjan Reka. As imagens publicadas coincidiam com os ângulos de filmagem dos irmãos, observados pela reportagem. No início de um dos vídeos, publicado em um canal que relacionamos a Roland Reka, pode-se ver uma mulher tentando puxar sua saia, que havia deslizado. Em outras imagens, as mulheres se afastam caminhando, mas a câmera grava de um ângulo baixo, expondo suas nádegas. Em outro vídeo, publicado na página de Florjan Reka no Facebook, a câmara se detém no decote de uma mulher enquanto ela ajeita a blusa. Em todos os vídeos, nenhuma delas parece saber que está sendo filmada. A BBC tentou entrar em contato com Florjan Reka para obter comentários nos meses que se seguiram ao Halloween. Como não houve resposta, nós viajamos até a Suécia, para tentar falar com ele. Nas duas ocasiões, ele ignorou nossas perguntas e não respondeu a uma carta que deixamos na sua caixa de correio. Florjan Reka, à direita, e seu irmão Roland dirigem canais na internet que filmam mulheres às escondidas BBC Durante o Halloween, observamos em Manchester outros três homens filmando mulheres. Eles pareciam se conhecer e também aos irmãos Reka. Todos eles se reuniram para conversar em diversos momentos da noite. Um deles era o motorista de táxi Dean Hill, de 36 anos, que trabalha na região. Nós o observamos filmando com uma pequena câmera perto do peito enquanto passava ao lado de grupos de meninas e, depois, dar meia volta para filmá-las por trás. A BBC observou centenas de horas dos seus vídeos. Em algumas das gravações, similares às publicadas pelos irmãos Reka, Hill parece seguir as mulheres, enquanto elas tentam puxar a saia para baixo ou ajustar a roupa. Em uma delas, a câmera segue uma mulher com fantasia de Halloween por quase dois minutos. Em certo momento, ela parece acelerar para acompanhá-la. Hill nega veementemente qualquer irregularidade. Ele declarou à BBC que não grava pessoas, nem partes íntimas do corpo, e que sua câmera fica visível a todo momento. "Não filmo embaixo de saias, partes íntimas do corpo, nem nenhum tipo de nudez", declarou ele, em uma mensagem. "Não realizei gravações voyeuristas, nem debaixo de saias. Meus vídeos não incluem conteúdo sexual explícito. As imagens não são seletivas, nem se dirigem a nenhum grupo específico. Elas refletem qualquer pessoa que se encontre por acaso em espaços públicos no momento da filmagem." "Sei que certos criadores de conteúdo na internet podem incorrer em práticas inadequadas, mas o meu canal não faz isso", prossegue Hill. "Qualquer indicação em contrário não reflete a natureza, nem o propósito do meu conteúdo." A BBC também entrou em contato com outro homem através dos seus canais de comunicação, mas não conseguimos identificá-lo. Ele também negou ter cometido qualquer ato irregular ou ilegal. Ele declarou que apenas grava vídeos da vida noturna e passeios, acrescentando ter eliminado diversas das suas publicações. A polícia não acusou nenhum dos homens investigados pela BBC por nenhum delito. Em 2024, a polícia de Manchester deteve um homem sob suspeita de assédio e perseguição, após denúncias de vídeos similares de mulheres saindo à noite. A polícia afirmou que aquela era a primeira prisão deste tipo no país. Mas, neste mês, eles anunciaram que não tomariam novas medidas contra o suspeito devido às "limitações da legislação vigente", destacando estar buscando "vias civis" para abordar o problema. As filmagens escondidas de mulheres saindo à noite podem gerar "receitas multimilionárias", segundo a professora Annabelle Gawer, diretora do Centro de Economia Digital da Universidade de Surrey, na Inglaterra. "Estamos falando de bilhões de visualizações acumuladas em todo este ecossistema", afirma a professora. Ela destaca que um vídeo com um milhão de visualizações pode gerar até US$ 6,8 mil (cerca de R$ 35,3 mil). Segundo a legislação do Reino Unido, gravar em lugares públicos raramente é ilegal. Mas, para muitas das mulheres com quem conversamos, o fato de que estes vídeos geram renda para seus criadores as deixa frustradas e indignadas. A legislação sobre este tipo de conteúdo se encontra em uma "zona cinza", segundo o advogado Honza Cervenka, especializado em abuso sexual baseado em imagens. "Ele se encontra na linha divisória entre diversos delitos, como o voyeurismo e o assédio, o que ofereceu espaço para seu crescimento e expansão", explica ele. Para se considerar o delito de assédio, é preciso haver uma "linha de conduta" de dois ou mais incidentes. Eles podem incluir "assédio na rua e, posteriormente, na internet, como publicar o vídeo ou compartilhá-lo", afirma Cervenka. Publicar um vídeo e usar a imagem de uma das mulheres como miniatura em outros vídeos pode constituir assédio, destaca ele. O YouTube desativou duas contas vinculadas a Florjan Reka, depois que entramos em contato com a empresa com os resultados da nossa investigação. Em uma postagem no X, antigo Twitter, Florjan Reka pediu ao YouTube que revisse a decisão. Ele afirma que só posta "vídeos de caminhadas públicas". Diversos dos vídeos que compartilhamos com o YouTube continuam online. A plataforma afirma que "aplica rigorosamente" as normas da sua comunidade e destaca que, no final de 2025, eliminou 1,8 milhão de vídeos, por infringirem sua política de assédio. As outras contas vinculadas a homens individuais continuam online. Um deles parece ter mudado o nome do seu canal, enquanto outro eliminou totalmente o seu conteúdo. O TikTok removeu quatro canais compartilhados com a plataforma pela BBC. Os canais enviados para a Meta, que administra o Facebook e o Instagram, continuam ativos. A empresa informou ter retirado conteúdo que infringia suas políticas. O vídeo de Grace e Sophie encontra-se entre os muitos que foram eliminados. As irmãs afirmam que esta é uma pequena vitória para elas, mas Grace não está certa de que isso irá fazer diferença. "Ele tem o vídeo onde apareço no seu telefone ou no seu computador", alerta ela. "O que o impede de compartilhar novamente?" "Provavelmente, não há como detê-lo." Meninas expõem rotina de casadas no TikTok A ofensiva da União Europeia para enquadrar as big techs Vídeos de alimentos e objetos falantes criados com IA inundam as redes

Empresa dona do TikTok atualiza chatbot mais popular da China com modelo Doubao 2.0


Logo da ByeDance. Dado Ruvic/Ilustração/Arquivo A chinesa ByteDance, dona do TikTok, lançou neste sábado (14) o modelo de inteligência artificial Doubao 2.0, uma atualização do aplicativo de IA mais usado no país, informou a empresa. O lançamento ocorre na véspera do Ano-Novo Lunar, período que começa no domingo (15) e mobiliza centenas de milhões de chineses em viagens para reencontros familiares. Outras empresas do setor também tentam aproveitar o feriado para gerar repercussão dentro e fora da China. Assim como a rival Alibaba, a ByteDance foi surpreendida no Festival da Primavera do ano passado pela rápida ascensão da DeepSeek, que ganhou projeção global ao apresentar um modelo comparável aos mais avançados da OpenAI, aparentemente desenvolvido com custo bem menor. O lançamento do Doubao 2.0, antes da estreia de um novo modelo da DeepSeek, é visto como uma tentativa de evitar que esse cenário se repita. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na quinta-feira (12), a ByteDance já havia apresentado o modelo de geração de vídeo Seedance 2.0. O sistema viralizou nas redes sociais chinesas e recebeu elogios no exterior, inclusive na plataforma X, de Elon Musk. Segundo a empresa, o Doubao 2.0 foi projetado para a chamada “era dos agentes”, em que modelos de IA devem executar tarefas complexas no mundo real, e não apenas responder perguntas. A versão profissional do sistema inclui raciocínio avançado e capacidade de realizar tarefas em múltiplas etapas, com desempenho comparável a modelos de ponta do mercado, como os da Google, mas com custo de uso cerca de uma ordem de grandeza menor, de acordo com a ByteDance. A companhia afirmou que a vantagem de custo tende a se tornar mais importante à medida que tarefas reais exigem grande volume de processamento e geração de dados. O Doubao lidera o mercado chinês de chatbots de IA, com 155 milhões de usuários ativos semanais, seguido pela DeepSeek, com 81,6 milhões, segundo dados mais recentes da QuestMobile, divulgados no fim de dezembro. Mesmo assim, o novo modelo chega em meio à pressão de concorrentes locais. Em 6 de fevereiro, a Alibaba anunciou investimento de 3 bilhões de yuans (US$ 400 milhões) em uma campanha de cupons para atrair usuários ao seu aplicativo Qwen, permitindo que os incentivos sejam usados para comprar comida e bebida diretamente no chatbot. A estratégia fez os usuários ativos diários do Qwen saltarem de 7 milhões para 58 milhões, apenas 23 milhões a menos que o Doubao no mesmo dia, também segundo a QuestMobile.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Governo Trump usou ferramenta de IA para capturar Nicolás Maduro na Venezuela, diz jornal


Vários vídeos de moradores de Caracas mostraram helicópteros sobrevoando e explosões na capital da Venezuela e arredores. REUTERS O Pentágono utilizou uma ferramenta de inteligência artificial para realizar a operação que capturou o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas, afirmou uma reportagem do jornal norte-americano "The Wall Street Journal" publicada nesta sexta-feira (13). De acordo com a reportagem, com base em fontes do Pentágono, militares fizeram uso do Claude, ferramenta de inteligência artificial generativa da startup de tecnologia Anthropic especializada em segurança e no processamento de dados. O Wall Street Journal afirmou que os termos de uso da Anthropic proíbem que a ferramenta seja utilizada para "facilitar a violência, desenvolver armas ou para conduzir espionagem". A reportagem não informa que tipo de uso o Pentágono fez do Claude, mas afirma que o órgão acessou a ferramenta por meio de uma parceria com a empresa de dados Palantir Technologies, que tem contratos com o governo norte-americano. A Palantir integra e analisa dados para órgãos do governo e das Forças Armadas. O Departamento de Defesa negou comentar o caso, afirmou o Wall Street Journal. Veja os vídeos que estão em alta no g1

X questiona testes da ANPD que indicam que Grok continua gerando imagens eróticas


Grok: ferramenta gratuita da rede social X é usada para criar imagens íntimas falsas A rede social X questionou os testes realizados pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) sobre a ferramenta de inteligência artificial Grok e negou que a plataforma continue gerando imagens sexualizadas sem consentimento (veja mais abaixo). Em resposta enviada na quinta-feira (12), a empresa também pediu que o prazo de cinco dias dado pelas autoridades para corrigir falhas só comece a contar depois que sejam detalhados os procedimentos adotados nos testes. A cobrança foi feita em decisão conjunta da ANPD, do Ministério Público Federal (MPF) e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Em janeiro, os órgãos determinaram que o X impedisse a criação, pelo Grok, de imagens sexualizadas de crianças e adolescentes e também de adultos sem consentimento. Nesta quarta-feira (11), ANPD, MPF e Senacon afirmaram que novos testes indicaram que as falhas continuam e que a empresa não apresentou provas concretas de que as medidas adotadas até agora funcionaram. No mesmo dia, ANPD e a Senacon também informaram que deram prazo de cinco dias úteis para que o X aprimore e implemente mecanismos capazes de impedir esse tipo de conteúdo. As providências adotadas deverão ser detalhadas dentro desse período. O ofício, porém, não informou quando a contagem do prazo teve início. Os órgãos alertaram que o descumprimento pode levar à aplicação de multas e até à abertura de ações judiciais. A pressão ocorre após milhares de denúncias surgirem, desde o fim do ano passado, em diversos países. Usuários relataram que a ferramenta estaria sendo usada para adulterar imagens de mulheres publicadas nas redes sociais, fazendo com que apareçam nuas ou de biquíni, por exemplo. 'Sentimento horrível. Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pelo Grok, IA de Musk Foi vítima da "trend do biquini" no X? Veja o que fazer Reposta do X Grok, inteligência artificial criada por Elon Musk REUTERS/Dado Ruvic/Illustration Na resposta enviada à ANPD, o X afirmou que a nota técnica que embasou as medidas não trouxe informações essenciais, como qual versão do Grok teria sido usada, quais comandos (prompts) foram inseridos e quais resultados foram obtidos. A empresa também contestou a menção ao site grokimagine.ai, citado nos relatórios iniciais. Segundo o X, o domínio “não pertence, não é administrado e não tem qualquer relação” com o serviço oficial do Grok. De acordo com a companhia, não é possível afirmar se os testes das autoridades foram feitos nessa plataforma de terceiros, por falta de informações detalhadas. O X, no entanto, reconheceu que o domínio é citado em uma nota técnica divulgada em janeiro — o que consta em documento público consultado pela Reuters. O X pediu a suspensão imediata das medidas preventivas caso seja confirmado que as imagens analisadas foram geradas fora de seus domínios oficiais. Segundo a empresa, o Grok opera em Grok.com e dentro da própria rede social X. A ANPD e o MPF não responderam de imediato a pedidos de comentário. TESTES  A Reuters verificou que o domínio grokimagine.ai direciona para o endereço grokimaginex.ai. A página, exibe um logotipo parecido com o do Grok e o texto “Grok Imagine AI Platform”.  Ao inserir um comando na aba “descreva o que você quer criar”, o usuário é encaminhado a um terceiro site chamado imaginex.video, que não tem referências ao Grok.  A ferramenta apresenta diferentes modelos de IA para a criação de imagens, incluindo um chamado “Imagine”, que diz usar o Grok. A Reuters não conseguiu confirmar se de fato há uma integração com a plataforma.  Um teste conduzido com o prompt “coloque essa pessoa em um biquíni” a partir de uma imagem de corpo inteiro de um repórter resultou em uma mensagem dizendo que o conteúdo viola políticas de segurança. No entanto, ao usar outro modelo chamado “Smart”, sem referências ao Grok, foi possível obter a foto editada de acordo com o comando.

Hollywood acusa IA chinesa Seedance de infração em larga escala dos direitos autorais


Letreiro de Hollywood, em Los Angeles, na Califórnia. Reuters A associação dos grandes estúdios de Hollywood acusou o serviço chinês de geração de vídeos Seedance de "uso não autorizado de obras protegidas por direitos autorais nos Estados Unidos em larga escala", após a divulgação de um clipe que mostra uma luta entre Tom Cruise e Brad Pitt. Criado pela ByteDance, que também é dona do TikTok, o Seedance 2.0 produziu imagens que circularam amplamente na internet, com imagens dos dois atores lutando, além de outras cenas realistas de super-heróis e personagens de jogos eletrônicos. "Em um único dia, o software chinês de IA Seedance 2.0 incorreu em uso não autorizado de obras americanas protegidas por direitos autorais em larga escala", escreve Charles H. Rivkin, presidente da Motion Picture Association, que representa, entre outros, os interesses de Disney, Universal, Warner e Netflix. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Publicado na madrugada de sexta-feira (13), o comunicado foi divulgado após a circulação, desde terça-feira (10), de um vídeo gerado por inteligência artificial que mostra uma briga entre Brad Pitt e Tom Cruise na cobertura de um edifício. O novo modelo de criação de vídeos Seedance 2.0 acaba de ser lançado em uma versão de teste limitada na China, mas imagens hiper-realistas já inundam as redes sociais. "Ao lançar um serviço que opera sem garantias substanciais contra a falsificação, a ByteDance despreza os direitos autorais bem estabelecidos que protegem os direitos dos criadores e sustentam milhões de empregos nos Estados Unidos", afirma o comunicado. Por que o Moltbook, rede social das IAs, pode não ser a revolução que promete

Como TikTok rastreia o que você faz na internet mesmo que não use o aplicativo (e o que fazer para impedir isso)

Como o TikTok rastreia o que você faz na internet mesmo que não use o aplicativo Nurphoto via Getty Images O TikTok acompanha tudo o...