terça-feira, 31 de março de 2026

Huawei aumenta receita anual para US$ 127,5 bilhões, mas crescimento em 2025 foi mais lento


Estande da Huawei da World Artificial Intelligence Conference em Xangai, China, em julho de 2025 REUTERS/Go Nakamura A chinesa Huawei Technologies anunciou nesta terça-feira (30) um crescimento de 2,2% na receita em 2025. O avanço foi impulsionado principalmente pelas áreas de infraestrutura de rede e de dispositivos de consumo, enquanto o negócio de computação em nuvem teve queda no faturamento. A empresa, que tem sede em Shenzhen, alcançou receita de US$ 127,5 bilhões em 2025, alta de 2,2% em comparação com o ano anterior. O resultado mostra uma desaceleração significativa frente ao crescimento de 22,4% registrado em 2024. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O desempenho de 2025 representa a segunda maior receita anual da Huawei, abaixo apenas do recorde de US$ 128,9 bilhões obtido em 2020. O lucro líquido cresceu 8,6%, chegando a US$ 9,8 bilhões. A área de consumo, que reúne smartphones e outros aparelhos digitais, registrou aumento de 1,6% na receita, para US$ 49,8 bilhões. A divisão de infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação, principal fonte de faturamento da empresa, teve crescimento de 2,6% nas vendas, que somaram US$ 54,2 bilhões, segundo comunicado da Huawei. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Já o negócio de computação em nuvem (embora menor, mas relevante para a companhia) apresentou queda de 3,5% na receita, reflexo da forte concorrência no mercado chinês. A área de soluções automotivas inteligentes, voltada ao apoio a montadoras tradicionais no desenvolvimento de veículos com tecnologia avançada, registrou alta expressiva de 72,1% na receita, que alcançou US$ 6,5 bilhões.

Meta lança dois óculos inteligentes Ray-Ban para usuários de lentes com grau

A Meta lançou dois óculos inteligentes Ray-Ban nesta terça-feira (31), expandindo suas ofertas em uma área que se tornou um dos poucos sucessos da empresa na corrida por aparelhos com recursos de inteligência artificial. Os novos óculos, que estão disponíveis para pré-venda nos EUA a partir de US$499, ampliam as opções para usuários de óculos de grau. O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, disse em janeiro que "bilhões de pessoas usam óculos ou lentes de contato para correção da visão". A Meta disse que os novos produtos - Ray-Ban Meta Blayzer Optics e Ray-Ban Meta Scriber Optics - estarão disponíveis em óticas nos EUA e em mercados internacionais selecionados em 14 de abril. A companhia afirma que os novos modelos têm opções de ajustes que podem torná-los adaptáveis ao formato de rosto exclusivo de cada usuário. As vendas globais de óculos inteligentes atingiram 9,6 milhões de unidades no ano passado, com a Meta respondendo por cerca de 76,1% do total, disse o diretor de pesquisa da IDC, Ramon Llamas, acrescentando que as vendas globais de óculos inteligentes devem atingir 13,4 milhões de unidades em 2026. A Meta lançou os óculos Meta Ray-Ban Display por US$799 no ano passado, seu primeiro modelo com uma tela integrada, permitindo que os usuários leiam mensagens, sigam instruções de navegação e interajam com serviços de IA sem precisarem de um telefone. No início deste ano, no entanto, a Meta atrasou o lançamento global do modelo, citando escassez de oferta e forte demanda. Os óculos Display também podem ser encomendados com lentes de prescrição por um adicional de US$200. A rival de menor porte Snap criou uma subsidiária independente para seus óculos inteligentes de realidade aumentada e está se preparando para lançar o produto para os consumidores. Enquanto isso, o Google fez uma parceria com a Warby Parker para lançar óculos com IA.

Manifestantes se mobilizam na Alemanha em apoio à atriz vítima de 'deepfake'


Pessoas protestam contra a violência sexual e em apoio à atriz Collien Fernandes, em Berlim. REUTERS/Christian Mang/File Photo Milhares de pessoas estão se manifestando na Alemanha em apoio à atriz Collien Fernandes, que acusa seu ex-marido de divulgar vídeos pornográficos falsos gerados por inteligência artificial (IA), na qual ela aparece em evidência. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 De Berlim à Frankfurt, passando por Hamburgo, diversos atos foram realizados para apoiar Fernandes, muitos deles convocados pelo coletivo Vulver, que denunciou as "lacunas gritantes" da proteção jurídica das mulheres na internet. A Alemanha já estava preparando um projeto de lei sobre a divulgação de vídeos falsos gerados com IA (chamados "deepfakes"), mas a publicação, em meados de março, de uma investigação da revista Spiegel sobre este caso evidenciou a urgência de regular estas práticas. Collien Fernandes, de 44 anos, que também é modelo e apresentadora de televisão, acusa o ex-marido, o ator e apresentador Christian Ulmen, de 50 anos, de ter criado perfis falsos nas redes sociais para contactar homens, sobretudo do seu círculo social, e de ter difundido vídeos pornográficos falsos em que aparece sua imagem. Devido a isso, a atriz sofre assédio online há anos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Alguns meios de comunicação alemães observam neste cenário o equivalente digital ao caso da francesa Gisèle Pelicot, que se tornou uma figura mundial da luta contra a violência sexual por ter denunciado publicamente os estupros cometidos por dezenas de homens recrutados por seu ex-marido. "Paraíso para os agressores" Na sexta-feira, a Procuradoria alemã afirmou que está investigando Ulmen por uma "suspeita inicial" baseada nos elementos apresentados pela atriz no artigo da Spiegel. Por ora, investiga-se o crime de assédio, mas outras infrações podem ser acrescentadas posteriormente. Uma denúncia já havia sido apresentada em 2024, mas foi arquivada em junho por falta de pistas para identificar o autor dos vídeos. Fernandes denunciou que o marco jurídico para casos deste tipo continua sendo muito limitado na Alemanha, país que é, segundo ela, um "paraíso para os agressores". A atriz também apresentou uma queixa na Espanha, onde o casal morava e no qual a legislação sobre violência contra as mulheres é mais rígida. O escândalo levou milhares de pessoas às ruas. No dia 26 de março, 17.000 manifestantes protestaram em Hamburgo, no norte do país, para pressionar o governo. Pessoas protestam contra a violência sexual e em apoio à atriz Collien Fernandes, em Berlim. REUTERS/Christian Mang/File Photo Merz acusa imigrantes Após ter recebido ameaças de morte, Collien Fernandes descartou em um primeiro momento participar das mobilizações, mas acabou por subir ao palco, vestindo um colete à prova de balas por baixo de um casaco, "pois [há] homens, e apenas homens, que querem me matar", afirmou sob os aplausos da multidão. Os manifestantes estão também "do lado das vítimas que não têm uma voz tão forte nem qualquer publicidade", declarou à AFP Luna Sahling, porta-voz da Juventude dos Verdes, que organizou outra marcha no domingo em Munique (sul). "Precisamos de leis verdadeiras que sensibilizem especialmente as mulheres sobre esta violência digital", sublinhou. Questionado há alguns dias por uma deputada sobre o que pretendia fazer para proteger as mulheres da violência, o chefe de Governo alemão, Friedrich Merz (conservador), evocou uma "explosão da violência na nossa sociedade, tanto no espaço físico como no digital". Mas causou grande polêmica ao afirmar que uma "parte considerável desta violência procede das comunidades de imigrantes", em uma tentativa adicional de travar o avanço da extrema direita, com um discurso cada vez mais duro contra os migrantes. "Uma mentira populista escandalosa", reagiu Lydia Dietrich, diretora da associação feminista Frauenhilfe München, durante o ato de apoio a Collien Fernandes na capital da Baviera. Christian Ulmen e Collien Fernandes eram um casal de celebridades muito conhecido na Alemanha G. Chlebarov/VISTAPRESS/IMAGO

Meta, Snapchat, TikTok e YouTube não cumprem totalmente proibição de contas para menores, diz Austrália


Brasileiros contam como foi a proibição de redes sociais na Austrália A autoridade de segurança online da Austrália informou nesta terça-feira (31) que avalia acionar a justiça contra Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e YouTube. O órgão alega que as plataformas não estão fazendo o suficiente para impedir que crianças menores de 16 anos usem seus serviços. Especialistas afirmam que caberá aos tribunais definir quais medidas podem ser razoavelmente exigidas das empresas com base na lei, que entrou em vigor em 10 de dezembro e proíbe contas de menores. A comissária de eSafety da Austrália, Julie Inman Grant, divulgou seu primeiro relatório de conformidade desde a implementação da lei. O documento exige que 10 plataformas removam todas as contas de usuários australianos com menos de 16 anos. Logo da Meta, empresa dona do Instagram e Facebook. Tony Avelar/AP Segundo o relatório, 5 milhões de contas foram desativadas. Ainda assim, um número significativo de crianças continua mantendo contas, criando novos perfis e burlando os sistemas de verificação de idade. Em nota, Inman Grant disse que há “preocupações significativas” sobre o cumprimento das regras por metade dessas plataformas. O órgão reúne provas contra cinco delas por não terem adotado “medidas razoáveis” para impedir contas de menores. A Justiça pode aplicar multas de até 49,5 milhões de dólares australianos (cerca de US$ 33 milhões) em casos de falhas sistemáticas. A decisão sobre abrir ações judiciais deve sair até o meio do ano. Entre as plataformas com restrição de idade que não estão sob investigação estão Reddit, X, Kick, Threads e Twitch. A ministra das Comunicações, Anika Wells, afirmou que as cinco plataformas criticadas estão deliberadamente descumprindo a lei. “As redes sociais estão fazendo o mínimo possível porque querem que essas leis fracassem”, disse a jornalistas. “Esta é uma lei pioneira. Somos os primeiros no mundo a adotá-la. É claro que eles não querem que funcione, porque isso pode influenciar outros países que passaram a seguir o exemplo da Austrália desde 10 de dezembro”, acrescentou. Logo do YouTube, empresa que pertence ao Google. Jeff Chiu/AP A autoridade identificou “práticas inadequadas”, como permitir tentativas ilimitadas para passar na verificação de idade e incentivar usuários a tentar novamente mesmo após declararem ser menores. A Meta, dona de Facebook e Instagram, afirmou à Associated Press que está comprometida em cumprir a lei australiana. A empresa destacou, no entanto, que determinar a idade com precisão na internet é um desafio para todo o setor. A Snap Inc., controladora do Snapchat, disse ter bloqueado 450 mil contas em conformidade com a legislação e que continua removendo perfis diariamente. “O Snapchat segue totalmente comprometido em adotar medidas razoáveis previstas na lei e apoiar o objetivo de aumentar a segurança online de jovens australianos”, informou a empresa. O TikTok não comentou o caso. Já a Alphabet, dona do YouTube e do Google, não respondeu imediatamente ao pedido de posicionamento. Para Lisa Given, especialista em ciência da informação da RMIT University, em Melbourne, os tribunais devem decidir se as plataformas adotaram medidas “razoáveis” para barrar menores. “Se uma empresa diz que implementou verificação de idade e tomou todas as medidas possíveis, isso pode ser considerado razoável. Mesmo que a tecnologia não seja perfeita, a questão é: quem é responsável por isso?”, afirmou. “Esse é o ponto central: o que a Justiça vai considerar como razoável”, completou. O Reddit entrou com uma das duas ações judiciais que questionam a constitucionalidade da lei na Suprema Corte australiana. A outra foi apresentada pelo grupo Digital Freedom Project, com sede em Sydney. As duas ações argumentam que a lei é inconstitucional por violar a liberdade implícita de comunicação política no país. Uma audiência preliminar está marcada para 21 de maio, quando a Corte deve definir a data para os argumentos orais, informou o Reddit.

Senado da França vota projeto para proibir redes sociais para menores de 15 anos


Jovem usa o celular em Sidney, na Austrália; país aprovou lei que proíbe acesso de menores de 16 anos às redes sociais. França debate projeto semelhante. Hollie Adams/Reuters Os senadores franceses votam nesta terça-feira (31) um projeto de lei que pretende proibir o acesso às redes sociais para crianças menores de 15 anos. A medida segue uma tendência de outros países e, embora seja impopular entre muitos adolescentes, conta com o apoio de parte dos pais e professores. O presidente Emmanuel Macron quer que a lei esteja em vigor já no início do próximo ano letivo, em setembro. Se for aprovada, a França seguirá o exemplo da Austrália, que implementou em dezembro uma proibição inédita no mundo para menores de 16 anos em plataformas como Facebook, Snapchat, TikTok e YouTube. Diversos países na Europa e em outras regiões vêm estudando formas de restringir o uso das redes sociais, à medida que cresce a preocupação com os riscos para crianças e adolescentes. Na semana passada, um júri em Los Angeles considerou a Meta e o Google, da Alphabet Inc., negligentes por desenvolverem plataformas de redes sociais prejudiciais aos jovens. As empresas foram responsabilizadas por danos em um caso que pode abrir precedente para outros processos. “A ideia é obrigar as plataformas a adotarem sistemas de verificação de idade que sejam confiáveis, robustos e que protejam os dados pessoais”, afirmou a deputada francesa Laure Miller, autora do projeto. “É evidente que os jovens estão tendo acesso a smartphones cada vez mais cedo”, disse ela. “Isso tem um impacto significativo no desenvolvimento deles, tanto pessoal quanto cognitivo”, acrescentou, defendendo que o tema deve ser regulado pelo governo, e não deixado nas mãos das gigantes de tecnologia. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os planos de Miller e de Macron, no entanto, podem enfrentar resistência no Senado. Embora o texto tenha sido aprovado na Câmara dos Deputados como uma proibição geral, senadores alteraram a proposta em comissão. Eles querem restringir apenas plataformas consideradas prejudiciais para crianças. Outras poderiam ser usadas com autorização dos pais. A lista de redes consideradas nocivas ainda seria definida por decreto. Se o Senado mantiver essa versão, pode haver um impasse entre as duas casas do Parlamento — embora a palavra final seja da Câmara. O estudante francês Louis Szponik, de 15 anos, não concorda com a proibição. Apesar de reconhecer que aplicativos como o TikTok podem levar à procrastinação, ele acredita que as redes sociais também ajudam na convivência e na expressão dos jovens. “É verdade que a nossa geração é muitas vezes caricaturada assim, como a geração mais nova, sempre no celular”, disse. Mas, segundo ele, as redes sociais também “têm um lado positivo, que é poder se comunicar com os amigos”.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Ajudante ou espião? Repórter passa meses com aparelhos de IA que gravam 24h e até opinam na vida dela


A vida superconectada grava tudo Eles enxergam o que você vê, escutam o que você fala e ainda dão palpites sobre suas decisões. A inteligência artificial saiu das telas do celular e do computador para ocupar um espaço ainda mais íntimo. Durante meses, uma repórter usou óculos e um colar equipados com câmeras, microfones e IA que gravam a rotina inteira — e mostram como o futuro da vida conectada pode ser tão prático quanto invasivo. Veja no vídeo acima. Tudo gravado — inclusive o inesperado A promessa é tentadora: terceirizar a memória. Registrar tudo o que acontece ao longo do dia para depois receber transcrições completas, resumos automáticos e até sugestões de comportamento. “Durante meses eu usei um para registrar tudo”, relata a correspondente internacional Carolina Simente. O dispositivo, pendurado no pescoço, se conecta ao celular, grava conversas, analisa o conteúdo e devolve interpretações sobre o que foi dito e ouvido. Para completar a experiência, Carolina também testou óculos inteligentes com câmera, fone de ouvido e inteligência artificial integrada. Alguns modelos mais caros contam até com telas embutidas nas lentes e comandos por voz, que ninguém ao redor consegue ouvir. A inteligência artificial depende de dados para funcionar. E, nesse experimento, os dados eram a própria vida da repórter. Em uma simples corrida de táxi, o gravador captou a conversa com o motorista, que autorizou a gravação. Ele nasceu no Haiti e estava falando na língua crioulo. O gravador realizou a transcrição da conversa: "O motorista disse que não estava nem bem nem mal porque tem um monte de neve na rua", escreveu a tecnologia. Em outro momento, durante um voo noturno com a filha de sete anos, o aparelho testemunhou uma situação de estresse: a criança se recusava a dormir. Ao fim da viagem, a IA sugeriu, por escrito, que a mãe levasse um pijama da filha em próximas viagens e mantivesse, dentro do avião, a mesma rotina de sono de casa. Repórter passa meses com óculos e colar que gravam 24h e até opinam na vida dela Reprodução/TV Globo Quando a ajuda falha Nem sempre, porém, a superinteligência entrega o que promete. Ao confiar na IA para criar uma lista de compras apenas falando em voz alta, Carolina teve um problema inesperado: o supermercado ficava no subsolo, sem sinal de internet. Resultado: voltou para casa sem metade dos produtos. Os óculos inteligentes, por sua vez, funcionam como um guia pessoal. Em Nova York, foram capazes de identificar pontos turísticos — ainda que com pequenas falhas. Ao reconhecer o Washington Square Arch, a resposta veio correta, mas com pronúncia confusa: “Washington” em inglês e “square” entendido como palavra em português. Os óculos também são muito úteis para gravar e tirar fotos quando suas mãos estão ocupadas. Repórter passa meses com óculos e colar que gravam 24h e até opinam na vida dela Reprodução/TV Globo Tecnologia que liberta Para algumas pessoas, esses dispositivos representam mais do que conveniência: são uma ponte para a autonomia. É o caso da atleta francesa Emmeline Lacroute, vice-campeã mundial de escalada esportiva. Cega, ela conta com a ajuda dos óculos inteligentes usados por seu guia. As imagens são transmitidas em tempo real para o treinador, que orienta a escalada à distância. “A tecnologia me permite escalar melhor e viver uma vida melhor”, afirma Emmeline. O desconforto cresce Apesar das vantagens, a revolução da IA vestível divide opiniões. Uma pesquisa da rede CNBC mostrou que apenas 31% dos americanos se sentem confortáveis com o avanço da inteligência artificial. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral já proibiu o uso de óculos inteligentes dentro das cabines de votação. E o alerta vai além. Segundo reportagem do The New York Times, empresas do setor planejam adicionar reconhecimento facial aos óculos — tecnologia que já estaria sendo utilizada por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos para gravar e fotografar pessoas nas ruas. Casos de abuso também vieram à tona. Mulheres relataram terem sido gravadas sem consentimento e expostas na internet. Uma influenciadora americana descobriu que havia sido filmada enquanto esperava um voo. O homem responsável alegou querer conversar, mas depois ela percebeu que os óculos tinham sido usados para registrar imagens dela sem autorização. Em alguns vídeos, a luz indicadora da gravação — que deveria alertar terceiros — parecia estar coberta. Hiperconexão e cansaço Enquanto a tecnologia promete ganho de produtividade, cresce o debate sobre o impacto na atenção e na vida emocional. Notificações constantes interrompem tarefas simples e complexas, dificultando o foco. O filósofo Byung-Chul Han define esse fenômeno como parte da “sociedade do cansaço”, em que até o lazer precisa gerar desempenho. Para especialistas em tecnologia e comportamento, é preciso aprender a interromper aquilo que nos interrompe. O excesso de estímulos prejudica relações, o prazer e até a capacidade de simplesmente estar presente. O movimento inverso Como reação, surgem no mercado celulares “antismartphones”, projetados para fazer menos. Sem internet, redes sociais, e-mails ou notícias, eles conquistam usuários que buscam reduzir distrações. O sucesso mostra que nem todo avanço tecnológico precisa significar mais conexão. LEIA TAMBÉM: 'Mulheres Fantásticas': conheça a história da cientista brasileira que criou caneta contra o câncer Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

Aplicativo falso, deepfakes e ataques a data centers: como é a 'guerra digital' entre Irã, EUA e Israel


Conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã completa um mês Enquanto fugiam de um ataque de mísseis do Irã, alguns israelenses com celulares Android receberam uma mensagem com link para um suposto aplicativo de informações em tempo real sobre abrigos antiaéreos. Mas, em vez de oferecer um aplicativo útil, o link baixava um arquivo malicioso que dava aos hackers acesso à câmera do celular, à localização e a todos os dados dos usuários. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A operação atribuída aos iranianos demonstrou uma coordenação sofisticada na frente cibernética do conflito que opõe os Estados Unidos e Israel ao Irã e seus representantes digitais. À medida que buscam usar capacidades cibernéticas para compensar suas desvantagens militares, o Irã e seus apoiadores demonstram como desinformação, inteligência artificial e invasões digitais agora estão incorporadas à guerra moderna. As mensagens falsas recebidas recentemente pareciam ter sido cronometradas para coincidir com os ataques de mísseis, representando uma combinação inédita de ataques digitais e físicos, destacou Gil Messing, chefe de gabinete da empresa israelense de cibersegurança Check Point Research. "Isso foi enviado às pessoas enquanto elas corriam para os abrigos para se proteger", disse Messing. "O fato de estar sincronizado e no mesmo minuto é uma novidade". Especialistas afirmaram que a disputa digital provavelmente continuará mesmo com um cessar-fogo porque é mais fácil e barata que o conflito convencional e não é projetada para matar ou conquistar, mas para espionar, roubar e intimidar. Ataques virtuais de alto volume e baixo impacto Embora em grande número, a maioria dos ataques cibernéticos ligados à guerra tem causado danos relativamente limitados a redes econômicas ou militares. Mas eles colocaram muitas empresas na defensiva, forçando-as a corrigir rapidamente antigas vulnerabilidades. Quase 5.800 ataques cibernéticos de cerca de 50 grupos ligados ao Irã foram rastreados até agora, de acordo com investigadores da empresa de segurança DigiCert, com sede em Utah. A maior parte tem como alvo empresas dos EUA e de Israel, mas alguns visaram redes no Bahrein, no Kuwait, no Catar e em outros países da região. Muitos ataques virtuais são bloqueados por medidas mais recentes de cibersegurança, mas podem causar danos sérios a organizações com sistemas desatualizados e impor demanda por recursos mesmo quando não têm sucesso. Eles também têm um impacto psicológico sobre empresas que podem fazer negócios com o setor militar. "Há muito mais ataques acontecendo que não estão sendo relatados", disse Michael Smith, diretor de tecnologia de campo da DigiCert. Veja as exigências de EUA e Irã para acabar a guerra Um grupo de hackers pró-Irã disse na sexta-feira (27) ter invadido uma conta do diretor do FBI, Kash Patel, e publicou o que pareciam ser fotografias antigas, um currículo e outros documentos pessoais do chefe da agência. Muitos desses registros pareciam ter mais de uma década. É semelhante a muitos dos ataques cibernéticos ligados a hackers pró-Irã: chamativos e projetados para aumentar o moral entre apoiadores, enquanto minam a confiança do oponente, mas sem grande impacto no esforço de guerra. Esses ataques de alto volume e baixo impacto são "uma forma de dizer às pessoas em outros países que ainda é possível alcançá-las, mesmo que estejam em outro continente. Isso os torna mais uma tática de intimidação", disse Smith, da Digicert. Estruturas críticas como alvos É provável que o Irã ataque os elos mais fracos da cibersegurança americana: cadeias de suprimentos que sustentam a economia e o esforço de guerra, bem como infraestrutura crítica, como portos, estações ferroviárias, sistemas de água e hospitais. O Irã também está mirando data centers com armas cibernéticas e convencionais, mostrando o quão importantes esses locais são para a economia, as comunicações e a segurança das informações militares. Vista aérea de um data center da AWS que integra a região US-EAST-1, no norte da Virgínia, nos EUA Reuters/Jonathan Ernst Neste mês, hackers do grupo Handala, que apoia o Irã, afirmaram ter invadido a empresa americana de tecnologia médica Stryker e alegaram que o ataque foi uma retaliação a supostos bombardeios dos EUA que mataram crianças iranianas em idade escolar. Em outro ataque, hackers bloquearam o acesso de uma empresa de saúde à sua própria rede por meio de uma ferramenta que autoridades dos EUA associam ao Irã, afirmaram recentemente pesquisadores da empresa americana de cibersegurança Halcyon. Neste caso, os hackers nunca exigiram resgate, sugerindo que estavam motivados por destruição e caos, e não por lucro, revelaram os pesquisadores. Junto com o ataque à Stryker, "isso sugere um foco deliberado no setor médico, em vez de alvos de oportunidade", disse Cynthia Kaiser, vice-presidente sênior da Halcyon. "À medida que esse conflito continua, devemos esperar que esse direcionamento se intensifique". A inteligência artificial está dando um impulso A inteligência artificial pode ser usada para aumentar a velocidade de ataques cibernéticos e permitir que hackers automatizem grande parte do processo. Mas é na desinformação que a IA realmente demonstrou seu impacto corrosivo sobre a confiança pública. Apoiadores de ambos os lados têm disseminado imagens falsas de atrocidades ou de vitórias decisivas que nunca aconteceram. Um deepfake de navios de guerra dos Estados Unidos afundados acumulou mais de 100 milhões de visualizações. É #FAKE que imagens mostrem militares de elite americanos capturados pelo Irã O que é deepfake e como ele é usado para distorcer realidade O que é #FATO e o que é #FAKE na guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio As autoridades no Irã limitaram o acesso à internet e estão trabalhando para moldar a visão que os iranianos têm da guerra com propaganda e desinformação. A mídia estatal iraniana, por exemplo, passou a rotular imagens reais da guerra como falsas, às vezes substituindo-as por imagens manipuladas próprias, segundo pesquisa da NewsGuard, empresa americana que monitora desinformação. O aumento das preocupações com riscos representados por IA e invasões levou o Departamento de Estado americano a criar em 2025 o Escritório de Ameaças Emergentes, focado em novas tecnologias e em como elas poderiam ser usadas contra os EUA. Ele se junta a esforços semelhantes já em andamento em órgãos como a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) e a Agência de Segurança Nacional (NSA). A IA também desempenha um papel na defesa contra ataques cibernéticos ao automatizar e acelerar o trabalho, afirmou recentemente ao Congresso americano a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard. A tecnologia, disse ela, "moldará cada vez mais as operações cibernéticas, com operadores e defensores usando essas ferramentas para melhorar sua velocidade e eficácia". Apesar de Rússia e China serem vistas como ameaças cibernéticas maiores, o Irã ainda assim lançou várias operações contra americanos. Nos últimos anos, grupos que trabalham para Teerã infiltraram o sistema de e-mail da campanha do presidente Donald Trump, atacaram sistemas de água nos Estados Unidos e tentaram invadir redes usadas pelos militares e por contratados de defesa. Eles também se passaram por manifestantes americanos online como forma de incentivar protestos contra Israel de maneira encoberta. Autoridades no Irã limitaram o acesso à internet, e os EUA aumentaram as preocupações com riscos representados por IAAutoridades no Irã limitaram o acesso à internet, e os EUA aumentaram as preocupações com riscos representados por IA Reuters/Dado Ruvic

Huawei aumenta receita anual para US$ 127,5 bilhões, mas crescimento em 2025 foi mais lento

Estande da Huawei da World Artificial Intelligence Conference em Xangai, China, em julho de 2025 REUTERS/Go Nakamura A chinesa Huawe...