segunda-feira, 30 de março de 2026

Ajudante ou espião? Repórter passa meses com aparelhos de IA que gravam 24h e até opinam na vida dela


A vida superconectada grava tudo Eles enxergam o que você vê, escutam o que você fala e ainda dão palpites sobre suas decisões. A inteligência artificial saiu das telas do celular e do computador para ocupar um espaço ainda mais íntimo. Durante meses, uma repórter usou óculos e um colar equipados com câmeras, microfones e IA que gravam a rotina inteira — e mostram como o futuro da vida conectada pode ser tão prático quanto invasivo. Veja no vídeo acima. Tudo gravado — inclusive o inesperado A promessa é tentadora: terceirizar a memória. Registrar tudo o que acontece ao longo do dia para depois receber transcrições completas, resumos automáticos e até sugestões de comportamento. “Durante meses eu usei um para registrar tudo”, relata a correspondente internacional Carolina Simente. O dispositivo, pendurado no pescoço, se conecta ao celular, grava conversas, analisa o conteúdo e devolve interpretações sobre o que foi dito e ouvido. Para completar a experiência, Carolina também testou óculos inteligentes com câmera, fone de ouvido e inteligência artificial integrada. Alguns modelos mais caros contam até com telas embutidas nas lentes e comandos por voz, que ninguém ao redor consegue ouvir. A inteligência artificial depende de dados para funcionar. E, nesse experimento, os dados eram a própria vida da repórter. Em uma simples corrida de táxi, o gravador captou a conversa com o motorista, que autorizou a gravação. Ele nasceu no Haiti e estava falando na língua crioulo. O gravador realizou a transcrição da conversa: "O motorista disse que não estava nem bem nem mal porque tem um monte de neve na rua", escreveu a tecnologia. Em outro momento, durante um voo noturno com a filha de sete anos, o aparelho testemunhou uma situação de estresse: a criança se recusava a dormir. Ao fim da viagem, a IA sugeriu, por escrito, que a mãe levasse um pijama da filha em próximas viagens e mantivesse, dentro do avião, a mesma rotina de sono de casa. Repórter passa meses com óculos e colar que gravam 24h e até opinam na vida dela Reprodução/TV Globo Quando a ajuda falha Nem sempre, porém, a superinteligência entrega o que promete. Ao confiar na IA para criar uma lista de compras apenas falando em voz alta, Carolina teve um problema inesperado: o supermercado ficava no subsolo, sem sinal de internet. Resultado: voltou para casa sem metade dos produtos. Os óculos inteligentes, por sua vez, funcionam como um guia pessoal. Em Nova York, foram capazes de identificar pontos turísticos — ainda que com pequenas falhas. Ao reconhecer o Washington Square Arch, a resposta veio correta, mas com pronúncia confusa: “Washington” em inglês e “square” entendido como palavra em português. Os óculos também são muito úteis para gravar e tirar fotos quando suas mãos estão ocupadas. Repórter passa meses com óculos e colar que gravam 24h e até opinam na vida dela Reprodução/TV Globo Tecnologia que liberta Para algumas pessoas, esses dispositivos representam mais do que conveniência: são uma ponte para a autonomia. É o caso da atleta francesa Emmeline Lacroute, vice-campeã mundial de escalada esportiva. Cega, ela conta com a ajuda dos óculos inteligentes usados por seu guia. As imagens são transmitidas em tempo real para o treinador, que orienta a escalada à distância. “A tecnologia me permite escalar melhor e viver uma vida melhor”, afirma Emmeline. O desconforto cresce Apesar das vantagens, a revolução da IA vestível divide opiniões. Uma pesquisa da rede CNBC mostrou que apenas 31% dos americanos se sentem confortáveis com o avanço da inteligência artificial. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral já proibiu o uso de óculos inteligentes dentro das cabines de votação. E o alerta vai além. Segundo reportagem do The New York Times, empresas do setor planejam adicionar reconhecimento facial aos óculos — tecnologia que já estaria sendo utilizada por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos para gravar e fotografar pessoas nas ruas. Casos de abuso também vieram à tona. Mulheres relataram terem sido gravadas sem consentimento e expostas na internet. Uma influenciadora americana descobriu que havia sido filmada enquanto esperava um voo. O homem responsável alegou querer conversar, mas depois ela percebeu que os óculos tinham sido usados para registrar imagens dela sem autorização. Em alguns vídeos, a luz indicadora da gravação — que deveria alertar terceiros — parecia estar coberta. Hiperconexão e cansaço Enquanto a tecnologia promete ganho de produtividade, cresce o debate sobre o impacto na atenção e na vida emocional. Notificações constantes interrompem tarefas simples e complexas, dificultando o foco. O filósofo Byung-Chul Han define esse fenômeno como parte da “sociedade do cansaço”, em que até o lazer precisa gerar desempenho. Para especialistas em tecnologia e comportamento, é preciso aprender a interromper aquilo que nos interrompe. O excesso de estímulos prejudica relações, o prazer e até a capacidade de simplesmente estar presente. O movimento inverso Como reação, surgem no mercado celulares “antismartphones”, projetados para fazer menos. Sem internet, redes sociais, e-mails ou notícias, eles conquistam usuários que buscam reduzir distrações. O sucesso mostra que nem todo avanço tecnológico precisa significar mais conexão. LEIA TAMBÉM: 'Mulheres Fantásticas': conheça a história da cientista brasileira que criou caneta contra o câncer Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

Aplicativo falso, deepfakes e ataques a data centers: como é a 'guerra digital' entre Irã, EUA e Israel


Conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã completa um mês Enquanto fugiam de um ataque de mísseis do Irã, alguns israelenses com celulares Android receberam uma mensagem com link para um suposto aplicativo de informações em tempo real sobre abrigos antiaéreos. Mas, em vez de oferecer um aplicativo útil, o link baixava um arquivo malicioso que dava aos hackers acesso à câmera do celular, à localização e a todos os dados dos usuários. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A operação atribuída aos iranianos demonstrou uma coordenação sofisticada na frente cibernética do conflito que opõe os Estados Unidos e Israel ao Irã e seus representantes digitais. À medida que buscam usar capacidades cibernéticas para compensar suas desvantagens militares, o Irã e seus apoiadores demonstram como desinformação, inteligência artificial e invasões digitais agora estão incorporadas à guerra moderna. As mensagens falsas recebidas recentemente pareciam ter sido cronometradas para coincidir com os ataques de mísseis, representando uma combinação inédita de ataques digitais e físicos, destacou Gil Messing, chefe de gabinete da empresa israelense de cibersegurança Check Point Research. "Isso foi enviado às pessoas enquanto elas corriam para os abrigos para se proteger", disse Messing. "O fato de estar sincronizado e no mesmo minuto é uma novidade". Especialistas afirmaram que a disputa digital provavelmente continuará mesmo com um cessar-fogo porque é mais fácil e barata que o conflito convencional e não é projetada para matar ou conquistar, mas para espionar, roubar e intimidar. Ataques virtuais de alto volume e baixo impacto Embora em grande número, a maioria dos ataques cibernéticos ligados à guerra tem causado danos relativamente limitados a redes econômicas ou militares. Mas eles colocaram muitas empresas na defensiva, forçando-as a corrigir rapidamente antigas vulnerabilidades. Quase 5.800 ataques cibernéticos de cerca de 50 grupos ligados ao Irã foram rastreados até agora, de acordo com investigadores da empresa de segurança DigiCert, com sede em Utah. A maior parte tem como alvo empresas dos EUA e de Israel, mas alguns visaram redes no Bahrein, no Kuwait, no Catar e em outros países da região. Muitos ataques virtuais são bloqueados por medidas mais recentes de cibersegurança, mas podem causar danos sérios a organizações com sistemas desatualizados e impor demanda por recursos mesmo quando não têm sucesso. Eles também têm um impacto psicológico sobre empresas que podem fazer negócios com o setor militar. "Há muito mais ataques acontecendo que não estão sendo relatados", disse Michael Smith, diretor de tecnologia de campo da DigiCert. Veja as exigências de EUA e Irã para acabar a guerra Um grupo de hackers pró-Irã disse na sexta-feira (27) ter invadido uma conta do diretor do FBI, Kash Patel, e publicou o que pareciam ser fotografias antigas, um currículo e outros documentos pessoais do chefe da agência. Muitos desses registros pareciam ter mais de uma década. É semelhante a muitos dos ataques cibernéticos ligados a hackers pró-Irã: chamativos e projetados para aumentar o moral entre apoiadores, enquanto minam a confiança do oponente, mas sem grande impacto no esforço de guerra. Esses ataques de alto volume e baixo impacto são "uma forma de dizer às pessoas em outros países que ainda é possível alcançá-las, mesmo que estejam em outro continente. Isso os torna mais uma tática de intimidação", disse Smith, da Digicert. Estruturas críticas como alvos É provável que o Irã ataque os elos mais fracos da cibersegurança americana: cadeias de suprimentos que sustentam a economia e o esforço de guerra, bem como infraestrutura crítica, como portos, estações ferroviárias, sistemas de água e hospitais. O Irã também está mirando data centers com armas cibernéticas e convencionais, mostrando o quão importantes esses locais são para a economia, as comunicações e a segurança das informações militares. Vista aérea de um data center da AWS que integra a região US-EAST-1, no norte da Virgínia, nos EUA Reuters/Jonathan Ernst Neste mês, hackers do grupo Handala, que apoia o Irã, afirmaram ter invadido a empresa americana de tecnologia médica Stryker e alegaram que o ataque foi uma retaliação a supostos bombardeios dos EUA que mataram crianças iranianas em idade escolar. Em outro ataque, hackers bloquearam o acesso de uma empresa de saúde à sua própria rede por meio de uma ferramenta que autoridades dos EUA associam ao Irã, afirmaram recentemente pesquisadores da empresa americana de cibersegurança Halcyon. Neste caso, os hackers nunca exigiram resgate, sugerindo que estavam motivados por destruição e caos, e não por lucro, revelaram os pesquisadores. Junto com o ataque à Stryker, "isso sugere um foco deliberado no setor médico, em vez de alvos de oportunidade", disse Cynthia Kaiser, vice-presidente sênior da Halcyon. "À medida que esse conflito continua, devemos esperar que esse direcionamento se intensifique". A inteligência artificial está dando um impulso A inteligência artificial pode ser usada para aumentar a velocidade de ataques cibernéticos e permitir que hackers automatizem grande parte do processo. Mas é na desinformação que a IA realmente demonstrou seu impacto corrosivo sobre a confiança pública. Apoiadores de ambos os lados têm disseminado imagens falsas de atrocidades ou de vitórias decisivas que nunca aconteceram. Um deepfake de navios de guerra dos Estados Unidos afundados acumulou mais de 100 milhões de visualizações. É #FAKE que imagens mostrem militares de elite americanos capturados pelo Irã O que é deepfake e como ele é usado para distorcer realidade O que é #FATO e o que é #FAKE na guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio As autoridades no Irã limitaram o acesso à internet e estão trabalhando para moldar a visão que os iranianos têm da guerra com propaganda e desinformação. A mídia estatal iraniana, por exemplo, passou a rotular imagens reais da guerra como falsas, às vezes substituindo-as por imagens manipuladas próprias, segundo pesquisa da NewsGuard, empresa americana que monitora desinformação. O aumento das preocupações com riscos representados por IA e invasões levou o Departamento de Estado americano a criar em 2025 o Escritório de Ameaças Emergentes, focado em novas tecnologias e em como elas poderiam ser usadas contra os EUA. Ele se junta a esforços semelhantes já em andamento em órgãos como a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) e a Agência de Segurança Nacional (NSA). A IA também desempenha um papel na defesa contra ataques cibernéticos ao automatizar e acelerar o trabalho, afirmou recentemente ao Congresso americano a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard. A tecnologia, disse ela, "moldará cada vez mais as operações cibernéticas, com operadores e defensores usando essas ferramentas para melhorar sua velocidade e eficácia". Apesar de Rússia e China serem vistas como ameaças cibernéticas maiores, o Irã ainda assim lançou várias operações contra americanos. Nos últimos anos, grupos que trabalham para Teerã infiltraram o sistema de e-mail da campanha do presidente Donald Trump, atacaram sistemas de água nos Estados Unidos e tentaram invadir redes usadas pelos militares e por contratados de defesa. Eles também se passaram por manifestantes americanos online como forma de incentivar protestos contra Israel de maneira encoberta. Autoridades no Irã limitaram o acesso à internet, e os EUA aumentaram as preocupações com riscos representados por IAAutoridades no Irã limitaram o acesso à internet, e os EUA aumentaram as preocupações com riscos representados por IA Reuters/Dado Ruvic

Meta testa assinatura com visualização de stories de forma anônima no Instagram


Escritório da Meta em Menlo Park, Califórnia, Estados Unidos REUTERS/Nathan Frandino A Meta está testando um plano pago no Instagram que oferece novas funções aos usuários, como a possibilidade de ver os Stories de forma anônima. Segundo o TechCrunch, o plano premium é testado no Japão, México e Filipinas por US$ 2 por mês. A novidade tenta criar uma nova fonte de receita para o aplicativo. No ano passado, a Meta lançou versões pagas sem anúncios do Facebook e do Instagram no Reino Unido para cumprir com a legislação local. Os benefícios incluem a possibilidade de os assinantes verem de forma privada as publicações nos Stories, que normalmente desaparecem após 24 horas. Os assinantes também terão mais controle sobre quais contas podem ver as fotos ou vídeos que eles compartilharem nos Stories da rede social. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo a Bloomberg, a lista de benefícios exclusivos para assinantes inclui vários relacionados ao recurso stories do Instagram. Usuários pagantes também podem criar listas de audiência ilimitadas e estender a duração de um story por mais 24 horas. Outras plataformas, como Snapchat e X, oferecem versões "premium" pagas há alguns anos. A Snap, empresa-mãe do Snapchat, informou recentemente que tem 25 milhões de assinantes em seu plano "premium" e que está a caminho de alcançar 1 bilhão de dólares (5,24 bilhões de reais) em receita anual. Os criadores de conteúdo no Instagram já têm a possibilidade de cobrar de seus seguidores pelo acesso exclusivo ao seu conteúdo. Instagram e Facebook sem anúncios A Meta anunciou em outubro de 2025 que o Instagram e o Facebook ganharam versões pagas no Reino Unido. As versões surgem como uma opção para usuários que não querem ver publicidade nas redes sociais. A assinatura custa 2,99 libras esterlinas por mês a versão web ou 3,99 libras esterlinas por mês na versão para Android e iOS. Este é o valor cobrado apenas na conta principal do usuário, seja Instagram ou Facebook, a empresa informou na época. Para tirar anúncios em outros perfis vinculados na Central de Contas, há outra taxa com um pequeno desconto: 2 libras esterlinas por mês na web ou 3 libras esterlinas por mês (R$ 21,50) no Android e iOS. A Meta disse que a assinatura é mais cara no Android e no iOS por conta das taxas que Google e Apple aplicam para transações em seus serviços de pagamento. Meta sofre derrota em processo sobre exploração sexual infantil A dona do Instagram e do Facebook afirmou ainda a versão paga sem anúncios será oferecida para cumprir as diretrizes do Escritório do Comissário da Informação (ICO, na sigla em inglês), órgão que regula a proteção de dados no Reino Unido. A empresa elogiou a abordagem do ICO e disse que os usuários que assinarem a versão paga não terão seus dados usados para exibir publicidade personalizada. Os usuários que continuarem na versão gratuita ainda verão anúncios com base em sua atividade. "Continuamos acreditando em uma internet sustentada por anúncios, que garante acesso gratuito a produtos e serviços personalizados para todos", disse a Meta.

Como as criptomoedas estão movimentando a guerra na Rússia e no Irã?


Um drone atinge um prédio residencial durante um ataque russo com mísseis e drones, em meio à ofensiva da Rússia contra a Ucrânia, em Kiev Gleb Garanich/Reuters Grupos ligados à Rússia e ao Irã estão utilizando cada vez mais criptomoedas para financiar a compra de drones e componentes militares de baixo custo, de acordo com um novo relatório da empresa de análise de blockchain Chainalysis. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Os drones disponíveis comercialmente se tornaram centrais para as guerras travadas ao redor do mundo, principalmente na Ucrânia e Oriente Médio. Como os drones de baixo custo estão amplamente disponíveis em plataformas globais de comércio eletrônico, muitas vezes é um desafio para as autoridades rastrearem quem está por trás das compras e qual pode ser sua intenção com os produtos. Embora a maioria das compras de drones seja feita de maneira tradicional, as redes de aquisição estão se cruzando cada vez mais com o blockchain, o registro digital no qual as criptomoedas se baseiam, descobriu a Chainalysis. Esse registro permite que os investigadores mapeiem o caminho de uma transação desde sua origem até seu destino. 🪙 O que é blockchain? Blockchain é um tipo de banco de dados digital que registra informações em blocos encadeados e protegidos por criptografia. Esses registros são compartilhados entre vários computadores, o que dificulta fraudes e alterações, garantindo mais transparência e segurança nas transações. LEIA MAIS: Como Irã criou drones 'suicidas' de baixo custo para provocar caos no Oriente Médio Israel ataca universidade do Irã responsável pelo desenvolvimento de armas Os pesquisadores de blockchain da Chainalysis conseguiram rastrear o fluxo de criptomoedas de carteiras individuais conectadas a desenvolvedores de drones ou grupos paramilitares para a compra de drones de baixo custo e seus componentes de fornecedores em sites de comércio eletrônico. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, grupos pró-Rússia arrecadaram mais de US$ 8,3 milhões em doações de criptomoedas, e os drones estão entre as compras especificamente discriminadas feitas com essas doações, segundo o levantamento. "No blockchain, há essa oportunidade incrível, uma vez que você identificou o fornecedor, de ver a atividade da contraparte e fazer avaliações que ajudam a esclarecer essa utilização e a intenção por trás da compra", disse Andrew Fierman, chefe de inteligência de segurança nacional da Chainalysis. A Chainalysis conseguiu comparar transações com moedas digitais valendo entre US$ 2.200 e US$ 3.500 com os preços exatos de drones e componentes em plataformas de comércio eletrônico, disse Fierman. "Vimos tudo, desde a solicitação dos drones e das peças e quanto eles estavam querendo obter, até as fotos que mostravam que eles compraram esses produtos", disse ele. O estudo também descobriu que grupos ligados ao Irã estão usando criptomoedas para adquirir peças de drones e vender equipamentos militares. Ele destacou especificamente uma carteira de criptomoedas com conexões com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, comprando peças de drones de um fornecedor com sede em Hong Kong. Sem dúvida, o volume total de criptomoedas vinculado à aquisição de drones continua pequeno em comparação com os gastos militares gerais, mas o levantamento afirma que o blockchain poderia ajudar as autoridades a rastrearem melhor as compras que, de outra forma, poderiam permanecer obscuras. "O blockchain pode fornecer muitas informações que não estão necessariamente disponíveis tradicionalmente", disse Fierman.

Cade mantém multa diária de R$ 250 mil contra WhatsApp por descumprir decisão sobre IA


Divulgação Chatbot da EvaChat facilita atendimento automatizado no WhatsApp. - Divulgação. A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) manteve a autuação imposta ao WhatsApp, controlado pela Meta, por descumprimento de medida preventiva aplicada pelo órgão antitruste. A infração se refere ao uso de inteligência artificial na plataforma. Em janeiro, com a atualização dos termos, o WhatsApp mudou as regras da plataforma WhatsApp Business para provedores de IA, proibindo, por exemplo, a atuação de chatbots, softwares baseados em inteligência artificial que funcionam como assistentes virtuais. A mudança nas regras do WhatsApp foi anunciada em outubro de 2025, junto com os novos termos da plataforma. No Brasil, o inquérito foi aberto a partir de pedido das empresas Factoría Elcano, responsável pela IA Luzia, e Brainlogic, detentora da Zapia. Foi mantida a multa diária de R$ 250 mil até a comprovação do cumprimento da decisão. A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação ainda em curso no órgão. Foi fixado prazo de cinco dias corridos para cumprimento. Veja os vídeos que estão em alta no g1 No começo do mês, o Tribunal do Cade confirmou a medida preventiva concedida pela área técnica, determinando que o WhatsApp deveria permitir que chatbots de IA, assistentes virtuais com inteligência artificial, voltassem a usar a plataforma, impedindo a aplicação dos novos termos de uso. A Meta informou ao Cade que adotaria providências para cumprir a medida preventiva, mas indicou que passaria a cobrar, a partir de 11 de março de 2026, por um tipo de mensagem enviada por chatbots de inteligência artificial a usuários brasileiros, aplicando tarifa equivalente à de mensagens de marketing. A área técnica do Cade pediu esclarecimentos, e a empresa defendeu a “racionalidade econômica” do modelo de precificação, alegando que não havia obrigação de oferecer acesso gratuito à plataforma e que o uso gratuito por chatbots de IA poderia gerar impactos operacionais e concorrenciais. A SG instaurou um incidente administrativo no qual aponta descumprimento da medida preventiva a partir de 17 de março de 2026, com autuação e multa diária de R$ 250 mil até a comprovação do restabelecimento do cenário anterior. A Meta recorreu alegando ausência de intimação formal, afirmando que a comunicação por e-mail teria caráter meramente informativo e que seria necessária publicação no Diário Oficial da União. Além disso, afirmou que a “precificação para chatbots” não estaria abrangida pela decisão da SG. A área técnica manteve a decisão, conforme despacho publicado no Diário Oficial. De acordo com despacho da área técnica, a ausência de publicação no Diário Oficial da União não compromete a validade da intimação, porque a ciência da empresa foi assegurada, sem prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Ainda segundo a SG, a implementação da chamada “precificação para chatbots” configura descumprimento da medida preventiva, pois alterou de forma significativa as condições de acesso à plataforma, em desacordo com a obrigação de restabelecer o cenário anterior e com efeitos equivalentes aos das regras suspensas.

Agência da ONU limita número de carregadores portáteis em voos


Powerbank Freepik/xb100 A Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), informou que o uso de powerbanks será limitado a duas unidades por passageiro em voos a partir de sexta-feira (27). Powerbank é uma bateria recarregável portátil usada para carregar celulares. Segundo a agência, os passageiros também não poderão recarregar seus powerbanks durante o voo. Restrições ao uso de carregadores portáteis já vinham sendo adotadas por companhias aéreas, como a Lufthansa, e por países como a Coreia do Sul, após incidentes recentes — entre eles, um incêndio em um avião da Air Busan, em 2025. Sediada em Montreal, a ICAO costuma estabelecer padrões globais para a aviação, geralmente adotados por seus 193 países-membros. No caso das novas regras para powerbanks, porém, a aplicação será imediata.

Por que CEOs de tecnologia de repente estão culpando a IA por demissões em massa?


Líderes do setor têm atribuído os cortes de empregos ao avanço das ferramentas de IA e ao aumento das demandas de investimento na área Reuters via BBC Demissões abrangentes em empresas de Big Tech se tornaram uma tradição anual. A forma como executivos explicam essas decisões, no entanto, mudou. Saem de cena palavras de ordem como eficiência, contratações excessivas e camadas demais de gestão. Hoje, todas as explicações partem da inteligência artificial (IA). Nas últimas semanas, gigantes como Google, Amazon e Meta, assim como empresas menores como Pinterest e Atlassian, anunciaram ou sinalizaram planos de reduzir suas equipes, apontando para avanços em IA que, segundo eles, permitem fazer mais com menos pessoas. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Acho que 2026 será o ano em que a IA começará a mudar dramaticamente a maneira como trabalhamos", disse o chefe da Meta, Mark Zuckerberg, em janeiro. Desde então, sua empresa, proprietária de Facebook, Instagram e WhatsApp, cortou centenas de pessoas — incluindo 700 apenas na semana passada. A Meta, que planeja quase dobrar os gastos com IA neste ano, ainda está contratando em "áreas prioritárias", disse um porta-voz. Mas mais demissões são esperadas nos próximos meses, enquanto um congelamento de contratações está em vigor em muitas partes da empresa, disseram duas pessoas da companhia à BBC. 'Eu queria me antecipar a isso' Jack Dorsey, que lidera a empresa de tecnologia financeira Block, tem sido ainda mais explícito sobre seus objetivos. "Isso não se trata apenas de eficiência", disse ele aos acionistas no mês passado, ao anunciar que sua empresa, que opera plataformas como CashApp, Square e Tidal, reduziria quase metade da sua força de trabalho. "Ferramentas de inteligência mudaram o que significa construir e administrar uma empresa… Uma equipe significativamente menor, usando as ferramentas que estamos desenvolvendo, pode fazer mais e melhor." Dorsey disse esperar que uma "maioria das empresas" chegue à mesma conclusão dentro de um ano. "Eu queria me antecipar a isso", acrescentou. As justificativas de Dorsey atraíram muitos céticos, que observaram que ele presidiu pelo menos duas rodadas de demissões em massa nos últimos dois anos sem nunca mencionar IA. Mas explicar cortes apontando para avanços em IA soa melhor do que citar pressões de custo ou o desejo de agradar acionistas, diz o investidor de tecnologia Terrence Rohan, que já ocupou lugar em muitos conselhos empresariais. "Apontar para a IA rende um post de blog melhor", diz Rohan. "Ou pelo menos não faz você parecer tanto o vilão que só quer cortar pessoas por rentabilidade." Isso não significa que não haja substância por trás das palavras, acrescentou Rohan. Algumas das empresas que ele financia estão usando código que é entre 25% e 75% gerado por IA. Esse é um sinal da ameaça real que ferramentas de IA para escrever código representam para empregos como desenvolvedor de software, engenheiro de computação e programador — cargos antes considerados garantias de carreiras estáveis e altamente remuneradas. "Parte disso é a mudança da narrativa; parte é que realmente começamos a ver saltos de produtividade", diz Anne Hoecker, sócia da Bain que lidera a área de tecnologia da consultoria, sobre as recentes demissões. "Líderes mais recentemente estão percebendo que essas ferramentas são suficientemente boas para realmente permitir fazer a mesma quantidade de trabalho com fundamentalmente menos pessoas." Sinalizando 'disciplina', gastando US$ 650 bilhões Há outra forma pela qual a IA está impulsionando demissões — e isso não tem nada a ver com a capacidade técnica de ferramentas de código ou chatbots. Amazon, Meta, Google e Microsoft planejam coletivamente investir US$ 650 bilhões (cerca de R$ 3,4 trilhões) em IA no próximo ano. Enquanto executivos procuram maneiras de amortecer o choque desses custos entre investidores, muitos estão mirando na folha de pagamento — tipicamente a maior despesa das empresas de tecnologia. As empresas não estão exatamente escondendo essa conexão. Em fevereiro, executivos da Amazon disseram que planejam gastar US$ 200 bilhões (mais de R$ 1 trilhão) no próximo ano em investimentos em IA — o maior valor entre as grandes empresas de tecnologia. Ao mesmo tempo, o diretor financeiro da empresa observou que ela continuaria "trabalhando muito para compensar isso com eficiências e reduções de custos" em outras áreas. Desde outubro, a Amazon já cortou cerca de 30 mil funcionários corporativos. O Google, que fez vários cortes menores desde dispensar 12 mil pessoas em 2023, ofereceu garantias semelhantes a investidores em fevereiro, ao discutir seus planos de investimento em IA. "Quanto mais capital pudermos liberar dentro da organização para investir, melhor podemos girar essa engrenagem de investimentos que impulsionam o crescimento futuro", disse a diretora financeira Anat Ashkenazi. Embora a despesa, por exemplo, de 30 mil funcionários corporativos da Amazon seja eclipsada pelos planos de investimento da empresa em IA, companhias desse tamanho agora aproveitam qualquer oportunidade para cortar custos, diz Rohan. "Eles estão jogando um jogo de milímetros", afirma Rohan sobre os cortes nas gigantes de tecnologia. "Se você puder ajustar minimamente a máquina, isso já ajuda." Hoecker diz que cortar empregos também sinaliza aos investidores preocupados com o custo "real e enorme" do desenvolvimento de IA que os executivos não estão assinando cheques em branco sem cuidado. "Isso mostra certa disciplina", diz Hoecker. "Talvez demitir pessoas não vá fazer muita diferença nessa conta, mas ao criar um pouco de fluxo de caixa, ajuda."

Ajudante ou espião? Repórter passa meses com aparelhos de IA que gravam 24h e até opinam na vida dela

A vida superconectada grava tudo Eles enxergam o que você vê, escutam o que você fala e ainda dão palpites sobre suas decisões. A in...