domingo, 22 de fevereiro de 2026

TikTok reúne perfis que exaltam Hitler e nazismo com códigos e posts explícitos


TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo Perfis no TikTok publicam conteúdos que exaltam Hitler e o nazismo, tanto de forma explícita quanto por meio de códigos usados para tentar driblar a moderação da plataforma e a legislação que pune a prática — no Brasil, a apologia ao regime é crime (saiba mais abaixo). O g1 chegou a essas publicações a partir de uma denúncia enviada por um leitor, que não será identificado por segurança. "Encontrei esses perfis a partir de vídeos de denúncia publicados por outros usuários do próprio TikTok. Depois de acessar um deles, a plataforma passou a me recomendar cada vez mais conteúdos semelhantes", relatou. Desde o fim de janeiro, ao longo de quatro semanas, o g1 identificou ao menos 62 contas que publicaram conteúdos de exaltação ao nazismo. Em menos de três dias de monitoramento, vídeos, fotos e memes com essas referências passaram a ser exibidos com frequência na "for you" ("para você", a página inicial do TikTok). VC no g1: tem uma denúncia ou sugestão? Envie para o g1 🚨Como denunciar posts em Facebook, Instagram, TikTok... À medida que o monitoramento avançava, novos perfis com esse tipo de material apareceram com mais frequência no feed. Além disso, foi encontrado um grande volume de comentários nesses posts com referências favoráveis à ideologia nazista. O g1 procurou o TikTok e compartilhou algumas das postagens encontradas. A rede social afirmou que esses conteúdos foram removidos por violarem as Diretrizes da Comunidade. O TikTok disse que não permite apoiar ou disseminar ideologias de ódio, "o que inclui alegações de supremacia sobre um grupo protegido, antissemitismo ou outras formas de preconceito". E que o uso de símbolos e imagens associados a movimentos de ódio também vai contra as diretrizes da plataforma (veja a resposta na íntegra ao fim da reportagem). "Nós treinamos regularmente nossos profissionais de segurança para ajudá-los a aprimorar a detecção de comportamento de ódio, símbolos, termos e estereótipos ofensivos, e para ajudá-los a identificar e proteger o contradiscurso." Uso de códigos para 'disfarçar' A maioria das postagens encontradas pelo g1 usa hashtags, emojis e siglas para fazer referência à ideologia, embora existam também conteúdos explícitos. ⚠️ Os códigos usados por neonazistas e supremacistas não serão citados nesta reportagem para evitar sua propagação e promoção. Parte do material foi encaminhada para avaliação das pesquisadoras Liriam Sponholz e Yasmin Curzi, especializadas em discurso de ódio. Segundo elas, muitos dos conteúdos, ainda que recorram a mecanismos de disfarce, podem configurar apologia ao nazismo. Eles são o que os pesquisadores chamam de "dog whistle" ("apito de cachorro"). É um sinal com duplo sentido, que passa despercebido para a maioria, mas é reconhecido por quem tem familiaridade com a referência. E ainda permite manter certa negação plausível, explica Liriam Sponholz. Ela faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais (INCT-DSI), que pesquisa, entre outros temas, a circulação de informações mediadas por plataformas, algoritmos e dados. "(As postagens) evitam usar símbolos explicitamente citados nas legislações, como a suástica, e também fazem questão de não mencionar diretamente certos termos. Por exemplo, deixam de citar de forma explícita palavras como "Hitler", diz Liriam, que também estuda discurso de ódio. "A apologia está presente nesses posts, mas, do ponto de vista jurídico, nem sempre é interpretada como tal justamente por não ser explícita", completa. Liriam observa que, nas redes, comprovar a intenção é muito complicado. Ainda assim, ela alerta que não se pode usar essa dificuldade como justificativa para permitir que a apologia ao nazismo continue circulando. Perfis de diversos países As postagens encontradas pelo g1 foram feitas em vários idiomas, incluindo português, mas não revelam onde estão seus criadores. Também não é possível confirmar oficialmente a localização das contas, já que, ao contrário do X e do Instagram, o TikTok não informa o país de origem do perfil. Ainda assim, a plataforma tikip.us, que reúne dados e estima a localização de contas do TikTok, aponta que 15 das 62 analisadas estariam no Brasil. As demais foram atribuídas a países como Estados Unidos, Arábia Saudita, Alemanha, Belarus, Reino Unido e Polônia. Publicação concentra comentários de apologia ao nazismo. Reprodução/TikTok Em um dos posts identificados pelo g1, um carrossel de fotos exibe a frase em inglês "because I remember you" ("porque eu me lembro de você"), sobreposta a uma imagem que aparenta retratar Adolf Hitler (veja na imagem acima). Nos comentários, também em inglês, aparecem mensagens como "meu herói", "meu líder", "sinto muito a sua falta" e "ele estava fazendo a coisa certa". Em outro caso, em um perfil com conteúdo em português, o g1 identificou uma espécie de "trend" em que usuários faziam referência à morte de Hitler, em 30 de abril de 1945, atribuindo ao episódio um sentido positivo. Publicações com teor semelhante também foram encontradas em inglês e em espanhol (veja na imagem abaixo). Um dos posts dessa conta, publicado em junho de 2025, soma 371 mil visualizações e 46 mil curtidas. Entre os mais de 660 comentários, houve críticas à publicação. "Amigo, mas se o H [Hitler] estivesse vivo, vc não estaria vivo kkkk se toca, vc é latino-americano", escreveu um usuário. 'Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pela IA de Musk Trend no TikTok faz referência à morte de Adolf Hitler Reprodução/TikTok Outro saiu em defesa do conteúdo: "Poxaa, foi só uma brincadeira, humor apenas, fica em paz pq ele com certeza sabe". A resposta veio em seguida: "Humor? HUMOR? Claro, com um cara que matou pessoas pela fé, pela cor, pelo pensamento diferente". "Brincar com a morte de milhões? Não é brincadeira", comentou mais um usuário. No Brasil, exaltar o ideário nazista, usar símbolos, distribuir emblemas ou fazer propaganda da doutrina é crime, com pena de reclusão, conforme a Lei Federal 7.716/1989 (saiba mais ao final da reportagem). Liriam diz que o 30 de abril de 1945 é usado com a intenção é enviar uma mensagem que só quem compartilha dessa visão de mundo entende. Apesar da referência indireta ao suicídio de Hitler e do uso desse tipo de codificação por extremistas, juridicamente, pela lei brasileira, a expressão não pode ser classificada com clareza como antissemita, afirma Yasmin Curzi, professora de direito da FGV e pesquisadora do Karsh Institute of Democracy da Universidade da Virginia, nos EUA. "Eles usam uma estratégia para não entrar na área juridicamente relevante e ficar abaixo do radar da Justiça. As pessoas nesses vídeos evitam algo explícito justamente para não fazer apologia de forma aberta", completa Liriam. Conteúdos explícitos também são encontrados Vídeo postado no TikTok mostra homem dançando com suástica girando ao fundo Reprodução/TikTok Embora boa parte dos perfis recorra a códigos para tentar se resguardar, o g1 encontrou com facilidade publicações explícitas. Ao pesquisar por termos e símbolos associados a movimentos neonazistas, a busca do TikTok não impediu que esse tipo de postagem fosse exibido. Foi assim que o g1 localizou, por exemplo, um vídeo em que um homem aparece dançando com o símbolo da suástica girando ao fundo (veja acima). Esse mesmo perfil ainda traz, na bio, a frase "White Power" (ou "poder branco", em português), expressão comumente associada a grupos supremacistas que defendem a ideia de superioridade de pessoas brancas sobre outras etnias. Outro vídeo encontrado pelo g1 exibe a águia imperial nazista com a cruz de ferro e a frase em inglês "um dia as pessoas vão perceber que ele estava certo" (veja na imagem abaixo). Segundo Yasmin Curzi, o mesmo perfil publicou diversos outros conteúdos explicitamente nazistas. O vídeo em questão acumula pouco mais de 51 mil visualizações, além de mais de 6,7 mil curtidas e 155 comentários. Vídeo postado no TikTok traz a águia imperial nazista com a cruz de ferro. Reprodução/TikTok Em outro momento, ao pesquisar na ferramenta de busca da rede social por um símbolo associado a uma organização paramilitar ligada ao Partido Nazista, o TikTok exibiu o aviso de que "a frase pode estar associada a comportamento ou conteúdo que viola nossas diretrizes". Ainda assim, o mesmo símbolo aparece na bio de um perfil identificado pela reportagem, o que indica que os filtros da plataforma não conseguiram impedir totalmente o uso desse código. No Tiktok, um mesmo termo associado ao nazismo é bloqueado nos resultados de busca, mas é mantido na descrição de um perfil Reprodução/TikTok O TikTok também permite que usuários comentem em publicações com imagens estáticas ou animadas. Na maioria dos vídeos monitorados, aparecem imagens em tom de meme com Adolf Hitler acompanhadas da expressão "Absolute cinema" ou "Cinema absoluto", em português. A frase é bastante popular na internet e costuma ser usada para se referir, de forma elogiosa ou irônica, a cenas de filmes, séries ou novelas consideradas icônicas, de alta qualidade ou com uma pegada cinematográfica. Grupos postam nos comentários do TikTok 'memes' de exaltação a Hitler Reprodução/TikTok Nos dois exemplos acima, as imagens foram publicadas nos comentários de um vídeo antigo que mostra a Alemanha durante o regime nazista. Na imagem à direita, Hitler aparece ainda criança. Além disso, o g1 encontrou inúmeros vídeos com o símbolo de uma caveira que é associado à unidade que administrava os campos de concentração nazistas. "A divulgação (desse símbolo) não é apenas apologia ao nazismo, mas também discurso de ódio antissemita", diz Liriam. Nos três exemplos abaixo onde o símbolo aparece, os vídeos foram exibidos na aba "Para você" do TikTok enquanto o feed era rolado. As publicações surgiram em menos de cinco minutos de navegação. Postagens com símbolo associado ao nazismo Reprodução/TikTok O que diz a lei brasileira A apologia ao nazismo, com o uso de símbolos nazistas, a distribuição de emblemas ou a propaganda do regime, é crime previsto em lei no Brasil, com pena de reclusão. A apologia ao nazismo se enquadra na Lei 7.716/1989, segundo a qual é crime: praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Pena: reclusão de um a três anos e multa – ou reclusão de dois a cinco anos e multa se o crime for cometido por meio de publicações ou em meios de comunicação social. fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa. A lei é respaldada pela própria Constituição, que classifica o racismo como crime inafiançável e imprescritível. Isso significa que pode ser julgado e punido a qualquer momento, independentemente do tempo decorrido desde a conduta. Inicialmente, a legislação não mencionava o nazismo de forma explícita, pois era voltada principalmente ao combate ao racismo sofrido pela população negra. As referências diretas ao nazismo foram incluídas em 1994 e 1997, por meio de projetos de lei. "A apologia ao nazismo é racismo, configura crime e viola a Convenção Interamericana contra o Racismo, ratificada pelo Brasil em 2023. Há ampla jurisprudência sobre o tema. Esses posts deveriam ser removidos pelo TikTok e não poderiam ser recomendados ou exibidos sem login, o que amplia sua disseminação", conclui Yasmin. Perfil no TikTok dedicado a conteúdo nazista. Reprodução/TikTok O que diz o TikTok "Os conteúdos compartilhados foram removidos da plataforma por violarem as nossas Diretrizes da Comunidade. Sobre nossas diretrizes de comportamento e discurso de ódio: o TikTok não permite discurso ou comportamento de ódio, bem como a promoção de ideologias de ódio. Nossas Diretrizes da Comunidade proíbem explicitamente: Incentivar a violência, segregação, discriminação ou outros danos contra pessoas com base em atributos protegidos, como raça ou religião. Apoiar ou disseminar ideologias de ódio, o que inclui alegações de supremacia sobre um grupo protegido, antissemitismo ou outras formas de preconceito. O uso de símbolos e imagens associados a movimentos de ódio. Negar ou minimizar atrocidades históricas bem documentadas contra grupos protegidos, como o Holocausto. Aplicação de moderação baseada em nossas diretrizes acerca do tema: Nós treinamos regularmente nossos profissionais de segurança para ajudá-los a aprimorar a detecção de comportamento de ódio, símbolos, termos e estereótipos ofensivos, e para ajudá-los a identificar e proteger o contradiscurso. Consultamos acadêmicos e especialistas de todo o mundo para nos mantermos atualizados sobre as tendências em evolução e para nos ajudar a avaliar e melhorar regularmente nossas políticas e processos de aplicação. Bloqueamos buscas por termos relacionados a ódio ou ideologias de ódio e redirecionamos a busca para as nossas Diretrizes da Comunidade para educar nossa comunidade sobre nossas políticas contra a expressão de ódio. Em nosso Centro de Transparência, publicamos, trimestralmente, um relatório de moderação com os números do período. O mais recente, do terceiro trimestre de 2025, mostra que 98,8% dos conteúdos que violaram nossas políticas de Segurança e Civilidade – que incluem nossas regras sobre comportamento e discurso de ódio – foram removidos proativamente, sendo que 87% foram removidos antes de receberem qualquer visualização." Colaborou nesta reportagem: Victor Hugo Silva Grok: ferramenta gratuita da rede social X é usada para criar imagens íntimas falsas Entenda nova regra que exige confirmação de idade de usuários por sites e aplicativos

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A prisão de brasileiro que abalou rede global de abusadores de crianças


Documentário da BBC acompanhou rotina de policiais dedicados ao combate do abuso sexual infantil na dark web BBC Em uma manhã de 2019, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação que caiu como uma bomba atômica sobre redes globais de abusadores sexuais de crianças, mas quase ninguém ficou sabendo. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Naquele dia, após vários meses de investigação e com o apoio de policiais de diferentes países, investigadores brasileiros prenderam um homem que administrava cinco dos maiores fóruns de materiais de abuso sexual infantil na "dark web", uma parte oculta da internet só acessível por ferramentas específicas. Segundo a PF, os fóruns tinham quase 2 milhões de usuários espalhados pelo mundo. Discreto e dotado de grande conhecimento técnico, o dono dos sites era conhecido na "dark web" como Lubasa e vinha conseguindo escapar das forças globais de segurança fazia alguns anos. Apesar da grandiosidade do feito, a prisão foi mantida em sigilo por um motivo: com os servidores do criminoso em mãos, a polícia tinha informações para desmascarar outros tantos abusadores que frequentavam seus sites e temia que, se eles soubessem da detenção de Lubasa, poderiam tentar fugir. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Sete anos depois da prisão — e de centenas de novas operações ocorridas a partir daquela, incluindo o resgate de um menino sequestrado que era tratado como morto na Rússia —, a história é narrada em "Infiltrados na dark web", um documentário da BBC News Brasil com a BBC Eye, equipe de investigações da BBC. A equipe de reportagem passou sete anos acompanhando a rotina de policiais do Brasil, Estados Unidos, Rússia e Portugal que integram uma coalizão formada para combater o abuso sexual infantil na "dark web". Muitos deles trabalham infiltrados em fóruns frequentados por pedófilos, buscando informações que levem à identificação de criminosos e ao resgate de suas vítimas. Rafaella Parca, delegada da Polícia Federal que trabalha no combate ao abuso sexual infantil. BBC Espécie de internet paralela, não indexada por buscadores, a "dark web" foi criada em 1990 pelo Departamento de Defesa dos EUA para que espiões se comunicassem em segredo, já que a rede permite que usuários ocultem a identidade e rastros digitais. Após ter sido aberta ao público, em 2004, ela passou em poucos anos a abrigar fóruns voltados à distribuição de materiais de abuso sexual infantil, tornando-se um dos principais campos de ação para policiais que combatem esse tipo de crime. Floresta em Portugal onde Twinkle escondia seus arquivos. BBC O início das buscas A coalizão global de policiais retratada no documentário passou a priorizar a identificação de Lubasa, especialmente após a prisão de um de seus principais colaboradores — um português conhecido nos fóruns da "dark web" como Twinkle. Os nomes reais de Twinkle e Lubasa não são revelados para proteger suas vítimas. Twinkle era o principal colaborador do BabyHeart, um dos fóruns mais violentos da dark web. A plataforma era administrada pelo brasileiro Lubasa e abrigava cenas de abuso sexual de bebês. Twinkle fornecia "uma quantidade quase inacreditável" de fotos e vídeos de abusos para o site, diz à BBC Greg Squire, agente do Departamento de Segurança Interna dos EUA e um dos líderes da coalizão internacional de policiais. Segundo Squire, o criminoso português produziu e postou na plataforma cenas de abusos de até 15 crianças diferentes. "Assistir alguém estuprar um bebê… Não há nada de humano nisso", diz Squire. Identificá-lo, porém, era difícil, pois Twinkle escrevia em diferentes idiomas e evitava compartilhar informações pessoais na rede. A primeira pista sobre sua nacionalidade só surgiu após Twinkle usar uma expressão típica da língua portuguesa em uma conversa em inglês com outro usuário: "Custou os olhos da minha cara". Mas ele só foi identificado tempos depois, quando a polícia brasileira prendeu um abusador de crianças que se correspondia virtualmente com o criminoso português. Twinkle foi preso em sua casa, em um vilarejo no norte de Portugal. Ao arrombar a porta, a polícia o encontrou na cama ao lado de duas crianças. Os arquivos onde ele armazenava fotos e vídeos de abusos estavam enterrados em uma floresta vizinha à residência e também foram recuperados. Mas, ao questionarem Twinkle sobre como poderiam tirar do ar o site BabyHeart, os policiais ouviram dele que somente uma pessoa seria capaz de fazê-lo: Lubasa, a quem o português chamou de "chefão". Twinkle cumpre hoje pena de 21 anos de prisão em Portugal. Operação contra abuso sexual infantil realizada pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA BBC Um criminoso 'idolatrado por 2 milhões pessoas' O nome Lubasa já circulava entre os policiais da coalizão fazia alguns anos, mas ainda não havia pistas que levassem à sua identificação. "Lubasa estava em outro nível. Se chegássemos até ele, teríamos acesso a tudo o que acontecia sob seu comando", lembra Squire. Naquela altura, policiais brasileiros já estavam no encalço do criminoso. "Ele era uma pessoa idolatrada por mais de 2 milhões de pessoas ao redor do mundo", diz a delegada brasileira Rafaella Parca, também integrante da coalizão e membro da Divisão de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal. Por criar e manter a estrutura para que os fóruns de abuso sexual infantil funcionassem, Lubasa era tratado pela polícia como "responsável por todos os crimes que aconteciam dentro desses locais", diz Parca. Mas, assim como Twinkle e outros pedófilos da dark web, o brasileiro falava pouco de si na plataforma, dificultando sua identificação. Até que, após vários meses de investigações, seu nome real foi finalmente descoberto. Lubasa (rosto borrado, à esq.) é interrogado por policial no momento de sua prisão. Polícia Federal do Brasil/BBC As cenas da captura de Lubasa, em 2019, são reveladas pela primeira vez no documentário da BBC, assim como os detalhes de seu caso, que passaram vários anos sob sigilo. Sete anos depois, a polícia avalia que a divulgação das informações já não compromete outras investigações nem a busca por outros criminosos associados a Lubasa. "Ele ficou surpreso, apático, calado, como se aquilo fosse inacreditável", lembra Parca sobre o dia da prisão. "Ele acreditava que era inatingível." Hoje, Lubasa cumpre pena de 266 anos de prisão no Brasil. Ao capturá-lo, em meio a uma grande quantidade de lixo e sujeira na sua casa, a polícia encontrou os servidores que mantinham seus cinco fóruns de pedofilia no ar — máquinas avaliadas em vários milhares de reais. Foi a maior apreensão de arquivos da dark web na história, segundo a coalizão de policiais. Os arquivos foram compartilhados com as polícias que compunham a coalizão e com a Interpol, maior organização policial do mundo que reune 196 países para facilitar a cooperação global e o intercâmbio seguro de dados sobre crimes. Com base nos documentos, centenas de usuários dos fóruns de Lubasa foram identificados e presos em diferentes países. Entre os detidos, havia pessoas que produziam materiais de abusos e outras que viam e assistiam aos conteúdos. "Mesmo que a pessoa não tenha tido contato direto com crianças, ela é a razão da existência desses sites", diz Greg Squire, do Departamento de Segurança Interno dos EUA. "Essas pessoas criam a demanda e incentivam aqueles que têm acesso a crianças." Gordana Vujisic, investigadora da Interpol com experiência em casos de abuso de crianças. BBC Menino foi resgatado na Rússia Os arquivos apreendidos com Lubasa provocaram uma reviravolta em um caso que chocou a Rússia, em 2020. Fazia 52 dias que a polícia russa procurava um menino de 7 anos sequestrado enquanto voltava da escola, em uma zona rural. Acompanhadas com destaque pela imprensa russa, as buscas envolveram milhares de voluntários e agentes de diferentes forças de segurança. Fazendas e armazéns abandonados foram examinados, e as equipes esmiuçaram o trajeto do menino em busca de algum rastro. Mas, sem pistas significativas após várias semanas, a polícia suspendeu a operação e passou a considerar que o garoto tinha sido morto pelo sequestrador. Enquanto isso, o agente Greg Squire viu em um fórum na dark web fotos de um menino "loiro, claramente em sofrimento", que se parecia com o garoto russo desaparecido. As fotos haviam sido postadas por um usuário conhecido como Lover Boy Only (LBO), que já era monitorado por Greg. O agente lembra que LBO já havia dito nos fóruns que tinha planos de sequestrar e matar um menino. Squire pediu então a ajuda de Gordana Vujisic, uma investigadora da Interpol em Montenegro, país da região dos Balcãs, com grande experiência em casos de abuso sexual infantil — e falante de russo. "Estávamos todos em fusos horários diferentes, mas, mesmo sendo noite nos Estados Unidos ou na Rússia, quando eu enviava uma mensagem, recebia uma resposta imediatamente", ela lembra. "Nem sequer pensávamos em dormir." Os policiais temiam que LBO concretizasse o plano de matar o menino. "A vida dele estava em nossas mãos", diz a policial. Vujisic então passou a se debruçar sobre os arquivos apreendidos durante a captura de Lubasa, em busca de alguma pista sobre a identidade de LBO. Dentre as milhares de mensagens e fotos postadas pelo criminoso nos fóruns geridos por Lubasa, ela encontrou três informações que poderiam destravar as investigações: em diferentes conversas, LBO citou o local de trabalho do irmão, disse que sua mãe tinha morrido em um acidente de carro e que ele sofria de esquizofrenia. Ao cruzar as informações, a polícia chegou ao nome de Dimitriy Kopylov e mobilizou uma equipe de resgate para vasculhar sua residência. Chegando lá, arrombaram portas e janelas e encontraram Kopylov com o menino — vivo. O garoto foi devolvido a seus pais, e Kopylov, condenado a 19 anos de prisão. Casa onde sequestrador russo mantinha menino capturado enquanto voltava da escola. BBC Ciclo sem fim Desde 2018 dedicada a investigações de abuso sexual de crianças, a delegada Rafaella Parca diz que, nesse campo, o fim de um caso significa o início de outro. As provas colhidas em uma investigação muitas vezes levam a outros suspeitos, alimentando um ciclo que nunca se encerra. Em nenhum caso isso foi tão verdadeiro quanto no de Lubasa, diz Parca. "A gente sabia que aquela prisão seria o início de outras coisas, [ficou] uma sensação de que o trabalho estava recomeçando a partir dali", afirma a delegada. Mesmo assim, Parca diz conseguir desfrutar do momento ínfimo que separa o fim de um caso do começo do seguinte. "A gente sofre tanto até conseguir resolver, e quando a gente resolve, resgata uma criança ou prende o abusador, é algo libertador", diz a delegada. "Você vê o resultado imediato, você muda a vida de uma criança, de uma família, de um círculo de pessoas, e isso é indescritível."

Três engenheiros do Vale do Silício são presos acusados de roubar dados do Google para mandar para o Irã


Logo do Google em uma convenção de tecnologia em Paris, na França, em 25 de maio de 2018 CHARLES PLATIAU/Reuters Três engenheiros do Vale do Silício foram presos na quinta-feira (19) acusados de roubar segredos comerciais do Google e de outras grandes empresas de tecnologia para enviar ao Irã, informou a procuradoria do Distrito Norte da Califórnia, dos EUA. Eles também são acusados de obstruir a Justiça. Entre os presos, estão as irmãs Samaneh Ghandali, de 41 anos, e Soroor Ghandali, de 32. O terceiro réu é Mohammad Khosravi, 40, marido de Samaneh. Samaneh Ghandali e Soroor Ghandali trabalharam no Google antes de irem para outra empresa de tecnologia identificada no processo como “Empresa 3”. Já Khosravi, marido de Samaneh, trabalhou em uma companhia identificada como “Empresa 2”. Segundo a acusação, os réus usaram seus cargos para obter acesso a informações confidenciais e sensíveis. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em seguida, segundo a acusação, eles teriam transferido documentos confidenciais do Google e de outras empresas para locais não autorizados, como dispositivos de trabalho ligados aos empregadores uns dos outros, aparelhos pessoais, além de terem mandado para o Irã. Nesses documentos, continham segredos comerciais relacionados à segurança de processadores, criptografia e outras tecnologias. A denúncia descreve que, enquanto trabalhava no Google, Samaneh Ghandali teria transferido centenas de arquivos para uma plataforma de comunicação de terceiros, em canais que levavam os primeiros nomes de cada um dos acusados. Soroor Ghandali também é acusada de ter transferido diversos arquivos do Google para esses canais enquanto ainda era funcionária da empresa. Posteriormente, esses arquivos teriam sido copiados para dispositivos pessoais, para o computador de trabalho de Khosravi na “Empresa 2” e para o equipamento profissional de Soroor na “Empresa 3”. Ocultamento de informações Ainda de acordo com a acusação, os três tentaram ocultar as ações por meio da entrega de declarações juramentadas falsas às empresas vítimas, negando condutas relacionadas aos segredos comerciais roubados. Também teriam destruído arquivos e registros eletrônicos e adotado métodos para evitar a detecção, como fotografar manualmente telas de computador com documentos confidenciais, em vez de transferir os arquivos completos por plataformas digitais. Em agosto de 2023, após os sistemas internos de segurança do Google detectarem atividades de Samaneh Ghandali e revogarem seu acesso aos recursos da empresa, ela teria assinado uma declaração afirmando que não havia compartilhado informações confidenciais fora da companhia. Segundo a denúncia, ela e Khosravi passaram então a pesquisar e acessar sites sobre como excluir comunicações e dados, incluindo informações sobre quanto tempo operadoras de celular mantêm mensagens “para imprimir em tribunal”. O casal continuou acessando segredos comerciais armazenados em dispositivos pessoais e, ao longo de meses, teria fotografado manualmente centenas de telas de computador com informações confidenciais do Google e da “Empresa 2”. Na noite anterior a uma viagem ao Irã, em dezembro de 2023, Samaneh Ghandali teria feito cerca de 24 fotografias da tela do computador de trabalho de Khosravi, contendo informações sigilosas da “Empresa 2”. Já no Irã, um dispositivo pessoal associado a Samaneh teria acessado essas imagens, enquanto Khosravi teria acessado outras informações confidenciais da empresa. Em nota, o procurador federal dos Estados Unidos Craig H. Missakian afirmou que os acusados “exploraram suas posições para roubar segredos comerciais confidenciais de seus empregadores” e que o escritório continuará atuando para proteger a inovação americana e processar indivíduos que roubem tecnologias sensíveis para ganho indevido ou para beneficiar países hostis. O agente especial do FBI responsável pelo caso, Sanjay Virmani, disse que as ações descritas na denúncia representam “uma traição calculada de confiança” e que os acusados teriam adotado medidas deliberadas para evitar detecção e ocultar suas identidades. Ele afirmou que proteger a inovação do Vale do Silício e as tecnologias que impulsionam a economia e a segurança nacional é prioridade da agência. Os três devem voltar ao tribunal em 20 de fevereiro de 2026, quando será definida a representação legal, perante a juíza Susan van Keulen. A denúncia apenas alega que crimes foram cometidos, e todos os acusados são considerados inocentes até que se prove a culpa além de dúvida razoável. Se condenados, cada um pode pegar até 10 anos de prisão e multa de US$ 250 mil por cada acusação de conspiração para roubo de segredos comerciais e de roubo ou tentativa de roubo. No caso de obstrução de procedimento oficial, a pena máxima pode chegar a 20 anos de prisão e multa de US$ 250 mil. O caso está sendo processado pela Seção de Segurança Nacional e Processos Especiais do escritório do procurador dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia, a partir de investigação conduzida pelo FBI.

Grindr começa a exigir verificação de idade para usuários no Brasil


Chinesa dona do Grindr vende aplicativo por US$ 608 milhões Aly Song/Reuters O Grindr, aplicativo de relacionamento LGBTQIA+, começa a exigir verificação de idade dos usuários nesta sexta-feira (20). A atualização atende a uma nova exigência do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA). "A lei determina que plataformas e serviços destinados a adultos utilizem métodos de verificação de idade para garantir que apenas pessoas com 18 anos ou mais tenham acesso aos seus serviços", diz a plataforma. O Grindr também explicou como vai funcionar a verificação de idade e qual ferramenta utiliza. Veja abaixo: verificação de idade: para confirmar que têm 18 anos ou mais, usuários do Grindr no Brasil podem enviar um breve vídeo selfie ou optar por combinar o vídeo com um documento oficial com foto; processo único e vinculado à conta: a verificação precisa ser feita apenas uma vez por conta. Novos usuários serão solicitados a concluir o procedimento durante o cadastro. Quem já utiliza o aplicativo — ou abrir o app enquanto estiver no Brasil — também deverá passar pelo processo; acesso condicionado à conclusão: no Brasil, o acesso ao Grindr ficará bloqueado até que a verificação de idade seja finalizada; parceria com a FaceTec: o Grindr utiliza tecnologia de verificação biométrica da FaceTec. Segundo a empresa, todo o processamento de dados é gerenciado de forma independente, com o objetivo de proteger a privacidade dos usuários e garantir que o acesso seja restrito a adultos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Documentos oficiais aceitos Caso você opte — ou seja solicitado — a usar o método que combina um documento oficial com foto e um vídeo selfie, os seguintes documentos são aceitos: Carteira de Motorista Passaporte Carteira de Identidade Carteira de Piloto Carteira da OAB Carteira de Identidade Digital Carteira de Registro Nacional Migratório Carteira de Farmacêutico Carteira de Enfermagem Carteira Profissional / Carteira de Identidade Profissional Registro Nacional Migratório Carteira de Bombeiro Militar Carteira de Farmacêutico Como sua privacidade é protegida Para proteger sua privacidade, documentos e vídeos fornecidos são utilizados apenas para a verificação de idade, são criptografados de forma segura durante o processo e excluídos permanentemente após a conclusão. O Grindr não retém os documentos ou vídeos enviados, mantém apenas a informação sobre qual método de verificação foi escolhido e se o processo foi aprovado ou reprovado. E fora do Brasil? Se você estiver fora do Brasil, não verá essa verificação, a menos que abra o Grindr durante uma visita ao país. Nesse caso, o processo será aplicado da mesma forma.

ONU defende comissão de 'controle humano' da inteligência artificial e Casa Branca rejeita


Primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (C), em grupo com líderes de empresas de IA na Cúpula de Impacto da IA ​​em Nova Delhi. LUDOVIC MARIN / AFP Uma nova comissão da ONU busca o "controle humano" da inteligência artificial (IA), anunciou nesta sexta-feira (20) o secretário-geral das Nações Unidas durante uma reunião de cúpula na Índia, uma ideia rejeitada pelo governo dos Estados Unidos. A demanda por IA generativa provocou a disparada dos lucros das empresas de tecnologia, mas também alimentou muitos temores sobre seu impacto na sociedade, nos empregos e, inclusive, na saúde do planeta. "Estamos entrando no desconhecido", afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, na Cúpula sobre o Impacto da IA celebrada em Nova Délhi, que termina nesta sexta-feira. "A mensagem é simples: menos exagero, menos medo. Mais fatos e evidências". Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo Guterres, a Assembleia Geral da ONU designou 40 especialistas para um novo grupo denominado Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou que, "sem uma ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas". "Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder", acrescentou. "Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação", completou. O órgão consultivo foi criado em agosto e tem como objetivo abordar a IA da mesma forma que o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU trata o aquecimento global, estabelecendo avaliações sobre seu impacto e estratégias de resposta. "A governança baseada na ciência não é um freio ao progresso, e sim pode torná-lo mais seguro, mais justo e mais amplamente compartilhado", defendeu Guterres na cúpula. "Quando compreendermos o que os sistemas podem fazer, e o que não podem fazer, poderemos passar de medidas aproximadas para barreiras de proteção mais inteligentes e baseadas no risco", acrescentou. O conselheiro de tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que o governo dos Estados Unidos rejeita "totalmente" uma governança global da IA. Kratsios, chefe da delegação americana na cúpula sobre IA de Nova Délhi, disse: "Como o governo (do presidente Donald) Trump já disse em muitas ocasiões: rejeitamos totalmente a governança global da IA", disse. "Acreditamos que a adoção da IA não pode levar a um futuro mais promissor se estiver submetida a burocracias e ao controle centralizado", acrescentou. Ele disse que a IA tem o potencial de "promover o crescimento humano e gerar uma prosperidade sem precedentes". As "obsessões ideológicas centradas em riscos, como o clima ou a equidade, viram desculpas para a gestão burocrática e a centralização", afirmou. O presidente da França, Emmanuel Macron, e Lula se encontram na Cúpula de Impacto da IA ​​em Nova Delhi. Ludovic Marin/AFP Bem comum mundial Esta é a quarta reunião mundial anual concentrada na política da IA. A próxima acontecerá em Genebra no primeiro semestre de 2027. O encontro em Nova Délhi deveria terminar com uma declaração conjunta, mas é difícil saber como será o texto. As três edições anteriores terminaram com um comunicado bastante vago. O governo dos Estados Unidos critica uma regulamentação do acesso e do conteúdo das plataformas para não minar - justifica - a liberdade de expressão. A reunião em Nova Délhi é a primeira cúpula sobre inteligência artificial organizada em um país em desenvolvimento. A Índia tenta aproveitar a oportunidade para impulsionar suas ambições de alcançar Estados Unidos e China no setor. Nova Délhi espera mais de 200 bilhões de dólares em investimentos durante os próximos dois anos. Várias empresas do setor de tecnologia americano anunciaram nos últimos dias novos acordos e projetos de infraestrutura. Sam Altman, CEO da OpenAI e à frente do ChatGPT, pediu na quinta-feira a adoção urgente de uma regulamentação sobre o uso da IA. "A democratização da IA é a melhor maneira de garantir que a humanidade prospere", afirmou em seu discurso. "Isso não quer dizer que não precisamos de nenhuma regulamentação ou medida de segurança. É óbvio que precisamos delas, com urgência". Os debates da cúpula de Nova Délhi, que recebeu milhares de pessoas, incluíram grandes temas, da proteção das crianças até a perda de postos de trabalho e a necessidade de um acesso mais equitativo às ferramentas de IA em todo o mundo. Contudo, a abordagem ampla e as promessas vagas feitas nos encontros anteriores na França, na Coreia do Sul e no Reino Unido podem dificultar os compromissos concretos. "Estamos entrando em uma era na qual os seres humanos e os sistemas de inteligência criam, trabalham e evoluem juntos", afirmou na quinta-feira o anfitrião, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. "Devemos decidir que a IA seja utilizada para o bem comum mundial", disse.

O que é nobreak e por que usar para evitar perda de internet?


Cidade de São Paulo durante apagão da Enel em dezembro de 2025 Reprodução/TV Globo Temporais de verão muitas vezes são sinônimos de queda de energia e, para muitos, o pior pesadelo: ficar sem internet. Para evitar essa situação e não perder o sinal de wi-fi, uma solução é usar um nobreak. A bateria interna do aparelho garante energia por tempo suficiente para terminar uma reunião importante, enviar e-mails urgentes ou simplesmente continuar navegando. Além de manter os eletrônicos ligados, o nobreak atua como uma barreira de proteção quando a energia volta, evitando picos de tensão que podem queimar sua TV, computador ou outros eletrônicos sensíveis. Mesmo quando a rede elétrica está normal, o nobreak estabiliza a corrente, fornecendo uma energia "limpa" e diminuindo o risco de danos a componentes internos dos seus equipamentos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O que eu posso ligar no nobreak? A escolha dos eletrônicos que devem ser ligados nos nobreaks deve se basear nos “essenciais”, de acordo com Bruno de Alcantara Dias, professor de engenharia elétrica da FEI. TVs, computadores, videogames, modems, roteadores e monitores entram na lista. “Tem que pensar na proteção dos itens mais caros”, afirmou Luis Cuevas, diretor da fabricante APC. Segundo a fabricante Intelbras, é melhor evitar ligar eletrodomésticos com motor – como secadores, geladeiras e aspiradores de pó, por conta de um pico de corrente elétrica maior, que pode esgotar a autonomia da bateria. O que levar em conta na hora da compra? Para acertar na escolha, é preciso considerar alguns pontos: Potência dos equipamentos que serão ligados, medidas em Watts (veja abaixo). Autonomia: o tempo que a bateria do nobreak consegue manter os equipamentos ligados. "Quanto mais carga, menos autonomia”, explicou Rubens Lorenço Neto, gerente da linha de nobreak da fabricante Intelbras. Tipo de uso: Defina se o aparelho será usado continuamente para filtrar a energia ou apenas em quedas de luz. Como calcular a potência? A potência de um nobreak é medida em VA (volt-ampere), enquanto a dos eletrônicos é medida em W (watts). Para saber se o nobreak aguenta muitos aparelhos ligados a ele, é preciso converter W em VA. Para facilitar, muitos fabricantes oferecem calculadoras on-line que fazem esse cálculo em seus sites. Também dá para fazer uma conta simples: somar o consumo em watts de tudo que você vai ligar. Depois, procurar um nobreak com uma capacidade em VA que seja superior à soma dos watts dos equipamentos. Na prática: se você quer ligar dois notebooks (45W cada), um modem (5W) e dois roteadores (20W cada), o consumo total será de 135W. Um nobreak convencional de 500VA ou 600VA já seria suficiente para essa configuração. Quais são os tipos de nobreak? Existem diferentes modelos de nobreak no mercado, cada um para uma necessidade específica: Fonte 12V com bateria: É o mais simples. Tem esse nome porque substitui a fonte de modems e roteadores, sendo uma solução compacta e direcionada para um só eletrônico. Mini nobreaks: Também focados em equipamentos de 12V, como câmeras de segurança e modems, garantindo o funcionamento deles em caso de apagão. Nobreaks convencionais: Maiores e com mais tomadas, oferecem monitoramento constante da qualidade da energia e são indicados para computadores, TVs e videogames. Tipos de nobreak: fonte, mini e modelo convencional Reprodução Qual é o tipo de funcionamento? Os nobreaks se diferenciam pela forma como fornecem energia: Stand-by (ou offline): É o mais comum. Ele só ativa a bateria quando detecta uma queda ou variação brusca na energia. Os modelos mini e fonte se encaixam nessa categoria. Interativo: Semelhante ao stand-by, mas possui um estabilizador interno que corrige pequenas variações de tensão sem precisar usar a bateria, aumentando sua vida útil. Online (ou dupla conversão): Considerado o mais completo e seguro. Os aparelhos ficam o tempo todo ligados à bateria, que é constantemente recarregada. Isso garante que eles recebam uma energia sempre "pura" e estável, sem qualquer interrupção na transição. Veja a seguir uma lista com nobreaks à venda nas principais lojas da internet. Os preços iam de R$ 170 a R$ 450 para os mini/fonte e de R$ 900 a R$ 2.000 para os modelos convencionais. Os valores foram consultados no meio de fevereiro. Intelbras fonte nobreak EFB 1201 Mini nobreak APC Easy Back-UPS Mini nobreak Knup Aitek Mini nobreak Marsriva KP3 Nobreak APC BX1500BI-BR Nobreak gamer Intelbras Ultimate Nobreak SMS Pro 29401 8T Nobreak TS Shara XPro Universal Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável.

É #FAKE vídeo de Maduro tomando 'banho de sol' em presídio nos EUA; cena foi criada por IA


Vídeo de Maduro em presídio no Brooklin foi gerado por IA g1 Circula nas redes sociais um vídeo de Nicolás Maduro, ditador deposto da Venezuela que foi capturado pelo governo de Donald Trump no início de janeiro, supostamente caminhando no pátio de uma penitenciária nos Estados Unidos. É #FAKE. selo fake g1 🛑 O que diz a publicação? Publicado em 10 de janeiro no X, onde teve mais de 560 mil visualizações, o post apresenta a seguinte legenda, em espanhol: "Imagens do ditador narcoterrorista Nicolás Maduro durante seus 30 minutos diários de permanência ao ar livre na prisão foram vazadas. Brooklyn, NY… Parece muito animado". A descrição omite que a cena foi criada com inteligência artificial (IA), como apontaram ferramentas de detecção – leia detalhes mais abaixo. O conteúdo exibe a imagem de um homem, falsamente identificado como Maduro, andando em círculos em um pátio coberto de neve, enquanto agentes de segurança filmam. Sobre o vídeo, há uma caixa de texto que diz, também em espanhol:"Maduro desfruta de seus 30 minutos de 'banho de sol' diários no presídio". ⚠️ Por que isso é falso? O Fato ou Fake submeteu o conteúdo a três ferramentas que detectam conteúdos fabricados com IA – e todas apontaram uso desse recurso (veja infográficos ao final desta reportagem). Sightengine – 99% de probabilidade de uso de IA. MyDetector – 97,29% de probabilidade de uso de IA. DecopyAI – 97% de probabilidade de uso de IA. A marca d'água "ELD Estudio", que aparece no canto inferior direito do quadro, é o nome de um perfil no YouTube que se descreve como "um canal de inteligência artificial dedicado a criar vídeos humorísticos e satíricos sobre figuras políticas e outras personalidades". Após a captura por Forças americanas, Maduro foi levado ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn (MDC, na sigla em inglês). Em uma audiência em 5 de janeiro, ele se declarou inocente das acusações de chefiar um suposto cartel de narcotráfico e afirmou ser um "prisioneiro de guerra". No dia seguinte, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos modificou os termos da denúncia e passou a culpá-lo por supostamente "participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas". Nesta terça-feira (17), o governo americano comunicou que adiará a próxima audiência de Maduro do dia 17 de março para o dia 26 de março. A decisão foi concedida a pedido da Promotoria, que alegou "problemas de planejamento e logística", sem especificar mais detalhes. Até a última atualização desta reportagem, não havia sido divulgado nenhum registro de Maduro na penitenciária. Diagóstico do Sightengine g1 Diagnóstico do MyDetector g1 Diagnóstico do DecopyAI g1 Vídeo de Maduro em presídio no Brooklin foi gerado por IA g1 Veja também Governo não criou imposto único de 44% sobre aluguel Governo não criou imposto único de 44% sobre aluguel VÍDEOS: Fato ou Fake explica VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)

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