quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Galaxy S26: Samsung lança celular com 'tela anti-curiosos' e IA turbinada; veja preços


Samsung lança Galaxy S26 Ultra com 'tela anti-curiosos' A Samsung apresentou nesta quarta (25) seus três novos celulares da linha Galaxy S26 com funcionalidades de IA avançadas e uma inédita função de tela com proteção de privacidade que não precisa de película. Os produtos – Galaxy S26, S26+ e S26 Ultra – foram anunciados em um evento em São Francisco, nos EUA. Confira os preços abaixo: Galaxy S26 (256 GB): R$ 7.499 Galaxy S26 (512 GB): R$ 9.099 Galaxy S26+ (256 GB): R$ 9.199 Galaxy S26+ (512GB): R$ 10.799 Galaxy S26 Ultra (256 GB): R$ 11.499 Galaxy S26 Ultra (512 GB): R$ 13.099 Galaxy S26 Ultra (1 TB): R$ 15.499 A empresa também lançou os fones de ouvido Galaxy Bud4, nas versões padrão e Pro (confira preços e detalhes abaixo). A linha S26 concorre diretamente com o iPhone 17, lançado em setembro de 2025, e tem previsão de chegada ao Brasil em março. Os celulares rodam o sistema Android, do Google. O Galaxy S26 Ultra, modelo mais avançado da linha, é o que vem com a principal novidade: um modo de privacidade na tela contra curiosos. Quando ativada, apenas quem está na frente do aparelho consegue ver o conteúdo. Quem está ao lado vê apenas uma tela preta. Galaxy S26 Ultra com o recurso de privacidade da tela ativado: conforme o ângulo, não dá para ver o display Henrique Martin/g1 A privacidade da tela, segundo a Samsung, é ativada de forma rápida no painel de controle do celular. Ela funciona desativando alguns pontos de luz (pixels) do display, o que também ajuda a economizar energia. No uso de películas externas de privacidade, que realizam uma função similar, a tela fica ligada o tempo todo. A fabricante permite personalizar esses ajustes, com o recurso funcionando apenas em aplicativos predeterminados, como bancos e WhatsApp, e até mesmo para esconder notificações de mensagens, por exemplo. Galaxy S26 Ultra (atrás), Galaxy S26+ (no meio) e Galaxy S26: novos lançamentos da Samsung Henrique Martin/g1 Inteligência artificial cria elementos nas fotos As funções de inteligência artificial na linha Galaxy S26 foram aprimoradas, diz a Samsung. Recursos como “Circular para pesquisar” agora conseguem encontrar informações sobre outros elementos na imagem buscada – antes era um só. A edição de fotos utilizando inteligência artificial generativa também recebeu melhorias e agora pode responder a instruções (prompts) para criar novos itens dentro da foto. Basta digitar ou falar uma frase e a IA irá inserir a ideia na imagem, tentando manter a proporção e se integrar aos elementos existentes. Em testes feitos pelo g1 em uma demonstração na Samsung, essa ferramenta funcionou razoavelmente bem com comandos de voz, colocando uma fatia de bolo ou espalhando farinha ao redor da foto de uma colher de pau. Galaxy S25 Ultra (à esquerda) e Galaxy S24 Ultra (à direita) Henrique Martin/g1 Desde o ano passado, a Samsung integrou o Gemini, IA do Google, aos celulares da marca. Para a linha Galaxy S26, a novidade é a chegada do assistente da Perplexity, que vai funcionar em paralelo com o Gemini e a própria Bixby, da Samsung. Essa nova IA integrada pode ser ativada pelo comando de voz “Hey Plex”. A Samsung continua apostando em integrações de IA "hiper personalizadas". A empresa promete que, para a nova geração de celulares, a IA poderá verificar mensagens de texto trocadas com outra pessoa e sugerir ações de forma automática. Ao detectar uma mensagem como “vamos marcar”, o sistema pode sugerir uma reserva de restaurante e adicionar o compromisso à agenda. No dia do almoço, a IA ainda seria capaz de chamar um carro de aplicativo antes do encontro. A assistente virtual Bixby também será capaz de comandar outros eletrônicos conectados da marca, como máquinas de lavar e aspiradores-robô. Galaxy Buds4: novos fones de ouvido Além dos Galaxy S26, a Samsung apresentou também dois novos modelos de fones de ouvido, o Galaxy Buds4 e o Galaxy Buds4 Pro, ambos com recursos de cancelamento de ruído. Disponíveis nas cores branca e preta, os fones de ouvido serão vendidos no Brasil por R$ 1.599 na versão padrão. Já a versão Pro, também fabricada na cor rosé, será vendida por R$ 2.099. Como já ocorreu em gerações anteriores do produto, a Samsung adotou um design que lembra bastante os AirPods, da Apple, no acabamento. A diferença está nas hastes metálicas e na caixa transparente. Galaxy Buds4 (à esquerda) e Galaxy Buds4 Pro (à direita): lançamentos da Samsung em fevereiro de 2026. Henrique Martin/g1

Imposto maior sobre celulares importados deve afetar pouco o preço no Brasil; principais marcas já produzem no país


iPhone Pro 17 Pro e iPhone Air Godofredo A. Vásquez/AP O governo brasileiro elevou, no início de fevereiro, o imposto sobre mais de mil produtos importados, entre eles, celulares, com o objetivo de incentivar a competitividade da indústria nacional. Governo aumenta imposto de importação para mais de mil produtos — incluindo celulares — para encarecer itens estrangeiros e melhorar a competitividade da produção no Brasil. O aumento para os produtos incluídos na medida pode chegar a até 7,2 pontos percentuais, afetando setores e consumidores que recorrem a compras internacionais (veja a lista ao final da reportagem). O g1 questionou o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços sobre qual era a alíquota anterior em cada caso, mas não obteve resposta. A medida não atinge os smartphones produzidos no Brasil, que representam 95% dos aparelhos comprados no país em 2025, segundo os ministérios. "A decisão também garante tarifa zero de imposto de importação para todo componente usado pela indústria que não seja produzido no país (ou seja, que não tenha produção nacional similar)", completou o Ministério da Fazenda. As principais empresas do setor, como Samsung, Motorola e Apple, já montam celulares no Brasil, explica Eduardo Tude, presidente da Teleco, empresa de consultoria em telecomunicações. Isso significa que os aparelhos vendidos no país não serão impactados pela elevação do imposto. Essas marcas não fabricam do zero o smartphone no Brasil. As peças do produto vêm de outros países e, quando chegam ao Brasil, são montados em suas fábricas. A Apple, por exemplo, não tem fábrica no Brasil, mas mantém uma representante, a Foxconn, no interior de São Paulo, responsável por montar os iPhones que serão vendidos por aqui. A medida, no entanto, pode impactar marcas como Xiaomi e Realme, que não montam nem fabricam seus celulares no Brasil. O g1 procurou as duas empresas para comentar a decisão do governo e aguarda retorno. Ainda há demanda no Brasil por celulares importados mesmo com o mercado nacional abastecido por diversas marcas, explica Roberto Beninca, advogado tributarista e sócio da MBW Advocacia. Ele diz que isso ocorre porque a decisão de compra do consumidor não se baseia apenas na existência de oferta interna. "O consumidor que importa leva em consideração preço, tecnologia e percepção de valor. Muitos aparelhos importados apresentam melhor custo-benefício. Mesmo com tributos, o consumidor frequentemente encontra no mercado internacional modelos com especificações superiores por preço semelhante ou inferior ao praticado no Brasil", afirma Beninca. E quanto se pagaria a mais em um celular importado? Beninca explica que o governo elevou as alíquotas do imposto de importação em até 7,2 pontos percentuais para celulares e outros produtos de tecnologia. Para ilustrar o impacto, ele considera um aparelho importado com valor de US$ 600. Com um câmbio de R$ 5 por dólar, o custo convertido seria de R$ 3 mil. "Imagine que, antes da medida, a alíquota do imposto de importação fosse de 16%. Nesse cenário, o valor do imposto seria de R$ 480, totalizando R$ 3.480 após essa etapa", exemplifica o advogado. Com o aumento de 7,2 pontos percentuais, a alíquota passaria para 23,2%. Nesse novo cenário, o imposto sobre os mesmos R$ 3 mil seria de R$ 696, elevando o custo para R$ 3.696 apenas na fase inicial da importação. "Contudo, esse não é necessariamente o valor final que chegará ao consumidor. Isso porque o imposto de importação compõe o custo base do produto. Sobre esse novo custo incidem margens do importador, despesas logísticas, estrutura comercial, eventuais tributos internos e margem do varejo", afirma. O impacto pode ser ainda mais forte em meio à crise na oferta global de memória RAM, componente essencial para o funcionamento desses produtos e que está em falta no mercado. O avanço da inteligência artificial está no centro dessa turbulência. Fabricantes têm direcionado investimentos e produção para chips mais avançados, usados em data centers de IA, o que reduziu a oferta de memórias tradicionais. Governo fala em 'reequilibrar os preços' De acordo com o governo, a mudança busca reequilibrar os preços entre itens estrangeiros e nacionais. Atualmente, o mercado brasileiro de eletrônicos possui forte dependência externa, afirma a nota técnica do Ministério da Fazenda. Segundo o documento, a China concentra 46% das importações desses bens, enquanto o Vietnã se consolidou como a segunda maior origem, com 7,9% de participação. O Ministério da Fazenda estima que arrecadará R$ 14 bilhões a mais neste ano com o aumento do imposto de importação incidente sobre os mais de mil produtos. O aumento das tarifas ajudará o governo federal a cumprir a meta de superávit nas suas contas neste ano. Desde o início de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou uma série de impostos para tentar reequilibrar as contas públicas. Produtos afetados Telefones inteligentes (smartphones) Torres e pórticos Reatores nucleares Caldeiras Geradores de gás de ar Turbinas para embarcações Motores para aviação Bombas para distribuição de combustíveis ou lubrificantes Fornos industriais Congeladores (freezers) Centrifugadores para laboratórios de análises, ensaios ou pesquisas científicas Máquinas e aparelhos para encher, fechar, arrolhar, capsular ou rotular garrafas Empilhadeiras Robôs industriais Máquinas de comprimir ou de compactar Distribuidores de adubos (fertilizantes) Máquinas e aparelhos para as indústrias de panificação, açúcar e cervejeira Máquinas para fabricação de sacos ou de envelopes Máquinas e aparelhos de impressão Cartuchos de tinta Descaroçadeiras e deslintadeiras de algodão Máquinas para fiação de matérias têxteis Máquinas e aparelhos para fabricar ou consertar calçado Martelos Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados Máquinas de cortar o cabelo Painéis indicadores com LCD ou LED Controladores de edição Tratores Transatlânticos, barcos de excursão e embarcações semelhantes Plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis Navios de guerra Câmeras fotográficas para fotografia submarina ou aérea, para exame médico de órgãos internos ou para laboratórios de medicina legal ou de investigação judicial Aparelhos de diagnóstico de imagem por ressonância magnética Aparelhos dentários Aparelhos de tomografia computadorizada

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Como seria a cidade que 'cresce sozinha', que Elon Musk planeja instalar na Lua?


SpaceX quer abastecer Starship no espaço para missões a Marte Uma "cidade que cresce sozinha" na Lua e poderia ser construída em menos de 10 anos é o novo plano revelado recentemente por Elon Musk. O dono do X (antigo Twitter), da Tesla e da SpaceX — e a pessoa mais rica do mundo — declarou em postagem recente, com mais de 40 milhões de visualizações, que a SpaceX mudou de foco para construir uma cidade na Lua, em vez de Marte. Mas por que Musk mudou de ideia? E o que sabemos sobre a cidade lunar "que cresce sozinha"? Lua x Marte Ainda não há um plano formal, totalmente detalhado, com plantas para a cidade que cresce sozinha. Esta é uma visão compartilhada por Musk na sua plataforma de rede social. Ele descreveu a formação de um assentamento humano que poderá se expandir gradualmente, usando recursos lunares, graças a lançamentos mais frequentes em direção à Lua. Na sua postagem, Musk declarou que este objetivo poderá ser atingido em "menos de 10 anos, enquanto Marte levaria 20 anos ou mais". "A missão da SpaceX permanece a mesma: levar a consciência e a vida como a conhecemos até as estrelas", segundo ele. Musk explicou que só é possível viajar para Marte quando os "planetas se alinham, a cada 26 meses (tempo de viagem de seis meses)". Por outro lado, ele destacou que "podemos lançar foguetes para a Lua a cada 10 dias (tempo de viagem de dois dias). Isso significa que podemos agir com muito mais rapidez para estabelecer uma cidade na Lua do que em Marte." A missão da SpaceX continua sendo realizar a antiga ambição de Musk de construir uma cidade em Marte e a empresa "começará a fazê-lo em cerca de cinco a sete anos", escreveu ele no X. "Mas a principal prioridade é garantir o futuro da civilização e a Lua é mais rápida." Por que é tão difícil para humanos chegar a Marte 'Nuke Mars': a camiseta de Elon Musk que sugere ataque nuclear a Marte Como funciona um data center? E por que ele pode consumir tanta energia e água? Em postagem no X, Elon Musk explicou por que a SpaceX mudou de foco para construir uma cidade na Lua e não em Marte Reuters via BBC Os admiradores e seguidores de Musk criaram e compartilharam rapidamente projetos de qual poderia ser a aparência dessa cidade na Lua. Alguns deles usaram a ferramenta de IA de Musk, chamada Grok. Os comentários de Musk vão de encontro a uma reportagem publicada no início de fevereiro pelo The Wall Street Journal. Segundo a notícia, a SpaceX declarou aos investidores que iria priorizar as missões para a Lua e tentar uma viagem para Marte posteriormente. E que seu pouso lunar não tripulado está programado para março de 2027. Esta mudança contradiz o antigo foco de Musk em Marte como o principal destino da SpaceX. Até o ano passado, ele dizia que a empresa planejava lançar uma missão não tripulada para o planeta vermelho até o final de 2026. "Não, nós vamos direto para Marte. A Lua é uma distração", declarou Musk em janeiro de 2025, em resposta a uma postagem no X. Elon Musk tem um longo histórico de estabelecer cronogramas ambiciosos para projetos como veículos elétricos e tecnologia de direção autônoma, que deixaram repetidamente de se materializar no prazo pretendido. Como fazer O professor de aplicações, exploração e instrumentação espacial Sungwoo Lim, da Universidade de Surrey, no Reino Unido, descreve o plano da SpaceX, de construir uma base na Lua, como "ambicioso", mas não como "ficção científica". "A ideia básica — usar o solo da Lua para produzir oxigênio, água e material de construção — se baseia em processos industriais que já usamos na Terra", declarou ele à BBC. "Teoricamente, pode ser feito." Mas Lim explica que o desafio é se esses sistemas podem operar de forma confiável no rigoroso ambiente lunar, que inclui temperaturas extremas, poeira fina, baixa gravidade e escassez de energia. "Eles ainda precisam ser testados adequadamente na superfície lunar antes de podermos empregá-los", destaca ele. Lim observa que as agências espaciais governamentais tendem a se mover "cautelosamente" porque dependem de fundos públicos e longos ciclos políticos, que "limitam a rapidez do teste de novas ideias". Já a SpaceX, segundo ele, "opera de forma diferente". "Se o seu novo sistema de foguetes funcionar conforme o planejado, ele poderá enviar equipamento para a Lua com mais frequência e a custo mais baixo, acelerando o processo." Lançamento da Starship, da SpaceX, em maio de 2025 Reprodução Ugur Guven, diretor do Centro de Estudos de Energia e Aeroespaciais da Universidade GD Goenka, na Índia, afirma que a Lua também oferece uma vantagem importante em relação a Marte para os primeiros assentamentos humanos fora da Terra: o rápido reabastecimento e resposta a emergências. "Se algo der errado e você tiver um habitat ali, poderá enviar rapidamente uma missão de acompanhamento", explicou ele à BBC. Ele destaca que a viagem da Terra à Lua normalmente leva "de dois a três dias". Apesar disso, Lim alerta que uma "verdadeira cidade lunar autossustentável" ainda é um objetivo distante. "Cultivar alimentos sem trazer nutrientes da Terra, criando um sistema fechado onde tudo é reciclado, é muito mais complexo", afirma ele. "Isso provavelmente irá levar décadas." "Por isso, a visão é possível, mas acontecerá paulatinamente, não tudo de uma vez." Os Estados Unidos travam uma corrida contra a China para levar seres humanos para a Lua ainda nesta década Reuters via BBC O professor de ciências da Terra e engenharia civil e ambiental Clive Neal, da Universidade Notre Dame em Indiana, nos Estados Unidos, pesquisa a exploração lunar por seres humanos e é da mesma opinião. "Até realizarmos uma campanha abrangente de prospecção de recursos, que demonstre que existem na Lua recursos que podem ser extraídos de forma econômica, não teremos ideia de onde construir uma cidade 'que cresce sozinha', sem recursos acessíveis para extração", explicou ele à BBC. Lim acredita ser "realista" que um "pequeno posto avançado lunar" possa começar a produzir parte do seu próprio oxigênio e, possivelmente, extrair água nos próximos 10 anos. "Seria um avanço importante", afirma ele. O ex-astronauta da Nasa Jeffrey Hoffman, hoje professor de aeronáutica e astronáutica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos (MIT, na sigla em inglês), defende que "podemos gerenciar o fornecimento logístico para uma base lunar agora" se a SpaceX e a Blue Origin (a empresa de tecnologia do fundador da Amazon, Jeff Bezos) desenvolverem módulos lunares com sucesso. "Mas Marte ainda está muito distante", disse ele à BBC. Para Hoffman, a experiência obtida com a construção de habitats lunares sustentáveis poderá ser eventualmente aplicada ao estabelecimento de uma base em Marte. Guven concorda e acrescenta que, quando a base na Lua estiver estabelecida, ficará muito mais fácil chegar a Marte, pois o nosso satélite poderá servir de "trampolim". Aumento da concorrência Os comentários de Elon Musk vieram em um momento em que os Estados Unidos enfrentam aumento da concorrência chinesa pelo retorno dos seres humanos à Lua nesta década. A última vez em que pusemos os pés na superfície lunar foi em 1972, durante a missão Apollo 17, da Nasa. Musk anunciou recentemente que a SpaceX adquiriu a empresa de inteligência artificial também chefiada por ele, a startup xAI. O negócio avaliou a empresa de satélites e foguetes em US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,16 trilhões) e a firma de IA em US$ 250 bilhões (cerca de R$ 1,29 trilhão). O anúncio poderá também vir em apoio à sua ambição de instalar centros de dados no espaço, que lidariam com grandes volumes de computação de IA, segundo a correspondente da BBC em Nova York, nos Estados Unidos, Michelle Fleury. Satélites gigantes e superchips: como serão os data centers no espaço? Imagem de conceito da Starcloud mostra como poderá ser futuro data center no espaço Divulgação/Starcloud Musk é o maior acionista da SpaceX e vem agilizando seus negócios, frente a uma possível entrada na bolsa de valores. Ele estaria considerando abrir o capital da empresa, segundo Fleury. Esta decisão poderá levantar até US$ 50 bilhões (cerca de R$ 258 bilhões), naquela que talvez venha a ser a maior oferta pública de ações da história. Em janeiro, Musk anunciou planos de colocar um milhão de centros de dados no espaço. Ele espera que este programa ajude a atender à demanda cada vez maior de instalações na Terra, gerada pelo aumento do uso da IA. Mas alguns especialistas permanecem céticos. Eles destacam que um dos principais desafios é a falta de ar no vácuo espacial para resfriar unidades de processamento gráfico. Elas desempenham papel importante nas tarefas de IA e no uso intensivo de dados. No início de fevereiro, Musk declarou no X, em resposta a um usuário, que a Nasa teria menos de 5% da receita da SpaceX este ano. A SpaceX é uma das principais contratadas do programa lunar Artemis, da Nasa, cuja missão é levar astronautas para pousar na Lua.

'PIB fantasma' e desemprego em massa: as previsões apocalípticas de texto sobre IA que viralizou e assustou mercados


'PIB fantasma' e desemprego em massa: as previsões apocalípticas de texto sobre IA que viralizou e assustou mercados. Getty Images via BBC As ações de algumas empresas de tecnologia — sobretudo de software — despencaram na segunda-feira (23/2) e analistas dizem que o principal motivo seria uma postagem em um blog que viralizou, pintando um cenário sombrio para a economia mundial diante da ascensão da inteligência artificial. As empresas de software Datadog, CrowdStrike e Zscaler viram suas ações despencarem mais de 9% cada uma ao longo da segunda-feira. A International Business Machines teve queda de 13% — seu pior desempenho em um único dia desde 2000. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Outras empresas cujo desempenho também pode vir a ser afetado no futuro pela inteligência artificial também viram suas ações perderem valor. As ações da American Express caíram cerca de 7%, enquanto as do JPMorgan, Citigroup e Morgan Stanley recuaram mais de 4%. Mastercard e Visa tiveram quedas de mais de 4%. Segundo analistas e jornalistas especializados, o principal motivo por trás das quedas no mercado foi um post escrito pela Citrini Research, uma empresa que foi fundada pelo investidor James van Gleek. A Citrini Research é um dos canais de finanças mais lidos do Substack. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 O texto que viralizou fala em um "PIB fantasma", a ideia de que a inteligência artificial vai aumentar a produtividade e até o tamanho de algumas economias, mas que provocaria ao mesmo tempo desemprego em massa ao substituir humanos. Com isso, esse aumento da riqueza seria apenas ilusório. "A explicação mais comum para a renovada apreensão [nos mercados na segunda-feira] foi uma postagem no blog da Citrini Research sobre como a IA poderia levar à demissão de muitos profissionais de alta renda e prejudicar a economia", escreveu o colunista Robert Armstrong, do jornal britânico Financial Times. Já o Wall Street Journal escreveu que "não é preciso muito para provocar movimentos turbulentos nas ações em um mercado dominado por ações de tecnologia e ansioso pelas perspectivas da inteligência artificial". "Mas nada evidencia a sensibilidade das ações neste momento como o que aconteceu na segunda-feira, quando um dos fatores por trás da queda de 800 pontos do Dow Jones foi um argumento hipotético de 7 mil palavras." O que diz o texto que viralizou? A Citrini Research afirma logo no começo que seu texto, publicado no domingo, não é uma previsão do futuro — mas sim um "exercício mental". "O único objetivo deste texto é modelar um cenário que tem sido relativamente pouco explorado", escreve. O texto é escrito como se fosse um relatório do dia 30 de junho de 2028. Ele relata um mundo com desemprego de 10,2% e queda de quase 40% do S&P (índice das ações das principais empresas listadas nos EUA). Em apenas dois anos, os mercados iriam de uma euforia com a inteligência artificial a uma profunda crise provocada pela ascensão da tecnologia. Segundo os autores, a inteligência artificial provocaria desemprego em massa entre trabalhadores de colarinho branco — atividades ligadas à administração e gerenciamento. A produtividade das empresas teria um salto com robôs sendo mais eficientes do que trabalhadores — já que agentes de IA "não dormem, não tiram dias de folga por doença e não precisam de plano de saúde". No entanto, isso geraria um "PIB fantasma": ganhos massivos de produtividade, mas com queda enorme nos salários reais, já que os trabalhadores substituídos teriam que buscar empregos com rendimentos menores. "Quando começaram a surgir fissuras na economia de consumo, os especialistas econômicos popularizaram a expressão 'PIB Fantasma': produção que aparece nas contas nacionais, mas nunca circula pela economia real", escreve a Citrini Research, prevendo o que analistas do futuro diriam sobre a crise. "Em todos os sentidos, a IA estava superando as expectativas, e o mercado era IA. O único problema... a economia não era." O texto descreve uma "espiral de substituição da inteligência humana" que teria acontecido a partir de 2026, no cenário fictício. "As capacidades de IA melhoraram, as empresas precisaram de menos funcionários, as demissões de profissionais de escritório aumentaram, os trabalhadores demitidos gastaram menos, a pressão sobre as margens levou as empresas a investir mais em IA, as capacidades de IA melhoraram… É um ciclo vicioso sem freio natural." O artigo descreve ficcionalmente uma empresa de inteligência artificial que consegue avanços na área de "agentic coding", em que agentes autônomos de IA escrevem e testam códigos com intervenção humana mínima. Com o tempo, empresas de software gerariam eficiências aos seus clientes, que precisariam de menos mão-de-obra. Mas menos trabalhadores também implica em menos licenças de software sendo compradas, gerando perdas financeiras ao próprio setor de softwares que desenvolveu novas tecnologias. 'Relações humanas' A crise no setor de softwares seria apenas um prelúdio de uma crise mais ampla, segundo ao artigo. Com o tempo, todos os setores produtivos passariam a usar agentes de inteligência artificial que produziriam ganhos enormes de eficiência. Praticamente todas as atividades humanas que necessitam de trabalho especializado — mediante pagamento por esses serviços — seriam otimizadas por máquinas: comércio, agências de turismo, contabilidade, serviços legais, entre outros. "Qualquer categoria em que a proposta de valor do prestador de serviços é 'Eu vou lidar com a complexidade que você considera tediosa' foi impactada, pois os agentes [de inteligência artificial] não acham que nada seja tedioso", escrevem os autores. Segundo eles, até mesmo áreas em que as relações humanas eram valorizadas se provariam frágeis. "O mercado imobiliário, onde os compradores toleravam comissões de 5 a 6% durante décadas devido à assimetria de informação entre o agente e o consumidor, desmoronou quando agentes de IA equipados com acesso a bases de dados com listagem de preços de propriedades e décadas de dados de transações puderam replicar instantaneamente a base de conhecimento." "[Descobrimos que por anos] havíamos superestimamos o valor das 'relações humanas'. Descobrimos que muito do que as pessoas chamavam de relacionamentos era simplesmente 'atrito' — só que apresentada de forma mais simpática." Outro exemplo dado pelos autores é o de aplicativos de entrega de comida. Segundo eles, desenvolvedores seriam capazes de criar, com ajuda da inteligência artificial, aplicativos mais eficientes que os atuais, repassando de 90% a 95% da receita direto aos motoristas, provocando uma falência em empresas que dominam o mercado hoje. Mas mesmo os motoristas não teriam muito futuro: já que em breve eles próprios seriam substituídos por veículos autônomos. Outra área de otimização seria em transações financeiras, com busca a alternativas mais baratas aos cartões de crédito, como Visa e Mastercard. O exemplo dado pela Citrini Research é o das stablecoins como Solana e Ethereum — que são criptomoedas com menos volatilidade. A migração para sistemas com stablecoins provocaria uma crise em empresas de meios de pagamentos. Empregos dizimados Segundo os autores, sempre houve uma crença de que "a inovação tecnológica destrói empregos e depois cria outros mais". Mas isso estaria mudando. "A IA agora é uma inteligência geral que aprimora justamente as tarefas para as quais os humanos seriam realocados. Programadores desempregados não podem simplesmente migrar para a 'gestão de IA', porque a própria IA já é capaz de fazer isso." Eles dizem que a inteligência artificial continuariam criando novos empregos — como engenheiros de prompt, pesquisadores de segurança em IA ou técnicos de infraestrutura — mantendo os humanos dentro da cadeia de produção. Mas esses empregos não seriam suficientes para absorver a mão-de-obra que seria perdida. E os salários seriam muito mais baixos. Os autores dão como exemplo fictício uma gerente sênior de produto. "[Em 2025, ela tinha] cargo, plano de saúde, previdência privada e salário de US$ 180 mil por ano (R$ 930 mil). Ela perdeu o emprego na terceira rodada de demissões. Depois de seis meses procurando emprego, começou a dirigir para o Uber. Seus ganhos caíram para US$ 45 mil (R$ 230 mil)". "Multiplique essa dinâmica por algumas centenas de milhares de trabalhadores em todas as principais metrópoles. A mão de obra superqualificada inundando a economia de serviços e de trabalhos temporários pressiona para baixo os salários dos trabalhadores que já estavam em dificuldades." O próximo passo, segundo os autores, seria sentido no mercado imobiliário. A queda brusca na massa de salários provocaria dificuldades para compradores pagarem por seus empréstimos imobiliários. Todo esse cenário de crise geraria uma resposta de governos, mas eles próprios estariam em situação mais frágil, dada a queda esperada em arrecadação de impostos. "O governo precisa transferir mais dinheiro para as famílias exatamente no momento em que está arrecadando menos impostos delas. [...] A capacidade da IA ​​está evoluindo mais rápido do que as instituições conseguem se adaptar. A resposta política está seguindo o ritmo da ideologia, não da realidade." Os autores lembram ao final do artigo que ainda não estamos em junho de 2028, como eles propõem retoricamente. Estamos em fevereiro de 2026 e esses "ciclos negativos ainda não começaram". "Temos certeza de que alguns desses cenários não se concretizarão. Da mesma forma, temos certeza de que a inteligência artificial continuará a se acelerar. Como investidores, ainda temos tempo para avaliar o quanto de nossos portfólios se baseia em premissas que não resistirão à década. Como sociedade, ainda temos tempo para sermos proativos." Reações Apesar de muitos atribuírem a quedas do mercado na segunda-feira ao texto da Citrini Research, nem todos levam a sério suas previsões. "O mais importante sobre o texto não é o que ele diz. É que o mercado de ações chegou ao ponto em que postagens em blogs causam movimentos significativos nas ações, ou pelo menos é o que as pessoas pensam que causam", escreve o colunista de mercados Robert Armstrong, do Financial Times. "A polêmica em torno da Citrini é mais uma prova de que estamos em um mercado inflado que busca uma desculpa para cair, por razões que provavelmente vão além da IA." Em artigo na revista Fortune, o editor de Negócios Nick Lichtenberg diz que o cenário traçado pela Citrini "pode estar ignorando a adaptabilidade humana e a resposta institucional" e que a inteligência artificial "poderia eventualmente democratizar o acesso à abundância" de recursos. "O argumento do 'PIB fantasma' da Citrini pressupõe que os salários humanos substituídos desaparecerão permanentemente da economia, ignorando como os ganhos de produtividade historicamente tendem a realocar valor em vez de destruí-lo", escreve Lichtenberg. "Quando a IA reduz os custos, bens e serviços ficam mais baratos, aumentando efetivamente o poder de compra real, mesmo para famílias com renda nominal mais baixa." Ele cita um Tanmai Gopal — CEO da empresa PromptQL, de análise de dados — que estima que 70% dos trabalhos de hoje não podem ser automatizadas, pois a IA precisa ser treinada com dados e o contexto humano é dinâmico demais para que ela seja atualizada com frequência suficiente. Na segunda-feira, o CEO do JPMorgan Chase — cujas ações caíram mais de 4% em meio às repercussões do artigo — afirmou que os temores sobre inteligência artificial são exagerados e que seu banco usará a tecnologia a seu favor. "Na minha opinião, sairemos vencedores", disse Jamie Dimon. "Nossa estratégia sempre foi usar a tecnologia para prestar um serviço melhor aos clientes, e somos muito bons nisso."

'Crianças tiveram seus dados coletados': Reddit é multado em R$ 100 mi no Reino Unido


Logo do Reddit. Dado Ruvic/ Reuters A plataforma online Reddit foi multada em 14,47 milhões de libras (mais de 100 milhões de reais) nesta terça-feira (24) pela agência reguladora britânica de proteção de dados (ICO, na sigla em inglês) por "uso ilegal de dados pessoais de crianças". O site americano "não implementou um mecanismo sólido de verificação de idade e não tinha base legal para processar os dados pessoais de crianças menores de 13 anos", escreveu a agência em nota, após iniciar sua investigação em março de 2025. "Crianças menores de 13 anos viram seus dados pessoais coletados e usados de maneiras que não podiam entender nem controlar. Assim, estiveram potencialmente expostas a conteúdo que não deveriam ter visto", enfatizou a ICO. Reino Unido vai endurecer regras para chatbots de IA após polêmica com o Grok, de Musk Veja o que países estão fazendo para regular o acesso de crianças às redes sociais Premiê britânico quer medidas para proteger crianças e adolescentes nas redes sociais A agência reguladora explicou que os termos de uso do Reddit proíbem o acesso à plataforma a crianças menores de 13 anos, mas que não havia medidas de verificação de idade antes de julho de 2025. Até então, o site se limitava a perguntar a idade dos usuários, sem verificação, observou a ICO, acrescentando que "a autodeclaração traz riscos para as crianças, pois é fácil burlar esse sistema". "O Reddit não exige que seus usuários compartilhem informações de identidade, independentemente da idade, porque estamos profundamente comprometidos em proteger sua privacidade e segurança", respondeu um porta-voz da empresa nesta terça-feira, acrescentando que planeja recorrer da decisão. A ICO também anunciou em março de 2025 outras duas investigações sobre o uso de dados de crianças, relacionadas ao TikTok e ao site americano de compartilhamento de imagens Imgur. O governo trabalhista de Keir Starmer intensificou recentemente seus esforços para proteger menores online, lançando uma consulta pública sobre uma possível proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos.

1 em cada 5 jovens viu nudez indesejada no Instagram, diz Meta em processo judicial


Criança brinca com celular em Ribeirão Preto, SP telas ansiedade Reprodução/EPTV Um em cada cinco usuários do Instagram com idades entre 13 e 15 anos disse à Meta que viu "nudez ou imagens sexuais" que não queria ver na plataforma, de acordo com um processo judicial. O documento, divulgado na sexta-feira (20) como parte de um processo no estado norte-americano da Califórnia e analisado pela Reuters, inclui trechos de um depoimento de março de 2025 do chefe do Instagram, Adam Mosseri. A pesquisa foi realizada em 2021, segundo Andy Stone, porta-voz da Meta. De acordo com ele, a estatística sobre imagens explícitas tem como base um levantamento com usuários do Instagram sobre suas experiências na plataforma — e não uma análise direta das publicações. A tática de grupos nazistas para espalhar discurso de ódio no TikTok A maioria das imagens sexualmente explícitas foi enviada por meio de mensagens privadas entre usuários, disse Mosseri em seu depoimento, e a Meta deve considerar a privacidade dos usuários ao analisá-las. "Muitas pessoas não querem que a gente leia suas mensagens", disse ele. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Cerca de 8% dos usuários na faixa etária de 13 a 15 anos também disseram ter "visto alguém se machucar ou ameaçar fazer isso no Instagram", de acordo com o depoimento. No final de 2025, a empresa disse que, para usuários adolescentes, removeria imagens e vídeos "contendo nudez ou atividade sexual explícita, incluindo quando gerados por IA", com exceções consideradas para conteúdo médico e educacional. "Estamos orgulhosos do progresso que fizemos e sempre trabalhando para melhorar", disse Stone. A Meta, proprietária do Facebook e do Instagram, enfrenta alegações de líderes globais de que os produtos da empresa prejudicam os usuários jovens. Nos Estados Unidos, milhares de ações judiciais acusam a empresa de criar produtos viciantes e alimentar uma crise de saúde mental nos jovens. LEIA TAMBÉM: 'Não faça isso': executiva da Meta diz que IA alucinou e apagou seus e-mails Levei 20 minutos para enganar ChatGPT e Gemini – e os fiz contar mentiras sobre mim Criador do ChatGPT se recusa a posar de mãos dadas para foto com rival em evento de IA TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo Chefões da OpenIA e da Anthropic se recusam a dar as mãos em evento A ofensiva da União Europeia para enquadrar as big techs

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O risco da inteligência artificial para o futuro do aprendizado e do trabalho


Na semana passada, acompanhei o Century Summit VI, evento realizado pela Universidade Stanford que, nessa sexta edição, teve como tema “Longevidade, aprendizado e o futuro do trabalho”. Allison Pugh, professora de sociologia da Universidade Johns Hopkins, foi responsável por uma das palestras mais impactantes. Enquanto a maioria dos participantes apontou a inteligência artificial como a saída para os impasses contemporâneos, ela preferiu alertar para o risco da idealização da IA. Allison Pugh, professora de sociologia da Universidade Johns Hopkins: empresas de IA visam ao lucro e farão de tudo para que sua tecnologia ocupe todos os espaços possíveis de ensino, mentoria e companhia Reprodução Para escrever seu mais recente livro, The last human job: the work of connecting in a disconnected world (em tradução livre, O último emprego humano: o trabalho de conectar-se em um mundo desconectado), Pugh entrevistou, ao longo de cinco anos, cerca de cem pessoas que exercem o que batizou de “trabalho de conexão” (connective labor). São profissionais como médicos, enfermeiros, terapeutas, cuidadores e até cabeleireiros, que, na sua avaliação, “vivenciam a empatia e enxergam o outro – e isso é o que o ser humano faz de melhor”, afirmou. A socióloga enfatizou que o futuro do aprendizado e do trabalho deve estar centrado nas pessoas. “Focar no potencial humano é o que leva à inovação. Quando há uma conexão mútua entre os indivíduos, eles constroem algo”, disse. Também ressaltou que criou o termo “trabalho de conexão” para chamar a atenção para a sua importância: “Estamos num momento crítico para pensar em como a inteligência artificial será usada, e o mais preocupante é ela ser apresentada como uma solução para substituir esses ‘trabalhos de conexão’. Não podemos perder de vista que as empresas de IA visam ao lucro e farão de tudo para que sua tecnologia ocupe todos os espaços possíveis de ensino, mentoria e companhia. A IA é moldada para manter o engajamento de quem a consome e seu objetivo é atender a todos os anseios da pessoa, inclusive desencorajando que se busque a ajuda de outro ser humano. Essa não é a IA que queremos. Queremos a tecnologia que fabricará medicamentos eficientes em tempo recorde, mas não aquela que pretende intervir ou mediar a vida de alguém”. Foi uma declaração forte e necessária para os tempos em que vivemos. Na opinião de Pugh, aprendizados e relacionamentos precisam de uma certa tensão, que ela chama de “fricção”. É assim que o indivíduo sai da sua zona de conforto para alcançar algo a que aspira: “Educadores sabem como essa fricção é relevante ao longo de toda a existência. A criatividade não acontece quando estamos satisfeitos. O sentido de propósito não nasce de estado contínuo de bem-estar e felicidade, mas de interações que envolvem dificuldades e tensões. No entanto, a IA é enaltecida porque não nos julga, porque não dorme e está sempre a postos e solícita. O que os algoritmos fazem é eliminar a fricção. Só que, no ambiente de trabalho e na vida, ocorre justamente o oposto. É fundamental a capacidade de se relacionar, o que pode estar sendo afetado, e até comprometido, quando se forja a ideia de que a inteligência artificial é a solução para tudo”. Para se ter uma ideia do tamanho da encrenca: na semana passada, o jornal The New York Times publicou reportagem relatando que a Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, está se preparando para gastar US$ 65 milhões (perto de R$ 340 milhões) em 2026 para apoiar políticos favoráveis à indústria de inteligência artificial. O montante é o maior investimento eleitoral já feito pela empresa e sinaliza uma prioridade corporativa de escala bilionária. Inteligência artificial na educação

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