quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Discord tem falhas de moderação que permitem crimes ao vivo contra crianças e adolescentes na web, diz relatório da polícia


Discord - representação Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Reprodução internet A Polícia Civil de São Paulo apontou falhas de moderação em plataformas de comunicação digital, como o Discord, que estariam permitindo a prática de crimes contra crianças e adolescentes na internet. Um relatório técnico elaborado pelo Núcleo de Observação Digital (NOAD) foi entregue nesta terça-feira (10) ao Ministério Público. O documento destaca a demora na exclusão de servidores mesmo quando crimes estão sendo cometidos ao vivo, além de dificuldades na interrupção rápida de condutas ilegais e na identificação dos responsáveis. Segundo a Polícia Civil, essas brechas têm exposto diariamente jovens usuários a riscos graves, como violência sexual, automutilação e instigação ao suicídio. O relatório é resultado do monitoramento contínuo realizado pelo NOAD, criado no fim de 2024 para suprir lacunas de fiscalização que, de acordo com a corporação, deveriam ser responsabilidade dos próprios gestores das plataformas. O material foi recebido pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. Durante o monitoramento foram observadas falhas recorrentes nas plataformas de jogos online, com destaque para a manutenção de servidores ativos mesmo diante da prática de crimes em tempo real. O documento também aponta obstáculos para interromper rapidamente condutas ilegais e para identificar os responsáveis pelas ações criminosas. A partir da análise do material, o Ministério Público poderá avaliar a adoção de medidas para reforçar a moderação em uma das principais plataformas monitoradas. Monitoramento 24h O NOAD mantém monitoramento 24 horas por dia de ambientes digitais voltados ao público jovem. Atualmente, o núcleo acompanha mais de 1,2 mil alvos. Desde o início das atividades, o trabalho já contribuiu para o resgate de 359 crianças e adolescentes em situações de risco iminente, segundo a Secretaria da Segurança Pública. Dados divulgados pelo Ministério Público apontam 358 resgates. “O trabalho do NOAD demonstra que o combate aos crimes digitais exige atuação técnica, permanente e integrada. Estamos falando da proteção direta de crianças e adolescentes em ambientes virtuais que precisam ser mais seguros e responsáveis. Ao encaminhar esse relatório ao MP, reforçamos a necessidade de que as plataformas também cumpram seu papel na moderação de conteúdos e na prevenção de crimes, enquanto o Estado segue atuando com inteligência para identificar criminosos, resgatar vítimas e impedir a expansão da violência online”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. O núcleo é apontado pela Polícia Civil como uma iniciativa pioneira no país no combate à violência digital, com foco na prevenção de crimes como estupros virtuais e comercialização de pornografia infantil. A estrutura reúne policiais civis, militares e peritos especializados que atuam de forma integrada no monitoramento de ambientes virtuais. Entre as estratégias estão os chamados “observadores digitais”, policiais civis infiltrados em comunidades e grupos online em regime contínuo, responsáveis por identificar atividades criminosas, mapear redes e localizar vítimas. As informações coletadas são consolidadas em relatórios de inteligência que subsidiam inquéritos policiais e podem embasar pedidos judiciais, como mandados de busca, prisões ou internações. Além da investigação, o núcleo também atua de forma preventiva, acionando outras unidades diante da iminência de crimes, com prioridade no resgate das vítimas e na responsabilização dos envolvidos. Profissão Repórter flagra automutilação de menina durante transmissão ao vivo no Discord

Brasileiro ganha prêmio na Alemanha por pesquisa com IA para diagnosticar transtornos mentais


Francisco Rodrigues foi um dos 20 cientistas agraciados com o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel da Fundação Alexander von Humboldt Divulgação USP Métodos baseados em inteligência artificial (IA) são confiáveis para diagnosticar transtornos mentais. Essa é uma das conclusões de estudos liderados pelo brasileiro, Francisco Rodrigues, da Universidade de São Paulo (USP). Nos testes em laboratório, imagens de ressonância magnética foram usadas para gerar dados e treinar um algoritmo capaz de identificar a condição mental dos pacientes com mais de 90% de acerto. Os resultados dessa pesquisa foram publicados em artigos de revistas científicas como Nature e PLOS One. "Conseguimos identificar quais regiões foram alteradas em uma pessoa com epilepsia, autismo ou esquizofrenia, por exemplo, e entender quais alterações estão relacionadas com aquele transtorno", explica Rodrigues. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Leia também: 'Temos dados suficientes para robôs terem raciocínio muito rápido', diz diretor brasileiro da Nvidia A técnica está em estágio inicial de desenvolvimento, e poderá auxiliar psicólogos e psiquiatras no diagnóstico automático desses transtornos, principalmente entre aqueles com sintomas semelhantes e que geram dúvidas entre os profissionais, ou ainda em fases iniciais das doenças. "Hoje com o procedimento tradicional, o psiquiatra não vai conseguir identificar se você vai desenvolver esquizofrenia daqui a dez anos, esse é o ponto". Segundo o Censo de 2022, pelo menos 2,4 milhões de brasileiros foram diagnosticados com o transtorno do espectro autista (TEA), outros 1,6 milhão entre 15 e 44 anos têm esquizofrenia e mais 1,7 milhão acima de 60 anos têm algum tipo de demência como mal de Alzheimer e Parkinson. Atualmente, o diagnóstico é feito após a avaliação do histórico dos pacientes por psicólogos e psiquiatras, além da aplicação de testes. "Não há um marcador para os transtornos mentais, assim como há para o diabetes, por exemplo", diz Rodrigues. "A ideia é de que no futuro, um escaneamento do cérebro seja capaz de dizer se a pessoa tem depressão, ou outra questão". Coleta de dados é desafio Em São Paulo, as análises feitas no laboratório se baseiam justamente em imagens obtidas por exames de ressonância magnética ou eletroencefalograma (EEG) que mapeiam o cérebro e sua atividade em pacientes saudáveis e outros com algum tipo de transtorno. "Tiramos várias dessas medidas e inserimos em um sistema de aprendizagem de máquina". Mas coletar esses dados é um desafio para a pesquisa, uma vez que os EEG podem ser imprecisos, e as ressonâncias são difíceis de produzir. "Como colocar uma pessoa com esquizofrenia ou que tenha déficit de atenção mais de 40 minutos parada dentro de uma máquina?" Por isso, até agora, as análises se limitaram a algumas dezenas de indivíduos. Nos estudos em questão, o pesquisador recorreu a informações coletadas a partir de ressonâncias magnéticas do cérebro de pacientes dos Estados Unidos. "Um dos grandes problemas que temos é o número limitado de participantes. Para que os métodos sejam mais precisos, a máquina precisa de dados, e quanto mais tem, mais aprende", afirma Rodrigues. Saiba também: Os 'espelhos com IA' que estão mudando como cegos se veem Colaboração Brasil-Alemanha E são exatamente esses dados advindos de técnicas como os minicérebros que o pesquisador vai buscar na Alemanha. Em janeiro deste ano, Rodrigues foi um dos 20 cientistas agraciados com o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel da fundação alemã Alexander von Humboldt. A instituição concede 60 mil euros (cerca de R$ 370 mil) a pesquisadores estrangeiros cujas produções científicas tiveram impacto no seu campo de estudos. "Essa colaboração com a Alemanha é extremamente importante. Já temos bastante experiência com a parte teórica de aprendizagem de máquina e modelos de sistemas complexos, trabalho com isso desde o meu doutorado em 2007. Só que na Alemanha eles conseguem coletar os dados". Os minicérebros são obtidos a partir da extração de células do córtex cerebral de embriões de animais que são isoladas e depois crescem em placas. Um chip capta a atividade neuronal e os sinais elétricos entre os neurônios, que servirão de base de dados para os estudos. A expectativa é usar esses dados para testar como determinadas intervenções, como medicamentos, alteram a dinâmica das redes neurais simuladas. Ainda assim, os organoides não reproduzem a complexidade de um cérebro humano completo e funcionam como modelos experimentais. Formado em Física pela USP, a relação de Rodrigues com a Alemanha começou em 2006, quando foi aluno visitante do Instituto Max Planck durante o doutorado. Depois, em 2011, passou a colaborar com a professora Cristiane Thielemann da Universidade de Ciências Aplicadas de Aschaffenburg em pesquisas com minicérebros. Foi ela quem o indicou para o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel, da Fundação Humboldt. Até o fim de 2026, Rodrigues embarca para Frankfurt, onde vai prosseguir com a pesquisa durante um ano. Além disso, ele vai ministrar dois cursos na Fundação Humboldt ligados ao seu tema de estudo: sistemas complexos e aprendizagem de máquina. Quando retornar ao Brasil, a expectativa é de continuar com os trabalhos, mas um método geral de previsão e diagnóstico de transtornos mentais só deve estar disponível nos próximos dez anos. "Já sabemos que funciona, mas o protocolo de coleta de dados ainda é muito restrito, tem que passar por um processo de implementação da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e isso demora". Leia também: Moltbook, rede social das IAs, faz robôs conversarem entre si, mas o quanto disso é real? Fenômeno da IA agora assusta investidores? 'Chefões' tentam amenizar preocupações Robôs são destaque na CES 2026, maior feira de inovação do mundo

iOS 26.3 agora permite migrar dados do iPhone para Android por aproximação; veja como funciona


Apple iPhone 17 Pro Nic Coury/AFP A Apple liberou nesta semana o iOS 26.3 para iPhones compatíveis. A atualização passa a permitir a migração de dados do celular da marca para smartphones Android por aproximação, sem a necessidade de baixar aplicativo. Com os aparelhos lado a lado, o iPhone pode transferir para o Android fotos, mensagens, aplicativos "e mais", segundo a Apple. A empresa afirma que o próprio usuário escolhe quais dados deseja migrar. "Você também pode transferir seu número de telefone", informa. Dados de saúde armazenados no aplicativo "Saúde", da Apple, não podem ser transferidos. O mesmo vale para dispositivos conectados ao Bluetooth do iPhone. Para que a migração funcione, tanto o iPhone quanto o Android precisam estar conectados ao Wi-Fi e com o Bluetooth ativado. O iPhone também deve estar com o sistema atualizado: no caso, o iOS 26.3 ou versão mais recente. Antes, donos de iPhone e Android precisavam baixar um aplicativo para fazer a transferência de dados entre um celular e outro. Como fazer a migração Para transferir os dados, acesse "Ajustes" no iPhone; Toque em "Geral" e depois em "Transferir ou Resetar iPhone"; Selecione "Transferir para Android" e siga o passo a passo com os dois aparelhos próximos. Para atualizar o iPhone para o iOS 26.3, vá em "Ajustes", toque em "Geral" e depois em "Atualização de Software".

Kremlin diz que bloqueou WhatsApp por 'resistência em cumprir a lei' russa


Facebook, Instagram e WhatsApp, plataformas da Meta Richard Drew/AP O Kremlin afirmou nesta quinta-feira (12) que bloqueou o Whatsapp na Rússia por sua "resistência de cumprir a lei" russa. “Essa decisão de fato foi tomada e implementada [pela] relutância do WhatsApp em cumprir as normas e a letra da lei russa”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas em coletiva nesta quinta. O bloqueio do Whatsapp na Rússia, juntamente com o Facebook e o Instagram, foi revelado pelo jornal norte-americano Financial Times na quarta-feira (leia mais abaixo). Peskov não mencionou os outros dois aplicativos na coletiva. Em resposta à ação do governo russo, o Whatsapp afirmou que continua tentando manter seus serviços ativos na Rússia e acusou o governo de Vladimir Putin de retrocesso. "Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia", afirmou a empresa em comunicado. Peskov, no entanto, se esquivou de perguntas sobre tentativas de bloquear o Telegram. Investida do Kremlin contra WhatsApp, Instagram e Facebook e Telegram A Rússia bloqueou o acesso a WhatsApp, Instagram e Facebook, informou nesta quarta-feira (11) o jornal americano Financial Times. Os aplicativos foram removidos de um diretório online mantido pelo Roskomnadzor, órgão regulador da internet no país. Na prática, a medida apaga as plataformas da internet russa, tornando praticamente impossível o acesso sem meios alternativos como VPNs. Na decisão de derrubar o Instagram e o Facebook, também controlados pela Meta, do diretório online, a Rússia classificou os aplicativos como "extremistas". O acesso ao YouTube também foi limitado, mas, de acordo com o Financial Times, não está claro se ele foi derrubado desse diretório. Ainda segundo a reportagem, o governo russo já tinha adotado outras medidas contra o WhatsApp, mas esta decisão indica que o país pretende manter o aplicativo suspenso por um período maior ou até mesmo de forma permanente. Roblox, Discord, YouTube e mais: redes adotam verificação de idade com selfie após pressão; veja como funciona Veja os vídeos que estão em alta no g1 O WhatsApp afirma ter 100 milhões de usuários na Rússia e classificou o bloqueio como um "retrocesso" que só pode levar menos segurança para a população do país. "Hoje, o governo russo tentou bloquear completamente o WhatsApp, numa tentativa de direcionar os usuários para um aplicativo de vigilância estatal", afirmou o WhatsApp ao Financial Times. O posicionamento do WhatsApp faz referência ao Max, aplicativo inspirado no chinês WeChat e que permite trocar mensagens e utilizar serviços de governo. Ao contrário do WhatsApp, o Max não tem criptografia, o que permitiria a terceiros acessar conversas de seus usuários, informou o Financial Times. A Rússia nega as acusações. O Max foi criado pela rede social russa VKontakte (VK), mas era pouco conhecido até ser classificado como o "mensageiro nacional". A VK é controlada por aliados do presidente russo Vladimir Putin. A Rússia também restringiu parcialmente o acesso ao Telegram e impediu as chamadas de voz pelo aplicativo, algo que já tinha acontecido com o WhatsApp. A medida foi criticada pelo cofundador do Telegram Pavel Durov, que acusou a Rússia de forçar sua população a migrar para o Max. "Há oito anos, o Irã tentou a mesma estratégia e falhou", disse Durov. "Apesar da proibição, a maioria dos iranianos ainda usa o Telegram, contornando a censura, e o prefere em vez de aplicativos monitorados". "Restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta certa. O Telegram defende a liberdade de expressão e a privacidade, independentemente da pressão". LEIA TAMBÉM: Como o julgamento histórico da Meta e do Google pode impactar o Brasil Governo e MPF dizem que X não comprovou que agiu contra imagens eróticas do Grok Microsoft inaugura dois data centers de IA no Brasil

Por que a Rússia tentou 'bloquear completamente' WhatsApp no país


Agência estatal Tass Media noticiou que WhatsApp deverá ser bloqueado permanentemente na Rússia em 2026. Getty Images via BBC O WhatsApp afirmou em comunicado na noite de quarta-feira (11/2) que o governo russo "tentou bloquear completamente" o serviço da plataforma no país. "Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia", diz o texto compartilhado pela empresa, que pertence à Meta. "Continuamos fazendo tudo o que podemos para manter os usuários conectados", conclui a nota. Ainda segundo o comunicado do WhatsApp, uma das razões para a tentativa de bloqueio do aplicativo seria um esforço para direcionar os usuários da plataforma a um "aplicativo de vigilância estatal". Veja os vídeos que estão em alta no g1 Há meses o país tem aumentado esforços para fazer com que os russos usem uma plataforma de comunicação desenvolvida pelo Estado chamada Max, que tem sido comparada ao WeChat da China — um chamado "super aplicativo" que combina mensagens e serviços governamentais, mas sem criptografia. Desde 2025, as autoridades locais exigem que o aplicativo Max seja pré-instalado em todos os novos dispositivos vendidos no país. Funcionários do setor público, professores e estudantes são obrigados a usar a plataforma. A BBC enviou pedido de posicionamento ao Kremlin, que até o momento não respondeu à reportagem. Rússia bloqueia WhatsApp, Instagram e Facebook, diz jornal Telegram e WhatsApp têm milhões de usuários na Rússia. AFP/Getty Images via BBC O episódio acontece em um momento em que o Kremlin tem escalado as restrições a aplicativos de mensagens no país. Alegando falta de segurança, agências reguladoras russas vêm limitando o acesso de cidadãos do país também ao Telegram, que se estima que tenha tantos usuários quanto o WhatsApp na Rússia. O argumento das autoridades locais é de que tanto WhatsApp quanto Telegram se recusam a armazenar os dados dos usuários russos no país, conforme exigido por lei. Nesse sentido, a agência reguladora de comunicações do país, Roskomnadzor, fez repetidos alertas ao WhatsApp para que cumpra a legislação local. A agência estatal Tass Media noticiou no início deste ano que o WhatsApp deverá ser bloqueado permanentemente no país em 2026. "Medidas tão drásticas" são "absolutamente justificadas", visto que a Rússia designou a Meta como uma organização extremista, afirmou Andrei Svintsov, um funcionário do governo russo. Desde essa classificação em 2022, aplicativos da Meta, como Instagram e Facebook, foram bloqueados na Rússia e só podem ser acessados ​​por meio de redes virtuais privadas (VPNs). O diretor executivo do Telegram, o empresário russo Pavel Durov, já comentou que o Estado está restringindo o acesso ao seu serviço numa tentativa de forçar a população a usar seu próprio aplicativo com fins de vigilância e censura política. O Irã tentou uma estratégia semelhante para banir o Telegram e forçar sua população a usar uma alternativa estatal, mas os cidadãos encontraram maneiras de contornar isso, ele escreveu, ao comentar sobre o assunto. "Restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta certa", disse Durov.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O julgamento das big techs e a responsabilidade do algoritmo - O Assunto #1659


Duas das maiores empresas de tecnologia do mundo foram colocadas no banco dos réus pela Justiça da Califórnia, nos Estados Unidos. Meta, dona do Instagram, e Alphabet, controladora do YouTube, são acusadas de, conscientemente, programar os algoritmos de suas plataformas para viciar os usuários, principalmente crianças e adolescentes. TikTok e Snapchat foram incluídos inicialmente no processo, mas fecharam acordo com a acusação. Quem levou o caso à Justiça é uma jovem de 20 anos, identificada pelas iniciais K. G. M. Segundo a ação, ela criou uma conta no YouTube aos 8 anos e abriu perfil no Instagram aos 9 – rede social onde, afirma, chegou a passar mais de 16 horas conectada em um único dia. Já adulta, ela foi diagnosticada com problemas graves de saúde mental. A tese da acusação compara o funcionamento das plataformas ao da indústria do tabaco e descreve o scroll infinito como uma espécie de “cassino digital”. As empresas negam. O caso é o primeiro desse tipo a ser analisado por um júri popular nos Estados Unidos. Para explicar o que está em jogo neste tribunal, Natuza Nery entrevista a especialista em Direito da Tecnologia Carolina Rossini. Professora na Escola de Direito na Universidade de Boston e diretora de Programas de Tecnologia de Interesse Público na Universidade de Massachusetts, ambas nos EUA, ela responde sobre o que se sabe a respeito do funcionamento dos algoritmos e se há relação entre isso e a dependência de redes sociais. Ela avalia ainda como resultado do julgamento pode influenciar outras ações, dentro e fora dos Estados Unidos. Convidada: Carolina Rossini, especialista em Direito da Tecnologia, professora na Escola de Direito na Universidade de Boston e diretora de Programas de Tecnologia de Interesse Público na Universidade de Massachusetts, ambas nos EUA. O que você precisa saber: INÉDITO: Júri popular contra Meta e Google entra no 3º dia nos EUA; redes são acusadas de causar vícios em crianças ENTENDA: Como o julgamento histórico da Meta e do Google pode impactar o Brasil? REDE SOCIAL DE VÍDEOS CURTOS: União Europeia acusa TikTok de 'design viciante' e cobra mudanças para proteger crianças e adolescentes ROBLOX, DISCORD, YOUTUBE E MAIS: Redes adotam verificação de idade com selfie após pressão; veja como funciona O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Amanda Polato, Sarah Resende, Carlos Catelan e Luiz Gabriel Franco. Apresentação: Natuza Nery. Participou deste episódio Paula Paiva Paulo. A analogia entre redes e máquinas de caça-níquel O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Imagem ilustrativa mostra jovem, não identificada, com um celular nas mãos Hollie Adams/Reuters

Musk declara guerra à Wikipédia e lança rival baseado em IA


Elon Musk, em foto de setembro de 2025, e tela inicial da Grokipedia AP Photo/Julia Demaree Nikhinson; Reprodução No início de 2026, a Wikipédia celebrou seu 25º aniversário como um dos maiores projetos colaborativos da história. No entanto, sua posição como principal fonte de conhecimento livre na internet está sendo desafiada por um novo e controverso concorrente: a Grokipédia, uma enciclopédia gerada por inteligência artificial (IA) e liderada pelo bilionário Elon Musk e sua empresa xAI. Fundada em 2001 por Jimmy Wales e Larry Sanger, a Wikipédia começou como um experimento participativo para complementar a Nupedia, um projeto com artigos escritos e editados por especialistas nos assuntos abordados — e que nunca decolou. Duas décadas e meia depois, a Wikipédia tornou-se uma rede com mais de 65 milhões de artigos em mais de 300 idiomas, mantida por cerca de 250 mil voluntários ativos em todo o mundo. E agora enfrenta os desafios de um novo cenário, cada vez mais dominado pela inteligência artificial. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Artigos copiados da Wikipédia Musk lançou a Grokipédia em 27 de outubro de 2025 com uma publicação massiva: mais de 885 mil artigos gerados automaticamente pelo Grok — muitos deles copiados ou adaptados da Wikipédia. Conforme o próprio Musk declarou ao podcast All In, o Grok, o modelo linguístico de inteligência artificial da xAI, gerou os primeiros artigos da Grokipédia – todos em inglês – processando informações de um milhão das entradas mais populares da Wikipédia. Em seguida, elas foram modificadas e complementadas com pesquisas de outras informações publicamente disponíveis na internet. Se na Wikipédia milhares de voluntários atualizam e revisam constantemente o conteúdo, na Grokipédia os usuários não participam diretamente da criação, edição ou correção dos artigos. O papel deles se limita a sugerir correções, que estão sujeitas a um processo de revisão pela plataforma. Não há informações públicas sobre o funcionamento ou os modelos utilizados na plataforma, nem sobre as diretrizes para revisão de correções. O objetivo declarado de Musk é "eliminar a propaganda" e criar uma base de conhecimento "mais objetiva" do que a Wikipédia, que ele acusa de ser "capturada por ativistas de esquerda" e de ter se tornado "woke". Grok, IA de Elon Musk, criou 3 milhões de imagens sexualizadas de mulheres e menores, aponta investigação Acusações de distorções e viés Essa promessa de neutralidade, porém, não convenceu a todos. A diretora executiva da Wikimedia Alemanha, Franziska Heine, avalia que a Grokipédia não é neutra, mas repleta de preconceitos. Ela menciona como exemplo artigos sobre a invasão do Capitólio em Washington em 6 de janeiro de 2021 ou o suposto genocídio da população branca na África do Sul. Diversos veículos de comunicação, incluindo a revista Wired e o jornal The Guardian, identificaram um viés conservador na Grokipédia e afirmaram haver distorções em temas sensíveis, como aids e HIV, direitos LGBTQ+ e a invasão do Capitólio. Um de seus verbetes, por exemplo, dizia que o consumo de pornografia favoreceu a disseminação da aids, afirmou a Wired. Para os críticos, o problema não está apenas no conteúdo, mas também na falta de transparência do projeto, já que a Grokipédia opera sem autores ou administradores identificáveis e carece de um sistema aberto de revisão pela comunidade. Segundo a pesquisadora Nina Jankowicz, citada pelo Guardian, esse modelo transforma a Grokipédia num sistema de informação que, apesar de se apresentar como neutro, pode introduzir vieses sem que o público perceba. Embora ainda longe do alcance e da influência da Wikipédia, a Grokipédia já está indexada por mecanismos de busca como Google e Bing e gera milhares de visitas diárias, segundo dados compilados pela Search Engine Roundtable. Seu crescimento é rápido para um projeto tão recente e possivelmente se beneficia da notoriedade e presença midiática de Musk. 'Sentimento horrível. Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pelo Grok, IA de Musk Wikipedia defende criação compartilhada de verbetes A Wikimedia, no entanto, enfatiza que a diferença fundamental continua sendo as pessoas. "O conhecimento da Wikipédia é – e sempre será – humano. Esse conhecimento criado por humanos é o que as empresas de IA usam para gerar conteúdo. Até mesmo a Grokipédia precisa da Wikipédia para existir", afirmou. Embora reconheça que controvérsias possam surgir em questões políticas, a Wikimedia rejeita a ideia de que a Wikipédia tenha sido "capturada" por uma ideologia e destaca uma vantagem essencial de seu modelo: os artigos são desenvolvidos a partir de fontes visíveis, debates públicos e um processo coletivo de edição aberto à revisão constante. A comunidade da Wikipédia também mantém uma postura cautelosa em relação ao uso da inteligência artificial na criação e edição de conteúdo. Embora ferramentas automatizadas sejam usadas para tarefas auxiliares, como a detecção de vandalismo, o conteúdo principal continua sendo criado por pessoas. Como alerta Heine, a IA "sempre se baseia no que já é conhecido e, no pior cenário, mistura isso com coisas que são completamente falsas ou que não se encaixam". Quem decide o que é verdade na era da IA? A Grokipédia se encaixa no ecossistema tecnológico de Musk – que inclui as empresas X, Tesla, SpaceX e xAI – como mais um elemento em sua cruzada contra o que ele considera uma hegemonia cultural progressista. Para os críticos da enciclopédia, no entanto, trata-se de um experimento ideológico que utiliza a capacidade da inteligência artificial para remodelar consensos informacionais sem mecanismos claros de responsabilização. E embora não tenha o impacto da Wikipédia, sua crescente presença nos resultados de buscadores e as citações ocasionais por modelos de IA, como o ChatGPT, como fonte em algumas respostas – como mostrou o Guardian – levanta uma questão preocupante: quem decidirá o que é verdade na era dos chatbots? A Wikipédia, com seus erros, limitações e campanhas periódicas de doações, continua defendendo a transparência, a colaboração e o debate público. A Grokipédia promete velocidade, escala e "objetividade", mas a partir de um modelo centralizado. Nessa tensão entre conhecimento compartilhado e controle centralizado, está em jogo mais do que apenas o futuro das enciclopédias, mas também a própria maneira como o conhecimento comum será construído na era da inteligência artificial. Leia também: Foi vítima da "trend do biquini" no X? Veja o que fazer Sob críticas por imagens sexualizadas não consentidas, empresa de IA de Musk arrecada US$ 20 bi Grok: ferramenta gratuita da rede social X é usada para criar imagens íntimas falsas

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