sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

'Fizemos sexo em um hotel chinês e depois descobrimos que fomos gravados e vistos por milhares de pessoas'


BBC BBC Em uma noite de 2023, Eric (nome fictício) navegava por um canal de redes sociais que costumava acessar para consumir pornografia quando, poucos segundos após o início de um vídeo, ele congelou. Eric percebeu que o casal que ele observava — entrando no quarto, deixando as bolsas e, mais tarde, fazendo sexo — era ele mesmo e sua namorada, Emily (nome também fictício). Três semanas antes, eles haviam passado a noite em um hotel em Shenzhen, no sul da China, sem saber que não estavam sozinhos. Os momentos mais íntimos do casal haviam sido capturados por uma câmera escondida no quarto do hotel, e as imagens foram disponibilizadas a milhares de desconhecidos que acessaram o mesmo canal que Eric usava para ver pornografia. Eric deixou de ser apenas um consumidor da indústria chinesa de pornografia com câmeras escondidas e se tornou uma vítima. A chamada "pornografia de câmera escondida" existe na China há pelo menos uma década, apesar de a produção e a distribuição de pornografia serem ilegais no país. No Brasil, a lei considera crime oferecer, trocar, transmitir, vender distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio — inclusive pela internet —, fotografias, vídeos ou outro registro audiovisual que contenha pornografia ou nudez sem o consentimento da vítima. Quem recebe, por exemplo, uma foto de nudez no WhatsApp e compartilha — mesmo sem ter sido o primeiro a expor a imagem — também é considerado infrator. Mesmo com as proibições na China, nos últimos anos, o tópico de "câmera escondida" passou a aparecer com frequência nas redes sociais, com pessoas — sobretudo mulheres — trocando dicas sobre como identificar câmeras do tamanho de uma borracha de lápis. Algumas chegaram a montar barracas dentro de quartos de hotel para evitar serem filmadas. Em abril passado, o governo chinês implementou novas regras para tentar conter o problema, exigindo que donos de hotéis verifiquem regularmente a presença de câmeras escondidas. Ainda assim, o risco de ser filmado secretamente na privacidade de um quarto de hotel persiste. O Serviço Mundial da BBC encontrou, em diversos sites de internet, milhares de vídeos recentes gravados com câmeras escondidas em quartos de hotéis e vendidos como pornografia. Grande parte desse material é divulgada no aplicativo de mensagens e redes sociais Telegram. Ao longo de 18 meses, as BBC descobriu seis sites e aplicativos diferentes promovidos na plataforma. Juntos, eles diziam operar mais de 180 câmeras escondidas em quartos de hotel, que não apenas gravavam, mas transmitiam ao vivo as atividades dos hóspedes. Monitorei um desses sites regularmente por sete meses e encontrei conteúdo captado por 54 câmeras diferentes, cerca de metade delas em funcionamento a qualquer momento. Isso significa que milhares de hóspedes podem ter sido filmados nesse período, segundo estimativas da BBC com base nas taxas médias de ocupação. A imensa maioria provavelmente não sabe que foi registrada por câmeras. Eric, de Hong Kong, começou a assistir a vídeos gravados secretamente ainda adolescente, atraído pelo caráter "cru" das imagens. "O que me atrai é o fato de as pessoas não saberem que estão sendo filmadas", diz Eric, hoje na casa dos 30 anos. "Acho que a pornografia tradicional parece muito encenada, muito falsa." Mas ele experimentou o outro lado dessa cadeia quando encontrou um vídeo seu e da namorada, Emily, e ele diz não mais gostar desse tipo de conteúdo. Ao contar a Emily que a estadia do casal no hotel havia sido filmada, editada em um vídeo de uma hora e publicada no Telegram, ela achou que fosse brincadeira. Mas ao ver as imagens, ficou devastada. Emily temia que o vídeo tivesse sido visto por colegas de trabalho e familiares. O casal passou semanas sem se falar. Como funciona, então, essa indústria que explora atos sexuais íntimos de casais desavisados para clientes pagantes interessados em voyeurismo, e quem está por trás dela? Um dos comerciantes de pornografia com câmeras escondidas mais ativos que encontrei foi um agente conhecido como "AKA". Fingindo ser consumidor, paguei para acessar um dos sites de transmissão ao vivo promovidos por ele, por uma mensalidade de 450 yuans (cerca de R$ 330). Após o login, era possível escolher entre cinco transmissões diferentes, cada uma mostrando vários quartos de hotel, visíveis assim que o hóspede acionava a eletricidade ao inserir o cartão-chave. Também era possível retroceder a transmissão desde o início e baixar os vídeos arquivados. As transmissões ao vivo feitas com câmeras escondidas mostram com clareza as camas dos quartos de hotel Reprodução No Telegram, aplicativo proibido na China, mas amplamente usado para atividades ilícitas, AKA divulgava essas transmissões ao vivo. Um dos canais no Telegram chegou a ter até 10 mil membros ao longo da nossa investigação. Bibliotecas com vídeos editados das transmissões também estão disponíveis no Telegram mediante pagamento único. Foi possível ver mais de 6 mil vídeos no acervo, com registros que remontam a 2017. Os assinantes de AKA fazem comentários pelo recurso de canais do Telegram enquanto assistem a hóspedes de hotéis que desconhecem estar sendo filmados, julgam a aparência deles, comentam conversas e avaliam o desempenho sexual. Eles comemoram quando um casal começa a fazer sexo e reclamam quando as luzes são apagadas, mergulhando a cena na escuridão. Mulheres são descritas com frequência como "vadias", "putas" e "cadelas". A equipe conseguiu rastrear uma das câmeras escondidas até um quarto de hotel em Zhengzhou, no centro da China, ao reunir indícios fornecidos por assinantes, usuários de redes sociais e pela própria investigação. Pesquisadores no local conseguiram acessar o quarto e encontraram a câmera — com a lente apontada para a cama — escondida na unidade de ventilação da parede e ligada à rede elétrica do prédio. Um detector de câmeras escondidas, amplamente vendido na internet como item "indispensável" para hóspedes de hotéis, não emitiu nenhum alerta de que eles estavam sendo espionados. A equipe desativou a câmera secreta, e a notícia se espalhou rapidamente no Telegram. "Zhonghua [nome da câmera] foi derrubada!", escreveu um assinante no principal canal administrado por AKA. "É uma pena; aquele quarto tinha a melhor qualidade de som!", respondeu AKA no chat. As reclamações então deram lugar à comemoração quando, poucas horas depois, AKA anunciou que uma câmera substituta, em outro hotel, havia sido ativada. "Essa é a velocidade da… [nossa plataforma de transmissão ao vivo]", disse aos assinantes. "Impressionante, não?" Ao longo dos 18 meses de investigação, a BBC identificou cerca de uma dúzia de agentes como AKA. As trocas que esses agentes mantinham com assinantes deixavam claro que eles trabalhavam para pessoas situadas em níveis superiores da cadeia de fornecimento, a quem se referiam como "donos das câmeras". Esses indivíduos, segundo sugeriam os comentários dos agentes, eram responsáveis pela instalação das câmeras escondidas e pela gestão das plataformas de transmissão ao vivo. Durante uma troca de mensagens diretas com AKA, ele compartilhou acidentalmente uma captura de tela de uma mensagem enviada por alguém que disse ser um "dono de câmera", com o nome de perfil Brother Chun. AKA apagou rapidamente a mensagem e se recusou a comentar o assunto, mas conseguimos entrar em contato diretamente com Brother Chun. Apesar das evidências de que ele fornecia o site de transmissão ao vivo a AKA, Brother Chun afirmou ser apenas mais um agente de vendas, embora tenha dado a entender que a cadeia de fornecimento se estendia para além de pessoas como ele. O que fica claro é que há somas significativas de dinheiro em jogo. Com base no número de membros dos canais e nas taxas de assinatura, a BBC estima que apenas AKA tenha arrecadado ao menos 163.200 yuans (cerca de R$ 110 mil) desde abril passado. Em comparação, a renda anual média na China no ano passado foi de 43.377 yuans (aproximadamente R$ 31 mil), segundo o órgão oficial de estatísticas do país. Eric e Emily passaram a usar chapéus sempre que saem de casa, com receio de serem reconhecidos BBC Existem regras rigorosas na China para a venda e o uso de câmeras escondidas, mas descobrimos que foi relativamente fácil comprar uma no maior mercado de eletrônicos do país, em Huaqiangbei, na província de Guangdong. Dados precisos sobre quantas pessoas foram levadas aos tribunais por pornografia com câmeras escondidas são mais difíceis de obter. As autoridades chinesas têm divulgado muito menos detalhes de processos judiciais nos últimos anos, mas os casos localizados pela reportagem se espalham por todo o país — da província de Jilin, no norte, até Guangdong, no extremo sul. Blue Li, de uma ONG sediada em Hong Kong chamada RainLily — que auxilia vítimas a retirar da internet imagens explícitas gravadas sem consentimento — afirma que a demanda pelos serviços do grupo está crescendo, mas que o trabalho tem se tornado mais difícil. Segundo ela, o Telegram nunca responde aos pedidos de remoção da RainLily, o que obriga a organização a entrar em contato com administradores de grupos — justamente as pessoas que vendem ou compartilham pornografia com câmeras escondidas —, que têm pouco incentivo para responder. "Acreditamos que as empresas de tecnologia têm enorme responsabilidade para enfrentar esses problemas, porque não são plataformas neutras; suas políticas moldam a forma como o conteúdo se espalha", disse Li. A própria BBC informou ao Telegram, por meio da ferramenta de denúncia, que AKA e Brother Chun — e os grupos que administravam — compartilhavam pornografia com câmeras escondidas na plataforma, mas não houve resposta nem qualquer ação. Contatado novamente dez dias depois, com as conclusões completas da investigação, o Telegram afirmou que "o compartilhamento de pornografia sem consentimento é explicitamente proibido pelos termos de serviço" e que a plataforma "modera de forma proativa e aceita denúncias para remover milhões de conteúdos prejudiciais todos os dias". A BBC apresentou formalmente a Brother Chun e a AKA as conclusões de que eles lucravam com a exploração de hóspedes de hotéis que desconheciam estar sendo filmados. Eles não responderam, mas, poucas horas depois, as contas do Telegram usadas para divulgar o conteúdo pareciam ter sido excluídas. O site ao qual AKA vendeu acesso à reportagem, no entanto, continua transmitindo hóspedes de hotéis ao vivo. Eric e Emily continuam traumatizados pela experiência. Eles usam chapéus em público com receio de serem reconhecidos e tentam evitar hotéis. Eric diz que não usa mais esses canais do Telegram para ver pornografia, mas ainda os checa ocasionalmente, com medo de que o vídeo volte a circular. Reportagem adicional de Cate Brown, Bridget Wing e Mengyu Dong

Ações da Amazon caem 9% após empresa anunciar investimento de US$ 200 bilhões em IA


As ações da Amazon caem 9% nesta sexta-feira (6), com os papéis sendo negociados a US$ 202,21, após a empresa anunciar um plano de investir US$ 200 bilhões ao longo do ano. O volume de recursos previsto reacendeu dúvidas entre investidores sobre se os retornos da inteligência artificial conseguirão acompanhar o ritmo acelerado dos gastos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O anúncio colocou a Amazon ao lado de outras grandes empresas de tecnologia que projetam forte aumento de despesas em 2025. Juntas, essas companhias devem direcionar mais de US$ 630 bilhões para data centers e chips voltados à inteligência artificial, um patamar inédito de investimentos no setor. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Embora o mercado já esperasse uma ampliação dos gastos, analistas apontam que a dimensão dos valores surpreendeu. 🔎 A avaliação é que o salto nas despesas levanta incertezas sobre o tempo necessário para que esses investimentos se traduzam em resultados financeiros. Analistas ouvidos pela Reuters afirmaram que, apesar de o aumento dos investimentos já ser esperado, o tamanho do avanço ficou acima do consenso do mercado. Segundo eles, a Amazon projeta um crescimento de cerca de 50% nos aportes, o que ampliou as preocupações dos investidores. Expectativas com a IA O movimento reacendeu comparações com o início dos anos 2000, quando empresas de tecnologia investiram pesadamente na infraestrutura que ajudou a construir a internet moderna, mas nem sempre conseguiram retorno proporcional ao volume de recursos empregados. O anúncio da Amazon ocorre em um ambiente de maior instabilidade no mercado, influenciado pelas expectativas em torno da inteligência artificial. Nos últimos dias, ações da Microsoft e da Alphabet também recuaram após a divulgação de seus resultados. Ao mesmo tempo, novas tecnologias desenvolvidas por startups apoiadas por essas empresas provocaram quedas em ações de companhias de software e intensificaram o debate sobre os impactos da IA no setor. Desde 28 de janeiro, o índice de software e serviços do S&P 500 perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Para o diretor de investimentos da AJ Bell, Russ Mould, o movimento reflete uma saída de investidores de ações em que as boas surpresas se tornaram mais difíceis. “É mais fácil decepcionar do que muitos imaginam nesse momento do mercado”, disse à Reuters. Mould também avalia que grandes empresas de computação em nuvem estão mudando seu modelo de negócios. De acordo com ele, essas companhias deixam estruturas mais leves e passam a operar com volumes maiores de ativos, com os investimentos crescendo mais rapidamente do que as vendas. Se a queda se mantiver, a Amazon pode perder cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado. A empresa negocia atualmente com um múltiplo preço/lucro de 27,01, acima do registrado pela Microsoft, de 21,62, e próximo ao da Alphabet, de 28,36. Executivos mantêm defesa dos investimentos Apesar das dúvidas do mercado, executivos das grandes empresas de tecnologia seguem defendendo os gastos elevados. A aposta é que os ganhos com a inteligência artificial irão superar os custos envolvidos nessa corrida. Na teleconferência após a divulgação do balanço, o presidente-executivo da Amazon, Andy Jassy, destacou o crescimento de 24% da receita da Amazon Web Services. O desempenho ficou abaixo do avanço registrado pelo Google Cloud, de 48%, e pelo Azure, da Microsoft, de 39%. Segundo Jassy, a comparação deve considerar o tamanho da operação. “Como lembrete”, afirmou aos analistas, a AWS tem uma base de negócios maior do que a dos concorrentes, o que torna mais difícil manter taxas elevadas de crescimento. Parte dos analistas concorda com essa avaliação, mas ressalta que o volume de investimentos reduz a margem para erros. Para a MoffettNathanson, embora haja sinais de demanda, o nível de gastos aumenta os riscos. “Não acreditamos que eles estariam gastando US$ 200 bilhões no ano fiscal de 2026 sem indícios suficientes de demanda, mas a margem de erro está diminuindo”, afirmaram. Logo da Amazon, gigante da tecnologia. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo

Alemanha avalia proibir redes sociais para menores de 16 anos, e reforça movimento global de restrição


Friedrich Merz, chanceler alemão REUTERS/Teresa Kroeger A Alemanha discute a possibilidade de proibir o uso de redes sociais por crianças e adolescentes com menos de 16 anos. O partido do chanceler Friedrich Merz, a União Democrata Cristã (CDU), avalia a medida como forma de proteger os jovens dos efeitos negativos das plataformas digitais. O debate ganhou força depois que a Austrália se tornou, em 2025, o primeiro país a banir redes sociais para menores de idade. Desde então, outros países europeus, como França e Itália, também passaram a considerar restrições semelhantes. Veja o que países estão fazendo para regular o acesso de crianças às redes sociais Dennis Radtke, dirigente da ala trabalhista da CDU, afirmou que o avanço das redes sociais está acontecendo mais rápido do que a educação digital dos jovens. Segundo ele, em muitos casos, as plataformas se tornaram um espaço dominado por discurso de ódio e notícias falsas. Por isso, defende que a Alemanha siga o exemplo australiano e imponha um limite de idade. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Já o Partido Social-Democrata (SPD), parceiro da CDU no governo, é contrário a uma proibição total. Johannes Schätzl, porta-voz do SPD para políticas digitais, disse que as redes sociais também oferecem oportunidades de participação e formação de opinião. Para ele, o mais eficaz seria obrigar as próprias plataformas a criarem mecanismos de proteção. Schätzl defende regras claras, como limites aos algoritmos que recomendam conteúdos de forma agressiva para menores de idade. Segundo ele, uma proibição geral para menores de 16 anos não seria, neste momento, uma solução eficiente. A proposta será discutida no congresso nacional da CDU, marcado para os dias 20 e 21 de fevereiro. De acordo com o jornal "Bild", o diretório do partido no estado de Schleswig-Holstein apresentou uma moção que propõe idade mínima de 16 anos para uso de plataformas abertas, com verificação obrigatória de idade. O texto cita redes como TikTok, Instagram e Facebook. O secretário-geral da CDU, Carsten Linnemann, declarou apoio à medida. Ele afirmou que as crianças têm direito à infância e precisam ser protegidas do ódio, da violência, do crime e da desinformação no ambiente digital. Segundo Linnemann, nas redes sociais, jovens são expostos a conteúdos que ainda não conseguem compreender ou processar adequadamente. Na Alemanha, cresce a preocupação com os impactos das redes sociais sobre crianças e adolescentes. Em 2025, o governo criou uma comissão especial para estudar formas de proteção dos jovens no ambiente online. O relatório deve ser divulgado ainda este ano. Thorsten Schmiege, chefe do órgão que reúne reguladores de mídia dos estados alemães, afirmou que problemas como cyberbullying, assédio sexual online e discurso de ódio estão sendo levados muito a sério. Segundo ele, as plataformas precisam agir. Caso medidas voluntárias não sejam suficientes, uma proibição poderá ser considerada como último recurso. LEIA TAMBÉM: Geração ansiosa: os impactos das telas e o desafio de pais e mães no mundo hiperconectado Governo lança guia sobre uso de celulares e outros dispositivos por crianças e adolescentes Austrália começa a proibir redes sociais para menores de 16 anos na quarta; veja como vai funcionar

União Europeia acusa TikTok de 'design viciante' e cobra mudanças para proteger crianças e adolescentes


Ícone do aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok. AP/Matt Slocum/Arquivo A União Europeia acusou nesta sexta-feira (6) o TikTok de violar as regras digitais do bloco ao usar recursos de “design viciante”, como reprodução automática e rolagem infinita, em acusações preliminares que atingem o núcleo do modelo de funcionamento do popular aplicativo de vídeos. Reguladores europeus disseram que a investigação concluiu que o TikTok não fez o suficiente para avaliar como essas funcionalidades podem prejudicar a saúde física e mental dos usuários, incluindo crianças e “adultos vulneráveis”. A Comissão Europeia afirmou acreditar que o TikTok precisa mudar o “design básico” do serviço. A comissão é o braço executivo da União Europeia e responsável por aplicar a Lei de Serviços Digitais, um amplo conjunto de regras que obriga empresas de redes sociais a tornar suas plataformas mais seguras e a proteger os usuários, sob risco de multas elevadas. O TikTok negou as acusações. “As conclusões preliminares da Comissão apresentam uma descrição categoricamente falsa e totalmente sem fundamento da nossa plataforma, e tomaremos todas as medidas necessárias para contestá-las por todos os meios disponíveis”, afirmou a empresa em nota. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O TikTok agora poderá responder às conclusões da comissão. O processo pode resultar em uma decisão formal de descumprimento das regras e em uma multa de até 6% do faturamento anual global da empresa. “A dependência de redes sociais pode ter efeitos prejudiciais no desenvolvimento mental de crianças e adolescentes”, disse Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da comissão para soberania tecnológica, segurança e democracia, em comunicado. "A Lei de Serviços Digitais torna as plataformas responsáveis pelos efeitos que podem causar em seus usuários. Na Europa, aplicamos nossa legislação para proteger nossas crianças e nossos cidadãos no ambiente online.” Pressão sobre rede social As conclusões preliminares divulgadas em Bruxelas são mais um exemplo da pressão crescente sobre o TikTok e outras plataformas em relação à dependência entre jovens. A Austrália proibiu o uso de redes sociais por menores de 16 anos, enquanto governos da Espanha, França e Dinamarca querem adotar medidas semelhantes. Nos Estados Unidos, o TikTok fechou no mês passado um acordo em um processo histórico sobre dependência em redes sociais. Outras duas empresas citadas na ação — o Instagram, da Meta, e o YouTube, do Google — ainda respondem às acusações de que suas plataformas causam dependência e prejudicam crianças de forma deliberada. Segundo a comissão, o TikTok estimula o impulso de continuar rolando a tela ao recompensar constantemente os usuários com novos conteúdos, o que reduz o autocontrole. O órgão afirmou que a empresa ignora sinais de uso compulsivo do aplicativo, como o tempo que menores passam na plataforma durante a noite e a frequência com que o app é aberto. De acordo com a comissão, o TikTok não adotou medidas “razoáveis, proporcionais e eficazes” para reduzir esses riscos. A avaliação aponta que os controles atuais de gerenciamento de tempo do aplicativo são fáceis de ignorar e “criam pouco atrito”, enquanto as ferramentas de controle parental exigem “tempo e habilidades adicionais” dos responsáveis. Entre as mudanças defendidas pela comissão estão a desativação de recursos como a rolagem infinita, a implementação de pausas mais eficazes para o tempo de tela — inclusive à noite — e alterações no sistema de recomendação “altamente personalizado”, que oferece aos usuários um fluxo interminável de vídeos curtos com base em seus interesses. O TikTok afirma que oferece diversas ferramentas, como limites personalizados de tempo de uso e lembretes para dormir, que permitem aos usuários tomar “decisões intencionais” sobre como passam o tempo no aplicativo.

É #FAKE que vídeo mostre Lula dizendo que caso do cão Orelha 'não vai ficar impune'; registro foi manipulado com IA


É #FAKE que vídeo mostre Lula dizendo que caso do cão Orelha 'não vai ficar impune'; registro foi manipulado com IA Reprodução Circula nas redes sociais um vídeo que supostamente mostra o presidente Lula (PT) dizendo que o caso do cão Orelha, que morreu no início de janeiro após ter sido agredido em Florianópolis, "não vai ficar impune". É #FAKE. selo fake g1 🛑 Como é a publicação falsa? O vídeo viralizou no Instagram, no TikTok e no Threads no início de fevereiro e tem seguinte legenda: "Caso do Cachorro Orelha - Lula ficou bravo: eles vão PAGAR". A publicação usa inteligência artificial (IA) para manipular um discurso feito pelo presidente em 16 de janeiro e atribuir a ele a seguinte declaração mentirosa: "O caso do cachorro Orelha não vai ficar impune. Eles são menores, mas isso não vai ficar assim. Eu me comprometo, como o presidente da República, a dar uma punição severa, independente de ser filho de rico. Chegaram no Brasil e já estão se escondendo. Por quê? Porque é filhinho de rico que acha que pode tudo, mas não pode. [...]". No pronunciamento original, Lula falou sobre salário mínimo e não fez qualquer menção à morte do cão (leia mais abaixo). O vídeo falso viralizou em meio à comoção do caso Orelha, animal comunitário que vivia na Praia Brava. Em 5 de janeiro, ele teve de passar por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. Nesta terça-feira (3), a Polícia Civil de Santa Catarina apontou um adolescente como autor da agressão e pediu a internação provisória do jovem. Os advogados negam que ele tenha envolvimento no episódio. ⚠️ Por que a publicação é falsa? O Fato ou Fake submeteu o vídeo ao Hive Moderation, ferramenta de detecção de áudios, imagens e vídeos produzidos com IA. Resultado: há 92% de chances de o material ter sido criado com esse recurso. O registro foi originalmente gravado durante a cerimônia de comemoração dos 90 anos do salário mínimo, em 16 de janeiro. O Fato ou Fake consultou a transcrição completa do discurso de Lula e não encontrou qualquer menção ao cão Orelha. Para encontrar a origem do vídeo, o Fato ou Fake usou a ferramenta InVID e fragmentou o material em vários frames (imagens estáticas). Depois, selecionou uma dessas "fotos" e fez uma busca reversa no Google Lens. Essa pesquisa serve para verificar o conteúdo havia sido reproduzido anteriormente por fontes confiáveis – e em que contexto. O resultado apontou o vídeo original, publicado no YouTube do canal gov. Até a última atualização desta reportagem, Lula não havia se manifestado publicamente sobre o caso de Orelha. Em 27 de janeiro, a primeira-dama Janja da Silva publicou em seu Instagram um post de solidariedade a comunidade que cuidava do cão, repudiando a agressão. O Fato ou Fake também entrou em contato com a assessoria de imprensa da presidência, que afirmou, por e-mail, que a publicação é falsa: "Conforme já constatado pela própria reportagem, o conteúdo é FALSO. A publicação enganosa utiliza ferramentas de IA para manipular digitalmente discurso do presidente durante a cerimônia de lançamento das Medalhas Comemorativas dos 90 Anos do Salário-Mínimo, realizada no Rio de Janeiro, no dia 16 de janeiro deste ano, conforme é possível confirmar a partir do vídeo original, disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=thKE-gm17Vk&t=19s. Não houve nenhuma menção ao caso citado. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República lamenta a disseminação de conteúdos falsos, que têm como único objetivo desinformar a população, enfraquecer instituições e manipular a opinião pública". Vídeo mostra Orelha andando em calçada após horário estimado da agressão, confirma polícia É #FAKE que vídeo mostre Lula dizendo que caso do cão Orelha 'não vai ficar impune'; registro foi manipulado com IA Reprodução Veja também Vídeo de capivara pegando "carona" em cima de tatu foi feito com IA É #FAKE vídeo de capivara pegando 'carona' em cima de tatu VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Golpistas usam busca do Google para se passar pelo Nubank e faturar com central falsa


Golpistas usam Google para divulgar central falsa do Nubank O Google mostrou durante meses um número de golpistas para pessoas que pesquisavam pelo telefone do banco Nubank. Usuários afirmaram que a central falsa fez várias vítimas antes de ser apagada da plataforma na última quarta-feira (4), um dia depois de o Google ser notificado pelo g1. O número fraudulento aparecia ao pesquisar por "Nubank telefone". O Google exibia, então, o "Nubank Financeiro", descrito como um "serviço de atendimento telefônico". Ao ligarem para o número informado, clientes poderiam ser induzidos a pedir dinheiro emprestado no banco e enviá-lo para terceiros, no que seria uma medida para manter o valor em uma "conta segura". Google exibiu durante meses número de falsa central do Nubank Reprodução O g1 conseguiu encontrar o número da central falsa em uma busca pelo navegador Chrome no celular. Em outros dispositivos, o Google destacou somente o telefone verdadeiro. O "Nubank Financeiro" era um perfil falso que se passava pela central do banco. O Google exibe fichas de empresas nos resultados de sua busca e do Maps a partir de informações inseridas por usuários e de dados disponíveis na internet, por exemplo. No Maps, a página fraudulenta tinha número de celular e até horário de funcionamento. Ela mostrava ainda um endereço de uma rua famosa na cidade de São Paulo, mas com um número inexistente. Para fingir ser uma empresa de verdade, os autores do perfil falso chegaram a responder algumas avaliações. "Estamos em busca de melhorar sempre para atender melhor", escreveram em resposta a um comentário. A recomendação para evitar esse tipo de golpe é buscar dados de contato no aplicativo do banco ou no verso do cartão. Outra opção é digitar o site do banco no navegador (banco.com.br, por exemplo). O g1 perguntou ao Google como são feitas as recomendações e o que leva uma empresa a ser banida do Maps, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem. O Nubank confirmou que não tem qualquer relação com o número de celular informado na página "Nubank Financeiro". "Trata-se, aparentemente, de uma página cadastrada por terceiros, que pode estar envolvida em tentativas de golpe. Reforçamos que os clientes devem sempre utilizar apenas os canais oficiais do Nubank para contato", disse o banco, em nota. LEIA TAMBÉM: 'Sentimento horrível', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pelo Grok, IA de Musk Críticas aos humanos, livre-arbítrio, religião: o que robôs comentam no Moltbook, rede social só para IAs Pesquisador diz ter encontrado 149 milhões de senhas expostas, incluindo contas de Gmail, Instagram e 'gov.br' Perda de R$ 3.400 Nos comentários do perfil da empresa falsa no Google Maps, algumas pessoas avisaram sobre a fraude após terem sido vítimas. Um dos comentários foi feito há cerca de um ano. "O banco não pede para fazer nenhum PIX ou depósito", alertou uma pessoa que disse ter perdido R$ 3.400. O g1 não conseguiu entrar em contato com a vítima. Outro usuário que comentou na página relatou como foi a ligação e disse que escapou do golpe por pouco. Em junho de 2025, o gerente de vendas Giovanni Accorroni telefonou para o número que encontrou no Google para tentar resolver um problema com crédito. Usuários alertaram sobre fraude que usou nome do Nubank para aparecer na busca do Google Reprodução A ligação foi atendida por um homem que parecia ser "educado e confiável" e tentava transmitir credibilidade, contou Giovanni. Foi o falso atendente que deu orientações para o cliente transferir dinheiro para uma conta de terceiros. "Ele me orientou a transferir todo o limite do meu crédito para a minha conta, e eu cheguei a fazer isso. Mesmo assim, algo me pareceu estranho", contou. Enquanto estava na ligação, Giovanni voltou ao Google e percebeu que outras pessoas tinham feito reclamações sobre esse número. "Nesse momento, percebi o risco, disse que não precisava mais do atendimento e desliguei. Eu poderia ter perdido todo o dinheiro". Giovanni disse ter se sentido aliviado por ter percebido a tentativa de golpe, mas criticou o Google por exibir o número falso. "Deveriam ter prestado atenção e não ter recomendado".

Uber é condenada a pagar quase R$ 45 milhões por agressão sexual cometida por motorista


Carro de Uber, aplicativo, transporte Erik Mclean/Pexels Um júri federal em Phoenix determinou nesta quinta-feira (5) que a Uber pague US$ 8,5 milhões (cerca de R$ 44,8 milhões) a uma mulher que afirmou ter sido estuprada por um motorista da plataforma. Os jurados concluíram que a empresa é responsável no processo. A decisão pode influenciar milhares de ações semelhantes contra a Uber nos Estados Unidos. O caso foi movido por Jaylynn Dean. É o primeiro julgamento desse tipo, conhecido nos EUA como bellwether, entre mais de 3.000 processos parecidos reunidos na Justiça federal americana. Esse tipo de julgamento serve para testar argumentos legais e ajudar a estimar valores em eventuais acordos. Dean, que mora em Oklahoma, entrou com a ação em 2023. Foi um mês após a agressão, que teria ocorrido no Arizona. Ela afirma que a Uber sabia de uma onda de agressões sexuais cometidas por motoristas, mas não tomou medidas básicas para aumentar a segurança dos passageiros. Esse tipo de acusação acompanha a empresa há anos. O tema já gerou reportagens e investigações no Congresso dos EUA. Durante as alegações finais, a advogada de Dean, Alexandra Walsh, disse que a Uber se vendeu como uma opção segura para mulheres à noite, especialmente quando elas haviam bebido. “As mulheres sabem que o mundo é perigoso. Sabemos do risco de agressão sexual”, afirmou Walsh. “A empresa nos fez acreditar que ali era um lugar seguro.” A Uber argumentou que não pode ser responsabilizada por crimes cometidos por motoristas que usam a plataforma. Segundo a empresa, os checagens de antecedentes e os relatórios sobre agressões são suficientes. A Uber também sustenta que os motoristas são prestadores de serviço independentes, não funcionários. Mesmo assim, diz a empresa, não poderia ser responsabilizada por atos fora do que seria razoavelmente esperado do trabalho. “Ele não tinha histórico criminal. Nenhum”, disse Kim Bueno, advogada da Uber, sobre o motorista. Ela destacou que ele havia feito 10 mil corridas e tinha avaliação quase perfeita. “Isso era previsível para a Uber? A resposta precisa ser não.” Antes do julgamento, a Uber afirmou em nota que leva a sério todas as denúncias de agressão sexual. Disse ainda que segue investindo em novas tecnologias para evitar casos parecidos. Na ação, Dean afirma que estava embriagada quando pediu um Uber para ir da casa do namorado até o hotel. Segundo o processo, durante a corrida, o motorista fez perguntas ofensivas. Depois, parou o carro e a estuprou. O caso foi conduzido pelo juiz federal Charles Breyer, que normalmente atua em San Francisco, mas presidiu o julgamento em Phoenix. Breyer é o responsável por todos os processos federais semelhantes contra a Uber, concentrados em seu tribunal na Califórnia. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A empresa também enfrenta mais de 500 ações na Justiça estadual da Califórnia. Em um único caso que foi a julgamento até agora, em setembro, o júri decidiu a favor da Uber. Os jurados reconheceram falhas nas medidas de segurança, mas entenderam que elas não foram causa direta do dano à vítima. A concorrente local Lyft também enfrenta ações parecidas nas Justiças estadual e federal. No entanto, não há um processo federal unificado envolvendo a empresa.

'Fizemos sexo em um hotel chinês e depois descobrimos que fomos gravados e vistos por milhares de pessoas'

BBC BBC Em uma noite de 2023, Eric (nome fictício) navegava por um canal de redes sociais que costumava acessar para consumir pornog...