sábado, 14 de março de 2026

Ela passava 16 horas no Instagram. Agora, um júri vai decidir se a Meta e o Google têm culpa nisso


Pais que afirmam que as redes sociais levaram seus filhos à morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles Ethan Swope/Getty Images/AFP Kaley ficava no Instagram até pegar no sono. Ela acordava no meio da noite para conferir as notificações. Abria o aplicativo assim que acordava. Um dia, passou 16 horas nessa rede social. "Parei de interagir com minha família porque passava todo o meu tempo nas redes sociais", relatou Kaley a um júri em Los Angeles, nos EUA, durante um processo histórico contra a Meta e o Google, duas das maiores empresas do mundo. O TikTok e o Snapchat, que também foram citados no processo original, fizeram um acordo extrajudicial. Conhecida apenas por seu primeiro nome ou pelas iniciais KGM, para proteger sua privacidade, a história de Kaley se tornou o caso exemplar para mais de 2 mil processos semelhantes que buscam responsabilizar as empresas de redes sociais pelos supostos danos à saúde mental de seus usuários mais jovens. Esse é o primeiro julgamento do tipo, e ele é acompanhado de perto por especialistas jurídicos e pais que acreditam que seus filhos foram prejudicados, até mesmo levados ao suicídio, por causa das redes sociais. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Lori Schott passou vários dias de olho no julgamento em Los Angeles, apesar de não ter participado do processo. Sua filha Annalee tirou a própria vida aos 18 anos, uma tragédia que Schott atribui à forma como o Instagram a expôs a conteúdos psicologicamente prejudiciais, apesar de a empresa supostamente saber o que essas postagens poderiam causar aos jovens. "Eles esconderam as evidências que tinham. Sabiam que era viciante. Nos deram uma falsa sensação de segurança", disse Schott, descrevendo à BBC o que aprendeu com o julgamento. "A equipe de relações públicas deles parecia apenas tentar nos convencer de que o mundo era um mar de rosas." Alto risco O cerne desse caso reside em saber se Kaley era viciada em redes sociais — e se as empresas de redes sociais projetaram as plataformas justamente para serem viciantes. Caso isso se confirme, o júri precisará decidir o que as empresas devem a jovens como Kaley, que podem ter sido prejudicadas por causa disso. O que está em jogo neste julgamento, para a Meta, o Google e outras plataformas de redes sociais, é muito importante. A maioria das questões legais do caso, principalmente a de que as plataformas de redes sociais são viciantes para jovens usuários e foram projetadas intencionalmente para serem assim, são "completamente inéditas", como afirmou a juíza Carolyn Kuhl diversas vezes ao longo do julgamento. O resultado pode ser tão potencialmente controverso que o próprio Mark Zuckerberg, bilionário cofundador e CEO da Meta, proprietária do Instagram, Facebook e WhatsApp, compareceu pessoalmente para defender as suas plataformas. Foi a primeira vez que ele prestou um depoimento do tipo diante de um tribunal, apesar de sua empresa ter sido processada centenas de vezes no passado. Se o júri decidir a favor de Kaley, isso abalaria décadas de precedentes legais e culturais que trataram as plataformas como meros repositórios da natureza humana. Isso também abriria caminho para possíveis acordos históricos a serem pagos por empresas como a Meta. Milhares de outros casos semelhantes ao de Kaley, que atualmente tramitam no sistema judicial dos EUA, serão inevitavelmente influenciados pelo resultado deste julgamento inédito. Mesmo que o júri de Los Angeles não considere a Meta ou o Google culpados no caso de Kaley, a pressão pública e política contra as grandes empresas de tecnologia tem aumentado nos últimos anos. Essas empresas, em geral, não têm responsabilidade legal em relação aos seus usuários, mas uma onda de adolescentes diagnosticados com sérios problemas de saúde mental e um aumento nos episódios de suicídios entre crianças levaram pais e governos a começar a proibir o uso de mídias sociais para os mais jovens. Eles dizem que as plataformas expõem as crianças a tudo, desde padrões de beleza inatingíveis até predadores sexuais. Aaron Ping também tem acompanhado o julgamento de perto. Seu filho, Avery, tirou a própria vida aos 16 anos. Ele descreveu à BBC a história de um menino que passou de um "companheiro de aventuras" a alguém com quem frequentemente brigava por causa do uso excessivo do YouTube. "Elaboramos um acordo sobre o tempo de tela com os orientadores da escola, e definimos o que ele precisava fazer para obter a quantidade de tempo de tela permitida", disse Ping. A Meta e o YouTube não responderam a um pedido da BBC por um posicionamento a respeito das experiências de Schott e Ping. Kaley explicou no tribunal que começou a usar o YouTube aos seis anos. Aos nove, ela tinha uma conta no Instagram. A Meta afirma proibir o acesso de usuários menores de 13 anos a qualquer uma de suas plataformas, enquanto o YouTube oferece versões diferentes de sua plataforma para crianças, como o YouTube Kids. Kaley logo criou dezenas de contas em ambas as plataformas, numa tentativa de gerar curtidas e interações com o conteúdo que publicava — selfies no Instagram e vídeos cantando no YouTube. Ela queria se sentir querida e valorizada. Quando não publicava o próprio conteúdo, ela passava horas no Instagram e no YouTube consumindo vídeos e fotos de outras pessoas. Ela começou a sair menos de casa e a ter dificuldade para interagir com outras pessoas presencialmente. Quando tinha cerca de 10 anos, Kaley se lembra de ter os primeiros sentimentos de ansiedade e depressão, transtornos que seriam diagnosticados anos depois por um profissional da saúde. Ela também começou a ficar obcecada com a aparência física e passou a usar filtros do Instagram que alteravam o rosto e o corpo, em busca de um nariz menor, olhos maiores, maquiagem... Desde então, Kaley foi diagnosticada com dismorfia corporal, uma condição em que as pessoas se preocupam excessivamente com a aparência física e não se enxergam como os outros as veem. Questionada por seu advogado, Mark Lanier, se ela havia sofrido com esses sentimentos antes de estar nas redes sociais, Kaley relatou que "não, não sofria". Pais que afirmam que as redes sociais levaram seus filhos à morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles Daniel Cole/Reuters Uso problemático ou dependência? A Meta defende que os problemas de saúde mental de Kaley decorrem de sua vida pessoal e criação, e não podem ser atribuídos ao uso do Instagram. Adam Mosseri, chefe do Instagram, testemunhou no tribunal que mesmo 16 horas de uso da rede social não pareceram a ele um vício ou uma dependência. Em vez disso, Mosseri referiu-se a alguém que passasse quase um dia inteiro nas redes sociais como algo "problemático". Quando Mark Zuckerberg testemunhou, após ser escoltado para o tribunal cercado por quatro seguranças pessoais, ele repetiu várias vezes que sua empresa sempre teve uma política que proibia usuários menores de 13 anos. Questionado sobre vários documentos internos da empresa fornecidos como parte do processo, nos quais executivos da Meta discutiam os milhões de crianças que usam o Instagram e o Facebook, e até elogiavam e planejavam aumentar o uso entre crianças, Zuckerberg pareceu ficar frustrado. O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, chega ao Tribunal de Los Angeles. REUTERS/Mike Blake "Não vejo por que isso é tão complicado", disse o bilionário em um dado momento. "Tem sido nossa política consistente que eles [menores de 13 anos] não são permitidos e tentamos removê-los. Não somos perfeitos", complementou ele. Os advogados de Kaley pressionaram Zuckerberg sobre a alegação de que o único objetivo da Meta era criar plataformas úteis — algo que, segundo eles, naturalmente leva a um maior uso das redes sociais. Lanier disse que a dependência também leva as pessoas a usarem algo com mais frequência, e Zuckerberg pareceu, por um momento, não saber o que dizer. "Não sei o que dizer sobre isso", disse o CEO da Meta. "Acho que pode ser verdade, mas não sei se se aplica. Estou tentando construir um serviço." O foco dos advogados de Kaley no vício em redes sociais pode ser um argumento difícil de sustentar, já que a condição não existe oficialmente nos manuais de Medicina. Quando os advogados da Meta conversaram com uma terapeuta que havia tratado Kaley, ela admitiu nunca ter diagnosticado sua paciente com dependência em redes sociais. Os argumentos da Meta se concentraram principalmente na vida familiar de Kaley, e às vezes fazem referência às próprias postagens dela no Instagram, ao mostrar uma garota que lidava com pais instáveis, críticos de sua aparência e, por vezes, abusivos emocional, verbal e fisicamente. A principal questão levantada pela empresa perante o júri foi que os problemas de saúde mental de Kaley não são claramente causados ​​pelo uso das redes sociais, e muitos outros fatores também são responsáveis pela história de vida dela. Hoje, Kaley relata ter um relacionamento amoroso com a mãe e que trabalha enquanto segue os estudos. Ela ainda continua a usar as redes sociais — e até admitiu ao tribunal que estaria interessada em seguir uma carreira de gestão de mídias sociais. Porém, quando perguntada se sua vida seria melhor se ela nunca tivesse usado plataformas como o Instagram, a resposta de Kaley foi curta: "Sim."

'Por que vou te pagar se posso fazer com o ChatGPT?': freelancers contam perrengues do mercado de trabalho com a IA


Como a IA está impactando o trabalho de freelancers A ideia de que “a inteligência artificial vai roubar o seu trabalho” nunca pareceu tão próxima da realidade. Empregadores têm usado ferramentas como ChatGPT e Gemini para realizar tarefas antes delegadas a outros profissionais, como escrever, traduzir e criar imagens. Mesmo quando não são diretamente substituídos, trabalhadores precisam lidar com uma nova realidade em que essas ferramentas estão cada vez mais presentes. Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), junto com o Instituto Nacional de Pesquisa da Polônia (NASK), divulgado em maio de 2025, mostrou que um em cada quatro empregos no mundo está potencialmente exposto à transformação pela IA generativa. Mariana Del Nero, Cássio Menezes e Maria Fernanda Acervo pessoal Os impactos dessas mudanças, segundo a ONU, são variados e vão desde ganho de produtividade até a perda de postos de trabalho. Para saber mais sobre esse cenário, o g1 conversou com freelancers de diferentes áreas. Por estarem em contato direto com diversas demandas, eles têm sentido profundamente os efeitos dessas transformações. Confira os relatos. Além disso, confira no final da reportagem dicas para se manter relevante no mercado de trabalho frente às IAs. 'Minha cliente há 10 anos usou uma IA para fazer o meu trabalho', diz produtora de conteúdo Mariana Del Nero, criadora de conteúdo freelancer Acervo pessoal Mariana Del Nero, de 38 anos, é publicitária e trabalha há 15 anos como produtora de conteúdo, com foco em redação de textos para agências de publicidade. Em 2024, ela perdeu um trabalho de uma cliente que atendia há mais de uma década para uma IA. O "job" era escrever um convite para um evento corporativo de uma empresa. Mariana conta que avisou que poderia fazer o texto cerca de meia hora depois que o pedido foi feito. Mas, em poucos minutos, a contratante enviou no grupo de WhatsApp — que incluía o cliente da agência e a própria Mariana — um texto pronto. "Percebi na hora que tinham feito com IA", afirma. "Foi aí que eu entendi que, para tarefas simples, as IAs já estavam me substituindo”. Depois do episódio, ela diz que passou um período se sentindo perdida e refletindo sobre os próximos passos da carreira. A conclusão foi que resistir à tecnologia não seria uma opção. “A solução foi aumentar meu leque de conhecimento dessas ferramentas e me posicionar como a pessoa que fica por trás da IA, usando a tecnologia a meu favor”, afirma. Desde então, passou a utilizar com mais frequência plataformas como o ChatGPT no dia a dia. Segundo Mariana, o uso dessas ferramentas reduziu drasticamente o tempo de execução das tarefas. “O que antes eu levava duas horas para fazer, hoje faço em 15 minutos, com a mesma qualidade”, diz. Mas isso não significou aumento de rendimento. O problema, segundo ela, é que a demanda por trabalhos pontuais diminuiu, o que ela acredita estar diretamente ligado ao avanço da IA. 'Cobrava de R$ 3 a R$ 4 mil; hoje cobro R$ 1,5 mil e acham caro', diz designer Cássio Menezes, designer gráfico Acervo pessoal "Por que você tá cobrando esse valor se eu posso ir no ChatGPT e fazer?". Foi isso que Cássio Menezes, de 35 anos e designer gráfico há mais de uma década, ouviu de um cliente em outubro de 2025. Depois disso, o contratante desistiu do serviço. Cássio estava cobrando R$ 1,6 mil para criar toda a identidade visual de uma marca — incluindo paleta de cores, cartão de visita e outros itens. Segundo ele, o valor já representava uma redução significativa: há cerca de três anos, ele cobrava em torno de R$ 3 mil pelo mesmo pacote. “Com essa tecnologia, as pessoas acham que o nosso trabalho é fácil e desvalorizam. Pensam que é só colocar um prompt e pronto. Agora, mesmo com os valores reduzidos, ainda tem gente reclamando”, afirma. Segundo Cássio, a presença da IA também alterou o perfil das vagas na área criativa. Para ele, empresas passaram a exigir que um único profissional acumule múltiplas funções. “Todo dia eu procuro vagas no LinkedIn, e a maioria paga muito mal e pede várias habilidades ao mesmo tempo”, diz. “Querem alguém que faça tráfego pago, marketing, social media, tudo em uma única contratação — para pagar menos. A justificativa é que a IA faz isso de forma rápida e simplificada", diz. Nesse cenário, Cássio diz que sente "cada vez menos prazer em trabalhar e se profissionalizar na área". "Dá um desânimo. Parece que quanto mais investir na minha carreira, menos clientes eu vou ter, porque eles querem pagar cada vez menos", afirma. 'Maior parte do trabalho hoje é revisão de IA', diz tradutora Maria Fernanda, tradutora Acervo pessoal Maria Fernanda, de 34 anos, trabalha como tradutora freelancer há cinco anos. Ela conta que desde o início de 2024 sentiu uma mudança grande nas ofertas de trabalho por causa do aumento do uso da IA pelos clientes, sejam pessoas físicas ou empresas. "Hoje, a maior parte das ofertas de trabalho é para revisão de textos traduzidos pela IA", diz. Segundo ela, a remuneração por esse trabalho é menor do que a tradução completa de um texto, mas isso não impactou o seu faturamento, porque o tempo de trabalho de revisão é menor, o que possibilita que ela aceite mais trabalhos. Maria acredita que essas mudanças foram maiores para tradutores que trabalham com materiais técnicos (legais e médicos, por exemplo) e publicitários, como ela. Isso porque, segundo ela, na área literária, a tradução humana do texto completo ainda predomina. ➡️Como se manter relevante frente às IAs As ferramentas de IA estão movimentando o mercado de trabalho — e isso deve continuar acontecendo nos próximos anos. Para se manter relevante nesse cenário, a dica é valorizar e investir nos aspectos criativos e exclusivos do trabalho, segundo a professora Luciana Morilas, especialista em trabalho da FEA-USP. "A criatividade não é previsível por algoritmos, é algo da natureza humana. A máquina jamais vai ser criativa", diz. Além disso, Luciana destaca que é importante não "demonizar" a IA e aprender a implementá-la no dia a dia para não "ficar para trás" no mercado. "Existem muitas ferramentas de IA que o profissional pode e deve usar a seu favor, seja para transcrever áudios, organizar cronogramas, entre outras atividades simples", afirma. Veja mais: Levei 20 minutos para enganar ChatGPT e Gemini – e os fiz contar mentiras sobre mim Por que o Moltbook, rede social das IAs, pode não ser a revolução que promete

sexta-feira, 13 de março de 2026

Meta planeja demissões em massa em meio ao aumento de custos com IA, diz agência


Logotipo da Meta Platforms, durante uma conferência na Índia, em 2023 REUTERS/Francis Mascarenhas A Meta, dona do Facebook e do WhatsApp, planeja demissões em massa que podem atingir 20% ou mais do quadro de funcionários. A informação é da Reuters, que cita três fontes familiarizadas com o assunto. A medida ocorreria enquanto a companhia busca compensar os altos custos de infraestrutura de inteligência artificial e se preparar para ganhos de eficiência com trabalhadores assistidos por IA. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, ainda não há uma data definida para os cortes, e o tamanho das demissões não foi finalizado. Executivos de alto escalão sinalizaram recentemente o plano a outros líderes da Meta e pediram que começassem a preparar reduções nas equipes, segundo duas das fontes. Eles falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizados a divulgar as informações. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Se a Meta confirmar o corte de 20% do quadro de funcionários, será a maior rodada de demissões desde a reestruturação realizada entre o fim de 2022 e o início de 2023, período que a companhia chamou de “ano da eficiência”. A empresa tinha quase 79 mil funcionários em 31 de dezembro, segundo seu relatório mais recente. A companhia demitiu 11 mil pessoas em novembro de 2022, cerca de 13% da força de trabalho na época. Aproximadamente quatro meses depois, anunciou outros 10 mil cortes. Até a última atualização desta reportagem, a Meta não havia comentado o assunto. Zuckerberg foca em IA generativa No último ano, o CEO Mark Zuckerberg tem pressionado a Meta a competir de maneira mais agressiva no campo da inteligência artificial generativa. A empresa tem oferecido pacotes salariais elevados, alguns avaliados em centenas de milhões de dólares ao longo de quatro anos, para atrair pesquisadores de IA de ponta para uma nova equipe dedicada à superinteligência. A companhia afirmou que pretende investir US$ 600 bilhões na construção de data centers até 2028. No início desta semana, adquiriu a Moltbook, uma plataforma de rede social voltada a agentes de IA. A Meta também está gastando pelo menos US$ 2 bilhões para comprar a startup chinesa de IA Manus, informou anteriormente a Reuters. Zuckerberg tem mencionado ganhos de eficiência decorrentes desses investimentos. Em janeiro, afirmou que já começa a ver “projetos que antes exigiam grandes equipes sendo realizados por uma única pessoa muito talentosa.” Meta O CEO Mark Zuckerberg faz um discurso durante o evento Meta Connect em Menlo Park REUTERS/Carlos Barria Tendência entre empresas de tecnologia Os possíveis planos da Meta refletem uma tendência mais ampla entre grandes empresas dos EUA, especialmente no setor de tecnologia neste ano. Executivos têm citado avanços recentes nos sistemas de IA como um dos motivos para mudanças organizacionais. Em janeiro, a Amazon confirmou que cortaria cerca de 16 mil empregos, o equivalente a quase 10% de sua força de trabalho. No mês passado, a fintech Block reduziu quase metade de seu quadro de funcionários. O CEO Jack Dorsey apontou as ferramentas de IA e sua capacidade crescente de permitir que empresas façam mais com equipes menores como um dos fatores por trás da decisão. Desafios com modelos de IA Os investimentos planejados pela Meta em IA vêm após uma série de contratempos com os modelos Llama 4 no ano passado, incluindo críticas de que a empresa teria apresentado resultados enganosos em testes de desempenho usados nas primeiras versões. A empresa também cancelou o lançamento da maior versão do modelo, chamada Behemoth, que estava prevista para o verão. A equipe de superinteligência tem trabalhado para restabelecer a posição da companhia neste ano, desenvolvendo um novo modelo chamado Avocado. No entanto, o desempenho do sistema também ficou abaixo das expectativas.

Conexões secretas na fronteira e redes privadas: como iranianos desesperados mantêm contato com familiares no exterior


Iranianos têm buscado maneiras de contornar as restrições à internet e às ligações telefônicas impostas em tempos de guerra (foto de arquivo de 2025) BBC/NurPhoto / Getty Images Em algum ponto da fronteira entre o Irã e a Turquia, um homem vende um serviço especial que ajuda iranianos que vivem fora do país a manter contato com familiares dentro do Irã. O segredo dele envolve dois telefones: um conectado à rede telefônica iraniana e outro à turca. Isso é necessário porque as chamadas internacionais para o Irã estão bloqueadas. Clientes fora do país ligam para o telefone turco dele pelo WhatsApp, e ele então disca para os familiares deles usando o telefone iraniano. Ele mantém os dois aparelhos juntos para que pessoas desesperadas para ouvir seus familiares no Irã possam falar com eles. Por estar na fronteira, o homem consegue se conectar tanto à rede móvel turca quanto à iraniana. Esse é apenas um dos métodos usados por iranianos para contornar as restrições à internet e às comunicações impostas em tempos de guerra, mas o serviço é caro. A BBC News Persa apurou que, com taxas de transferência em dinheiro, uma ligação de quatro a cinco minutos custa cerca de £28 (aproximadamente R$ 180). Ainda assim, os clientes dizem que vale a pena pagar. 'Não dá pra viver sem VPN': como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais Veja os vídeos que estão em alta no g1 Às vezes, pessoas no Irã conseguem ligar para o exterior, mas a ligação raramente funciona na primeira tentativa e as chamadas quase sempre duram apenas dois ou três minutos antes de cair. Hamid (cujo nome, como o de outros nesta reportagem, foi alterado) vive em Teerã, capital do Irã, e tem procurado desesperadamente maneiras de manter contato com a esposa e outros parentes que estão no exterior. "Nos últimos dias, tentei de tudo apenas para conseguir me conectar", disse. "O custo não importava para mim, mesmo sendo um peso financeiro. Eu só queria que eles se sentissem um pouco mais tranquilos." Ele tem usado serviços de rede privada virtual (VPN), que permitem "enganar" as restrições impostas pelas autoridades iranianas à internet, possibilitando o envio de mensagens e chamadas para o exterior. "O sofrimento é enorme. O sofrimento de não saber, da ansiedade e da preocupação constante", disse. Aplicativos de VPN são uma das formas de contornar as restrições (foto de arquivo de 2025) BBC/NurPhoto / Getty Images Hamid diz que 1 gigabyte de dados para uma VPN pode custar em torno de £15 (cerca de R$ 130), um valor considerável em um país onde o salário mínimo mensal é de cerca de US$ 100 (em torno de R$ 650). "O preço das VPNs disparou e as conexões são extremamente instáveis", disse Hamid. Ele acrescentou que, se a conexão cair enquanto a VPN estiver em uso, os dados comprados são perdidos e não há reembolso. "Sempre que eu conseguia me conectar à internet, mesmo que por pouco tempo, eu mandava mensagem para todos e pedia que me enviassem os números de telefone de seus familiares para que eu pudesse verificar como estavam e depois enviar notícias de volta", contou Hamid. "Quando ligo para uma mãe e menciono o nome do filho que perguntou por ela, o som da risada e da alegria dela muda todo o meu mundo", explicou Hamid. Negar (nome alterado), que vive em Toronto, no Canadá, disse que sua família sabia o quanto ela havia ficado ansiosa com a segurança deles durante os protestos contra o governo em janeiro. "Desta vez, quando a internet foi cortada, eles começaram a me ligar diretamente para avisar que estavam bem", disse. Negar acrescentou que, embora as chamadas curtas ajudem, essa comunicação não é suficiente para tranquilizá-la. "A pior parte da história é que eles estão sob forte bombardeio e, ainda assim, me ligam dizendo: 'Estamos bem, não se preocupe conosco'. É isso que está me destruindo." Shadi (nome alterado) vive em Melbourne, na Austrália, mas a casa de seus pais fica em Teerã, em uma área que eles chamam de "ninho de vespas". O local fica perto do grande depósito de petróleo atingido em 7 de março, e outros pontos sensíveis, como o Ministério da Defesa, também estão nas proximidades. "Normalmente, antes de nos ligar, eles entram em contato com outros parentes e vizinhos ao redor para verificar se todos estão bem e reunir informações", disse Shadi. "Depois, nos repassam essas informações para que possamos compartilhá-las com o restante da família aqui." Ela acrescenta que o som de fortes explosões nas proximidades tem sido muito assustador e que seu pai deixou de sair para caminhar depois que a "chuva negra" (expressão informal usada para descrever precipitação contaminada por poluentes, que adquire coloração escura) caiu sobre ele após o ataque ao depósito de petróleo. Zahra (nome alterado) vive na Europa e está muito preocupada com o irmão no Irã, mas ele usa uma VPN para acessar o aplicativo de mensagens Telegram e manter contato. "Se ele fica offline por mais de meia hora ou uma hora, todo tipo de pensamento assustador começa a passar pela minha cabeça", disse. Ela ressaltou que, na maior parte do tempo, a sua família permanece em casa. Eles não vão ao trabalho ou, se vão, ficam apenas por um período muito curto. "O som de caças e explosões é aterrorizante", contou o irmão a ela. "Lá fora também há patrulhas por toda parte, paradas em cada cruzamento, olhando diretamente nos seus olhos. Se não gostam da sua aparência, eles param você." A necessidade de usar diferentes aplicativos e truques técnicos para contornar as restrições muitas vezes dificulta manter contato com parentes menos familiarizados com tecnologia. "Hoje em dia, a única maneira de me comunicar com a minha família é quando eles me ligam", disse Pooneh (nome alterado), que tem pouco mais de 30 anos e vive em Londres, no Reino Unido. "Eu não consigo ligar para eles. Até essa coisa simples cria uma sensação estranha, como se nada estivesse sob o meu controle." Ela disse que a irmã é a única pessoa com quem consegue manter contato. "Talvez porque ela se sinta mais confortável com tecnologia e encontre maneiras de fazer a ligação. Normalmente, também é ela quem me traz notícias sobre o resto da família." Como muitas outras pessoas, elas mantêm uma troca de informações em duas direções: quem está dentro do Irã transmite mensagens da família, e quem está no exterior dá atualizações sobre a guerra que não estão disponíveis no país por causa da censura do governo. "Muitas vezes ela liga apenas para receber notícias de mim", disse Pooneh. "Parece que cada uma de nós tem uma parte da história faltando, e precisamos juntá-las uma com a outra."

Um quinto dos adolescentes australianos ainda usa TikTok e Snapchat mesmo após proibição de rede social


Brasileiros contam como foi a proibição de redes sociais na Austrália Um quinto dos adolescentes australianos com menos de 16 anos ainda usa redes sociais dois meses depois que o país proibiu as plataformas de permitirem menores de idade, mostraram dados do setor, levantando questões sobre a eficácia de seus métodos de controle de idade. O número de jovens de 13 a 15 anos que usam o TikTok e o Snapchat, entre os aplicativos de mídia social mais populares entre os adolescentes australianos, caiu desde antes da proibição entrar em vigor em dezembro até fevereiro, mas ainda assim mais de 20% usavam os aplicativos, de acordo com um relatório da fabricante de software de controle parental Qustodio fornecido à Reuters. 'Vejo você em 4 anos': adolescentes na Austrália se despedem das redes antes de proibição 'Não sabia o quanto minha filha era viciada': brasileiros contam como foi a proibição de redes sociais na Austrália Adolescente com celular BBC/Getty Images Os dados estão entre os primeiros a mostrar os efeitos sobre o comportamento online dos jovens desde que a Austrália implementou a proibição, que está sendo copiada por governos de todo o mundo. O governo australiano e pelo menos dois estudos universitários estão monitorando o impacto da proibição, mas nenhum deles publicou dados ainda. "Entre as crianças cujos pais não bloquearam o acesso, um número significativo continua a usar plataformas restritas nos meses seguintes à proibição", disse Qustodio no relatório, que se baseou em dados coletados de famílias australianas do final de 2024 a fevereiro. Sob a proibição, as plataformas, incluindo Instagram, Facebook e Threads, da Meta, YouTube, TikTok e Snapchat, do Google, devem bloquear pessoas com menos de 16 anos ou enfrentar uma multa de até US$35 milhões. Um porta-voz do órgão regulador da internet, o eSafety Commissioner, disse que o escritório estava ciente dos relatos de que alguns menores de 16 anos permaneciam nas mídias sociais e estava "interagindo ativamente com as plataformas e seus provedores de garantia de idade... enquanto continuava a monitorar quaisquer falhas sistêmicas que pudessem representar uma violação da lei".

quinta-feira, 12 de março de 2026

iPhone 17e repete design, mas tem novos truques na manga; veja as primeiras impressões


iPhone 17e: primeiras impressões Igual à versão anterior, mas com alguns novos truques na manga. Esse é o novo iPhone 17e, que a Apple começa a vender nesta sexta-feira (13) no Brasil. O smartphone intermediário substitui o iPhone 16e na linha de produtos da companhia e tem a ambição de ser um “iPhone econômico”, para quem quer trocar de telefone sem gastar tanto quanto em um topo de linha da marca. O aparelho custava a partir de R$ 5.799 em março. Para comparação, o iPhone 17 saía por R$ 7.999. ✅Clique aqui para seguir o canal do Guia de Compras do g1 no WhatsApp O Guia de Compras teve acesso ao iPhone 17e e conta a seguir as primeiras impressões. iPhone 17e (à esquerda) e iPhone 16e (à direita): design igual, mesmo acabamento Henrique Martin/g1 Quem vê o iPhone 17e pela primeira vez pode achar que ele é igualzinho ao 16e. As dimensões são as mesmas: 146,7 mm de altura x 71,5 de largura x 7,8 mm de espessura. Só muda mesmo o peso: 170 gramas para o 17e, contra 167 gramas do 16e. Ambos têm opções de acabamento em branco e preto foscos, agora com uma versão em rosa para o iPhone 17e. Ele segue sendo o modelo de menor tela da Apple, com 6,1 polegadas. A câmera traseira de 48 megapixels, os 8 GB de RAM e a capacidade da bateria (4.005 mAh) continuam os mesmos nos dois aparelhos. Tela de 6,1 polegadas no iPhone 17e (esquerda) e 16e (direita) Henrique Martin/g1 Mas, com dois celulares praticamente iguais, o que muda? Por dentro, o iPhone 17e usa o mesmo processador do iPhone 17, um A19. É a mesma lógica que a Apple usou com o 16e, que tinha o mesmo chip do iPhone 16. A quantidade de armazenamento do modelo mais em conta também mudou. O 16e vinha em versões de 128, 256 e 512 GB. O 17e já começa em 256 GB e tem o mesmo valor cobrado pelo 16e de 128 GB no lançamento, no ano passado – R$ 5.799. Em março de 2026, o iPhone 16 já custava na faixa dos R$ 3.800 – o mesmo valor médio da Black Friday 2025. Outra novidade bem-vinda no iPhone 17e é a adoção do conector MagSafe na traseira do aparelho. Ele permite recarregar a bateria sem fios de forma rápida (potência de 15W) e conectar acessórios, como capas e carteiras, com o ímã traseiro. O iPhone 16e não tinha MagSafe, apenas carregamento sem fio lento (7,5W). Carteira presa ao iPhone 17e pelo ímã MagSafe Divulgação A Apple diz ainda que a estrutura do iPhone 17e é mais "dura na queda" na comparação com o 16e, com a adoção de um novo material (Ceramic Shield 2) três vezes mais resistente contra arranhões. A câmera de 48 megapixels segue a mesma nos dois aparelhos, mas com melhoria no sistema de fotos em modo retrato no 17e, que aprimora o desfoque do fundo. Veja abaixo algumas fotos feitas com o aparelho: iPhone 17e: amostras de fotos feitas com o celular Quem são os concorrentes do iPhone 17e? iPhone 17e visto de frente Henrique Martin/g1 O iPhone 17e entra na categoria dos celulares intermediários e não vai, necessariamente, “brigar” com o 16e. Quem comprou o modelo ano passado não deve trocar de celular agora, já que não deve ter grande mudança de desempenho de um modelo para outro. Ele concorre com modelos mais antigos, muitas vezes até usados, da Apple ainda disponíveis em lojas on-line, como os iPhones 11, 12, 13 e 14. No mundo dos celulares com sistema Android, seus rivais são aparelhos como o Galaxy S25 FE e o Moto Edge 70, modelos com configurações mais avançadas mais parecidas com os topo de linha das marcas, mas que não custam tão caro. Veja a seguir uma lista com o iPhone 17e e seus concorrentes. Os preços iam de R$ 2.800 a R$ 5.800 nas lojas da internet consultadas no meio de março. iPhone 17e iPhone 16e Samsung Galaxy S25 FE Moto Edge 70 Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável. Como o celular consegue filmar e manter o horizonte estável?

Por que as pessoas estão abandonando os fones de ouvido sem fio?


Fones de ouvido Serenity Strull/Getty Images via BBC Quando a Apple eliminou a entrada de fones dos iPhones em 2016, eu entrei em modo de resistência. Não ia deixar uma gigante ditar meus hábitos de escuta, então comprei um Android e me mantive firme no cabo. Porém, meu celular deu seu último suspiro exatamente no mesmo mês em que o Google — um dos últimos resistentes — anunciou que também tiraria a entrada de fones de seus aparelhos. Parecia um sinal cósmico de derrota. Então voltei para o iPhone, joguei meus fones com fio na gaveta e me juntei às hordas do Bluetooth. Pode ser que eu tenha desistido cedo demais. Recentemente, um movimento discreto vem crescendo, baseado em uma verdade controversa: fones de ouvido com fio são melhores do que os de Bluetooth. As vendas dispararam nos últimos meses. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Talvez os consumidores tenham percebido que, muitas vezes, conseguem obter um som de melhor qualidade, e pelo mesmo preço, com um modelo com fio — mas esse não é um movimento apenas entre os audiófilos, aquelas pessoas muito exigentes com a qualidade do som. Os fones com fio viraram uma tendência cultural, um ressurgimento que alguns associam a uma reação maior contra a tecnologia. Seja por motivos práticos, políticos ou estéticos, uma coisa é clara: os fones com fio estão de volta. "Eu me converti", diz Aryn Grusin, assistente social de Portland, no Oregon, nos EUA, apaixonada por fones com fio. Há alguns meses, ela pegou emprestado o par de fones antigos do noivo e nunca mais voltou atrás. "Acho simplesmente reconfortante. Gosto de mostrar ao mundo que estou ouvindo alguma coisa." Grusin não está sozinha. Depois de cinco anos seguidos de queda, as compras de fones de ouvido com fio explodiram na segunda metade de 2025, segundo a empresa de análise Circana, e a receita com fones com fio cresceu 20% nas primeiras seis semanas de 2026. "Parece que muita gente está meio que se voltando contra a tecnologia porque ela está ficando avançada demais", diz Grusin. "Acho que existe um sentimento coletivo de: 'não gosto do rumo que isso está tomando', e estamos todos voltando para o último lugar onde nos sentíamos confortáveis." 'Está virando uma questão de classe social' A qualidade do som pode ser uma grande vantagem da vida com fio, diz Chris Thomas, editor especial do site de avaliações de fones SoundGuys. "Essa é a tecla na qual venho batendo há muitos anos", afirma. Segundo Thomas, os fones sem fio melhoraram muito, mas os melhores geralmente vêm de marcas de nicho voltadas para audiófilos. Quando se trata de produtos mais populares, daqueles que você encontra em uma loja de eletrônicos, ele diz que você consegue um som melhor pelo mesmo valor se optar por uma boa opção com fio. Além disso, mesmo os melhores fones Bluetooth podem não entregar seu desempenho máximo por causa de conexões ruins ou problemas de compatibilidade com o seu dispositivo. "Com um fio, você simplesmente conecta e funciona", diz Thomas. Mas a qualidade sonora não basta para explicar a tendência. De alguma forma, o Bluetooth parece ter se tornado profundamente pouco atraente. Não acredite só em mim. Pergunte à atriz e diretora Zoë Kravitz. "Bluetooth não funciona", disse Kravitz em uma entrevista recente — e não é só com fones de ouvido, mas com conexões Bluetooth em geral. "Está estragando momentos importantes. Imagine quantas vezes você está com alguém em um encontro, tentando criar um clima, e então precisa 'esquecer a rede'. Em um encontro!" Na verdade, fones de ouvido com fio viraram agora um acessório de moda indispensável em alguns círculos. Há até uma conta popular no Instagram sobre o assunto chamada Wired It Girls (algo como "as it girls dos fones com fio"), dedicada a mulheres que parecem chiques e despreocupadas com os cabos pendurados nas orelhas — de pessoas comuns a celebridades como as cantoras Ariana Grande e Charli XCX. Os fones de ouvido com fio se tornaram tão onipresentes entre ricos e famosos que alguns já veem esses emaranhados de plástico e metal como um símbolo cultural. Um usuário de redes sociais publicou um tuíte viral com fotos dos atores Robert Pattinson e Lily‑Rose Depp usando fones com fio. "Está virando uma questão de classe", escreveu. "Usar fones sem fio 24 horas por dia me diz que você não é dono de terras." Claro, há algo libertador em ouvir música sem estar preso a um cabo. Mas as baterias acabam justamente no pior momento. Os minúsculos fones do tipo earbuds (intra-auriculares) se perdem. Os dispositivos não emparelham. "As pessoas dizem que é mais fácil, mas nunca parece mais fácil para mim", diz Ailene Doloboff, uma editora de diálogos na indústria cinematográfica em Los Angeles, nos EUA. "Com Bluetooth sempre tem uma etapa a mais." Os fones de ouvido com fio entram para uma lista de tecnologias aparentemente obsoletas que voltaram com força nos últimos anos, justamente quando mergulhamos na próxima era digital. Pessoas jovens e mais velhas estão adotando produtos retrô como DVDs, fitas cassete, antigas TVs de tubo e até máquinas de escrever. Em um show recente, vi um cara na plateia gravando o espetáculo não com um celular, mas com uma câmera de filme 16 mm dos anos 1970. "Não sei por quê, mas todos nós, coletivamente, tivemos essa virada. Acho que a presença da IA está deixando as pessoas mais inquietas", diz Grusin. "O que é irônico, de certa forma. Fico desconfortável com a tecnologia e então quero usar outra tecnologia. Mas talvez os fones com fio sejam o mais perto do analógico que conseguimos chegar." O problema dos adaptadores Se você optar por usar fones com fio, a questão passa a ser como conectá-los. Mas hoje já é possível comprar fones com fio que vêm com conexão USB ou Lightning integrada. Ou então usar fones com o tradicional conector de 3,5 mm por meio de um adaptador para a porta de carregamento. A Apple removeu a entrada de fones de ouvido de seus telefones em 2016, com o lançamento do iPhone 7, o que muitos viram como o fim da escuta com fio. Mas nem mesmo a Apple abandonou totalmente os fones com fio. "Ah, nós ainda vendemos esses", disse o diretor-executivo da empresa, Tim Cook — o homem que acabou com a entrada de fones nos celulares — à minha colega da BBC Zoe Kleinman há alguns anos. "As pessoas ainda compram." Fui a uma loja da Apple no caminho de casa depois do trabalho para comprar um par barato com fio e conexão USB. Um funcionário me disse que tem vendido mais fones com fio do que nunca. Passei alguns dias usando os fios. Gostei da sensação. Estar ligado ao meu dispositivo me fazia sentir um pouco mais presente ao ouvir, e eles também ficaram mais confortáveis nos meus ouvidos do que os fones mais pesados do meu conjunto Bluetooth. Mas nosso relacionamento foi curto. Nunca perdi meu par de fones Bluetooth. O estojo dos meus AirPods é volumoso o suficiente para que eu sempre perceba quando não está comigo. Já os fones com fio, leves como uma pluma, não. Eles escaparam do meu bolso em algum lugar nas ruas do meu bairro. Espero que tenham encontrado um lar mais amoroso. Determinado, pensei que um upgrade talvez me tornasse mais cuidadoso. Então, visitei uma loja especializada em fones de ouvido em Nova York chamada Audio 46, escondida em uma estreita fachada comercial. Delaney Czernikowski, que faz avaliações de fones para o site da empresa, me recebeu no balcão. "Muita gente está aderindo à tendência. Eles chegam dizendo: 'Acho que fones com fio são melhores, quero experimentar'", diz Czernikowski. "Mas às vezes ficam preocupados em perder a conveniência do Bluetooth. Eu digo que o Bluetooth pode ser muito bom — você não precisa abrir mão disso." Czernikowski me deixou experimentar alguns dos fones Bluetooth mais sofisticados da loja, com uma qualidade de som incrível — e preços igualmente impressionantes. Eram suficientes para fazer até os audiófilos mais devotos babarem. "Mas, para ser justa, os fones com fio — muitos deles — são melhores e há muito mais opções para escolher", diz ela. "E eles têm qualidades superiores que não ficam limitadas pela necessidade de ter tecnologia Bluetooth dentro deles." Eu pretendia comprar algo barato. Com cerca de um minuto de conversa, porém, Czernikowski me convenceu a experimentar um par ao preço de US$ 130 (R$ 675) de uma marca chinesa especializada, com um cabo grosso, bonito e trançado. "Não faça concessões", diz ela. Eles soam excelentes pelo preço, mas a BBC não recomenda produtos como parte do seu compromisso com a imparcialidade. Então, você terá que fazer sua própria pesquisa. Entreguei meu cartão de crédito, comprei um maldito adaptador USB para usar com os fones e saí para a rua para plugá-los.

Ela passava 16 horas no Instagram. Agora, um júri vai decidir se a Meta e o Google têm culpa nisso

Pais que afirmam que as redes sociais levaram seus filhos à morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles Ethan S...