sexta-feira, 20 de março de 2026

Amazon planeja primeiro celular mais de 10 anos após tentativa frustrada com Fire Phone


Logo da Amazon, gigante da tecnologia. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo A Amazon está se preparando para lançar um novo celular, mais de 10 anos depois de anunciar um aparelho que foi considerado um de seus maiores fracassos, revelou nesta sexta-feira (20) a agência Reuters. O novo projeto é conhecido internamente como Transformer e está sendo desenvolvido pela unidade de dispositivos e serviços da Amazon, afirmaram à Reuters quatro fontes que pediram anonimato porque não estavam autorizadas a discutir assuntos internos. O telefone é visto como um potencial dispositivo de personalização móvel capaz de se sincronizar com a assistente de voz Alexa e servir como um canal de contato com os clientes da Amazon ao longo do dia, explicaram as fontes. Em 2014, a Amazon lançou seu primeiro smartphone, na esperança de enfrentar a Apple e a Samsung. Em vez disso, o Fire Phone – supervisionado diretamente pelo fundador Jeff Bezos – foi descartado em pouco mais de um ano. Jeff Bezos e o Fire Phone AP O projeto Transformer é o mais novo capítulo de um esforço de anos para levar ao mercado a visão de longa data de Bezos de um assistente de computação onipresente acionado por voz, semelhante ao computador controlado por voz da série de ficção científica "Star Trek". Bezos imaginou um smartphone com foco em compras e capacidade de competir com a Apple, oferecendo facilidades de entrega e descontos por meio da assinatura Prime. Com o aparelho, a Amazon poderia obter ainda mais dados sobre os usuários. As informações seriam combinadas com o histórico de compras e as preferências de conteúdo.  O esforço da Amazon para lançar um novo smartphone não foi relatado anteriormente. A Reuters não conseguiu determinar alguns detalhes, como o preço previsto do telefone, a receita projetada com o aparelho ou o investimento que a empresa está fazendo no projeto. O cronograma para o projeto Transformer da Amazon também não está claro, e as fontes advertiram que ele poderia ser descartado se a estratégia mudar ou devido a preocupações financeiras. Um porta-voz da Amazon não quis comentar sobre o caso. Os recursos de personalização do novo telefone facilitariam comprar no site da Amazon, assistir ao Prime Video, acessar o Prime Music ou pedir comida em serviços de delivery parceiros como o Grubhub, disseram as fontes. Um dos principais focos do Transformer é a integração de recursos de inteligência artificial no celular. Isso eliminaria a necessidade de lojas de aplicativos tradicionais, que exigem o download e o registro de aplicativos antes que eles possam ser usados. Amazon planeja voltar ao mercado de smartphones após mais de uma década do fracasso do Fire Phone

ECA Digital: ANPD diz que sistemas e lojas de aplicativos serão fiscalizados com maior rigor

O diretor da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Iagê Miola, afirmou nesta sexta-feira (20) que sistemas operacionais e lojas de aplicativos de celulares serão fiscalizadas com maior rigor a partir da implementação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o chamado ECA Digital. Nesta sexta-feira (20), a ANPD publicou no "Diário Oficial da União" o cronograma com as etapas de instituição dos mecanismos de verificação de idade nas plataformas digitais. "Já começamos a fiscalizar a implantação do ECA Digital, tem agora caráter preventivo e de orientação para caminhos adequados. Lojas de aplicativo e sistema operacional vão ter um acompanhamento com maior proximidade", afirmou Miola. De acordo com o cronograma, o país está na primeira fase de implementação, que prevê: divulgação de orientações e esclarecimentos sobre o chamado ECA Digital; a implantação de sistemas operacionais para aferição de idade; Veja os vídeos que estão em alta no g1 A segunda etapa está prevista para começar em agosto deste ano e inclui: monitoramento da adoção das soluções de verificação de idade atualização dos regulamentos de fiscalização e aplicação de sanções. A partir de 2027, terá início a terceira fase, que marca a implementação completa das medidas, com a intensificação das ações de fiscalização. Monitoramento já está em curso, diz ANPD Em conversa com jornalistas, diretores da ANPD afirmaram que, embora o país ainda esteja na fase inicial do cronograma, a fiscalização já está em curso. Segundo eles, o monitoramento das empresas ocorre desde o ano passado, com o objetivo de compreender o funcionamento do setor. A partir de agora, essa atuação passa a ter novas frentes: acompanhar a adaptação às regras e, se necessário, realizar notificações. "A etapa 3 do cronograma, de fiscalização, marcará o início do mapeamento de temas prioritários, mas isso não quer dizer que só vamos verificar o cumprimento no ano que vem. Havendo uma violação explícita, vamos instaurar processo e atuar”, afirmou Iagê Miola. Lula assina decretos que regulamentam ECA Digital; veja principais pontos Atualmente, a fiscalização está concentrada na adaptação das empresas ao ECA Digital, com notificações de caráter preventivo e orientador. Ainda neste ano, a agência pretende concluir a regulamentação das possíveis sanções e dos critérios de dosimetria das penalidades. A partir daí, superado o período de adaptação, o descumprimento das normas poderá resultar na aplicação de punições. De acordo com os diretores da ANPD, já existe um parâmetro técnico com 11 requisitos que devem ser observados para a verificação da idade de crianças e adolescentes, medida que busca evitar fraudes e o uso de informações falsas para burlar as regras do ECA Digital. Esses mecanismos, segundo eles, serão aprimorados ao longo do tempo. Outro ponto em debate diz respeito aos custos da tecnologia necessária para garantir a segurança digital. Segundo a ANPD, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) avalia se o poder público terá condições de atuar como fornecedor dessas soluções. Ferramentas como o gov.br estão em análise e poderão, futuramente, ser disponibilizadas também ao setor privado.

CEO do Pinterest pede proibição de redes sociais para jovens menores de 16 anos


Pinterest Brett Jordan/Pexels O CEO do Pinterest, Bill Ready, defendeu nesta sexta-feira (20) que líderes globais proíbam o uso de redes sociais por jovens menores de 16 anos. A declaração foi feita em uma postagem no LinkedIn. Ready se manifestou enquanto ocorre, em Los Angeles, um julgamento sobre o impacto das redes sociais na vida de adolescentes. Google e Meta enfrentam acusações de que seus aplicativos contribuem para uma crise de saúde mental entre jovens. O júri está deliberando sobre o veredito. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Precisamos de um padrão claro: nada de redes sociais para adolescentes menores de 16 anos, respaldadas por uma aplicação real da lei e responsabilidade pelos sistemas operacionais de celulares e pelos aplicativos que rodam neles", escreveu Ready em um ensaio publicado em sua conta do LinkedIn. Pinterest é uma plataforma de compartilhamento de imagens. Ele citou como exemplo a legislação adotada na Austrália, que restringe o acesso de menores de 16 anos às plataformas. Procurado, o Pinterest não comentou a publicação. Ao defender a medida, Ready adota uma posição diferente da maioria dos líderes das grandes empresas de tecnologia, que enfrentam pressão crescente de reguladores, tribunais e legisladores para mudar a forma como crianças e adolescentes usam seus produtos, diante dos impactos na saúde mental. De acordo com o site da empresa, a idade mínima para criar uma conta no Pinterest nos Estados Unidos é de 13 anos. Nos últimos anos, a plataforma tem buscado se consolidar entre a geração Z — grupo que inclui pessoas nascidas entre 1997 e 2012. Segundo a empresa de análise Apptopia, cerca de um terço dos usuários do Pinterest tem entre 17 e 25 anos. Veja mais: O que países estão fazendo para regular o acesso de crianças às redes sociais Brasileiros contam como foi a proibição de redes sociais na Austrália

Moto Signature e Galaxy S26 Ultra disputam espaço entre celulares topo de linha; g1 testou


Celular mais fino, mas com mais bateria? Como assim? Recém-lançados no Brasil, o Motorola Signature e o Galaxy S26 Ultra entram na categoria dos celulares topo de linha. Ambos têm desempenho excepcional, baterias que duram muito tempo e câmeras excelentes, mas mostram as diferenças no que cada fabricante entende como um smartphone “premium”. O da Motorola segue um caminho mais voltado ao luxo, com design sofisticado e bateria com recarga muito rápida. O da Samsung, à privacidade e alto desempenho. Em comum? O recurso de manter o horizonte estável ao gravar vídeos. As marcas seguem apostando em inteligência artificial como um diferencial, mas a sensação é de que é algo complementar ao uso do aparelho e que não será colocado em prática a todo momento. Em comum, são aparelhos bastante caros. O Moto Signature (512 GB) custava R$ 9.000 em lojas da internet em março. O Galaxy S26 Ultra saía a partir de R$ 11.500 (256 GB), chegando a R$ 13.800 (1 TB). O Guia de Compras testou os dois aparelhos nas últimas semanas e mostra os resultados a seguir. Motorola Signature O Motorola Signature é o celular mais avançado da marca em 2026, com câmeras de última geração e um acabamento mais detalhado, com detalhes em alumínio e uma textura que lembra tecido na parte traseira. O aparelho vem nas cores verde-oliva e preto. É um dispositivo mais compacto que o S26 Ultra, medindo 162,1 x 76,4 x 7 mm e pesando 186 gramas. O concorrente é um pouco mais alto e espesso (163,6 x 78,1 x 7,9 mm) com 214 gramas. O telefone roda Android 16, com promessa de 7 anos de atualização do sistema operacional. Como todo smartphone nos últimos tempos, o Signature conta com recursos de inteligência artificial, com a Moto IA (leia mais) e ajustes de imagens na câmera e em edição de fotos. Samsung Galaxy S26 Ultra O Samsung Galaxy S26 Ultra poderia ser apenas uma evolução com poucas mudanças das versões anteriores. Só que desta vez a fabricante trouxe uma novidade – até o momento exclusiva da marca – na tela, que evita que curiosos olhem para o seu celular. O mais legal é que dá para configurar para deixar apenas notificações escondidas. Desse modo, se o telefone estiver sobre uma mesa e alguém mandar um zap comprometedor, quem estiver do lado não vai ver. Galaxy S26 Ultra com o recurso de privacidade da tela ativado: conforme o ângulo, não dá para ver o display Henrique Martin/g1 O acabamento é feito em alumínio, disponível nas cores violeta, azul, preto, branco, prata e dourado. É um aparelho mais grosso (7,9 mm, contra 7 mm do Signature) e pesado (214 gramas, contra 186 gramas) que o concorrente. O celular roda Android 16, também com promessa de sete atualizações de sistema operacional. Também tem recursos de inteligência artificial, incluindo a integração de novos chatbots, como o Perplexity, para uso no aparelho. Desempenho Os dois celulares usam versões do chip mais recente da Qualcomm, o Snapdragon 8 Elite Gen 5 de 3 nanômetros (entenda porque isso é importante). Por conta disso, o desempenho dos dois é muito parecido – com o Galaxy S26 Ultra um pouco mais veloz que o Moto Signature na maioria dos testes. Esses testes avaliam o uso simulado do aparelho no dia a dia. De qualquer forma, nenhum dos dois ficou lento ou travou durante o uso. Para games e vídeos, o Galaxy S26 Ultra foi mais rápido que o Moto Signature nos testes de desempenho gráfico. Nessa avaliação, a diferença foi maior, com o aparelho da Samsung sendo cerca de 29% mais rápido que o da Motorola. Bateria Os dois celulares podem passar bastante tempo longe da tomada, mas a tecnologia da bateria utilizada é diferente. O da Samsung utiliza bateria de íons de lítio, mais tradicional, mas que deixa o aparelho mais grosso. O da Motorola, de silício-carbono. Essa nova tecnologia adiciona silício à bateria de lítio, permitindo armazenar mais energia em um formato mais compacto. Por isso, o Signature tem um pouco mais de capacidade de carga (5.200 mAh) que o S26 Ultra (5.000 mAh), mas é mais fino que o concorrente. Durante os testes, o Galaxy S26 Ultra mostrou que consegue ficar mais de 16 horas longe da tomada. O Moto Signature, 14 horas. É sempre bom ressaltar que cada pessoa tem um padrão de uso e que, na prática, o celular não vai ficar sem bateria após esse período. A diferença entre os tempos de uso também se dá pelo modo que os fabricantes otimizam o sistema operacional para economizar energia. Um exemplo disso foi verificar a estimativa de duração do próprio aparelho após o teste, encerrado quando a carga atinge em torno de 20%. O Signature indicava que tinha ainda duas horas de uso. O S26 Ultra, 20 horas previstas. Também dá para ativar o modo de economia de energia nos dois aparelhos, caso seja necessário. Vale lembrar que a taxa de atualização da tela do Signature é maior (165 Hz) que a do Samsung (120 Hz), e isso também interfere no desempenho da bateria. O aparelho da Motorola tem uma vantagem no carregador que vem na caixa, com potência de 125W. Em um teste informal, com 14% de carga, o Signature levou 47 minutos para chegar a 100%. O aparelho ficou quente após esse período. Carregamento rápido do Moto Signature: de 13% a 100% da carga em 46 minutos Henrique Martin/g1 O da Samsung é de 60W, mas precisa ser comprado separadamente – ele vem com um carregador de 25W na caixa. Nas lojas da internet em março, o acessório custava na faixa dos R$ 320. Câmeras Moto Signature e Galaxy S26 Ultra trazem câmeras que estão entre as melhores do momento, sendo quase impossível tirar foto ruim com eles. Embora ambas sejam excelentes, cada uma apresenta um perfil de cores e um modo distinto de processar as fotos. O Galaxy S26 Ultra vem com um conjunto de quatro câmeras traseiras. A principal tem 200 megapixels, acompanhada por duas lentes de zoom — uma de 10 MP com aproximação de 3x e outra de 50 MP com zoom periscópio de 5x — e uma grande angular de 50 MP. Já o Motorola Signature aposta em um sistema com três câmeras, todas com 50 megapixels de resolução: uma principal, uma com zoom periscópio e uma grande angular. Abaixo, um exemplo das fotos na resolução máxima da câmera principal: Durante o dia, as diferenças são quase imperceptíveis, como dá para ver nos dois exemplos abaixo: Mesmo em um ambiente interno bem iluminado: o O zoom híbrido, que mistura óptico e digital, tem resultados mistos. Até certa distância, as fotos ficam razoáveis, como as de 30x de aproximação. Ao chegar a 50x ou mais, a resolução vai para o ralo. Aos 100x, esqueça, é um borrão. Fotos em modo retrato, com o fundo desfocado, podem ser feitas usando lentes distintas, aproximando ou afastando da pessoa clicada, como nos exemplos a seguir. Nas fotos noturnas, o Samsung pareceu acertar focos específicos, como o focinho do gato: Mas o da Motorola ficou mais iluminado na mesma sala, iluminada apenas com a TV e um abajur. Nas selfies, o da Motorola e seus 50 megapixels foram melhores que o Samsung e os 12 megapixels. O da Samsung é de 60W, mas precisa ser comprado separadamente – ele vem com um carregador de 25W na caixa. Nas lojas da internet em março, o acessóriu Vale lembrar que, para vídeos, ambos permitem filmar com o horizonte fixo, que é um truque interessante com os sensores do smartphone. Como o celular consegue filmar e manter o horizonte estável? Conclusão Os dois celulares com sistema Android são bastante completos, com design interessante, telas grandes e câmeras excelentes. Seu grande ponto negativo é o preço, ainda muito alto. A escolha entre eles depende do que o usuário prioriza: O design, a bateria inovadora e o carregamento rápido do Moto Signature; Ou o desempenho gráfico, a maior autonomia e os recursos de privacidade da tela do Galaxy S26 Ultra. Como foram feitos os testes Para os testes de desempenho, foram utilizados três aplicativos: PC Mark e 3D Mark, da UL Laboratories, e o GeekBench 6, da Primate Labs. Eles simulam tarefas cotidianas dos smartphones, como processamento de imagens, edição de textos, duração de bateria e navegação na web, entre outros. Esses testes rodam em várias plataformas – como Android, iOS, Windows e MacOS – e permitem comparar o desempenho entre elas, criando um padrão para essa comparação. Para os testes de bateria, as telas dos smartphones foram calibradas para 70% de brilho. A bateria foi carregada a 100% e o teste rodou por horas até atingir 20% de carga, quando é interrompido e mostra a duração estimada em horas/minutos. Os produtos foram cedidos para o teste e serão devolvidos. Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Como funciona o robô humanoide projetado para identificar alvos e usar armas em guerras


Conheça o robô humanoide projetado para usar armas em guerras Uma empresa americana está construindo um robô humanoide para fins militares. O objetivo é que ele consiga lidar de forma autônoma com logística, navegação e até mesmo identificação de alvos em um conflito. Batizado de Phantom-01, ele foi criado pela Foundation Future Industries, uma empresa de São Francisco, nos Estados Unidos, que o classifica como o seu primeiro robô humanoide voltado ao mercado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O robô tem 1,80 m de altura e pesa 80 kg. Segundo a fabricante, ele foi projetado para transportar cargas de até 40 kg e andar com velocidade de até 6,1 km/h, mais rápido do que a maioria dos humanos. No momento, o Phantom-01está sendo treinado para fins não letais, como a movimentação de materiais e execução de tarefas em fábricas. Mas o uso militar é o objetivo da fabricante a longo prazo, adiantou à Reuters Sankaet Pathak, criador da Foundation Future Industries. "Nosso objetivo é construir robôs totalmente autônomos. É definitivamente um processo, então leva tempo para chegarmos lá", afirmou. "Eventualmente, sim, queremos que os robôs também sejam capazes de identificar alvos e, então, usar armas", disse Pathak. "Não vemos um cenário em que eles dispensem a supervisão humana". Phantom-01, robô desenvolvido pela americana Foundation Future Industries Reuters Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres em meio a recorde de feminicídios Youtuber diz não ter R$ 70 mil para pagar condenação por ridicularizar bebê e pede a juiz: 'Por favor, reconsidere' O executivo comparou o robô com drones de guerra que podem se mover e identificar alvos por conta própria, mas dependem da ação humana para realizar ataques. "É necessário um comando humano antes de executar qualquer operação que envolva o uso de armas", explicou Pathak. "Mas até esse momento, que inclui muitas tarefas de pegar, colocar e mover objetos, necessárias em logística, manufatura e gerenciamento de suprimentos em cenários de guerra ou defesa, é importante serem realizadas de forma autônoma". Ainda segundo o executivo, o Phantom-01 foi projetado para operar com um computador integrado, em vez de depender da comunicação com uma rede externa. Desse jeito, a empresa espera fazer o robô ficar menos exposto a ataques cibernéticos. A segunda geração do robô deverá ser revelada em abril pela Foundation Future Industries. A empresa disse que a nova versão é mais fácil de ser fabricada em larga escala e que espera vender milhares de unidades ainda este ano. No mercado de robôs humanoides, o Phantom-01 enfrenta a concorrência do Optimus, da Tesla, Digit, da Agility Robotics, e Apollo, da Apptronik, por exemplo. Phantom-01, robô desenvolvido pela americana Foundation Future Industries Reuters/Aleksandra Michalska

O que muda na sua vida e na de seus filhos com o ECA Digital — e o que ainda não se sabe


Decreto do ECA Digital, também conhecido como Lei Felca, foi assinado nesta quarta-feira Bruno Peres/Agência Brasil O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quarta-feira (18/3) o decreto que regulamenta o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital. A nova legislação, em vigor desde a terça-feira (17/3), estabelece diretrizes para proteger o público infanto-juvenil nos meios digitais, e é vista por especialistas como um marco na proteção das crianças e adolescentes no mundo virtual. "É uma conquista política e civilizatória, que reuniu um mínimo de consenso em torno da pauta de proteção da criança e do adolescente no meio digital", afirmou Renato Godoy, gerente de Relações Governamentais do Instituto Alana, ONG que advoga pelos direitos das crianças e adolescentes. O ECA Digital — que não substitui o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990 — foi aprovado depois que o influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca, publicou um vídeo, em agosto do ano passado, denunciando perfis em redes sociais que usavam crianças e adolescentes para promover a sexualização desse público. O vídeo de 50 minutos ultrapassou 35 milhões de visualizações no YouTube em uma semana no ar, furou bolhas nas redes sociais e ampliou o debate sobre a segurança de crianças e adolescentes na internet. A denúncia de Felca levou à prisão o influenciador Hytalo Santos e seu marido, Israel Vicente, condenados por exploração sexual de adolescentes, e acelerou o andamento de um projeto de lei de 2022 que estava parado na Câmara desde 2024. "Da publicação do vídeo do Felca à aprovação nas duas Casas [Câmara e Senado] foram 15 dias", diz Godoy. Esta é a primeira lei brasileira a propor regras e punições aplicáveis às plataformas digitais, e, segundo Godoy, a primeira em toda a América Latina. Ao entrar em vigor, o ECA Digital impõe, dentre outras coisas, exigências para que plataformas, jogos e aplicativos possam operar, como a proibição da coleta de dados de crianças e adolescentes para fins comerciais e a obrigatoriedade das empresas de removerem conteúdos que violem os direitos desse público. Outra inovação será o fim da autodeclaração de idade: para entrar em plataformas, sites ou redes sociais que disponibilizam conteúdo considerado impróprio, inadequado ou proibido para menores de 18 anos, será necessário um mecanismo efetivo de comprovação de idade — o método específico de confirmação ainda não está definido e deverá fazer parte da fase de regulamentação da legislação. As regulamentações específicas de cada ponto da lei ficarão a cargo da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que ganhou status de agência reguladora em fevereiro. Nesta quarta, Lula também assinou decreto que instala a ANPD e aprova sua estrutura regimental, e outro que cria o Centro Nacional de Proteção da Criança e do Adolescente, que funcionará dentro da Polícia Federal (PF) para sistematizar denúncias. A ANPD, por sua vez, deve publicar um cronograma para determinar as regulamentações e diretrizes de cada ponto. Por isso, embora a lei esteja em vigor desde a terça, as mudanças vão acontecer aos poucos. "É um avanço muito grande, mas ainda precisa de regulamentação para a operacionalização", aponta Luana Esteche, doutora em Direito Constitucional, que fez sua tese sobre o ECA Digital. Por isso, muitas lacunas ainda existem sobre o decreto. Detalhamos a seguir os principais trechos apontados pelos especialistas ouvidos pela BBC News Brasil. 1. Contas vinculadas aos responsáveis As redes sociais e demais plataformas deverão garantir que contas de crianças e adolescentes menores de 16 anos devem estar vinculadas a um responsável legal. Não se sabe exatamente como será esse vínculo, se por meio de um aplicativo ou uma conta oficial, como a do Gov.br. Mesmo após a vinculação, caso os serviços de determinada plataforma sejam impróprios ou inadequados para crianças e adolescentes, ela deverá adotar medidas adequadas para informar, "de maneira clara e acessível" que seus serviços não são apropriados. A lei prevê ainda que as plataformas devem suspender eventuais contas operadas por crianças ou adolescentes em desconformidade com os requisitos de idade mínima previstos. 2. Fim da autodeclaração de idade As plataformas que disponibilizam conteúdo considerado impróprio, inadequado ou proibido para menores de 18 anos deverão adotar medidas eficazes para impedir o seu acesso por crianças e adolescentes no âmbito de seus serviços e produtos. São considerados proibidos para menores de 18 anos: Armas, munições e explosivos; Bebidas alcoólicas, cigarros e cigarros eletrônicos; Produtos que possam causar dependência física ou psíquica; Fogos de artifício e de estampido com potencial de causar dano físico; Jogos de azar, apostas, loterias e similares; e caixas de recompensa em jogos eletrônicos; Conteúdos pornográficos, serviços de acompanhantes e plataformas ou aplicativos cuja função principal seja marcar encontros ou iniciar relacionamentos de cunho sexual. A nova legislação veda a autodeclaração, prevendo que sejam adotados "mecanismos confiáveis" para a verificação da idade. "A verificação etária muito provavelmente deve ser objeto de uma nova regulamentação da ANPD para que sejam criadas ferramentas de verificação etária confiáveis", explica Godoy. Conteúdos impróprios, segundo a lei, são qualquer conteúdo que contenha material pornográfico, "ou quaisquer outros vedados pela legislação vigente". Assim, os provedores de aplicações de internet que disponibilizarem conteúdo pornográfico deverão impedir a criação de contas ou de perfis por crianças e adolescentes. Lula assina decretos que regulamentam ECA Digital 3. Vedado o uso de dados para publicidade O ECA Digital veda a coleta de dados e análise comportamental de crianças e adolescentes nos meios digitais para fins comerciais. Também proíbe a monetização e o impulsionamento de conteúdos que retratem crianças e adolescentes de forma erotizada ou sexualmente sugestiva ou em contexto próprio do universo sexual adulto. 4. Remoção de conteúdos que violem os direitos As empresas serão obrigadas a remover conteúdo de aparente abuso ou exploração sexual, detectados em seus produtos ou serviços, e deverão comunicar às autoridades nacionais e internacionais. Godoy lembra que esse é um ponto que não carece de "provocação", ou seja, não é necessário que haja uma denúncia, como a de Felca, para que a empresa remova o conteúdo. Até então, as plataformas digitais não tinham obrigação legal de reportar diretamente às autoridades policiais brasileiras crimes cometidos em seus serviços. Em muitos casos, as investigações têm início a partir de cooperação internacional entre forças policiais. A Polícia Federal (PF) será o órgão responsável por sistematizar as denúncias recebidas e encaminhá-las às autoridades policiais competentes para a investigação. 5. Acesso provável Todas as previsões do ECA Digital valem não só para as plataformas e serviços voltados às crianças e adolescentes, como também aqueles cujo "acesso é provável" por esse público. Isso significa que qualquer serviço ou conteúdo que possa ter o acesso de crianças e adolescentes deve responder a essa lei. A nova lei engloba não só conteúdos e produtos voltados ao público infanto-juvenil, como também tudo aquilo a que eles podem ter acesso Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil 6. Relatórios periódicos Os provedores de serviços digitais com mais de um milhão de usuários menores de 18 anos de idade deverão elaborar relatórios semestrais de transparência para a sociedade. 7. Representante legal no Brasil A legislação prevê que toda empresa de serviços digitais que opere no Brasil terá que manter representante legal no país para receber citações, intimações ou notificações das autoridades. 8. Caixas de recompensa O ECA digital não proibiu o acesso a jogos eletrônicos para crianças e adolescentes. A única vedação expressa sobre isso foi à funcionalidade dos chamados loot boxes, ou "caixas de recompensa" para esse público. A "caixa de recompensa" é uma funcionalidade pela qual o jogador adquire, mediante pagamento, itens ou vantagens aleatórias sem conhecimento prévio do conteúdo. Na nova legislação, essa funcionalidade é considerada nociva ao desenvolvimento das crianças e adolescentes, pois suas características são equiparadas à dos jogos de azar e apostas. LEIA TAMBÉM: Lula assina decretos que regulamentam ECA Digital; veja principais pontos Dois sistemas operacionais anunciam saída do Brasil e 'culpam' ECA Digital; entenda o que está em jogo ECA Digital, Estatuto da Criança e do Adolescente que cria novas regras para o acesso de menores à internet, entra em vigor

Radares já conseguem medir seus batimentos cardíacos à distância, e a ciência debate como usar isso sem invadir sua privacidade


Radar usado em laboratório para captar sinais vitais à distância, como batimentos cardíacos. Pesquisadores desenvolveram o sistema MetaHeart, que consegue enganar o sensor ao refletir um padrão de batimento cardíaco fabricado. Rice University Por décadas, medir os batimentos cardíacos de alguém exigiu contato físico: um eletrodo, um oxímetro, uma pulseira colada ao pulso. Hoje, sensores de rádio já conseguem fazer isso à distância, sem fio, sem que a pessoa precise vestir qualquer aparelho. Nos últimos anos, esse tipo de tecnologia vem avançando num ritmo acelerado e já mostra resultados clínicos expressivos, desde detectar apneia do sono e acompanhar pacientes cardíacos em casa até monitorar bebês prematuros sem eletrodos na pele e identificar sinais precoces de sofrimento psicológico em trabalhadores. Mas à medida que esses sensores ficam menores, mais baratos e mais precisos (e passam a ser embutidos em laptops, roteadores e dispositivos domésticos), uma pergunta vem se tornando inevitável para especialistas: quem controla os dados que eles captam? Essa questão tem mobilizado pesquisadores de várias áreas. Enquanto alguns desenvolvem formas cada vez mais sofisticadas de monitorar sinais do corpo à distância, outros tentam criar mecanismos para impedir que essas informações sejam capturadas sem o conhecimento ou o consentimento Mas como essa tecnologia funciona — e por que ela preocupa especialistas em privacidade? Enteda mais abaixo: O que um radar consegue ver no seu corpo Os sensores no centro desse debate funcionam como um morcego: emitem ondas de rádio e analisam como elas retornam após bater em superfícies e objetos. A grande diferença aqui, contudo, é que eles são muito mais precisos que os mamíferos voadores. O coração faz o tórax vibrar a cada batimento, e essa vibração microscópica fica registrada no sinal que volta ao sensor. Grosso modo, computadores conseguem extrair esse padrão do ruído de fundo e estimar a frequência cardíaca de uma pessoa, mesmo que ela esteja sentada normalmente, com roupas comuns, a vários metros de distância. LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo E os resultados já alcançados com isso são expressivos. Estudos recentes mostram que sensores de radar comerciais conseguem estimar a frequência cardíaca com erro médio de cerca de 5 a 6 batimentos por minuto em relação a faixas de referência, inclusive dentro de carros em movimento, com leituras de apenas cinco segundos. É uma precisão inferior à de equipamentos médicos de contato, mas suficiente para monitoramento contínuo em situações do dia a dia. Para o sono, revisões recentes indicam que wearables e sensores com inteligência artificial conseguem detectar episódios de apneia com acurácia entre 80% e 90%, em janelas de análise de pelo menos alguns segundos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Além de contar batimentos, esses sensores conseguem captar algo mais revelador: a variação no intervalo entre um batimento e outro, um índice chamado de HRV, sigla em inglês para variabilidade da frequência cardíaca. Esse dado é um espelho do sistema nervoso autônomo, a parte do sistema nervoso que regula funções involuntárias como ritmo cardíaco e resposta ao estresse. Quando uma pessoa está sob pressão intensa ou com fadiga acumulada, o coração perde parte da sua capacidade natural de variar esse intervalo, e essa queda é mensurável. Em outras palavras: o coração revela, mesmo sem permissão, muito sobre o estado interno de quem o carrega. Paralelamente, outra tecnologia já avança bastante pelo mesmo caminho usando câmeras comuns. O princípio é simples: a cada batimento cardíaco, a pele muda sutilmente de cor porque o sangue pulsa pelos vasos próximos à superfície. Câmeras convencionais conseguem captar essa variação e, a partir daí, extrair a frequência cardíaca, respiração e outros sinais, apenas analisando o vídeo do rosto de uma pessoa, sem nenhum contato físico. A técnica já tem aplicações em consultas médicas remotas, mas levanta um problema imediato: qualquer câmera, em princípio, pode virar um sensor cardíaco sem que o alvo perceba. Sensores de rádio e até câmeras comuns já conseguem medir batimentos cardíacos à distância, sem contato físico. Mas quem controla esses dados biométricos? Pexels As promessas médicas O fato é que a maior parte da pesquisa nessa área tem motivação claramente médica, e os resultados são genuinamente promissores. Uma revisão publicada em 2022 reuniu as aplicações clínicas já demonstradas: acompanhamento de pacientes cardíacos e respiratórios em casa, diagnóstico de apneia do sono, prevenção de morte súbita em berços de prematuros, monitoramento de queimados sem encostar na pele lesionada, e até detecção de sinais vitais sob escombros em resgates após desastres. O instituto alemão Fraunhofer IDMT tem um projeto voltado especificamente a isso: começou com detecção de respiração durante o sono e foi expandido para outros sinais vitais, com foco em apneia, doenças pulmonares crônicas e quedas de idosos. A lógica é direta, um sensor no quarto pode acompanhar a saúde de um idoso continuamente, sem que ele precise vestir nada ou lembrar de carregar um aparelho. Na saúde mental, a conexão entre esses sensores e o sofrimento psicológico também começa a ganhar evidências. Um estudo de 2024 testou esse tipo de sensor em cadeiras de escritório com 30 voluntários, medindo a variação dos batimentos em sessões de cinco minutos duas vezes ao dia. Os resultados se alinharam bem aos de um eletrocardiograma convencional, e o sistema conseguiu identificar pessoas com alto sofrimento psicológico com boa precisão, sugerindo uso como ferramenta de triagem precoce. Um trabalho anterior, de 2019, mostrou que sensores semelhantes conseguem classificar estados mentais, incluindo fadiga cognitiva, com cerca de 82% de acurácia. E se os sensores à distância conseguem medir a variação dos batimentos com boa fidelidade (o que as pesquisas recentes indicam), eles se tornam candidatos naturais para detectar precocemente sinais de estresse crônico e fadiga acumulada, antes mesmo que a pessoa perceba o que está acontecendo com seu próprio corpo. O mesmo sensor, dois usos É exatamente aí que o debate se complica. A tecnologia que permite acompanhar a respiração de um idoso durante a noite é a mesma que poderia permitir a um empregador monitorar os batimentos cardíacos de funcionários durante o expediente, inferindo níveis de estresse e fadiga sem que eles soubessem ou concordassem. Pesquisadores da Universidade Rice, nos Estados Unidos, publicaram em fevereiro um estudo que torna essa ameaça concreta. O grupo demonstrou que sensores do tipo já presente em laptops e smartphones modernos conseguem medir batimentos cardíacos à distância com precisão suficiente para inferir presença, fadiga e estados fisiológicos de uma pessoa sentada em frente ao computador. "A razão principal pela qual esse tipo de sensoriamento tende a se tornar um método de vigilância prevalente no futuro é exatamente a falta de regulamentação governamental sobre ele", disse ao g1 a pesquisadora Dora Zivanovic, responsável pelo estudo. "Isso decorre precisamente do fato de as pessoas não associarem esses sensores ao monitoramento biométrico [a coleta de dados do corpo]". Zhambyl Shaikhanov, professor da Universidade de Maryland especializado em sistemas sem fio de próxima geração, aponta uma outra vantagem desses sensores que os torna especialmente difíceis de detectar ou evitar. "Radares de ondas milimétricas podem penetrar certos tipos de obstruções, como tecido ou roupa, e capturar sinais fisiológicos sutis sem exigir contato visual direto", explicou Shaikhanov ao g1, que não teve relação com o estudo da Universidade Rice. "Isso torna o radar uma tecnologia complementar poderosa para sensoriamento em ambientes onde câmeras podem ser ineficazes." A pesquisadora Dora Zivanovic, da Rice University, testa em laboratório o sistema MetaHeart. Rice University LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Diferente de câmeras, que já geram um debate público razoavelmente maduro sobre vigilância, esses sensores são completamente invisíveis na prática cotidiana. Não há como saber, por exemplo, ao entrar num ambiente, se há um deles capturando sinais do seu corpo. E, ao contrário de senhas ou outros dados digitais, informações cardíacas não podem ser trocadas se vazadas ou mal utilizadas. No mundo corporativo, empresas já coletam dados biométricos de funcionários por meio de smartwatches em programas de bem-estar. Especialistas em regulação alertam que esse dado, uma vez coletado, pode ser reutilizado para decisões sobre desempenho ou demissões, muitas vezes em zonas cinzentas da legislação, onde não há proibição expressa, mas também não há transparência sobre o que está sendo medido. Como proteger o que o sensor não deveria ver Diante desse cenário, uma linha de pesquisa emergente vem buscando criar formas de proteger os sinais do corpo antes que sejam capturados. O sistema desenvolvido pela equipe da Rice, chamado de MetaHeart, é uma das primeiras propostas nessa direção. O dispositivo usa um painel especial — uma metassuperfície capaz de manipular ondas eletromagnéticas de formas que materiais comuns não conseguem — posicionado entre a pessoa e o sensor. Assim, em vez de bloquear o sinal, o que poderia ser detectado, ele o substitui: troca o eco real dos batimentos por um padrão cardíaco fabricado na hora. "Enganamos o radar no nível do próprio sinal eletromagnético", disse Zivanovic. "Você pode programar o dispositivo com qualquer padrão de batimento cardíaco que quiser." Em laboratório, o sistema conseguiu falsificar as leituras com precisão acima de 98%. Para que esse tipo de proteção se torne viável fora do laboratório, porém, há obstáculos consideráveis a superar. Shaikhanov, que pesquisa justamente sistemas baseados em metassuperfícies, aponta dois desafios centrais. O primeiro é que a pessoa precisaria saber a frequência exata do radar que está tentando enganar, informação que raramente está disponível. O segundo é de escala: "O dispositivo precisaria cobrir uma porção suficientemente grande da área do corpo de onde os sinais biométricos se originam. As demonstrações atuais são protótipos pequenos, de escala laboratorial. Para implantação prática e ampla, a tecnologia precisaria ser dimensionada significativamente em tamanho e capacidade de fabricação, permanecendo leve, de baixo custo e vestível." Por décadas, medir os batimentos cardíacos exigia contato direto com o corpo, com sensores e eletrodos colados à pele. Pexels O que diz o direito brasileiro No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados — a LGPD — classifica dados biométricos como dados pessoais sensíveis, categoria que exige um tipo de proteção reforçada. Mas quando o sensor não coleta uma impressão digital ou uma imagem do rosto, e sim uma frequência cardíaca ou um padrão de respiração, o enquadramento jurídico fica menos evidente. "A LGPD não categoriza de forma exaustiva o que sejam sinais fisiológicos, razão pela qual o enquadramento depende do contexto técnico e do uso que se fará dessas informações", explica Eduardo Telles, sócio do Tauil & Chequer Advogados associado a Mayer Brown. Segundo ele, a análise parte de dois eixos: a possibilidade de vincular os dados a uma pessoa identificável e as inferências que o tratamento possibilita. "Quando medições como frequência cardíaca ou microexpressões faciais permitem inferências sobre saúde, como inferir obesidade ou risco cardíaco do usuário, tende a justificar-se proteção mais rigorosa", diz. A coleta silenciosa, característica central dos sensores discutidos nessa área, é o ponto de maior risco jurídico imediato. "A falta de transparência pode gerar riscos jurídicos relevantes e sanções regulatórias", alerta Ana Letícia Allevato, associada do mesmo escritório. Ela explica que, antes de qualquer implantação desse tipo de tecnologia, organizações deveriam elaborar um Relatório de Impacto à Proteção de Dados, documento que mapeia riscos, avalia alternativas menos invasivas e documenta a necessidade e a proporcionalidade do que está sendo coletado. Allevato também chama atenção para o chamado desvio silencioso de finalidade: quando dados coletados para um propósito — saúde ou segurança, por exemplo — migram para usos comerciais não autorizados. Aliado a isso, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados — a ANPD — tem sinalizado que quer endurecer as regras nessa área. Em 2025, chegou a suspender um programa que oferecia recompensas financeiras a quem cedesse a leitura da íris para empresas de tecnologia. E já anunciou que a biometria será uma das prioridades regulatórias nos próximos anos. Na Europa, o caminho já está mais avançado: uma lei de inteligência artificial aprovada pela União Europeia passou a proibir, em 2025, o uso de qualquer tecnologia que tente inferir o estado emocional de trabalhadores a partir de dados do corpo, seja por câmera, smartwatch ou radar. Para Shaikhanov, o desafio maior dos próximos anos será garantir que a evolução dessas tecnologias venha acompanhada de proteções equivalentes. "Sistemas avançados de sensoriamento são cada vez mais capazes de extrair informações sensíveis sem o conhecimento ou o consentimento de uma pessoa", diz. "Isso levanta questões importantes sobre como essas tecnologias devem ser projetadas, regulamentadas e implantadas." Em busca de vida alienígena, Nasa dá passo decisivo para mergulhar no oceano congelado da lua de Júpiter Nova espécie de dinossauro gigante é descoberta no Brasil e tem ligação com fóssil da Espanha Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'

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