quarta-feira, 22 de abril de 2026

VÍDEO: influencer usa inteligência artificial para manipular imagens e sexualizar jovens evangélicas em igrejas; polícia de SP investiga


Influencer usa IA para sexualizar jovens evangélicas em igrejas; entenda A Polícia Civil de São Paulo investiga um influenciador digital acusado de usar inteligência artificial (IA) para manipular fotos de jovens evangélicas e inseri-las, sem autorização, em vídeos com conteúdo sexualizado dentro de igrejas da Congregação Cristã do Brasil (CCB). O g1 conversou com uma das vítimas (veja acima). Humorista, imitador de Silvio Santos e borracheiro, Jefferson de Souza, de 37 anos, é suspeito de divulgar nas redes sociais imagens de cunho sexual envolvendo mulheres e adolescentes alteradas pela técnica conhecida como deepfake. Em depoimento à polícia, ele negou a acusação (saiba mais abaixo). O que é deepfake e como ele é usado para distorcer realidade 🔎Deepfake é uma técnica que usa inteligência artificial para criar ou alterar fotos, vídeos ou áudios de forma realista, fazendo parecer que uma pessoa fez ou disse algo que nunca aconteceu. As publicações foram feitas no YouTube, onde o influenciador mantém o canal "Humor do Crente", com mais de 11 mil inscritos, além de perfis no Instagram, no Facebook e no TikTok, onde se apresenta como "Silvio Souza", numa alusão ao apresentador Silvio Santos, e reúne aproximadamente 37 mil seguidores. O inquérito foi aberto em fevereiro após uma estudante de 16 anos e seus pais procurarem a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Mateus, Zona Leste da capital paulista, para denunciar o influencer. Eles acusam Jefferson de ter alterado e erotizado a imagem da adolescente. Adolescente que tirou foto na CCB teve foto manipulada por IA para aparecer sensualizando em vídeo ao lado de outros mulheres Reprodução/Redes sociais A foto dela foi feita em 2025, em frente ao altar da CCB do Brás, no Centro de São Paulo. Na época, a jovem tinha 15 anos e usava vestido abaixo dos joelhos e salto alto — vestimenta comum nos cultos. No vídeo criado pelo influencer, além da estudante, foram inseridas outras três jovens — que ela não conhece e tampouco há confirmação de que sejam reais. As quatro aparecem com os braços erguidos e as bocas abertas. Duas delas usam minissaias, tipo de roupa que não costuma aparecer nas igrejas da CCB. “Eu vi os vídeos”, diz a jovem ao g1. “Ele pegou a minha foto sem autorização e fez uma montagem com inteligência artificial, com as mulheres sensualizando na frente e [comigo] junto a elas.” Nem a identidade nem o rosto das vítimas serão divulgados nesta reportagem. O g1 procurou Jefferson, mas ele não enviou resposta até a última atualização desta reportagem. Em um vídeo nas redes sociais, ele pediu desculpas. "Eu quero pedir desculpa, pedir perdão publicamente pelos vídeos que eu andei postando", diz o influencer. "Eu confesso que errei na minha forma de falar." (leia mais abaixo). Expôs adolescentes e mulheres, diz delegada Delegada Juliana Raite Menezes, da 8ª DDM de SP Kleber Tomaz/g1 Inicialmente, o caso foi registrado como simulação de cena de sexo ou pornografia com menor de 18 anos por meio digital, conforme o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pena prevista é de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa. Com o trabalho da polícia para identificar outras vítimas, adolescentes e adultas, Jefferson também passou a ser investigado por suspeita de difamação. “A gente está investigando esse caso de deepfake. Houve uma simulação dessas imagens dessas meninas, algumas delas adolescentes”, afirma ao g1 a delegada Juliana Raite Menezes, da 8ª DDM. A polícia analisa diversos vídeos postados pelo influencer. Geralmente ele usa como música os vídeos o hino da Congregação Cristã do Brasil. A delegada pede que outras possíveis vítimas procurem a DDM. Mais vítimas Jovem evangélica teve imagem manipulada por deep fake. Influencer usou IA para colocar mulher com roupa curta e Silvio Santos ao lado dela Reprodução/Redes sociais Outra jovem relatou à ao g1 ter sido alvo do mesmo tipo de montagem. No caso dela, o influencer usou uma foto em que ela aparece de blusa de mangas compridas e saia longa, apoiada no banco da igreja, e criou um novo vídeo. Nele, inseriu imagens de uma outra jovem com minissaia, além de Silvio Santos, vestido com o tradicional terno com microfone. Jefferson aparece comentando e criticando as roupas usadas pelas jovens. Em algumas gravações, ele veste uma camiseta com o símbolo do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), fazendo uma paródia com as letras da emissora ao se definir como: "Sou Borracheiro, Trabalhador". O influenciador também já inseriu imagens do apresentador Ratinho. Ele afirma ainda ser membro da Congregação Cristã do Brasil e faz comentários depreciativos sobre mulheres que usam véu branco, tradicional na igreja. “Já fiz várias denúncias contra essa conta [do influencer]”, diz a vítima, confirmando que também acionou as autoridades. “Já entrei com um processo com todos que estão usando minha imagem.” 'Não queria ter sido exposta', diz adolescente Garota de 16 anos foi vítima de deep fake em São Paulo Fabio Tito/g1 A estudante de 16 anos afirma que tenta superar o trauma após ter sua imagem manipulada sem consentimento. “Eu sou muito envergonhada, então não queria ter sido exposta. Eu tomo cuidado e também fico com medo disso afetar meu convívio social", afirma. Ela conta que a foto foi feita apenas como registro de um momento de fé. “Hoje em dia é bem comum tirar foto de si próprio ou tirar foto mesmo da igreja para falar que foi ao culto”, diz a garota. “Eu não tirei mais nenhuma [fotografia]. Eu não tirei mais de mim. Não tem mais nenhuma e também me gerou preocupação.” Os pais dela também relatam o impacto emocional. “Do mesmo jeito que eu senti que fui ferida por mexer com a minha filha, eu também senti isso com as outras meninas”, lamenta a mãe. “Tira o sono.” “Havia uma quantidade enorme de vítimas. Não só a minha filha”, diz o pai. “[Ele usou de] manipulação [de foto] com [vídeo de] conotação sexual que se agrava ainda mais com menores de idade... Isso tem que cessar.” A família entrou com ação na Justiça pedindo indenização por dano moral. “A apuração desse crime, bem como o processo de danos morais, é muito importante para que tenha um caráter educativo”, afirma o advogado William Valvasori. O que especialistas dizem Diretora e pesquisadora da Safernet, Juliana Cunha e Sofia Schurig, comentam casos de deepfake Kleber Tomaz/g1 Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o uso de IA não reduz a responsabilidade de quem cria ou divulga esse tipo de material. “Em casos como o do vídeo em questão [de deepfake com as evangélicas], quem o produziu com a ajuda de IA é legalmente responsável pelo conteúdo que produziu, assim como as pessoas que curtem e compartilham, ajudando a disseminá-lo”, disse a advogada Nuria López. Para a professora Laura Hauser, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o foco não deve ser o comportamento das vítimas. “Não é a vítima que tem que se cuidar. O predador que deve ser intimado a melhorar.” Segundo ela, os vídeos misturam imagens das vítimas com cenas de mulheres com pouca roupa e conotação sexual, com o objetivo de difamar. “Não dá para o investigado dizer que não tinha a intenção de ofender se as ofensas forem claras.” Polícia de SP tenta identificar e localizar mais vítimas de deepfake Reprodução/Redes sociais Sofia Schurig, pesquisadora na SaferNet Brasil _ ONG que atua na defesa dos direitos humanos na internet, recebendo denúncias e propondo políticas públicas no meio digital _ explica a origem do termo. "Deepfake é uma palavra que surge em 2017, a partir de um usuário do Reddit [plataforma onde usuários compartilham conteúdos] que começou a publicar montagens com IA generativa [que cria imagens, vídeos e músicas] de celebridades em cenas e com textos de nudez. Ele publicou uma muito famosa da Gal Gadot, a atriz norte-americana que viralizou", explica Sofia. SP registra 4 casos de deepfakes sexuais em escolas, aponta levantamento da SaferNet Para Juliana Cunha, diretora da SaferNet, casos como este tendem a crescer com o avanço da tecnologia. “É muito importante que vítimas dessa violência não se sintam culpadas”, disse Juliana. E emendou: “Sem dados, a gente não consegue influenciar mudanças de políticas públicas e de legislação.” A organização conduz, há pouco mais de um ano, uma pesquisa sobre o uso ilegal de IA para gerar imagens de nudez e sexo envolvendo adolescentes e mulheres. Jovem evangélica, de roupa preta, teve foto manipulada por IA para aparecer dançando num vídeo ao lado de uma para aparecer dançando num vídeo ao lado de mulher com minissaia inserida por IA. Influenciador digital Jefferson Souza (à esquerda) é investigado pela polícia Reprodução/Redes sociais "A internet não é uma terra sem lei. As leis que nos protegem no mundo real também se aplicam no ambiente virtual”, afirma a delegada Juliana. O inquérito, que começou na 8ª DDM da capital, foi encaminhado pela 1ª Vara de Crimes Praticados contra Crianças e Adolescentes de São Paulo à 2ª Vara da Comarca de Lençóis Paulista, no interior do estado, onde o investigado mora. O pedido foi feito pelo Ministério Público (MP). O que diz o influencer O g1 procurou Jefferson, mas ele não se pronunciou. Em um vídeo publicado no TikTok, o influencer comenta o comportamento de jovens na igreja e explica como produz os conteúdos. Moça com vestido branco teve a foto manipulada por IA por influencer. Imagem dela aparece dançando em vídeo entre duas mulheres com roupas curtas Reprodução/Redes sociais "E a menina começa até fazer pose ali, né? Como se fosse tirar uma selfie ou fazer um vídeo. Você pode ver que a maioria das irmãzinhas que vai tirar foto... é dentro da igreja, elas tiram de costa", fala. ""Algumas mostram o rosto, mas mostrando a outras partes também. E hoje em dia as roupas que as irmã usam são roupas que marcam o corpo", critica Jefferson. "Eu acho assim, não tem nada a ver, tudo bem, cada um com a sua vida, mas eu não acho certo fazer filmagem dentro da igreja." "No meu caso, eu posto os vídeos aqui quando eu comecei a fazer a brincadeira com a voz de Silvio Santos", explica o influencer na publicação. "Porque eu gravo os vídeos que eu falo da Congregação. Que eu coloco a imagem da CCB aqui atrás, que eu canto, que eu brinco. Aí eu tenho um canal (...) . Pego a foto, as irmãs postando foto de costa, aí eu jogo na IA, a IA faz dançar." "E eu faço isso. E eles falam que eu estou manchando a obra de Deus, que eu estou colocando mulheres seminuas. Mas não é, pessoal. Tem algumas que eu coloquei lá, mas é uma forma de chamar atenção para poder ganhar seguidores", continua Jefferson. Jefferson Souza usou IA para introduzir Ratinho num vídeo a partir da foto de uma fiel em frente a CCB. Também é acusado de manipular fotos de outras evangélicas as fazendo dançar sensualmente dentro das igrejas Reprodução/Redes sociais Em depoimento à polícia, por carta precatória, o influencer admitiu usar fotos de jovens evangélicas da Congregação Cristã do Brasil e ferramentas do TikTok para animar e manipular as imagens, transformando-as em vídeos. Sobre a adolescente de 16 anos que o denunciou na delegacia, afirmou desconhecer que se tratava de uma adolescente e disse que, "em razão do porte físico", acreditou que fosse "uma pessoa adulta". Também declarou que "negou ter vinculado a imagem da adolescente a fotografias de mulheres com pouca vestimenta ou a qualquer conteúdo sexualizado ou pornográfico". Ele confirmou ser responsável pelos perfis nas redes sociais e disse que produz “conteúdo humorístico”, com imitações e críticas relacionadas à igreja da qual é fiel. Segundo Jefferson, "a crítica associada à postagem representava sua opinião pessoal de que determinadas fotografias não seriam adequadas dentro da doutrina da igreja". Afirmou ainda que acreditava que o uso da imagem não causaria problemas por já estar disponível na internet e que "negou qualquer intenção ofensiva específica contra a adolescente ou contra outras pessoas fora do contexto religioso". Jefferson Souza gravou vídeo pedindo desculpas pelas críticas a CCB Reprodução/Arquivo pessoal Em outro vídeo postado no domingo de Páscoa, dia 5 de abril, Jefferson pediu "desculpas" aos "irmãos" da Congregação Cristã do Brasil pelos vídeos que postou com críticas à igreja. "Eu quero pedir desculpa, pedir perdão publicamente pelos vídeos que eu andei postando", diz o influencer. "Eu confesso que errei na minha forma de falar." Em nenhum momento ele menciona os deepfakes que fez com as adolescente e mulheres. "Eu peço perdão a todos que se sentiram ofendidos (...) Eu prometo ser mais cauteloso." O que dizem os citados Páginas de Jefferson Souza no YouTube e no TikTok nas quais critica a CCB e fez vídeos sensualizando fiéis a partir de IA Reprodução/Arquivo pessoal O SBT foi procurado pelo g1 para informar se Jefferson teve vínculo com a emissora e se adotará alguma medida pelo uso do logotipo na deepfake com as evangélicas da CCB, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem. Em nota, a Congregação Cristã do Brasil informou que não possui registro formal de membros e que apoia a adoção de medidas legais cabíveis por parte das autoridades a respeito das pessoas envolvidas. "Estamos de pleno acordo com as medidas cabíveis de justiça, que se fizerem necessárias, preservando a individualidade e, sobretudo, o respeito para com as pessoas", diz trecho do comunicado da CCB. As plataformas digitais também se manifestaram. O TikTok informou adotar tolerância zero para exploração sexual infantil e remover conteúdos desse tipo. O YouTube disse que retirou vídeos que violavam suas diretrizes. A Meta, responsável por Instagram e Facebook, não comentou. Algumas das postagens misóginas feitas por Jefferson contras as evangélicas foram retiradas recentemente por ele ou pelas empresas de tecnologia. G1 Explica: Deepfake

terça-feira, 21 de abril de 2026

Apple entra em 'nova era' com troca de comando após 15 anos


John Ternus assumirá o cargo de CEO da Apple em setembro Getty Images A empresa Apple anunciou John Ternus como seu novo CEO (diretor-executivo ou presidente-executivo). Ele substituirá Tim Cook, que deixará o cargo após 15 anos à frente da empresa de tecnologia avaliada em quase R$ 20 trilhões. Ternus, atual chefe de engenharia de hardware e funcionário da Apple há 25 anos, assumirá a função em 1º de setembro. Cook, por sua vez, passará a ocupar o cargo de presidente do conselho de administração da Apple. Cook está à frente da Apple desde 2011, quando o cofundador Steve Jobs (1955-2011) renunciou ao cargo por motivos de saúde, pouco antes de sua morte. Ele permanecerá como CEO por alguns meses a fim de conduzir a transição ao lado de Ternus. Após esse período, Cook "auxiliará em determinados aspectos da empresa, incluindo o relacionamento com formuladores de políticas públicas ao redor do mundo." A decisão de Cook de deixar o cargo de CEO ocorre após meses de especulação sobre quem seria o sucessor na Apple, que acaba de celebrar seu 50º aniversário. Cook descreveu o cargo como "o maior privilégio da minha vida". Durante a sua gestão, levou a empresa a se tornar uma das mais valiosas do mundo. Em 2018, a Apple se tornou a primeira empresa de capital aberto a atingir valor de mercado de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,6 trilhões, na cotação atual). Atualmente, vale US$ 4 trilhões (cerca de R$ 20 trilhões). Cook descreveu Ternus, o novo CEO, como um executivo "visionário", com "a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade e honra". "Ele é, sem qualquer dúvida, a pessoa certa para conduzir a Apple ao futuro", acrescentou Cook. Ternus surgiu como favorito para suceder Cook no ano passado, após a saída de outro executivo de longa data, Jeff Williams, que ocupava o cargo de diretor de operações. Ao longo de seus 25 anos na Apple, Ternus trabalhou em praticamente todos os principais produtos lançados pela companhia, incluindo todas as gerações do iPad, diversas gerações do iPhone e o lançamento dos AirPods e do Apple Watch. Ternus também supervisionou a transição dos computadores Mac de processadores da Intel para chips próprios da Apple, o Apple Silicon. Em comunicado divulgado na segunda-feira (20/4), Ternus se referiu a Cook como seu "mentor". "Estou cheio de otimismo sobre o que podemos alcançar nos próximos anos", disse ele. 'Diferenciação' A Apple foi fundada por Steve Jobs e Steve Wozniak, em uma garagem de São Francisco, no Estado americano da Califórnia, em 1976. Atualmente, cerca de 1 a cada 3 pessoas do planeta tem um produto da Apple. A escolha de um líder com origem em produtos e hardware pode permitir que a Apple responda a uma crítica recorrente ao período de gestão de Cook: a de que a empresa deixou de ser inovadora. Embora Cook tenha supervisionado um crescimento de quatro vezes no lucro anual da Apple, com uma expansão expressiva nos produtos vendidos ao redor do mundo, a linha de produtos da empresa permaneceu em grande medida estática. Dipanjan Chatterjee, analista-chefe da consultoria Forrester, nos EUA, elogiou a estabilidade financeira que Cook trouxe à Apple, mas observou que ele não havia dado à empresa um produto como o iPhone, algo que pudesse garantir a Ternus outros 20 anos de sucesso. Para Chatterjee, a Apple "continua estruturalmente dependente do telefone" enquanto "busca seu próximo motor de crescimento". A nomeação de Ternus indica que a empresa procura "diferenciação" em seus produtos, disse Chatterjee. Segundo o analista-chefe da Forrester, o novo líder "precisa resistir à tentação do incrementalismo que tem marcado a Apple recentemente e escapar da gravidade do iPhone". Ken Segall, que foi diretor criativo de Steve Jobs por mais de uma década, disse à BBC: "Não acho que Tim tenha jamais conseguido se livrar da imagem de executivo de operações." "Acho que quando as pessoas falam sobre a diferença entre Steve e Tim, era basicamente isso: Steve [Jobs], o visionário; Tim [Cook], o executivo de operações que assumiu o comando." Gil Luria, diretor-geral da gestora DA Davidson & Co, nos EUA, disse que ter alguém com tanto foco em hardware no comando agora demonstra que a Apple vai investir mais energia em novos produtos, como celulares dobráveis e dispositivos vestíveis (wearables, em inglês), como óculos de realidade virtual e realidade aumentada. A gigante de tecnologia também enfrentou críticas por ter sido lenta em aproveitar a demanda crescente por inteligência artificial (IA) e acabou integrando tecnologias do Google e da OpenAI aos seus sistemas operacionais. Após o anúncio de segunda-feira, Sam Altman, da OpenAI, publicou no X: "Tim Cook é uma lenda. Sou muito grato por tudo o que ele fez e sou muito grato à Apple." Tim Cook lidera a Apple desde 2011, quando assumiu o cargo após a saída do cofundador Steve Jobs Getty Images Cook não vinha de uma área de hardware (parte física dos dispositivos, como celulares e computadores) ou de desenvolvimento de produtos quando ingressou na Apple. Em vez disso, havia passado muitos anos como executivo de operações em empresas como IBM e Compaq. Era um executivo de tecnologia focado em operações, cadeia de suprimentos, logística e resultados de vendas, menos voltado à concepção e ao lançamento de novos produtos. Jobs era mais conhecido e celebrado nessas messas áreas. Um dos lançamentos mais relevantes durante a gestão de Cook foi o Apple Vision Pro, um headset (óculos de realidade virtual e aumentada) que não teve boa aceitação entre os consumidores. Ainda assim, sua habilidade como executivo operacional fará com que seja amplamente lembrado como um dos líderes empresariais mais bem-sucedidos. Timothy Hubbard, professor da University of Notre Dame Mendoza College of Business, nos EUA, afirmou que a era Cook transformou a Apple em uma empresa que é "a melhor em aperfeiçoar, escalar e defender um sistema extraordinariamente poderoso". "A questão agora é saber se essa mesma organização conseguirá migrar para um modelo mais exploratório, em que o sucesso depende de velocidade, tolerância à incerteza e maior disposição para experimentar", disse. A aparente relutância da Apple em mergulhar de cabeça em produtos e serviços de IA a distanciou de concorrentes como Google, Microsoft e Meta, que gastam centenas de bilhões de dólares por ano para avançar nessa área. Com um novo líder, a Apple pode estar sinalizando interesse estratégico em uma integração mais profunda da IA em seus dispositivos, disse Hubbard. "As mesmas qualidades que tornaram a Apple dominante, como disciplina, acabamento e controle, podem se tornar limitações se a próxima fase valorizar abertura e ciclos de desenvolvimento mais rápidos", afirmou Hubbard. "Essa inovação acelerada foi onde a Apple começou, e talvez seja para lá que a empresa precise voltar."

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Amazon anuncia investimento de até US$ 25 bilhões na empresa de IA Anthropic


Logo da Amazon, gigante da tecnologia. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo A Amazon afirmou nesta segunda-feira (20) que vai investir até US$ 25 bilhões na Anthropic, enquanto a startup de inteligência artificial se compromete a gastar mais de US$ 100 bilhões nos próximos 10 anos em tecnologias de nuvem da própria Amazon. O acordo aprofunda a relação entre as duas empresas em um momento em que a Anthropic busca ampliar sua capacidade para sustentar o desenvolvimento de seus modelos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Amazon, sediada em Seattle, vai investir US$ 5 bilhões imediatamente e outros US$ 20 bilhões no futuro, condicionados ao cumprimento de determinados marcos comerciais. O valor se soma aos US$ 8 bilhões já aplicados anteriormente pela companhia na startup. A Amazon tem enfrentado dificuldades para ganhar destaque com seus próprios modelos de IA, como o Nova, ao mesmo tempo em que mantém posição de liderança na oferta de infraestrutura essencial ao setor, como a computação em nuvem. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 A empresa informou que prevê cerca de US$ 200 bilhões em despesas de capital neste ano, majoritariamente voltadas ao desenvolvimento de inteligência artificial. A companhia também tem ampliado apostas em grandes startups do setor. O novo investimento na Anthropic, criadora do Claude, ocorre após o anúncio, no início do ano, de que a Amazon planejava investir até US$ 50 bilhões na OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT. Em comunicado, a Anthropic afirmou esperar alcançar cerca de 1 gigawatt de capacidade até o fim do ano com o uso dos chips Trainium2 e Trainium3 e que pretende expandir essa capacidade para até 5 gigawatts no longo prazo. O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou que o uso dos chips pela Anthropic “reflete o progresso que fizemos juntos em silício personalizado”. A Anthropic busca avançar na corrida da inteligência artificial com modelos voltados a programação e design, enquanto a Amazon tenta ampliar a adoção de seus próprios chips para treinamento e inferência de IA. As ações da Amazon subiram cerca de 2,7% no after-market.

Quem é John Ternus, sucessor de Tim Cook no comando da Apple


John Ternus assumirá como novo CEO da Apple Divulgação/Apple A Apple anunciou nesta segunda-feira (20) que Tim Cook deixará o comando da empresa e passará a atuar como presidente executivo do conselho de administração. O atual vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, John Ternus, assumirá como novo diretor-executivo (CEO) da companhia a partir de 1º de setembro de 2026. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ternus ingressou na Apple em 2001, na equipe de design de produtos. Em 2013, tornou-se vice-presidente de Engenharia de Hardware e, em 2021, passou a integrar o time executivo como vice-presidente sênior da área. Ao longo de sua trajetória na empresa, liderou o desenvolvimento de hardware em diversas categorias e teve papel central no lançamento de novas linhas de produtos, como iPad e AirPods, além de sucessivas gerações de iPhone, Mac e Apple Watch. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo a companhia, seu trabalho com a linha Mac contribuiu para tornar a categoria mais poderosa e popular globalmente em seus 40 anos de história. Entre os projetos recentes, está o lançamento do MacBook Neo, voltado a ampliar o acesso à experiência Mac. Mais recentemente, sua equipe liderou a reformulação da linha iPhone, com destaque para os modelos iPhone 17 Pro e Pro Max, o iPhone Air, de design mais fino e resistente, e o iPhone 17. Sob sua liderança, a empresa também avançou nos AirPods, com melhorias em cancelamento de ruído e recursos voltados à saúde auditiva. Ternus também liderou iniciativas voltadas à durabilidade e confiabilidade dos produtos, além de avanços em materiais e design de hardware que reduziram a pegada de carbono. Entre as medidas estão o uso de alumínio reciclado em diferentes linhas, titânio impresso em 3D no Apple Watch Ultra 3 e melhorias na reparabilidade dos dispositivos. Antes de ingressar na Apple, trabalhou como engenheiro mecânico na Virtual Research Systems. Ternus é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia. Cook ocupava o cargo desde 2011 Em comunicado, a fabricante informou que a mudança foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração e faz parte de um processo de planejamento de sucessão conduzido ao longo de vários anos. “Amo a Apple com todo o meu ser e sou profundamente grato por ter tido a oportunidade de trabalhar com uma equipe tão engenhosa, inovadora, criativa e profundamente dedicada, que tem demonstrado um compromisso inabalável em enriquecer a vida de nossos clientes e criar os melhores produtos e serviços do mundo”, disse Cook. O executivo entrou para a Apple em 1998 e assumiu o cargo de CEO em 2011, quando Steve Jobs deixou a função. À frente da empresa, Cook supervisionou o lançamento de diversos produtos e serviços. Entre eles estão novas categorias, como Apple Watch, AirPods e Apple Vision Pro, além de plataformas como iCloud, Apple Pay, Apple TV e Apple Music. Durante sua gestão, o valor de mercado da Apple saltou de cerca de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões — um aumento superior a 1.000%. A receita anual quase quadruplicou no período, passando de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025. John Ternus e Tim Cook no Apple Park Divulgação/Apple

Apple anuncia sucessão: Tim Cook deixará comando e John Ternus será novo CEO


A Apple anunciou nesta segunda-feira (20) que Tim Cook deixará o comando da empresa e passará a atuar como presidente executivo do conselho de administração. O atual vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, John Ternus, assumirá como novo diretor-executivo (CEO) da companhia a partir de 1º de setembro de 2026. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em comunicado, a fabricante informou que a mudança foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração e faz parte de um processo de planejamento de sucessão conduzido ao longo de vários anos. “Amo a Apple com todo o meu ser e sou profundamente grato por ter tido a oportunidade de trabalhar com uma equipe tão engenhosa, inovadora, criativa e profundamente dedicada, que tem demonstrado um compromisso inabalável em enriquecer a vida de nossos clientes e criar os melhores produtos e serviços do mundo”, disse Cook. O executivo entrou para a Apple em 1998 e assumiu o cargo de CEO em 2011, quando Steve Jobs deixou a função. Veja os vídeos que estão em alta no g1 À frente da empresa, Cook supervisionou o lançamento de diversos produtos e serviços. Entre eles estão novas categorias, como Apple Watch, AirPods e Apple Vision Pro, além de plataformas como iCloud, Apple Pay, Apple TV e Apple Music. Durante sua gestão, o valor de mercado da Apple saltou de cerca de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões — um aumento superior a 1.000%. A receita anual quase quadruplicou no período, passando de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025. John Ternus e Tim Cook no Apple Park Divulgação/Apple Quem será o novo CEO da Apple? John Ternus será o sucessor de Cook no comando da Apple. Atual vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, ele entrou para a Apple em 2001, integrando a equipe de design de produtos. Ao longo dos anos, passou a ocupar posições de liderança na área de engenharia de hardware e, em 2013, tornou-se vice-presidente da divisão. Desde 2021, faz parte da equipe executiva da empresa. Antes de ingressar na Apple, o executivo trabalhou como engenheiro mecânico na empresa Virtual Research Systems. Ele é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia. 50 anos de história Neste ano, a Apple completou 50 anos em um momento em que a indústria de tecnologia passa por uma nova onda de transformações impulsionadas pela inteligência artificial (IA). O avanço dessa tecnologia coloca pressão sobre a empresa para demonstrar que ainda é capaz de lançar produtos ou serviços com potencial de provocar mudanças culturais semelhantes às que marcou ao longo de sua história. A companhia foi fundada em 1º de abril de 1976, na garagem de Steve Jobs, em Cupertino, na Califórnia. Ao lado de Steve Wozniak, Jobs ajudou a popularizar o uso de computadores pessoais e iniciou uma trajetória que transformaria a Apple em uma das empresas mais valiosas do mundo, hoje avaliada em mais de US$ 3,6 trilhões. Ao longo das décadas, a empresa lançou produtos que redefiniram a forma como as pessoas usam tecnologia no dia a dia. 🖥️ O Macintosh, apresentado em 1984, ajudou a tornar os computadores mais acessíveis ao público ao introduzir uma interface baseada em ícones e o uso do mouse. 📱Anos depois, o iPhone mudaria novamente o mercado ao consolidar o smartphone como centro da vida digital. Desde seu lançamento, em 2007, mais de 3,1 bilhões de iPhones foram vendidos, gerando cerca de US$ 2,3 trilhões em receita, segundo dados da Counterpoint Research. Outros produtos, como o Mac, o iPad e o Apple Watch, também ajudaram a consolidar uma base fiel de usuários ao redor do mundo. *Esta reportagem está em atualização

Musk ignora convocação da França para depor sobre o X


Elon Musk no Fórum Econômico Mundial, em 22 de janeiro de 2026 AP Photo/Markus Schreiber O bilionário Elon Musk não compareceu nesta segunda-feira (20) a uma oitiva voluntária convocada pela Justiça francesa no âmbito de uma investigação contra sua rede social X. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A promotoria de Paris informou à agência de notícias AFP que "tomou nota da ausência das primeiras pessoas convocadas", sem citar Musk nominalmente. A convocação havia sido emitida em fevereiro, após autoridades realizarem buscas nos escritórios do X em Paris. A operação compõe um inquérito iniciado em janeiro de 2025, que apura alegações de que o algoritmo do X teria sido usado para interferir na política francesa. Na ocasião, a ex-diretora-geral da empresa Linda Yaccarino também foi convocada para depoimento voluntário. Outros funcionários do X foram chamados na condição de testemunhas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O processo posteriormente se estendeu também a outros supostos crimes, como a cumplicidade na divulgação de pornografia infantil. O Grok, assistente de IA incorporado à rede social, foi repetidamente usado para gerar e divulgar conteúdos negacionistas e imagens falsas de caráter sexual. A plataforma nega qualquer irregularidade e vem classificando a ação como "abusiva". Semanas antes, Musk usou a plataforma para insultar as autoridades francesas. A ausência do empresário e de Yaccarino "não constitui um obstáculo para a continuidade das investigações", afirmou o Ministério Público. Os promotores não têm autoridade para usar a força a fim de obrigar a pessoa a comparecer à oitiva. Investigações contra o Grok A investigação sobre o X na França compõe uma reação internacional mais ampla contra o Grok, após o agente de IA ser usado sem filtro para sexualizar imagens de mulheres e crianças por meio de simples instruções escritas. Cerca de 3 milhões de imagens sexualizadas foram geradas na plataforma em apenas 11 dias, apontou no final de janeiro o Centro de Combate ao Ódio Online, uma ONG de combate à desinformação. No final de janeiro, a União Europeia também abriu uma investigação contra o X devido ao conteúdo gerado pelo Grok. Telegram apoia Musk Musk recebeu nesta segunda-feira o apoio do cofundador do Telegram, Pavel Durov, que também está sendo investigado pela Justiça francesa por atividades em sua plataforma. "A França de [Emmanuel] Macron está perdendo legitimidade ao utilizar investigações criminais como arma para reprimir a liberdade de expressão e a privacidade", escreveu Durov nas redes sociais. Ele foi preso em 2024 pela unidade francesa de crimes cibernéticos, sob acusações que incluíam cumplicidade com o crime organizado.

ChatGPT fora do ar? Usuários relatam instabilidade nesta segunda-feira


Logo da OpenAI, dona do ChatGPT AP Photo/Michael Dwyer O ChatGPT, chatbot de inteligência artificial da OpenAI, passa por uma instabilidade no fim da manhã desta segunda-feira (20), segundo o Downdetector, plataforma que monitora serviços digitais. As notificações de erro começaram a ser registradas no site pouco depois das 11h e atingiram o pico às 11h20, com mais de 4,3 mil reclamações. Em seguida, os registros começaram a diminuir, mas mesmo cerca de uma hora depois, ainda apresentava instabilidade. O g1 entrou em contato com a OpenAI para obter mais informações e aguarda retorno. ChatGPT apresentou instabilidade nesta segunda-feira Reprodução/Downdetector Veja os vídeos que estão em alta no g1 Nas redes sociais, usuários comentaram a queda do ChatGPT com humor. Veja abaixo. Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text

VÍDEO: influencer usa inteligência artificial para manipular imagens e sexualizar jovens evangélicas em igrejas; polícia de SP investiga

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