quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

É #FAKE vídeo de foca saindo do mar e arrastando cachorro para dentro da água; cena foi feita com inteligência artificial


É #FAKE vídeo de foca arrastando cachorro para dentro do mar; cena foi criada com inteligência artificial Reprodução Circula nas redes sociais um vídeo que supostamente mostra uma foca arrastando um cachorro para dentro do mar. É #FAKE. selo fake g1 🛑 Como é o vídeo? Publicado neste domingo (15) no X, onde alcançou mais de 3,5 milhões de visualizações, o post tem a seguinte legenda, em inglês: "Meu Deus 😱 Coitadinho do cachorro, ele se foi 😭😭😭". O vídeo mostra um cachorro e uma mulher em uma encosta de pedras de uma praia. De repente, uma foca pula do mar, abocanha o rabo do cãozinho e o arrasta para dentro da água. A dona tenta segurá-lo e grita, também em inglês: "Meu Deus, Daisy! Daisy, não!". A publicação omite que o conteúdo foi criado com inteligência artificial (IA) — leia mais abaixo. Na seção de comentários, usuários questionaram se o material era verdadeiro ou falso, enquanto alguns escreveram "coitado do cachorro". ⚠️ Por que isso é falso? O Fato ou Fake submeteu submeteu o vídeo ao Hive Moderation, ferramenta de detecção de imagens, vídeos e áudios criados com inteligência artificial. Resultado: há 99,8% de probabilidade de o conteúdo ter sido criado com esse recurso. Além disso, a cena apresenta sinais de manipulação com IA. Logo no início, a foca aparece com a cabeça desfigurada, como se estivesse achatada nas pedras, e as mãos da mulher também estão distorcidas em diversos momentos do registro (veja abaixo). Vídeos sintéticos de animais têm viralizado nas redes sociais. O Fato ou Fake já desmentiu as gravações de um leão cheirando uma mulher que teria caído em jaula na Índia e de um tatu carregando uma capivara no dorso. Vídeo apresenta sinais de distorção por IA. Reprodução Cão de trenó da Groenlândia rouba câmera de US$ 700 e se filma escondendo equipamento É #FAKE vídeo de foca arrastando cachorro para dentro do mar; cena foi criada com inteligência artificial Reprodução Veja também Governo não criou imposto único de 44% sobre aluguel Governo não criou imposto único de 44% sobre aluguel VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Fato ou Fake explica VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)

Gemini, IA do Google, passa a criar músicas por comando de texto ou imagem


Gemini, IA do Google, passa a criar músicas por comando de texto ou imagem. Reprodução/Google O Google anunciou nesta quarta-feira (18) um novo modelo de inteligência artificial no Gemini, rival do ChatGPT. A ferramenta passa a permitir que usuários criem músicas a partir de comandos de texto ou de imagens. A geração é feita com o Lyria 3, modelo de IA voltado à criação musical e integrado ao Gemini. Segundo a empresa, será possível produzir faixas de até 30 segundos em português, inglês, alemão, espanhol, francês, hindi, japonês e coreano. De acordo com o Google, o recurso já está disponível para todos em versão beta. Assinantes dos planos Google AI Plus, Pro e Ultra terão limites mais altos de solicitações. "O Lyria 3, o mais recente modelo de música generativa do Google, está sendo lançado hoje em versão beta no aplicativo Gemini. Basta descrever uma ideia ou enviar uma foto, como 'um slow jam engraçado de R&B sobre uma meia encontrando seu par', e, em questão de segundos, o Gemini transforma isso em uma faixa de alta qualidade", informou a empresa em comunicado. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A companhia diz ainda que a IA pode se "inspirar" em informações compartilhadas pelo usuário em interações anteriores com o Gemini para criar as faixas. Segundo o Google, todas as músicas geradas incluem o SynthID, uma marca d’água imperceptível que identifica conteúdos criados pela IA da empresa. "Além disso, estamos lançando uma ferramenta que permite ao usuário carregar um áudio no Gemini para verificar se ele foi gerado por IA", afirmou. Crise da memória RAM pode deixar celulares, notebooks e até carros mais caros no Brasil Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas

Mark Zuckerberg é interrogado em meio a julgamento sobre vício de jovens em redes sociais


Mark Zuckerberg durante o Meta Connect em setembro de 2025 REUTERS/Carlos Barria O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, deve ser questionado pela primeira vez em um tribunal dos Estados Unidos, nesta quarta-feira (18), sobre os efeitos do Instagram na saúde mental de jovens. O depoimento ocorre durante um julgamento considerado histórico sobre vício de adolescentes em redes sociais. Zuckerberg já falou sobre o tema no Congresso americano, mas, no tribunal com júri em Los Angeles, o risco é maior. A empresa pode ter que pagar indenização se perder o caso, e o resultado pode enfraquecer a principal linha de defesa jurídica das gigantes de tecnologia contra acusações de danos aos usuários. O processo faz parte de uma reação global contra plataformas digitais por causa do impacto na saúde mental de crianças e adolescentes. Países como Austrália e Espanha proibiram o acesso às redes sociais para menores de 16 anos, enquanto outras nações estudam adotar medidas semelhantes. Nos EUA, o estado da Flórida proibiu que empresas permitam usuários com menos de 14 anos, e entidades do setor de tecnologia contestam a lei na Justiça. O caso foi aberto por uma mulher da Califórnia que começou a usar o Instagram e o YouTube, do Google, ainda criança. Ela afirma que as empresas buscaram lucrar ao incentivar o uso contínuo por menores, mesmo sabendo dos possíveis prejuízos à saúde mental. Segundo a ação, os aplicativos contribuíram para depressão e pensamentos suicidas. A autora pede que as companhias sejam responsabilizadas. As empresas negam as acusações e dizem que vêm criando ferramentas de proteção aos usuários. A Meta também cita estudo das National Academies of Sciences que, segundo a companhia, não encontrou provas de que as redes sociais alterem a saúde mental de crianças. O processo é visto como um teste para milhares de ações semelhantes movidas nos EUA contra empresas como Alphabet, Snap e TikTok. Famílias, distritos escolares e estados acusam essas companhias de alimentar uma crise de saúde mental entre jovens. Zuckerberg deve ser questionado sobre estudos internos e discussões dentro da empresa a respeito do impacto do uso da plataforma por adolescentes. Na semana passada, o chefe da rede social, Adam Mosseri, afirmou que desconhecia um estudo recente da própria empresa que não encontrou relação entre supervisão dos pais e maior controle dos jovens sobre o uso das redes. O documento apresentado no julgamento indica que adolescentes em situações difíceis relataram usar a plataforma de forma habitual ou sem perceber. Advogados da empresa disseram aos jurados que os registros médicos da autora mostram que os problemas de saúde têm origem em uma infância conturbada e que as redes sociais funcionaram como um espaço de expressão criativa para ela.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

YouTube caiu? Usuários relatam problemas na plataforma nesta terça-feira


Youtube. Dado Ruvic/Reuters Usuários relataram instabilidade no YouTube na noite desta terça-feira (17), no Brasil e em outros países. De acordo com o site Downdetector, que monitora falhas em serviços online, os problemas começaram pouco depois das 21h30. Às 22h30, o número de queixas no Brasil atingiu um pico de 43 mil registros. As principais queixas foram de falhas no aplicativo móvel. Veja os vídeos que estão em alta no g1 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O YouTube disse, em seu perfil no X, que estava trabalhando para reparar as falhas. Segundo a plataforma, o problema foi corrigido por volta das 21h30. Veja mais: Como o WhatsApp Web virou porta de entrada para ataque hacker com foco no Brasil Torres com câmeras se espalham e levantam alerta sobre privacidade

Robôs humanoides 'lutam' artes marciais no Ano Novo Chinês


Robôs humanoides se tornaram o centro das atenções no espetáculo televisivo do Ano Novo Lunar na China, exibindo sequências sofisticadas de artes marciais em um dos programas de maior audiência do planeta. A apresentação, que fez parte da gala anual do Festival da Primavera da emissora estatal CCTV, é vista como uma demonstração da política industrial e da ambição de Pequim em liderar o futuro da robótica e da manufatura. O programa da CCTV é comparado ao Super Bowl em termos de audiência e relevância cultural nos Estados Unidos. Em 2025, a audiência foi de 79% dos televisores ligados no país. As apresentações destacaram a capacidade dos robôs em realizar movimentos complexos. Robôs humanoides em demonstração de artes marciais em programa de TV chinesa Reprodução/CCTV Os robôs deram saltos, fizeram manobras de costas e até empunharam espadas e bastões em um espetáculo coreografado ao lado de crianças. Os humanoides da Unitree, por exemplo, executaram uma longa demonstração de artes marciais, que incluía a imitação do estilo "boxe bêbado", com seus movimentos cambaleantes e quedas para trás, demonstrando a capacidade de se levantarem após uma falha. Além das lutas, o show integrou outras tecnologias de ponta. Robôs da Noetix atuaram em um quadro de comédia com atores humanos, enquanto os da MagicLab dançaram de forma sincronizada com artistas durante a música "We Are Made in China". O chatbot de inteligência artificial Doubao, da ByteDance (dona do TikTok), também teve participação de destaque. Ano Novo Chinês começa na terça; qual é o significado do cavalo, animal do ano Vitrine tecnológica em horário nobre O programa de TV tem sido usado por décadas para destacar as ambições tecnológicas de Pequim, incluindo seu programa espacial, drones e, mais recentemente, a robótica. "O que distingue a gala de eventos comparáveis em outros lugares é a conexão direta entre a política industrial e o espetáculo no horário nobre", afirmou Georg Stieler, diretor da consultoria de tecnologia Stieler, à Reuters. Robôs humanoides da Unitree em demonstração de artes marciais em programa de TV chinesa Reprodução/CCTV Segundo ele, as empresas que aparecem no palco recebem recompensas como contratos governamentais e maior atenção de investidores. No ano anterior, o evento já havia surpreendido os espectadores com 16 humanoides da Unitree dançando em uníssono com artistas. "Os humanoides reúnem muitos dos pontos fortes da China em uma única narrativa: capacidade em IA, cadeia de suprimentos de hardware e ambição manufatureira", disse o analista de tecnologia Poe Zhao. A aposta da China no setor se reflete nos números. O país foi responsável por 90% dos cerca de 13 mil robôs humanoides vendidos globalmente no ano passado, segundo a consultoria Omdia. A projeção do Morgan Stanley é que as vendas de humanoides na China mais que dobrem, atingindo 28 mil unidades neste ano. A rápida evolução chinesa não passa despercebida por concorrentes. Elon Musk, CEO da Tesla, que desenvolve o robô humanoide Optimus, já afirmou esperar que sua maior concorrência venha de empresas chinesas. "As pessoas fora da China subestimam a China, mas a China é de outro nível", disse Musk no mês passado.

'Vivo sob ameaças constantes': a australiana que tenta tirar crianças das redes sociais


Julie Inman Grant tem muito trabalho pela frente como reguladora da segurança da internet na Austrália. BBC Nossa entrevista com Julie Inman Grant ainda nem começou. Na verdade, ela ainda nem entrou na sala. Mas a conversa já trata da enxurrada de ameaças de morte e violação recebidas semanalmente pelo seu escritório. O cargo de diretora da Comissão de Segurança Eletrônica da Austrália a coloca na primeira linha das batalhas na internet: notícias falsas, censuras, trollagem e segurança infantil. O mundo digital pode ser um "poço sombrio", como admite um dos seus colegas. Ele destaca que a grande maioria dos abusos lançados ao escritório são dirigidos pessoalmente a Inman Grant. "Infelizmente, tenho vivido esta realidade nos últimos anos", lamenta ela minutos depois, no seu escritório com vista para o porto australiano de Sydney. Com 57 anos de idade, Inman Grant trabalhou por décadas em empresas privadas do setor de tecnologia. Agora, ela está do outro lado, chamando à responsabilidade algumas das empresas mais bem sucedidas do mundo, como diretora do organismo regulador independente de segurança na internet da Austrália. Poderíamos dizer que o cargo a transformou na burocrata mais famosa do país. Mas ela também se tornou um alvo fácil. Seus dados já foram expostos por grupos neonazistas. Ela também teve enfrentamentos públicos com Elon Musk e chegou a provocar a ira de alguns congressistas americanos. Tudo isso ocorreu quando ela foi encarregada de implementar a pioneira proibição das redes sociais para adolescentes no país. Ou, em outras palavras, de expulsar todos os australianos com menos de 16 anos das redes sociais. O trabalho de Inman Grant sempre foi de alta importância. Mas, agora, seu significado cresceu mais do que nunca, já que o mundo inteiro está observando o desenvolvimento do experimento australiano nas redes sociais. Legislação observada com lupa Experiência no mundo tecnológico Objeto de abusos e insultos Legislação observada com lupa A legislação entrou em vigor no dia 10 de dezembro e regulamenta 10 plataformas. Entre elas, o Facebook e o Instagram, da Meta, além do Snapchat e do YouTube. Os pais australianos aprovam majoritariamente esta política. Para muitos deles, contar com o apoio do governo é de grande ajuda para enfrentar a pressão dos seus pré-adolescentes que desejam ter acesso às redes sociais. Mas também há muitas críticas. Especialistas em tecnologia e defensores do bem-estar infantil expressaram sua preocupação. Eles afirmam que as crianças precisam ser educadas, não excluídas das plataformas. Muitos questionam a aplicabilidade da proibição. Para eles, a legislação exclui injustamente grupos minoritários, como as crianças das zonas rurais e adolescentes com incapacidades ou que se identificam como LGBTQIA+. Todos eles têm mais possibilidade de encontrar suas comunidades na internet. Os críticos afirmam que as plataformas de jogos deveriam ser incluídas na proibição australiana de redes sociais para menores de 16 anos. Getty Images via BBC Como era de se esperar, nenhuma das empresas se mostra muito favorável. De forma geral, elas afirmaram compartilhar a preocupação do governo sobre a segurança na internet e garantem que irão cumprir a lei, mas não acreditam que a "proibição" seja a solução. Inman Grant defende que vale a pena tentar qualquer medida que ajude a proteger as crianças online. "Se pudermos retardar a entrada das crianças nas redes sociais por três anos e complementar a medida com planos de ação digitais para desenvolver seu raciocínio crítico e resiliência, acredito que seja algo que valha a pena explorar", afirma ela. Inman Grant costuma comparar o mundo digital com o mar aberto, talvez em uma tática inteligente para atrair os australianos, orgulhosos da sua relação com o oceano e suas belas praias. "Da mesma forma que ocorre com a segurança na água, precisamos continuar ensinando nossos filhos a nadar até que sejam bons nadadores", defende ela. "Precisamos educá-los sobre os riscos, como as fraudes algorítmicas. Precisamos educá-los sobre os predadores na água. São os tubarões online, os pedófilos e outros criminosos." Mas ela também já usou a mesma analogia do mar para combater a proibição no passado. "Nós não cercamos o oceano, nem mantemos as crianças totalmente fora da água. Nós criamos entornos de natação protegidos, que oferecem proteção e ensinam lições importantes desde cedo", declarou ela em junho de 2024, quando o governo ainda avaliava a proibição. "De fato, precisei aceitar isso", admite ela, hoje. Depois de pressionar pela liberdade na sua implementação, ela se convenceu e seu papel tem sido fundamental para determinar quais empresas serão incluídas e como elas devem cumprir a legislação. Proibição das redes sociais para menores de 16 anos na Austrália pode deixar crianças isoladas? Inman Grant fala durante um evento em Sydney, no dia 10 de dezembro de 2025, quando entrou em vigor a proibição dos adolescentes nas redes sociais na Austrália. AFP/Getty Images via BBC Ela brinca dizendo que sua própria casa, que compartilha com três filhos (incluindo dois irmãos gêmeos de 13 anos), se transformou em um "laboratório". "Tenho uma filha que não se queixou muito da ideia, mas outra pensou que o mundo fosse desabar em cima dela se retirassem seu Instagram e seu Snapchat", ela conta. Mas Inman Grant não desanima. "Elas estão em processo de descobrir quem são, de construir sua identidade. Quando eu era adolescente, conseguia cometer erros sem que eles fossem gravados nem amplificados por toda parte." Clique aqui para retornar ao início. Experiência no mundo tecnológico Inman Grant passou seus anos de formação no mundo tecnológico. Ela cresceu em Seattle, nos Estados Unidos, berço da Microsoft e da Amazon. Por isso, não surpreende que ela se dedique a esta linha de trabalho, depois de flertar brevemente com a ideia de trabalhar para a CIA, a agência de inteligência americana. Ela aceitou um emprego no Capitólio, assessorando um congressista americano sobre tecnologia e telecomunicações. Posteriormente, ela concluiu um mestrado em comunicação internacional e passou a trabalhar na Microsoft. O seu cargo na empresa a levou para a Austrália no início dos anos 2000, exatamente quando começava a florescer o mundo das redes sociais. Ali, ela conheceu seu marido e se naturalizou australiana. Como parte do seu trabalho na Microsoft, Inman Grant procurava vulnerabilidades e falhas de segurança. E, depois de 17 anos, ela entrou para a divisão australiana do Twitter (hoje, X) e, depois, trabalhou brevemente na Adobe. Enquanto essas empresas de tecnologia prosperavam, graças à proliferação de smartphones e aplicativos, ela sentia que havia um problema oculto. Ela sentia que a segurança não era prioridade. Era uma época sem órgãos reguladores governamentais. "Por isso, tentei mudar as coisas por dentro", ela conta. E, depois de mais de duas décadas, Inman Grant decidiu verificar se a mudança poderia ocorrer a partir do lado de fora. Quando surgiu o cargo de Comissário de Segurança Eletrônica, ela explica timidamente que havia um pequeno grupo de candidatos para escolher. O homem que ajudou a redigir o projeto de lei, Malcolm Turnbull, chegou ao cargo de primeiro-ministro (2015-2018). Ele queria, segundo ela, um comissário com experiência em segurança online, mas também no próprio setor de tecnologia. E a contratou. "O governo acreditava que o órgão regulador só poderia ser eficaz se você conhecesse as pessoas, conhecesse os mecanismos, soubesse como eles pensavam e se fosse possível antecipar seus movimentos", explica ela. "É preciso entender que tudo isso depende da receita, do crescimento e de quem detém o poder nas empresas." A Ponte Story de Brisbane, na Austrália, recebeu iluminação verde e dourada para marcar o início da proibição das redes sociais. Getty Images via BBC Desde então, políticos de todas as tendências defenderam o cargo, o que muitos consideram testemunho da gestão de Inman Grant. E, especialmente em um período em que o organismo de controle da segurança na internet passou a sofrer escrutínio cada vez maior, seu orçamento quadruplicou e sua competência e o número de funcionários se expandiram exponencialmente. "Francamente, é uma gestão extraordinária em um campo de rápidas mudanças e bastante implacável para um órgão regulador", destaca o predecessor de Inman Grant, Alastair MacGibbon, sobre o trabalho da atual comissária. "O escritório simplesmente se torna mais relevante a cada dia", defende ele. O ex-ministro das Comunicações da Austrália, Paul Fletcher, ajudou a nomear Inman Grant e colaborou estreitamente com ela por vários anos. Ele afirma que ela assumiu esta função complexa com vigor e valentia. "Em uma nação ocidental moderna, as pessoas têm a certeza de que, se você for assaltado, atacado ou se outro fato ruim ocorrer no mundo físico, você pode obter reparações", declarou ele à BBC. "O Estado de direito deve se aplicar tanto à vida digital quanto à vida real e o Comissariado de Segurança Eletrônica é uma clara amostra disso." A Austrália é considerada líder mundial em segurança na internet. Mas algumas empresas de tecnologia, com sede em outras partes do mundo, acusam o país, há muito tempo, de extrapolar os seus limites. "Estamos regulamentando as grandes empresas de tecnologia, em relação à segurança online, há 10 anos", expõe Inman Grant. "E, nos primeiros sete, fomos os únicos." Atualmente, Inman Grant enfrenta um pedido do Congresso dos Estados Unidos para testemunhar sobre as leis australianas de proibição das redes sociais. O presidente republicano do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes (a câmara baixa do Congresso americano), Jim Jordan, se referiu a ela como uma "conhecida fanática dos desmantelamentos globais", que "ameaça a liberdade de expressão dos cidadãos americanos". Jordan chegou a ameaçá-la com acusações de desacato, caso se negue a testemunhar. Inman Grant afirma que não é responsável por defender a política e, na verdade, só pode falar sobre a sua implementação. "Nada do que fazemos aqui afeta a capacidade das empresas americanas de mostrar o conteúdo que desejarem aos americanos", explica ela. Ela também se prepara para contestar pelo menos duas impugnações relativas à proibição, frente ao Supremo Tribunal australiano. Uma delas foi apresentada pelo fórum online Reddit e a outra, por dois adolescentes australianos. Paralelamente, ela processa judicialmente as empresas que infringiram as diversas leis de segurança na internet do país. Os críticos afirmam que as empresas de redes sociais não fazem o suficiente para proteger as crianças. Getty Images via BBC Mas esta não é sua primeira experiência deste tipo. Em 2024, quando um bispo foi esfaqueado em Sydney durante uma missa, Inman Grant pediu ao X que eliminasse o vídeo. Mas o dono da plataforma, Elon Musk, se recusou a fazê-lo. Musk a chamou de "comissária da censura" frente aos seus milhões de seguidores e os abusos dirigidos a ela atingiram um nível totalmente inédito. Clique aqui para retornar ao início. Objeto de abusos e insultos Um relatório da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, revelou que Julie Inman Grant foi alvo de dezenas de milhares de publicações abusivas, incluindo ameaças de morte e estupro. Somente no dia 23 de abril de 2024, o relatório contabilizou 73.694 menções do nome de Inman Grant ou do Comissariado de Segurança Eletrônica no X. Até aquela data, a média diária era de apenas 145. Por fim, o vídeo foi bloqueado geograficamente na Austrália, mas continuou disponível em todo o mundo. O organismo australiano de controle da internet levou o X à Justiça, mas o caso acabou sendo rejeitado. Inman Grant conta à BBC que há uma moral nesta história. A polícia britânica afirma que Axel Rudakubana viu o mesmo vídeo pouco antes de esfaquear e matar três crianças em uma aula de dança inspirada em Taylor Swift, na cidade inglesa de Southport, naquele mesmo ano. Ela defende que este tipo de conteúdo "normaliza, dessensibiliza e, às vezes, radicaliza. Em algum momento, é preciso assumir uma posição." Enquanto Inman Grant e seu escritório lutam para conseguir a proibição das redes sociais entre os adolescentes na Austrália, ela se prepara para novas batalhas, agora em relação à inteligência artificial (IA). Para ela, o mundo "se incorporou tardiamente" à regulamentação das redes sociais e não pode se permitir fazer o mesmo com a IA. "Esta será a próxima ameaça e muito mais preocupante, para ser sincera." Talvez ela não fique no cargo por tempo suficiente para observar os frutos da sua luta. Ela já é comissária há quase uma década e seu segundo mandato de cinco anos termina em 2027. "Acredito que, provavelmente, será o momento de passar o controle para outra pessoa", segundo ela. "Como disse, este cargo exige muita determinação e resiliência. Foi um privilégio e uma honra para toda a vida." Antes que as empresas de tecnologia respirem aliviadas, Inman Grant indica que não se deixará dissuadir da missão da sua carreira: tornar o mundo da tecnologia mais seguro. "Talvez isso signifique ajudar outros governos a estabelecer regulamentações de segurança online e ajudar as empresas a integrar a segurança desde o seu projeto", explica ela. Clique aqui para retornar ao início.

Espanha investigará X, Meta e TikTok por material de abuso sexual infantil gerado por IA


Criança no celular Canva Governo da Espanha informou que irá investigar as plataformas do X, TikTok e a Meta por suposta disseminação material de abuso sexual infantil gerado por inteligência artificial. A informação foi divulgada pelo presidente espanhol Pedro Sánchez, em sua conta no próprio X. (veja a publicação na íntegra e a tradução para o português abaixo) Premiê britânico quer medidas para proteger crianças e adolescentes nas redes sociais "Estas plataformas estão atentando contra a saúde mental, a dignidade e os direitos de nossos filhos e filhas. O Estado não pode permitir. A impunidade dos gigantes deveria acabar" escreveu Sánchez. No início deste mês, Sánchez anunciou diversas medidas destinadas a conter o abuso online e proteger as crianças, incluindo uma proposta de proibição do acesso a plataformas de redes sociais para menores de 16 anos. Em dezembro de 2025, a Austrália se tornou o primeiro país a proibir que menores de 16 anos acessem as redes sociais. O veto repercutiu mundialmente, e vários governos disseram estudar medidas semelhantes. O Brasil, por exemplo, já aprovou uma lei exigindo que a verificação de idade deixe de ser feita só com autodeclaração, como ocorre atualmente. Veja a publicação do presidente e a tradução para o português: Initial plugin text "Hoje, o Conselho de Ministros vai invocar o artigo 8 do Estatuto Orgânico do Ministerio Fiscal para pedir que sejam investigados os delitos que X, Meta e TikTok poderiam estar cometendo pela criação e difusão de pornografia infantil por meio de suas IAs. Essas plataformas estão atentando contra a saúde mental, a dignidade e os direitos de nossos filhos e filhas. O Estado não pode permitir isso. A impunidade dos gigantes deve acabar." Leia também: Polícia francesa faz buscas em sede do X, de Musk, e investiga pornografia infantil Reino Unido abre investigação contra o X por imagens de conteúdo sexual do Grok Coalizão europeia Sánchez disse que a Espanha se juntou a outros cinco países europeus, que ele apelidou de “Coalizão dos Digitalmente Dispostos”, para coordenar e aplicar regulamentações que vão além das fronteiras. A coalizão realizará sua primeira reunião nos próximos dias, segundo ele. Sánchez não revelou quais países fazem parte do grupo, e seu gabinete não respondeu imediatamente a um pedido de esclarecimento. “Sabemos que esta é uma batalha que excede as fronteiras de qualquer país”, declarou o premiê. Responsabilização das redes Segundo o premiê, a Espanha também apresentará um projeto de lei na próxima semana para responsabilizar os executivos das redes sociais por conteúdos ilegais e de incitação ao ódio, além de criminalizar a manipulação algorítmica e a amplificação de conteúdos ilegais. Entre as medidas que Sánchez propôs está um sistema para rastrear o discurso de ódio online. As plataformas também seriam obrigadas a introduzir sistemas de verificação de idade eficientes, afirmou o primeiro-ministro. Ele acrescentou que os promotores buscarão investigar possíveis infrações legais por parte de ferramentas como o Grok, de Elon Musk, e redes sociais como o TikTok e o Instagram.

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