terça-feira, 5 de maio de 2026

Mark Zuckerberg 'autorizou pessoalmente' violação de direitos autorais da Meta, dizem editoras


Cinco editoras e o autor Scott Turow processaram a Meta e seu CEO nesta terça-feira (5). Eles acusam a empresa de usar, sem autorização, milhões de livros e artigos protegidos por direitos autorais para treinar seu sistema de inteligência artificial, o Llama. A ação foi apresentada em um tribunal federal em Manhattan e abre uma nova frente na disputa entre o setor editorial e empresas de tecnologia que desenvolvem ferramentas de IA. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo os autores, Zuckerberg e a Meta seguiram o lema “agir rápido e quebrar coisas” ao utilizar um grande volume de obras sem permissão para alimentar o sistema. Vídeos em alta no g1 Além disso, eles afirmam que o uso desse material ocorreu sem pagamento ou autorização dos criadores. “Os réus reproduziram e distribuíram milhões de obras protegidas por direitos autorais sem autorização, sem oferecer qualquer compensação a autores ou editoras e com pleno conhecimento de que sua conduta violava a lei”, diz um trecho da ação. “O próprio Zuckerberg autorizou pessoalmente e incentivou ativamente a infração.” Meta rebate acusações e disputa se intensifica Entre os autores publicados pelas editoras que movem a ação — Elsevier, Cengage, Hachette Book Group, Macmillan e McGraw Hill — estão nomes como Scott Turow, Donna Tartt e também Yiyun Li e Amanda Vaill, vencedoras do Prêmio Pulitzer de 2026. Em nota divulgada na segunda-feira, a Meta afirmou que pretende “defender-se vigorosamente” das acusações. “A inteligência artificial está impulsionando inovações transformadoras, produtividade e criatividade para indivíduos e empresas, e tribunais têm reconhecido que o treinamento de IA com material protegido por direitos autorais pode se enquadrar como uso justo”, diz parte do comunicado. Nos últimos anos, disputas desse tipo têm se tornado mais frequentes. Autores e editoras passaram a acionar a Justiça para contestar o uso de suas obras no treinamento de sistemas de inteligência artificial. Em 2025, a própria Meta concordou em encerrar uma ação coletiva movida por escritores, e a decisão final desse acordo deve ser analisada na próxima semana. Mark Zuckerberg, CEO da Meta Reuters

Coinbase corta 14% da equipe em plano para reduzir custos e focar em IA


Coinbase disse nesta terça-feira que cortará cerca de 700 empregos, ou cerca de 14% de sua força de trabalho global, como parte de um plano de reestruturação que visa reduzir custos e reposicionar os negócios para a era da inteligência artificial. A medida ocorre em um momento em que a corretora enfrenta a volatilidade dos mercados de criptomoedas. As demissões têm sido generalizadas entre as empresas norte-americanas no início do ano, à medida que as empresas cortam despesas, simplificam operações e se adaptam ao uso crescente de ferramentas de IA. As ações da Coinbase subiam cerca de 4% nas negociações pré-mercado. A empresa espera concluir o exercício em grande parte no segundo trimestre de 2026. A Coinbase disse que estava bem capitalizada e posicionada para o crescimento de longo prazo, mas acrescentou que as condições atuais do mercado exigiam que ela simplificasse as operações para que pudesse emergir mais enxuta e mais eficiente antes do próximo ciclo. O presidente-executivo Brian Armstrong também citou os rápidos avanços em inteligência artificial, dizendo que novas ferramentas estavam permitindo que equipes não técnicas enviassem códigos e automatizassem tarefas que antes exigiam um número maior de funcionários. A Coinbase espera incorrer em cerca de US$50 milhões a US$60 milhões em despesas totais de reestruturação, principalmente ligadas à indenização de funcionários e outros benefícios de rescisão, com a maior parte dos encargos sendo reconhecidos no segundo trimestre. A empresa também disse que encargos adicionais poderiam surgir de eventos imprevistos ligados à reestruturação. A Coinbase já realizou anteriormente rodadas de cortes de pessoal durante as quedas no mercado de criptografia, ressaltando a sensibilidade do setor à atividade comercial e ao otimismo do investidor. IPO da Coinbase em Nasdaq AP Photo/Richard Drew

Governo aumenta classificação indicativa do YouTube e cita 'Novela das frutas' ao apontar conteúdo violento


'Novela das frutas' viralizou nos últimos meses nas redes sociais Reprodução/YouTube O governo decidiu aumentar a classificação indicativa do YouTube de 14 para 16 anos após publicar uma nota técnica que aponta a presença de conteúdo prejudicial para menores de idade. A mudança faz parte da iniciativa chamada ECA Digital e tem como objetivo indicar a faixa etária recomendada para o uso de serviços online. No fim de abril, outras plataformas também foram reclassificadas: TikTok, Kwai e WhatsApp, por exemplo, passaram a ter classificação indicativa de 16 anos. A nota técnica cita a circulação de animações como um dos fatores para a revisão e menciona a "Novela das Frutas", conteúdo feito com uso de IA que viralizou nos últimos meses, como exemplo. Segundo o documento, esse tipo de vídeo tem aparência inofensiva, mas aborda temas como tráfico, violência doméstica e abuso, o que exige mais cuidado na classificação. Vídeos em alta no g1 O YouTube, que pertence ao Google, pode recorrer da decisão em até dez dias após a publicação no Diário Oficial da União. O g1 entrou em contato com a empresa e aguarda resposta. 'Novela das Frutas' influenciou decisão Além dessas animações, a nota técnica traz uma análise sobre conteúdos de violência no YouTube, com exemplos que vão de situações fictícias a cenas mais intensas. O documento aponta a presença de imagens detalhadas de ferimentos, sangramentos, mutilações e execuções de personagens. Também cita o uso de recursos visuais, como câmera lenta e enquadramentos fechados, que podem aumentar o impacto dessas cenas. “Cabe citar uma nova leva de animações que tem sido amplamente difundidas na plataforma, conhecida pelo público brasileiro como ‘novelas de frutas’. Os personagens são frutas e vegetais com características humanas, geralmente com aparência atrativa para o público infantojuvenil, com traços semelhantes aos de animações populares”, diz a nota. “Contudo, as histórias apresentam temas complexos, como apelo sexual, violência doméstica, preconceito, assassinatos, estupros, tráfico de drogas e uso de entorpecentes”, completa o documento. ‘Novelas de frutas' divertem, mas acendem alerta de psicólogos

Meta amplia proteção para adolescentes na União Europeia e nos EUA sob pressão global


A Meta Platforms  anunciou nesta terça-feira que expandirá as medidas de proteção tecnológica para contas de adolescentes em 27 países da União Europeia e para o Facebook nos Estados Unidos, numa tentativa de se defender das críticas relativas aos seus esforços para proteger os jovens online. Empresas de tecnologia estão sob crescente pressão em todo o mundo para desenvolver medidas de verificação de idade, devido às crescentes preocupações com abusos online, saúde mental de adolescentes e a disseminação de imagens sexuais infantis geradas por inteligência artificial. No ano passado, a Meta lançou uma tecnologia para encontrar proativamente contas que suspeita serem de adolescentes, mesmo que indiquem uma data de nascimento de adulto, e colocá-las sob proteção de Contas para Adolescentes. "Essa tecnologia será expandida para 27 países da União Europeia. A Meta também está expandindo essa tecnologia para o Facebook nos Estados Unidos pela primeira vez, e o Reino Unido e a UE seguirão em junho", disse a empresa em uma publicação em blog. Também detalhou o uso de inteligência artificial avançada para detectar contas de menores de idade, além da simples admissão de idade. Isso inclui o uso de tecnologia de IA para analisar perfis inteiros em busca de pistas contextuais para determinar se uma conta provavelmente pertence a alguém menor de idade, além de fortalecer as medidas para evitar que se contorne as regras a fim de impedir a criação de novas contas de usuários que a Meta suspeita serem menores de idade. Meta Inteligência Artificial REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo

Tesla vê aprovação próxima na União Europeia, mas reguladores levantam dúvidas


O presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, afirmou que espera uma aprovação em breve, pela União Europeia, do sistema "Full Self-Driving" (FSD). Apesar do otimismo, e-mails de reguladores europeus indicam dúvidas relevantes sobre a tecnologia e seus possíveis ganhos em segurança. A versão "FSD (Supervised)" já foi aprovada em abril pela RDW, autoridade de trânsito da Holanda. Agora, o órgão tenta ampliar essa autorização para toda a União Europeia, e o tema será discutido em uma audiência de um comitê nesta terça-feira. "Esperamos ser aprovados em muitos outros países", disse Musk a analistas em teleconferência no dia 22 de abril. Ele acrescentou que, na sequência, a empresa pretende buscar autorização para operar robôs-táxi autônomos na Europa. A aprovação é estratégica para a Tesla, que tenta recuperar espaço no mercado europeu após perdas recentes. O sistema é oferecido por meio de assinatura mensal e permite que o carro dirija sozinho em algumas situações, embora o motorista precise permanecer atento o tempo todo. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 Ainda assim, mensagens internas obtidas por meio de pedidos públicos mostram que reguladores de países como Holanda, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Noruega levantaram uma série de preocupações — e podem ter papel decisivo na análise. Entre os pontos citados estão o comportamento do sistema em acelerações, a segurança em estradas com gelo e a possibilidade de motoristas contornarem mecanismos criados para evitar distrações, como o uso de celular ao volante. Os reguladores também demonstraram incômodo com a estratégia da Tesla de incentivar clientes a pressionar autoridades pela aprovação do sistema. Na reunião desta terça-feira, o comitê da União Europeia deve ouvir representantes holandeses sobre os motivos que levaram à aprovação local e se a medida poderia ser adotada pelos demais países do bloco. A Tesla não comentou o assunto. Para que o sistema seja liberado em toda a União Europeia, é necessário o apoio de países que representem ao menos 55% dos Estados-membros e 65% da população do bloco. Não há votação prevista para esta semana, e novas reuniões estão marcadas para julho e outubro. Tesla Cybertruck 2026 Divulgação

ONG denuncia LinkedIn na Áustria pela venda de dados dos usuários


Logotipo do LinkedIn na sede da empresa em Mountain View, na Califórnia. Robert Galbraith/Reuters Uma organização austríaca de defesa da privacidade anunciou nesta terça-feira (5) que apresentou uma denúncia contra a rede social profissional LinkedIn pela suposta venda de dados de milhões de usuários. A ONG Noyb — sigla para “None of Your Business” (“Não é da sua conta”) — informou, em comunicado, que protocolou uma ação junto à Autoridade Austríaca de Proteção de Dados em nome de um usuário do LinkedIn que busca acesso às informações que a plataforma mantém sobre ele. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O usuário cobra uma resposta completa ao seu pedido de acesso. A organização também solicita a aplicação de multa contra a rede social, que pertence ao grupo Microsoft. Segundo a Noyb, o LinkedIn alega preocupações com a proteção de dados para não atender a esse tipo de solicitação. Ao mesmo tempo, porém, a empresa oferece aos usuários a possibilidade de pagar pelo plano Premium para ver, com mais detalhes, quem visitou seus perfis, destaca a entidade. “As pessoas têm o direito de acessar seus próprios dados gratuitamente”, afirma o advogado da Noyb, Martin Baumann. A organização, com sede em Viena, também questiona a legalidade do rastreamento de usuários pela plataforma, argumentando que o processo “carece de clareza”, já que não há solicitação de consentimento explícito. Ex-chefe do WhatsApp no Brasil cria ONG para denúncias contra big techs Vídeos em alta no g1

A rede clandestina que contrabandeia tecnologia da Starlink para combater apagão de internet no Irã


Sahand embala um terminal da Starlink sendo preparado para envio ao Irã via BBC "Se uma só pessoa conseguir ter acesso à internet, acho que tivemos sucesso e que valeu a pena", afirma Sahand. O iraniano está visivelmente nervoso ao conversar com a BBC, mesmo estando fora do Irã. Ele explica cuidadosamente que faz parte de uma rede de contrabando, que transporta clandestinamente tecnologia de internet via satélite (que é ilegal no Irã) para dentro do país. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Sahand é um nome fictício. Ele receia pelos seus familiares e outros contatos que estão em território iraniano. "Se eu for identificado pelo regime iraniano, eles poderão fazer as pessoas com quem tenho contato no Irã pagarem o preço", explica ele. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 O Irã vive um apagão digital há mais de dois meses. O governo do país mantém um dos mais longos bloqueios nacionais de internet já registrados em todo o mundo. O apagão atual começou após os ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro. O acesso à internet havia sido parcialmente restaurado apenas um mês antes dos ataques, após outro apagão digital imposto em janeiro, durante a repressão do regime aos protestos que se espalharam pelo país. Naquela ocasião, mais de 6,5 mil manifestantes foram mortos e 53 mil foram detidos, segundo a Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos. As autoridades afirmam que o governo desligou a internet durante a guerra por razões de segurança, indicando que o objetivo é evitar vigilância, espionagem e ciberataques. Sem acesso a fontes de informação independentes, os iranianos dependem dos meios de comunicação estatais, administrados pelo regime ou próximos ao governo AFP via Getty Images Os aparelhos da Starlink que Sahand envia para o Irã são uma das formas mais confiáveis de escapar do apagão. Os terminais podem ser acoplados a roteadores e fornecem acesso à internet por conexão com a rede de satélites da empresa SpaceX, de Elon Musk. Eles permitem aos usuários evitar totalmente a internet doméstica iraniana, altamente controlada. Sahand explica que várias pessoas podem se conectar a cada terminal ao mesmo tempo. Ele conta que ele e outras pessoas da rede compram os aparelhos e "os contrabandeiam pelas fronteiras" em uma "operação muito complexa". Mas ele se recusa a fornecer mais detalhes. Sahand afirma que já enviou uma dúzia de aparelhos para o Irã desde janeiro e "estamos buscando ativamente outras formas de levar mais". A organização de defesa dos direitos humanos Witness estimou em janeiro que havia pelo menos 50 mil terminais Starlink no Irã. Mas os ativistas afirmam que o número provavelmente aumentou. A BBC entrou em contato com a SpaceX para obter mais detalhes sobre o uso da Starlink no país, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. No ano passado, o governo iraniano aprovou leis sujeitando o uso, compra ou venda de aparelhos da Starlink a até dois anos de prisão. E as penas por distribuir ou importar mais de 10 aparelhos podem atingir até 10 anos. A imprensa afiliada ao Estado iraniano relatou diversos casos de pessoas sendo presas por vender e comprar terminais Starlink, incluindo quatro pessoas (duas delas, estrangeiros) que foram presas no mês passado por "importar equipamento de internet via satélite". Os meios de comunicação estatais iranianos também noticiaram que algumas das prisões se referem a acusações de posse ilegal de armas e envio de informações para o inimigo. Manifestantes em Londres participaram dos protestos reivindicando acesso à internet sem restrições no Irã SOPA Images/LightRocket via Getty Images/BBC Mas o mercado para os terminais no Irã persiste, por exemplo, em um canal público do Telegram em idioma persa, chamado NasNet. Um voluntário de fora do Irã envolvido no canal contou à BBC que foram vendidos cerca de 5 mil terminais Starlink por meio do canal nos últimos dois anos e meio. O Irã tem um longo histórico de controle da informação, tanto promovendo suas próprias narrativas antiamericanas e anti-israelenses pelos meios de comunicação estatais, quanto restringindo a cobertura das medidas repressivas do regime contra seus críticos. Durante os protestos de janeiro, mesmo com a internet desligada, houve vazamento de relatos e vídeos de execuções extrajudiciais, prisões e agressões. As organizações de defesa dos direitos humanos sabem ou acreditam que grande parte dessas informações vieram de pessoas que tiveram acesso às plataformas de redes sociais via Starlink. O sistema atual de internet do Irã é descrito como sendo "em camadas". Todos os iranianos têm acesso a uma rede doméstica controlada pelo Estado. Nela, operam serviços como bancos, transporte e delivery de alimentos, além da imprensa estatal. Antes dos apagões, os iranianos também tinham acesso à internet global. Mas muitos sites e serviços como o Instagram, Telegram, YouTube e WhatsApp foram bloqueados e o governo criou preços de acesso superiores aos da rede doméstica. Muitos iranianos contornaram as restrições usando redes privadas virtuais (VPNs, na sigla em inglês), que conectam os usuários aos sites através de servidores remotos, ocultando suas localizações. Mas a assinatura destes serviços também aumentava os custos. Agora, com o apagão, apenas algumas autoridades selecionadas e outros indivíduos, incluindo os jornalistas que trabalham para a imprensa estatal, têm acesso à internet sem restrições, usando os chamados "cartões SIM brancos". Os satélites de propriedade da SpaceX (na foto, sendo transportados por um foguete Falcon 9) são usados pela Starlink para fornecer serviços de internet Getty Images via BBC Em 2022, Elon Musk anunciou a ativação da Starlink no Irã após graves cortes na internet, durante os protestos gerados pela morte de uma mulher iraniana em custódia, Mahsa Amini. Desde então, o uso do serviço aumentou, especialmente durante os apagões. Agora, com as autoridades em busca cada vez mais dos terminais Starlink, Sahand e sua rede aconselham os usuários a empregar VPNs com a tecnologia via satélite, para permanecerem incógnitos. Mas muitas pessoas não podem pagar por este serviço, especialmente em uma época de crise econômica. Sahand é uma das três pessoas que declararam à BBC que estão envolvidas no transporte clandestino de aparelhos da Starlink. Ele conta que a operação da qual ele faz parte, incluindo a compra dos terminais, é financiada por iranianos no exterior e por outras pessoas que querem ajudar a fazer os aparelhos chegarem ao país. Sahand afirma que não recebe fundos de nenhum Estado estrangeiro. Os terminais são enviados para indivíduos que, segundo eles acreditam, irão usar os aparelhos para compartilhar informações em nível internacional. "As pessoas precisam da internet para poderem compartilhar o que está acontecendo no país", explica Sahand. "Acreditamos que estes terminais devem estar nas mãos de quem realmente precisa deles para fazer a mudança." Os ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel ao Irã continuaram durante os apagões da internet EPA/Shutterstock via BBC Um grupo de defesa dos direitos digitais, que pede para permanecer incógnito, declarou à BBC estimar que pelo menos 100 pessoas tenham sido detidas pela posse dos terminais. Sahand afirma que também conhece pessoas que foram presas por terem acesso ou possuírem aparelhos, mas nenhuma delas adquiriu dele o terminal. Yasmin, cidadã americana-iraniana também com nome fictício, contou à BBC que um homem, seu parente, foi preso no Irã e acusado de espionagem por possuir um terminal Starlink. A BBC perguntou à Embaixada iraniana em Londres por que apenas algumas pessoas têm autorização de acesso à internet no país e por que as penas pelo uso da Starlink são tão severas, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. O governo iraniano reconheceu que o apagão prejudicou muito algumas empresas. Em janeiro, um ministro declarou que cada dia de apagão da internet custa pelo menos 50 trilhões de rials (US$ 35 milhões, cerca de R$ 175 milhões) para a economia do Irã. O país lançou recentemente um sistema chamado "Internet Pro", que oferece acesso parcial à internet global a algumas empresas. Um homem que trabalha para uma companhia iraniana contou à BBC que recebeu acesso por meio desta iniciativa. A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, declarou que a intenção é "manter a conectividade das empresas durante a crise". Ela também afirmou que o governo "se opõe totalmente à injustiça nas comunicações" e que, assim que as condições voltarem ao normal, "a situação da internet também irá se alterar". "Os apagões das comunicações são uma clara violação dos direitos humanos e não têm justificativa", declarou ao Serviço Mundial da BBC, em função do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de maio), a diretora de defesa e política regional do grupo de defesa dos direitos digitais Access Now, Marwa Fatafta. Ela alerta que os apagões da internet estão se tornando um "novo normal". Segundo a Access Now, houve 313 apagões em 52 países em 2025, o maior número global desde o início do rastreamento, em 2016. Cidadãos de Mianmar, Índia, Paquistão, Rússia e Irã vivenciaram o maior número de apagões da internet no ano passado, segundo o grupo de defesa dos direitos digitais. A diretora-executiva do Centro de Direitos Humanos Abdorrahman Boroumand, Roya Boroumand, afirma que o vácuo informativo no Irã "permite que o Estado transmita sua narrativa, retratando os manifestantes como pessoas violentas ou agentes estrangeiros, enquanto suas vítimas, incluindo aquelas sentenciadas à morte, e as fontes de informação permanecem silenciadas". Esta é uma motivação importante para Sahand. "O regime iraniano comprovou que, durante um apagão, eles podem matar", afirma ele. "É super fundamental para os iranianos poder retratar o quadro real da situação." Ele destaca que as pessoas que se apresentam voluntariamente para ajudar no transporte ilegal dos aparelhos "estão conscientes do risco". Mas Sahand acrescenta que esta "é uma luta" e que "sentimos que precisamos intervir e ajudar, de alguma forma".

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