quinta-feira, 30 de abril de 2026

Zuckerberg atribui demissões em massa na Meta a investimento em IA e não descarta novos cortes


Meta O CEO Mark Zuckerberg faz um discurso durante o evento Meta Connect em Menlo Park REUTERS/Carlos Barria O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, atribuiu as demissões em massa planejadas na controladora do Facebook ao aumento dos investimentos em inteligência artificial. Ele também não descartou novos cortes de pessoal, em comentários feitos a funcionários durante uma reunião da empresa nesta quinta-feira (30). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Temos basicamente dois grandes centros de custo na empresa: infraestrutura de computação e coisas voltadas para as pessoas", disse Zuckerberg. "Se estivermos investindo mais em uma área para atender à nossa comunidade, isso significa que teremos menos capital para alocar na outra. Portanto, isso significa que precisamos reduzir um pouco o tamanho da empresa", acrescentou. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 Segundo Zuckerberg, os cortes na força de trabalho não estão relacionados à reorganização das equipes da Meta em torno de uma nova estrutura "nativa de IA", nem aos esforços para criar agentes de IA capazes de executar tarefas de trabalho de forma autônoma. O silêncio que a empresa vinha mantendo sobre as demissões em massa gerou indignação entre funcionários da Meta. Isso ocorre em meio a anúncios sobre a “transformação” organizacional orientada para IA, bem como uma nova iniciativa para rastrear movimentos do mouse, cliques e pressionamentos de teclas dos funcionários para treinar agentes de IA. Em alguns casos, os funcionários criticaram abertamente Zuckerberg e outros líderes da empresa no fórum interno de mensagens da Meta sobre as mudanças, de acordo com cópias dos comentários vistos pela Reuters. "Fazer com que todos usem internamente as ferramentas de IA e fazer o trabalho de forma mais eficiente não é o que está causando as demissões", disse Zuckerberg aos funcionários, embora tenha acrescentado que "veremos como todas essas coisas evoluem" e disse que a empresa "poderá compartilhar mais em breve". A sessão desta quinta-feira marcou a primeira vez que Zuckerberg se dirigiu diretamente aos funcionários sobre as demissões em massa desde que a Reuters noticiou o plano pela primeira vez, em março. A Meta pretende demitir cerca de 10% de sua força de trabalho em 20 de maio e está planejando cortes adicionais para o segundo semestre do ano. Zuckerberg e outros executivos confirmaram as demissões em massa de maio, mas se recusaram a falar sobre outros planos além desse. "Eu gostaria de poder dizer a vocês que tenho um plano de bola de cristal para os próximos três anos sobre como tudo isso vai se desenrolar. Não tenho. Acho que ninguém tem", disse ele.

'Não li as letras miúdas', diz Musk durante julgamento contra a OpenAI


Elon Musk chega ao tribunal para o julgamento contra a OpenAI. Godofredo A. Vásquez/AP Photo O bilionário Elon Musk discutiu com o advogado da OpenAI, criadora do ChatGPT, nesta quinta-feira (30). O empresário entrou com uma ação judicial contra a empresa e seu cofundador, Sam Altman, em 2024, alegando que a organização traiu sua missão original de operar como uma entidade sem fins lucrativos. Durante o interrogatório, o advogado da OpenAI, William Savitt, pressionou Musk sobre se ele havia lido um documento de termos enviado por Altman em 31 de agosto de 2017, relacionado à transição da OpenAI para uma organização com fins lucrativos sob supervisão. "Meu depoimento é que eu não li as letras miúdas, apenas a manchete", afirmou o bilionário, vestindo terno e gravata escuros e uma camisa branca. A OpenAI afirmou que Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, é movido por uma compulsão de controlar a empresa e estaria ressentido com seu sucesso após deixar o conselho em 2018. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 A empresa também afirmou que Musk não priorizou questões de segurança enquanto esteve à frente da OpenAI e que agora tenta impulsionar sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI — uma unidade da SpaceX que ainda está atrás da OpenAI em termos de adoção por usuários. A OpenAI liderou a popularização da inteligência artificial com o chatbot ChatGPT e vem captando bilhões de dólares de investidores para expandir sua capacidade computacional, mirando uma possível oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) avaliada em cerca de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5 trilhões). Musk busca mudanças fundamentais na governança da empresa, além de uma indenização de US$ 150 bilhões (R$ 748,3 bilhões). 'Você me interrompeu' Em alguns momentos, Musk demonstrou frustração com o interrogatório conduzido por Savitt. "Poucas respostas serão completas, especialmente quando você me interrompe o tempo todo", disse Musk. A juíza distrital dos Estados Unidos, Yvonne Gonzalez Rogers, advertiu posteriormente Savitt por não deixar Musk responder a uma pergunta, mas rejeitou as queixas do bilionário de que o advogado estivesse conduzindo mal o interrogatório. Musk também foi questionado sobre por que não processou a OpenAI anteriormente e sobre como e por que não percebeu que a empresa se tornaria uma entidade com fins lucrativos. Savitt apontou repetidamente para e-mails enviados a Musk por outros fundadores da OpenAI, nos quais era discutida a possibilidade de a companhia, em algum momento, deixar de disponibilizar sua tecnologia ao público ou passar a lucrar com ela. "Sam Altman e outros me garantiram que a OpenAI continuaria como uma organização sem fins lucrativos", disse Musk. Ao ser questionado, Musk afirmou ainda que sua empresa, a xAI, utilizou a OpenAI para treinar seus próprios modelos, acrescentando: “É prática comum usar outras inteligências artificiais para validar a própria IA.” Savitt também pressionou o bilionário sobre mensagens de texto e e-mails que indicariam que ele, em alguns momentos, demonstrou abertura à criação de uma entidade com fins lucrativos e que Altman o mantinha informado sobre os investimentos da Microsoft na OpenAI. Altman e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, estiveram presentes no tribunal durante grande parte do depoimento de Musk, acompanhando o interrogatório atentamente. Musk foi dispensado após mais de duas horas de interrogatório e, em seguida, seu principal assessor, Jared Birchall, prestou depoimento. US$ 150 bilhões em danos A OpenAI, fundada em 2015, evoluiu de um laboratório de pesquisa sem fins lucrativos, criado no apartamento de Brockman, para uma empresa avaliada em mais de US$ 850 bilhões (R$ 4,2 trilhões), que planeja abrir capital. Musk busca uma indenização de US$ 150 bilhões da OpenAI e da Microsoft, uma de suas principais investidoras, com o valor destinado ao braço filantrópico da OpenAI. Musk também quer que a OpenAI volte a ser uma organização sem fins lucrativos, com a destituição de Altman e Brockman de seus cargos de diretores e a remoção de Altman do conselho. As alegações incluem quebra de dever fiduciário e enriquecimento ilícito. "Não acho que se deva transformar uma organização sem fins lucrativos em uma empresa com fins lucrativos", disse Musk em resposta às perguntas de Savitt. "Não há nada de errado em ter uma organização com fins lucrativos, você só não pode roubar uma instituição de caridade." A OpenAI afirmou ter criado uma entidade com fins lucrativos para poder aceitar investimentos privados, que ajudariam a ampliar seu poder computacional e a remunerar cientistas altamente qualificados. Musk acusou a OpenAI de abandonar sua missão original de desenvolver inteligência artificial em benefício da humanidade. Steven Molo, advogado de Musk, argumentou no tribunal que o depoimento de especialistas sobre a capacidade da IA ​​de extinguir a humanidade deveria ser admitido como prova, afirmando: "O risco de extinção é um problema real. Este é um risco real. Todos nós podemos morrer." A juíza respondeu: “Acho irônico que seu cliente, apesar desses riscos, esteja criando uma empresa exatamente no mesmo setor”, referindo-se à xAI, empreendimento de inteligência artificial de Musk que agora faz parte da SpaceX. A juíza não permitiu o depoimento, afirmando: “Este não é um julgamento sobre os riscos de segurança da inteligência artificial.” O julgamento começou na segunda-feira e deve durar várias semanas. As próximas testemunhas, após o depoimento de Birchall, devem ser Brockman e o especialista em segurança de inteligência artificial Stuart Russell. *Com informações da agência de notícias Reuters.

China lança campanha contra uso indevido de IA


Pessoa digitando computador FreePik A Adminsitração do Ciberespaço da China (CAC, na sigla em inglês), o principal órgão regulador da internet no país, está lançando uma campanha contra o uso indevido de inteligência artificial. As informações foram divulgadas por meio de um comunicado nesta quinta-feira (30). A campanha deve acontecer em duas fases e durar quatro meses. Segundo o órgão, a ação visa combater "práticas ilícitas em aplicativos de IA" e terá como alvo a fraca revisão de segurança, o "envenenamento" de dados e as falhas nos registros em modelos de IA, além da rotulagem inadequada de conteúdo gerado inteligência artificial. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 A campanha também visará o uso indevido de conteúdo gerado por IA, incluindo informações falsas, conteúdo "violento e vulgar", falsificação de identidade e conteúdos que prejudiquem menores de idade. Ainda de acordo com o CAC, as autoridades removerão o conteúdo ilegal e nocivo e punirão as contas e plataformas online que não estiverem em conformidade, afirmou. *Esta reportagem está em atualização

Anatel suspende leilão da faixa 700 MHz após decisão da Justiça


Anatel suspende leilão da faixa 700 MHz após decisão da Justiça Júlia Martins/g1 A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou nesta quinta-feira (30) que o leilão de frequências na faixa de 700 MHz foi suspenso de maneira temporária pela Justiça. A decisão liminar foi proferida pela 10ª vara cível federal de São Paulo na noite de quarta-feira como parte de um mandado de segurança coletivo apresentado pela Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp). De acordo com o presidente da Comissão Especial de Licitação (CEL) da Anatel, Vinicius Caram, a agência está tomando "todas as medidas cabíveis para a reversão da decisão". A retomada do certame depende de nova decisão judicial, acrescentou Caram. O leilão envolve autorizações de uso de radiofrequências nas subfaixas de 708 MHz a 718 MHz e de 763 MHz a 773 MHz. Além de fortalecer o 4G, a faixa de 700 MHz também ajuda a ampliar o alcance do 5G.   Anteriormente, a agência disse que o investimento previsto é de R$2 bilhões.  Ao todo, oito operadoras participam do leilão: Claro, TIM, Telefônica Brasil, Amazônia Serviços Digitais, Brisanet, IEZ! Telecom, MHNet e Unifique.

Câmeras digitais portáteis voltam à moda com nostalgia e design surpresa


Kodak Charmera Divulgação A mistura de nostalgia com a tendência de comprar produtos “no escuro” tem impulsionado a popularidade das câmeras digitais portáteis entre jovens e colecionadores. Inspiradas em objetos de desejo dos anos 2000 (ou muito antes), essas câmeras apostam no mistério do design surpresa, semelhante ao fenômeno dos brinquedos Labubu. O principal destaque é a Kodak Charmera. Ao comprar, o consumidor escolhe apenas a caixa, sem saber qual será a cor da câmera: amarela, vermelha, azul, preta, branca ou colorida. 💡 Quer comprar melhor? Receba testes e dicas do Guia no seu e-mail. Vídeos em alta no g1 Existe ainda uma versão rara, com caixa transparente, cuja chance de encontrar é de 1 em 48, reforçando o apelo colecionável. Opções de cores da câmera Kodak Charmera, incluindo a edição secreta transparente Reprodução Apesar do visual divertido, as câmeras têm limitações técnicas. A resolução é baixa, em torno de 1,6 megapixel, bem distante dos 50 megapixels de smartphones atuais (ou até mais). As fotos saem opacas, com pouco contraste e cores suaves, além de filtros e molduras que simulam o efeito de câmeras analógicas dos anos 1980. Outro ponto é a ausência de conectividade: para transferir as imagens, é preciso retirar o cartão de memória ou conectar a câmera ao computador, como se fazia antigamente. Para quem busca mais praticidade, há alternativas como a Instax Pal, da Fujifilm, com um visual mais diferentão. O modelo permite transferir fotos via bluetooth para o app do celular e compartilhar diretamente nas redes sociais, mantendo o charme das molduras instantâneas da marca. Fotos feitas com a Fujifilm Instant Pal Henrique Martin/g1 Nas lojas online, é possível encontrar tanto a Instax Pal quanto a Kodak Charmera e outros modelos portáteis – incluindo alguns com capacidade de gravar vídeos, como a G5 Auto, em formato de carrinho de brinquedo. Os preços variam de R$ 300 a R$ 540, conforme pesquisa realizada no final de abril. Veja uma seleção de itens a seguir. Kodak Charmera FujiFilm Instax Pal Flexsmart Retrosnap Mini camera G5 Auto Retro TLR Camera Magecam Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Receita da Alphabet cresce mais de 20%, com melhor trimestre da história de unidade de nuvem após boom de IA


Google Arnd Wiegmann/Reuterus A Alphabet, empresa controladora do Google, reportou nesta quarta-feira (29) lucro e receita trimestrais que superaram as estimativas de Wall Street. O crescimento de 22% acontece depois de investimentos corporativos em inteligência artificial proporcionando à sua divisão de computação em nuvem a melhor alta em um trimestre desde o início do boom da IA. A receita total atingiu US$ 109,9 bilhões no primeiro trimestre do ano, enquanto previsões compiladas pela LSEG apontavam US$ 107,2 bilhões. O lucro operacional da unidade de nuvem triplicou, passando para US$ 6,6 bilhões no primeiro trimestre, de US$ 2,2 bilhões um ano antes. Vídeos em alta no g1 A receita do Google Cloud cresceu 63%, para US$ 20 bilhões no período, acima da expansão de 50,1% apontada pela média das projeções de analistas compiladas pela LSEG. Essa taxa de crescimento é a maior desde que a empresa passou a divulgar separadamente a receita do segmento, em 2020, segundo dados da LSEG. “2026 começou de forma extraordinária. Nossos investimentos em IA e nossa abordagem integrada de ponta a ponta estão impulsionando todas as áreas do negócio”, afirmou o CEO Sundar Pichai, referindo-se a todas as camadas da cadeia de tecnologia de IA, incluindo chips, data centers, modelos de IA e ferramentas para desenvolvedores. A carteira de contratos da unidade de nuvem quase dobrou na comparação trimestral, de acordo com a empresa, para mais de US$ 460 bilhões. A companhia disse que contava com 350 milhões de assinaturas pagas distribuídas entre o YouTube, seu serviço de armazenamento em nuvem, o serviço avançado de IA Google One e outros produtos. A carteira de pedidos da unidade de nuvem quase dobrou em relação ao trimestre anterior, segundo a empresa, ultrapassando US$460 bilhões. Leia também: UE diz que Meta falha em impedir crianças de usar Facebook e Instagram Investimento em IA A forte demanda por serviços de IA baseados em nuvem continua superando a oferta em todo o setor, levando as gigantes de tecnologia a acelerar investimentos em data centers, chips avançados e equipamentos de rede. Os investimentos (capex) da Alphabet mais do que dobraram em relação a um ano antes, para US$ 35,67 bilhões, mas ficaram ligeiramente abaixo da estimativa de US$ 36,06 bilhões. A empresa informou no trimestre passado que planeja investir entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em capex neste ano. Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta devem gastar juntas bem mais de US$600 bilhões neste ano para expandir a capacidade de IA. Saiba também: Documentos mostram que apenas Elon Musk pode demitir Elon Musk da SpaceX, diz agência Famílias de vítimas processam dona do ChatGPT por massacre que deixou 8 mortos no Canadá México reconhece 'cachorro caramelo' como raça mexicana e provoca reação de brasileiros na

UE diz que Meta falha em impedir crianças de usar Facebook e Instagram


Vídeos em alta no g1 Facebook e Instagram, plataformas da Meta, foram acusados nesta quarta-feira de violar regras da União Europeia e de não fazer o suficiente para impedir que crianças com menos de 13 anos acessem as redes sociais. A avaliação foi divulgada por reguladores do bloco. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As conclusões fazem parte de uma investigação conduzida pela Comissão Europeia com base na Lei de Serviços Digitais (DSA), norma que exige que grandes empresas de tecnologia combatam conteúdos ilegais e prejudiciais em suas plataformas. A apuração durou dois anos. A Meta afirmou que discorda das conclusões preliminares. A empresa ainda pode responder às acusações e adotar medidas antes que a Comissão Europeia tome uma decisão final. Caso as violações sejam confirmadas, a multa pode chegar a até 6% do faturamento anual global da companhia. A iniciativa ocorre em meio a preocupações crescentes em diferentes países sobre os efeitos das redes sociais sobre crianças. Governos e especialistas têm pressionado as grandes empresas de tecnologia a reforçar mecanismos de proteção e controle nas plataformas. Segundo o órgão de fiscalização da UE, a Meta não tem feito o suficiente para aplicar as restrições que impedem crianças menores de 13 anos de usar Facebook e Instagram. Os reguladores também apontaram falhas nos sistemas usados para identificar e remover contas de menores quando elas são criadas. De acordo com os dados citados pela investigação, entre 10% e 12% das crianças com menos de 13 anos na Europa utilizam as duas plataformas. "Nossas conclusões preliminares mostram que o Instagram e o Facebook estão fazendo muito pouco para evitar que crianças abaixo dessa idade acessem seus serviços", disse a chefe de tecnologia da UE, Henna Virkkunen, em um comunicado. "Os termos e condições não devem ser meras declarações escritas, mas sim a base de ações concretas para proteger os usuários, inclusive as crianças", declarou ela. A Meta afirma que possui medidas para detectar e remover contas de usuários menores de 13 anos e disse que pretende anunciar novas iniciativas na próxima semana. "A compreensão da idade é um desafio para todo o setor, que exige uma solução para todo o setor, e continuaremos a nos envolver de forma construtiva com a Comissão Europeia nessa importante questão", disse um porta-voz da Meta. Logo da Meta, empresa dona do Instagram e Facebook. Tony Avelar/AP

Musk e Zuckerberg viram cães-robôs que fazem 'cocô artístico' em museu


Da esquerda para a direita: Robôs à semelhança de Jeff Bezos, Elon Musk, Andy Warhol e Kim Jong Un, exibidos na instalação intitulada Animais Regulares, do artista Beeple. AP/Markus Schreiber Um museu de Berlim virou palco de uma cena inusitada: cães-robôs com cabeças de silicone hiper-realistas de figuras como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos circulam pelo local e, ocasionalmente, "fazem cocô" de imagens impressas. A instalação interativa, intitulada "Regular Animals", é obra do artista americano Beeple (Mike Winkelmann) e está em exibição na Neue Nationalgalerie. 📩 Assine a newsletter do Guia de Compras do g1 com testes e dicas de tecnologia 💩🖼️ As imagens expelidas pelos robôs são capturadas por câmeras integradas que registram o ambiente. Por meio de IA, o sistema transforma as fotos para que se assemelhem à visão de mundo da personalidade representada no robô. Além das personalidades que representam as "big techs", a exposição também conta com robôs de Kim Jong-un, ditador da Coreia do Norte, do pintor Pablo Picasso e da artista pop Andy Warhol. Enquanto o cão com o rosto de Pablo Picasso gera imagens cubistas, o modelo inspirado em Andy Warhol produz fotos no estilo pop art. Vídeos em alta no g1 Segundo os organizadores, a exposição é um comentário sobre como as percepções humanas são moldadas por algoritmos e plataformas tecnológicas. Beeple afirma que, no passado, a visão de mundo era influenciada por artistas, mas que hoje essa função cabe aos bilionários da tecnologia, que decidem o que as pessoas veem ou deixam de ver por meio de seus códigos poderosos. A obra foi apresentada originalmente na Art Basel Miami Beach 2025, nos EUA, onde o artista distribuiu as fotos feitas pelos cachorros com certificados que as descreviam ironicamente como "100% orgânicas". Robôs com a imagem de Elon Musk, em primeiro plano, e Jeff Bezos, à direita, estão expostos na instalação intitulada Regular Animals, do artista Beeple. AP/Markus Schreiber O artista Beeple, Mike Winkelmann, posa dentro de sua instalação intitulada Regular Animals, com robôs à semelhança de Kim Jong Un, à esquerda, Elon Musk, segundo à esquerda, Jeff Bezos, ao centro, e Mark Zuckerberg, à direita. AP/Markus Schreiber Algumas das imagens continham códigos QR que davam acesso a NFTs (tokens não fungíveis) gratuitos, permitindo que o público pudesse monetizar a arte digital doada pelo autor. Beeple é um dos artistas vivos mais valorizados do mundo, ocupando o terceiro lugar em preços de leilão, atrás apenas de David Hockney e Jeff Koons. Em 2021, ele fez história ao vender uma colagem digital por mais de US$ 69 milhões em um leilão da Christie's. Aquela venda foi a primeira vez que uma grande casa de leilões ofereceu uma obra puramente digital com um NFT como garantia de autenticidade e aceitou criptomoedas como pagamento. O artista é conhecido por criar e publicar uma nova imagem online todos os dias, em um movimento que descreve como críticas à sociedade moderna e às redes sociais por meio de cenários distópicos. Um Robô com a imagem de Kim Jong Un exibido na instalação intitulada Animais Regulares, do artista Beeple. AP/Markus Schreiber Cão-robô de Elon Musk. Divulgação/Beeple (Mike Winkelmann) Cão-robô de Mark Zuckerberg. Divulgação/Beeple (Mike Winkelmann) Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio México reconhece 'cachorro caramelo' como raça mexicana e provoca reação de brasileiros na O que acontece com seus dados na internet quando você morre?

Famílias de vítimas processam dona do ChatGPT por massacre que deixou 8 mortos no Canadá


Homenagem às vítimas do massacre que deixou nove mortos em uma escola de Tumbler Ridge, no Canadá, em fevereiro de 2026 Christinne Muschi/The Canadian Press via AP Familiares das vítimas de um dos massacres mais mortais da história do Canadá entraram com um processo contra a OpenAI, dona do ChatGPT, e o CEO Altman, em um tribunal dos EUA, nesta quarta-feira (29). No massacre ocorrido em fevereiro em Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, uma atiradora matou oito pessoas, muitas deles crianças, e cometeu suicídio em seguida. Segundo a alegação dos familiares, a empresa identificou o atirador como uma potencial ameaça oito meses antes do ataque, mas não alertou a polícia. Vídeos em alta no g1 As ações judiciais, apresentadas no tribunal federal de São Francisco, acusam os líderes da OpenAI de não alertarem a polícia porque isso iria expor o volume de conversas relacionadas à violência no ChatGPT e poderia colocar em risco o caminho da empresa de buscar uma oferta pública inicial de quase US$ 1 trilhão. Um porta-voz da OpenAI classificou o tiroteio como “uma tragédia” e disse que a empresa tem uma política de tolerância zero para o uso de suas ferramentas na facilitação de atos violentos. “Como compartilhamos com as autoridades canadenses, já fortalecemos nossas salvaguardas, incluindo a melhoria de como o ChatGPT responde a sinais de angústia, conectando pessoas com suporte local e recursos de saúde mental, reforçando como avaliamos e escalamos ameaças potenciais de violência e aprimorando a detecção de reincidência de violadores de políticas”, disse o porta-voz em comunicado. Onda de processos Os casos fazem parte de uma onda crescente de processos acusando empresas de inteligência artificial de não prevenirem interações em chatbots que, segundo os autores, contribuem para automutilação, doenças mentais e violência. Essas acusações são as primeiras, nos EUA, a alegar que o ChatGPT teve um papel na facilitação de um massacre. Jay Edelson, que representa os autores do processo, disse que planeja apresentar mais duas dezenas de ações judiciais nas próximas semanas contra a OpenAI, em nome de outras pessoas impactadas pelo tiroteio. Vítimas do ataque em escola e casa em cidade do Canadá Divulgação/RCMP.CA

Só Elon Musk pode demitir Elon Musk da SpaceX, mostra documento


A SpaceX está informando investidores de que ninguém pode destituir Elon Musk de seu cargo de diretor-executivo (CEO) e presidente do conselho sem o consentimento do próprio bilionário fundador, segundo um trecho do pedido de abertura de capital (IPO) analisado pela Reuters. Elon Musk no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), em janeiro de 2026 AP Photo/Markus Schreiber *Texto em atualização

Em julgamento, Musk diz que OpenAI, dona do ChatGPT, era sua ideia e que não buscava lucro


Elon Musk é interrogado por seu advogado Steven Molo durante o processo de Musk sobre a conversão da OpenAI para lucro em um tribunal federal em Oakland, Califórnia, EUA, em 28 de abril de 2026, em um retrato no tribunal. REUTERS/Vicki Behringer Em depoimento na terça-feira (28), no julgamento que opõe Elon Musk à OpenAI, o bilionário afirmou ser o criador do projeto que hoje controla o ChatGPT e disse que nunca pensou em lucrar com a empresa, segundo informações da agência Reuters. A disputa judicial, iniciada por Musk em 2024, gira em torno da alegação de que a organização teria traído sua missão original de atuar como entidade sem fins lucrativos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Eu tive a ideia, o nome, recrutei as pessoas-chave, ensinei tudo o que sei e forneci todo o financiamento inicial", disse Musk. "Foi especificamente concebido como uma instituição de caridade que não beneficia nenhuma pessoa individual. Eu poderia ter criado uma empresa com fins lucrativos, mas escolhi não fazer isso", completou ele. Vídeos em alta no g1 "Se permitirmos o saque de uma instituição de caridade, toda a base da filantropia nos Estados Unidos será destruída", afirmou Musk no primeiro dia do julgamento. "Essa é a minha preocupação." William Savitt, advogado da OpenAI, disse que Musk queria "as chaves do reino" e só entrou com o processo após fracassar em seus objetivos. Segundo ele, o bilionário iniciou, em 2023, seu próprio negócio de inteligência artificial, a xAI, hoje parte da SpaceX. "O que importa para ele é estar no topo", disse Savitt em sua declaração inicial. "Estamos aqui porque o Sr. Musk não conseguiu o que queria", completou. Já o advogado de Musk, Steven Molo, afirmou aos jurados que os réus da OpenAI é que estariam motivados por interesses financeiros, à medida que a empresa passou a atrair investidores, incluindo a Microsoft, que investiu US$ 10 bilhões em janeiro de 2023. Entenda a treta Elon Musk reage em um tribunal federal durante um intervalo do julgamento em seu processo sobre a conversão da OpenAI para lucro e conversão com fins lucrativos, em Oakland, Califórnia. REUTERS/Manuel Orbegozo Um dos cofundadores originais da OpenAI, Musk afirma que a empresa, liderada por Sam Altman e Greg Brockman, abandonou o foco no benefício da humanidade para se tornar uma "máquina de riqueza". Musk pede US$ 150 bilhões em danos da OpenAI e da Microsoft. Segundo pessoas ligadas ao caso, o valor seria destinado ao braço filantrópico da OpenAI. Além do valor financeiro, o bilionário quer que a OpenAI volte a ser estritamente sem fins lucrativos e que Altman e Brockman sejam removidos de seus cargos executivos. O empresário sustenta que foi mantido no escuro sobre a criação de uma estrutura comercial em 2019 e que seu nome e apoio financeiro foram usados indevidamente para atrair investidores. Musk investiu cerca de US$ 38 milhões na OpenAI entre 2016 e 2020. A defesa da OpenAI Sam Altman, CEO da OpenAI Yuichi YAMAZAKI / AFP Os advogados da OpenAI rebatem as acusações afirmando que Musk é motivado pelo desejo de controle e pelo interesse em impulsionar sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI, fundada por ele em 2023. A empresa afirma que Musk participou das discussões para a mudança de estrutura e que ele mesmo exigiu ser o CEO na época. A Microsoft, também ré no processo, nega qualquer conspiração e afirma que sua parceria com a OpenAI só ocorreu após a saída de Musk do conselho da empresa. Em comunicado intitulado "A verdade sobre Elon Musk e a OpenAI", divulgado nesta segunda (27), a OpenAI contra-atacou. No texto, a empresa afirma que as ações do bilionário são motivadas por "ciúmes, arrependimento por ter abandonado a OpenAI e desejo de descarrilar uma concorrente". "Elon passou anos assediando a OpenAI por meio de processos infundados e ataques públicos. Ele está usando seu processo para atacar a fundação sem fins lucrativos OpenAI, que é focada em trabalhos em áreas como ciências da vida e na cura de doenças para o benefício de todos", diz o comunicado. De 'Projeto Manhattan' a disputa de egos Logo da OpenAI, dona do ChatGPT AP Photo/Michael Dwyer Documentos internos revelados no processo oferecem detalhes sobre a evolução da empresa, que nasceu em um laboratório de pesquisa no apartamento de Greg Brockman e hoje é avaliada em mais de US$ 850 bilhões. Altman apresentou a ideia a Musk em 2015, descrevendo-a como o "Projeto Manhattan da IA". O apoio de Musk foi fundamental para atrair cientistas de elite. Em 2017, tensões surgiram quando Musk questionou a viabilidade do projeto e tentou assumir o controle como CEO. Na mesma época, anotações do diário de Brockman revelavam o desejo de "se livrar" de Musk, chamando-o de "líder glorioso" de forma irônica. Musk deixou o conselho em 2018, prevendo que a OpenAI fracassaria diante do Google. Em 2019, a empresa se reestruturou para aceitar investimentos externos, e o lançamento do ChatGPT no fim de 2022 consolidou seu sucesso global. O desfecho do caso ocorre em um momento crítico. A OpenAI prepara uma possível abertura de capital que pode elevar seu valor de mercado para US$ 1 trilhão. Do outro lado, a xAI de Musk tenta diminuir a distância tecnológica para o ChatGPT, enquanto a SpaceX também planeja seu IPO (oferta pública de ações). *Com informações da agência de notícias Reuters. Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio Pesquisa mostra que chatbots dão péssimos conselhos e bajulam usuário; saiba os riscos Da infância na Ucrânia até a lista da Forbes: quem foi Leonid Radvinsky,dono do OnlyFans

O que está por trás da disputa entre os ex-amigos Elon Musk e Sam Altman, do ChatGPT, nos tribunais dos EUA


Elon Musk e Sam Altman Getty Images via BBC A amarga rivalidade entre Elon Musk e o CEO da OpenAI, Sam Altman, já dura anos, mas tem se manifestado principalmente nas redes sociais na forma de acusações, respostas e provocações. Na segunda-feira (27/04), Musk voltou a atacar Altman em uma publicação no X, chamando-o de "Scam Altman" (Altman golpista, em tradução livre). Contudo, desde a terça-feira (28/04), o confronto entre os bilionários da tecnologia passou a ganhar um palco de maior repercussão: um tribunal federal na Califórnia, onde a disputa deve concentrar atenções em um julgamento com duração de um mês. O tribunal vai analisar a ação movida por Musk, que acusa Altman — com quem cofundou a OpenAI — de tê-lo enganado em milhões de dólares e de ter traído a missão original sem fins lucrativos da empresa responsável pelo ChatGPT. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 O próprio Musk e Altman estão entre os que devem depor em um caso no qual o futuro da inteligência artificial pode estar em jogo. E, embora um deles deva sair vencedor, é bem possível que nenhum dos dois saia ileso. A batalha já foi comparada a dois boxeadores pesos-pesados subindo ao ringue. Um observador, inclusive, a descreve como um confronto entre King Kong e Godzilla. "Musk e Altman são figuras gigantescas, colossais e tão distantes da realidade cotidiana", afirma Sarah Federman, professora da Universidade de San Diego e especialista em resolução de conflitos. "E é justamente isso que torna tão fascinante assistir enquanto entram em choque." Um júri composto por nove pessoas, que prestaram juramento na segunda-feira, ajudará a definir o desfecho do caso sob a supervisão da juíza Yvonne Gonzalez Rogers. A magistrada afirmou que a enorme riqueza, o poder e a fama que Musk e Altman levam ao tribunal federal de Oakland não lhes garantirão "nenhum tratamento especial". Musk também entrou com ações contra a OpenAI, seu cofundador e presidente Greg Brockman, além da Microsoft, que, segundo ele, ajudou no plano de monetizar a empresa. A Microsoft, no entanto, nega as acusações. Musk pede bilhões de dólares no que seus advogados chamam de "ganhos indevidos", valor que ele quer destinar ao financiamento do braço sem fins lucrativos da OpenAI, além de mudanças na empresa, incluindo a saída de Altman. A OpenAI, por sua vez, afirma que Musk é movido por inveja e arrependimento por ter deixado a empresa. E, com a corrida rumo à inteligência artificial geral (AGI) avançando a todo vapor, a empresa acusa Musk de tentar atrapalhar um de seus principais concorrentes. A origem da briga Musk e Altman cofundaram a OpenAI em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, com a missão de garantir que a AGI beneficiasse toda a humanidade. A AGI é, em termos gerais, definida como uma inteligência artificial capaz de superar a inteligência humana. Na época da fundação da OpenAI, Musk já era uma figura de enorme destaque. Era visto como um tecnólogo incansável que, à frente da Tesla, ajudou a popularizar os veículos elétricos, enquanto desenvolvia tecnologias inovadoras de foguetes reutilizáveis na SpaceX. Altman, por sua vez, era bastante conhecido dentro do Vale do Silício, embora ainda pouco fora dele. Como líder da influente incubadora Y Combinator, suas opiniões — frequentemente publicadas nas redes sociais, em tom quase oracular — eram acompanhadas de perto por fundadores de startups. Os dois foram apresentados por um investidor do Vale do Silício em 2012. Altman, então na casa dos 20 anos, e 14 anos mais jovem que Musk, acabou apresentando a ideia da OpenAI ao empresário. O desenvolvimento responsável da inteligência artificial era um dos pilares centrais da proposta. Dentro da OpenAI, os dois mantiveram uma relação cordial, unidos pela crença no potencial da tecnologia. Durante uma participação conjunta em uma conferência em 2015, Musk afirmou que a IA era a tecnologia que "mais poderia transformar a humanidade", mas alertou que também era "realmente obscura" e "repleta de desafios". Mas o que começou como uma organização sem fins lucrativos acabou sendo transformado em uma entidade com fins lucrativos — de forma ilegal, segundo Musk. Já a OpenAI afirma que, em 2017, houve um acordo entre Musk e os demais envolvidos de que a criação de uma estrutura com fins lucrativos seria o próximo passo lógico "para avançar a missão". A empresa diz que rejeitou a proposta de Musk de assumir o cargo de CEO com "controle absoluto". Musk deixou a OpenAI em 2018, após uma disputa de poder com Altman. "Pessoal, já me cansei disso", escreveu Musk em um e-mail alguns meses antes de sua saída. "Ou vocês seguem por conta própria ou continuam com a OpenAI como uma organização sem fins lucrativos. Não vou mais financiar a OpenAI até que haja um compromisso firme de vocês em permanecer assim, ou então serei apenas um tolo basicamente bancando gratuitamente a criação de uma startup." Em 2022, a OpenAI deu início à revolução da IA voltada ao consumidor com o lançamento do ChatGPT, que rapidamente ganhou popularidade e alcançou 100 milhões de usuários ativos mensais em poucos meses. Desde então, Musk criou sua própria startup de inteligência artificial, a xAI, responsável pelo chatbot Grok, que ficou atrás dos concorrentes. Ao entrar com a ação em 2024, Musk alegou que a OpenAI havia se desviado de sua missão original e passado a priorizar a "maximização de lucros" para a Microsoft. Ele afirmou ter doado cerca de US$ 40 milhões à OpenAI, após ter sido manipulado pelos envolvidos, que, segundo ele, o traíram ao tentar transformar a organização em uma entidade majoritariamente com fins lucrativos. Batalha de titãs da tecnologia Desde que a ação foi movida, a animosidade entre Musk e Altman tem vindo a público com frequência. No ano passado, Musk e um consórcio de investidores ofereceram US$ 97,4 bilhões para comprar os ativos da OpenAI. A empresa havia sido avaliada em US$ 157 bilhões em uma rodada recente de financiamento (e agora se aproxima de uma possível abertura de capital, ou IPO, com valor estimado em cerca de US$ 850 bilhões). A OpenAI rejeitou a oferta, e Altman respondeu na plataforma X — rede social de Musk, anteriormente conhecida como Twitter —: "não, obrigado, mas compramos o Twitter por US$ 9,74 bilhões, se você quiser". "Vigarista", retrucou Musk em um comentário na publicação. Mensagens privadas com Mark Zuckerberg também mostram Musk perguntando ao chefe da Meta se ele estaria "aberto à ideia de fazer uma oferta pela propriedade intelectual da OpenAI comigo e outros?". O interesse de Musk em comprar a empresa pode acabar confundindo o cenário do julgamento, afirma Dorothy Lund, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Columbia. "Musk já tentou assumir o controle da OpenAI várias vezes. Foi rejeitado", disse à BBC. "Por isso, não é absurdo pensar que suas motivações possam ser um pouco questionáveis neste caso. A própria juíza responsável pelo processo, Yvonne Gonzalez Rogers, já chamou atenção para isso." Detalhes pitorescos Também é esperado que o tribunal ouça o depoimento do CEO da Microsoft, Satya Nadella, dos ex-cientistas da OpenAI Mira Murati e Ilya Sutskever, e da ex-integrante do conselho da OpenAI Shivon Zilis, que é mãe de quatro dos filhos de Musk. Nos preparativos para o julgamento, vieram à tona detalhes curiosos da vida privada dos bilionários envolvidos, enquanto seus advogados travam disputas acaloradas sobre quais provas e testemunhos devem ou não ser apresentados ao júri. Por exemplo, a juíza decidiu que não será permitido mencionar no tribunal o suposto uso, pelo chefe da Tesla, de "rhino ket" — como a ketamina é chamada na gíria do Vale do Silício. A equipe jurídica de Musk também virou notícia. Um de seus advogados tem trabalhado como palhaço nas horas vagas, segundo o Business Insider. Outro, que também atua como produtor em Hollywood, teve o perfil publicado recentemente pela revista Vanity Fair. O que está em jogo O que está em jogo neste caso é de grande magnitude para Musk e para a OpenAI — e, potencialmente, para todos nós. No fim de 2023, Musk defendia uma pausa no desenvolvimento da inteligência artificial. Em meio a essa onda de preocupação com o ritmo acelerado dos avanços tecnológicos, Altman chegou a ser afastado temporariamente do cargo de CEO da OpenAI, após suspeitas de que teria enganado membros do conselho. Agora, com a xAI — empresa que foi recentemente adquirida pela SpaceX, sua companhia de foguetes que se prepara para abrir capital —, Musk está profundamente envolvido na corrida rumo à inteligência artificial geral (AGI). "Se Musk vencer, isso pode significar a derrota de um concorrente-chave na corrida pela AGI", afirmou Rose Chan Loui, diretora executiva do Centro Lowell Milken de Filantropia e Organizações Sem Fins Lucrativos da UCLA. "Quem vencer essa corrida terá um enorme poder." Chan Loui avalia que Musk tenta se posicionar como a pessoa mais adequada para representar, de forma justa, os interesses da OpenAI enquanto organização sem fins lucrativos. "Embora eu reconheça que ele trouxe visibilidade ao tema, há preocupação de que não seja imparcial, já que lidera sua própria e grande empresa de IA", disse. Para Sarah Federman, autora do livro Corporate Reckoning, a credibilidade de quem move esse tipo de ação é um fator central. O julgamento entre Musk e Altman ocorre justamente no momento em que o público começa a compreender melhor como a inteligência artificial está sendo integrada ao dia a dia. Ambos foram pioneiros em levar essa tecnologia ao grande público. O processo pode lançar nova luz sobre suas ambições e intenções em relação ao desenvolvimento de uma tecnologia que já é utilizada por uma parcela crescente da população mundial. Em King Kong contra Godzilla, "todos os mortais lá embaixo tentam escapar enquanto esses gigantes se enfrentam", diz Federman. "No fim, um vence, mas o que fica é um rastro com o qual o resto de nós terá de conviver."

terça-feira, 28 de abril de 2026

EUA ordenam suspensão de envio de máquinas à 2ª maior fabricante de chips da China, diz agência


EUA e China marcam disputa no avanço da IA Reprodução/ TV Globo O Departamento de Comércio dos Estados Unidos ordenou que diversas empresas do setor de semicondutores interrompam o envio de determinadas ferramentas à Hua Hong, a segunda maior fabricante de chips da China. A informação é da Reuters. A medida, adotada na semana passada, é a mais recente tentativa de desacelerar o desenvolvimento de chips avançados no país, segundo duas fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela agência. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O departamento enviou cartas a algumas empresas informando sobre novas restrições a ferramentas e outros materiais destinados às instalações da Hua Hong, que autoridades americanas acreditam poder produzir os chips mais avançados da China, segundo as fontes. Entre as empresas que teriam recebido a carta estão grandes fabricantes de equipamentos para chips dos EUA, como Lam Research, Applied Materials e KLA, todas com forte presença no mercado chinês. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 A Reuters informou, em março, que o grupo Hua Hong havia desenvolvido tecnologias avançadas de fabricação que poderiam ser usadas na produção de chips de inteligência artificial — um marco nos esforços de Pequim para ampliar a autossuficiência tecnológica. A unidade de fabricação sob contrato do grupo, a Huali Microelectronics, se preparava para adotar um processo de produção de 7 nanômetros em sua planta em Xangai, segundo fontes ouvidas pela Reuters. A SMIC, maior fabricante contratada de chips da China, é atualmente a única empresa do país capaz de produzir chips com tecnologia de 7 nanômetros, segundo a reportagem. A empresa não respondeu imediatamente a pedidos de comentário. As cartas do Departamento de Comércio também visam impedir envios à Huali, segundo as fontes. As ações da KLA, Lam e Applied caíram entre 4% e 6% após a divulgação das cartas pela Reuters. Já os papéis da Hua Hong recuaram 3,5% na terça-feira. EUA buscam proteger liderança em chips de IA Nos últimos anos, o Departamento de Comércio tem restringido o envio de equipamentos dos EUA para fábricas chinesas que produzem chips avançados, como parte de um esforço para preservar a liderança tecnológica do país na produção de chips de inteligência artificial e outros semicondutores, por razões de segurança nacional. As cartas recentes dão continuidade a essa política, mas podem aumentar as tensões com a China antes da reunião prevista, em maio, entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim. Empresas americanas de equipamentos para chips e outros fornecedores podem perder bilhões de dólares em vendas, disse uma das fontes, especialmente se abastecem fábricas em construção ou em processo de modernização para produzir chips mais avançados. As restrições podem desacelerar o avanço da indústria chinesa de semicondutores, embora a Hua Hong possa substituir os equipamentos por alternativas de fornecedores estrangeiros ou locais. Um porta-voz do Departamento de Comércio se recusou a comentar. A Hua Hong não respondeu imediatamente a pedidos de comentário feitos pela Reuters. Lam Research, Applied Materials e KLA também não se manifestaram.

Musk e OpenAI, dona do ChatGPT, vão ao tribunal no segundo dia de julgamento


Sam Altman e Elon Musk Fotos: Reuters Um julgamento que pode ajudar a moldar o futuro da inteligência artificial começa nesta terça-feira (28), colocando os bilionários Elon Musk e Sam Altman em lados opostos sobre a transformação da OpenAI, criadora do ChatGPT. A disputa judicial, iniciada por Musk em 2024, foca na alegação de que a organização traiu sua missão original de ser uma entidade sem fins lucrativos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As declarações iniciais do processo ocorrerão no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, após a seleção, na véspera, de nove jurados. Musk, que é a pessoa mais rica do mundo, está exigindo US$ 150 bilhões em indenizações, em um processo que também envolve Microsoft, uma de suas maiores investidoras. Segundo o bilionário, o valor arrecadado será destinado ao braço beneficente da OpenAI. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 Musk também pede que a OpenAI volte a operar como uma organização sem fins lucrativos, com Altman e Brockman afastados de seus cargos executivos, além da remoção de Altman do conselho. Musk e Altman compareceram ao tribunal na manhã de terça-feira para apresentar suas declarações iniciais. Musk, fundador da Tesla e da SpaceX, afirmou ter aportado cerca de US$ 38 milhões em capital inicial na OpenAI em sua missão original, antes de ver a empresa se tornar uma entidade com fins lucrativos em março de 2019, pouco mais de um ano após sua saída do conselho. Já a OpenAI argumenta que Musk tinha conhecimento da mudança de estrutura e a apoiava, entrando com o processo apenas depois de não conseguir assumir o cargo de CEO e de fundar sua própria empresa de inteligência artificial. Musk diz não buscar indenização pessoal, mas sim responsabilizar os réus por violação de dever fiduciário e enriquecimento ilícito. A juíza distrital dos EUA, Yvonne Gonzalez Rogers, disse esperar que os jurados iniciem as deliberações sobre a responsabilidade dos réus até 12 de maio. O júri é composto por enfermeiros, funcionários municipais e aposentados. Caso considerem os réus responsáveis, ambas as partes apresentarão ao juiz seus argumentos sobre eventuais medidas a serem adotadas. Entre os nomes esperados para depor pessoalmente estão o próprio Musk, o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o CEO da Microsoft, Satya Nadella. Shivon Zilis, ex-membro do conselho da OpenAI e mãe de quatro filhos de Musk também deve ser uma testemunha-chave do processo. De 'Projeto Manhattan' a disputa de egos Documentos internos revelados no processo oferecem detalhes sobre a evolução da empresa, que nasceu em um laboratório de pesquisa no apartamento de Greg Brockman e hoje é avaliada em mais de US$ 850 bilhões. Altman apresentou a ideia a Musk em 2015, descrevendo-a como o "Projeto Manhattan da IA". O apoio de Musk foi fundamental para atrair cientistas de elite. Em 2017, tensões surgiram quando Musk questionou a viabilidade do projeto e tentou assumir o controle como CEO. Na mesma época, anotações do diário de Brockman revelavam o desejo de "se livrar" de Musk, chamando-o de "líder glorioso" de forma irônica. Musk deixou o conselho em 2018, prevendo que a OpenAI fracassaria diante do Google. Em 2019, a empresa se reestruturou para aceitar investimentos externos, e o lançamento do ChatGPT no fim de 2022 consolidou seu sucesso global. O desfecho do caso ocorre em um momento crítico. A OpenAI prepara uma possível abertura de capital que pode elevar seu valor de mercado para US$ 1 trilhão. Do outro lado, a xAI de Musk tenta diminuir a distância tecnológica para o ChatGPT, enquanto a SpaceX também planeja seu IPO (oferta pública de ações). *Com informações da agência de notícias Reuters.

Austrália prevê taxa a Google, Meta e TikTok se não fecharem acordo por uso de notícias de jornais do país


Meta e Google revelam nova geração de chip de inteligência artificial AP/Reuters O governo da Austrália anunciou nesta terça-feira (28) que gigantes da tecnologia como Meta, Google e TikTok podem enfrentar taxações caso não negociem pagamentos a veículos de mídia locais pelo uso de notícias em suas plataformas. A proposta prevê a criação de um "Incentivo de Negociação de Notícias", que tributaria as empresas em 2,25% sobre suas receitas locais se não houver acordos diretos. O dinheiro arrecadado seria destinado a empresas de notícias para impulsionar o jornalismo australiano. 📩 Assine a newsletter do Guia de Compras do g1 com testes e dicas de tecnologia Segundo a Ministra das Comunicações, Anika Wells, a medida é uma questão de justiça, já que as grandes plataformas lucram com o trabalho jornalístico que enriquece seus feeds. Wells explicou que, caso uma plataforma decida não fechar acordos, o governo recolherá o valor da taxa e fará o repasse às organizações de notícias com base no número de jornalistas empregados. O projeto prevê ainda compensações maiores para acordos feitos com veículos de mídia de pequeno porte. Vídeos em alta no g1 A nova regra deve entrar em vigor no ano fiscal que começa em 1º de julho de 2025 e será aplicada a empresas com serviços "significativos" de busca ou redes sociais e receita local acima de 250 milhões de dólares australianos (cerca de US$ 179,3 milhões). Ferramentas de inteligência artificial não estão incluídas neste pacote, pois possuem regulamentação própria. A proposta recebeu apoio de grandes grupos de mídia do país, como a News Corp Australia e a emissora pública ABC, que classificaram o plano como um passo crítico para a sustentabilidade do setor. Por outro lado, a Meta criticou a medida, afirmando que a proposta não passa de um "imposto sobre serviços digitais" e que o modelo criaria uma indústria dependente de subsídios governamentais. O Google também manifestou oposição, rejeitando a necessidade da taxa, enquanto o TikTok preferiu não comentar. O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, também rebateu possíveis preocupações sobre reações negativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja administração se opõe a impostos sobre serviços digitais. Albanese afirmou que a Austrália é uma nação soberana e que seu governo tomará decisões baseadas no interesse nacional do país. ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária Pesquisa mostra que chatbots dão péssimos conselhos e bajulam usuário; saiba os riscos Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio

Por que o Spotify não tem um botão para filtrar música feita por IA


Em alguns serviços de streaming de música, não está claro se você está ouvindo música feita por IA. Getty Images via BBC Em meados de 2025, a frustração de Cedrik Sixtus chegou a um novo limite. Ao perceber que suas playlists no Spotify estavam cada vez mais repletas de faixas que ele suspeitava terem sido geradas por inteligência artificial (IA), o programador, que vive em Leipzig, na Alemanha, criou uma ferramenta para rotular e bloquear automaticamente esse tipo de música nas suas playlists. Batizado de Spotify AI Blocker, o software foi publicado em plataformas de compartilhamento de código e centenas de pessoas o baixaram. A ferramenta filtra uma lista crescente de mais de 4,7 mil artistas suspeitos de usar IA, com base em iniciativas comunitárias de monitoramento e em sinais como um volume incomum de lançamentos, capas com estética típica de IA e o apoio de ferramentas externas de detecção. "É uma questão de escolha — se você quer ouvir música feita por IA ou não", afirma Sixtus. Para ele, o ideal seria que o próprio Spotify identificasse claramente esse tipo de conteúdo e oferecesse a opção de filtrá‑lo. Vídeos em alta no g1 A ferramenta de Sixtus é instalada inicialmente no navegador pela versão do Spotify para web. Ele alerta que usar seu software "pode violar os termos de serviço do Spotify". Ele não é o único incomodado com isso. O tema desperta debates acalorados nos fóruns da comunidade do Spotify, o serviço de streaming de música mais popular do mundo. Enquanto alguns criticam a qualidade da música gerada por IA, outros simplesmente rejeitam a ideia de ouvir algo que não foi criado por um ser humano. O Spotify fez algumas concessões para lidar com essas preocupações. Neste mês, passou a testar um recurso que indica, nos créditos de uma música, de que forma a IA foi utilizada por um artista. Mas é um sistema voluntário baseado no que um artista informa à sua gravadora ou distribuidora. "Sabemos que isso, por si só, não é uma solução completa. Criar um sistema realmente abrangente é um desafio que exige alinhamento de toda a indústria", declarou o Spotify. Ainda assim, a empresa está longe de adotar uma postura ativa de identificação de músicas geradas por IA ou de permitir que usuários as filtrem. "É um equilíbrio delicado — quase existencial — para o Spotify", avalia Robert Prey, pesquisador do Instituto de Internet da Universidade de Oxford, especializado em plataformas de streaming. Segundo ele, a empresa tenta evitar julgamentos de valor sobre a forma como a música é criada, mas corre o risco de minar a confiança entre ouvintes, artistas e a indústria se não oferecer transparência suficiente. "O Spotify precisa entender o que os ouvintes querem e como os artistas se sentem — tudo isso enquanto a IA evolui, se difunde e se torna cada vez mais difícil de detectar", acrescenta. A chegada da IA generativa à música provoca fascínio e inquietação em igual medida. Serviços como Suno e Udio já conseguem gerar canções completas — com letra, voz e instrumentação — a partir de simples comandos de texto, em questão de segundos, e com um nível de refinamento cada vez maior. Um teste recente, que fez parte de uma pesquisa da Deezer–Ipsos, mostrou que 97% dos ouvintes não conseguiram diferenciar corretamente músicas feitas por IA de faixas criadas por humanos. Ao mesmo tempo, dezenas de milhares dessas músicas parecem ser enviadas diariamente às plataformas de streaming, onde podem diluir o bolo de receitas destinado a artistas humanos — ainda que, por enquanto, a maioria tenha poucas reproduções. Spotify, YouTube Music e Amazon Music vêm evitando, até agora, adotar rótulos claros ou filtros visíveis para o usuário, sem recorrer abertamente a ferramentas de detecção ou exigir autodeclarações sistemáticas — embora esse cenário possa mudar com o surgimento de padrões no setor. Artistas amplamente suspeitos de serem criações de IA, como Sienna Rose, Breaking Rust e The Velvet Sundown, são tratados como quaisquer outros no Spotify. A plataforma afirma agir apenas contra o que considera usos nocivos da tecnologia, como spam, envios massivos de faixas ou músicas muito curtas criadas para burlar o sistema. "Nossa prioridade é combater usos prejudiciais [da IA], como falsificação de identidade e spam, em vez de filtrar músicas com base em como foram feitas", disse um porta‑voz da empresa, ressaltando que o uso de IA na música existe em um espectro, e não como uma categoria binária. A Deezer — uma concorrente menor do Spotify — adotou uma abordagem mais rigorosa. Desde o ano passado, passou a rotular álbuns que contêm faixas geradas por IA e a excluí‑las de recomendações algorítmicas e playlists focadas em música criada por humanos. A empresa utiliza tecnologia própria de detecção, treinada para identificar padrões estatísticos no áudio, e recentemente começou a oferecê‑la ao mercado. "Somos a única plataforma de streaming a ter isso implementado", afirma Jesper Wendel, diretor de comunicações globais da Deezer. Em março, a Apple Music anunciou que passaria a adotar "etiquetas de transparência" e que, futuramente, exigiria que gravadoras e distribuidoras informassem quando novas músicas envolvessem IA. Críticos, no entanto, ressaltam que sistemas baseados em autodeclaração tendem a ser pouco confiáveis, já que artistas podem evitar divulgar o uso da tecnologia por receio de estigmatização — e ainda não está claro o quão visíveis serão as etiquetas da Apple para os ouvintes. O Spotify diz que está focado em usos "nocivos" de IA, como falsificação de identidade Getty Images O fato de a música de IA existir em um contínuo realmente torna a rotulagem difícil, diz Maya Ackerman, especialista em IA e criatividade computacional na Universidade Santa Clara, na Califórnia, e cofundadora e CEO da WaveAI, que tem uma ferramenta de IA para ajudar músicos a escrever letras. Enquanto algumas ferramentas são "escreva um prompt, receba uma música" — em que rótulos de IA seriam diretos —, outras são projetadas para co-criação, ajudando com partes específicas do processo de fazer música. Se um músico usa essas ferramentas, em que ponto isso justificaria um rótulo? E, diz Ackerman, mesmo com ferramentas como Suno e Udio, usuários podem colocar muito de sua própria criatividade nos resultados — inserindo letras próprias ou passando muitas horas refazendo a música. "De longe, parece óbvio que a resposta para tudo é: 'sim, vamos rotular música de IA', mas, quando você olha de perto, percebe que é algo muito complicado", diz ela. Há também o desafio técnico de detectar com precisão faixas geradas por IA, com consequências potencialmente graves se músicos humanos forem rotulados falsamente como IA. Mesmo detectar música totalmente gerada por IA pode ser problemático, observa Bob Sturm, que estuda a disrupção da música pela IA no KTH Royal Institute of Technology, na Suécia. Sistemas de detecção de IA são treinados em resultados de ferramentas existentes de geração de música por IA, mas, à medida que essas ferramentas melhoram, o software precisa ser continuamente retreinado, levando ao que ele caracteriza como uma espécie de "corrida armamentista da música de IA". É um desafio, reconhece Manuel Moussallum, diretor de pesquisa da Deezer, mas a tecnologia de detecção da empresa, até agora, manteve uma baixa taxa de falsos positivos, diz ele, e a pesquisa para entender melhor casos híbridos, em que a IA é usada apenas parcialmente, continua. Ainda assim, outros veem essas preocupações como uma distração. "Há uma mensagem de lobby para dizer 'não conseguimos traçar a linha e, portanto, não deveríamos fazer nada'", diz David Hoffman, professor da Universidade Duke, na Carolina do Norte, que estuda o impacto da música gerada por IA no sustento dos artistas. Ele argumenta que as plataformas deveriam pelo menos rotular faixas totalmente geradas por IA e avaliar a dimensão do restante do problema a partir daí. E os ouvintes parecem querer rótulos: na pesquisa Deezer–Ipsos, cerca de 80% dos entrevistados disseram que música gerada por IA deveria ser claramente rotulada, embora as opiniões sobre filtragem fossem mais divididas. "Os ouvintes merecem saber", diz a cantora e compositora Tift Merritt, que trabalha com Hoffman na Duke, citando a forma como fornecemos rótulos nutricionais em alimentos ou informamos consumidores se algo é orgânico. O que pode realmente estar impedindo o Spotify de adotar rotulagem e filtragem é a economia, especulam muitos. O Spotify está tentando otimizar o crescimento da plataforma, diz Prey, de Oxford. Manter os sistemas de recomendação o mais "desimpedidos e livres para operar" possível ajuda nisso. Detectar conteúdo gerado por IA adicionaria custo, observa Hoffman, e também pode ser mais barato oferecer música de IA. Controvérsias anteriores alimentam suspeitas, observam críticos. O Spotify, em vários momentos, foi acusado de encomendar e promover música de menor custo para playlists de estilo "música ambiente" — alegações que nega. "Todas as faixas na nossa plataforma são entregues por detentores de direitos de terceiros, como gravadoras e distribuidoras, e o modelo de pagamento é o mesmo para todas elas: os royalties são pagos a partir do bolo de receita com base na participação de audição", disse um porta-voz do Spotify. Enquanto isso, a área está evoluindo. O órgão de padrões da indústria musical, a DDEX, continua trabalhando em um padrão amplo para a indústria sobre divulgações de IA nos créditos musicais, embora a exibição dependa das plataformas de streaming. E certos conteúdos gerados por IA serão obrigados a ser rotulados a partir de agosto de 2026 sob o AI Act da União Europeia; embora ainda não esteja claro como o Spotify implementará essas regras. Parece um "Velho Oeste" para música de IA neste momento, diz David Hesmondhalgh, professor de mídia, música e cultura na Universidade de Leeds. Mas ele também espera que "algum tipo de ordem surja", assim como o pânico com o compartilhamento de arquivos no início dos anos 2000 acabou levando à indústria de streaming de hoje. E o Spotify parece estar reconhecendo a pressão, ao anunciar recentemente recursos voltados a valorizar a arte humana, incluindo SongDNA e "About the Song", que dão a usuários premium uma visão mais aprofundada sobre as origens e os colaboradores de uma faixa. "Acreditamos que a resposta certa para a IA na música não é uma única política; é uma combinação de controles proativos, padrões em toda a indústria e um investimento mais profundo na criatividade humana por trás de cada faixa", acrescentou o porta-voz do Spotify.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Entenda por que o WhatsApp deixa de funcionar em celulares antigos


Blog mostra o que fazer caso o WhatsApp não consiga receber e enviar informações pelo Wi-Fi. REUTERS/Thomas White O WhatsApp confirmou recentemente mais uma atualização em sua lista de sistemas operacionais compatíveis: a partir de 8 de setembro de 2026, o aplicativo funcionará apenas em telefones que rodam o sistema Android 6.0 ou superior. Com a mudança, aparelhos que pararam nas versões 5.0 ou 5.1 do Android perderão acesso ao aplicativo, como já aconteceu com sistemas anteriores. O WhatsApp costuma fazer revisões periódicas dos sistemas compatíveis com o seu serviço. Isso porque a Meta, dona do WhatsApp, prioriza uma lista de versões mais recentes de sistemas operacionais e que tenham mais usuários. 📩 Assine a newsletter do Guia de Compras do g1 com testes e dicas de tecnologia Vídeos em alta no g1 A Meta não divulga uma lista oficial dos aparelhos que deixarão de suportar o app de mensagens. O que ela informa é com quais sistemas ele é compatível. O Google, criador do sistema Android, o mais popular no mundo, e a Apple, responsável pelo iOS, que roda nos iPhones, costumam lançar uma nova versão todo ano, que é disponibilizada para modelos mais recentes. E mantêm, por algum tempo, versões anteriores, que atendem a aparelhos que não são tão novos. Atualmente, o WhatsApp é compatível com os sistemas: Android versão 5.0 e posterior; a partir de setembro, apenas com versão 6.0 e posterior iOS versão 15.1 e posterior Como verificar o sistema operacional do seu celular 🤖 No Android, siga este passo a passo (os termos podem ter algumas mudanças conforme a marca): Clique no ícone de "Configurações" do celular; Em seguida, toque em "Sobre o dispositivo" (ou "Sobre o telefone"); Em alguns modelos, é necessário clicar em "Informações do software" na sequência; Verifique a "Versão do Android"; 🍎 No iPhone (iOS), siga este passo a passo: Toque no ícone "Ajustes"; Depois, clique em "Geral" e "Atualização de Software"; Em seguida, verifique a última versão instalada. 👉 Caso o WhatsApp não seja compatível com o sistema instalado, é preciso atualizar para uma versão mais recente ou transferir a conta para um aparelho que suporte um sistema compatível com o app. Por que celulares antigos perdem suporte? O WhatsApp deixa de oferecer suporte para softwares mais antigos e com menos usuários porque, segundo a Meta, eles podem não abranger as atualizações de segurança mais recentes do aplicativo ou não incluir funcionalidades necessárias para operar o WhatsApp. A lista de versões de sistemas operacionais que são compatíveis com o WhatsApp é mantida na Central de Ajuda do app e atualizada anualmente. A Meta diz ainda que, antes de deixar de oferecer suporte para um sistema operacional, exibirá uma notificação no WhatsApp. "Também exibiremos alguns lembretes solicitando que você atualize o sistema", informa o app. WhatsApp lança modo avançado de segurança

WhatsApp deixará de funcionar em celulares Android antigos em setembro; saiba se seu telefone será afetado


Blog mostra o que fazer caso o WhatsApp não consiga receber e enviar informações pelo Wi-Fi. REUTERS/Thomas White O WhatsApp deixará de funcionar em telefones celulares que utilizam sistema Android mais antigos a partir de 8 de setembro de 2026, quando o app só será compatível com modelos que rodam o Android 6.0, lançado em 2015, ou versões mais recentes. Com a mudança, aparelhos que pararam nas versões 5.0 ou 5.1 do Android também perderão acesso ao aplicativo, como já aconteceu com sistemas anteriores. Em sua Central de Ajuda, o WhatsApp exibe a mensagem: "a partir do dia 8 de setembro de 2026, o WhatsApp será compatível apenas com Android 6 e posterior. 📩 Assine a newsletter do Guia de Compras do g1 com testes e dicas de tecnologia Vídeos em alta no g1 Para continuar usando o aplicativo, a pessoa precisa atualizar o sistema Android ou transferir a conta para um aparelho com uma versão mais recente. 👉 Veja abaixo como conferir a versão do seu Android e se há atualização disponível: Clique no ícone de "Configurações" do celular; Em seguida, toque em "Sobre o dispositivo" (ou "Sobre o telefone"); Em alguns modelos, é necessário clicar em "Informações do software" na sequência; Verifique a "Versão do Android"; No momento, segundo a Central de Ajuda do WhatsApp, não há alterações para quem usa iPhone. O requisito continua sendo o iOS versão 15.1 e posterior ou superior. Por que isso acontece? O WhatsApp está sempre fazendo correções de falhas, principalmente de segurança, e incluindo novas funcionalidades no aplicativo. Nem sempre esses modelos mais velhos conseguem suportar essas atualizações. Vale lembrar que as atualizações de segurança são constantes em qualquer aplicativo e fundamentais para evitar que o usuário — e especialmente seus dados pessoais — fiquem vulneráveis. A empresa explica que, anualmente, faz uma revisão dos sistemas Android e iOS (iPhone) mais antigos e com menor número de usuários. Com base nesse levantamento, a empresa pode definir uma nova versão mínima exigida para o funcionamento do app.

Suspeito de matar estudantes nos EUA pesquisou no ChatGPT como descartar corpo na lixeira, diz polícia


Hisham Abugharbieh, enfrentando duas acusações de homicídio em primeiro grau, comparece ao tribunal por vídeo no sábado, 25 de abril de 2026, em Tampa, Flórida. WFTS-TV via AP Hisham Abugharbieh, de 26 anos, ex-estudante da Universidade do Sul da Flórida (USF), nos Estados Unidos, foi acusado de dois homicídios em primeiro grau com uso de arma pelas mortes de Zamil Limon e Nahida Bristy, alunos de doutorado na instituição. Limon era colega de quarto do suspeito. De acordo com a NBC News, promotores afirmam que Abugharbieh fez perguntas ao ChatGPT três dias antes do desaparecimento das vítimas, incluindo o que aconteceria se uma pessoa fosse colocada em um saco de lixo e jogada em uma caçamba. Após receber uma resposta indicando que a situação era perigosa, ele teria insistido: “Como descobririam?”. Adolescente de 13 anos é detido nos EUA após perguntar ao ChatGPT como matar o amigo na escola ChatGPT agora permite controlar o uso por menores e avisa pais sobre conversas sensíveis; saiba como ativar Um dia antes do sumiço, ele também teria perguntado à ferramenta de inteligência artificial se o número de identificação de um carro podia ser alterado e se era possível manter uma arma em casa sem licença. As informações constam em um pedido judicial para mantê-lo preso enquanto aguarda julgamento. Abugharbieh compareceu pela primeira vez à Justiça no sábado (25). Uma nova audiência está marcada para 28 de abril. VEJA TAMBÉM Vídeos em alta no g1 Segundo a polícia do condado de Hillsborough, o corpo de Limon foi encontrado na manhã de sexta-feira (24). Já Bristy segue desaparecida, e as buscas continuam. As vítimas, ambos com 27 anos, eram de Bangladesh. Eles desapareceram em 16 de abril, após serem vistos pela última vez em locais ligados à universidade. Limon pesquisava o uso de inteligência artificial em ciência ambiental e deveria apresentar sua tese de doutorado nesta semana, segundo a família. Bristy estudava engenharia química. Ainda segundo a NBC News, investigadores encontraram evidências que ligam o suspeito ao crime, como objetos das vítimas em uma lixeira do condomínio e vestígios de DNA. Promotores também afirmam que ele comprou sacos de lixo e produtos de limpeza no período do desaparecimento. Polícia divulgou cartaz sobre os estudantes desaparecidos Hillsborough County Sheriff's Office

Microsoft e OpenAI alteram acordo de negócio para permitir maior liberdade às duas companhias

A Microsoft e a OpenAI anunciaram nesta segunda-feira (27) um novo acordo, que altera e simplifica a parceria já existente entre as duas companhias. "A maior previsibilidade proporcionada peloa crodo revisado fortalece nossa capacidade conjunta de construir e operar plataformas de inteligência artificial em escala, ao mesmo tempo em que oferece a ambas as empresas a flexibilidade necessária para buscar novas oportunidades", afirmou a Microsoft em nota. De acordo com o novo tratado, a Microsoft continuará sendo a principal parceira de nuvem da OpenAI, assim como os produtos da OpenAI serão lançados primeiro no Microsoft Azure — a menos que a Microsoft não possa e opte por não oferecer suporte aos recursos necessários para o lançamento. O acordo também passa a permitir que a OpenAI disponibilize todos os seus produtos para clientes em qualquer provedor de nuvem. *Esta reportagem está em atualização

Musk e dona do ChatGPT se enfrentam na Justiça a partir desta segunda; entenda a treta


DeepSeek, ChatGPT e Gemini: qual é a melhor inteligência artificial? Começa nesta segunda-feira (27), no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, o julgamento que coloca em lados opostos o bilionário Elon Musk e a OpenAI, criadora do ChatGPT. A disputa judicial, iniciada por Musk em 2024, foca na alegação de que a organização traiu sua missão original de ser uma entidade sem fins lucrativos. 📩 Assine a newsletter do Guia de Compras do g1 com testes e dicas de tecnologia A seleção do júri está prevista para hoje, e as alegações iniciais devem ocorrer nesta terça-feira. Entre os nomes esperados para depor pessoalmente estão o próprio Musk, o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o CEO da Microsoft, Satya Nadella. O que Musk alega Elon Musk e Sam Altman, cofundadores da OpenAI 'Aprendendo' com os livros Um dos cofundadores originais da OpenAI, Musk afirma que a empresa, liderada por Sam Altman e Greg Brockman, abandonou o foco no benefício da humanidade para se tornar uma "máquina de riqueza". Musk pede US$ 150 bilhões em danos da OpenAI e da Microsoft. Segundo pessoas ligadas ao caso, o valor seria destinado ao braço filantrópico da OpenAI. Além do valor financeiro, o bilionário quer que a OpenAI volte a ser estritamente sem fins lucrativos e que Altman e Brockman sejam removidos de seus cargos executivos. O empresário sustenta que foi mantido no escuro sobre a criação de uma estrutura comercial em 2019 e que seu nome e apoio financeiro foram usados indevidamente para atrair investidores. Musk investiu cerca de US$ 38 milhões na OpenAI entre 2016 e 2020. A defesa da OpenAI Sam Altman, CEO da OpenAI Yuichi YAMAZAKI / AFP Os advogados da OpenAI rebatem as acusações afirmando que Musk é motivado pelo desejo de controle e pelo interesse em impulsionar sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI, fundada por ele em 2023. A empresa afirma que Musk participou das discussões para a mudança de estrutura e que ele mesmo exigiu ser o CEO na época. A Microsoft, também ré no processo, nega qualquer conspiração e afirma que sua parceria com a OpenAI só ocorreu após a saída de Musk do conselho da empresa. De 'Projeto Manhattan' a disputa de egos Logo da OpenAI, dona do ChatGPT AP Photo/Michael Dwyer Documentos internos revelados no processo oferecem detalhes sobre a evolução da empresa, que nasceu em um laboratório de pesquisa no apartamento de Greg Brockman e hoje é avaliada em mais de US$ 850 bilhões. Altman apresentou a ideia a Musk em 2015, descrevendo-a como o "Projeto Manhattan da IA". O apoio de Musk foi fundamental para atrair cientistas de elite. Em 2017, tensões surgiram quando Musk questionou a viabilidade do projeto e tentou assumir o controle como CEO. Na mesma época, anotações do diário de Brockman revelavam o desejo de "se livrar" de Musk, chamando-o de "líder glorioso" de forma irônica. Musk deixou o conselho em 2018, prevendo que a OpenAI fracassaria diante do Google. Em 2019, a empresa se reestruturou para aceitar investimentos externos, e o lançamento do ChatGPT no fim de 2022 consolidou seu sucesso global. O desfecho do caso ocorre em um momento crítico. A OpenAI prepara uma possível abertura de capital que pode elevar seu valor de mercado para US$ 1 trilhão. Do outro lado, a xAI de Musk tenta diminuir a distância tecnológica para o ChatGPT, enquanto a SpaceX também planeja seu IPO (oferta pública de ações). *Com informações da agência de notícias Reuters.

China bloqueia aquisição da startup de IA pela Meta

A China bloqueou nesta segunda-feira a aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta. A empresa tem raízes chinesas, mas está sediada em Singapura. Em nota breve, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China — principal órgão de planejamento do país — informou que está proibindo a aquisição estrangeira da Manus e exigiu que todas as partes se retirassem do acordo. A comissão não citou a Meta pelo nome. A empresa americana é dona do Facebook e do Instagram. A decisão foi tomada pelo Escritório do Mecanismo de Trabalho para Revisão de Segurança de Investimento Estrangeiro da comissão, com base nas leis e regulamentos chineses. Ela ocorre após as autoridades chinesas anunciarem, no início deste ano, que investigariam o negócio. A comissão não detalhou os motivos do veto. A Meta anunciou a aquisição da Manus em dezembro — um caso incomum de grande empresa de tecnologia americana comprando uma companhia de IA com fortes vínculos com a China. O acordo envolve um agente de IA de "uso geral" capaz de executar tarefas complexas de forma autônoma em várias etapas, o que deve ampliar as ofertas de IA nas plataformas da Meta. A Meta havia afirmado que não haveria "nenhum interesse de propriedade chinesa" na Manus após o fechamento do negócio, e que a startup encerraria seus serviços e operações na China. Ainda assim, em janeiro, o governo chinês anunciou que investigaria se a aquisição estaria em conformidade com suas leis e regulamentos. O Ministério do Comércio da China declarou, na época, que qualquer empresa envolvida em investimentos no exterior, exportação de tecnologia, transferência de dados e aquisições transfronteiriças deve cumprir a legislação chinesa. A Meta havia informado que a maioria dos funcionários da Manus estava baseada em Singapura. Em resposta, a Meta afirmou nesta segunda-feira que a transação "cumpriu integralmente as leis aplicáveis" e disse esperar "uma resolução adequada para a investigação".

domingo, 26 de abril de 2026

O que são os sites de 'apostas sobre tudo' que têm irritado bets esportivas no Brasil


Página do mercado de previsões Kalshi AP Photo/Jenny Kane Quem será a pessoa mais rica do mundo no final do ano? Por quanto tempo Nicolás Maduro seguirá preso? O regime do Irã cairá em duas semanas? Estas são algumas das perguntas apresentadas em sites que permitem especular sobre praticamente tudo. Esportes, economia, política e até clima: os chamados mercados de previsão têm várias opções para usuários tentarem ganhar dinheiro apostando na probabilidade de um evento acontecer. ❓ Um mercado de previsão é uma plataforma de compra e venda de contratos baseados em palpites sobre eventos futuros. Cada contrato tem um preço baseado na chance de o evento acontecer e paga um valor caso ele se concretize. Quanto menor a probabilidade, menor o preço e maior o retorno para quem acertar. As casas de apostas que atuam no Brasil alegam que os mercados de previsão devem seguir as regras previstas pela lei de bets, que exige, entre outros pontos, uma licença de R$ 30 milhões para operar no país. Brasileira é a mulher mais jovem do mundo a construir a própria fortuna Os mercados de previsão mais conhecidos são a Kalshi, avaliada em US$ 11 bilhões, e a Polymarket, que vale US$ 9 bilhões. A Kalshi se tornou mais conhecida no Brasil após sua cofundadora, a mineira Luana Lopes Lara, virar a bilionária mais jovem do mundo a construir sua própria fortuna. Ela tem 12% da empresa e fortuna de US$ 1,3 bilhão, segundo a Forbes. O Ministério da Fazenda afirmou ao g1 que, pela lei, as empresas se enquadram como plataformas de mercado de previsão e que o setor é tema de estudos preliminares de sua Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). "Cabe citar que, no momento, não há empresas brasileiras formalmente autorizadas pela SPA a atuar nesse segmento", disse o ministério. "Quaisquer outras avaliações regulatórias sobre o assunto dependem da conclusão das análises técnicas em curso e serão conduzidas em articulação com os órgãos competentes, entre eles a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no intuito de análise acerca de eventuais interfaces regulatórias", completou. Nesta semana, o Banco Central do Brasil tornou pública uma nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que proíbe a oferta e a negociação, no país, de apostas de previsões atreladas a eventos esportivos, jogos on-line e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento. Na prática, a regra impede Kalshi e Polymarket de oferecer apostas que não sejam ligados à economia — o que restringe bastante a amplitude do mercado de previsões. Celular mostra ofertas de especulação sobre esportes na Polymarket AP Photo/Jenny Kane Como funcionam os mercados de previsão? As plataformas de mercados de previsão têm sites parecidos, em que perguntas e suas probabilidades para cada desfecho são destacadas logo na página inicial. Ao clicar em uma pergunta, o usuário é direcionado para uma nova página com as opções de aposta — por exemplo, o barril do petróleo atingirá US$ 200 (cerca de R$ 1.000) até o final de abril? A partir da escolha de "sim" ou "não", a plataforma indica quanto pagará caso o palpite esteja certo. O pagamento é feito pela carteira digital da conta, que pode ter saldo com transferências bancárias ou criptomoedas. O que dizem as bets? O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, que representa as bets, disse ter feito um pedido formal para mercados de previsão serem classificados como apostas. A entidade defende que empresas como Kalshi e Polymarket fiquem sob a regulação coordenada de SPA, CVM, Banco Central, Secretaria Nacional do Consumidor e Conar, que faz a autorregulação do mercado publicitário. "Apostas em desdobramentos esportivos são apostas independentemente do formato. Se um mercado de previsão quer comercializar apostas esportivas, ele tem que aplicar para uma licença na SPA. Senão, está fora do enquadramento nacional, está cometendo um crime", defendeu André Gelfi, presidente do IBJR. O g1 entrou em contato com a Kalshi e a Polymarket, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem. Na avaliação de Gelfi, os mercados de previsão operam sem qualquer tipo de controle no Brasil. "Tem pesquisa eleitoral sendo feita de forma velada, gente apostando em desgraça. Do ponto de vista ético, é no mínimo polêmico o modelo de negócios dos mercados de previsão". Brasileiros gastam até R$ 30 bilhões por mês em bets, segundo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em uma audiência da CPI das Apostas Esportivas, em abril de 2025. Um terço dos apostadores brasileiros têm perfil de jogo de risco ou problemático, de acordo com um estudo publicado em abril de 2025 pela Universidade Federal de São Paulo, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O vício em apostas online atinge milhões de brasileiros e já é considerado problema de saúde pública. Reprodução/TV Verdes Mares Mercados de previsão são casas de apostas? Os mercados de previsão não se enquadram na definição de casas de apostas prevista na lei de bets, aprovada em 2018 e regulamentada em 2023, segundo dois advogados ouvidos pelo g1. Para exigir que empresas como Kalshi e Polymarket sigam as mesmas regras para bets, seria preciso fazer ajustes na lei, explicou Hélio Ferreira Moraes, sócio da área digital do escritório PK Advogados. "Quando você faz uma aposta contra a bet, ela tem as previsões e faz o pagamento. É o que chamamos de apostar contra a casa. Nos mercados de previsão, são contratos", afirmou. "Os mercados de previsão funcionam como mercados descentralizados, onde o valor dos contratos emerge da interação entre os participantes, se aproximando do funcionamento de bolsas de valores", disse Moraes. Página do mercado de previsões Kalshi AP Photo/Jenny Kane As plataformas de mercados de previsão estão em uma situação parecida com a das bets antes da lei para o setor no Brasil, analisou o advogado Gustavo Biglia, sócio do escritório Ambiel Advogados e especialista em regulação de apostas esportivas e jogos online. "Como não tem regulamentação, a gente parte do pressuposto jurídico de que o que não é proibido, é permitido. A diferença é que elas estão atuando fora, sem qualquer tipo de fiscalização e sem pagar imposto no Brasil", disse Biglia. "Outro conflito entre os dois mercados é identificar a legitimidade para colocar um contrato de opção dentro de uma aposta esportiva. O Brasil delimita quem pode vender esse tipo de produto". O que dizem os mercados de previsão? Os mercados de previsão são parecidos com as bets esportivas, mas não são idênticos, argumenta a Kalshi em seu site. Segundo a empresa, uma das diferenças é que os seus usuários apostam entre si, enquanto, na bets, as apostas são contra a casa. A plataforma alega ainda que os preços são definidos a partir da compra e venda de contratos. E que fatura a partir de taxas cobradas em cada uma dessas transações. "Os preços refletem as crenças agregadas dos investidores com participação direta no mercado, atraindo pessoas com conhecimento genuíno do setor", diz a Kalshi, lançada no Brasil em março por meio de uma parceria com a empresa de investimentos XP. A XP afirma que sua corretora Clear atua como facilitadora do acesso e que a criação, a operação, a precificação e a liquidação dos contratos são de responsabilidade da Kalshi. O banco BTG Pactual lançou em março o BTG Trends, uma plataforma de mercado de previsões exclusiva a assuntos financeiros. E a B3 lançará em 27 de abril contratos de eventos baseados na variação de índices da bolsa de valores, do dólar e do bitcoin. Quais são as polêmicas nos EUA? Os mercados de previsão foram usados recentemente para especular sobre ações militares no Irã e na Venezuela. Regras financeiras dos Estados Unidos proíbem contratos sobre guerra. Um investidor anônimo ganhou R$ 2 milhões em janeiro por apostar na derrubada de Nicolás Maduro. O lucro foi alto porque o contrato foi feito antes mesmo da divulgação da operação militar dos EUA que levou a prisão do então presidente venezuelano. Com preocupações sobre o uso de informações privilegiadas para apostar em eventos futuros, a Casa Branca orientou funcionários a não usarem discussões internas para especularem nas plataformas. Mercado de previsão Polymarket AP Photo/Wyatte Grantham-Philips Nos Estados Unidos, eles estão sob supervisão da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão nacional que se aproxima da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mas lá também há polêmicas: em janeiro, um juiz de Massachusetts determinou que a Kalshi não pode oferecer contratos sobre eventos esportivos no estado por entender que a plataforma viola regras locais sobre jogos de azar. Em março, a Justiça de Nevada determinou a suspensão da plataforma por concluir que ela não tem licença para operar atividades de aposta no estado. O estado do Arizona foi outro que processou a empresa por argumentar que ela opera no mercado de apostas, proibido pela lei estadual. Mas a Justiça federal dos EUA derrubou a ação após concluir que a plataforma deve ser regulada nacionalmente pela CFTC. A empresa disse que não é uma casa de apostas. "Estados como o Arizona querem regular individualmente uma bolsa de valores nacional e estão tentando todos os artifícios possíveis para conseguir isso", afirmou. O presidente da CFTC, Mike Selig, demonstrou apoio à Kalshi. Nomeado ao cargo pelo presidente americano Donald Trump, ele afirmou que o estado do Arizona apresentou "um processo criminal totalmente inadequado". Para Biglia, do escritório Ambiel Advogados, as plataformas oferecem uma porta para manipular apostas, o que as colocam em um mercado perigoso. "Uma coisa é apostar no clima, se vai chover ou vai fazer sol. Outra é apostar quando Trump vai morrer. Você coloca a cabeça de alguém a prêmio por um determinado valor", afirmou. Para Moraes, do PK Advogados, os riscos dos mercados de previsão são maiores por conta de sua área de atuação maior, o que exige o trabalho em conjunto de reguladores. "Historicamente, essa coordenação no Brasil não é fácil. E esses temas multidisciplinares levantam essa dificuldade. Agora, o pior dos mundos é a gente não fazer regulação nenhuma", disse.

‘Detox digital’: jovens ficam um mês sem smartphone e dizem se sentir melhor


Pessoa mexendo no celular Reprodução/ RBS TV Deslocar-se sem o Google Maps, deixar de deslizar o dedo no Instagram, guardar os fones de ouvido para ouvir o canto dos pássaros: durante um mês, um grupo de jovens americanos trocou seus smartphones por celulares mais simples e mergulhou em uma desintoxicação digital. A iniciativa faz parte de um movimento emergente entre jovens que buscam se libertar dos efeitos prejudiciais das redes sociais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Estava esperando o ônibus e não sabia quando chegaria", lembrou Jay West, de 29 anos, que participou do desafio "Um mês offline", organizado por uma pequena startup, com o apoio de um grupo comunitário local. Antigos hábitos são difíceis de erradicar, e West — que trabalha como analista de dados para o sistema de metrô de Washington — comentou que frequentemente se flagrava enfiando a mão no bolso para pegar o celular, apesar de não tê-lo trazido consigo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mas, ao final, a experiência se revelou libertadora, afirma. "Às vezes me sentia entediado, e tudo bem!", lembrou, em uma tarde recente, em uma horta comunitária da cidade, onde os participantes da experiência se reuniram para compartilhar as dificuldades e as alegrias de se desconectarem. "Tudo bem ficar entediado", disse West. Sentada ao seu lado estava Rachael Schultz, de 35 anos, que precisou pedir indicações a desconhecidos que passavam de bicicleta. Lizzie Benjamin, de 25 anos, tirou a poeira de antigos CDs que seu pai havia gravado para poder ouvir música sem recorrer ao Spotify. Antes da desintoxicação, Bobby Loomis, de 25 anos, que trabalha no setor imobiliário, tinha dificuldades até mesmo para assistir a um episódio completo de uma série de TV sem checar o celular. Vida social "enriquecedora" Há tempos, cientistas alertam que a dependência de celulares está associada à menor capacidade de atenção, a problemas de sono e à ansiedade. Em uma decisão histórica no fim de março, um tribunal da Califórnia entendeu que Instagram e YouTube são responsáveis pela natureza viciante de suas plataformas. Um número crescente de jovens americanos está se dando conta disso. Segundo pesquisa da YouGov realizada no ano passado, mais de dois terços das pessoas entre 18 e 29 anos gostariam de reduzir o tempo de uso de telas. Há também novas ferramentas disponíveis: aplicativos, dispositivos para bloquear o aparelho e grupos — como o de Washington — que promovem a desintoxicação por um mês. Nos campi universitários, popularizaram-se as "dietas" de redes sociais por várias semanas, e encontros sem telas entre amigos se tornaram tendência nas grandes cidades. Prescindir do smartphone, ainda que por algumas semanas, leva a "maior bem-estar e melhor capacidade de manter a atenção", afirmou Kostadin Kushlev, pesquisador de psicologia da Universidade de Georgetown. Estudos preliminares sugerem que esses efeitos perduram ao longo do tempo, acrescentou. Josh Morin, um dos organizadores dos programas de desintoxicação em Washington, considera que simplesmente deixar de usar o telefone não é suficiente e que é essencial oferecer uma alternativa atraente. O programa inclui uma sessão semanal de debate para os participantes em um bar de karaokê localizado em um bairro movimentado da capital americana. "Para romper realmente com esse hábito, é preciso oferecer uma vida social, comunitária e enriquecedora", destacou Morin. Adolescente com o celular em mãos Divulgação "O começo de algo importante" A iniciativa "Um mês offline" foi lançada há um ano por um grupo comunitário e agora é administrada pela empresa Dumb.co. Participar custa cerca de US$ 100 (aproximadamente R$ 500) por pessoa, valor que cobre o empréstimo de um celular antigo pré-carregado com ferramentas essenciais — para chamadas telefônicas, mensagens de texto e o aplicativo Uber —, sincronizadas com o smartphone do usuário. Até agora, a startup avançou a passos lentos e espera superar a marca de mil participantes em maio. Mas especialistas vislumbram uma tendência mais ampla. Graham Burnett, professor de história na Universidade de Princeton, acredita que o movimento pode estar no "amanhecer de um movimento autêntico", semelhante ao surgimento da onda ecologista, na década de 1960, que levou a importantes leis de proteção ambiental. Kendall Schrohe, de 23 anos, funcionária de uma organização de vigilância da privacidade digital, concluiu o programa de desintoxicação em Washington em janeiro. Agora, ela consegue se orientar pelo bairro sem depender do Google Maps, eliminou a conta no Instagram e organizou o próprio grupo de "sobriedade digital". "Adotei uma perspectiva otimista e sinto que realmente estamos diante do começo de algo importante", comentou. Trend 'Caso ela diga não' estimula violência contra as mulheres e vira caso de polícia

sábado, 25 de abril de 2026

Análise: Data centers podem fazer de países do Sul Global novas colônias digitais


Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas A corrida global pela infraestrutura da inteligência artificial (IA) está redesenhando o mapa da economia digital. À medida que empresas como Microsoft, Google e Amazon expandem seus gigantescos data centers, países do Sul Global tornam-se peças estratégicas — oferecendo território, energia e incentivos fiscais em troca de promessas de investimento. 📩 Assine a newsletter do Guia de Compras do g1 com testes e dicas de tecnologia Argentina e Brasil despontam como novos polos desse movimento, mas o modelo adotado tende a aprofundar dependências tecnológicas e a comprometer a soberania digital da região. Nos últimos dois anos, anúncios bilionários de novos complexos de computação em nuvem multiplicaram-se. No Brasil, o governo federal e estados como São Paulo e Bahia celebraram a chegada de centros de processamento vinculados a grandes empresas de IA, vistos como símbolos de modernização econômica. Na Argentina, planos semelhantes avançam em zonas industriais próximas de Buenos Aires e Córdoba. ENTENDA: como funciona um data center e por que ele consome tanta água Data center da Meta em Indiana, nos Estados Unidos Divulgação/Meta Lógica da inserção periférica, com pouco aprendizado tecnológico No discurso oficial, trata-se de atrair inovação e posicionar o país na vanguarda tecnológica. Na prática, porém, a lógica predominante é a da inserção periférica: investimentos financiados externamente, com baixa exigência de conteúdo local e poucos efeitos de aprendizado tecnológico. Essa dinâmica repete padrões conhecidos em setores como mineração e energia. A diferença é que agora o “recurso” a ser explorado inclui dados, eletricidade e infraestrutura digital — e sua gestão definirá as próximas décadas da economia global. Data centers de IA demandam volumes colossais de energia e resfriamento. Estudos indicam que a operação de um único complexo pode consumir o equivalente ao abastecimento de uma cidade média. Bolsões de privilégio energético Em países onde o sistema elétrico já é pressionado, como o Brasil e a Argentina, essa demanda compete com a expansão industrial e o consumo residencial. A combinação de incentivos fiscais e tarifas subsidiadas transforma, em muitos casos, essas instalações em “bolsões de privilégio energético”. Outro risco é a crescente assimetria informacional e contratual. Os acordos firmados com multinacionais de tecnologia raramente vêm acompanhados de cláusulas de transparência ou de compartilhamento de benefícios. Os dados processados localmente — inclusive dados públicos e de usuários nacionais — permanecem sob controle de sistemas proprietários sediados no exterior. Assim, reforça-se um modelo em que países hospedeiros fornecem espaço físico e energia, mas não capturam valor intelectual nem econômico significativo. O conceito de soberania digital ajuda a compreender essa armadilha. Ele refere-se à capacidade de um Estado controlar, proteger e direcionar estrategicamente seus dados, infraestruturas e os fluxos de conhecimento que moldam a economia digital. No Brasil, as políticas de transformação digital avançaram de forma fragmentada, sem uma estratégia articulada entre Estado, empresas e universidades. Falta coordenação para usar a presença de grandes corporações como alavanca de fortalecimento tecnológico nacional — por exemplo, exigindo transferência de conhecimento, parcerias com centros de pesquisa ou adoção de padrões de transparência energética e de dados. Há caminhos alternativos. Países da Ásia e da Europa vêm adotando condições regulatórias e de investimento mais exigentes, impondo obrigações ambientais, compromissos de inovação local e limites ao controle estrangeiro sobre dados sensíveis. Na América Latina, Chile e Uruguai já incorporam elementos dessa agenda em suas políticas de transformação digital, associando o acesso a incentivos fiscais à comprovação de benefícios tecnológicos e de sustentabilidade. Para Argentina e Brasil, a janela de oportunidade está aberta, mas não indefinidamente. A atual onda de investimentos em IA ocorre num contexto de reconfiguração geopolítica acelerada — em que a infraestrutura digital se tornou um ativo estratégico comparável às reservas de petróleo ou aos gasodutos do século XX. Quem controla os servidores, a energia e os dados, controla também o ritmo da inovação e a direção do desenvolvimento. Se a região optar por um modelo de mera recepção de capitais e equipamentos, consolidará sua posição como território de processamento — útil para as cadeias globais de IA, mas marginal nos retornos econômicos e no poder decisório. Em contrapartida, políticas coordenadas de soberania digital poderiam transformar a presença de data centers em motor de capacitação técnica, integração produtiva e autonomia tecnológica. Essa escolha, mais do que técnica, é profundamente política: trata-se de decidir se a nova economia digital será construída com ou sobre os países do Sul Global. Armando Alvares Garcia Júnior não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

CEO da OpenAI pede desculpas por não alertar a polícia sobre suspeita de tiroteio em massa


Sam Altman, ex-CEO da OpenAI, em foto de junho de 2023 AP Photo/Jon Gambrell O CEO da OpenAI, Sam Altman, pediu desculpas à cidade canadense de Tumbler Ridge após um ataque perpetrado por uma ex-usuária do ChatGPT matar oito pessoas em fevereiro. Altman disse estar "profundamente arrependido" por a empresa não ter alertado a polícia sobre conteúdos preocupantes da usuária no ChatGPT. O primeiro-ministro da província canadense da Colúmbia Britânica, David Eby, classificou o pedido de desculpas como "necessário, e ainda assim grosseiramente insuficiente". Ataque a tiros em escola e casa deixa 10 mortos e 25 feridos no Canadá Atiradora foi banida do ChatGPT oito meses antes Em 10 de fevereiro, uma mulher transgênero de 18 anos matou a mãe e o meio-irmão em casa, antes de ir a uma escola secundária local e abrir fogo. Ela matou cinco crianças e um professor e, em seguida, tirou a própria vida. Após o ataque, a OpenAI afirmou ter identificado a conta da suspeita por meio de seus sistemas de detecção de abuso e banido-a do chatbot ainda em junho, oito meses antes da tragédia. A empresa disse que não reportou a conta à polícia canadense na época porque a atividade não teria sido grave o suficiente para justificar um encaminhamento às autoridades. "Estou profundamente arrependido por não termos alertado as autoridades policiais sobre a conta que foi banida em junho", disse Altman na carta enviada a Eby e divulgada nesta sexta-feira (24/04). "Embora eu saiba que palavras nunca são suficientes, acredito que um pedido de desculpas é necessário para reconhecer o dano e a perda irreversível que sua comunidade sofreu." Altman também justificou o pedido de desculpas mais de dois meses depois da tragédia, alegando que queria respeitar o luto dos moradores de Tumbler Ridge. Initial plugin text Como o ChatGPT denuncia suspeitas de violência? A OpenAI afirma que usa sistemas automatizados de moderação que analisam conteúdos em tempo real. Contas podem ser restringidas ou banidas por violar as regras. As violações incluem exploração sexual, apoio à automutilação e ao suicídio, e promoção de violência e danos. Em casos graves, os sistemas são projetados para sinalizar comportamentos de alto risco para revisão humana. Se uma ameaça crível for identificada, a empresa pode compartilhar dados relevantes da conta com as autoridades policiais. Após o ataque, autoridades canadenses convocaram a equipe de segurança da OpenAI e ameaçaram responder com ações regulatórias caso mudanças não fossem feitas. A empresa afirmou que iria reforçar suas medidas de segurança e que criou um canal de contato direto com a polícia. Na carta, Altman disse que a OpenAI está comprometida em encontrar formas de evitar tragédias semelhantes. "Daqui para frente, nosso foco continuará sendo trabalhar com todos os níveis de governo para ajudar a garantir que algo assim nunca aconteça novamente", afirmou. A família de uma menina que ficou gravemente ferida no tiroteio entrou com uma ação judicial por negligência contra a gigante de tecnologia dos Estados Unidos. Eles alegam que a OpenAI sabia que a atiradora planejava um "evento com mortes em massa", mas não "adotou nenhuma medida". VEJA TAMBÉM Google e Chat GPT não são médicos; conheça os riscos de se informar somente com eles

Robôs x robôs: o que operação na Ucrânia revela sobre a guerra do futuro

Os robôs poderão superar o número de soldados humanos no campo de batalha na Ucrânia UNITED24 via BBC Os robôs poderão superar o núm...