sábado, 27 de janeiro de 2024

A perigosa moda de funcionários gravarem demissão para postar no TikTok


Especialistas alertam que transformar uma demissão em conteúdo de rede social, por melhores que sejam as intenções, pode trazer consequências profissionais de longo prazo. A perigosa moda de funcionários gravarem demissão para postar no TikTok Getty Images via BBC Milhões de pessoas assistiram nas redes sociais à profissional de tecnologia Brittany Pietsch sendo demitida do emprego em uma chamada de vídeo. Pietsch trabalhava como executiva de contas na empresa de TI americana Cloudflare. No dia 12 de janeiro, ela postou no TikTok um vídeo de nove minutos com a legenda: "Quando você sabe que vai ser demitida e grava". O vídeo mostra a reação exaltada de Pietsch quando dois representantes da empresa, que ela não conhecia, explicam que ela não conseguiu atender às "expectativas de desempenho" e será demitida. Durante a conversa, ela defende seu trabalho, detalhando o feedback positivo que recebeu, e tenta saber dos representantes da empresa quais são os motivos específicos que a levaram a ser cortada (mas os funcionários do outro lado da linha se recusaram a informar esses motivos). Vídeos similares estão ganhando força no TikTok e no X (antigo Twitter), enquanto as demissões em massa continuam a causar impactos em vários setores em todo o mundo. Em mais uma mudança do cenário atual do trabalho, muitos profissionais são demitidos em chamadas de vídeo nas suas próprias casas – uma situação desoladora para os profissionais jovens, especialmente se estiverem sendo demitidos pela primeira vez. Alguns observadores podem considerar os vídeos de demissão transparentes e empoderadores, especialmente quando conseguem se identificar com essa experiência. E a seção de comentários também pode ser um lugar para oferecer conselhos profissionais sobre como superar uma demissão. No caso de Pietsch, ela gravou e divulgou a demissão "para poder compartilhar o que aconteceu com a família e os amigos", segundo declarou ao The Wall Street Journal, em 16 de janeiro. Mas especialistas alertam que transformar uma demissão em conteúdo de rede social, por melhores que sejam as intenções, pode trazer consequências profissionais de longo prazo. Microsoft demite quase 2 mil funcionários na área de games O conteúdo traz solidariedade A hashtag #layoffs (demissões) no TikTok já atraiu mais de 366 milhões de visualizações. Esse pico de interesse é totalmente esperado. Afinal, as demissões em massa no setor de tecnologia em 2023 invadiram o ano novo. Google, Amazon e outras gigantes da tecnologia reduziram seus quadros de funcionários de 1° de janeiro para cá. E demissões em empresas de comunicação continuam a atingir milhares de pessoas. Para os profissionais da geração Z (os que nasceram entre 1995 e 2010) que estão no centro da tendência das demissões ao vivo, os vídeos podem ser interpretados como extensões do conteúdo sobre sua vida cotidiana, publicado na forma de vídeos Get Ready With Me (GRWM – "apronte-se comigo", em tradução livre). Nesta seção do TikTok, os criadores de conteúdo apresentam suas rotinas diárias aos seus seguidores. Os criadores ganham exposição oferecendo ao público a oportunidade de observar sua vida diária. E, seguindo esse padrão, a demissão do emprego pode ser algo perfeitamente normal para ser compartilhado nas redes sociais. As demissões simplesmente podem gerar bom conteúdo, perfeitamente alinhado aos formatos de formação de tendências e temas relativos ao zeitgeist (o espírito da época). Para os espectadores, os vídeos oferecem uma forma de se sentirem menos sozinhos em um novo mundo do trabalho, com demissões ocorrendo frequentemente em chamadas de vídeo de 10 minutos no home office do funcionário, em vez da privacidade de uma sala de conferências sem janelas. O vídeo de Pietsch gerou comentários de apoio e empatia. "Sinto muito por ouvir isso", escreve um espectador. "Fui demitido depois de sete anos de lealdade a uma empresa na qual trabalhei. Aquilo literalmente me matou." Outra pessoa escreve: "As empresas não se importam com você, então também podemos constranger essas pessoas". À parte do seu valor como entretenimento, esse tipo de conteúdo também reflete o panorama profissional de momento, depois da mudança de poder favorável aos funcionários, especialmente em meados do ano passado. Ao lado dos movimentos trabalhistas, como o "verão de greves" de 2023 (um período de atividade sindical generalizada com grande repercussão nos EUA e no Reino Unido, com os trabalhadores conseguindo acordos em níveis recorde), os vídeos de demissão ao vivo questionam o padrão segundo o qual os empregadores sempre detêm o poder. Os vídeos também refletem a ideia de que os profissionais estão menos preocupados em proteger um padrão de profissionalismo possivelmente ultrapassado e mais motivados para promover a mobilização e a solidariedade no ambiente de trabalho. E, para muitos desses criadores de conteúdo, isso significa responsabilizar os empregadores, mesmo depois que os profissionais deixam de fazer parte da sua folha de pagamento. Trabalhador é obrigado a gravar vídeos para o TikTok da empresa? Veja o que diz a lei Farah Sharghi é recrutadora da área de tecnologia, criadora de conteúdo e coach profissional de São Francisco, nos Estados Unidos. Ela acredita que os vídeos de demissão são uma consequência natural de um mercado de trabalho tumultuado na era das redes sociais. "O compartilhamento público de experiências de demissão em plataformas como o TikTok reflete uma mudança para maior transparência e o desejo de compartilhar histórias pessoais em um mundo digital", segundo Sharghi. "Isso também destaca o impacto profissional e emocional das decisões corporativas sobre os indivíduos", prossegue ela. "Uma coisa é falar sobre a demissão – outra é passar pela experiência em tempo real, junto com a pessoa que sofreu o impacto." Sharghi afirma que vídeos como o de Pietsch podem expressar uma sensação cada vez maior de insatisfação com as relações entre empregados e empregadores. "A empresa [pode tentar] transferir a culpa da demissão para o funcionário – quando, na realidade, se for uma demissão em massa, pode ser falha de administração ou avanços tecnológicos que estão trazendo mudanças", explica ela. "Esses vídeos estão expondo as falhas das empresas." Poste com cautela A ira dos criadores de vídeos de demissões pode ser justificada, mas analistas aconselham os jovens profissionais a reconsiderar sua abordagem. Eles chegam a criticar esses profissionais como sendo ingênuos e precipitados. No X, a comentarista conservadora Candace Owens chamou Pietsch de "jovem e estúpida" depois que seu vídeo viralizou. "Agora, qualquer empresa que pesquisar Brittany Pietsch no Google irá encontrar esse vídeo da gravação secreta da empresa em que ela trabalhava, expondo-os por fazerem seu trabalho. Inacreditavelmente inconsequente", escreveu ela. Outro comentarista criticou Pietsch e a Cloudflare, considerando que ambos agiram mal. Para ele, "ser demitido é difícil, mas é importante enfrentar a situação com dignidade. Demitir alguém também é difícil e exige compaixão e respeito. Total desastre de ambas as partes, neste caso." Sharghi não concorda com as posições extremistas, mas recomenda cautela. "Embora esses vídeos possam oferecer apoio e solidariedade, eles também têm o potencial de prejudicar as perspectivas profissionais futuras daquela pessoa. As grandes empresas de tecnologia, por exemplo, formam um mundo pequeno no topo [das companhias] e, se um desses vídeos viralizar, é mais do que provável que um recrutador, um gerente de contratações ou um entrevistador tenha visto." As empresas podem pensar duas vezes antes de contratar um candidato que poderá "expor publicamente o trabalho interno da companhia", afirma ela. Este, de certa forma, é um caso de assertividade extrema nas redes sociais, que pode fazer o gerente parar para pensar antes de contratar um funcionário. E, em alguns casos, esses vídeos podem até colocar seus criadores em dificuldades. Antes de seguir o impulso de postar, Sharghi recomenda que os indivíduos demitidos verifiquem seus acordos de rescisão. Eles podem conter cláusulas de não depreciação ou limitações à discussão das suas experiências na empresa. Trabalhador pode ser demitido por causa de algo que postou na web? Nos Estados Unidos, a Junta Nacional de Relações Trabalhistas determinou em 2023 que as cláusulas de não depreciação em acordos de rescisão profissional são ilegais. Mas existem exceções a esta regra, como divulgar segredos da companhia ou prestar declarações falsas e mal-intencionadas. "Divulgar publicamente detalhes sobre o processo de demissão, especialmente se retratarem a empresa de forma negativa, pode representar uma quebra dessas cláusulas", adverte Sharghi. Em resumo, a mensagem dos especialistas é esta: faça uma pausa antes de postar. Qual é o objetivo deste vídeo e quais são suas possíveis ramificações? Se existe algo a se aprender com a hashtag #layoffs no TikTok, é que a noção dos trabalhadores sobre a sua imagem profissional passa por mudanças importantes – e criadores de conteúdo como Brittany Pietsch estão conduzindo essas mudanças. Pietsch declarou ao The Wall Street Journal que não se arrepende e que outros profissionais estão dizendo a ela: "gostaria ter me defendido como você fez". Veja também: Vídeos de 'trollagem' com funcionários novos no trabalho viralizam nas redes sociais Empresa pode exigir algo da aparência, higiene ou estilo dos funcionários?

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Teams, plataforma da Microsoft, enfrenta instabilidade nesta sexta-feira


Usuários relatam dificuldades para compartilhar arquivos, enviar e receber mensagens. Microsoft Teams é um dos serviços da Microsoft 365 Jaap Arriens/NurPhoto/Reuters Usuários do Teams, da Microsoft, relataram dificuldades ao acessar a plataforma na tarde desta sexta-feira (26). Segundo o site Downdetector, que reúne relatos de instabilidade em vários países, foram registrados problemas a partir das 13h03 (horário de Brasília). O maior pico de reclamações ocorreu às 15h33, com mais de 1.900 notificações. Teams enfrenta instabilidade nesta sexta-feira Downdetector/ Reprodução Alguns usuários reclamaram no X (antigo Twitter) que a plataforma não carregava ou enviava mensagens e arquivos. Lançado em 2016, o Teams é uma plataforma focada no ambiente corporativo e estudantil. Entre os recursos disponíveis estão o compartilhamento de arquivos, calendários e chamadas de vídeo em grupo. O g1 entrou em contato com a Microsoft, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Reclamações Initial plugin text Initial plugin text Leia mais

Apple lança sistema antirroubo para iPhone no Brasil; saiba como ativar


Configuração do smartphone não pedirá mais senha numérica caso a biometria facial falhar. iPhone ganha nova configuração para evitar roubos Bagus Hernawan/Unsplash Uma nova configuração antirroubo foi lançada para quem tem iPhone no Brasil. A Proteção de Dispositivo Roubado, disponível na versão 17.3 do iOS, não permite mais que o bandido tenha acesso à uma senha numérica. Nas versões anteriores, quando a autenticação biométrica falhava, o aparelho solicitava que o usuário digitasse uma sequência de números. É nesse momento que os bandidos podem exigir os códigos das vítimas. Porém, a partir de agora, o uso de autenticação pelo Face ID (facial) ou Touch ID (dedo) será único, o que pode dificultar o acesso às informações sigilosas do celular. Para utilizar a nova configuração, o usuário deve ativar a função no ícone "ajustes" do smartphone. Nestes casos, existem duas opções de proteção: Nível 1 — biometria: caso o bandido tente utilizar senhas salvas no Safari, o iPhone exigirá apenas a biometria (Face ID ou Touch ID), sem a opção do código de acesso. Nível 2 — biometria e espera de uma hora: para alterar a senha do ID Apple, ativar a chave de recuperação ou desativar o "Buscar iPhone", o aparelho pedirá o Face ID ou Touch ID e, em seguida, iniciará uma contagem regressiva de uma hora. Após isso, solicitará outra varredura de Face ID ou Touch ID. Nesse caso, o ladrão terá que passar pelas duas etapas para desativar a Proteção de Dispositivo Roubado e ter acesso aos dados da vítima. Leia também: Celular Seguro: veja como utilizar Celular perdido? Veja como localizar iPhone e Android pelo computador ou por app

As gêmeas roubadas após nascimento que se reencontraram graças a vídeo no TikTok


Milhares de pessoas na Geórgia descobriram que foram roubadas dos pais e vendidas. Amy Khvitia e Ano Sartania só foram se conhecer aos 19 anos BBC Amy e Ano são gêmeas idênticas, mas logo depois do nascimento foram separadas da sua mãe e vendidas para famílias diferentes. Anos depois, elas se descobriram por acaso graças a um programa de talentos na TV e a um vídeo do TikTok. Ao investigarem seu passado, elas perceberam que estavam entre os milhares de bebês da Geórgia que foram roubados de hospitais e vendidos, alguns ainda em 2005. Agora elas estão em busca de respostas. Amy caminha de um lado para outro em um quarto de hotel em Leipzig, na Alemanha. "Estou com medo, muito medo", diz ela. "Não dormi a semana toda. Esta é minha chance de finalmente obter algumas respostas sobre o que aconteceu conosco." Sua irmã gêmea, Ano, está sentada em uma poltrona assistindo a vídeos do TikTok em seu telefone. "Esta é a mulher que poderia ter nos vendido", diz ela. Ano admite que também está nervosa, mas apenas porque não sabe como reagirá e se conseguirá controlar sua raiva. É o fim de uma longa jornada. Elas viajaram da Geórgia para a Alemanha, na esperança de encontrar a peça que faltava no quebra-cabeça. Elas finalmente vão conhecer sua mãe biológica. Nos últimos dois anos, elas vêm reconstruindo o que aconteceu. À medida que desvendavam a verdade, elas perceberam que havia dezenas de milhares de outras pessoas na Geórgia que também tinham sido retiradas de hospitais quando eram bebês e vendidas ao longo das décadas. Apesar de tentativas oficiais de se investigar o que aconteceu, ninguém foi responsabilizado até hoje. A história de como Amy e Ano se descobriram começa quando elas tinham 12 anos. Amy Khvitia estava na casa de sua madrinha, perto do Mar Negro, assistindo ao seu programa de TV favorito, Georgia's Got Talent. Havia uma garota dançando que se parecia exatamente com ela. Na verdade, era idêntica. "Todo mundo telefonava para minha mãe e perguntava: 'Por que Amy está dançando com outro nome?'", diz ela. Amy mencionou isso para sua família, mas eles ignoraram. "Todo mundo tem um sósia", disse sua mãe. Sete anos depois, em novembro de 2021, Amy postou no TikTok um vídeo dela mesma com cabelo azul fazendo um piercing na sobrancelha. A 320 km de distância, em Tbilisi, outra jovem de 19 anos, Ano Sartania, recebeu o vídeo de um amigo. Ela achou "legal ela se parecer comigo". Ano tentou rastrear na internet a garota com piercing na sobrancelha, mas não conseguiu encontrá-la. Ela compartilhou o vídeo em um grupo de WhatsApp da universidade para ver se alguém poderia ajudar. Alguém que conhecia Amy viu a mensagem e as colocou em contato pelo Facebook. Amy soube imediatamente que Ano era a garota que ela tinha visto anos atrás no Georgia's Got Talent. "Estou procurando por você há tanto tempo!", ela mandou uma mensagem. "Eu também", respondeu Ano. Nos dias seguintes, elas descobriram que tinham muito em comum, mas nem tudo fazia sentido. Ambas nasceram na maternidade de Kirtskhi – que já não existe – no oeste da Geórgia, mas, de acordo com as suas certidões de nascimento, os seus aniversários ocorreram com algumas semanas de intervalo. Elas não poderiam ser irmãs, muito menos gêmeas. Mas havia muitas semelhanças. Gostavam da mesma música, adoravam dançar e até tinham o mesmo penteado. Elas descobriram que tinham a mesma doença genética, um distúrbio ósseo chamado displasia. Parecia que elas estavam desvendando um mistério juntas. "Cada vez que eu aprendia algo novo sobre Ano, as coisas ficavam mais estranhas", diz Amy. Elas marcaram um encontro e, uma semana depois, quando Amy se aproximava do topo da escada rolante da estação de metrô Rustaveli, em Tbilisi, ela e Ano se viram pessoalmente pela primeira vez. "Foi como olhar no espelho, exatamente o mesmo rosto, exatamente a mesma voz. Eu sou ela e ela sou eu", diz Amy. Ela soube então que eram gêmeas. "Não gosto de abraços, mas abracei ela", diz Ano. Elas decidiram confrontar as suas famílias e pela primeira vez descobriram a verdade. Elas haviam sido adotadas, separadamente, com algumas semanas de intervalo em 2002. Amy ficou chateada e sentiu que toda a sua vida tinha sido uma mentira. Vestida de preto da cabeça aos pés, ela parece uma pessoa durona, mas ao contar a sua história ela não consegue conter as lágrimas. "É uma história maluca", diz ela. "Mas é verdade." Ano estava "zangada e chateada com a minha família, mas eu só queria que as conversas difíceis acabassem para que todos pudéssemos seguir adiante". As gêmeas descobriram que alguns detalhes em suas certidões de nascimento oficiais, incluindo a data em que nasceram, estavam errados. Incapaz de ter filhos, a mãe de Amy diz que uma amiga lhe contou que havia um bebê indesejado no hospital local. Ela precisaria pagar os médicos, mas poderia levá-la para casa e criá-la como se fosse sua. A mãe de Ano contou a mesma história. Nenhuma das famílias adotivas sabia que as meninas eram gêmeas e, apesar de pagarem muito dinheiro para adotar as filhas, dizem que não perceberam que isso era ilegal. A Geórgia estava enfrentando um período de turbulência e, como o pessoal do hospital estava envolvido na adoção, eles consideraram que tudo foi feito dentro da lei. Nenhuma das famílias revelou quanto dinheiro foi pago. As gêmeas queriam saber se seus pais biológicos as teriam vendido meramente por dinheiro. Amy queria procurar a mãe biológica para descobrir a verdade, mas Ano hesitava. "Por que você quer conhecer a pessoa que pode ter nos traído?", ela perguntava. Amy encontrou um grupo no Facebook dedicado a reunir famílias georgianas com crianças suspeitas de terem sido adotadas ilegalmente e compartilhou a sua história. Uma jovem na Alemanha respondeu, dizendo que a sua mãe tinha dado à luz gêmeas no Hospital Maternidade Kirtskhi em 2002 e que, apesar de lhe terem dito que os bebês tinham morrido, ela duvidava dessa versão. Testes de DNA revelaram que a menina do grupo do Facebook era irmã delas e morava com a mãe biológica, Aza, na Alemanha. Amy estava desesperada para conhecer Aza, mas Ano estava mais cética. "Essa é a pessoa que poderia ter te vendido, ela não vai te contar a verdade", alertou. Mesmo assim ela concordou em ir para a Alemanha com Amy para apoiá-la. O grupo do Facebook que as gêmeas usaram, Vedzeb, significa "Estou procurando" em georgiano. Há inúmeras postagens de mães que dizem que a equipe do hospital lhes disse que seus bebês haviam morrido, mas depois descobriram que as mortes não foram registradas e que seus filhos ainda poderiam estar vivos. Outras postagens são de crianças como Amy e Ano, em busca de seus pais biológicos. O grupo tem mais de 230 mil membros e, junto com sites de DNA, ele expôs um capítulo obscuro na história da Geórgia. O Vedzeb foi criado pela jornalista Tamuna Museridze em 2021, depois que ela descobriu que era adotada. Ela encontrou sua certidão de nascimento com detalhes incorretos quando estava limpando a casa de sua falecida mãe. Ela iniciou o grupo para procurar a sua própria família, mas o grupo acabou por expor um escândalo de tráfico de bebês que afeta dezenas de milhares de pessoas e que se estende por décadas. Ela ajudou a reunir centenas de famílias, mas ainda não localizou a sua própria. Tamuna descobriu um mercado clandestino de adoção que se estendia por toda a Geórgia e durou do início da década de 1950 até 2005. Ela acredita que foi comandado por criminosos organizados e envolveu pessoas de todos os setores da sociedade, desde motoristas de táxi até pessoas de alto escalão do governo. "A escala é inimaginável, foram roubados até 100 mil bebês. Foi sistêmico", diz ela. Tamuna explica que calculou esse número contando o número de pessoas que a contataram e combinando isso com o período de tempo e a propagação nacional dos casos. Com a falta de acesso aos documentos – alguns foram perdidos e outros não estão sendo divulgados – é impossível verificar o número exato. Tamuna diz que muitos pais lhe contaram que, quando pediram para ver os corpos dos seus bebês mortos, foram informados de que eles já haviam sido enterrados no terreno do hospital. Desde então, ela descobriu que nunca existiram cemitérios em hospitais georgianos. Em outros casos, eram mostrados aos pais bebês mortos que haviam sido congelados no necrotério. Tamuna diz que era caro comprar uma criança: o equivalente a um ano de um salário médio na Geórgia. Ela descobriu que algumas crianças acabaram com famílias estrangeiras nos EUA, Canadá, Chipre, Rússia e Ucrânia. Em 2005, a Geórgia alterou a sua legislação de adoção e em 2006 reforçou as leis antitráfico, dificultando as adoções ilegais. Outra pessoa em busca de respostas é Irina Otarashvili. Ela deu à luz gêmeos em uma maternidade em Kvareli, no sopé das montanhas do Cáucaso, na Geórgia, em 1978. Os médicos disseram que os dois meninos eram saudáveis, mas, por razões que nunca foram explicadas, foram mantidos longe dela. Três dias depois de nascerem, ela foi informada de que ambos haviam morrido repentinamente. Um médico disse que eles tinham problemas respiratórios. Irina e seu marido não conseguiam entender isso, mas especialmente na época soviética "você não questionava a autoridade", diz ela. Ela acreditou em tudo que eles disseram. As autoridades pediram que o casal trouxesse uma mala para levar os restos mortais dos bebês e enterrá-los no cemitério ou no quintal, como era comum para os bebês da época. O médico disse para nunca abrirem a maleta, pois seria muito perturbador ver os corpos. Irina fez o que lhe foi dito, mas 44 anos depois sua filha Nino encontrou o grupo de Tamuna no Facebook e começou a suspeitar. "E se nossos irmãos não tivessem morrido de verdade?", ela imaginou. Nino e sua irmã Nana decidiram desenterrar a mala. "Meu coração estava acelerado", diz ela. "Quando abrimos, não havia ossos, apenas gravetos. Não sabíamos se sorríamos ou se chorávamos." Ela diz que a polícia local confirmou que o conteúdo era composto por galhos de uma videira e não havia vestígios de restos humanos. Ela agora acredita que seus irmãos há muito perdidos ainda podem estar vivos. No hotel em Leipzig, Amy e Ano se preparam para conhecer sua mãe biológica. Ano diz que mudou de ideia e que quer desistir. Mas é um vacilo momentâneo e, respirando fundo, ela decide seguir em frente. A mãe biológica, Aza, espera nervosa em outra sala. Amy abre a porta hesitante e Ano a segue, quase empurrando a irmã para dentro do quarto. Aza avança e os abraça com força, uma gêmea de cada lado. Os minutos passam. Abraçadas, ninguém fala nada. Lágrimas escorrem pelo rosto de Amy, mas Ano permanece inabalável. Ela até parece um pouco irritada. As três se sentam para conversar. Mais tarde, as gêmeas contam que a mãe explicou que ficou doente após o parto e entrou em coma. Quando ela acordou, a equipe do hospital disse que logo após o nascimento dos bebês, eles haviam morrido. Ela disse que conhecer Amy e Ano deu um novo significado à sua vida. Embora não sejam próximas, elas ainda mantêm contato. Em 2022, o governo georgiano lançou uma investigação sobre o tráfico de crianças. O governo disse à BBC que conversou com mais de 40 pessoas, mas os casos eram "muito antigos e registros históricos se perderam". A jornalista Tamuna Museridze diz que compartilhou informações, mas o governo não disse quando irá divulgar o seu relatório. O governo fez pelo menos quatro tentativas para descobrir o que aconteceu. Isso inclui uma investigação em 2003 sobre o tráfico internacional de crianças que levou a uma série de prisões, mas pouca informação foi tornada pública. E em 2015, após outra investigação, a imprensa georgiana informou que o diretor-geral da maternidade Rustavi, Aleksandre Baravkovi, havia sido preso. Mas ele foi inocentado e voltou ao trabalho. A BBC contatou o Ministério do Interior da Geórgia para obter mais informações sobre casos individuais, mas fomos informados de que detalhes específicos não seriam divulgados devido à proteção de dados. Tamuna uniu agora forças com a advogada de direitos humanos Lia Mukhashavria para levar os casos de um grupo de vítimas aos tribunais georgianos. Eles querem ter acesso aos seus documentos de nascimento — algo que atualmente não é possível pela legislação georgiana. Eles esperam que isso ajude a trazer um pouco de paz nas suas vidas. "Sempre senti que faltava alguma coisa ou alguém na minha vida", diz Ano. "Eu costumava sonhar com uma garotinha vestida de preto que me seguia e me perguntava como foi meu dia." Esse sentimento desapareceu quando ela encontrou Amy.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Microsoft demite quase 2 mil funcionários, diz site


Cortes devem afetar as áreas de games da empresa, atingindo Activision Blizzard e Xbox. Fachada do prédio da Microsoft. AP Photo/Michel Euler A Microsoft demitiu 1.900 pessoas nesta quinta-feira (25) de suas áreas de games, segundo o site de tecnologia The Verge. As áreas afetadas foram Activision Blizzard e do Xbox. Em nota aos funcionários divulgada hoje pelo veículo de comunicação americano, o chefe da divisão de jogos da Microsoft, Phil Spencer, afirmou que os cortes ocorreram após serem encontradas sinergias entre as duas empresas. Spencer disse aos trabalhadores que a Microsoft e a Activision estão comprometidas em encontrar uma "estrutura de custos sustentável" para expandir o negócio de jogos on-line, que emprega 22 mil pessoas e inclui a divisão Xbox. "Juntos definimos prioridades, identificamos áreas de sobreposição e garantimos que estamos todos alinhados nas melhores oportunidades de crescimento", acrescentou. Em 2022, a Microsoft comprou a Activision Blizzard, uma das maiores empresas de games do mundo, por US$ 68,7 bilhões, cerca de R$ 379 bilhões. Este valor foi a maior aquisição do mercado de jogos. Além da notícia das demissões, o presidente da Blizzard, Mike Ybarra, anunciou que deixaria a empresa. Allen Adham, diretor de design da Blizzard, também abandonou o cargo. "É um dia extremamente difícil para mim e minha energia e apoio estarão focados em todos os indivíduos incríveis afetados" pela decisão da empresa, disse Ybarra em sua conta na rede social X, antigo Twitter.

Casa onde Jeff Bezos fundou a Amazon está à venda por R$ 11,4 milhões; veja FOTOS


A garagem da residência serviu de 'escritório' para Bezos e a então esposa, MacKenzie Scott, venderem livros pela internet; imóvel está localizado em West Bellevue, nos EUA. Casa nos EUA onde Jeff Bezos fundou a Amazon está à venda por 11,4 milhões Reprodução/Zillow A casa onde Jeff Bezos fundou a gigante do comércio on-line Amazon está à venda nos EUA e o novo dono do imóvel terá um pedaço da história da internet. Mas, para isso, ele terá que desembolsar US$ 2,3 milhões (cerca de R$ 11,4 milhões). Bezos, um dos homens mais ricos do mundo, e sua esposa à época, MacKenzie Scott, alugavam essa casa de um andar e três quartos perto de Seattle (EUA) no meio dos anos 90, quando começaram a vender livros pela internet - a garagem da residência era uma espécie de escritório. "Bem-vindo ao berço da Amazon - Jeff Bezos fundou a Amazon na humilde garagem desta casa em West Bellevue em 1994", diz o anúncio de venda. "Ela possui uma enorme sala grande, fabulosa cozinha em granito, com luz natural das clarabóias, criando um ambiente luminoso e convidativo". A casa de 143 m² foi "meticulosamente reconstruída" em 2001, de acordo com o anúncio do agente imobiliário, então não resta muito da época de Bezos. No entanto, pelas fotos, a garagem tem uma recriação da placa original da "amazon.com" que Bezos tinha naquela época (veja na imagem abaixo). Casa onde a Amazon foi fundada, nos EUA Reprodução/Zillow De acordo com a história da empresa, na garagem havia apenas um computador, material de escritório básico e uma mesa. No início, apenas livros eram comercializados. A Amazon afirma que o primeiro livro vendido foi "Fluid Concepts and Creative Analogies: Computer Models Of The Fundamental Mechanisms Of Thought" (1996). Mas em poucos anos, a big tech se tornou a opção padrão para compradores on-line em todo o mundo, elevando sua capitalização de mercado atual para a colossal cifra de US$ 1,6 trilhão (algo em torno de R$ 7,9 trilhões). LEIA TAMBÉM: Galaxy A05s, A15 LTE, A15 5G e A25 5G são os novos celulares baratos da Samsung; veja preços iPhone 'antigo': até qual versão ainda vale a pena comprar? Como fixar chats e mensagens específicas no WhatsApp 🏠 Veja outras imagens da casa: Casa onde a Amazon foi fundada, nos EUA Reprodução/Zillow Garagem onde a Amazon foi fundada Reprodução/Zillow Casa onde a Amazon foi fundada, nos EUA Reprodução/Zillow Casa onde a Amazon foi fundada, nos EUA Reprodução/Zillow Casa onde a Amazon foi fundada, nos EUA Reprodução/Zillow Casa onde a Amazon foi fundada, nos EUA Reprodução/Zillow Casa onde a Amazon foi fundada, nos EUA Reprodução/Zillow Samsung lança Galaxy S24 em três versões Samsung lança Galaxy S24 em três versões Hyundai apresenta conceito de 'carro voador' na CES 2024 Hyundai apresenta conceito de 'carro voador' na CES 2024 Saiba se está sendo vigiado: veja sinais um celular infectado com aplicativo espião Saiba se está sendo vigiado: veja sinais um celular infectado com aplicativo espião

First Mile: o que se sabe sobre o software espião usado pela Abin


Tecnologia de empresa israelense monitorou irregularmente a localização de celulares de políticos, policiais, jornalistas e até mesmo juízes, segundo a investigação da PF. Sistema é israelense e empresa por trás não apresenta informações sobre ele em seu site. Abin, Agência Brasileira de Inteligência Jornal Nacional A Polícia Federa deflagrou uma nova operação na manhã desta quinta (25) contra suposta espionagem ilegal na Abin. De acordo com a GloboNews, um dos investigados é o ex-diretor da Abin e atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que comandou a agência no governo Jair Bolsonaro. O uso da tecnologia de espionagem, chamada de First Mile e desenvolvida pela empresa israelense Cognyte (ex-Verint), foi revelado em março, pelo jornal O Globo. A investigação da PF apontou que o software comprado pelo governo usava de GPS para monitorar irregularmente a localização de celulares de servidores públicos, políticos, policiais, advogados, jornalistas e até mesmo juízes. Naquele momento, quando a denúncia do uso do sistema veio à tona, a Abin confirmou ao g1 que utilizou a tecnologia. O programa foi comprado no fim do governo Temer, a poucos dias da posse de Jair Bolsonaro, e usado até parte do terceiro ano do seu mandato. "A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) informa que o contrato 567/2018, de caráter sigiloso, teve início em 26 de dezembro de 2018 e foi encerrado em 8 de maio de 2021. A solução tecnológica em questão não está mais em uso na ABIN desde então", afirmou. O Assunto #1.071: A Abin e o rastreamento de celulares Apuração da TV Globo e da GloboNews descobriu que, segundo investigadores, há indícios de que o uso do First Mile se intensificou nos últimos anos do governo Bolsonaro. Na época, a Abin disse que instaurou procedimento para apurar o caso e que todas as solicitações da PF e do STF foram atendidas integralmente (leia a nota na íntegra ao final da reportagem). O que se sabe sobre o First Mile Desde março de 2023, o g1 tenta contato com representantes da Cognyte, mas a empresa não tem retornado aos nossos contatos. Em seu site, ela diz ser "líder de mercado em software de análise investigativa", mas não apresenta informações do First Mile. Em maio de 2019, a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) atestou que a empresa Suntech é a representante e "desenvolvedora do VERINT First Mile – Geolocalização Celular Remota" no Brasil. A Abin não informou se adquiriu o software com a Suntech. O g1 também não conseguiu contato com a representante. Até aqui, as informações sobre o software dão conta de que: o First Mile permitia o monitoramento de até 10 mil donos de celulares a cada 12 meses. Bastava digitar o número do contato telefônico desejado no programa, de acordo com O Globo. A tecnologia localizava aparelhos que utilizam as redes 2G, 3G e 4G. Segundo a Data Privacy Brasil, além de identificar a localização aproximada dos dispositivos, o sistema era capaz de gerar alertas sobre a rotina de movimentação dos alvos de interesse. Reportagem da revista "Forbes", de dezembro de 2020, que denunciava empresas israelenses que capturam dados de localização de pessoas em vários países, disse que a Cognyte/Verint comercializa todo tipo de ferramenta de espionagem. A partir do número de telefone da pessoa, uma das tecnologias vendidas poderia localizar o indivíduo por meio de torres de celular próximas. A "Forbes" apontou que, para isso, segundo fontes anônimas, a Cognyte/Verint explora o sistema de vendas de anúncios online. O que diz a Abin Leia na íntegra a nota da Abin de outubro de 2023 sobre a utilização do software: "A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) informa que, em 23 de fevereiro de 2023, a Corregedoria-Geral da ABIN concluiu Correição Extraordinária para verificar a regularidade do uso de sistema de geolocalização adquirido pelo órgão em dezembro de 2018. A partir das conclusões dessa correição, foi instaurada sindicância investigativa em 21 de março de 2023. Desde então, as informações apuradas nessa sindicância interna vêm sendo repassadas pela ABIN para os órgãos competentes, como Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal. Todas as requisições da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal foram integralmente atendidas pela ABIN. A Agência colaborou com as autoridades competentes desde o início das apurações. A ABIN vem cumprindo as decisões judiciais, incluindo as expedidas na manhã desta sexta-feira (20) [trecho sobre outra operação da PF que prendeu dois servidores em outubro passado]. Foram afastados cautelarmente os servidores investigados. A Agência reitera que a ferramenta deixou de ser utilizada em maio de 2021. A atual gestão e os servidores da ABIN reafirmam o compromisso com a legalidade e o Estado Democrático de Direito." LEIA TAMBÉM: O que é o software usado pela polícia do Rio no caso Henry Borel É possível um celular ser espionado sem nenhum aplicativo? Entenda o que é o Pegasus, software de espionagem que teria sido usado para invadir smartphones de milhares de pessoas Saiba se está sendo vigiado: veja sinais um celular infectado com aplicativo espião Saiba se está sendo vigiado: veja sinais um celular infectado com aplicativo espião Segurança da informação em alta: veja como entrar no setor Segurança da informação em alta: veja como entrar no setor Campanha alerta para o risco de postar fotos de crianças na internet Campanha alerta para o risco de postar fotos de crianças na internet

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...