segunda-feira, 25 de março de 2024

VÍDEO: avião supersônico XB-1 faz primeiro voo, como teste para futuro sucessor do Concorde


Aeronave alcançou 440 km/h, ainda abaixo da velocidade do som. Fabricante Boom Supersonic diz que modelo fará voos supersônicos nos próximos testes, como parte do desenvolvimento de seu principal projeto, o Overture. Avião supersônico XB-1 faz primeiro voo, ainda abaixo da velocidade do som A fabricante Boom Supersonic informou que seu avião supersônico XB-1 completou o primeiro voo na sexta-feira (22). A aeronave serve como modelo de teste para o principal supersônico da empresa, o Overture, que deve fazer o primeiro voo somente em 2027. Neste teste, o XB-1 alcançou altitude de 7.160 pés (cerca de 2.200 metros) e atingiu velocidade de 440 km/h, ainda abaixo da velocidade do som (Mach 1, ou cerca de 1.230 km/h). Agora, a equipe da Boom Supersonic pretende realizar novos testes para confirmar o desempenho do XB-1 e fazer voos ainda mais rápidos, em que a aeronave atingirá velocidade supersônica. A empresa disse que o avião atingiu os objetivos de velocidade, altitude e estabilidade que estavam previstos. Essa verificação foi feita com a ajuda da T-38, uma aeronave de perseguição que seguiu o avião durante o voo. O XB-1 decolou e pousou em uma pista na cidade de Mojave, na Califórnia. Este foi o local em que o avião Bell XB-1 fez o primeiro voo supersônico da história, em 1947. Avião supersônico XB-1 durante seu 1º voo de teste, em 22 de março de 2024 Divulgação/Boom Supersonic O primeiro voo do XB-1 é mais um passo para o retorno dos aviões supersônicos civis, já que ele serve como base para o desenvolvimento do Overture, um avião maior que é apontado como o sucessor do Concorde, que operou até 2003. Segundo a Boom Supersonic, o avião de teste tem sido usado para validar itens que serão usados no Overture, como um sistema de câmeras no nariz da aeronave e o acabamento em fibra de carbono. Concorde e Overture: quais as diferenças entre os aviões supersônicos Avião supersônico XB-1 toca o solo após seu 1º voo, em 22 de março de 2024 Divulgação/Boom Supersonic Como será voar no Overture? O avião Overture deverá ter o dobro da velocidade das aeronaves atuais e alcançar 1.800 km/h quando estiver sobrevoando o mar. Em voos sobre o continente, a aeronave terá desempenho 20% superior, segundo a fabricante. A duração de um voo de Miami a Londres, que hoje é de cerca de 10 horas, cairia para cerca de 5 horas com o novo modelo. Quem é o dono do TikTok e por que a rede desperta desconfiança de políticos nos EUA Conheça o Overture, projeto de avião supersônico que pode chegar a 1.800 km/h E a alta velocidade não deverá ser incômoda para quem estiver no avião: a Boom Supersonic diz que, como o Overture ficará acima da maioria das áreas de turbulências, o voo será mais suave do que os das aeronaves convencionais. Além disso, a empresa afirma que o avião não será tão barulhento para regiões habitadas. Em geral, este tipo de aeronave produz um estrondo quando ultrapassa a velocidade do som por conta da chamada pós-combustão, que não será usada pelo Overture. Saiba mais sobre o que pode ser o jato supersônico mais veloz do mundo: 🏃 Velocidade máxima de 1,7 Mach (ou 1,7 vez a velocidade do som), o que na altitude de cruzeiro (60 mil pés ou cerca de 18 km) representa aproximadamente 1.800 km/h; ⛽ 7.867 km de autonomia; 💺 Capacidade para transportar até 80 passageiros; ️✈️ 61 metros de comprimento e 32 metros largura; 💰 130 unidades encomendadas por American Airlines, United Airlines e Japan Airlines. As diferenças entre os aviões supersônicos Conceito do avião supersônico Overture Divulgação/Boom Supersonic Relembre o último voo do Concorde, em 2003

Apple, Google e Meta viram alvo de investigações da União Europeia


Segundo a Comissão Europeia, essas empresas não estão em conformidade com a Lei de Mercados Digitais, implementadas em 7 de março. Violações podem resultar em multas de até 10% do faturamento anual global das empresas. Apesar de Le Pen não mencionar mais a saída da França da União Europeia, já que isso havia comprometido seu desempenho na eleição de 2017, ela afirma querer "reformar o bloco europeu por dentro" Reuters Apple, Google e Meta serão investigadas por possíveis violações da Lei dos Mercados Digitais, disseram órgãos reguladores da União Europeia nesta segunda-feira, o que pode resultar em multas pesadas para as empresas. A lei, em vigor desde 7 de março, exige que seis grandes empresas de tecnologia - que fornecem serviços como mecanismos de busca, redes sociais e aplicativos de bate-papo usados por outras empresas - cumpram as orientações a fim de garantir a igualdade de condições a seus rivais e oferecer mais opções aos usuários. As violações podem resultar em multas de até 10% do faturamento anual global das empresas. A Comissão Europeia disse que suspeita que as medidas adotadas por essas corporações não estão em conformidade efetiva com a lei. A autoridade de concorrência da UE investigará as regras da Alphabet sobre direcionamento no Google Play e autopreferência no Google Search, as regras da Apple sobre direcionamento na App Store e a tela de escolha do Safari e o "modelo de pagamento ou consentimento" da Meta. Perguntado se a Comissão estava apressando o processo, o chefe do setor na UE, Thierry Breton, disse que as investigações não deveriam ser uma surpresa. "A lei é a lei. Não podemos simplesmente sentar e esperar", disse ele a jornalistas. Breton disse que a Meta - que introduziu um serviço de assinatura sem anúncios na Europa em novembro do ano passado - deveria oferecer opções alternativas gratuitas. Da mesma forma, o Google e a Apple introduziram novas taxas para alguns serviços. Um porta-voz da Meta disse que a empresa está se esforçando para cumprir a orientação da lei. O Google, que afirmou ter feito mudanças significativas em seus serviços, disse que defenderá sua abordagem nos próximos meses. A Apple disse estar confiante de que seu plano está em conformidade com a nova lei. Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual Vestido que muda de cor: roupa digital desenvolvida pela Adobe altera o visual com toque

Conheça a estudante da UFG que é a 1ª mulher do Brasil a se formar em Inteligência Artificial


Heloisy Pereira Rodrigues, de 24 anos, fez seis meses de odontologia quando decidiu se aventurar no curso de AI. Ela e mais 14 estudantes concluíram o bacharelado na Universidade Federal de Goiás (UFG). Conheça a estudante da UFG que é a 1ª mulher do Brasil a se formar em Inteligência Artificial Heloisy Pereira Rodrigues, de 24 anos, é a 1ª mulher do Brasil a se formar em Inteligência Artificial, em Goiânia. Natural de Ceres, ela chegou a fazer seis meses de odontologia, mas segunda ela, não era o que queria de verdade. “Fiquei sabendo da criação do curso de AI na colação de grau da minha irmã. Pesquisei sobre o mercado de trabalho e me agradou muito, vi que a área correspondia com a que sempre tive facilidade, exatas, e resolvi me aventurar”, disse Heloisy. Ela começou o curso em 2020 e terminou no fim de 2023 na Universidade Federal de Goiás (UFG), no instituto de Informática do Campus Samambaia, em Goiânia. No país todo, o curso de graduação em IA só é oferecido pela UFG, e a estudante foi a única mulher da turma de 15 formandos. LEIA TAMBÉM Goiás sedia debate internacional sobre ética no setor público e Inteligência Artificial Evento no Grupo Jaime Câmara com psicanalista Jorge Forbes discute inteligência artificial e seus impactos Heloisy conta que o curso, de bacharelado em Inteligência Artificial, além de ser chamado de IA, em inglês, artificial intelligence, é também chamado carinhosamente de BIA pelos bacharéis. Heloisy Pereira Rodrigues, de 24 anos, é a primeira mulher do Brasil a se formar em Inteligência Artificial, na UFG Acervo pessoal “É um curso totalmente diferente dos outros. Ele trabalha a mentalidade empreendedora, resolução de problemas e tudo aliado à técnica. É promovido o contato com empresas privadas, por meio de projetos de pesquisa e desenvolvimento (p&d), o que contribui muito com o nosso crescimento profissional no decorrer do aprendizado”, disse Heloisy. Ao g1, ela contou que em relação as áreas de IA, gosta mais de processamento de linguagem natural, que é fazer a máquina entender as falas humanas. “Um dos desafios pode ser um pouco de matemática, mas nada impossível. É se manter sempre atualizado, pesquisar e buscar conhecimento constante. Recomendo fazer, é um curso que podemos aplicar os conhecimentos em qualquer área como na saúde, agro, varejo, call center, etc”, contou ela. 1ª mulher formada em AI no Brasil Heloisy Pereira Rodrigues, de 24 anos, durante graduação em Inteligência Artificial Acervo pessoal Heloisy disse que o contato com as empresas durante o curso contribui e ajuda os alunos a conhecer o mercado de trabalho antes mesmo de se formar. Além disso, possibilita que os estudantes ganhem bolsas bem remuneradas em projetos desenvolvidos na universidade. “É um sentimento muito bom, principalmente de gratidão e alegria. Saber que eu consegui finalizar e poder ser inspiração para outras mulheres é muito gratificante. A tecnologia é uma área de mulheres também, devemos cada vez mais conquistar esses espaços”, contou Heloisy. Ela avaliou que falta incentivo para meninas jovens se aventurarem nesta área. Desde criança são os meninos que mexem no computador, entram em games no pc e acabam se atraindo mais pela área. “As meninas não são incentivadas a jogar no computador, ainda não possuem muitas referências de mulheres que mexem com isso, então é mais difícil quererem algo que desconhecem, mas p espaço está lá, só é necessário querermos acessá-lo. Somos capazes de chegar longe”, afirmou Heloisy. Heloisy Pereira Rodrigues, de 24 anos, e a família durante colação de grau em Inteligência Artificial Acervo pessoal Ela contou que é importante a formação na área devido à grande possibilidade de resolver problemas da sociedade, de diversas áreas, contribuindo para um mundo melhor. “A minha percepção é que a IA vem para nos ajudar a sermos mais humanos, voltarmos para tarefas que são mais subjetivas, que requerem nossos pensamentos e entendimentos, e não fazermos tarefas maçantes e repetitivas. Alguns empregos serão extintos, mas com certeza precisaremos de novos empregos, mais especializados, e você tem que saber se adaptar às novas possibilidades”, disse Heloisy. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. 📱 Participe dos canais do g1 Goiás no WhatsApp e no Telegram. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

sábado, 23 de março de 2024

WhatsApp atualiza visual; veja o que mudou e quais são as críticas


Plataforma alterou o tom de verde da marca, o desenho dos botões e a posição do menu, que passou a ser exibido na parte de baixo da tela em aparelhos Android e incomodou alguns usuários. WhatsApp mudou posição dos botões no Android e recebeu críticas dos usuários Reprodução O WhatsApp tem feito mudanças em seu visual que vão desde o tom de verde da sua marca até o estilo dos botões do aplicativo. As alterações são pequenas, mas não deixaram de ser percebidas e até criticadas, por alguns usuários (veja todas abaixo). Nas redes sociais, há várias reclamações sobre os ajustes, principalmente o que em passou a mostrar os botões do menu na parte debaixo da tela em celulares com sistema Android – até então, as opções "Conversas", "Atualizações", "Comunidades" e "Ligações" apareciam na parte superior do app. O novo visual será implementado de forma gradual para todos os usuários e não poderá ser revertido, segundo o WhatsApp. "Essas mudanças foram feitas para proporcionar uma experiência mais moderna no WhatsApp, além de deixar o app mais acessível e fácil de usar", disse a plataforma. Veja abaixo as mudanças no visual do WhatsApp: as abas, que costumavam ficar na parte superior da tela, agora aparecem na parte inferior nos celulares Android. o tom de verde do logotipo foi alterado e as cores do aplicativo ficaram mais intensas, para ajudar os usuários a focarem nas áreas mais importantes da tela, diz a empresa. o modo escuro agora é ainda mais escuro, e o modo claro tem mais áreas na cor branca, para facilitar a leitura, segundo o WhatsApp. ícones e botões ganharam formatos e cores diferentes. informações e textos agora possuem um espaçamento maior entre eles. o logotipo do WhatsApp passa a ser exibido na aba "Conversas". LEIA TAMBÉM: WhatsApp passa a não permitir fazer 'print' da foto de perfil em celulares Android Câmara dos EUA aprova projeto de lei que pode banir TikTok no país As mulheres que são vítimas de 'stalking': 'Tenho medo de sair de casa e não voltar' Initial plugin text Initial plugin text O Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Primeiro paciente da Neuralink mostra como chip cerebral funciona Neuralink faz demonstração com 1º paciente a receber seu chip cerebral Veja primeiras impressões sobre o Apple Vision Pro Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual

sexta-feira, 22 de março de 2024

Apple perde US$ 113 bilhões em valor de mercado após processo nos EUA, diz agência


Gigante da tecnologia é acusada de usar seu poder no mercado de celulares para obter mais dinheiro dos consumidores nos EUA. Por sua vez, empresa diz que processo está 'errado nos fatos e na lei'. Tim Cook, CEO da Apple, apresenta o iPhone 11 Pro durante evento no Steve Jobs Theater, em Cupertino, Califórnia Stephen Lam/Reuters O processo do Departamento de Justiça dos EUA e de mais quinze estados americanos contra a Apple fez com que a dona do iPhone perdesse US$ 113 bilhões em valor de mercado na quinta-feira (21), segundo informações da Bloomberg. A big tech vem sendo acusada de monopolizar ilegalmente o mercado de smartphones no país. Na quinta, as ações da empresa caíram 4,1%, fazendo com que o seu valor de mercado despencasse em bilhões, registrando uma perda acumulada em 2024 em 11%, segundo a Bloomberg. Ela também teve um desempenho inferior ao Nasdaq 100 (bolsa de valores americana que reúne empresas de tecnologia) e ao S&P 500, que tem as 500 maiores empresas do mundo que estão listadas na bolsa de Nova York e na Nasdaq. As ações da Apple, cujo valor de mercado atingiu um pico de US$ 3,081 trilhões em dezembro de 2023, encerraram o ano passado com um ganho de 48%. Junto da Microsoft, elas estão entre as empresas mais valiosas do mundo. Processo contra a Apple A Apple se junta a uma lista de grandes empresas de tecnologia processadas pelos reguladores dos EUA, incluindo Google, Meta e Amazon, durante as administrações do ex-presidente Donald Trump e do presidente Joe Biden. O Departamento de Justiça alega que a Apple usa seu poder de mercado para obter mais dinheiro de consumidores, desenvolvedores, criadores de conteúdo, artistas, editores, pequenas empresas e comerciantes. "Os consumidores não deveriam ter que pagar preços mais altos porque as empresas violam as leis antitruste", disse o procurador-geral Merrick Garland , em comunicado. "Se não for contestada, a Apple apenas continuará a fortalecer o seu monopólio dos smartphones". Segundo a Bloomberg, a Apple disse que o processo está "errado nos fatos e na lei". Disse ainda que ele pode "abrir um precedente perigoso" e que irá se defender. LEIA TAMBÉM: As mulheres que são vítimas de 'stalking': 'Tenho medo de sair de casa e não voltar' VÍDEO: paciente que recebeu 1º implante da Neuralink mostra como chip cerebral funciona 'Carro voador' chinês aguarda liberação para fazer testes no Brasil; conheça o projeto Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual CEO do TikTok é questionado sobre sua nacionalidade no Senado dos EUA CEO do TikTok é questionado sobre sua nacionalidade no Senado dos EUA Duelo de celulares: Galaxy S24 x iPhone 15 Duelo de celulares: Galaxy S24 x iPhone 15

Como a inteligência artificial pode facilitar a semana de trabalho de 4 dias


À medida que a inteligência artificial é incorporada ao fluxo de trabalho das empresas, algumas delas estão dando aos funcionários um dia a mais para descansar. Empresas estão dando aos funcionários um dia extra de descanso Getty Images – via BBC Trabalhar quatro dias e receber pagamento por cinco é um sonho de muitos profissionais. Um sonho que parecia inatingível, mas que virou realidade em algumas empresas depois das mudanças radicais do ambiente de trabalho causadas pela pandemia. E, à medida que novos dados e informações sobre o assunto vão surgindo, cada vez mais empresas consideram adotar esse novo modelo — principalmente depois dos resultados positivos de testes realizados em países como o Reino Unido, a Islândia e Portugal. E os experimentos continuam. Na Alemanha, por exemplo, começou recentemente um teste com 45 empresas. E, em paralelo, um outro fator entrou nessa equação. A inteligência artificial (IA) vem ganhando espaço no ambiente de trabalho – e alguns especialistas acreditam que ela poderá acelerar a adoção da semana de trabalho de quatro dias em muitas empresas. Mais de 90% das empresas que usam IA consideram adotar a semana de quatro dias de trabalho Getty Images – via BBC Dados coletados no final de 2023 pelo portal de notícias e eventos Tech.co, sediado em Londres, confirmam essa possibilidade. A empresa consultou mais de mil gestores norte-americanos para seu relatório de 2024 sobre o Impacto da Tecnologia sobre o Ambiente de Trabalho. Os pesquisadores concluíram que 29% das empresas com semanas de trabalho de quatro dias fazem amplo uso da IA nas suas operações, implementando ferramentas como o ChatGPT e outros programas para agilizar as operações. Como comparação, apenas 8% das empresas que mantêm a semana de trabalho de cinco dias empregam a IA dessa maneira. Além disso, 93% das companhias que adotaram a IA disseram estar abertas à semana de trabalho de quatro dias. E, entre as que não usam inteligência artificial, menos da metade pensa em trabalhar um dia a menos. Menos faltas e mais foco: o que diz quem passa pelo teste da semana de 4 dias no Brasil Na agência de design digital Driftime, com sede em Londres, adotar a IA foi fundamental para que a empresa migrasse para a semana de trabalho flexível de quatro dias. "Delegando as tarefas simples às ferramentas de IA, ganhamos um tempo precioso que antes era perdido nas partes mais lentas do processo", afirma um dos fundadores da empresa, Abb-d Taiyo. Taiyo acredita que faz sentido adotar a semana mais curta, tanto para o bem-estar dos seus funcionários quanto para os resultados da empresa. "Em vez de uma queda na produtividade, observamos uma qualidade incrivelmente alta na entrega, aliada a um ótimo retorno na satisfação dos funcionários", ele conta. "A saúde e a felicidade da nossa equipe têm correlação direta com o alto padrão de trabalho produzido." Getty Images – via BBC Empresas estão automatizando tarefas que antes eram feitas manualmente, permitindo que os funcionários se dediquem a atividades mais complexas Shayne Simpson, diretor da empresa britânica de Recursos Humanos TechNET IT Recruitment, também acredita que a IA tem sido fundamental para o sucesso da semana de quatro dias na sua companhia. A empresa descobriu que as ferramentas de IA economizam 21 horas por semana dos seus consultores de contratação, principalmente ao automatizar tarefas que, antes, eram manuais — como a introdução de dados, e-mails de confirmação, seleção de currículos e contato com os candidatos. Isso reduziu o tempo de preenchimento de cargos vagos na empresa em 10 dias. "Essa economia de tempo permite que a nossa equipe atinja seus objetivos mais cedo durante a semana e que nossos consultores tenham um merecido descanso às sextas-feiras", conta Simpson. Além de estimular a produtividade e a aumentar motivação, a semana de trabalho reduzida também foi importante para atrair novos profissionais para a companhia, segundo ele. "Profissionais experientes são atraídos pela eficiência dos nossos processos e os iniciantes estão ansiosos para adotar as novas ferramentas", explica Simpson. Semana de 4 dias: o que experiências mostram sobre futuro do trabalho As ferramentas de IA certamente estão abrindo caminho para a semana de trabalho de quatro dias em alguns setores, mas a tecnologia não pode gerar a mudança sozinha. A cultura organizacional também é fundamental, segundo a professora de gestão de recursos humanos Na Fu, da Escola de Negócios Trinity, na Irlanda. "Estar aberto para estruturas de trabalho inovadoras, para fazer experiências e, o mais importante, ter uma cultura baseada em altos níveis de confiança são pontos importantes para adotar a semana de trabalho de quatro dias com sucesso", orienta ela. A professora também destaca que, à medida que a transformação digital com a IA avança, os próprios funcionários também devem estar dispostos a se aprimorar. "Em vez de se tornar meros servidores ou cuidadores de máquinas, os profissionais humanos precisam desenvolver novas técnicas que possam promover, complementar e comandar a IA, alcançando resultados melhores", orienta ela. Alguns setores terão mais benefícios com a IA do que outros, principalmente os que conseguirem usar as ferramentas para tarefas que incluem o desenvolvimento de software, criação de conteúdo, marketing e serviços legais, segundo Fu. Getty Images – via BBC Em vários experimentos, funcionários que tiveram um dia a mais para estar com a família e se divertir relataram ficar mais produtivos e felizes com o trabalho Na maioria dos casos, a inteligência artificial ainda terá um longo caminho pela frente até conseguir reduzir substancialmente as horas de trabalho humano. Mas, de qualquer forma, para que a incorporação da IA ao fluxo de trabalho das empresas de fato leve à adoção da semana de quatro dias, é preciso que os executivos comprem a ideia. E a adoção desse modelo pelos gestores irá variar dependendo do propósito e dos valores gerais de cada um, segundo Fu. Algumas empresas poderiam, por exemplo, usar a IA para executar tarefas simples e liberar seus funcionários não para que tenham um dia a mais de folga, mas simplesmente para que assumam novos projetos nesse tempo "livre". Ainda assim e mesmo com reservas, cada vez mais gestores veem a semana de trabalho reduzida como um futuro inevitável graças à tecnologia – incluindo os executivos de algumas das empresas mais rentáveis do mundo. Em outubro de 2023, por exemplo, o CEO (diretor-executivo) da JPMorgan Chase & Co., Jamie Dimon, declarou à Bloomberg TV que "seus filhos irão viver até os 100 anos e provavelmente irão trabalhar três dias e meio por semana." Agora, é esperar para ver. Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Worklife. Veja mais em: O que diz quem passa pelo teste da semana de 4 dias no Brasil

As mulheres que são vítimas de 'stalking': 'Tenho medo de sair de casa e não voltar'


Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontam para uma média de cerca de 155 casos de stalking registrados por dia nas delegacias brasileiras. Pedido de amizade nas redes sociais foi o início de stalking que virou caso de polícia, conta atriz Getty Images via BBC Quando a atriz Fernanda Antoniassi aceitou em 2020 uma solicitação de amizade de um perfil falso com a foto do ator britânico Henry Cavill, que deu vida ao Super-homem no cinema, ela não imaginava que começaria a ser perseguida por um desconhecido. Fernanda conta que, logo depois, a pessoa por trás do perfil falso passou a interagir com a atriz. “Sabia que era golpe, mas resolvi dar trela para juntar provas e fazer uma denúncia seguindo o conselho de uma amiga advogada.” Passados sete dias, Fernanda resolveu bloquear o perfil em suas redes sociais. “Foi quando ele passou a criar outros perfis e a me mandar solicitação sem parar. Para piorar, em alguns, ele até tentava fazer chamada de vídeo”. Fernanda estava sendo vítima de stalking, termo em inglês que designa o crime de perseguição no qual alguém invade repetidamente a vida privada da vítima presencialmente ou na internet. “Vivi essa situação durante semanas. Ele parava e, depois, voltava. Até que um dia, resolvi atender uma das ligações”. Foi quando, pela primeira vez, Fernanda conseguiu ver seu perseguidor: um homem que ela diz nunca ter visto antes. “Perguntei o que ele queria e disse que já tinha procurado a polícia", conta ela. "Foi quando ele me exigiu dinheiro para não matar minha mãe, porque ele dizia saber onde morava, mesmo sem eu nunca ter lhe falado.” Ao desligar a chamada, a atriz levou as gravações para a polícia. Mas ninguém foi formalmente acusado do crime até agora. “Nesse meio tempo, minha casa passou a ser rondada por carros, meu imóvel foi assaltado e já gravei dois drones a noite rondando a casa onde vivo com meus pais”, diz Fernanda. Stalking: como identificar e o que fazer quando se é vítima de perseguição A atriz que teve que passar a fazer tratamento para ansiedade após o caso: “Tenho medo dele estar mais próximo do que imagino”. Fernanda diz que a última tentativa de contato do perseguidor aconteceu no final de 2023. “Depois que publiquei um relato nas redes sociais, alertando outras mulheres, ele meio que parou, mas ainda sinto receio”, afirma a atriz. "Hoje, tenho medo de sair de casa e não voltar, pois não sei quando estou ou não sendo perseguida.” 'Mudei de endereço para ter paz': os relatos de vítimas de 'stalking', que pode dar 3 anos de prisão Stalking: entenda o que é esse crime, saiba identificar e veja como denunciar 155 casos por dia Histórias como a de Fernanda são mais comuns do que se imagina. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontam para uma média de cerca de 155 casos de stalking registrados por dia nas delegacias brasileiras. Para se ter uma ideia, apenas em 2022, 56.560 casos do tipo foram registrados no país. São Paulo (17.019), no Rio Grande do Sul (5.424) e no Paraná (4.801) são os que concentram a maior parte dos registros policiais de stalking no Brasil. Em geral, a maioria dos casos registrados envolvem vítimas mulheres, entre 16 e 24 anos, e homens como perseguidores. "Mas também existem registros de mulheres que perseguem homens”, diz Juliana Brandão, pesquisadora sênior do FBSP. No mundo, o termo stalking começou a ser usado no final da década de 1980 para descrever a perseguição insistente a celebridades pelos seus fãs. No entanto, foi apenas em 1990, na Califórnia, Estados Unidos, que a conduta passou a ser criminalizada pela primeira vez. Atualmente, países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália já possuem legislações específicas para lidar com o stalking. A lei que criminaliza o stalking no Brasil é de 2021 e prevê prisão de seis meses a dois anos e multa para esse tipo de conduta.  A pena pode ser aumentada quando a vítima é criança, adolescente, idoso ou mulher. O crime é definido como perseguição reiterada por qualquer meio, como a internet, que ameaça a integridade física e psicológica de alguém, interferindo na liberdade e na privacidade da vítima. Brandão explica que, por ser um crime novo na legislação brasileira, muitos casos ainda não são registrados, porque muitas vítimas não sabem que esse tipo de atitude é um crime. “Na maioria dos casos, o stalking acontece com o fim de um relacionamento, porém temos notado um crescimento de casos de desconhecidos que passam a perseguir mulheres pelas redes sociais, principalmente, quando estas se recusam a ter contato”, diz Brandão. “Nesse caso, falamos de cyberstalking, cuja perseguição acontece no ambiente virtual e acaba até tendo mais impactos na vida da vítima do que atos presenciais.” Solano de Camargo, presidente da Comissão de Privacidade, Proteção de Dados e Inteligência Artificial da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, explica que o stalking se diferencia dos demais crimes contra a mulher pelo seu foco na perseguição persistente e indesejada. "Enquanto outros crimes, como a violência doméstica ou o assédio sexual, podem envolver atos isolados ou específicos de violência ou coerção, o stalking caracteriza-se pela repetição e pela persistência do comportamento persecutório”, diz Camargo. Pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil classificam o stalking em três níveis: Leve: inclui comportamentos como seguir a vítima nas redes sociais, enviar mensagens não solicitadas ou e-mails, e outras formas de comunicação indesejada. Embora possa ser perturbador, esse nível de stalking pode não representar uma ameaça física imediata. Moderado: pode envolver ações mais intrusivas, como seguir a vítima em público, aparecer repetidamente em lugares frequentados por ela, realizar ligações telefônicas frequentes ou enviar presentes não solicitados. Esse nível de stalking começa a ter um impacto mais significativo na sensação de segurança da vítima. Grave: caracteriza-se por comportamentos que representam uma ameaça direta à segurança da vítima, como perseguição física, invasão de propriedade, vandalismo, ameaças explicitas ou até mesmo violência física ou moral. Esse nível de stalking requer atenção imediata das autoridades e medidas de proteção para a vítima. Camargo ressalta que o stalking é um crime progressivo, o que significa que pode escalar de um nível mais leve para um mais grave ao longo do tempo. "Por isso, é absolutamente imprescindível que as vítimas de stalking busquem ajuda logo nos primeiros sinais de perseguição, para prevenir a escalada do comportamento abusivo do criminoso”, alerta. Em geral, maioria dos casos envolvem vítimas mulheres entre 16 e 24 anos, aponta especialista Getty Images via BBC 'Tremia de medo' A radialista sul-matogrossense Verlinda Robles começou a ser vítima de stalking em 2017. Tudo começou com uma ligação na rádio. Na época, ela apresentava um programa, e um ouvinte da cidade de Costa Rica, no interior do Mato Grosso do Sul, passou a ligar todos dias oferecendo uma música para Verlinda. “Sempre fui simpática com todos os ouvintes, mas fui percebendo que aquilo não era normal", diz ela. "Agradecia o carinho pelo meu trabalho, mas dizia que aquilo já estava fugindo do normal e pedia para ele parar de ligar.” Mas o pedido não surtiu efeito. O homem voltou a ligar para a rádio e a pedir para falar com a radialista. Verlinda voltou a pedir que ele parasse, mas ela diz que seu perseguidor "não queria entender”. Ela conta que a situação fugiu do controle quando o perseguidor que conseguiu seu número de telefone particular. “Era impressionante, não tinha hora. Ele me ligava no trabalho, a tarde e até de madrugada", diz. "Chegou em um ponto em que eu não atendia mais telefonemas, porque sempre era ele. Eu bloqueava um número, ele me ligava de outro.” Foi quando o perseguidor passou a fazer contato com Verlinda de outras formas e a ligar nos telefones de seus amigos. O homem passou a comprar presentes e a deixar na rádio, mas ela conta que recusava todos e pedia para devolver. "Mas ele continuava. Eu me sentia ofendida, porque já não bastasse a perseguição ele achava que podia me comprar. Lembro que, quando via ele, eu tremia de medo.” Em meio à perseguição, Verlinda resolveu se mudar em busca de novas oportunidades de trabalho. Do norte do Mato Grosso do Sul, a radialista foi morar no sul do Estado, onde acreditava estar livre do seu perseguidor. Passado alguns dias, um colega da rádio onde ela estava trabalhando falou para ela que tinha um homem que estava ligando todo dia me mandando um abraço. Era o perseguidor de Verlinda. Na mesma semana, ela entrou no site da operadora de telefonia para pegar um boleto para pagar sua conta. Foi quando Verlinda viu que já estava paga. "Na hora, achei estranho, pois sabia que não tinha feito o pagamento. Quando fui averiguar com a operadora, descobri que o endereço de entrega da conta tinha sido trocado e quem tinha pago era quem estava me perseguindo.” A radialista resolveu então denunciar o caso em suas redes sociais. A publicação feita em 2019 viralizou. 'Eu vivia com medo de alguém me fazer mal e nem sabia de quem tinha que correr na rua': um relato de quem sofreu com stalking Print de conversa entre Fernanda e perfil que utiliza o nome de ator e a perseguiu Reprodução via BBC "Não sei até hoje como ele conseguiu alterar meu endereço de pagamento. Para eu voltar para o meu endereço, foi uma odisseia.” A radialista também fez um boletim de ocorrência contra o homem e se tornou uma das primeiras vítimas de stalking no Brasil a conseguir uma medida protetiva contra um perseguidor. Verlinda diz que muita gente até hoje pergunta porque ela não o denunciou antes. "Sentia tanta vergonha de chegar na delegacia e os policias acharem que estava querendo aparecer que fui querendo fugir dele, sem procurar ajuda.” Com a medida protetiva, a perseguição cessou, conta Verlinda. Ela soube que, alguns meses depois, seu perseguidor morreu por problemas de saúde, mas os traumas ficaram. “Confesso que até hoje olho embaixo da cama ao chegar em casa por medo de ter alguém me perseguindo", diz. "Não alugo casa sem ter grades na janela; e até para me relacionar com as pessoas tenho dificuldade. É uma sombra que, infelizmente, levo na minha vida.” Como reagir e denunciar Daniel Barros, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP), explica que, quando a vítima de stalking é uma pessoa famosa, o perseguidor tem na maioria das vezes um transtorno mental. “O stalking com anônimos, na maior parte dos casos, não tem a ver com transtorno mental, tem a ver com gênero, do sujeito simplesmente não aceitar o fim do relacionamento ou ser rejeitado por alguém”, explica o psiquiatra. Um estudo publicado em 2009, no periódico Law and Human Behavior, que fez um perfil de 200 pessoas condenadas por stalking constatou que, em média, apenas 25% dos casos de perseguição duram mais de um ano. Segundo a pesquisa, o fator que levou à perseguição duradoura foi o vínculo que a vítima tinha com o autor. Assim, no caso de ex-maridos ou ex-namorados perseguidores, o stalking tende a durar mais. “O mais importante é não falar com o perseguidor", afirma Barros. "Não troque mensagem, não fale, não tenha nenhum contato e leve a sério a situação, pois falar com ele tende a aumentar esse comportamento, porque o perseguidor entende que conseguiu o que queria: sua atenção.” Jamila Ferrari, delegada coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) do estado de São Paulo diz que o principal sinal de que uma pessoa é vítima de stalking é passa a se sentir ameaçada pelas constantes investidas do perseguidor. “O enfrentamento sem dúvida é feito com informação. Informar constantemente às pessoas de que existe esse crime e punição para quem comete é uma das medidas mais importantes de prevenção”, diz a delegada. Atualmente, a vítima de stalking no Brasil pode procurar ajuda em qualquer delegacia de polícia. Contudo, especialistas dizem ser aconselhável que, em casos mais graves, que a pessoa perseguida busque apoio também de advogados, serviços de assistência psicológica e grupos de apoio. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil recomendam algumas medidas que podem ajudar a diminuir as chances de ser vítima de stalking: Manter as informações pessoais privadas; Ajustar as configurações de privacidade nas redes sociais; Evitar compartilhar detalhes sobre rotina e localização; Estar atento a comportamentos suspeitos ou pessoas que pareçam estar seguindo ou monitorando de forma persistente. “Nessas situações, mediante provas e identificação do autor, a vítima pode obter na Justiça uma ordem de restrição contra o perseguidor, obrigando-o a manter distância da vítima, sob pena de ser preso em flagrante em caso de violação da ordem”, ressalta Solano. Veja como e quando denunciar o 'stalking', crime de perseguição Daniel Ivanaskas/G1

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