sexta-feira, 28 de junho de 2024

Seu celular é irregular? Como saber se o modelo foi certificado pela Anatel


Smartphones sem homologação já representam 25% das vendas no Brasil, de acordo com a consultoria IDC. Esses aparelhos não têm garantia da representante da marca no Brasil e podem oferecer riscos se usarem materiais de baixa qualidade. Pessoa mexendo no celular Reprodução/TV Gazeta O mercado de celulares irregulares cresceu de 9% para 25% das vendas de smartphones no Brasil em um ano, segundo a consultoria IDC. E, apesar de parecerem vantajosos, esses aparelhos podem trazer prejuízos. Em geral, eles não têm o período de garantia da representante da marca no Brasil. Isso significa que, em caso de falha, o consumidor não poderá acionar a fabricante para solicitar um conserto. Além disso, smartphones irregulares podem ser fabricados com materiais de baixa qualidade, o que pode expor usuários a níveis inadequados de radiação. Isso acontece porque eles não passam por avaliações de segurança. Mas como saber se um smartphone é irregular? Uma forma é procurar o selo da Anatel no corpo, na bateria ou no manual do aparelho. Ele tem um número, que pode ser buscado no site da agência. E há outros elementos podem indicar se houve certificação no Brasil ou não. Confira as dicas abaixo. Como saber se um celular é autorizado pela Anatel Kayan Albertin/Arte g1 Preço muito abaixo do normal também pode ser um indício de que o celular não foi homologado pela Anatel. O aparelho pode ter sido importado de forma ilegal e ter chegado às lojas sem pagar impostos, o que permitiu um desconto agressivo. Por outro lado, os celulares autorizados no Brasil passam por avaliações de segurança antes de terem seus modelos comercializados. Se forem aprovados pela Anatel, eles recebem o código de 12 dígitos que é exibido no selo da agência. O que significam os números no selo da Anatel Bárbara Miranda/Arte g1 Brasil será 1º país no mundo a ter 'modo ladrão' em celulares Android; veja como vai funcionar Por que o mercado de celulares irregulares cresceu no Brasil? No primeiro trimestre de 2024, foram vendidos 8,5 milhões de smartphones legais. Neste período, 2,9 milhões de unidades do tipo foram comercializadas no mercado irregular. De olho neste cenário, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) criou regras para inibir a venda desse tipo de aparelho na internet. As lojas virtuais deverão mostrar o código da homologação que o celular recebeu na Anatel e verificar se o número corresponde ao aparelho anunciado. As empresas que não cumprirem as regras ficarão sujeitas a multas diárias de R$ 200 mil. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica (Abinee), que representa as fabricantes de celulares, diz que a maioria deles é de origem chinesa e estima que 90% dos celulares irregulares são de apenas uma marca, que não foi revelada pela entidade. Esse mercado aumentou com o crescimento de lojas online que operam como marketplaces, em que terceiros podem usar os sites como vitrines para anunciar seus produtos, diz Luiz Claudio Carneiro, diretor de dispositivos móveis de comunicação da Abinee. "O grande diferencial, que mudou a realidade do contrabando no país, foi o marketplace. Antes, você precisava sair de casa e ir ao local. Hoje, pelo marketplace, você compra um telefone contrabandeado de manhã e, no outro dia a tarde, está na sua casa", afirmou ao g1, em maio de 2024. LEIA TAMBÉM: Foi colocado em grupos do 'jogo do tigrinho' no WhatsApp? Veja como se proteger Quem são os 12 filhos de Elon Musk Vendas de celulares irregulares representam 25% do mercado brasileiro A

quinta-feira, 27 de junho de 2024

WhatsApp sem áudio: recurso de mensagens de voz tem falha nesta quinta-feira


Site que monitora falhas em aplicativos registrou pico de reclamações sobre o WhatsApp por volta das 13h10 (horário de Brasília). Blog mostra o que fazer caso o WhatsApp não consiga receber e enviar informações pelo Wi-Fi. REUTERS/Thomas White Usuários estão enfrentando dificuldades para enviar áudios de WhatsApp nesta quinta-feira (27). A maioria dos relatos indica que a falha se restringe a esse recurso e que o restante do aplicativo está funcionando normalmente. Mas algumas pessoas também afirmam que não conseguem mandar figurinhas, fotos e documentos, e que a função de mensagem de texto é a única disponível. O site Downdetector, que monitora falhas em aplicativos, registrou cerca de 4.000 reclamações por volta das 13h10 (horário de Brasília). Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text

Os robôs japoneses criados com 'pele viva' que se parecem mais com humanos


Cientistas descobriram uma maneira de revestir com 'pele viva' os rostos dos robôs, para obter sorrisos e outras expressões faciais mais realistas. BBC - Tendo como inspiração os ligamentos da pele humana, os cientistas fizeram um protótipo de robô que é capaz de sorrir BBC - ©2024 TAKEUCHI ET AL. CC-BY-ND Cientistas japoneses descobriram uma maneira de revestir com 'pele viva' os rostos dos robôs, para obter sorrisos e outras expressões faciais mais realistas. A descoberta foi feita a partir da imitação de estruturas dos tecidos humanos, de acordo com a equipe da Universidade de Tóquio, no Japão. É verdade que o protótipo pode parecer mais com uma bala de gelatina do que com um ser humano. Mas os pesquisadores dizem que abre caminho para a criação de humanoides realistas que se movimentam, com uma pele que se autorregenera — e não rasga ou se rompe facilmente. A pele artificial é feita em laboratório, a partir de células vivas. BBC Os cientistas dizem que o novo método pode funcionar em superfícies complexas, curvas e até mesmo móveis BBC - ©2024 TAKEUCHI ET AL. CC-BY-ND Não só é macia, como uma pele real, mas também pode se autorregenerar se for cortada, dizem os cientistas. No entanto, as tentativas anteriores de aderi-la ao rosto dos robôs se revelaram complicadas. A equipe tentou usar miniganchos como "âncoras" para prendê-la — mas eles danificavam a pele conforme o robô se movia. Nas pessoas, a pele adere às estruturas subjacentes por meio de ligamentos — pequenas estruturas flexíveis de colágeno e elastina. Para recriar isso, os pesquisadores perfuraram vários pequenos orifícios no robô, aplicaram um gel contendo colágeno e, em seguida, uma camada de pele artificial por cima. O gel tapa os buracos e fixa a pele ao rosto do robô. Cirurgia plástica "Ao imitar as estruturas dos ligamentos da pele humana, e ao usar perfurações em forma de V especialmente feitas em materiais sólidos, encontramos uma maneira de aderir a pele a estruturas complexas", explicou Shoji Takeuchi, pesquisador que liderou o estudo. "A flexibilidade natural da pele e o forte método de adesão significam que a pele pode se mover com os componentes mecânicos do robô, sem rasgar ou descamar." Os resultados mais recentes da pesquisa foram publicados na revista científica Cell Reports Physical Science. Mas serão necessários muitos mais anos de testes até que a tecnologia se torne uma realidade cotidiana, dizem os pesquisadores. "Outro desafio importante é criar expressões semelhantes às humanas, integrando atuadores sofisticados, ou músculos, dentro do robô", diz Takeuchi. Mas o estudo também pode ser útil em pesquisas sobre envelhecimento da pele, cosméticos e procedimentos cirúrgicos, incluindo cirurgia plástica.

Fraudes já geraram mais de R$ 400 bilhões em perdas no mercado de criptomoedas desde 2022, diz estudo


Movimento acompanha aumento do uso fraudulento de 'deepfake' no setor; só no primeiro trimestre deste ano, perdas geradas por esse tipo de crime no segmento somaram mais de R$ 34 bilhões. Criptomoedas / Bitcoin / Ethereum Reuters As perdas no mercado de criptomoedas por operações fraudulentas já totalizam US$ 79,1 bilhões (o equivalente a R$ 429,4 bilhões) desde o início de 2022. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (27) pela corretora de criptomoedas Bitget. Segundo o estudo, o movimento acompanha o crescimento de 245% no número total de fraudes relacionadas a "deepfake" registrado no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2023. Deepfake é uma técnica que permite alterar um vídeo ou foto com ajuda de inteligência artificial (IA). Com ela, o rosto da pessoa que está em cena pode ser trocado pelo de outra, por exemplo. Ou aquilo que a pessoa fala pode ser modificado. Isso é possível com o uso de aplicativos criados com essa finalidade. Entenda no vídeo abaixo como funciona o deepfake. Para a presidente da Bitget, Gracy Chen, há uma presença cada vez maior de deepfakes no mercado cripto, e há pouco que o setor possa fazer para deter esse tipo de crime "sem educação e conscientização adequadas". "A vigilância dos utilizadores e a sua capacidade de discernir fraudes de ofertas reais ainda é a linha de defesa mais eficaz contra esses crimes, até que seja implementado um quadro jurídico e de segurança cibernética abrangente à escala global”, afirma a executiva, em nota. Entre as perdas registradas nos três primeiros meses deste ano, cerca de US$ 6,3 bilhões (R$ 34,2 bilhões) estão relacionadas a fraudes com uso de deepfake, quase metade do registrado em quase todo o ano de 2022, de US$ 13,8 bilhões (R$ 74,9 bilhões). “Supondo que essa tendência [de alta no número de fraudes relacionadas a deepfake] persista nos próximos trimestres, ela pode levar a uma perda total anual de US$ 25,1 bilhões [cerca de R$ 136,3 bilhões] em 2024”, indica a empresa em relatório. Caso essa previsão se concretize, o número representaria um novo recorde e ultrapassaria as perdas dos dois anos anteriores somadas. Ainda de acordo com o estudo, as perdas por esse tipo de fraude devem continuar crescendo caso não haja uma “intervenção regulatória”, podendo afetar não somente o mercado de criptomoedas, mas toda a indústria financeira. A estimativa é que, sem medidas efetivas, esse tipo de crime pode responder por 70% das perdas no mercado de criptomoedas até 2026. Entre os crimes com uso de deepfake identificados no mercado de criptomoedas, estão: Roubo de identidade e falsidade ideológica; Golpes e esquemas fraudulentos; Manipulação de mercado; Fraude em investimentos; Resgate e extorsão; Ataques de engenharia social – quando um criminoso usa influência e persuasão para enganar e manipular pessoas e obter senhas de acesso; Falsos anúncios legais ou regulatórios; Captação ilícita de recursos; Imitação em realidade virtual e metaverso, entre outros. Segundo o estudo, os fraudadores se aproveitam da dinâmica do mercado cripto para agir. Isso porque vários fatores podem influenciar a flutuação de valor das criptomoedas, tais como a declaração de um influenciador, uma notícia ou a atualização sobre o status financeiro de um projeto, por exemplo. “O surgimento de novos métodos de proteção não impediu que os invasores continuassem a criar novos esquemas de fraude”, indica o relatório da Bitget. O estudo ainda indica: A combinação de eventos de hackers em contas do YouTube, operações com inteligência artificial e deepfakes; a criação de identidades virtuais para estabelecer contas fictícias e obter acesso não autorizado a outras contas; e o uso de deepfake para simular um volume maior de negociações de determinado ativo, aumentando o apetite de investidores e beneficiando fraudadores. “O desenvolvimento de novas técnicas para identificação de fotos, vídeos e áudio falsos podem ajudar a mitigar as perdas resultantes do uso fraudulento de deepfake durante os períodos de alta do mercado”, conclui o estudo. G1 explica o que é deepfake G1 Explica: Deepfake

Os brasileiros que ganham R$ 500 por mês para treinar inteligências artificiais


Os ‘operários de dados’ são o equivalente ao chão de fábrica da IA. Eles executam nos bastidores uma série interminável de microtarefas para aperfeiçoar sistemas. São essenciais, mas mal remunerados, apesar de vários terem diploma universitário, e, por isso, têm que acumular empregos. Gustavo Luiz, 19 anos, divide-se entre o curso de inteligência artificial e o emprego como operário de dados Arquivo pessoal via BBC O mercado bilionário da inteligência artificial (IA) tem atraído talentos brasileiros com salários muito acima da média para engenheiros, matemáticos e outros profissionais que se destacam na área. Mas nem todos os envolvidos com esta tecnologia estão em uma posição invejável. Há todo um contingente de trabalhadores terceirizados que fazem um trabalho manual laborioso, ganham menos da metade de um salário mínimo, em média, e, por isso, têm mais de um emprego para conseguir pagar as contas — mas são essenciais para que os sistemas de IA sejam capazes de operar. Os chamados “operários de dados” são considerados “trabalhadores fantasmas” porque executam nos bastidores uma série interminável de microtarefas para refinar as inteligências artificiais. "Os sistemas de IA requerem muito trabalho humano manual e discreto para funcionarem, o que evidentemente contradiz a narrativa dominante da progressiva e inexorável automação”, diz a socióloga Paola Tubaro, especializada da ciência da computação e professora e pesquisadora do Centro de Pesquisa em Economia e Estatística, na França. “Por isso, empresas de tecnologia e desenvolvedores de IA não se dispõem a divulgar esse tipo de trabalho, que assim permanece escondido, ou seja, 'fantasma'". 'Foi uma tortura': o trabalho nos bastidores para tirar conteúdo tóxico do robô ChatGPT Como é trabalhar com inteligência artificial? Dá dinheiro? Veja dicas de brasileiros que já estão na área Mas o que faz um operário dos dados? "Eles inserem dados para treinar e moderar sistemas e atividades de IA", explica Rafael Grohmann, professor da Universidade de Toronto que pesquisa o trabalho no mundo contemporâneo. Esse tipo de atividade ficou conhecida como microtrabalho, pela natureza fragmentada das tarefas envolvidas. O fenômeno é novo, assim como os termos usados para descrevê-lo, diz Grohmann. “Temos usado muito o termo data workers [operários de dados, em tradução livre do inglês], o que os diferencia dos tech workers [profissionais de tecnologia], que são os responsáveis por produzir, projetar e analisar os dados da IA". Na prática, esses trabalhadores (de dados) também podem ser chamados de "treinadores de IA". Pegue um sistema como o ChatGPT, por exemplo. Os “treinadores” são responsáveis por alimentar o robô com as informações e dados que ele precisa para responder perguntas de usuários, auxiliar em traduções, fazer pesquisas, dentre outras tarefas. 'Ganho mais de R$ 20 mil por mês': como é trabalhar na área da inteligência artificial Praticamente todos os sistemas de IA dependem destes operários de dados. Redes sociais, por exemplo, os contratam para monitorar as postagens e interações e detectar ações que ferem suas regras ou a lei. Na comparação com uma fábrica tradicional, esses profissionais seriam o chão de fábrica. "A lógica do que é a classe operária vai mudando com o tempo. Essa é uma nova apresentação do que são os blue-collars [termo em inglês para a classe operária] e os white-collars [os executivos, que estão longe das tarefas manuais]", diz Grohmann. Brasil será 1º país no mundo a ter 'modo ladrão' em celulares Android; veja como vai funcionar Quanto ganha um operário de dados? Muitas vezes, os operários de dados acumulam trabalhos para conseguirem pagar as contas GETTY IMAGES Os operários de dados ganham, em média, R$ 583,71 por mês em um emprego, segundo a pesquisa Microtrabalho no Brasil: Quem são os trabalhadores por trás da inteligência artificial. Esses trabalhadores ganham por cada tarefa concluída e não por hora trabalhada. Segundo o estudo, esse valor médio mensal corresponde a cerca de 15,5 horas de dedicação por semana (cerca de R$ 37,66 por hora, na média). Segundo um estudo de 2018 da Organização Internacional do Trabalho realizado com 3,5 mil microtrabalhadores de 75 países, a média global de ganho por hora é de US$ 4,43 (cerca de R$ 24, em valores atuais). Mas, enquanto nos Estados Unidos o valor é maior, de US$ 4,70 (cerca de R$ 25), os operários de dados da África faturam bem menos, US$ 1,33 (cerca de R$ 7) por hora. No Brasil, de acordo com a pesquisa Microtrabalho no Brasil, o valor gira em torno de US$ 1,60 (cerca R$ 9). A pesquisa, conduzida por Tubaro junto com o psicólogo brasileiro Matheus Viana Braz e o sociólogo italiano Antonio Casilli, fez uma radiografia da situação do trabalho fantasma no Brasil. Esse valor fica muito aquém do que os empregadores prometiam a esses trabalhadores que ganhariam realizando estas funções. Os 477 trabalhadores fantasmas ouvidos pela pesquisa esperavam receber três vezes isso, cerca de R$ 1,6 mil por mês. Pelo ganho bem abaixo do esperado, eles costumam acumular empregos, por vezes na mesma área, e conseguem com as múltiplas jornadas chegar a uma renda mensal média de R$ 1,8 mil. O pesquisador em inovação e ciência de dados Mauro Zackiewicz, de 50 anos, que tem um doutorado nesta área, conta que trabalhou por pouco menos de um mês para uma fabricante de celulares recebendo documentos, como áudios triviais, conversas curtas e, por vezes cenas de filmes ou novelas. “Tinha de corrigir tudo, provavelmente para alimentar de dados um sistema de reconhecimento de voz, mas nem chegaram a me contar para o que fazíamos aquilo", conta ele. "Ganhava pouca coisa, dava apenas para a subsistência, e nem tinha contrato, o que é, digamos assim, curioso para uma grande empresa." A pesquisa Microtrabalho no Brasil constatou que 66% dessa força de trabalho só ganha o suficiente para pagar as contas mais básicas. A grande concorrência entre esses trabalhadores é um fator que contribui para os salários baixos, explica Tubaro. "As plataformas querem garantir mão-de-obra suficiente para atender picos de demandas. O resultado é que, na maior parte do tempo, há excesso de trabalhadores e, por consequência, muita competição entre eles", explica a socióloga. Isso significa que, na prática, os operários de dados não conseguem bater as metas estabelecidas pelos empregadores e, como são remunerados de acordo com isso, ganham valores reduzidos por cada hora trabalhada. Quem são os trabalhadores fantasmas? Guilherme Graper, 24 anos, conta que seus ganhos no setor variam muito Arquivo pessoal via BBC A pesquisa Microtrabalho no Brasil constatou que há muitas pessoas com diploma universitário fazendo esse tipo de serviço. Dos quinze participantes selecionados para entrevistas, como uma amostra representativa do setor, treze eram formados em cursos variados, como direito, administração, ciências da computação e fisioterapia. Sete em cada dez trabalhadores deste mercado têm entre 18 e 35 anos, segundo o estudo. De cada cinco, três são mulheres. A maioria mora nos Estados de São Paulo (28,8%), Rio de Janeiro (12,6%) e Minas Gerais (9,7%). O estudante Gustavo Luiz, de 19 anos, se divide entre o curso de inteligência artificial da Universidade Federal de Goiás, e o emprego como operário de dados. “Estou trabalhado no desenvolvimento de um sistema de IA para analisar sentimentos expressos em textos e frases em português”, conta ele. “Esse modelo vai receber dados e tentar encontrar padrões, como de sentimentos, em comentários nas redes sociais.” Por ser um fenômeno detectado mais recentemente, não há dados precisos sobre o aumento da demanda por esse tipo de trabalho no Brasil. Mas ofertas do tipo em plataformas de trabalho, como a rede social LinkedIn, têm se multiplicado. Para começar a trabalhar com isso, normalmente basta se cadastrar em um site e seguir as orientações. Guilherme Graper, de 24 anos, conta que trabalha em uma plataforma da Amazon, mas contratado por outras empresas. "Por exemplo, tem uma demanda de colocar nomes de médicos nesse sistema para treinar uma IA para pesquisar por médicos em toda a internet", explica. Os ganhos variam muito. Guilherme diz que já chegou a tirar em um mês apenas R$ 300, mas também já ultrapassou a casa dos R$ 5 mil. Em média, ele calcula que ganha cerca de R$ 2 mil mensais. Trabalhadores terceirizados do ‘Sul global’ Na maioria dos casos, as empresas que contratam trabalhadores fantasmas prestam na verdade serviços para outras bem maiores. Gigantes de tecnologia, como Meta (do Facebook e Instagram) e a OpenAI (do ChatGPT) subcontratam os seus operários de dados. "Trata-se de uma realidade do Sul Global [termo que designa países mais pobres, a maioria localizada no hemisfério sul]. São trabalhadores na Venezuela, na Colômbia, no Quênia", ressalta Grohmann. Apesar de estarem distantes dos maiores centros mundiais de tecnologia, como o Vale do Silício californiano, usualmente os operários de dados treinam IAs de propriedade das grandes marcas do setor. "A distância não é somente geográfica, como também linguística e cultural. Geralmente, essa distância leva a redução de custos para as empresas do Vale do Silício, mas resultam em baixa qualidade", comenta a socióloga Paola Tubaro. Tanto a terceirização quanto a falta de regulamentação da profissão levam também, segundo Tubaro, a "práticas sob condições indesejáveis, com precariedade, baixos pagamentos, falta de reconhecimento, informalidade e, como em casos de moderação de conteúdo em redes sociais, riscos à saúde mental". "Os moderadores de conteúdo das redes sociais ainda estão expostos a riscos psicológicos", completa Tubaro. Isso por efeito do contato diário com imagens de crueldade, crimes e outras atrocidades que são detectadas pelo algoritmo dessas plataformas e, depois, repassados para avaliação humana. É aí que atuam os moderadores: no pente-fino do que pode ou não ser publicado em redes sociais. Os brasileiros que ganham R$ 500 por mês para treinar inteligências artificiais Getty Images via BBC Já há, contudo, iniciativas que visam regulamentar esse trabalho. É o caso do projeto global Fairwork, coordenado pelo instituto Oxford Internet e pelo Centro de Ciências Sociais WZB Berlin. Presente em 38 países de cinco continentes, inclusive no Brasil, a organização denuncia abusos relacionados aos trabalhadores de dados, além de propor soluções. Em todo o mundo, a Fairwork afirma ter convencido 64 empresas de tecnologia a implementar um total de 300 mudanças em políticas internas, como de salários mínimos para a categoria. A organização é influente principalmente na Europa, mas também tem presença no Brasil, onde tem atuado em prol da criação de leis para regularizar essa categoria de trabalhadores. A Fairwork destaca em seu site que está "envolvida com o grupo de trabalho tripartido do governo (brasileiro) que procura elaborar um projeto de lei para proteger os direitos dos trabalhadores". Além de atuar no Congresso em favor de leis que garantam mais direitos trabalhistas, a organização produz relatórios que denunciam o cenário no Brasil. O documento, divulgado em 2023, apontou que, em uma análise de onze empresas do setor, apenas duas conseguiam garantir ao menos um salário mínimo de pagamento a estes trabalhadores. Tubaro avalia que estas iniciativas podem ajudar a combater condições de trabalho que são consideradas precárias. A pesquisadora destaca como bons exemplos leis recentemente aprovadas na Alemanha e na França e que, segundo avalia, "exigem que pelo menos as grandes empresas exerçam a devida diligência no respeito dos direitos humanos e laborais ao longo de suas cadeias de abastecimento". Trata-se de um problema global. A Fairwork produz relatórios sobre os cenários para os microtrabalhadores em 36 países, tanto em desenvolvimento, como Argentina, Quênia e Índia, quanto desenvolvidos, como França e Estados Unidos. Segundo um desses relatórios, 16% dos trabalhadores americanos realizam alguma forma de microtrabalho, mesmo que como renda secundária. É o país que lidera o ranking neste quesito. Dentre a atuação de treze empresas nos Estados Unidos, apenas 3 alcançaram os critérios estabelecidos para serem consideradas como ambientes de trabalho justos. "Há custos globais para esse rápido desenvolvimento e pelo aumento da presença da IA", afirma o pesquisador Rafael Grohmann. "Mas há especificidades para cada país e isso exige atenção". Em países como os Estados Unidos, esses trabalhadores costumam atuar mais, por exemplo, como motoristas de Uber. "As tarefas mais precárias, como as de moderação de conteúdo, costumam ser terceirizadas para nações da África, da Ásia e da América Latina", diz Grohmann. LEIA TAMBÉM: Salários de cientista e engenheiro de dados podem passar de R$ 20 mil Segurança da informação tem salário de R$ 38 mil, mas não encontra profissionais 'Já incentivo meus filhos': profissionais contam como é trabalhar com programação Segurança da informação em alta: veja como entrar no setor Robô que faz vídeo com inteligência artificial comete gafes

quarta-feira, 26 de junho de 2024

WhatsApp de cara nova, novidade nos canais e mais: veja recursos lançados este ano no aplicativo


Serviço investiu em mudanças no visual incluindo a tonalidade da marca e o estilo dos botões. Nos canais, foram lançadas novas ferramentas de interação entre administradores e seguidores. WhatsApp Brett Jordan/Unsplash O WhatsApp apresentou em 2023 novidades com o objetivo de simplificar o uso do aplicativo. Os lançamentos vão de mudanças no visual da plataforma que envolveram até o tom da cor usada pela marca até a chegada de mais recursos para canais. Um dos principais destaques anunciados no ano passado pelo app da Meta, que também é dona do Facebook e do Instagram, foi o “Canais”, uma espécie de grupo gigante em que pessoas e empresas enviam mensagens para um número ilimitado de usuários. Para 2024, empresa decidiu liberar o envio de áudios e enquetes nos canais. Também é possível atualizar o status e adicionar mais administradores nesses espaços. Confira os recursos lançados pelo WhatsApp em 2024 até agora. WhatsApp permite buscar mensagens por data específica; veja como funciona Divulgação/WhatsApp 📅 Pesquisa por data No início deste ano, o WhatsApp passou a permitir que os usuários procurem mensagens por datas específicas. Basta escolher dia, mês e ano em uma conversa e ver todas as mensagens enviadas naquela data. Também é possível usar esse recurso para localizar fotos, vídeos, links e documentos. Como buscar mensagens por data: Abra uma conversa e toque no nome do contato ou grupo; Vá em "Pesquisar" e, em seguida, toque no ícone de calendário 📅; Escolha a data para visualizar o conteúdo desejado. 📢 Novos recursos nos Canais Dentro dos canais de transmissão agora é possível publicar mensagens de voz e enquetes para seus seguidores. Além disso, usuários podem compartilhar em suas páginas de status as atualizações dos canais em que estão inscritos. O WhatsApp também permitiu adicionar outras pessoas como administradoras de canais. O aplicativo permite manter até 16 pessoas como responsáveis por um canal. Os múltiplos admins conseguem criar, editar e excluir qualquer atualização. Mas apenas o dono do canal pode apagá-lo. Participe do canal do g1 no WhatsApp WhatsApp mudou posição dos botões no Android e recebeu críticas dos usuários Reprodução 🪞 Mudança no visual O aplicativo também ficou de cara nova. Para usuários de Android, as abas com "Conversas", "Atualizações", "Comunidades" e "Ligações", que ficavam no topo da tela, passaram a aparecer na parte inferior. O tom do aplicativo também mudou, e as cores do aplicativo ficaram mais intensas. O modo escuro ficou mais escuro, e o modo claro, com mais áreas na cor branca. Ícones e botões estão com formatos e cores diferentes. Segundo a plataforma, as mudanças “foram feitas para proporcionar uma experiência mais moderna no WhatsApp, além de deixar o app mais acessível e fácil de usar". ✍️ Formatação O WhatsApp também ampliou as opções de formatação de mensagens. Agora, todo conteúdo pode ser formatado também em listas, citação em bloco e código de programação, por exemplo. A novidade é somada às opções de negrito, itálico, tachado e monoespaçado, que já estavam disponíveis no aplicativo. Aprenda a mudar formatação de mensagens no WhatsApp. Negrito (asterisco antes e depois do trecho). Itálico (underscore antes e depois do trecho). Tachado (til antes e depois do trecho): para enviar mensagem com um trecho riscado. Monoespaçado (três acentos graves antes e depois do trecho): para mensagem adotar estilo de fonte em que todos os caracteres ocupam o mesmo espaço. Lista de itens (hífen e espaço antes da mensagem): para exibir ingredientes de uma receita ou pontos principais de uma mensagem, por exemplo. Lista numerada (número seguido de ponto final e espaço antes da mensagem): para destacar ordem de itens como passo a passo. Citação de bloco (sinal > seguido de espaço antes da mensagem): para destacar trecho de texto e torná-lo mais visível na mensagem. Código embutido (acento grave antes e depois do conteúdo): para compartilhar trechos de códigos ou comandos usados por programadores. 📌 Fixar três mensagens por conversa Antes, era possível fixar uma mensagem em uma conversa no aplicativo. Este ano, a plataforma permitiu fixar até três, por chat. Qualquer conteúdo pode ser fixado: texto, emoji, enquete, figurinhas, entre outros. Como fixar uma mensagem: pressione a mensagem escolhida e vá em “Fixar”; escolha a duração da mensagem fixada: 24 horas, 7 dias ou 30 dias; a mensagem fixada aparecerá no topo da conversa. Em grupos, os administradores são quem escolhem se todos ou apenas administradores podem fixar uma mensagem. 💬 Filtros de conversas Para facilitar a organização, o aplicativo criou uma ferramenta que permite ao usuário encontrar conversas a partir de filtros. Ao abrir o WhatsApp, é possível escolher entre “Todas”, que é a visualização padrão das mensagens, “Não lidas”, apenas mensagens ainda não visualizadas, e “Grupos”, onde aparecerão somente os grupos, incluindo subgrupos das comunidades. Para selecionar os filtros, basta tocar no ícone que ficará na parte superior da lista de conversas. Criador de figurinhas do WhatsApp no iPhone Divulgação/WhatsApp ✂️ Editor de figurinhas Sem precisar usar aplicativos terceiros, usuários agora podem criar figurinhas no próprio WhatsApp, a partir de uma foto da galeria do iPhone, e editar figurinhas já existentes. Dá para fazer um corte automático do fundo da imagem, desenhar, escrever, colocar um emoji e até sobrepor um sticker sobre o outro para deixar o resultado mais divertido. A figurinha fica salva e pode ser enviada para outros contatos depois. Como criar figurinha no WhatsApp Abra a bandeja de figurinhas (o ícone de sticker à direita da caixa de texto); Selecione "Criar" e escolha uma imagem da sua galeria; Personalize a figurinha – é possível escolher recorte e adicionar texto, outros stickers e desenhos; Confirme a edição e envie na conversa. Como editar figurinha no WhatsApp Abra a bandeja de figurinhas (o ícone de sticker à direita da caixa de texto); Pressione e segure a figurinha que deseja editar; Selecione "Editar"; Personalize sua figurinha com texto, outros stickers ou desenhos; Confirme a edição e envie na conversa. Outras novidades do WhatsApp em 2024: 👥 Eventos e respostas nas Comunidades: o WhatsApp permite que administradores criem eventos em grupos que fazem parte de comunidades e que membros respondam aos anúncios feitos por administradores nos Grupos de Avisos. 📲 Login sem autenticação SMS no iPhone: usuários podem entrar no aplicativo sem passar pelo método tradicional de autenticação. É possível acessar usando os recursos de biometria, como Face ID ou Touch ID. O recurso já estava disponível para Android desde 2023. 📸 Bloqueio de print de foto do perfil no Android: ao tentar realizar o registro da imagem, seja de contatos salvos ou não, aparece a mensagem: "Não é possível capturar a tela devido à política de segurança". WhatsApp liberou pagamento para empresas WhatsApp libera o pagamento para empresas dentro do aplicativo WhatsApp melhorou proteção contra roubo de conta WhatsApp libera nova proteção contra roubo de conta; veja como funciona g1 está nos Canais do WhatsApp; saiba como participar g1 está nos Canais do WhatsApp; veja como participar

terça-feira, 25 de junho de 2024

Como apagar histórico no Chrome e em outros serviços do Google


Navegador mantém registros de navegação dos últimos 90 dias, mas eles podem ser excluídos rapidamente. Também é possível usar recursos para remover dados de serviços como YouTube e Maps. Google Andrew Kelly/Reuters/Arquivo O Google armazena uma série de informações sobre sua atividade na internet, seja por meio do navegador Chrome ou da conta usada para acessar os serviços da empresa, como Gmail, Drive e Fotos. Elas são úteis para recuperar páginas, vídeos e outras informações que você acessou. Mas, se você quiser se livrar dessas informações, é possível apagá-las rapidamente. Também é possível desativar a coleta de dados sobre o histórico em serviços como o YouTube e o Maps (saiba mais abaixo). Veja como controlar os registros de navegação salvos pelo Google. Como excluir histórico do Chrome Selecione o ícone de três pontinhos (⋮ para Android e computador, ou … para iPhone e iPad); Clique em "Histórico" – no celular, é possível ir diretamente em "Excluir dados de navegação", e, no computador, é preciso selecionar Histórico > Histórico (também é possível usar o atalho com as teclas Ctrl + H); Se estiver na página do histórico, clique em "Excluir dados de navegação" (também pode aparecer como "Remover dados de navegação" ou "Limpar dados de navegação"); Escolha o período do histórico que será excluído (última hora, últimas 24 horas, últimos sete dias, últimas quatro semanas ou todo o período, por exemplo); Marque somente o que deseja apagar, como páginas acessadas, cookies e imagens salvas – no computador, é possível excluir mais registros na aba "Avançado"; Clique em "Excluir dados" (também pode aparecer como "Remover dados" ou "Limpar dados"). Segundo o Google, o histórico do Chrome se limita às páginas que você visitou nos 90 dias anteriores e não inclui navegação na aba anônima do navegador e as páginas que foram removidas manualmente. Como excluir atividade da conta Google Também é possível apagar registros relacionados à sua conta Google que podem ser criados em qualquer navegador em que você estiver logado nos serviços da empresa. Para isso, basta acessar myactivity.google.com com sua conta Google logada. Em seguida, é preciso escolher quais dados serão removidos. Para excluir toda a sua atividade: clique em "Excluir" e selecione o período (última hora, últimas 24 horas, todo o período ou intervalo personalizado); Para excluir o histórico de um serviço específico (YouTube, por exemplo): clique em "Filtrar por data e produto", selecione o período e os produtos desejados, clique em "Aplicar" e confirme em "Excluir". A página oferece ainda a opção de apagar registros individualmente ao clicar no "X" que aparece ao lado de cada item. E a ferramenta tem atalhos para desativar o histórico de navegação, de localização e do YouTube. Para fazer isso, clique nas opções correspondentes que aparecem no topo da página e siga as instruções. Veja também: VÍDEO: empregada doméstica usa Google Maps para provar vínculo com patrões Empregada doméstica usa Google Maps para provar vínculo com patrões

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...