terça-feira, 2 de julho de 2024

Governo manda Meta suspender, no Brasil, uso de dados de usuários para treinar inteligência artificial

Despacho da Autoridade Nacional de Proteção de Dados foi publicado nesta terça; uso dos dados para treinar IA consta em nova política de privacidade. Multa prevista é de R$ 50 mil; g1 tenta contato com empresa A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que a Meta – big tech responsável pelo Facebook, pelo Instagram e pelo WhatsApp – suspenda a validade no Brasil da nova política de privacidade da empresa sobre o uso dos dados pessoais dos brasileiros. A decisão atinge especificamente a intenção da Meta de usar esses dados para "treinar" sistemas de inteligência artificial generativa – ou seja, para compor o banco de dados usado pelas IAs para gerar respostas automatizadas. O g1 tenta contato com a Meta. Quando o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) acionou o governo contra a nova política de privacidade desses serviços, a Meta afirmou que o uso das informações para treinar uma inteligência artificial é de seu legítimo interesse, bem como de seus usuários e outras pessoas. Instagram e Facebook usam suas fotos e textos para treinar IA: por que a prática está sendo questionada? Como impedir Instagram e Facebook de usarem suas fotos e postagens para treinar inteligência artificial Meta passa a coletar dados das redes para IA. Saiba passo a passo para desativar O despacho foi publicado no "Diário Oficial da União" desta terça-feira (2) e prevê multa de R$ 50 mil por dia de descumprimento "em virtude do risco iminente de dano grave e irreparável ou de difícil reparação aos direitos fundamentais dos titulares afetados". A decisão foi tomada pelo Conselho Diretor da ANPD, e o documento é assinado pelo diretor-presidente da autoridade, Waldemar Gonçalves. Segundo o despacho, a ordem é para cumprimento imediato. No prazo de cinco dias, a partir de quando for intimada, a Meta deve apresentar ao governo: documentação que ateste a mudança da Política de Privacidade dos serviços da empresa, para excluir esse trecho sobre o uso dos dados pessoais para treinar IAs generativas; declaração assinada por representante legal atestando que o uso dos dados foi suspenso. Dados pessoais para 'treinar' IA

Carmen, o robô que ajuda pessoas com declínio cognitivo moderado


Projeto de pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego contou com a participação de pacientes e cuidadores. Carmen é o acrônimo de Cognitively Assistive Robot for Motivation and Neurorehabilitation (Robô de Assistência Cognitiva para Motivação e Reabilitação), criado para ajudar pessoas com um declínio cognitivo moderado a desenvolver habilidades para melhorar memória, atenção e a capacidade de execução das tarefas diárias. A aluna de doutorado Anya Bouzida, uma das autoras do estudo, faz uma demonstração de como Carmen funciona Divulgação: David Baillot/University of California San Diego Diferentemente de outros robôs, Carmen foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego em parceria com médicos, pessoas com declínio cognitivo e cuidadores. Com o objetivo de reduzir as consequências negativas associadas à condição do paciente, ensina estratégias para contornar as limitações do dia a dia, como mudanças de comportamento ou até do ambiente. A equipe programou Carmen para o treinamento de exercícios cognitivos simples, como montar um roteiro de lugares para deixar objetos importantes, como as chaves de casa ou o celular, através de jogos interativos e atividades lúdicas. Tendo em mente que o robô deve ser usado sem supervisão, seu funcionamento é simples e não depende de uma conexão veloz. Também é capaz de se comunicar com o usuário demonstrando empatia e se encarrega de criar intervalos entre as tarefas. O indivíduo com declínio cognitivo moderado tem problemas de memória e concentração acima da média em relação à sua faixa etária. Os sintomas não são tão graves quanto os de uma demência e a pessoa normalmente consegue manter sua autonomia. Cerca de 20% dos idosos acima dos 65 anos apresentam essa condição, sendo que 15% passam a um quadro de demência anualmente. O robô foi testado por médicos e pacientes, que responderam a questionários avaliando a experiência. A próxima etapa é dotar Carmen com a habilidade de manter uma conversa. O melhor é que se trata de um sistema com código aberto, isto é, que ficará disponível para quem quiser implementá-lo. Os pesquisadores avisam que estão dando os últimos retoques no código e os interessados em serem notificados quando estiver pronto devem preencher cadastro nesse link.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Como impedir Instagram e Facebook de usarem suas fotos e postagens para treinar inteligência artificial


A coleta dos dados públicos de usuários para desenvolver e melhorar a assistente de inteligência artificial da Meta está prevista na política de privacidade da empresa. Meta passa a coletar dados das redes para IA. Saiba passo a passo para desativar Fotos e textos que você posta no Instagram e Facebook podem estar sendo usados para desenvolver e melhorar uma inteligência artificial. A coleta desses dados para tal finalidade aparece na nova atualização da política de privacidade das duas redes sociais, que são controlados pela Meta, empresa de tecnologia de Mark Zuckerberg. Na Central de Privacidades da Meta, disponível no Instagram, a empresa diz que usa informações que estão publicamente disponíveis e que foram compartilhadas em suas plataformas. Isso inclui publicações, fotos ou legendas. O conteúdo das mensagens privadas com amigos e familiares não é usado, segundo a empresa. ⚠️ Mas os usuários podem se opor. Também na Central de Privacidades, a Meta diz que as pessoas têm "direitos relacionados à forma como suas informações são usadas para IA na Meta", o que inclui o direito de se opor ao uso de informações compartilhadas. O passo a passo para desativar a coleta de informações no Instagram g1 A remoção é instantânea? Segundo a Meta, não. O texto diz que as solicitações de objeção serão analisadas de acordo com as leis de proteção de dados relevantes. "Se a sua solicitação for atendida, ela será aplicada a partir do momento que for aceita", diz o texto. O que diz a Meta? A Meta diz que pode "processar informações sobre você para desenvolver e melhorar a IA na Meta, mesmo se você se opuser ou não usar nossos produtos e serviços". Como exemplo, a empresa diz que isso poderia acontecer se o usuário ou suas informações: aparecerem em uma imagem compartilhada nos produtos ou serviços por alguém que os usa; sejam mencionados em publicações ou legendas que outra pessoa compartilhar nos produtos e serviços. Procurada pelo g1, a Meta enviou a seguinte nota: "Estamos comprometidos em desenvolver a inteligência artificial na Meta – nossa coleção de recursos e experiências generativas de inteligência artificial junto com os modelos que os alimentam – de forma segura, responsável e atendendo as regulações de privacidade no Brasil." Como bloquear o ‘Jogo do tigrinho’ no Whatsapp Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual

Instagram e Facebook usam suas fotos e textos para treinar IA: por que a prática está sendo questionada?

Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) alertou autoridades por conta de cinco possíveis violações da Meta. Para a entidade, a empresa pode ser multada em até R$ 50 milhões por infração por infringir a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Meta passa a coletar dados das redes para IA. Saiba passo a passo para desativar A forma como a Meta está usando dados de usuários de Instagram e do Facebook para treinar sua inteligência artificial (IA) viola leis brasileiras, na avaliação do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec). Parte do material usado pela Meta para ensinar seus modelos de IA inclui informações disponíveis publicamente nas redes sociais da empresa, como fotos e textos compartilhados pelos usuários – mensagens privadas não são incluídas nessa lista. ⚠️ Por que isso importa? Porque o conteúdo que você e milhões de pessoas postaram no Instagram e no Facebook está servindo para treinar inteligência artificial sem a empresa oferecer contrapartidas nem informações detalhadas sobre onde a ferramenta poderá ser usada. A coleta das informações foi anunciada pela Meta no início do mês e é habilitada por padrão. Quem quiser proteger suas fotos e vídeos deve seguir um passo a passo nas configurações do Instagram ou do Facebook (veja como fazer). O Idec alega que a Meta falhou porque não avisou usuários com antecedência, não foi totalmente transparente sobre a prática e não ofereceu um meio fácil e intuitivo de se opor à coleta de dados. Por isso, a entidade alertou a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por meio de um ofício ao qual o g1 teve acesso em primeira mão. O instituto entende que, se a violação for constatada, a Meta pode ser multada em até R$ 50 milhões por infração, como previsto na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A Meta, por sua vez, afirma que o uso das informações para treinar uma inteligência artificial é de seu legítimo interesse, bem como de seus usuários e outras pessoas. "Estamos comprometidos em desenvolver a inteligência artificial na Meta – nossa coleção de recursos e experiências generativas de inteligência artificial junto com os modelos que os alimentam – de forma segura, responsável e atendendo as regulações de privacidade no Brasil", disse a companhia ao g1 em 23 de junho. A empresa foi procurada novamente para esta reportagem, mas não se posicionou até a publicação. Entenda o caso abaixo. Como essa história começou? O caso ganhou atenção em 4 de junho, depois que a Meta informou na União Europeia e no Reino Unido que a sua política de privacidade passaria a prever a possibilidade de usar dados de usuários para treinar sua IA. Treinamentos de modelos de inteligência artificial envolvem o uso de grandes quantidades de dados e são necessários para que, em uma etapa seguinte, eles sejam capazes de analisar informações e até gerar conteúdo por conta própria. Após repercussão negativa, a empresa voltou atrás e decidiu adiar a mudança na Europa para seguir a determinação de seu regulador na região, a Autoridade Irlandesa de Proteção de Dados (DPC, na sigla em inglês). Mas a possibilidade ainda é prevista na política da empresa para o Brasil. "Usamos informações que estão publicamente disponíveis online e informações licenciadas. Também usamos informações compartilhadas nos produtos e nos serviços da Meta", diz o documento. Os brasileiros que ganham R$ 500 por mês para treinar inteligências artificiais O que pode estar errado? Ainda de acordo com o Idec, a Meta viola determinações da legislação brasileira porque: 📢 Não comunicou usuários brasileiros antes da mudança, nem detalhou o objetivo do treinamento de IA, apesar de transparência e informação adequada serem direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor; 📊 O uso de dados de usuários para IA não é de interesse legítimo, um argumento usado pela empresa, já que, entre outros pontos, não é essencial para sua atividade; 🖥️ A opção que permite se opor ao uso dos dados é pouco intuitiva, o que dificulta que consumidores exerçam seus direitos – é necessário passar por várias telas para pedir que a coleta seja interrompida (saiba como fazer); 📝 A coleta das informações pode dar uma vantagem excessiva à empresa, por haver uma mudança desproporcional nas cláusulas do contrato que foi aceito pelos usuários; 💰 Os novos termos são um abuso de posição dominante, já que existem poucas empresas com tantos dados disponíveis para treinar uma inteligência artificial, dificultando uma concorrência justa. Os pontos acima foram enviados pelo instituto para avaliação de autoridades. Procurada pelo g1, a Senacon afirmou que até o momento não recebeu o ofício. A ANPD e o Cade não retornaram o contato. "A utilização dos dados pessoais de todos os usuários para treinamento da inteligência artificial generativa da Meta representa uma exploração unilateral da vida dos usuários sem que eles recebam qualquer benefício em troca e nem mesmo tenham a dimensão do seu impacto", afirmou Marina Fernandes, pesquisadora do programa de Telecomunicações e Direitos Digitais do Idec. O que acontece agora? O ofício não garante que as autoridades adotarão alguma medida contra a coleta de dados de usuários de redes sociais para treinamento da IA. Porém, o Idec pede para os órgãos a suspensão da mudança na política de privacidade da Meta e a determinação para a empresa notificar usuários sobre a prática e deixar de usar dados pessoais para treinar IA sem consentimento dos titulares. A entidade também defende que o Cade instaure um processo administrativo para investigar a Meta por possíveis violações à Lei de Defesa da Concorrência. "As autoridades devem, assim como na União Europeia, suspender a política de privacidade e determinar que à empresa se abstenha de utilizar dados pessoais para treinamento de ferramentas de inteligência artificial generativa sem prévio consentimento qualificado dos titulares", disse Fernandes.

domingo, 30 de junho de 2024

Elon Musk teve 12 filhos e três ex-mulheres: saiba quem é quem na vida familiar do bilionário


Bilionário confirmou que teve mais bebê no começo deste ano com a executiva Shivon Zills. Antes, ele relacionou com atrizes, cantora e escritora. Elon Musk em foto de 16 de junho de 2023 REUTERS/Gonzalo Fuentes/File Photo O bilionário Elon Musk tem 12 filhos, com diferentes mulheres. O bebê que nasceu mais recentemente é fruto da relação com Shivon Zills, executiva da Neuralink, a startup de Musk que atua no segmento de saúde e chips cerebrais. Zills é canadense e tem 38 anos. Segundo a publicação Business Insider, ela nasceu em Markham, Ontário, e cresceu jogando hóquei no gelo. Frequentou a Universidade de Yale, uma das mais respeitadas dos Estados Unidos, e atuou como goleira do time feminino de hóquei no gelo enquanto estudava na instituição. Também de acordo com a publicação, Zills se formou em 2008 em economia e filosofia. Zills tem um perfil verificado na rede social X (antigo Twitter, que também pertence a Musk), no qual costuma postar bastante, geralmente reflexões sobre a vida e fotos dos filhos. Além do bebê que nasceu no início do ano (cujo nome e o sexo não foram revelados), ela tem um casal de gêmeos com Musk: Strider e Azure, nascidos em 2021. Os outros filhos e as outras ex Ao todo, Musk tem 12 filhos, com três mulheres diferentes (Justine e Grimes, além de Shivon). Com a primeira mulher, Justine, Musk teve seis filhos: os gêmeos Griffin e Vivian, que se identifica como mulher trans, nascidos em 2004, e os trigêmeos Damian, Saxon e Kai, de 2006. Um outro filho do casal morreu subitamente poucas semanas após o nascimento. Justine também é canadense, tem 51 anos e é escritora. Sua obra mais famosa é "Bloodangel" (sem tradução para o português). Depois, com a cantora Grimes, Musk teve mais três filhos (e de nomes bem exóticos). X AE A-XII, nascido em 2020 e chamado também de "X"; Exa Dark Sideræl Musk, em 2022; e Techno Mechanicus, revelado na biografia do empresário, publicada em 2023. Ele tem o apelido "Tau". Veja abaixo, em infográfico, quem são as ex-mulheres e quem são os filhos de Elon Musk: Veja quem são os 12 filhos de Elon Musk g1 Outras famosas... Musk também se relacionou com outras artistas... Segundo um agente, a atriz Amber Heard teve um relacionamento com Musk em 2016. O jornal britânico "The Guardian" afirmou, em reportagem, que eles se relacionaram dois meses depois de ela ter feito acusações contra Johnny Depp. Amber Heard em foto de arquivo Evelyn Hockstein/Pool/Reuters E... Antes de Heard, Musk namorou (e até casou por duas vezes) com outra atriz: Talulah Riley (eles não tiveram filhos juntos). Britânica, ela atuou em "Orgulho e Preconceito" e "A Origem". Eles se casaram pela primeira vez em 2010 e se divorciaram em 2012. Eles se casaram novamente 18 meses depois e voltaram a se separar. Fortuna de Musk Com 52 anos, Musk era, na última segunda-feira (24), o homem mais rico do mundo, pela lista da Forbes. Ele é dono de negócios diversos, como o antigo Twitter, que rebatizou de X, a fabricante de carros elétricos Tesla, a empresa aeroespacial SpaceX, que tem um braço para internet via satélite chamado Starlink, além da Neuralink, focada em chips cerebrais. Polêmico, arruma briga até com o Brasil: quem é Elon Musk Elon Musk e Grimes no Met Gala 2018 Jason Kempin/Getty Images North America/Getty Images via AFP/Arquivo Elon Musk entra em saia-justa ao ser questionado sobre ex-mulher Elon Musk e Shivon Zills com primeiros dois filhos do casal; o nascimento de um terceiro foi confirmado pelo bilionário neste ano Reprodução/Twitter @WalterIsaacson Veja também: Como bloquear o ‘Jogo do tigrinho’ no Whatsapp

Ansiedade e promessa de lucro fácil levam apostadores a caça-níqueis online na madrugada


"Eles falavam que tinha um tal o minuto pagante [na madrugada]", diz jogador que afirma ter perdido mais de R$ 100 mil com esse tipo aposta. Dados de busca do Google mostram picos entre as 2h e as 3h. Ansiedade e promessas de lucros mais fáceis têm levado apostadores a buscar jogos de caça-níquel online na madrugada. Dados da última semana do Google Trends, que medem o volume de buscas na internet, mostram que expressões como "Fortune Tiger", "Fortune OX" e "Fortune Rabbit" – três tipos populares de jogos online – tiveram picos entre as 2h e as 3h (veja abaixo). "Eu jogava principalmente de madrugada, por não ter que me preocupar com as crianças, que já estavam dormindo, e porque eu li que pagava mais. Porém, não ganhava nada, e me dava mais ansiedade para jogar de novo e tentar algum lucro. Cheguei a dar murro na minha cabeça, puxar meus cabelos, me morder. Isso não é vida", conta Laysa Gonçalves, de 24 anos, moradora de Aracaju (SE). Laysa conta que começou a jogar em janeiro de 2022, a partir de um anúncio que viu em um grupo de WhatsApp de gestantes. Segundo ela, a mensagem indicava que os jogos eram uma forma de ganhar dinheiro extra, principalmente na madrugada. No começo, ela colocou R$ 20 e perdeu, mas, em seguida, ganhou R$ 200. "Na hora, pensei, paga mesmo", disse. Algumas semanas depois, ela apostou R$ 1 mil e lucrou 5 vezes mais. "Foi então que virou um vício". Desde que começou a jogar, entretanto, Laysa conta que perdeu R$ 20 mil – e que chegou a apostar dinheiro que seria usado para comprar comida para os filhos. "Hoje em dia, eu sofro ansiedade, depressão. Meu filho nasceu prematuro por conta de tanto nervosismo." Laysa Gonçalves, de 24 anos, com o filho, Davi Gael Arquivo pessoal Minutos pagantes "Eles falavam que tinha um tal minuto pagante [na madrugada], diz Fabio Costa, de 30 anos, morador de Vilhena (GO). Minuto pagante é uma promessa de lucro fácil em jogos online feita por divulgadores. Segundo eles, seriam momentos em que os jogos tendem a pagar mais prêmios: se o minuto pagante for 9, o jogo poderia pagar mais em horários que terminam em 9, como 12h59 ou 15h19. Especialistas e o próprio setor, entretanto, dizem se tratar de uma fraude. Isso porque, nesse tipo de jogo, por princípio, resultados devem ser gerados de forma aleatória, sem padrão definido, e ser imprevisíveis. Se a estratégia funcionar, há uma fraude na plataforma (entenda aqui). Fabio afirma que, quando começou a jogar, há cerca de um ano, chegou a ter alguns ganhos, na casa de R$ 1 mil. Porém, em menos de 1 ano, entretanto, estima que teve um prejuízo de R$ 100 mil com esse tipo de jogo, mudou para uma casa menor e vendeu o carro. "No começo, você pode até ter ganhos mínimos, mas você sempre vai perder no final", afirmou Costa. "Acabei caindo no papo deles [sobre os minutos pagantes]". Promoções de jogos de caça-níquel online Reprodução YouTube e Palver Estímulo dos jogos é mais forte que o do descanso O psiquiatra responsável pelo ambulatório do tratamento de dependências de comportamentos do Programa de Orientação e Atendimento de Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Aderbal Vieira, afirma que a madrugada é um momento que as pessoas ficam mais vulneráveis à ansiedade, já que as preocupações pessoais e profissionais foram resolvidas normalmente de manhã e de tarde. "Quando dá meia-noite e não existe mais preocupação na mente, o prazer de ganhar ou perder é muito mais satisfatório do que dormir. Esse estímulo de sensações é muito mais imediato do que o descanso. Então as pessoas jogam", afirma. Assistente-administrativa Eduarda Candido, de 19 anos, de Joinville (SC), afirma que jogava principalmente de madrugada porque, durante o dia, conseguia prestar a atenção em outras coisas. Além disso, a ansiedade causada pelas perdas a empurrava para fora da cama. "Eu comecei a me afundar um pouco mais porque ficava jogando e, quando eu ia trabalhar, estava morta de sono e tinha perdido o dinheiro que era para eu pagar o cartão da minha madrasta. E ficava pensando no que eu ia fazer", conta. LEIA MAIS: 'Jogo do tigrinho' e outros cassinos online contratam influenciadores mirins e direcionam propaganda para crianças no Instagram Como o 'Jogo do Tigrinho' colocou influenciadores de AL na mira da polícia Eduarda Arquivo pessoal Eduarda afirma que perdeu cerca de R$ 50 mil com os jogos online entre abril de 2022 e maio de 2024. "Eu percebi que com 19 anos, eu estava com o nome sujo. Então, me abri com a minha família, que me ajudou com a dívida e prometi nunca mais jogar. Entendi então que esse jogo só iria destruir minha vida". O que são caça-níqueis online Segundo a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), a Lei nº 14.790, de 2023, que regulamentou o mercado de apostas esportivas, autoriza o oferecimento de jogos online do tipo quota fixa – nos quais se enquadram jogos de caça-níqueis online (ou de slots). "Por estar (...) diretamente ligado ao conceito de aleatoriedade, o 'Jogo do Tigrinho' (e os demais jogos slot) consiste em um jogo de chance, na modalidade de quota fixa, e não um jogo de azar, proibido pela Lei de Contravenções Penais", afirma a associação. Para que uma empresa sediada no Brasil possa oferecer esse tipo de jogo, entretanto, é preciso cumprir uma série de regras e obter uma autorização do Ministério da Fazenda. Procurada, a pasta diz que a portaria que vai tratar de jogos online ainda está em elaboração. "Com esta, serão estabelecidos critérios técnicos e jurídicos, para que um jogo on-line possa ser reconhecido como cumpridor de requisitos legais e, apenas assim, permitidos pelo ordenamento jurídico nacional a serem ofertados pelos operadores de apostas autorizados", afirma a pasta. Por esse motivo, segundo a pasta, ainda não é possível dizer se os jogos atualmente ofertados obedecem aos critérios legais ou não. Segundo Magnho José, presidente do Instituto Jogo Legal, entretanto, a maioria das plataformas que oferecem os cassinos online para apostadores que estão no Brasil estão estabelecidas no exterior. "A maioria das plataformas de apostas esportivas e jogos online estão hospedadas em Malta, Curaçao, Gibraltar e Reino Unido, mesmo que tenham sócios brasileiros", afirma José. E, segundo Fabiano Jantalia, advogado especialista em direito de jogos e apostas, "desde que o país onde essa plataforma esteja sediada tenha autorização, também não há nenhuma irregularidade."

sábado, 29 de junho de 2024

'Influencers do lixo': os brasileiros que fazem sucesso mostrando o que americanos jogam fora


Americanos jogam produtos novos, comidas e itens de luxo no lixo - e brasileiros têm conquistado muitos fãs mergulhando nessas caçambas em uma espécie de caça ao tesouro. O 'mergulhador' de lixeiras André da Silva tem mais de 300 mil seguidores Facebook/Mais 1 Silva Por Aí A fila dava volta no Parque Villa Lobos, área nobre de São Paulo, em uma tarde de junho. Depois de minutos de espera, algumas pessoas choravam de emoção pela chance de encontrar a youtuber brasileira Adeline Camargo, que mora nos Estados Unidos e virou uma referência em vídeos de dumpster diving. A expressão em inglês significa “mergulhar na lixeira” — e quer dizer isso mesmo: pessoas que entram e vasculham caçambas de lixo em busca por produtos em boas condições e até novos que são descartados pelos americanos. “Sei que muita gente quer uma lembrancinha do dumpster”, registra no vídeo Adeline, que trouxe para o encontro no Brasil dezenas de produtos que ela encontrou assim para sortear entre os seguidores. São maquiagens, bolsas, objetos de decoração… O encontro em São Paulo reflete o fenômeno entre brasileiros ávidos por vídeos sobre o lixo dos Estados Unidos. São dezenas de canais no YouTube e perfis no Instagram, alguns de famílias inteiras, que mostram essa prática comum no país. “Os brasileiros ficam muito curiosos, porque os americanos esbanjam muita coisa, é um desperdício que te deixa alucinado. Tem muita coisa nova”, diz Alessandra Gomes, capixaba que também se filma “mergulhando” no lixo, no Estado de Massachusetts. Ela já recolheu edredons, sofás, mesas e muita comida. Ligação, áudio ou texto? As regras de etiqueta para conversas por WhatsApp no trabalho Nos Estados Unidos, de forma geral, a atividade não é ilegal, mas navega em uma zona cinzenta. Em 1988, no caso que ficou conhecido como California contra Greenwood, a Suprema Corte do país decidiu que não há “privacidade” no lixo deixado na calçada. Mas regras específicas em Estados e cidades sobre a questão das lixeiras podem se sobrepor. A atividade, por exemplo, pode ser considerada ilegal se envolver invasão de propriedade privada, se houver alguma placa indicando que é proibido mexer ou a lixeira estiver fechada com algum cadeado. Entrar nessas áreas sem permissão pode resultar em acusações de invasão. Também pode haver denúncias sobre incômodo público ou risco à segurança na atividade. Nos vídeos gravados pelos brasileiros, em geral, não é possível saber se eles invadiram propriedades ou se desrespeitaram proibições. Ao menos uma destas pessoas disse à BBC News Brasil que já foi detida pela polícia após uma loja denunciá-la e precisou pagar fiança e passar por uma audiência na Justiça. Vídeos que mostram os brasileiros sendo “pegos no flagra” acumulam muita audiência — na maioria, são funcionários de lojas que pedem para eles saírem ou simplesmente permitem que continuem. Quem são os 12 filhos de Elon Musk André da Silva busca por produtos novos nas caçambas Acervo pessoal “Já fui flagrado pela polícia algumas vezes”, diz André da Silva, de 49 anos, que se mudou do Rio de Janeiro para Rhode Island há 23 anos e hoje tem mais de 300 mil seguidores apenas no Facebook com seus vídeos. "Mas, em geral, só perguntam o que estou fazendo, e eu explico que gravo vídeos. Eles ficam até chocados com as coisas que encontramos." Apesar do fenômeno recente nas redes sociais em países como Brasil ou El Salvador, a atividade faz parte da rotina de americanos há décadas, explica Jeff Ferrell, sociólogo e professor emérito da Universidade Cristã do Texas (TCU, na sigla em inglês) que, há 50 anos, se debruça sobre o fenômeno — seja como pesquisador ou "mergulhando" ele mesmo em lixeiras. Autor do livro Empire of Scrounge: Inside the Urban Underground of Dumpster Diving, Trash Picking, and Street Scavenging (Império dos catadores: dentro do submundo urbano da busca em lixeiras, coleta de lixo e garimpagem na rua, em tradução livre), ele passou oito meses sobrevivendo apenas com o que achava no lixo. Ferrell explica que o perfil de "mergulhadores" de lixeiras é variado. Alguns, como ele, são movidos por ideologia. Podem ser os chamados freegans, que por princípio de vida boicotam o consumo e sobrevivem com o que é descartado, ou organizações de caridade que distribuem esses bens e comida a moradores de rua ou necessitados. “Muitas pessoas acreditam em uma redistribuição de recursos. Isso é tirar dos ricos e dar para os pobres, porque o lixo dos ricos em geral tem coisas de muita qualidade, coisas que ainda são muito úteis”, diz o pesquisador. Mas os imigrantes, na maioria sem os documentos necessários para residir nos Estados Unidos, diz Ferrell, também sempre formam um grupo relevante nessa caça ao tesouro nas lixeiras. Cozinheira perde R$ 80 mil em dois meses: relatos de quem perdeu tudo com cassinos online Forbes divulga lista dos maiores influenciadores do mundo em 2023 Entre o consumismo e desperdício Alessandra Gomes chegou nos Estados Unidos há cinco anos, aos 19, em busca de um futuro melhor para ela e seu filho, na época com menos de 2 anos. Ela saiu de Ecoporanga, no Espírito Santo, onde vivia uma relação conturbada com a família humilde na zona rural da cidade, para cruzar a fronteira do México rumo aos Estados Unidos. Quando chegou a Massachusetts, ela conta, via muitas pessoas fazendo o dumpster diving. “Foi quando fiz o primeiro vídeo, mostrando umas vasilhas e louças que achei. O vídeo viralizou, e eu vi que era um ramo que dava muita audiência”, diz Alessandra, que foca nas lixeiras de lojas e supermercados, porque encontra nelas muitos produtos ainda novos que foram descartados. Segundo a capixaba, os brasileiros que assistem aos seus vídeos se dividem em dois grupos: os que se revoltam com o consumismo americano e a cultura do desperdício e os que ficam fascinados com os produtos e desejam imigrar para fazer o mesmo. Brasil será 1º país no mundo a ter 'modo ladrão' em celulares Android; veja como vai funcionar Alessandra Gomes doa e vende objetos que encontra no lixo Acervo pessoal Os "mergulhadores" que se aventuram no lixo aprendem o dia da coleta de cada região e ficam ligados quando há uma renovação no estoque de uma loja. O carioca André da Silva, de 49 anos, explica, por exemplo, que quando há uma nova coleção de roupas de cama, as lojas tendem a jogar fora edredons, fronhas e lençóis que são da temporada passada. Ex-dançarino no Brasil e ex-lavador de pratos nos Estados Unidos, André administra o tempo entre sua empresa de demolição e a busca por caçambas. Foi em um trabalho para uma loja há seis anos que ele percebeu o quanto os americanos jogavam coisas novas no lixo. “Quando cheguei no dumpster, eu tomei um susto”, diz André. “Era tudo novo, empacotado, toalhas caras, travesseiros. Chamei o gerente da loja, porque achei que eles tinham se enganado. Aí, ele disse que era o lixo mesmo, porque eles perdem dinheiro guardando isso no estoque.” André teve que alugar um caminhão para buscar o tanto de produtos que estavam sendo descartados naquele dia. O 'mergulhador' de lixeiras André da Silva tem mais de 300 mil seguidores Facebook/Mais 1 Silva Por Aí Para o professor Jeff Ferrell, que aos quase 70 anos segue vasculhando os lixos alheios no Estado do Texas, como os EUA são o principal país capitalista do mundo, a produção incessante de bens de consumo estimula o descarte. “É inerente à cultura do consumo: haverá uma grande quantidade de lixo toda vez que um estilo de moda mudar ou novas tecnologias forem introduzidas”, diz Ferrell. "Quanto mais orientamos nossa economia em torno da produção e consumo de bens, inevitavelmente, mais resíduos produzimos." Além dos objetos em si, a comida também é parte importante do trabalho dos catadores-produtores de conteúdo. Hoje, Alessandra e o marido focam na busca em caçambas de mercados que vendem alimentos. Esse, inclusive, é o aspecto que mais tem chocado a família. “Tem muita coisa boa para consumo que jogam fora. Algumas passaram da validade, mas ainda servem. É chocante”, diz. Segundo o Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar dos Estados Unidos (FSIS, na sigla em inglês), "os fabricantes fornecem datas para ajudar consumidores e varejistas a decidir quando os alimentos estão na melhor qualidade". "Exceto para fórmulas infantis, as datas não são um indicador da segurança do produto e não são exigidas pela lei federal", diz o FSIS em seu site oficial. Mas, ainda assim, muito é jogado fora. Segundo Alessandra, a atividade de vasculhar o lixo rende de US$ 200 (cerca de R$ 1.100) a US$ 300 (R$ 1620) por mês com o que ela consegue vender. A audiência dos vídeos chega a render mais US$ 100 (R$ 540). O marido também trabalha como pintor. O pesquisador Jeff Ferrell tem um quarto inteiro de coisas que acha no lixo ACERVO PESSOAL É lixo ou luxo? Tocadores de música, bolsas, brinquedos caros, joias, relógios… O que mais chama atenção dos brasileiros nos vídeos de fato são os produtos caros que vão parar na lixeira dos americanos. Os comentários vão desde um “fico babando com tantas coisas maravilhosas” a “meu sonho é ter essas coisas, queria ir praí”. Para o pesquisador Jeff Ferrell, que já encontrou abotoaduras da marca de luxo Tiffany e pulseiras de diamantes, a ênfase dada às marcas e ao valor dos produtos nas redes sociais acaba desviando a filosofia por trás do movimento de dumpster diving. “Acho irônico que as pessoas estejam nessa busca por bens de consumo em lixeiras. Em outras palavras, elas estão tentando transformar o lixo de volta em um estilo de vida de consumo”, opina. Mas os brasileiros angariam fãs mesmo com as doações que fazem. André da Silva explica que basicamente doa tudo que encontra para famílias em necessidade ou para igrejas de Massachusetts e Rhode Island. Brasileira se alimenta com coisas descartadas por supermercados Acervo pessoal Já Alessandra, que cuida de dois filhos, se divide entre doações para famílias de imigrantes na vizinhança e para o próprio consumo. “Não tenho vergonha nenhuma de estar dentro do lixo. Vim de uma família muito pobre, então, tudo que eu puder aproveitar, eu vou pegar mesmo”. E, segundo ela, postar. A capixaba diz que “segura na mão de Deus” e segue realizando a atividade. É que, na região onde vive, as lojas ficaram mais hostis aos “mergulhadores" de lixeiras, já que muitas pessoas acabam mexendo e deixando lixo espalhado na calçada. Para quem há décadas explora o lixo americano, “há uma outra ironia” no sucesso digital da prática nos Estados Unidos. “Qual é a chave para ser um bom dumpster diver? É ser discreto e nunca chamar atenção para si mesmo. Nunca postaria nas redes sociais”, aconselha Ferrell. Como bloquear o ‘Jogo do tigrinho’ no Whatsapp

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...