quinta-feira, 4 de julho de 2024

Lives de jogo do tigrinho surgem em canais de YouTube sobre culinária e jogos infantis


Transmissões, na verdade, são vídeos que se repetem por horas e prometem lucro alto. Diretrizes do YouTube proíbem mensagens do tipo. Alguns dos responsáveis dizem que tiveram as contas invadidas. Lives com dezenas de horas de duração sobre o Fortune Tiger (ou jogo do tigrinho), um dos mais famosos caça-níqueis online, têm surgido diariamente em canais populares de YouTube sem qualquer relação com o assunto – como culinária, música e jogos infantis. Em vez de transmissões ao vivo, essas lives são, na verdade, repetições por horas a fio de um mesmo conteúdo gravado. O conteúdo é sempre o mesmo: um apresentador diz ter encontrado uma falha que permite ganhar muito dinheiro em supostas novas versões do Fortune Tiger, nome oficial do jogo do tigrinho. Em um dos casos, o apresentador diz que lucrou o equivalente a 8 salários em meia hora. O g1 analisou oito lives assim, postadas em sete canais diferentes, que têm entre 1 milhão e 7,2 milhões de seguidores. Sete lives ficaram inacessíveis após a reportagem entrar em contato com os donos dos canais e uma foi removida pelo YouTube por violar as diretrizes da plataforma. Advogados e especialistas do setor de aposta apontam ilegalidade de lives que promovem apostas como fonte de renda e falsas estratégias para garantir ganho de dinheiro. "Jogo é entretenimento e não fonte de renda extra. O jogo regulamentado é randômico e auditável e não há como prever o resultado futuro, a oferta de estratégias que apresentem essa possibilidade são enganosas" diz a advogada Ana Gatti, diretora de operações da Associação Brasileira dos Bingos Cassinos e Similares (Abrabincs). As regras do YouTube proíbem vídeos que façam promessas exageradas, como afirmar que os espectadores podem enriquecer rapidamente. Os responsáveis por 2 dos 7 canais (@familiasantana e @leomedeiros) disseram à reportagem que tiveram as contas invadidas e negaram relação com as lives. Os responsáveis pelos canais @SrPedroCanal (jogos infantis), @McArcoIris (conteúdo para adolescentes), @DandoTrela (humor) e @pedrobennington (humor) não responderam até a publicação desta reportagem. O g1 não conseguiu encontrar contato do responsável pelo canal @GahMarinax. Veja como são as lives falsas do jogo do tigrinho Arte g1 80 comentários iguais de 22 contas diferentes Enquanto as transmissões ocorrem, usuários diferentes postam links para sites de apostas e fazem comentários repetitivos com elogios a essas plataformas. Em um dos vídeos, ao longo de 25 minutos, a mensagem "muito boa essa plataforma" apareceu 80 vezes, postada por 22 contas diferentes. Em outra, o mesmo comentário ("muito boa essa plataforma") aparece 49 vezes, postado por 19 perfis diferentes num intervalo de 13 minutos. Essa repetição indica que comentários postados nas lives são automatizados, segundo o especialista de segurança digital Thiago Ayub. A prática de inflar artificialmente comentários para aumentar o engajamento também é proibida pelo YouTube. Lives promovem links para sites no exterior Além de elogios, nos comentários são postados links de sites de apostas que estão em português, mas são sediados no exterior. Os sites mmabet.com e go.aff.apostatudo.bet dizem ter autorização do governo de Curaçao para operar – naquele país, os caça-níqueis online são liberados. O g1 entrou em contato com ambos para saber se têm conhecimento das lives falsas, mas não obteve retorno. O g1 não conseguiu contato com o grandebetpix.com, que não informa de onde é. Segundo o advogado Fábio Jantalia, especialista em jogos e apostas, empresas sediadas no exterior podem oferecer o jogo do tigrinho para jogadores brasileiros, desde que tenham autorizações dos países em que estão sediadas. "Atualmente, ele é explorado a partir de outros países, em BETs que têm sede em outros países, nos quais elas hospedam seu site e são licenciadas para isso. Portanto, mesmo aquelas que oferecem o jogo do tigre em plataformas sediadas no exterior, desde que o país onde essa plataforma esteja sediada tenha autorização, também não há nenhuma irregularidade". No Brasil, o setor de apostas avalia que o jogo do tigrinho se enquadra na categoria de jogos on-line prevista na lei que regulamentou o mercado de apostas, publicada em dezembro de 2023. Essa lei define que os jogos on-line são aqueles em que o resultado é determinado de forma aleatória, a partir de um gerador randômico de números, símbolos, figuras ou objetos – definido por sistema de regras. Para alguns integrantes do setor, é nessa categoria que se enquadram caça-níqueis como o tigrinho. O advogado Luis Felipe Ferrari ressalta, entretanto, que para ser oferecido por plataformas sediadas no Brasil, o jogo precisa cumprir uma série de regras – a lei das bets exige que os jogos passem por um processo de certificação. "O jogo do tigrinho até poderia se enquadrar nessa nova lei, desde que cumprisse com os requisitos previstos na norma, principalmente em relação à integridade de apostas e prevenção à manipulação de resultados, o que hoje não é possível auditar", afirma o advogado. Além disso, as plataformas precisam ter autorização do Ministério da Fazenda para atuar no país. As empresas que tiverem interesse terão até 31 dezembro de 2024 para se adequarem à nova legislação. "A partir de 1º de janeiro de 2025, serão iniciadas as atividades de monitoramento e fiscalização e eventualmente de sanção das empresas que tiverem sido autorizadas. Aquelas que não tiverem uma autorização do Ministério da Fazenda não poderão ofertar serviço em nível nacional", segundo a pasta. Vídeo: como influencers atraem mais vítimas para o jogo do tigrinho Propagandas fraudulentas do "Jogo do Tigrinho" invadem celulares e redes sociais

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Koo fecha e se despede de brasileiros: 'Teremos boas lembranças um do outro'


Rede social indiana que ficou conhecida no Brasil após a compra do X (então Twitter) pelo bilionário Elon Musk disse que seu decidiu encerrar suas operações por conta de 'um ambiente de financiamento ruim'. Rede social Koo anuncia encerramento de operações Reprodução O Koo vai deixar de funcionar. A rede social indiana, que ficou conhecida no Brasil após a compra do X (então Twitter) pelo bilionário Elon Musk, anunciou nesta quarta-feira (3) que vai encerrar suas operações em todo o mundo. A empresa afirmou que seu encerramento aconteceu "devido a um ambiente de financiamento ruim" e agradeceu aos brasileiros: "Nós amamos vocês". "Não se preocupe. Sempre teremos boas lembranças um do outro. Interagir com sua positividade, por mais curta que tenha sido, foi um romance que sempre valorizaremos", disse o Koo, em comunicado. A plataforma foi lançada em 2020, mas chamou a atenção de brasileiros em novembro de 2022. Na época, muitas pessoas buscavam alternativas ao Twitter por entenderem que, sob o comando de Elon Musk, a moderação de conteúdo seria afrouxada. Por ter uma proposta parecida e um trocadilho involuntário em sua marca, o Koo ganhou a simpatia de usuários no Brasil: em uma semana, o aplicativo da rede social foi baixado por 2 milhões de pessoas no país.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Decisão contra a Meta no Brasil não impede inovação em IA, dizem especialistas


Meta, dona do Instagram e do Facebook, disse que decisão contra uso de fotos e textos de usuários para treinar sua inteligência artificial 'é um retrocesso'. Pesquisadores ouvidos pelo g1 afirmaram que argumento já foi usado em outras ocasiões e que não há evidências para a alegação da empresa. Meta Inteligência Artificial Reuters/Dado Ruvic/Illustration/File Photo O argumento usado pela Meta, dona do Instagram e do Facebook, contra a ordem do governo para suspender o uso de dados como fotos e textos para treinar sua inteligência artificial (IA) é questionado por especialistas. Para a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), há "indícios de violação de direitos" na coleta de dados pessoais pela Meta. A Meta reagiu dizendo que a decisão "é um retrocesso para a inovação e a competitividade no desenvolvimento de IA, e atrasa a chegada de benefícios de IA para as pessoas no Brasil" (veja ao final a íntegra do posicionamento). A gerente de Campanhas Globais da organização Digital Action, Bruna Martins Santos, destacou que o posicionamento usado agora pela Meta já foi adotado por gigantes de tecnologia em outras ocasiões. "O argumento de que uma coisa vai barrar a inovação é a carta mais antiga do baralho de políticas de tecnologia no Brasil. A gente ouviu esse argumento quando discutiu o Marco Civil da Internet, quando discutiu a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)". O que diz a Lei Geral de Proteção de Dados? Veja perguntas e respostas Para o codiretor da Data Privacy Brasil, Rafael Zanatta, não há evidências para o argumento da Meta. "Não há estudos, nenhum dado científico que mostre que certos tipos de escolhas de proteção de dados pessoais vão travar o desenvolvimento econômico". "Inclusive, o contraponto é que talvez traga mais segurança jurídica saber a fronteira do que pode e do que não pode, do que ficar essa zona meio cinzenta. Acho que a ANPD, na verdade, ajuda o segmento econômico", disse Zanatta ao g1. Para Bruna, o posicionamento da empresa não contribui para a discussão. "Coloca a Autoridade Nacional de Proteção de Dados como um ator contrário à inovação, o que não é o caso. A atuação da ANPD visa tentar defender direitos fundamentais, como o direito à privacidade e à proteção de dados", afirmou. Por que a prática da Meta está sendo questionada? Usuários enfrentam 'labirinto' Em sua decisão, a ANPD destacou que, para impedir a coleta de seus dados pela IA, o usuário "precisa passar por diversas etapas, chegando à necessidade de clicar em oito opções no caso do aplicativo Facebook". O processo também é chamado de "opt-out", termo em inglês que se refere ao direito de se opor a uma prática. Mas a autoridade entendeu que o caminho criado pela Meta não está de acordo com a LGPD, que exige opções fáceis para usuários tirarem o consentimento sobre um tratamento de dados. Pela política da Meta, mesmo após completar o processo de saída, não há garantia de que o uso dos seus dados pela IA será interrompido. A empresa diz que os pedidos serão analisados de acordo com as leis de proteção de dados relevantes. "Se a sua solicitação for atendida, ela será aplicada a partir do momento que for aceita", diz a companhia, em seu site. Como impedir a Meta de usar suas fotos e postagens para treinar inteligência artificial A LGPD estabelece várias obrigações para empresas após o usuário ter dado seu consentimento ou aceitado os termos de uso. Uma delas é a necessidade de ser transparente com usuários. Segundo Bruna Martins dos Santos, é preciso "informar titulares de dados sobre o direito de retirar o consentimento e sobre como isso pode ser feito". "Links de descadastramento têm que ser colocados em lugares de fácil acesso para que o usuário saiba onde pode exercer esse direito", afirmou. "Qualquer coisa que entre no caminho ou que crie alguma espécie de resistência a esse direito é uma limitação do direito de 'opt-out', é uma limitação dos princípios e deveres que estão colocados na LGPD". Para Rafael Zanatta, o modelo oferecido pela Meta é uma espécie de "labirinto" por conta da dificuldade de chegar à opção. "A ANPD enxergou que existe um obstáculo muito grande para pessoas conseguirem fazer o 'opt-out', para desativar o treinamento de dados para a IA do grupo Meta", afirmou. "Não é razoável instituir oito etapas até a pessoa chegar no processo de saída. A Meta pode, por uma escolha de design, fazer isso em uma ou duas etapas. Não são coisas extremamente custosas", avaliou. Confira a íntegra da nota enviada pela Meta: "Estamos desapontados com a decisão da ANPD. Treinamento de IA não é algo único dos nossos serviços, e somos mais transparentes do que muitos participantes nessa indústria que têm usado conteúdos públicos para treinar seus modelos e produtos. Nossa abordagem cumpre com as leis de privacidade e regulações no Brasil, e continuaremos a trabalhar com a ANPD para endereçar suas dúvidas. Isso é um retrocesso para a inovação e a competividade no desenvolvimento de IA, e atrasa a chegada de benefícios da IA para as pessoas no Brasil". O passo a passo para desativar a coleta de informações no Instagram g1 Meta passa a coletar dados das redes para IA. Saiba passo a passo para desativar

O que é a ANPD, que determinou que Meta pare de usar dados de brasileiros para treinar inteligência artificial


Órgão do governo federal foi criado em 2020 para zelar pela proteção de dados pessoais e fiscalizar as regras definidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Entre os objetivos da Lei Geral de Proteção de Dados está assegurar o direito à privacidade e à transparência no trato dessas informações. Unsplash A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que determinou que a Meta pare de usar dados que brasileiros postam em suas redes sociais para treinar inteligência artificial, foi criada 2020. É o órgão da Presidência da República responsável por zelar pela proteção de dados pessoais e fiscalizar as regras definidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que começou a vigorar naquele ano. A LGPD estabelece quais dados são pessoais ou sensíveis e como essas informações devem ser tratadas e armazenadas por empresas, como as que gerenciam redes sociais, e pelo poder público. São exemplos de dados pessoais: nome, endereço, e-mail, idade, estado civil, CPF e situação patrimonial. As empresas e o poder público têm obrigação de informar aos cidadãos, de forma clara, quais dados são coletados e o que é feito com eles. E os usuários precisam concordar com a prática. ➡️ É por isso que sites, plataformas e aplicativos pedem que você se declare ciente de suas políticas de privacidade (ou termos de uso) quando você se cadastra neles, por exemplo. Nem sempre uma empresa terá que solicitar o seu consentimento. Quando a companhia precisar cumprir uma obrigação legal ou elaborar um contrato, por exemplo. E também existem exceções para fins de segurança pública ou segurança do Estado. Cabe à ANPD fiscalizar se essas regras estão sendo cumpridas. É ela também que precisa ser acionada pelas empresas ou o poder público se ocorrer um vazamento de dados. O caso da Meta No caso da Meta, a ANPD mandou que a empresa pare de usar fotos e textos de perfis brasileiros em suas redes sociais — Facebook e Instagram — para treinar a sua inteligência artificial. Isso porque a autoridade constatou "indícios de violação de direitos" nessa coleta de dados. Como impedir Instagram e Facebook de usarem suas fotos e postagens para treinar a IA A prática, que afeta usuários do mundo todo, não foi anunciada antecipadamente pela Meta. Ela veio à tona no mês passado, depois que a companhia informou na União Europeia e no Reino Unido que a sua política de privacidade passaria a prever a possibilidade de usar dados de usuários para treinar sua IA. Com a repercussão negativa, a empresa voltou atrás e adiou a mudança da política na Europa – mas não fez o mesmo para o Brasil. Como a prática violaria a LGPD Um dia antes de o governo determinar que a Meta suspenda essa coleta de dados, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) anunciou que havia alertado a ANPD, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre os riscos dessa prática. Para o Idec, a forma como a empresa está usando dados viola leis brasileiras porque os usuários não foram avisados de antemão e a opção que permite que eles se oponham à prática é "pouco intuitiva". Meta passa a coletar dados das redes para IA. Saiba passo a passo para desativar A ANPD também apontou que o tratamento dos dados de crianças e adolescentes deveria ser feito de um modo diferente das demais pessoas, como previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. E entendeu que a Meta não pode justificar a utilização dos dados pessoais para treinamento da IA como "legítimo interesse", que é quando a empresa não tem intenção de colocar em risco as informações coletadas. "Essa é uma hipótese legal que não pode ser usada para o tratamento de dados pessoais sensíveis, por exemplo, referentes à origem étnica, racial, vinculação política, dados de saúde, dados de religião, dados de vida sexual, enfim, esses dados não podem ser tratados com base no legítimo interesse do controlador", afirmou Miriam Wimmer, diretora da ANPD. Como a ANPD pode punir "Esta foi a primeira vez que adotamos uma medida efetiva, de natureza cautelar preventiva, justamente em função da existência de indícios de violação de direitos que pode gerar danos de difícil reparação ou irreparáveis", concluiu Wimmer. Se a ANPD considerar que são necessárias sanções, a lei estabelece alguns critérios e limites. A multa só pode chegar a 2% do faturamento da empresa ou no máximo a R$ 50 milhões. Esse dinheiro é destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), que financia projetos que tenham como objetivo reparação de danos ao consumidor, meio ambiente, patrimônio e outros. Ou seja, o dinheiro não é direcionado para as vítimas do descumprimento da lei. Mas, se um cidadão se sentir prejudicado, ele poderá procurar órgãos de defesa do consumidor ou a Justiça para a reparação de danos. Nesses casos, haverá direito à indenização caso fique comprovada uma ligação entre o descumprimento da LGPD e algum prejuízo sofrido. A ANPD também poderá optar por outras medidas, como advertência, bloqueio dos dados ou eliminação das informações.

Secretaria do Consumidor pede à Meta esclarecimentos sobre política de privacidade e defende suspensão do atual modelo

Notificação questiona a legalidade e transparência das práticas da empresa. Mais cedo nesta terça, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que a Meta suspenda, no Brasil, a validade da nova política de privacidade A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) notificou a Meta – big tech responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp – para fornecer esclarecimentos sobre a recente mudança na política de privacidade, que envolve o uso de dados pessoais dos usuários para treinamento de tecnologias de inteligência artificial. A notificação questiona a legalidade e transparência das práticas da empresa e pede suspensão do atual modelo. "Esta secretaria diante dos fatos [...] manifesta-se, diante dos direitos fundamentais à proteção do consumidor, bem como, aos dados e informações pessoais deste, pela suspensão da alteração da política de privacidade do Facebook e Instagram, medida já adotada em decisão da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)", afirmou a Senacon. De acordo com a Senacon, a Meta informou aos usuários da União Europeia e do Reino Unido que, a partir de 26 de junho de 2024, alteraria sua política de privacidade para utilizar dados pessoais públicos coletados no Facebook e Instagram no treinamento de sua nova tecnologia de inteligência artificial. A Senacon questiona, entre outros pontos, a utilização do legítimo interesse como justificativa para o tratamento de dados, a ausência de finalidade específica e o uso de práticas que dificultam o exercício dos direitos dos consumidores. Mais cedo nesta terça, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que a Meta suspenda, no Brasil, a validade da nova política de privacidade da empresa sobre o uso dos dados pessoais dos brasileiros. Os novos termos de uso passaram a permitir que a empresa use dados de publicações abertas de usuários, como fotos e textos, para treinar sistemas de inteligência artificial (IA) generativa. ⚠️ Por que isso importa? Porque o conteúdo que milhões de pessoas postam no Instagram e no Facebook está servindo para treinar inteligência artificial sem a empresa oferecer contrapartidas, nem informações detalhadas sobre onde a ferramenta poderá ser usada. O que diz a Meta Em nota, a Meta disse estar "desapontada" com a decisão da autoridade nacional e defendeu que a abordagem da empresa para a inteligência artificial está de acordo com a legislação brasileira. "Treinamento de IA não é algo único dos nossos serviços, e somos mais transparentes do que muitos participantes nessa indústria que têm usado conteúdos públicos para treinar seus modelos e produtos," diz o comunicado.

ANPD viu 'indícios de violação de direitos' em coleta de dados pela empresa Meta, diz diretora


Segundo Miriam Wimmer, da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, violações podem gerar 'danos irreparáveis'. Nesta terça, órgão mandou big tech responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp suspender, no Brasil, uso de dados de usuários para treinar IA. Miriam Wimmer, diretora da Autoridade Nacional de Proteção de Dados Jane de Araújo/Agência Senado A diretora da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Miriam Wimmer, afirmou nesta terça-feira (2) que foram constatados "indícios de violação de direitos" por parte da Meta – big tech responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp – na coleta de dados de usuários das plataformas. Mais cedo, nesta terça, a ANPD determinou que a Meta suspenda, no Brasil, a validade da nova política de privacidade da empresa sobre a utilização dos dados pessoais de usuários. Os termos de uso passaram a permitir que a empresa utilize dados de publicações abertas de usuários, como fotos e textos, para treinar sistemas de inteligência artificial (IA) generativa. "Esta foi a primeira vez que adotamos uma medida efetiva, de natureza cautelar preventiva, justamente em função da existência de indícios de violação de direitos que pode gerar danos de difícil reparação ou irreparáveis", afirmou a diretora da ANPD. A decisão do órgão vale imediatamente e a Meta terá até cinco dias úteis para alterar as políticas de privacidade que foram atualizadas em junho. A empresa ainda tem dez corridos para apresentar um recurso contra a decisão. ⚠️ Por que isso importa? Porque o conteúdo que milhões de pessoas postam no Instagram e no Facebook está servindo para treinar inteligência artificial sem a empresa oferecer contrapartidas, nem informações detalhadas sobre onde a ferramenta poderá ser usada. A prática foi alvo de questionamento na Europa e, no Brasil, pelo Instituto de Defesa de Consumidores (Idec). Wimmer disse ainda que a ideia da decisão da ANPD não é contrária à "inovação", mas sim a favor do cumprimento de "direitos fundamentais" dos cidadãos brasileiros. "É importante ressaltar que, no ordenamento jurídico brasileiro, a gente quer sim a inovação, o desenvolvimento tecnológico, mas não é a qualquer custo", disse. O que estaria sendo descumprido? Meta vai ter que se explicar sobre uso de dados de brasileiros para treinar inteligência artificial De acordo com a diretora da ANPD, a Meta descumpriu três itens da legislação brasileira a respeito do uso de dados pessoais. O primeiro é um descumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), ao justificar que a utilização dos dados pessoais para treinamento da inteligência artificial estava sendo usada a partir da hipótese do "legítimo interesse", quando a empresa não tem intenção de colocar em risco as informações coletadas. "Essa é uma hipótese legal que não pode ser usada para o tratamento de dados pessoais sensíveis, por exemplo, referentes à origem étnica, racial, vinculação política, dados de saúde, dados de religião, dados de vida sexual, enfim, esses dados não podem ser tratados com base no legítimo interesse do controlador", afirmou Wimmer. Outro apontamento da agência foi a respeito da dificuldade de acesso para quem quiser restringir o uso dos próprios dados pela Meta. "Não é uma informação facilmente encontrada, nem para especialistas, nem por um público especializado e muito menos pelo cidadão comum, que em primeiro lugar, não foi adequadamente cientificado desse tratamento", disse. Por fim, um ponto sensível apontado pela agência se deve ao tratamento uniforme dos dados de crianças e adolescentes, que deveria ser feito de um modo diferente das demais pessoas, como previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. "No caso de criança adolescente, os cuidados têm que ser redobrados, especialmente quando a organização resolve usar o legítimo interesse. Caso essa hipótese fosse plausível, seria preciso observar que deve prevalecer o melhor interesse da criança adolescente. Então nessa análise preliminar, não verificou a existência da salvaguardas que serão necessárias para tratar os dados pessoais desse tipo de público", concluiu Wimmer.

Portaria que regulamenta jogos on-line deve ser publicada neste mês, diz Ministério da Fazenda


Segundo a pasta, jogos deverão ser submetidos a uma certificação, realizada por entidades habilitadas, que atestarão se foram seguidos todos os critérios legais. O Ministério da Fazenda (MF) informou que deve publicar, neste mês, a portaria que vai regulamentar os jogos online. Nela, devem estar definidos os critérios técnicos e jurídicos para as modalidades serem reconhecidas como legais. E, a partir daí, serem oferecidos por operadoras sediadas no Brasil (entenda mais abaixo). 🎰 Até o momento, a lei 14.790/2023 – que regulamentou as apostas esportivas (conhecidas como bets) – define que os jogos online são aqueles em que o resultado é determinado de forma aleatória, a partir de um gerador randômico de números, símbolos, figuras ou objetos – definido por sistema de regras. Essa lei, no entanto, gerou um debate no mundo jurídico. Isso porque, para alguns integrantes do setor de apostas e especialistas, além de liberarem as bets, autoriza a oferta de jogos de caça-níqueis online, conhecidos como slot games. O mais popular, hoje, é o Fortune Tiger (ou jogo do tigrinho). A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), por exemplo, afirma que o "Fortune Tiger consiste em um jogo de chance, na modalidade de quota fixa [em que o apostador sabe o quanto pode ganhar de acordo com o valor apostado], e não um jogo de azar, proibido pela Lei de Contravenções Penais". Fábio Jantalia, advogado especialista em apostas e jogos, também diz que, além do jogo do tigrinho se enquadrar perfeitamente no conceito de quota fixa, o apostador, ao jogar, tem de antemão as regras. "Sobre esse aspecto, o jogo do tigre é perfeitamente enquadravel no disposto na Lei 14.790 e, portanto, poderá ser regularmente oferecido no Brasil, desde que haja um pedido de autorização para a oferta aqui no Brasil", afirma o especialista. Segundo o Ministério da Fazenda, no entanto, até o momento, não é possível dizer se o jogo do tigrinho cumpre os critérios necessários para ser oferecido por empresas sediadas no Brasil. Reprodução do jogo do tigrinho Reprodução 🐯 Com a nova portaria, o jogo do tigrinho será autorizado? Segundo o Ministério da Fazenda, a portaria deve garantir que os jogos cumpram algumas exigências para serem reconhecidos. Tanto que terão de ser submetidos a uma certificação por empresas habilitadas pela pasta. Até hoje, quatro certificadoras foram homologadas: Gaming Associates Europe Ltd, BMM Spain Testlabs, eCogra Limited e Gaming Laboratories International LLC. ❌ E os jogos que não passarem por essa certificação não poderão ser considerados legais. "(Além disso), para os jogos serem considerados legais, deverão ser ofertados por operadores de apostas que tiverem uma autorização", diz a pasta. Os sites autorizados terão endereços terminados em bet.br. Segundo o ministério, até o momento, apenas uma plataforma pediu autorização para operar no Brasil – a Kaizen, dona da marca Betano. As empresas que tiverem interesse em oferecer esses jogos terão até 31 dezembro de 2024 para se adequarem à nova legislação. "A partir de 1º de janeiro de 2025, serão iniciadas as atividades de monitoramento e fiscalização e eventualmente de sanção das empresas que tiverem sido autorizadas. Aquelas que não tiverem uma autorização do Ministério da Fazenda não poderão ofertar serviço em nível nacional." O g1 questionou o ministério se com as novas regras o jogo do tigrinho será proibido ou não, mas até a publicação desta reportagem não teve retorno. LEIA MAIS: Ansiedade e promessa de lucro fácil levam apostadores a caça-níqueis online na madrugada Como o 'Jogo do Tigrinho' colocou influenciadores de AL na mira da polícia 'Jogo do tigrinho' e outros cassinos online contratam influenciadores mirins e direcionam propaganda para crianças no Instagram

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...