sexta-feira, 5 de julho de 2024

Por que o WhatsApp deixa de funcionar em celulares antigos


Meta, dona do app, revisa anualmente os sistemas operacionais que suportam o serviço, mas não divulga a lista dos aparelhos onde ele deixará de funcionar. Veja como saber se o seu celular pode perder o suporte. Saiba por que o WhatsApp deixa de funcionar em celulares antigos AP Photo/Patrick Sison Todo ano, o WhatsApp faz uma revisão dos sistemas operacionais (softwares) que serão compatíveis com o seu serviço e informa os novos requisitos de operação. Consequentemente, essa medida faz com que alguns aparelhos antigos deixem de ter o app de mensagens funcionando. Isso porque a Meta, dona do WhatsApp, prioriza uma lista de versões mais recentes de sistemas operacionais e que tenham mais usuários. Embora possa ser assustador, esse é um procedimento normal e empresa diz que a suspensão do suporte para o app não acontece "do nada", mas que informa o usuário antes de ele perder o acesso total ao aplicativo. Mas a Meta não divulga uma lista oficial dos aparelhos que deixarão de suportar o app de mensagens. O que ela informa é com quais sistemas ele é compatível. O Google, criador do sistema Android, o mais popular no mundo, e a Apple, responsável pelo iOS, que roda nos iPhones, costumam lançar uma nova versão todo ano, que é disponibilizada para modelos mais recentes. E mantêm, por algum tempo, versões anteriores, que atendem a aparelhos que não são tão novos. Atualmente, o WhatsApp é compatível com os sistemas: Android versão 5.0 e posterior iOS versão 12 e posterior KaiOS 2.5.0 e posterior ➡️➡️➡️ Conheça o sistema KaiOS Como verificar o sistema operacional do seu celular 🤖 No Android, siga este passo a passo: Clique no ícone de "Configurações" do celular; Em seguida, toque em "Sobre o dispositivo" e, depois, "Versão do Android"; Por fim, verifique a "Versão do Android". 🍎 No iPhone (iOS), siga este passo a passo: Toque no ícone "Ajustes"; Depois, clique em "Geral" e "Atualização de Software"; Em seguida, verifique a última versão instalada. Por que celulares antigos perdem suporte? O WhatsApp deixa de oferecer suporte para softwares mais antigos e com menos usuários porque, segundo a Meta, eles podem não abranger as atualizações de segurança mais recentes do aplicativo ou não incluir funcionalidades necessárias para operar o WhatsApp. Celular antigo ou com defeito? Saiba se é hora de trocar de aparelho No caso dos iPhones, o WhatsApp terá suporte em aparelhos que estão, pelo menos, na versão 12 do iOS, que não é a mais nova (a mais recente, atualmente, é a iOS 17.5.1, que ficou disponível em maio deste ano para iPhone XS e posteriores). O iOS 12 é compatível com celulares da Apple entre o iPhone 5s e o iPhone XR. Assim, o WhatsApp é compatível com os modelos neste grupo e todos os outros lançados pela marca desde então. Como saberei quando meu celular não for mais compatível? A lista de versões de sistemas operacionais que são compatíveis com o WhatsApp é mantida na Central de Ajuda do app e atualizada anualmente. A Meta diz ainda que, antes de deixar de oferecer suporte para um sistema operacional, exibirá uma notificação no WhatsApp. "Também exibiremos alguns lembretes solicitando que você atualize o sistema", informa o app. LEIA TAMBÉM: WhatsApp de cara nova, novidade nos canais e mais recursos lançados em 2024 Governo manda Meta suspender uso de dados de usuários para treinar IA Como excluir sua conta do WhatsApp Celular perdido? Veja como localizar iPhone e Android pelo computador ou por app

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Por que o Japão só vai parar de usar disquetes em 2024


Até o mês passado, as pessoas ainda eram solicitadas a enviar documentos ao governo usando estes dispositivos de armazenamento ultrapassados. Os disquetes saíram de moda na década de 1990, à medida que soluções de armazenamento mais eficientes foram criadas Getty Images via BBC Demorou, mas o Japão finalmente disse adeus aos disquetes. Até o mês passado, ainda se exigia que pessoas enviassem documentos ao governo usando dispositivos de armazenamento ultrapassados, com mais de mil regulamentações exigindo seu uso. Mas estas regras foram finalmente eliminadas, segundo o ministro de Assuntos Digitais, Taro Kono. Em 2021, Kono "declarou guerra" aos disquetes. E, na quarta-feira (3/7), quase três anos depois, ele anunciou: "Vencemos a guerra contra os disquetes!" Kano estabeleceu como meta eliminar a tecnologia obsoleta desde que foi nomeado para o cargo. Ele também havia dito anteriormente que iria "se livrar do aparelho de fax". Outrora visto como uma potência tecnológica, o Japão ficou para trás na onda global de transformação digital dos últimos anos, devido a uma profunda resistência à mudança. Por exemplo, os locais de trabalho continuaram favorecendo os aparelhos de fax em vez dos e-mails — planos anteriores para remover estes aparelhos dos escritórios públicos foram cancelados devido à resistência. O anúncio foi amplamente discutido nas redes sociais japonesas — um usuário do X (antigo Twitter) chamou os disquetes de "símbolo de uma gestão anacrônica". "O governo ainda usa disquetes? Isso é tão ultrapassado... Acho que está cheio de pessoas idosas", dizia outro comentário no X. Outras postagens foram mais nostálgicas. "Me pergunto se os disquetes vão começar a aparecer em sites de leilão", escreveu um usuário. Criados na década de 1960, os dispositivos quadrados saíram de moda na década de 1990, à medida que soluções de armazenamento mais eficientes foram criadas. Um disquete de 3,5 polegadas (3 ½) é capaz de armazenar até 1,44 MB de dados. Seriam necessário mais de 22 mil destes discos para replicar um pendrive que armazena 32 GB de informação. A Sony, última fabricante de disquetes, encerrou sua produção em 2011. Visto como potência tecnológica, Japão tem ficado para trás em algumas áreas por conta da resistência à mudança Getty Images via BBC Como parte da campanha tardia para digitalizar sua burocracia, o Japão lançou uma Agência Digital em setembro de 2021, liderada por Kono. Mas as tentativas do Japão para se tornar digital podem não ser tão simples na prática. Muitas empresas japonesas ainda exigem que os documentos oficiais sejam endossados ​​com carimbos que equivalem a uma assinatura oficial, chamados hanko, apesar dos esforços do governo para eliminá-los gradualmente. As pessoas estão desapegando destes carimbos muito lentamente, segundo o jornal local The Japan Times. E só em 2019 que o último fornecedor de pager do país fechou seu negócio. O último assinante privado do serviço explicou que era o método de comunicação preferido da mãe idosa.

Como receber alerta se a busca do Google mostrar seus dados, como endereço, telefone e e-mail


Chamada de "Privacidade nos resultados sobre você", a ferramenta monitora se informações pessoais estão sendo exibidas no buscador e permite solicitar que elas sejam removidas da pesquisa. Alerta do Google sobre resultados com seus dados pessoais Divulgação/Google Você sabia que seus dados pessoais podem estar disponíveis para qualquer pessoa que acessar o Google? São dados como endereço, telefones e até número de documentos. Pensando nisso, a empresa liberou para o Brasil uma ferramenta que alerta caso suas informações pessoais sejam exibidas em buscas (veja como ativar o recurso abaixo). Batizada de "Privacidade nos resultados sobre você", a opção permite registrar dados que você deseja monitorar. Depois, o Google informa se algum deles caiu na busca e oferece espaço para você solicitar a remoção. Para usar o recurso, é preciso informar nome, endereço, telefone ou e-mail, que, inicialmente, são os dados que o Google vai monitorar. A empresa disse que, ainda este ano, passará a suportar documentos como CPF, carteira de habilitação e passaporte. ➡️ A novidade não é capaz de excluir dados pessoais que aparecem em outros sites, mas ajuda a limitar o acesso a eles, já que a busca funciona como uma importante vitrine para a internet. Essa ferramenta já tinha sido lançada em 2022, mas só foi anunciada para o país no começo deste mês. A novidade foi apresentada no Google For Brasil 2024, evento com lançamentos para o mercado brasileiro. Ela se parece com o formulário para pedir remoção de dados da pesquisa, mas atua de forma proativa. Abaixo, confira o passo a passo para ativar o modo privacidade nos resultados sobre você. Como ativar alerta sobre dados pessoais no Google O recurso está disponível em goo.gle/resultsaboutyou. Também é possível acessá-lo ao clicar em sua foto no app do Google e selecionar "Privacidade nos resultados sobre você" ou ao clicar nos três pontos ao lado de um resultado da busca. Depois, siga os passos abaixo: No primeiro acesso, clique em "Começar agora" e confirme que deseja prosseguir; Adicione seus dados de contato, como nome, endereço, telefone e e-mail (é possível incluir mais de um dado em cada categoria), e selecione "Continuar"; Escolha onde você deseja receber o alerta caso as informações apareçam na busca – e-mail ou notificação no app; Clique em "Salvar" e, depois, em "Terminei". Em seguida, o Google começará a procurar resultados que correspondam a seus dados pessoais, o que pode levar algumas horas. Ao final do processo, a empresa enviará uma notificação, mas também mostrará o que encontrou na seção "Resultados para analisar" da página. A lista mostrará o título e a fonte de cada resultado, e permitirá que você peça para remover algo ao clicar nos três pontos ao lado do resultado e, então em "Remover". O conteúdo será removido se atender aos critérios do Google. A empresa retira, por exemplo, informações de identificação pessoal e outros tipos de dados caso eles sejam compartilhados de forma mal-intencionada. LEIA TAMBÉM: Como apagar histórico no Chrome e em outros serviços do Google Os 12 filhos de Elon Musk 'Jogo do tigrinho' contrata influenciadores mirins e direcionam anúncios para crianças Celular perdido? Veja como localizar iPhone e Android pelo computador ou por app Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual Saiba se está sendo vigiado: veja sinais um celular infectado com aplicativo espião

Lives de jogo do tigrinho surgem em canais de YouTube sobre culinária e jogos infantis


Transmissões, na verdade, são vídeos que se repetem por horas e prometem lucro alto. Diretrizes do YouTube proíbem mensagens do tipo. Alguns dos responsáveis dizem que tiveram as contas invadidas. Lives com dezenas de horas de duração sobre o Fortune Tiger (ou jogo do tigrinho), um dos mais famosos caça-níqueis online, têm surgido diariamente em canais populares de YouTube sem qualquer relação com o assunto – como culinária, música e jogos infantis. Em vez de transmissões ao vivo, essas lives são, na verdade, repetições por horas a fio de um mesmo conteúdo gravado. O conteúdo é sempre o mesmo: um apresentador diz ter encontrado uma falha que permite ganhar muito dinheiro em supostas novas versões do Fortune Tiger, nome oficial do jogo do tigrinho. Em um dos casos, o apresentador diz que lucrou o equivalente a 8 salários em meia hora. O g1 analisou oito lives assim, postadas em sete canais diferentes, que têm entre 1 milhão e 7,2 milhões de seguidores. Sete lives ficaram inacessíveis após a reportagem entrar em contato com os donos dos canais e uma foi removida pelo YouTube por violar as diretrizes da plataforma. Advogados e especialistas do setor de aposta apontam ilegalidade de lives que promovem apostas como fonte de renda e falsas estratégias para garantir ganho de dinheiro. "Jogo é entretenimento e não fonte de renda extra. O jogo regulamentado é randômico e auditável e não há como prever o resultado futuro, a oferta de estratégias que apresentem essa possibilidade são enganosas" diz a advogada Ana Gatti, diretora de operações da Associação Brasileira dos Bingos Cassinos e Similares (Abrabincs). As regras do YouTube proíbem vídeos que façam promessas exageradas, como afirmar que os espectadores podem enriquecer rapidamente. Os responsáveis por 2 dos 7 canais (@familiasantana e @leomedeiros) disseram à reportagem que tiveram as contas invadidas e negaram relação com as lives. Os responsáveis pelos canais @SrPedroCanal (jogos infantis), @McArcoIris (conteúdo para adolescentes), @DandoTrela (humor) e @pedrobennington (humor) não responderam até a publicação desta reportagem. O g1 não conseguiu encontrar contato do responsável pelo canal @GahMarinax. Veja como são as lives falsas do jogo do tigrinho Arte g1 80 comentários iguais de 22 contas diferentes Enquanto as transmissões ocorrem, usuários diferentes postam links para sites de apostas e fazem comentários repetitivos com elogios a essas plataformas. Em um dos vídeos, ao longo de 25 minutos, a mensagem "muito boa essa plataforma" apareceu 80 vezes, postada por 22 contas diferentes. Em outra, o mesmo comentário ("muito boa essa plataforma") aparece 49 vezes, postado por 19 perfis diferentes num intervalo de 13 minutos. Essa repetição indica que comentários postados nas lives são automatizados, segundo o especialista de segurança digital Thiago Ayub. A prática de inflar artificialmente comentários para aumentar o engajamento também é proibida pelo YouTube. Lives promovem links para sites no exterior Além de elogios, nos comentários são postados links de sites de apostas que estão em português, mas são sediados no exterior. Os sites mmabet.com e go.aff.apostatudo.bet dizem ter autorização do governo de Curaçao para operar – naquele país, os caça-níqueis online são liberados. O g1 entrou em contato com ambos para saber se têm conhecimento das lives falsas, mas não obteve retorno. O g1 não conseguiu contato com o grandebetpix.com, que não informa de onde é. Segundo o advogado Fábio Jantalia, especialista em jogos e apostas, empresas sediadas no exterior podem oferecer o jogo do tigrinho para jogadores brasileiros, desde que tenham autorizações dos países em que estão sediadas. "Atualmente, ele é explorado a partir de outros países, em BETs que têm sede em outros países, nos quais elas hospedam seu site e são licenciadas para isso. Portanto, mesmo aquelas que oferecem o jogo do tigre em plataformas sediadas no exterior, desde que o país onde essa plataforma esteja sediada tenha autorização, também não há nenhuma irregularidade". No Brasil, o setor de apostas avalia que o jogo do tigrinho se enquadra na categoria de jogos on-line prevista na lei que regulamentou o mercado de apostas, publicada em dezembro de 2023. Essa lei define que os jogos on-line são aqueles em que o resultado é determinado de forma aleatória, a partir de um gerador randômico de números, símbolos, figuras ou objetos – definido por sistema de regras. Para alguns integrantes do setor, é nessa categoria que se enquadram caça-níqueis como o tigrinho. O advogado Luis Felipe Ferrari ressalta, entretanto, que para ser oferecido por plataformas sediadas no Brasil, o jogo precisa cumprir uma série de regras – a lei das bets exige que os jogos passem por um processo de certificação. "O jogo do tigrinho até poderia se enquadrar nessa nova lei, desde que cumprisse com os requisitos previstos na norma, principalmente em relação à integridade de apostas e prevenção à manipulação de resultados, o que hoje não é possível auditar", afirma o advogado. Além disso, as plataformas precisam ter autorização do Ministério da Fazenda para atuar no país. As empresas que tiverem interesse terão até 31 dezembro de 2024 para se adequarem à nova legislação. "A partir de 1º de janeiro de 2025, serão iniciadas as atividades de monitoramento e fiscalização e eventualmente de sanção das empresas que tiverem sido autorizadas. Aquelas que não tiverem uma autorização do Ministério da Fazenda não poderão ofertar serviço em nível nacional", segundo a pasta. Vídeo: como influencers atraem mais vítimas para o jogo do tigrinho Propagandas fraudulentas do "Jogo do Tigrinho" invadem celulares e redes sociais

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Koo fecha e se despede de brasileiros: 'Teremos boas lembranças um do outro'


Rede social indiana que ficou conhecida no Brasil após a compra do X (então Twitter) pelo bilionário Elon Musk disse que seu decidiu encerrar suas operações por conta de 'um ambiente de financiamento ruim'. Rede social Koo anuncia encerramento de operações Reprodução O Koo vai deixar de funcionar. A rede social indiana, que ficou conhecida no Brasil após a compra do X (então Twitter) pelo bilionário Elon Musk, anunciou nesta quarta-feira (3) que vai encerrar suas operações em todo o mundo. A empresa afirmou que seu encerramento aconteceu "devido a um ambiente de financiamento ruim" e agradeceu aos brasileiros: "Nós amamos vocês". "Não se preocupe. Sempre teremos boas lembranças um do outro. Interagir com sua positividade, por mais curta que tenha sido, foi um romance que sempre valorizaremos", disse o Koo, em comunicado. A plataforma foi lançada em 2020, mas chamou a atenção de brasileiros em novembro de 2022. Na época, muitas pessoas buscavam alternativas ao Twitter por entenderem que, sob o comando de Elon Musk, a moderação de conteúdo seria afrouxada. Por ter uma proposta parecida e um trocadilho involuntário em sua marca, o Koo ganhou a simpatia de usuários no Brasil: em uma semana, o aplicativo da rede social foi baixado por 2 milhões de pessoas no país.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Decisão contra a Meta no Brasil não impede inovação em IA, dizem especialistas


Meta, dona do Instagram e do Facebook, disse que decisão contra uso de fotos e textos de usuários para treinar sua inteligência artificial 'é um retrocesso'. Pesquisadores ouvidos pelo g1 afirmaram que argumento já foi usado em outras ocasiões e que não há evidências para a alegação da empresa. Meta Inteligência Artificial Reuters/Dado Ruvic/Illustration/File Photo O argumento usado pela Meta, dona do Instagram e do Facebook, contra a ordem do governo para suspender o uso de dados como fotos e textos para treinar sua inteligência artificial (IA) é questionado por especialistas. Para a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), há "indícios de violação de direitos" na coleta de dados pessoais pela Meta. A Meta reagiu dizendo que a decisão "é um retrocesso para a inovação e a competitividade no desenvolvimento de IA, e atrasa a chegada de benefícios de IA para as pessoas no Brasil" (veja ao final a íntegra do posicionamento). A gerente de Campanhas Globais da organização Digital Action, Bruna Martins Santos, destacou que o posicionamento usado agora pela Meta já foi adotado por gigantes de tecnologia em outras ocasiões. "O argumento de que uma coisa vai barrar a inovação é a carta mais antiga do baralho de políticas de tecnologia no Brasil. A gente ouviu esse argumento quando discutiu o Marco Civil da Internet, quando discutiu a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)". O que diz a Lei Geral de Proteção de Dados? Veja perguntas e respostas Para o codiretor da Data Privacy Brasil, Rafael Zanatta, não há evidências para o argumento da Meta. "Não há estudos, nenhum dado científico que mostre que certos tipos de escolhas de proteção de dados pessoais vão travar o desenvolvimento econômico". "Inclusive, o contraponto é que talvez traga mais segurança jurídica saber a fronteira do que pode e do que não pode, do que ficar essa zona meio cinzenta. Acho que a ANPD, na verdade, ajuda o segmento econômico", disse Zanatta ao g1. Para Bruna, o posicionamento da empresa não contribui para a discussão. "Coloca a Autoridade Nacional de Proteção de Dados como um ator contrário à inovação, o que não é o caso. A atuação da ANPD visa tentar defender direitos fundamentais, como o direito à privacidade e à proteção de dados", afirmou. Por que a prática da Meta está sendo questionada? Usuários enfrentam 'labirinto' Em sua decisão, a ANPD destacou que, para impedir a coleta de seus dados pela IA, o usuário "precisa passar por diversas etapas, chegando à necessidade de clicar em oito opções no caso do aplicativo Facebook". O processo também é chamado de "opt-out", termo em inglês que se refere ao direito de se opor a uma prática. Mas a autoridade entendeu que o caminho criado pela Meta não está de acordo com a LGPD, que exige opções fáceis para usuários tirarem o consentimento sobre um tratamento de dados. Pela política da Meta, mesmo após completar o processo de saída, não há garantia de que o uso dos seus dados pela IA será interrompido. A empresa diz que os pedidos serão analisados de acordo com as leis de proteção de dados relevantes. "Se a sua solicitação for atendida, ela será aplicada a partir do momento que for aceita", diz a companhia, em seu site. Como impedir a Meta de usar suas fotos e postagens para treinar inteligência artificial A LGPD estabelece várias obrigações para empresas após o usuário ter dado seu consentimento ou aceitado os termos de uso. Uma delas é a necessidade de ser transparente com usuários. Segundo Bruna Martins dos Santos, é preciso "informar titulares de dados sobre o direito de retirar o consentimento e sobre como isso pode ser feito". "Links de descadastramento têm que ser colocados em lugares de fácil acesso para que o usuário saiba onde pode exercer esse direito", afirmou. "Qualquer coisa que entre no caminho ou que crie alguma espécie de resistência a esse direito é uma limitação do direito de 'opt-out', é uma limitação dos princípios e deveres que estão colocados na LGPD". Para Rafael Zanatta, o modelo oferecido pela Meta é uma espécie de "labirinto" por conta da dificuldade de chegar à opção. "A ANPD enxergou que existe um obstáculo muito grande para pessoas conseguirem fazer o 'opt-out', para desativar o treinamento de dados para a IA do grupo Meta", afirmou. "Não é razoável instituir oito etapas até a pessoa chegar no processo de saída. A Meta pode, por uma escolha de design, fazer isso em uma ou duas etapas. Não são coisas extremamente custosas", avaliou. Confira a íntegra da nota enviada pela Meta: "Estamos desapontados com a decisão da ANPD. Treinamento de IA não é algo único dos nossos serviços, e somos mais transparentes do que muitos participantes nessa indústria que têm usado conteúdos públicos para treinar seus modelos e produtos. Nossa abordagem cumpre com as leis de privacidade e regulações no Brasil, e continuaremos a trabalhar com a ANPD para endereçar suas dúvidas. Isso é um retrocesso para a inovação e a competividade no desenvolvimento de IA, e atrasa a chegada de benefícios da IA para as pessoas no Brasil". O passo a passo para desativar a coleta de informações no Instagram g1 Meta passa a coletar dados das redes para IA. Saiba passo a passo para desativar

O que é a ANPD, que determinou que Meta pare de usar dados de brasileiros para treinar inteligência artificial


Órgão do governo federal foi criado em 2020 para zelar pela proteção de dados pessoais e fiscalizar as regras definidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Entre os objetivos da Lei Geral de Proteção de Dados está assegurar o direito à privacidade e à transparência no trato dessas informações. Unsplash A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que determinou que a Meta pare de usar dados que brasileiros postam em suas redes sociais para treinar inteligência artificial, foi criada 2020. É o órgão da Presidência da República responsável por zelar pela proteção de dados pessoais e fiscalizar as regras definidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que começou a vigorar naquele ano. A LGPD estabelece quais dados são pessoais ou sensíveis e como essas informações devem ser tratadas e armazenadas por empresas, como as que gerenciam redes sociais, e pelo poder público. São exemplos de dados pessoais: nome, endereço, e-mail, idade, estado civil, CPF e situação patrimonial. As empresas e o poder público têm obrigação de informar aos cidadãos, de forma clara, quais dados são coletados e o que é feito com eles. E os usuários precisam concordar com a prática. ➡️ É por isso que sites, plataformas e aplicativos pedem que você se declare ciente de suas políticas de privacidade (ou termos de uso) quando você se cadastra neles, por exemplo. Nem sempre uma empresa terá que solicitar o seu consentimento. Quando a companhia precisar cumprir uma obrigação legal ou elaborar um contrato, por exemplo. E também existem exceções para fins de segurança pública ou segurança do Estado. Cabe à ANPD fiscalizar se essas regras estão sendo cumpridas. É ela também que precisa ser acionada pelas empresas ou o poder público se ocorrer um vazamento de dados. O caso da Meta No caso da Meta, a ANPD mandou que a empresa pare de usar fotos e textos de perfis brasileiros em suas redes sociais — Facebook e Instagram — para treinar a sua inteligência artificial. Isso porque a autoridade constatou "indícios de violação de direitos" nessa coleta de dados. Como impedir Instagram e Facebook de usarem suas fotos e postagens para treinar a IA A prática, que afeta usuários do mundo todo, não foi anunciada antecipadamente pela Meta. Ela veio à tona no mês passado, depois que a companhia informou na União Europeia e no Reino Unido que a sua política de privacidade passaria a prever a possibilidade de usar dados de usuários para treinar sua IA. Com a repercussão negativa, a empresa voltou atrás e adiou a mudança da política na Europa – mas não fez o mesmo para o Brasil. Como a prática violaria a LGPD Um dia antes de o governo determinar que a Meta suspenda essa coleta de dados, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) anunciou que havia alertado a ANPD, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre os riscos dessa prática. Para o Idec, a forma como a empresa está usando dados viola leis brasileiras porque os usuários não foram avisados de antemão e a opção que permite que eles se oponham à prática é "pouco intuitiva". Meta passa a coletar dados das redes para IA. Saiba passo a passo para desativar A ANPD também apontou que o tratamento dos dados de crianças e adolescentes deveria ser feito de um modo diferente das demais pessoas, como previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. E entendeu que a Meta não pode justificar a utilização dos dados pessoais para treinamento da IA como "legítimo interesse", que é quando a empresa não tem intenção de colocar em risco as informações coletadas. "Essa é uma hipótese legal que não pode ser usada para o tratamento de dados pessoais sensíveis, por exemplo, referentes à origem étnica, racial, vinculação política, dados de saúde, dados de religião, dados de vida sexual, enfim, esses dados não podem ser tratados com base no legítimo interesse do controlador", afirmou Miriam Wimmer, diretora da ANPD. Como a ANPD pode punir "Esta foi a primeira vez que adotamos uma medida efetiva, de natureza cautelar preventiva, justamente em função da existência de indícios de violação de direitos que pode gerar danos de difícil reparação ou irreparáveis", concluiu Wimmer. Se a ANPD considerar que são necessárias sanções, a lei estabelece alguns critérios e limites. A multa só pode chegar a 2% do faturamento da empresa ou no máximo a R$ 50 milhões. Esse dinheiro é destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), que financia projetos que tenham como objetivo reparação de danos ao consumidor, meio ambiente, patrimônio e outros. Ou seja, o dinheiro não é direcionado para as vítimas do descumprimento da lei. Mas, se um cidadão se sentir prejudicado, ele poderá procurar órgãos de defesa do consumidor ou a Justiça para a reparação de danos. Nesses casos, haverá direito à indenização caso fique comprovada uma ligação entre o descumprimento da LGPD e algum prejuízo sofrido. A ANPD também poderá optar por outras medidas, como advertência, bloqueio dos dados ou eliminação das informações.

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...