segunda-feira, 8 de julho de 2024

O aplicativo é confiável? Como saber se um programa para Android ou iPhone é seguro


Lojas de aplicativos tem várias camadas de segurança, mas suas barreiras podem deixar alguns escaparem. Para diminuir riscos de baixar ferramentas maliciosas, é possível verificar algumas informações na Play Store e na App Store. Play Store, loja de aplicativos do Google Reprodução Aplicativos baixados de fontes suspeitas podem trazer vírus para o celular e ter acesso indevido às suas informações. Para diminuir riscos com programas mal-intencionados, a dica é priorizar lojas como a Play Store, do Google, e a App Store, da Apple (veja outras recomendações abaixo). No iPhone, o risco é um pouco menor, já que a Apple limita os downloads à sua loja. Já no Android, há várias formas de baixar um aplicativo, o que oferece mais opções aos usuários, mas diminui o controle sobre o que é oferecido a eles. Para oferecer mais segurança, o Google começou a testar no Brasil uma ferramenta que impede a instalação de apps que foram baixados de fontes não confiáveis (navegadores, aplicativos de mensagens e gerenciadores de arquivos) e que pedem permissões muito excessivas. O diretor de Estratégia de Segurança de Android, Eugene Liberman, afirmou que "esses aplicativos tentam solicitar permissões confidenciais comumente exploradas para fraudes financeiras". "São quatro permissões frequentemente abusadas por golpistas para, por exemplo, interceptar senhas de uso único enviadas por SMS ou notificações e monitorar o conteúdo da tela", disse Liderman, ao g1. Para aplicar golpes, criadores desses programas tentam convencer o usuário a conceder permissões sensíveis. "Nossos dados mostram que 95% desses ataques acontece por meio de aplicativos baixados por fontes não oficiais", afirmou. Ainda que Google Play Store e App Store sejam confiáveis, é importante se atentar ao que está sendo baixado. As páginas dos aplicativos nessas lojas apresentam algumas informações que podem indicar se a ferramenta é legítima ou não. Confira abaixo. Como identificar um aplicativo falso? 1) Verifique o desenvolvedor do aplicativo Na Play Store e na App Store, a informação sobre o desenvolvedor aparece logo abaixo do nome do aplicativo. Em geral, esse espaço informa qual é a empresa responsável pelo serviço, como o banco que administra um app para acessar a conta corrente. Se o nome desenvolvedor não tiver relação com a marca do aplicativo, é possível desconfiar que se trata de um aplicativo falso. Vale lembrar que, em alguns casos, o nome da empresa de informática que desenvolveu o aplicativo é exibido no lugar da empresa. Como receber alerta se a busca do Google mostrar seus dados Veja onde conferir o desenvolvedor dos aplicativos na Play Store Reprodução 2) Verifique o contato do desenvolvedor A seção "Contato do desenvolvedor" na página do aplicativo na Play Store mostra o e-mail e o site da empresa que criou o aplicativo. Na App Store, há o link chamado "Site dos desenvolvedores". É importante que esses dados sejam condizentes com o desenvolvedor. No caso de aplicativos de governo, por exemplo, a maioria deles está registrada em e-mails com final ".gov.br" e ".jus.br". E-mail de cadastro do aplicativo pode ajudar a encontrar um app oficial Reprodução 3) Veja a data de lançamento do aplicativo A seção "Sobre este app" na Play Store mostra detalhes sobre a data de publicação do aplicativo. Em geral, um aplicativo presente há muito tempo na loja é mais confiável do que um lançado há pouco tempo. Ao mesmo tempo, desconfie de aplicativos antigos que usam o nome de ferramentas que surgiram recentemente, como um serviço criado pelo governo. Neste caso, o app pode ter mudado de nome na loja na tentativa de atrair vítimas. Datas de cadastro e atualização do aplicativo podem ajudar a identificar um app legítimo Reprodução 4) Confira as avaliações do aplicativo As avaliações que usuários deixam sobre aplicativos podem ser úteis para identificar a legitimidade dessas ferramentas. Além da quantidade de estrelas, é importante ler alguns comentários e avaliar se vale a pena fazer o download. Lembre-se que alguns apps maliciosos contam com avaliações falsas feitas para atrair confiança e fazer outras pessoas baixarem o serviço. Por isso, tente identificar também se esses comentários realmente foram escritos por humanos. LEIA TAMBÉM: Como apagar histórico no Chrome e em outros serviços do Google 'Jogo do tigrinho' contrata influenciadores mirins e direcionam anúncios para crianças Quem são os 12 filhos de Elon Musk Saiba se está sendo vigiado: veja sinais um celular infectado com aplicativo espião Entenda as permissões que alguns aplicativos pedem no Android

domingo, 7 de julho de 2024

As novas leis que tentam tornar redes sociais menos viciantes para crianças e adolescentes


Nova York aprovou uma lei sobre feeds de mídia social 'viciantes' para crianças, mas alguns pesquisadores questionam o que isso realmente significa. O Estado americano de Nova York aprovou recentemente leis referentes aos feeds 'viciantes' de redes sociais para crianças Getty Images via BBC A governadora do Estado americano de Nova York, Kathy Hochul, deixou clara sua opinião sobre as redes sociais no início de julho, ao anunciar a assinatura de duas novas leis estaduais destinadas a proteger menores de idade contra os riscos do mundo digital. Hochul declarou que os aplicativos são responsáveis por transformar "crianças despreocupadas em adolescentes deprimidos". Mas ela acredita que a legislação sancionada por ela ajudará a combater esta situação. "Hoje, nós salvamos nossos filhos", afirmou a governadora. "Jovens de todo o país estão enfrentando uma crise de saúde mental alimentada pelos feeds viciantes das redes sociais." A partir de 2025, as novas leis podem forçar aplicativos, como o TikTok e o Instagram, a transportar as crianças de volta aos primórdios das redes sociais, quando o conteúdo ainda não era definido pelas "curtidas" dos usuários e as gigantes da tecnologia não coletavam dados sobre nossos interesses, humor, hábitos e muito mais. A Lei da Suspensão da Exploração de Feeds Viciantes para Crianças (Safe, na sigla em inglês, ou "Seguro") exige que as plataformas de redes sociais e lojas de aplicativos busquem o consentimento dos pais para que menores de 18 anos usem aplicativos com "feeds viciantes". Esta é uma tentativa inovadora de regulamentar as recomendações dos algoritmos das redes sociais. A Lei Safe irá proibir que os aplicativos enviem notificações para crianças e adolescentes entre 0h e 6h — criando, na prática, uma hora de dormir legal para os aparelhos. Ela também exige melhores sistemas de verificação da idade, para evitar que a inscrição de crianças passe despercebida. Como o cérebro reage às notificações de apps e por que elas viciam tanto A segunda lei, chamada de Lei de Proteção de Dados das Crianças de Nova York, limita a coleta de informações dos usuários pelos provedores de aplicativos. "Ao controlar os feeds viciantes e proteger os dados pessoais das crianças, iremos fornecer um ambiente digital mais seguro, com mais tranquilidade para os pais, e criar um futuro mais brilhante para os jovens de toda Nova York", disse a governadora. As duas leis fazem parte de uma preocupação cada vez maior com os efeitos das redes sociais sobre a saúde mental dos jovens. O cirurgião-geral dos Estados Unidos (autoridade máxima em saúde pública do país), Vivek Murthy, chegou recentemente a defender alertas para os aplicativos de redes sociais, similares aos avisos incluídos nas embalagens de cigarros. Nos Estados Unidos e em várias outras partes do mundo, jovens enfrentam uma crise de saúde mental e os próprios funcionários de grandes empresas de tecnologia reconheceram os danos causados a algumas crianças. Os viciados em redes sociais que processaram 'gigantes da tecnologia' nos EUA Mas as conclusões científicas relacionando as redes sociais a problemas de saúde mental são muito menos evidentes do que se imagina. Na verdade, inúmeros estudos chegaram a demonstrar que as redes sociais podem trazer benefícios para a saúde mental dos adolescentes. Esta situação levou alguns analistas da tecnologia e psicólogos infantis a chamar recentes intervenções políticas de "pânico moral". Os defensores das políticas e especialistas em redes sociais também questionam como simples intervenções legislativas, como a Lei Safe, serão colocadas em prática. Eles afirmam que a legislação pode retardar os esforços tão necessários de combater os riscos reais das redes sociais, como a divulgação de material sobre abusos sexuais infantis, violações de privacidade, discurso do ódio, desinformação, conteúdo ilegal e perigoso — e muito mais. Mensagens contraditórias Muitos estudos que encontram relações com problemas de saúde mental se concentram no "uso problemático" — indivíduos que usam as redes sociais de forma descontrolada. Esta questão já foi associada, por exemplo, ao aumento da incidência de diversas formas de ansiedade, além de depressão e estresse. Alguns estudos indicam que existe um aspecto relacionado à dosagem, com os sintomas negativos de saúde mental aumentando proporcionalmente ao tempo passado nas redes sociais. Mas outros estudos sugerem que essas associações são fracas ou que não foram encontradas evidências que relacionem a expansão das redes sociais a problemas psicológicos generalizados. Existem estudos que chegam a sugerir que o uso moderado das redes sociais pode ser benéfico em algumas circunstâncias, por ajudar a criar uma sensação de comunidade. De fato, as próprias orientações do cirurgião-geral dos Estados Unidos sobre os impactos da tecnologia sobre os jovens indicam que os seus efeitos podem ser tanto positivos quanto negativos. O relatório afirma que 58% dos jovens declararam que as redes sociais fizeram com que eles se sentissem mais aceitos, enquanto 80% elogiaram a capacidade das redes de conectar as pessoas com a vida dos seus amigos. As redes sociais são acusadas de causar uma crise de saúde mental entre as crianças, mas a realidade pode ser bem mais complicada Getty Images via BBC E existem até discussões para determinar se o uso problemático das redes sociais é realmente um problema em crescimento. Uma recente meta-análise de 139 estudos, realizados em 32 países, concluiu que não existem sinais de aumento do uso problemático das redes sociais nos últimos sete anos — exceto nos países de baixa renda, onde costuma haver maior incidência de condições de saúde mental. Um problema que costuma ser indicado é que muitos dos estudos nesta área se baseiam em padrões de uso e humor relatados pelos próprios usuários, o que pode gerar viés nos dados. E eles também empregam uma variedade de métodos tão ampla que dificulta sua comparação. Mas esta incerteza da ciência não impediu os alertas de preocupação entre os legisladores e os ativistas da proteção infantil. Eles defendem que é prudente adotar um princípio preventivo e que é preciso aumentar as ações para forçar as grandes plataformas tecnológicas a tomar medidas. E as duas leis sancionadas por Hochul foram o passo mais recente deste processo. "Existe uma real sensação de urgência sobre tudo isso, que precisamos mostrar que estamos fazendo algo neste momento para solucionar o problema", disse o professor de Psicologia e Comunicação Científica Pete Etchells, da Universidade Bath Spa, no Reino Unido. Ele é o autor do livro Unlocked: The Real Science of Screen Time ("Desbloqueado: a ciência real do tempo na tela", em tradução livre). "Mas, só porque parece ser um problema urgente a ser resolvido, isso não significa que a primeira solução que surgir irá realmente funcionar", diz. Reações contraditórias Alguns especialistas em segurança online são favoráveis às novas leis de Nova York. "Embora a legislação de Nova York seja muito mais ampla e menos concentrada nos danos concretos do que a Lei de Segurança Online do Reino Unido, fica claro que a regulamentação é a única forma que irá fazer com que as grandes empresas de tecnologia limpem seus algoritmos e impeçam as crianças de receber recomendações de imensas quantidades de conteúdo prejudicial sobre suicídio e automutilação", afirma Andy Burrows, consultor da Fundação Molly Rose. A fundação foi criada pelos pais da adolescente britânica Molly Russell, que se suicidou em 2017, depois de observar uma série de imagens de automutilação nas redes sociais. Um parecer histórico de um médico legista londrino em 2022 afirmou que as imagens contribuíram para a morte da criança. Molly Russell teve acesso a grandes quantidades de material sobre automutilação, suicídio e depressão nas redes sociais Família Russell via BBC Para Burrows, as rápidas ações de Hochul devem ser observadas favoravelmente em comparação com o Congresso americano que, segundo ele, "é muito lento para aprovar medidas federais abrangentes". "As normas são muito fracas e esta legislação se destaca apenas por ser melhor do que as inúmeras leis ruins existentes", afirma a professora de mídias digitais Jess Maddox, da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos. "Em termos de Estados americanos que tentam regulamentar as redes sociais, esta é uma das melhores tentativas que já vi." Ela elogia a legislação de Nova York por não impedir completamente que menores de idade façam uso das redes sociais — algo que um projeto similar está tentando fazer na Flórida. Há quem receie que esta medida possa levar ao analfabetismo digital, deixando as crianças menos preparadas para o futuro. "Esta legislação coloca o ônus sobre as plataformas de redes sociais, para que elas façam alguma coisa", explica Maddox. A reação das próprias plataformas de redes sociais foi contraditória. A Netchoice — um órgão do setor que representa diversas empresas importantes de tecnologia, como a Google, X, Meta e Snap — descreveu a legislação de Nova York como repressiva e "inconstitucional". E alertou que as leis podem até trazer consequências inesperadas, como aumentar potencialmente o risco de exposição das crianças a conteúdo prejudicial, por eliminar a capacidade de fazer curadoria dos feeds e apresentar possíveis questões de privacidade. Mas um porta-voz da Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, declarou que "embora não concordemos com todos os aspectos da legislação, manifestamos nosso apoio a Nova York por se tornar o primeiro Estado a aprovar leis que reconhecem a responsabilidade das lojas de aplicativos". A empresa indica pesquisas que sugerem que a maior parte dos pais apoia a legislação que exige que as lojas de aplicativos busquem a aprovação dos pais e acrescenta: "Continuaremos a trabalhar junto aos legisladores de Nova York e de outros lugares para fazer avançar esta questão." O X, TikTok, a Apple e a Google, empresa proprietária do YouTube, não responderam ao pedido de comentários da BBC sobre esta questão. As leis que exigem o consentimento dos pais para uso de redes sociais pelos seus filhos menores de idade também enfrentam barreiras na justiça. Em fevereiro, um juiz federal americano manteve o bloqueio sobre uma lei do Estado de Ohio que exigia a permissão dos pais para que crianças com menos de 16 anos usassem as redes sociais. Quando a Lei Safe for inevitavelmente analisada, o debate sobre a ciência poderá enfraquecer ainda mais a sua viabilidade, segundo a professora de Comunicação Digital Ysabel Gerrard, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido. Ela estuda o movimento pela segurança online. "Ela é baseada na premissa de que a 'dependência' das redes sociais é um fenômeno comprovado, mas não é", explica ela. "Por mais que haja consenso de que as plataformas, pelo seu próprio projeto e pelo seu interesse em obter lucros, são criadas para serem agradáveis para os seus usuários e reter sua atenção, ainda se discute se elas devem ser classificadas como [objeto de] 'dependência'." Mas Gerrard é da opinião de que a segunda lei, de Proteção dos Dados das Crianças de Nova York, é mais forte. "Eu me preocupo há muito tempo com a perda de controle das crianças — bem, de todos nós — sobre os nossos dados e o desconhecimento que todos nós temos de até onde isso vai", afirma ela. Gerrard acredita que a lei exigirá que as plataformas expliquem onde estão usando os dados coletados, o que representaria uma mudança radical. "Concordo totalmente com os princípios por trás desta lei, mas vou observar com interesse como ela vai evoluir, já que ela exigiria que as plataformas fizessem algo que ainda não conseguiram." O representante da governadora Hochul, Sam Spokony, recusou-se a comentar ao ser questionado para responder às críticas. Dificuldades de execução Existem também temores de que uma abordagem errada na regulamentação das plataformas de redes sociais possa trazer consequências de longo prazo. Jess Maddox elogia as leis por serem melhores do que algumas tentativas realizadas por outros Estados. Mas "é aqui que encerro o elogio, pois elas parecem, em grande parte, inexequíveis", segundo ela. A professora destaca que é difícil interromper "feeds viciantes" em um único Estado. Ela compara a questão com as leis de verificação de idade online, que proibiram eficientemente o acesso a websites pornográficos em diferentes Estados americanos. Uma preocupação é a dificuldade de verificar se os feeds das redes sociais passarão a ser menos viciantes depois que a lei entrar em vigor. Isso, por si só, irá dificultar sua execução. "Se elas não puderem ser postas em prática, poderemos ver as empresas de redes sociais indicando esta experiência como prova de que elas não podem, ou não devem, ser regulamentadas", explica Maddox. Outra dificuldade são as muitas abordagens diferentes, adotadas por diversos Estados, para regulamentar o uso das redes sociais pelas crianças. As redes sociais transcendem frequentemente as fronteiras estaduais e internacionais. E muitos legisladores importantes reconhecem a dificuldade de implementação de diferentes restrições locais. Esta diferença de leis locais já deu espaço para que as empresas de redes sociais questionassem a legislação na Justiça, em Estados americanos como Ohio, Califórnia e Arkansas. Maddox receia que, se forem criadas às pressas, essas leis possam trazer mais prejuízos do que benefícios na proteção das crianças online, em comparação com as leis que receberam tempo adequado para análise. "No curto prazo, poderemos ter feito alguma coisa", destaca ela. "Mas, no longo prazo, provavelmente nada irá acontecer." Ela não é a única a ter este mesmo receio. Gerrard afirma que sua preocupação "é que as pessoas no poder estejam perdendo tempo precioso em algo que é inexequível". Mas os críticos da nova legislação têm uma alternativa melhor? "Claramente, a longo prazo, será muito melhor para todos os envolvidos — e acho que isso também inclui as empresas de tecnologia — ter uma única abordagem federal bem desenvolvida do que uma colcha de retalhos de 50 Estados tomando medidas separadas", explica Andy Burrows. Os especialistas defendem que seria preferível uma abordagem unificada, baseada nas evidências científicas, e que sirva de padrão global. E a indústria da tecnologia parece estar de acordo com esta proposta. O mundo nascente da regulamentação da inteligência artificial oferece modelos que também poderão ser adotados para as redes sociais. Legisladores estão lutando, por exemplo, para estabelecer auditorias públicas de algoritmos. O objetivo é forçar as empresas a abrir seus sistemas de IA para especialistas externos. Mas esta é uma decisão que ainda pode exigir um consenso global. O Reino Unido, por exemplo, pede aos produtores de modelos de IA que apresentem seus produtos para análise pelo seu órgão supervisor de IA, mas diversas empresas afirmaram que não irão atender ao pedido porque a jurisdição é relativamente pequena. Enquanto isso, Estados americanos individuais estão levando adiante suas tentativas de proteger as crianças contra o que elas poderão observar e sentir durante o uso das redes sociais – e também enfrentam a reação das grandes empresas de tecnologia. O que parece estar claro é que a guerra sobre o futuro das redes sociais está apenas começando. Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Innovation.

sábado, 6 de julho de 2024

As apostas em IA que fizeram Microsoft e Nvidia ultrapassar Apple em valor de mercado podem ser uma bolha?


As duas empresas de tecnologia foram das primeiras a enxergar o potencial comercial da inteligência artificial. Sob a liderança de Jensen Huang, a Nvidia viu o preço das suas ações disparar Getty Images via BBC A vida pode mudar num passe de mágica. No mês passado, a Nvidia, fabricante de chips para softwares de inteligência artificial (IA), se tornou brevemente a empresa mais valiosa do mundo, ultrapassando a Microsoft, que por sua vez havia superado a Apple. Quando esta notícia foi dada no palco de um evento da indústria tecnológica do qual participei em Copenhague, na Dinamarca, arrancou aplausos espontâneos da plateia. Enquanto escrevo, a Nvidia está agora de volta ao segundo lugar, depois de uma queda no preço de suas ações ter reduzido seu valor de mercado para US$ 3 trilhões, em comparação com US$ 3,4 trilhões da Microsoft. Dois fatores catapultaram estas duas empresas americanas de tecnologia ao topo: a inteligência artificial e a habilidade de prever o que viria pela frente. A Microsoft começou a investir na OpenAI, a criadora do popular ChatGPT, em 2019. Enquanto o chefe da Nvidia, Jensen Huang, levou a empresa a desenvolver chips para IA muitos anos antes de a inteligência artificial ​​generativa entrar em cena. Quem é Jensen Huang, imigrante ex-lavador de pratos que fundou a Nvidia Ambas as empresas fizeram uma aposta de longo prazo no atual boom da inteligência artificial ​​— e até agora, valeu a pena, uma vez que a Apple, outrora na liderança, ficou para trás. Mas quanto tempo isso vai durar? A London Tech Week deste ano, evento anual da cena tecnológica do Reino Unido, poderia muito bem ter sido chamada de London IA Week. As letras IA estavam estampadas em todos os estandes, e foram pronunciadas em todos os discursos. Encontrei Anne Boden, fundadora do Starling Bank, banco digital que se destaca no setor de fintech (tecnologia financeira). Ela estava muito empolgada. "Achávamos que sabíamos quem eram os vencedores e os perdedores [na área de tecnologia]", ela me disse. "Mas com a IA, estamos jogando os dados novamente". Apple vai oferecer curso gratuito de inteligência artificial no Brasil; veja como participar Boden acredita que está observando a revolução da inteligência artificial ​​remodelar o setor de tecnologia e quer fazer parte disso. Naquela semana, também participei do Founders Forum, encontro anual de cerca de 250 empreendedores e investidores de alto nível. Com muito dinheiro, em outras palavras. É um evento confidencial, mas não acho que vou arrumar um problema ao dizer que grande parte do bate-papo também girou em torno da inteligência artificial. Poucos dias depois, uma notícia do jornal Financial Times chamou minha atenção. "A maioria das ações consideradas vencedoras do boom da IA ​​caíram neste ano", dizia o texto, alegando que mais da metade das ações da "cesta de vencedoras da IA" do Citigroup haviam perdido valor em 2024. A vida muda, de fato, num passe de mágica. Anne Boden diz que a IA chacoalhou completamente o setor de tecnologia Getty Images via BBC "Dado o quão alto o valor das empresas de tecnologia saltaram, passos em falso podem causar grandes oscilações nos preços das ações", adverte Susannah Streeter, responsável pelo departamento financeiro e de mercados da empresa de investimentos Hargreaves Lansdown. "Assim como a bolha ponto.com, o entusiasmo excessivo corre o risco de se transformar em decepção." Em 2023, você teria sido perdoado por pensar que qualquer coisa com a sigla IA garantiria a abertura de um canal lucrativo de financiamento, com investimentos inundando todas as coisas relacionadas à inteligência artificial. Meu amigo Saurabh Dayal, baseado na Escócia, identifica projetos de IA com os quais sua empresa farmacêutica pode potencialmente colaborar. Ele disse que logo se cansou das propostas enganosas. "Passo muito tempo dizendo… 'Mas isso não é IA'", ele me conta. Parece que tanto os investidores quanto os clientes estão finalmente ficando mais conscientes em relação ao termo inteligência artificial — e, como consequência, mais exigentes. Em declaração ao Financial Times, Stuart Kaiser, do Citi, disse que embora a inteligência artificial continue a ser um grande tema no mundo das ações, "apenas dizer IA 15 vezes não vai resolver mais". Além disso, há uma maior consciência de que os atuais produtos de inteligência artificial generativa não estão exatamente à altura do seu próprio 'hype'. Há imprecisões, desinformação, demonstrações de viés, violações de direitos autorais e alguns conteúdos que são simplesmente estranhos. E os primeiros dispositivos habilitados para inteligência artificial, como o  Rabbit R1 e o Humane Pin, receberam críticas negativas. "Estamos vendo o mercado em torno da inteligência artificial generativa amadurecer um pouco agora – os primeiros experimentos estabeleceram muitas expectativas altas, mas quando chegou a hora da verdade, houve muitos resultados inesperados", diz Chris Weston, diretor digital e de informação da empresa de serviços de tecnologia Jumar. "As empresas têm muito valor associado à boa vontade — a confiança e o conforto que seus clientes sentem em relação a seus serviços. A introdução de chatbots ingovernáveis ​​é um passo grande demais para muitos neste momento." O analista de tecnologia Paolo Pescatore concorda que existe uma pressão para que as empresas de inteligência artificial cumpram suas promessas. "A bolha vai estourar no momento em que um dos gigantes não conseguir mostrar qualquer crescimento significativo da IA", diz ele. Mas ele não acredita que isso vá acontecer tão cedo. "Todos continuam se acotovelando por um espaço, e todas as empresas estão baseando suas estratégias na IA", acrescenta. "Todos os participantes do mercado estão intensificando suas atividades, aumentando os gastos e alegando sucessos iniciais.” Brasil será 1º país no mundo a ter 'modo ladrão' em celulares Android; veja como vai funcionar O ChatGPT realmente chamou a atenção do público Getty Images via BBC Há outra razão pela qual a bolha da inteligência artificial ​​pode estourar. Não tem nada a ver com a qualidade dos produtos ou com seu valor de mercado. É se o próprio planeta pode se dar ao luxo disso. Um estudo publicado no ano passado previu que o setor de inteligência artificial poderia consumir a mesma quantidade de energia de um país do tamanho da Holanda até 2027, se o crescimento continuar no ritmo atual. Entrevistei Kate Crawford, professora da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, para o podcast Tech Life, da BBC, e ela me disse que a preocupação com a quantidade de energia e água necessária para abastecer a inteligência artificial tirava o sono dela. Sasha Luccioni, da empresa de machine learning (aprendizado automático) Hugging Face, também está preocupada. "Simplesmente não há energia renovável suficiente para abastecer a IA neste momento — a maior parte dessa bolha é abastecida por petróleo e gás", afirma. A esperança é que a tecnologia possa ser usada para identificar soluções de sustentabilidade — como, por exemplo, o segredo da fusão nuclear, mesmo processo pelo qual o Sol obtém sua energia. Mas isso ainda não aconteceu e, enquanto isso, "os sistemas de IA colocam uma enorme pressão sobre as redes energéticas que já estão sob uma forte pressão", acrescenta Luccioni. Com tanta incerteza, poucos devem apostar contra outra dança das cadeiras entre as empresas mais valiosas do mundo. Mas, atualmente, a Apple tem um desafio pela frente para alcançar a Microsoft e a Nvidia na corrida da inteligência artificial. Os brasileiros que ganham R$ 500 por mês para treinar inteligências artificiais Cozinheira perde R$ 80 mil em dois meses: relatos de quem perdeu tudo com cassinos online Quem são os 12 filhos de Elon Musk Conheça o GPT-4o, novo modelo de IA usado pelo ChatGPT

Golpe do advogado: criminosos se passam por profissionais reais para cobrar 'despesas' de processos


Vítimas são induzidas a fazer um PIX para cobrir custos jurídicos e receber um suposto valor ao qual teriam direito. Bandidos tentaram enganar o ator Cassio Scapin, o 'Nino' do 'Castelo Rá-Tim-Bum'. Criminosos falsificam documentos oficiais e se passam por escritórios de advocacia em Franca, SP Reprodução O ator Cassio Scapin, famoso por interpretar o Nino no programa "Castelo Rá-Tim-Bum", contou nas suas redes sociais no último domingo (3) que foi alvo de um golpe do PIX pelo WhatsApp. Criminosos tentaram se passar pelo advogado dele e afirmaram que o ator havia vencido um processo na Justiça e teria direito a receber R$ 180 mil. Só que, para receber o valor, ele teria que transferir, via PIX, um valor para cobrir despesas advocatícias e documentação. Scapin não caiu no golpe: ao ligar para o número que o contatou, percebeu que a voz do bandido não correspondia à do profissional real. O ator, então, postou vídeos em suas redes sociais, alertando seguidores sobre como os criminosos agiram. Esse tipo de golpe tem se tornado mais comum e, por isso, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem divulgado orientações para prevenir clientes e profissionais, que têm seus nomes usados indevidamente. A principal recomendação é não fazer nenhuma transferência antes de falar direto com o escritório do qual a pessoa seja cliente (e não ligar para o número que a contatou ou que foi informado na mensagem). Initial plugin text Um professor universitário de Jaboticabal (SP) relatou ao g1, em 2023, que tinha perdido R$ 36 mil nesse golpe. Depois disso, a mulher dele também foi abordada pelos criminosos com a mesma narrativa. "Mandaram mensagem pra minha esposa e ela disse 'a doutora Danielle [advogada] quer falar com você, olha aqui no WhatsApp'", contou. "Eu falei 'isso aqui não procede, não', porque eu tinha conversado com ela [advogada] dois dias antes. Agora como eles sabiam inclusive o telefone da minha esposa?". Em Franca (SP), outra vítima contou ao g1, em junho, que tem um processo em andamento para receber juros do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que corre há mais de cinco anos. Os criminosos tomaram conhecimento da ação e, se passando pela advogada dela, entraram em contato afirmando que a vítima havia vencido a causa e receberia um total de R$ 50 mil. Mas, antes do depósito do valor, era preciso pagar R$ 854,75 de custos processuais. Após a vítima afirmar que não tinha todo o valor, a suposta advogada aceitou receber apenas metade. Ela fez o PIX aos bandidos, utilizando um dinheiro destinado ao pagamento da prestação de sua casa. Com o sumiço da pessoa que acreditava ser sua advogada, percebeu que tinha caído em um golpe. Entenda, a seguir, como funciona o golpe e como se prevenir. Como os golpistas agem ➡️Os golpistas usam nomes reais do advogado ou escritório de advocacia que já atende a vítima, muitas vezes usando a mesma foto de perfil do profissional verdadeiro, mas com um número diferente — é a clonagem de conta de WhatsApp. ➡️Ao entrar em contato pelo aplicativo de mensagens, os bandidos afirmam que a vítima ganhou um processo (que pode ser baseado em uma ação real); ➡️Para que o montante da causa seja liberado, o suposto advogado pede que a vítima faça uma transferência via PIX para um número de conta que ele informa, alegando que serão para cobrir custos do escritório com o processo. Mas como o bandido sabe que a pessoa tem um processo em andamento? Segundo a OAB , os golpistas conseguem os dados dos processos com consulta pública, por isso, usam o nome e a logomarca de escritórios de advocacia reais e ainda fornecem dados do autor da ação para fazer tudo parecer verdadeiro. Em seu vídeo nas redes, o ator Cassio Scapin disse que o golpista que o procurou chegou a enviar imagens do suposto processo via WhatsApp, "com papel timbrado e o logo da prefeitura". Como se prevenir A OAB recomenda que: ➡️Ao receber o contato do suposto advogado com uma cobrança suspeita, a pessoa entre em contato com o escritório usando o número para o qual o cliente já esteja habituado a ligar, para checar se a mensagem anterior é verdadeira. ➡️De mesmo modo, é importante nunca ligar para o número que enviou a mensagem ou clicar em links enviados nela. ➡️A OAB diz que erros de português são muito comuns nesse tipo de ação criminosa. Desde o primeiro contato via WhatsApp, os golpistas costumam dar indícios de que não são advogados ou procuradores pela linguagem que utilizam. Os erros também são encontrados nos documentos falsificados. Nem sempre é o caso: Scapin afirmou que, ao telefone, o golpista discorreu sobre o processo usando termos jurídicos. ➡️Outro indício de fraude é que o a cobrança de custos pelo WhatsApp para liberação do valor ganho no processo não é o procedimento padrão adotado pela Justiça. Normalmente, isso é feito pelos canais oficiais dos escritórios. ➡️Se ainda assim cair no golpe, é fundamental fazer um boletim de ocorrência. Para comprovar que foi enganado pelos bandidos, é importante registrar "prints" (cópias da tela do celular exibindo as mensagens trocadas) e salvar o número da conta para a qual a transferência foi feita. Leia também: Os 5 golpes do PIX mais comuns feitos pelo celular; confira lista Tinder lança ferramenta que ajuda a evitar 'golpe do amor'; saiba como usar Wi-Fi público tem risco baixo, mas pode permitir golpes; veja dicas para se prevenir Veja mais dicas de segurança: Promessa de lucro fácil em jogos caça-níquel online é fraude, dizem especialistas e setor App para controle de ciclo menstrual pode coletar seus dados? Saiba se está sendo vigiado: veja sinais um celular infectado com aplicativo espião

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Por que o WhatsApp deixa de funcionar em celulares antigos


Meta, dona do app, revisa anualmente os sistemas operacionais que suportam o serviço, mas não divulga a lista dos aparelhos onde ele deixará de funcionar. Veja como saber se o seu celular pode perder o suporte. Saiba por que o WhatsApp deixa de funcionar em celulares antigos AP Photo/Patrick Sison Todo ano, o WhatsApp faz uma revisão dos sistemas operacionais (softwares) que serão compatíveis com o seu serviço e informa os novos requisitos de operação. Consequentemente, essa medida faz com que alguns aparelhos antigos deixem de ter o app de mensagens funcionando. Isso porque a Meta, dona do WhatsApp, prioriza uma lista de versões mais recentes de sistemas operacionais e que tenham mais usuários. Embora possa ser assustador, esse é um procedimento normal e empresa diz que a suspensão do suporte para o app não acontece "do nada", mas que informa o usuário antes de ele perder o acesso total ao aplicativo. Mas a Meta não divulga uma lista oficial dos aparelhos que deixarão de suportar o app de mensagens. O que ela informa é com quais sistemas ele é compatível. O Google, criador do sistema Android, o mais popular no mundo, e a Apple, responsável pelo iOS, que roda nos iPhones, costumam lançar uma nova versão todo ano, que é disponibilizada para modelos mais recentes. E mantêm, por algum tempo, versões anteriores, que atendem a aparelhos que não são tão novos. Atualmente, o WhatsApp é compatível com os sistemas: Android versão 5.0 e posterior iOS versão 12 e posterior KaiOS 2.5.0 e posterior ➡️➡️➡️ Conheça o sistema KaiOS Como verificar o sistema operacional do seu celular 🤖 No Android, siga este passo a passo: Clique no ícone de "Configurações" do celular; Em seguida, toque em "Sobre o dispositivo" e, depois, "Versão do Android"; Por fim, verifique a "Versão do Android". 🍎 No iPhone (iOS), siga este passo a passo: Toque no ícone "Ajustes"; Depois, clique em "Geral" e "Atualização de Software"; Em seguida, verifique a última versão instalada. Por que celulares antigos perdem suporte? O WhatsApp deixa de oferecer suporte para softwares mais antigos e com menos usuários porque, segundo a Meta, eles podem não abranger as atualizações de segurança mais recentes do aplicativo ou não incluir funcionalidades necessárias para operar o WhatsApp. Celular antigo ou com defeito? Saiba se é hora de trocar de aparelho No caso dos iPhones, o WhatsApp terá suporte em aparelhos que estão, pelo menos, na versão 12 do iOS, que não é a mais nova (a mais recente, atualmente, é a iOS 17.5.1, que ficou disponível em maio deste ano para iPhone XS e posteriores). O iOS 12 é compatível com celulares da Apple entre o iPhone 5s e o iPhone XR. Assim, o WhatsApp é compatível com os modelos neste grupo e todos os outros lançados pela marca desde então. Como saberei quando meu celular não for mais compatível? A lista de versões de sistemas operacionais que são compatíveis com o WhatsApp é mantida na Central de Ajuda do app e atualizada anualmente. A Meta diz ainda que, antes de deixar de oferecer suporte para um sistema operacional, exibirá uma notificação no WhatsApp. "Também exibiremos alguns lembretes solicitando que você atualize o sistema", informa o app. LEIA TAMBÉM: WhatsApp de cara nova, novidade nos canais e mais recursos lançados em 2024 Governo manda Meta suspender uso de dados de usuários para treinar IA Como excluir sua conta do WhatsApp Celular perdido? Veja como localizar iPhone e Android pelo computador ou por app

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Por que o Japão só vai parar de usar disquetes em 2024


Até o mês passado, as pessoas ainda eram solicitadas a enviar documentos ao governo usando estes dispositivos de armazenamento ultrapassados. Os disquetes saíram de moda na década de 1990, à medida que soluções de armazenamento mais eficientes foram criadas Getty Images via BBC Demorou, mas o Japão finalmente disse adeus aos disquetes. Até o mês passado, ainda se exigia que pessoas enviassem documentos ao governo usando dispositivos de armazenamento ultrapassados, com mais de mil regulamentações exigindo seu uso. Mas estas regras foram finalmente eliminadas, segundo o ministro de Assuntos Digitais, Taro Kono. Em 2021, Kono "declarou guerra" aos disquetes. E, na quarta-feira (3/7), quase três anos depois, ele anunciou: "Vencemos a guerra contra os disquetes!" Kano estabeleceu como meta eliminar a tecnologia obsoleta desde que foi nomeado para o cargo. Ele também havia dito anteriormente que iria "se livrar do aparelho de fax". Outrora visto como uma potência tecnológica, o Japão ficou para trás na onda global de transformação digital dos últimos anos, devido a uma profunda resistência à mudança. Por exemplo, os locais de trabalho continuaram favorecendo os aparelhos de fax em vez dos e-mails — planos anteriores para remover estes aparelhos dos escritórios públicos foram cancelados devido à resistência. O anúncio foi amplamente discutido nas redes sociais japonesas — um usuário do X (antigo Twitter) chamou os disquetes de "símbolo de uma gestão anacrônica". "O governo ainda usa disquetes? Isso é tão ultrapassado... Acho que está cheio de pessoas idosas", dizia outro comentário no X. Outras postagens foram mais nostálgicas. "Me pergunto se os disquetes vão começar a aparecer em sites de leilão", escreveu um usuário. Criados na década de 1960, os dispositivos quadrados saíram de moda na década de 1990, à medida que soluções de armazenamento mais eficientes foram criadas. Um disquete de 3,5 polegadas (3 ½) é capaz de armazenar até 1,44 MB de dados. Seriam necessário mais de 22 mil destes discos para replicar um pendrive que armazena 32 GB de informação. A Sony, última fabricante de disquetes, encerrou sua produção em 2011. Visto como potência tecnológica, Japão tem ficado para trás em algumas áreas por conta da resistência à mudança Getty Images via BBC Como parte da campanha tardia para digitalizar sua burocracia, o Japão lançou uma Agência Digital em setembro de 2021, liderada por Kono. Mas as tentativas do Japão para se tornar digital podem não ser tão simples na prática. Muitas empresas japonesas ainda exigem que os documentos oficiais sejam endossados ​​com carimbos que equivalem a uma assinatura oficial, chamados hanko, apesar dos esforços do governo para eliminá-los gradualmente. As pessoas estão desapegando destes carimbos muito lentamente, segundo o jornal local The Japan Times. E só em 2019 que o último fornecedor de pager do país fechou seu negócio. O último assinante privado do serviço explicou que era o método de comunicação preferido da mãe idosa.

Como receber alerta se a busca do Google mostrar seus dados, como endereço, telefone e e-mail


Chamada de "Privacidade nos resultados sobre você", a ferramenta monitora se informações pessoais estão sendo exibidas no buscador e permite solicitar que elas sejam removidas da pesquisa. Alerta do Google sobre resultados com seus dados pessoais Divulgação/Google Você sabia que seus dados pessoais podem estar disponíveis para qualquer pessoa que acessar o Google? São dados como endereço, telefones e até número de documentos. Pensando nisso, a empresa liberou para o Brasil uma ferramenta que alerta caso suas informações pessoais sejam exibidas em buscas (veja como ativar o recurso abaixo). Batizada de "Privacidade nos resultados sobre você", a opção permite registrar dados que você deseja monitorar. Depois, o Google informa se algum deles caiu na busca e oferece espaço para você solicitar a remoção. Para usar o recurso, é preciso informar nome, endereço, telefone ou e-mail, que, inicialmente, são os dados que o Google vai monitorar. A empresa disse que, ainda este ano, passará a suportar documentos como CPF, carteira de habilitação e passaporte. ➡️ A novidade não é capaz de excluir dados pessoais que aparecem em outros sites, mas ajuda a limitar o acesso a eles, já que a busca funciona como uma importante vitrine para a internet. Essa ferramenta já tinha sido lançada em 2022, mas só foi anunciada para o país no começo deste mês. A novidade foi apresentada no Google For Brasil 2024, evento com lançamentos para o mercado brasileiro. Ela se parece com o formulário para pedir remoção de dados da pesquisa, mas atua de forma proativa. Abaixo, confira o passo a passo para ativar o modo privacidade nos resultados sobre você. Como ativar alerta sobre dados pessoais no Google O recurso está disponível em goo.gle/resultsaboutyou. Também é possível acessá-lo ao clicar em sua foto no app do Google e selecionar "Privacidade nos resultados sobre você" ou ao clicar nos três pontos ao lado de um resultado da busca. Depois, siga os passos abaixo: No primeiro acesso, clique em "Começar agora" e confirme que deseja prosseguir; Adicione seus dados de contato, como nome, endereço, telefone e e-mail (é possível incluir mais de um dado em cada categoria), e selecione "Continuar"; Escolha onde você deseja receber o alerta caso as informações apareçam na busca – e-mail ou notificação no app; Clique em "Salvar" e, depois, em "Terminei". Em seguida, o Google começará a procurar resultados que correspondam a seus dados pessoais, o que pode levar algumas horas. Ao final do processo, a empresa enviará uma notificação, mas também mostrará o que encontrou na seção "Resultados para analisar" da página. A lista mostrará o título e a fonte de cada resultado, e permitirá que você peça para remover algo ao clicar nos três pontos ao lado do resultado e, então em "Remover". O conteúdo será removido se atender aos critérios do Google. A empresa retira, por exemplo, informações de identificação pessoal e outros tipos de dados caso eles sejam compartilhados de forma mal-intencionada. LEIA TAMBÉM: Como apagar histórico no Chrome e em outros serviços do Google Os 12 filhos de Elon Musk 'Jogo do tigrinho' contrata influenciadores mirins e direcionam anúncios para crianças Celular perdido? Veja como localizar iPhone e Android pelo computador ou por app Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual Saiba se está sendo vigiado: veja sinais um celular infectado com aplicativo espião

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...