quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Rússia proíbe o uso do Discord


Regulador de telecomunicações do país afirma que empresa violou a legislação russa. Discord Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Ivan Radic/Flickr A Rússia anunciou, nesta terça-feira (8), que proibiu a plataforma de mensagens Discord por descumprir a lei. "O acesso ao serviço de mensagens Discord está restrito devido à violação dos requisitos da legislação russa, cujo cumprimento é necessário para prevenir o uso do serviço com fins terroristas e extremistas", declarou em um comunicado o regulador russo de telecomunicações, Roskomnadzor. Nos últimos anos, a Rússia tem ordenado que plataformas estrangeiras removam conteúdos que considera "ilegais", impondo multas periódicas caso não cumpram as exigências. Em julho de 2023, o Discord foi multado em seis milhões de rublos (cerca de 344 mil reais) por um tribunal de Moscou por não remover conteúdos considerados "ilegais", mas a empresa "ignorou a decisão" do tribunal, lamentou Roskomnadzor. Em 1º de outubro, houve uma nova ordem para que o Discord removesse quase 1.000 elementos de conteúdo proibido, mas o regulador alega que a plataforma não o fez. Também afirma que o serviço "é utilizado ativamente por criminosos". Desde o início da ofensiva russa na Ucrânia, em fevereiro de 2022, o Kremlin reforçou consideravelmente seu controle sobre o setor digital, proibindo vários sites e redes sociais ocidentais onde seus críticos podiam se expressar livremente, como Facebook, Instagram e X. No entanto, ainda é possível acessar essas ferramentas na Rússia usando uma VPN. O Discord, empresa americana criada em 2015, oferece uma plataforma gratuita para troca de texto, áudio e vídeo. Segundo seu site oficial, tem 150 milhões de usuários ativos mensais. Leia também: Desafios perversos: como o aplicativo Discord virou ferramenta para envolver adolescentes em um submundo de violência extrema Justiça condena homem que criou grupo no Discord para estupro de vulnerável

Imprensa internacional fala em 'derrota' para Musk após X cumprir ordens e ser liberado; veja repercussão


Jornais como o New York Times, Washington Post e El País disseram que o episódio representou uma derrota para Elon Musk. Anatel já notificou operadoras para que liberem acesso ao X. O bilionário Elon Musk, dono do X Getty Images A ordem de desbloqueio do X no Brasil, dada na terça-feira (8) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), repercutiu na imprensa internacional. Jornais como os norte-americanos The New York Times e Washington Post e o espanhol El País registraram a decisão e classificaram o episódio de bloqueio da plataforma, que durou 39 dias, como uma “derrota” para Elon Musk, proprietário do antigo Twitter. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou nesta quarta-feira (9) que começou a notificar as operadoras para que elas liberem o acesso ao X. No começo da noite de terça, alguns usuários relataram que voltaram a ter acesso à rede social. Veja a repercussão: 'The New York Times', Estados Unidos Repercussão do desbloqueio do X no The New York Times Reprodução O jornal escreveu que o X retornou ao Brasil após seu dono, Elon Musk, “se render em sua briga com a Suprema Corte do país”. A publicação destaca que o STF ressaltou que o X concordou com as ordens do tribunal envolvendo o bloqueio de perfis, pagamento de multas e a indicação de um representante no país. “A conformidade do X foi uma grande reversão para o Sr. Musk, que criticou e desafiou o tribunal de forma ruidosa por meses, chegando ao ponto de publicar decisões sigilosas [do STF] e fechar o escritório do X no Brasil. O tribunal respondeu bloqueando o X em todo o Brasil em agosto, enviando milhões de brasileiros para os concorrentes da plataforma”, diz o jornal. De acordo com o NYT, a “aparente resolução para a batalha de meses representou uma derrota para o Sr. Musk, que se autodenominou um defensor declarado da liberdade de expressão”. “Sua empresa perdeu um mês de negócios em um de seus maiores mercados, permitindo que os rivais ganhassem espaço, apenas para terminar exatamente onde começou.” O jornal também ressalta que, “apesar da perda legal e comercial”, Musk e seus apoiadores podem enxergar o episódio como uma “vitória de relações públicas”. “Enfrentar a Suprema Corte do Brasil — que agiu de forma agressiva para censurar certas vozes nas mídias sociais — atraiu elogios generalizados ao bilionário de pessoas preocupadas com governos restringindo o que pode ser dito online. Isso ocorreu apesar de sua conformidade com ordens governamentais em outros lugares para remover contas e postagens.” O New York Times ainda afirma que a disputa representou uma vitória para o STF e “sugere que os estados-nação ainda estão em vantagem na disputa de poder em andamento com as grandes empresas de tecnologia”. Leia também: O que recuo do X significa na guerra entre governos e big techs no mundo Da suspensãodo X à autorização para voltar ao ar: veja a cronologia do episódio 'The Washington Post', Estados Unidos Reportagem do Washington Post sobre o desbloqueio do X no Brasil Reprodução Para o Washington Post, a ordem de suspensão de Moraes, em agosto, foi “uma derrota política” para Elon Musk. Segundo o jornal, o bilionário, “que busca o manto de ser o defensor global da liberdade de expressão” desde que comprou o X, “pagou para ver” em sua aposta com o Judiciário brasileiro. “E perdeu”, diz a publicação. “Em poucas semanas, ficou claro que o X — que já estava perdendo usuários brasileiros para seus concorrentes — precisava muito mais do Brasil do que o Brasil precisa do X. A plataforma anunciou que cederia às exigências do tribunal.” 'El País', Espanha Reportagem do El País inclui episódio do bloqueio do X no Brasil como fator que pode estimular a regulação das redes sociais Reprodução O espanhol El País destacou que Elon Musk “desafiou o Brasil e suas autoridades, e perdeu”. O jornal também citou a decisão de Moraes e disse que o ministro do Supremo é “o juiz mais amado e odiado” do Brasil. Em uma análise publicada numa seção chamada “Tendências”, o jornalista Luis Enrique Velasco elenca o episódio do X no Brasil como um dos fatores que indicam que as plataformas digitais podem estar a caminho da regulação no mundo. No texto, Velasco cita o bloqueio do X, a prisão do fundador do Telegram, Pavel Durov, na França, e a mudança de política de privacidade do Instagram envolvendo menores de idade. “Não é uma coincidência, apontam os especialistas. A pressão dos governos começa a quebrar a ordem que manteve as grandes plataformas praticamente intocáveis desde suas fundações”, diz o autor. O jornalista destaca que Musk, inicialmente, “recusou-se a ceder terreno, mas a pressão — e o fato de o Brasil ser um dos mercados mais importantes da rede — rendeu frutos, e a plataforma começou a ceder aos pedidos da Justiça”. Mídia especializada A liberação do X também recebeu destaque em sites especializados de tecnologia, como o Wired, o The Verge e o TechCrunch. "Depois de semanas sem obedecer [às decisões], parece que Elon Musk cedeu", disse o Wired.

Anatel notifica operadoras para que liberem acesso ao X


Segundo a agência de telecomunicações, o tempo para a execução do desbloqueio vai depender de cada empresa. Rede social X, do bilionário Elon Musk Mauro Pimentel/AFP A Agência Nacional de Telecomunicações informou nesta quarta-feira (9) que começou a notificar as operadoras para liberar o acesso ao X, após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). "Caberá a cada uma das prestadoras tomar as providências técnicas necessárias para implementar essa ordem judicial", disse a Anatel, em nota. "O tempo para a execução do desbloqueio dependerá das medidas empregadas pelas prestadoras, conforme suas especificidades", destacou.

EUA consideram desmembrar Google em caso histórico


O Departamento de Justiça do país disse na terça-feira que pode pedir a um juiz que obrigue a bigtech a se desfazer de partes de seus negócios, como o navegador Chrome e o sistema operacional Android. Segundo o governo norte-americano, eles são usados para manter um "monopólio ilegal". Logotipo do Google Reprodução O Departamento de Justiça dos Estados Unidos disse na noite de terça-feira (9) que pode pedir a um juiz que obrigue o Google a se desfazer de partes de seus negócios, como o navegador Chrome e o sistema operacional Android, que, segundo o governo norte-americano, são usados para manter um monopólio ilegal da empresa no mercado de buscas online. Em um caso histórico, um juiz concluiu em agosto que o Google, que processa 90% das buscas na Internet dos EUA, detém um monopólio ilegal. As soluções propostas pelo Departamento de Justiça dos EUA têm o potencial de remodelar a forma como os internautas encontram informações na Internet, ao mesmo tempo em que reduzirão as receitas do Google e darão aos concorrentes mais espaço para crescer. "A reparação total desses danos requer não apenas o fim do controle da distribuição pelo Google hoje, mas também a garantia de que o Google não poderá controlar a distribuição de amanhã", afirmou o Departamento de Justiça. As correções propostas também têm como objetivo impedir que o domínio anterior do Google se estenda ao crescente negócio de inteligência artificial, disseram os promotores. O Departamento de Justiça também poderá pedir ao tribunal que encerre os pagamentos do Google para que seu mecanismo de busca seja pré-instalado ou definido como padrão em novos dispositivos eletrônicos. O Google tem feito pagamentos anuais - US$ 26,3 bilhões em 2021 - a empresas como Apple e outras marcas de dispositivos para garantir que seu mecanismo de busca permaneça como padrão em smartphones e navegadores de internet, mantendo sua participação de mercado forte. O Google, que planeja recorrer, afirmou que as propostas são "radicais" e disse que elas "vão muito além das questões legais específicas deste caso". O Google afirma que seu mecanismo de busca conquistou os usuários pela qualidade, acrescentando que enfrenta uma forte concorrência da Amazon e de outros sites, e que os usuários podem escolher outros mecanismos de busca como padrão. Quarta maior empresa do mundo, com um valor de mercado de mais de US$ 2 trilhões, a controladora do Google, Alphabet, está sob crescente pressão legal de concorrentes e autoridades antitruste. Processos dos EUA contra o Google Um juiz dos EUA decidiu na segunda-feira, em um caso separado, que o Google deve abrir sua lucrativa loja de aplicativos para uma maior concorrência, incluindo a disponibilização de aplicativos Android de fontes rivais. O Google também está lutando contra um processo do Departamento de Justiça dos EUA que busca o desmembramento de seu negócio de publicidade na internet. Como parte de seus esforços para impedir que o domínio do Google se estenda à IA, o Departamento de Justiça dos EUA disse que pode tentar disponibilizar aos rivais os índices, dados e modelos que usa para a pesquisa do Google e os recursos de pesquisa assistida por IA. Outras ordens que os promotores podem buscar incluem restringir o Google de firmar acordos que limitem o acesso de outros concorrentes de IA ao conteúdo da web e permitir que os sites optem por não permitir que o Google use seu conteúdo para treinar modelos de IA. O Google disse que as propostas relacionadas à IA podem sufocar o setor. "Há enormes riscos de o governo colocar seu polegar na balança desse setor vital - distorcendo o investimento, distorcendo os incentivos, prejudicando os modelos de negócios emergentes - tudo exatamente no momento em que precisamos incentivar o investimento", disse o Google. O Departamento de Justiça dos EUA deve apresentar uma proposta mais detalhada ao tribunal até 20 de novembro. O Google terá a chance de propor suas próprias soluções até 20 de dezembro. A decisão do juiz distrital dos EUA, Amit Mehta, em Washington, foi uma grande vitória para as autoridades antitruste, que apresentaram um conjunto ambicioso de processos contra as grandes empresas de tecnologia nos últimos quatro anos. Os EUA também processaram Meta, Amazon.com e Apple, alegando que elas mantêm monopólios ilegais. Algumas das ideias contidas nas propostas do Departamento de Justiça para desmembrar o Google já haviam recebido apoio de concorrentes menores da empresa, como o site de avaliações Yelp e a empresa rival de mecanismos de busca DuckDuckGo. O Yelp, que processou o Google por causa das buscas em agosto, diz que o desmembramento do navegador Chrome e dos serviços de IA do Google deveriam ser discutidos. O Yelp também quer que o Google seja proibido de dar preferência às páginas de empresas locais do Google nos resultados de pesquisa. Na Europa, é improvável que o Google enfrente uma ordem de separação da chefe antitruste da UE, Margrethe Vestager, antes que ela deixe o cargo no próximo mês, devido à complexidade do caso, embora haja pressão para acelerar o processo, disseram à Reuters fontes com conhecimento direto do assunto. A Reuters informou no mês passado que Vestager está considerando uma ordem para acabar com as práticas anticoncorrenciais do Google em seu negócio de adtech, mas não ordenará um rompimento, como ela havia alertado anteriormente. No início deste ano, o Google tentou encerrar a investigação antitruste da UE com uma oferta para vender seu mercado de publicidade AdX, mas os editores europeus rejeitaram a proposta por considerá-la insuficiente, disseram à Reuters outras pessoas com conhecimento direto do assunto. Google libera modo de voz em português no robô Gemini

O que recuo do X no Brasil significa na guerra entre governos e big techs no mundo


Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil dizem avaliar que desfecho da crise entre o STF e o X de Elon Musk mostra que Estados nacionais, se forem duros o suficiente, tendem a prevalecer sobre empresas. Fim da suspensão do X foi determinado na terça-feira (08/10) pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF Getty Images Demonstração de força do Estado ante as chamadas big techs; precedente internacional e ponto de preocupação com suposto autoritarismo do Judiciário brasileiro. Foi assim que analistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliaram o desfecho (pelo menos temporário) da crise instalada entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e Elon Musk, dono do X, após o fim da suspensão da plataforma no Brasil. "Big techs" é o termo normalmente usado para se referir a grandes empresas de tecnologia como Google, Meta, X e Microsoft. O fim da suspensão foi determinado na terça-feira (8/10) após a empresa cumprir uma série de determinações impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. Até o início da noite de ontem, o acesso à plataforma ainda não havia sido restabelecido, o que deverá acontecer gradativamente nas próximas horas. A suspensão da plataforma no Brasil, segunda maior democracia do continente americano e um dos países mais populosos do mundo, vinha sendo vista internacionalmente como um dos episódios mais concretos do constante embate entre grandes corporações do segmento da tecnologia e o poder dos Estados nacionais. No fim de agosto, quando Moraes determinou a suspensão do X em todo o território nacional, o jornal The New York Times classificou o caso como o “maior teste até agora para os esforços do bilionário [Musk] em transformar o local [o X] em uma praça digital onde quase tudo é possível”. Na avaliação de especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, o resultado do teste foi claro: Musk se viu obrigado a se curvar às decisões do Estado brasileiro. Eles avaliam, contudo, que a “vitória” do Estado brasileiro neste episódio não significa que novos embates entre países e corporações como o X não surgirão e que, no futuro, o resultado pode vir a ser diferente. “É uma luta constante”, disse à BBC News Brasil o professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP Pablo Ortellado. Leia também: Desbloqueio do X no Brasil: como a rede volta ao ar, quanto tempo leva Da suspensão à autorização para voltar ao ar: veja a cronologia do período do X sem operar no Brasil Precedente internacional e recado a empresas Plataforma X do bilionário Elon Musk (à esquerda) ficou suspensa de 30 de agosto a 08 de outubro, por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes (à direita) Reuters, AP Photo Rick/Rycroft, Reuters Na avaliação da coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) Renata Mielli, o principal recado enviado pela forma como o STF autorizou o retorno do X no Brasil é a de que as empresas não podem estar acima dos Estados. “Isso demonstra que nenhuma empresa está acima das instituições de um Estado. Cada país tem suas leis e as empresas precisam respeitar o marco regulatório. Os Estados não podem se intimidar diante de chantagens ou ameaças vindas de empresas”, afirmou Mielli à BBC News Brasil. O CGI.br é um comitê criado em 2003 com o objetivo de estabelecer diretrizes sobre o uso e desenvolvimento da internet no Brasil e que conta com a participação de integrantes do governo, do setor privado e de organizações não-governamentais. Mielli disse acreditar que a forma como o caso foi conduzido no Brasil deverá ter impacto internacional na medida em que o embate vivido no país também ocorre em outros locais. “A mensagem do que aconteceu aqui repercute internacionalmente porque a postura de parte dessas empresas de tecnologia ou redes sociais é a de levar a situação até o limite na tentativa de não se submeter às regras locais. Vimos muitos países indicarem que adotariam a postura que o Brasil adotou caso empresas decidissem não cumprir as regras locais”, disse Mielli. Atualmente, o X também enfrenta questionamentos na União Europeia e já foi alvo de decisões judiciais ou governamentais em países como a Índia, e na Turquia, onde o X também acabou cedendo. Na União Europeia, por exemplo, o X foi acusado potencialmente de “enganar” seus usuários ao conceder um selo de verificação de contas mediante pagamento. O regulador de tecnologia do bloco europeu afirmou que os usuários poderiam ser levados a pensar que a identidade daqueles com o selo azul foi verificada, quando, na verdade, qualquer pessoa pode pagar por ele. O regulador disse ter encontrado evidências da ação de "agentes maliciosos" abusando do sistema. Musk respondeu dizendo que as regras impostas pela União Europeia resultavam em “censura”. João C. Magalhães, professor de Mídia, Política e Democracia na Universidade Groningen, na Holanda, disse à BBC News Brasil que o resultado da crise entre o STF e o X reforçou a tese de que em embates como esse, a tendência é de que os Estados nacionais vençam. “No final das contas é isso que acontece. O Estado sempre ganha. Os Estados nacionais é que têm o poder de fato. Sempre que se imagina que as big techs são mais poderosas que o Estado é preciso lembrar que elas só têm o poder que detêm porque o Estado, de alguma forma, permitiu”, disse o professor. Magalhães afirmou que a situação envolvendo o X colocou tanto o STF quanto a rede social de Musk em uma posição em que não havia outra decisão a tomar. “Seria extremamente surpreendente que o STF fosse aceitar que uma empresa descumprisse uma ordem [...] e para o X, a única opção era ficar de fora do Brasil ou deixar que seus usuários utilizassem a rede apenas com uma VPN (programa auxiliar que simula que o dispositivo esteja localizado geograficamente fora do território nacional)”, disse. "Apesar de parecerem poderosas, essas empresas não têm exércitos. Não podem obrigar as pessoas a consumir seus produtos. O monopólio da força é do Estado", afirmou. O professor Pablo Ortellado avalia que o caso brasileiro cria um precendente internacional. “O Brasil mostrou que, com uma postura muito dura, foi possível fazer uma big tech se submeter às leis. Esse é um aspecto que acho positivo”, afirmou. Pilares do desfecho Na avaliação de Ortellado, fazer com que Elon Musk se “curvasse” às leis brasileiras aconteceu por conta de uma conjunção de fatores. “O primeiro fator é que a comunidade de especialistas no tema no Brasil estava de acordo com a decisão de suspender a plataforma. Apesar de haver alguma divergência, havia um amplo apoio à essa decisão”, afirmou. O segundo fator, segundo ele, foi a concordância de parte da imprensa. “Não me lembro de ver nenhum editorial de algum grande jornal ou empresa de comunicação se posicionando contra essa medida”, disse. Segundo ele, essa anuência teria dado respaldo à decisão junto à maior parte da opinião pública. O outro fator elencado por ele foi de ordem econômica. “Ele (Musk) teve que entender que corria o risco de ter uma perda de receita de um ator importante, uma vez que o Brasil tem em torno de 15% do mercado global do Twitter. Além disso, Moraes começou a onerar a Starlink (empresa de satélites de Musk) para fazê-la pagar as multas do Twitter. Isso começou a estrangular financeiramente a empresa. O X viu que sairia mais barato cumprir as regras”, disse Ortellado. Para o professor João C. Magalhães, um fator preponderante para que o STF não recuasse da suspensão foi a politização em torno do assunto. “Existia uma percepção de que Elon Musk não era só um empresário, mas um ator político que entra no contexto brasileiro como aliado ao bolsonarismo e o bolsonarismo é visto como antidemocrático pela maioria no STF. A politização do caso é fundamental pra entender porque o STF decidiu fazer o óbvio, que era cumprir a lei em vez de buscar uma negociação”, disse. Elon Musk é visto como uma pessoa próxima do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os dois se encontraram pessoalmente no Brasil em 2022 durante uma visita do empresário ao país. Em seus perfis, Musk se posicionou a favor de Bolsonaro e chegou a acusar o ministro Alexandre de Moraes de ter interferido no resultado das eleições presidenciais de 2022. Após a suspensão do X no Brasil, diversos políticos de direita e do campo bolsonarista saíram em defesa do empresário e criticaram o STF. O outro lado da moeda Para Pablo Ortellado, um outro recado enviado pela maneira como o X volta a funcionar no Brasil é o de que teria prevalecido a suposta “linha dura” de Alexandre de Moraes na condução de investigações relacionadas à tentativa de golpe ocorrida no dia 8 de janeiro de 2023. Parte da decisão que levou à suspensão do X foi uma reação de Moraes ao fato de o X não atender determinações suas para suspender contas de pessoas investigadas no caso de janeiro de 2023. “O ponto negativo desse caso é que prevaleceu a posição de Moraes e ele vem pesando a mão (em suas decisões). Não ignoro o fato de que Musk tem uma agenda política, mas as alegações do X sobre o banimento de contas tinham, sim, cabimento. O banimento de contas da forma como vinha sendo feito não estava respaldado na tradição brasileira”, afirmou. Ortellado disse que, até o dia 8 de janeiro de 2023, o entendimento no Brasil é de que não havia censura prévia. Caso alguma postagem ilícita fosse detectada, ela deveria ser deletada. Por conta do episódio, Moraes passou a determinar o banimento de contas que supostamente estavam ligadas à publicação de mensagens de ódio ou contrárias à democracia. “Pressupor que uma conta vá cometer um ilícito e tirá-la do ar é censura prévia”, disse. Ortellado avaliou que, considerando o contexto brasileiro, a manutenção da suspensão do X até que a rede cumprisse as determinações do Judiciário brasileiro envia um sinal de força. Essa força, porém, pode ter consequências em direções diferentes. “O caso brasileiro abre um precedente importante para outros países do mundo. Isso pode ser usado de uma forma boa ou ruim. O recado é que se você for duro o suficiente, as empresas se curvam. Isso pode valer para países com regras razoáveis como na Europa. E podem valer para estados autoritário”, afirmou. Renata Mielli disse não saber se novos embates como o que foi travado entre o X e o STF irão acontecer no Brasil, mas defendeu que a única forma de evitar crises como esta seria aprovação de uma regulamentação para as redes sociais, cujo projeto está parado no Congresso Nacional. Ela mencionou que em 2023, diversas empresas deste setor pagaram anúncios e fizeram uma campanha midiática para influenciar parlamentares a não votar um projeto de lei que visava regulamentar o funcionamento das redes sociais. O projeto encontrou resistência de parte de parlamentares da direita que argumentaram que as regras poderiam penalizar militantes e políticos desta corrente política que usam redes sociais para se manifestarem. “Só existe vacina contra esse tipo de situação se tivermos uma legislação para regular as plataformas digitais. O Congresso Nacional, motivado por interesses próprios e pelo forte lobby das big techs, não apreciou o projeto e fez com que uma decisão sobre o caso do X recaísse sobre o STF”, disse. Para Mielli, enquanto a regulamentação não vem, as empresas do setor deverão adotar uma postura mais cautelosa em relação a cumprir ou não ordens da Justiça brasileira. “Qualquer empresa que presta serviço no Brasil vai pensar duas vezes antes de medir forças com o Estado Brasileiro de novo. Disso eu não tenho dúvida”, afirmou. Mais seguidores que eleitores: influenciadores podem desequilibrar uma eleição? Como cookie velho vendido a R$ 65 causou revolta nas redes sociais da Austrália Por que o século 21 é o 'século da China'

Nobel de Química 2024 vai para trio que decifrou segredos por trás das proteínas com inteligência artificial


Vencedores, dois americanos e um britânico, levam o prêmio de 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 5,8 milhões). As láureas em Literatura e Paz serão entregues ainda nesta semana; já a de Economia será divulgada na próxima segunda (10). David Baker, Demis Hassabis e John M. Jumper são os ganhadores do Prêmio Nobel 2024 em Química. The Nobel Prize/Academia Real das Ciências da Suécia David Baker, Demis Hassabis e John M. Jumper são os ganhadores do Prêmio Nobel 2024 em Química, anunciou a Academia Real das Ciências da Suécia nesta quarta-feira (9). Baker e Jumper são americanos. Já Hassabis, que ajudou a fundar a empresa de pesquisa em inteligência artificial que mais tarde se transformou no Google DeepMind, é britânico. Eles dividirão o prêmio que totaliza 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 5,8 milhões). Eles levam a láurea deste ano por decifrarem os segredos das proteínas (moléculas fundamentais para as nossas células e, consequentemente, para a vida) por meio da inteligência artificial (IA) e da computação. Na última terça (8), o Nobel de Física também premiou pesquisas sobre aprendizado de máquina e redes neurais artificiais, estudos fundamentais para o desenvolvimento da IA. "Os químicos há muito sonham em entender e dominar completamente as ferramentas químicas da vida – as proteínas. E esse sonho agora está ao nosso alcance", afirmou o comitê do Nobel, em um comunicado. LEIA TAMBÉM: MEDICINA: Nobel de 2024 vai para Victor Ambros e Gary Ruvkun pela descoberta dos microRNAs FÍSICA: Nobel de 2024 vai para dois cientistas com estudos sobre aprendizado de máquina Prêmio Nobel: o que é, quais são as categorias e como são escolhidos os vencedores Niels Bohr: a história do Prêmio Nobel que recebeu cerveja de graça em casa por 30 anos Hassabis e Jumper usaram inteligência artificial para mapear quase todas as estruturas de proteínas já conhecidas pela ciência. Já Baker conseguiu criar proteínas inéditas. "As implicações dessas descobertas são enormes", acrescentou o comitê. No ano passado, o prêmio de Química foi para três cientistas pela descoberta e pelo desenvolvimento de pontos quânticos, nanopartículas tão pequenas que o seu tamanho determina as suas propriedades. Desde 1901, mais de cem prêmios foram concedidos. A distinção científica só não foi realizada em oito ocasiões: em 1916, 1917, 1919, 1924, 1933, 1940, 1941 e 1942. Das 194 pessoas agraciadas com o Nobel em Química, apenas 8 eram mulheres. Entre elas, a cientista polonesa Marie Curie, a primeira mulher a ganhar um Nobel. Até agora, o Nobel não premiou nenhuma mulher este ano. CIENTISTAS: Mulheres somam apenas 5% dos vencedores do Prêmio Nobel desde 1901 LISTA: sete mulheres pioneiras na ciência Curiosidades sobre o Nobel de Química O vencedor mais jovem foi Frédéric Joliot, que tinha 35 anos quando, ao lado de sua esposa Irène Joliot-Curie, recebeu o prêmio em 1935. Já o mais velho foi John B. Goodenough, premiado em 2019 aos 97 anos, sendo também o mais idoso a receber qualquer Nobel. Entre os prêmios de química, 63 foram concedidos a um único laureado, enquanto 25 foram compartilhados por dois vencedores e 27 por três. Os estatutos da premiação determinam que o prêmio pode ser dividido entre até três pessoas, caso tenham colaborado em uma mesma obra ou duas obras distintas de igual importância. Ao todo, 194 pessoas já receberam o Nobel de Química entre 1901 e 2023. No entanto, como Frederick Sanger e Barry Sharpless foram premiados duas vezes, o número total de laureados únicos é 192. Além disso, até o momento, apenas oito mulheres receberam o Nobel de Química. Entre elas, Marie Curie e Dorothy Crowfoot Hodgkin são as únicas a terem conquistado o prêmio sozinhas. Nobel 2024 A láurea em Medicina foi a primeira a ser anunciada, na segunda (7). A de Física foi divulgada na terça (8). Os prêmios em Literatura e Paz serão entregues ainda nesta semana; já a láurea em Economia será divulgada na próxima segunda (14). Veja o cronograma: Medicina: segunda-feira, 7 de outubro Física: terça-feira, 8 de outubro Química: quarta-feira, 9 de outubro Literatura: quinta-feira, 10 de outubro Paz: sexta-feira, 11 de outubro Economia: segunda-feira, 14 de outubro Veja, abaixo, perguntas e respostas sobre o prêmio. O que é o Prêmio Nobel? A láurea foi criada pelo químico e empresário Alfred Nobel. Inventor da dinamite em 1867, o sueco doou a maior parte de sua fortuna em testamento para a criação de prêmios de física, química, medicina, literatura e paz (o prêmio de economia foi criado anos mais tarde). O documento dizia que os prêmios deveriam ser concedidos “àqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior benefício à humanidade”. Um busto do fundador do Prêmio Nobel, Alfred Nobel, em exibição durante cerimônia de entrega da láurea em 2018, em Estocolmo. Henrik Montgomery/TT News Agency via AP, File Contudo, hoje em dia, conforme explica Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska -o júri do Nobel de Medicina-, essa regra não é mais tão levada à risca. "Você pode ter feito essa descoberta em um estágio muito inicial de sua carreira de pesquisa, ou pode ter feito essa descoberta em um estágio muito avançado de sua carreira de pesquisador", ressalta a pesquisadora. Como o prêmio é escolhido? Todos os anos, o Comitê do Nobel envia um pedido de nomeação para membros da comunidade científica. Isso significa que alguns candidatos elegíveis recebem um convite especial para enviar seus nomes. Sem esse convite, nenhum postulante pode concorrer ao prêmio. "Você não pode se nomear, mas membros de comunidades científicas, reitores de faculdades de Medicina [no caso do prêmio na área], ex-laureados com o Prêmio Nobel e outros que trabalham no ramo científico mais amplo e que receberam esse pedido podem fazer uma indicação", diz Zierath. Quantas pessoas podem compartilhar o mesmo prêmio? Até três pessoas podem compartilhar um Prêmio Nobel, ou uma organização pode ganhar a láurea da Paz. A Fundação Nobel, responsável por realizar os desejos do seu fundador, ressalta que essa regra está descrita no testamento de Alfred Nobel. A medalha do Prêmio Nobel. Angela Weiss/Pool Photo via AP, File “Em nenhum caso o valor do prêmio pode ser dividido entre mais de três pessoas", destaca um trecho do documento. Alguns pesquisadores, porém, criticam essa escolha e afirmam que as descobertas científicas de hoje em dia são muito mais coletivas: um trabalho de vários pesquisadores. A láurea pode ser concedida postumamente? Tem limite de idade? Não, um Prêmio Nobel não pode ser concedido postumamente. Apesar, disso, a Fundação ressalta que, desde 1974, se o destinatário do prêmio falecer após o anúncio, a láurea ainda poderá ser concedida. Sobre o limite de idade, o prêmio também não tem uma regra a respeito. "O que eu diria é que, na maioria das vezes, levamos muitos anos até que o campo científico reconheça que a descoberta que você fez é uma distinção que deveria ser considerada para um Prêmio Nobel. Então, às vezes você tem que ser bastante paciente", ressalta Zierath.

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Como recurso do iPhone pode ser aliado contra furacão Milton, nos EUA


Conexão via satélite no celular da Apple permite enviar mensagens de emergência e pode ser útil em situações de desastres naturais. Recurso foi anunciado em 2022, mas ainda não está disponível no Brasil. iPhone 16 em uma loja da Apple em Nova York, em foto de setembro de 2024 AP Photo/Ted Shaffrey A aproximação do furacão Milton aos Estados Unidos fez alguns usuários voltarem a atenção para um recurso de modelos recentes do iPhone que pode ser útil em desastres naturais. Com ele, é possível buscar ajuda mesmo se o celular estiver sem sinal de internet. Isso é possível porque o celular da Apple tem suporte para conexão via satélite, que pode ser usada para enviar mensagens para serviços de emergência, amigos e familiares, compartilhar sua localização e pedir ajuda na estrada. Anunciado em 2022, o recurso ainda está indisponível no Brasil, mas é oferecido a partir do iPhone 14 em 17 países. Os usuários também devem ter atualizado os celulares para o iOS 16.1 ou versões mais recentes. O recurso é gratuito nos primeiros dois anos após a ativação do aparelho. A Apple explica que, com a conexão via satélite, o iPhone pode demorar um pouco mais para enviar e receber mensagens. A velocidade pode variar de acordo com as condições do local: o ideal é que o usuário tenha visão aberta do céu e não esteja cercado por obstruções, diz a empresa. O recurso ajudou alguns usuários nos EUA durante a passagem do furacão Helene, há pouco mais de uma semana. E, em 2022, permitiu o resgate por helicóptero de duas pessoas que caíram no meio de cânions após um acidente de carro. Conexão via satélite no iPhone Divulgação/Apple Como é a conexão com o satélite A partir do iOS 18, o iPhone tem uma ferramenta que ajuda a se conectar com o satélite. O Assistente de Conexão pode ser acessado por meio do ícone que aparece à direita da tela, na Central de Controle, ou na seção Satélite do app Ajustes. Depois, basta escolher um recurso de satélite e permanecer em um ambiente aberto para enviar e receber mensagens. O iPhone também pode exibir instruções sobre o melhor posicionamento para manter a conexão estável. Para usar o recurso, é preciso ter instalado pelo menos o iOS 16.1. Confira como atualizar o iPhone: Clique em "Ajustes"; Depois, selecione o item "Geral"; Escolha a opção "Atualização de Software". LEIA TAMBÉM: iPhone 16 é lançado com novo botão para controlar a câmera; veja preços no Brasil iOS 18 ganha gerenciador de senhas e mais opções de personalização; veja novidades X liberado: veja memes e reações na rede e nos concorrentes Bluesky e Threads iPhone 16 é lançado com novo botão para controlar a câmera; veja preços no Brasil

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...