segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Quem são e quanto faturam os maiores influenciadores do mundo, segundo a 'Forbes'


Youtuber MrBeast, que liderou o ranking, faturou cerca de R$ 485 milhões em um ano; entre as mulheres, a tiktoker Charli D'Amelio foi a melhor colocada, ocupando a quarta posição. Os maiores influencers do mundo em 2024, segundo a Forbes: (da esq para dir) Mr Beast, Dhar Mann, Charli D'Amelio e os gêmeos Stoke Divulgação/Reprodução redes sociais Apresentadora de podcast sobre sexualidade, youtuber que compartilha desafios, ex-engenheiro da NASA e gêmeos idênticos que pregam "pegadinhas" são algumas das personalidades presentes na Top Creators, lista que elenca os maiores influenciadores do mundo, divulgada nesta segunda-feira (28) pelas revista Forbes. Para definir o ranking, a "Forbes" considerou o faturamento estimado em 1 ano, o número de seguidores, o engajamento (curtidas, comentários e compartilhamentos divididos pela quantidade de seguidores) e os negócios comerciais de cada influenciador. O youtuber MrBeast foi o primeiro colocado da lista. Em 1 ano, o youtuber faturou US$ 85 milhões (o equivalente a R$ 485 milhões, na cotação de 28 de outubro). Em junho deste ano, o canal de MrBeast se tornou o que tem o maior números de inscritos do YouTube. Por que Mr Beast, o 'rei' do YouTube, está sendo processado por grupo de mulheres A maioria dos participantes da lista é dos Estados Unidos – não há nenhum brasileiro no ranking. ​💰​ Juntos, os 50 principais faturaram quase US$ 720 milhões em 1 ano (cerca de R$ 4 bilhões) e US$ 20 milhões (R$ 114 milhões) a mais do que em 2023. Conheça abaixo os 10 maiores influenciadores de 2024: 1) Mr Beast 💰 Faturamento estimado: US$ 85 milhões (R$ 485 milhões, na cotação de 28 de outubro) 👤 Nº de seguidores: 503 milhões 👍 Engajamento: 2.38% Jimmy Donaldson (o nome verdadeiro de MrBeast) é um americano de 26 anos que costuma publicar vídeos com desafios, como passar horas na Antártica, ou jogos valendo dinheiro. Mas nem todos se encaixam nestas categorias: um vídeos recente superou as 150 milhões de visualizações ao mostrar um trem caindo em um buraco. Jimmy Donaldson, conhecido como MrBeast Richard Shotwell/Invision/AP O YouTube é a rede onde ele é mais conhecido. Quando se torno o maior canal em número de inscritos, em junho, tinha 270 milhões. Esse número já subiu para 324 milhões até agora. MrBeast ganhou destaque por investir parte do que ganha em vídeos ultracaros: alguns chegam a custar milhões para serem produzidos. Em junho de 2023, ele disse a um podcast que reinveste "cada centavo que ganha", segundo relatou à BBC. É essa abordagem de conteúdo que pode começar a explicar por que o YouTuber americano atrai um público tão gigante — o que permite aumentar cada vez mais as apostas que ele faz. 2) Dhar Mann 💰 Faturamento estimado: US$ 45 milhões de dólares (R$ 257 milhões, na cotação de 28 de outubro) 👤 Nº de seguidores: 120 milhões 👍 Engajamento: 0,33% Dhar Mann faz conteúdos sobre bullying, racismo e desigualdade junto com uma equipe de mais de 150 pessoas, descreve a Forbes. Nas redes, ele também mostra sua família, com duas filhas. O influenciador, filho de imigrantes indianos, produz curtas-metragens roteirizados com atores. Seu faturamento vem de parcerias com o WhatsApp, a Universal, entre outras marcas, além de anúncios no Google. Mann também tem uma marca de produtos de beleza chamada LiveGlam. Dhar Mann, o segundo maior influencer do mundo em 2024, segundo a Forbes Instagram 3) Matt Rife Matt Rife, o terceiro maior influencer do mundo em 2024, segundo a Forbes Instagram 💰 Faturamento estimado: US$ 50 milhões de dólares (R$ 285 milhões, na cotação de 28 de outubro) 👤 Nº de seguidores: 30.4 milhões 👍 Engajamento: 3% O humorista Matt Rife tem levado multidões aos seus shows de stand-up. Ele viralizou no TikTok in 2022 e tem dois especiais de comédia no Netflix. No primeiro, "Natural Selection", foi criticado por uma piada sobre violência doméstica, segundo a Forbes. 4) Charli D’Amelio 💰 Faturamento estimado: US$ 23,5 milhões de dólares (R$ 134 milhões, na cotação de 28 de outubro) 👤 Nº de seguidores: 213.5 milhões 👍 Engajamento: 0,27% A americana de 20 anos ganhou fama com dancinhas no TikTok – algumas delas com sua irmã Dixie D'Amelio, a sexta colocada no ranking. Na lista, Charli só perde em seguidores para o campeão, MrBeast. Charli D'Amelio Vianney Le Caer/Invision/AP A tiktoker fundou com a família uma empresa para administrar contratos de publicidade e gerenciar suas marcas, que vão de produtos de skin care a calçados. 5) Gêmeos Stokes (Stokes Twins) 💰 Faturamento estimado: US$ 20 milhões de dólares (R$ 114 milhões, na cotação de 28 de outubro) 👤 Nº de seguidores: 113.7 milhões 👍 Engajamento: 3.09% Famosos pelos vídeos de "pegadinhas" e desafios, os gêmeos idênticos Alex e Alan Stokes têm um dos canais que mais crescem no YouTube, descreve a Forbes. Eles não apareceram na lista dos top criadores em 2023. Somando com a audiência em outras redes, como o TikTok, os irmãos já acumulam mais de 4 bilhões de visualizações nas redes. Em 2020, foram condenados por "pegadinhas" de roubo a banco, onde fingiram ser ladrões. Correndo risco de serem presos, assumiram o crime e acabaram tendo a pena reduzida para 160 horas de serviço comunitário. Youtubers Alan e Alex Stokes em vídeo em que 'trollam' pessoas fingindo serem ladrões Reprodução Em um desses vídeos, policiais chegaram a apontar armas para o motorista de Uber que levava os irmãos sem saber o que estava acontecendo. 6) Dixie D’Amelio 💰 Faturamento estimado: US$ 14,6 milhões de dólares (R$ 83 milhões, na cotação de 28 de outubro) 👤 Nº de seguidores: 87 milhões 👍 Engajamento: 1.88% Dixie D'Amelio saltou da 18ª posição no ranking em 2023 para a sexta, pouco atrás da irmã mais nova, Charli. Ela ficou dançando em vídeos com Charli ou fazendo palhaçadinhas na frente do celular, descreveu o g1, que entrevistou a tiktoker em 2021. Na época, Dixie vinha se arriscando como cantora. Seu single "Be Happy" já foi ouvido 100 milhões de vezes no Spotify. Dixie D'Amelio, a influenciadora de 80 milhões de fãs que quer ir do TikTok aos palcos Mas a Forbes atribui sua relevância pela identificação com o ramo da moda. Aos 23 anos, Dixie tem parcerias com grifes como Chopard, Ferragamo, Louis Vuitton e Valentino. Ela e a irmã também estão à frente de uma linha de calçados que leva o sobrenome delas. 7) Mark Rober 💰 Faturamento estimado: US$ 25 milhões (R$ 143 milhões na cotação de 28 de outubro) 👤 Nº de seguidores: 61.9 milhões 👍 Engajamento: 2.09% O ex-engenheiro da Nasa Mark Rober é o mais velho entre os top 10 da lista, com 44 anos. No ano passado, ele era apenas o 29º colocado. A Forbes destaca que ele praticamente dobrou o número de inscritos em seu canal no YouTube neste ano, saltando de 30 milhões para mais de 57 milhões. Os vídeos de Rober focam em ciência e os testes chamam a atenção pelas propostas inusitadas, como saber se ácido pode ser mais destrutivo do que lava. Ele também tem parceria com o canal Discovery. Mark Rober Instagram Além de monetizar vídeos, ele fatura com a venda de produtos por assinatura sobre os temas, para crianças e adultos. 8) Alex Cooper 💰 Faturamento estimado: US$ 22 milhões (R$ 125,6 milhões na cotação de 28 de outubro) 👤 Nº de seguidores: 5.7 milhões 👍 Engajamento: 6.5% Alexandra Cooper é a apresentadora do podcast sobre sexo e relacionamento Call Her Daddy. Segundo a Forbes, Alex transformou o produto de comunicação em um gigante de mídia multifacetado. Em um dos episódios de 2023 ela entrevistou Anitta. Nos últimos anos, Cooper fechou um acordo de US$ 60 milhões com o Spotify; mais recentemente, ela fechou um novo contrato ainda mais recheado (de US$ 125 milhões), para levar seus programas de áudio para o SiriusXM, serviço de streaming de áudio dos EUA. Alex Cooper Instagram 9) Rhett & Link 💰 Faturamento estimado: US$ 36 milhões (R$ 205,5 milhões na cotação de 28 de outubro) 👤 Nº de seguidores: 14.3 milhões 👍 Engajamento: 0.25% Os dois influenciadores afirmam ser melhores amigos desde 1984 e estão no YouTube desde 2006. Eles começaram com esquetes de humor no Youtube e, hoje, também produzem outros tipos de programas na plataforma. Em um dos canais, eles provam diferentes tipos de comida, testam produtos, reproduzem virais das redes sociais e convidam famosos para participarem de jogos. Além disso, eles têm um podcast e uma loja que vende produtos relacionados ao seu canal no Youtube. Rhett McLaughlin e Link Neal Richard Shotwell/Invision/AP 10) Khaby Lame 💰 Faturamento estimado: US$ 20 milhões (R$ 114 milhões na cotação de 28 de outubro) 👤 Nº de seguidores: 255 milhões 👍 Engajamento: 0.25% Luva de Pedreiro e Khaby Lame Reprodução/Redes Sociais Segundo a Forbes, Khaby é a pessoa mais seguida no TikTok, com 163 milhões de seguidores apenas nessa rede social. Ele ficou famoso por produzir vídeos de comédia, onde reage a memes e tendências que viralizaram nas redes sociais. Khaby não costuma falar em seus conteúdos, mas conquistou o público com seus gestos e expressões engraçadas. Em 2022, ele chegou a gravar, na Itália, com o influenciador brasileiro Luva de Pedreiro, que bancou o visitante intrometido que atrapalha a rotina do italiano. O resultado da brincadeira é um vídeo em que o baiano é expulso da casa em uma encenação com direito a pulos na cama, roubo de comida e espuma de xampu espalhada pelo chão. Como pano de fundo, é claro, o bordão inesquecível: "Receba!" Confira a lista completa dos 50 maiores influenciadores de 2024 abaixo: Veja mais: Por que os jovens estão deixando de usar aplicativos de relacionamento?

Os maiores influenciadores do mundo em 2024, segundo a Forbes


MrBeast mantém liderança no ranking, com faturamento estimado equivalente a R$ 485 milhões em um ano, de acordo com o levantamento. Por que Mr Beast, o 'rei' do YouTube, está sendo processado por grupo de mulheres Steven Kahn O youtuber MrBeast segue como o maior influenciador do mundo, segundo levantamento Top Creators, divulgado nesta segunda-feira (28) pela revista Forbes. O criador de conteúdo teve faturamento estimado em US$ 85 milhões (o equivalente a R$ 485 milhões) na cotação de 28 de outubro em 1 ano. Ele também liderou a lista em 2023. Em junho deste ano, seu canal se tornou o que tem o maior números de inscritos do YouTube ao alcançar 270 milhões. Esse número já subiu para 324 milhões (saiba mais sobre o youtuber ao fim da reportagem). Veja abaixo a lista dos 10 maiores influenciadores. A maioria é dos Estados Unidos – não há nenhum brasileiro no ranking. Juntos, os 50 principais faturaram quase US$ 720 milhões em 1 ano (cerca de R$ 4 bilhões) e US$ 20 milhões (R$ 114 milhões) a mais do que em 2023. Por que Mr Beast, o 'rei' do YouTube, está sendo processado por grupo de mulheres A tiktoker Charli D'Amelio também continua sendo a mulher mais bem colocada, ocupando a quarta posição neste ano, uma acima da que teve em 2023. Ela só perde para Mr.Beast em número de seguidores, mas fatura menos que os primeiros colocados. Para definir os maiores criadores, a "Forbes" considerou o faturamento estimado em 1 ano, o número de seguidores, o engajamento (curtidas, comentários e compartilhamentos divididos pela quantidade de seguidores) e os negócios comerciais de cada influenciador. Maiores influencers em 2024 1) Mr Beast Faturamento: US$ 85 milhões Seguidores: 503 milhões Jimmy Donaldson, conhecido como MrBeast Richard Shotwell/Invision/AP 2) Dhar Mann Faturamento: US$ 45 milhões Seguidores: 120 milhões Dhar Mann, o segundo maior influencer do mundo em 2024, segundo a Forbes Instagram 3) Matt Rife Faturamento: US$ 50 milhões Seguidores: 30,4 milhões Matt Rife, o terceiro maior influencer do mundo em 2024, segundo a Forbes Instagram 4) Charli D’Amelio Faturamento: US$ 23,5 milhões Seguidores: 213,5 milhões Charli D'Amelio Vianney Le Caer/Invision/AP 5) Gêmeos Stokes (Stokes Twins) Faturamento: US$ 20 milhões Seguidores: 113,7 milhões Youtubers Alan e Alex Stokes em vídeo em que 'trollam' pessoas fingindo serem ladrões Reprodução 6) Dixie D’Amelio Faturamento: US$ 14,6 milhões Seguidores: 87 milhões Dixie D'Amelio Divulgação/Steven Gomillion 7) Mark Rober Faturamento: US$ 25 milhões Seguidores: 61,9 milhões Mark Rober Instagram 8) Alex Cooper Faturamento: US$ 22 milhões Seguidores: 5,7 milhões Alex Cooper Instagram 9) Rhett & Link Faturamento: US$ 36 milhões Seguidores: 14,3 milhões Rhett McLaughlin e Link Neal Richard Shotwell/Invision/AP 10) Khaby Lame Faturamento: US$ 20 milhões Seguidores: 255 milhões Luva de Pedreiro e Khaby Lame Reprodução/Redes Sociais Quem é MrBeast MrBeast, o youtuber mais popular do mundo Getty Images MrBeast (seu nome verdadeiro é Jimmy Donaldson) é um americano de 26 anos que costuma publicar vídeos com desafios, como passar horas na Antártica, ou jogos valendo dinheiro. Mas nem todos se encaixam nestas categorias: um vídeos recente superou as 150 milhões de visualizações ao mostrar um trem caindo em um buraco. O YouTube é a rede onde ele é mais conhecido. Ele ganhou destaque por investir parte do que ganha em vídeos ultracaros: alguns chegam a custar milhões para serem produzidos. Em junho de 2023, ele disse a um podcast que reinveste "cada centavo que ganha", segundo relatou à BBC. É essa abordagem de conteúdo que pode começar a explicar por que o YouTuber americano atrai um público tão gigante — o que permite aumentar cada vez mais as apostas que ele faz.

O casal que processou o Google — e ganhou R$ 14 bilhões


Shivaun Raff e seu marido, Adam, descrevem a longa batalha judicial que tiveram com a gigante da tecnologia Google. Shivaun and Adam Raff Reprodução/BBC "O Google essencialmente nos fez desaparecer da internet." Dias de lançamento são igualmente emocionantes e aterrorizantes para muitos fundadores de empresas que vão estrear no mercado. Mas provavelmente esse dia nunca será pior do que o vivenciado por Shivaun Raff e seu marido, Adam. Era junho de 2006 e o casal estava prestes a lançar o Foundem, um ​​site pioneiro de comparação de preços. No projeto, eles sacrificaram empregos bem pagos e construíram a plataforma do zero. Eles não sabiam na época, mas aquele dia — e os dias que se seguiram — marcariam o começo do fim da empresa. Isso porque o Foundem foi atingido por uma penalidade de pesquisa do Google, provocada por um dos filtros automáticos de spam do mecanismo de pesquisa. Isso empurrou o site para baixo nas listas de resultados de pesquisa para consultas relevantes com esse mercado, como "comparação de preços" e "comparação de compras". Isso significava que o site do casal, que cobrava uma taxa quando os clientes clicavam em listas de produtos de outros sites, sofreu para ganhar algum dinheiro. "Estávamos monitorando nossas páginas e como elas estavam sendo classificadas [no sistema do Google]. Então vimos todas elas despencarem quase imediatamente", diz Adam. Embora o dia do lançamento do Foundem não tenha saído como planejado, ele seria o gatilho de outra coisa: uma batalha jurídica de 15 anos que culminou em uma multa recorde de € 2,4 bilhões (R$ 14,7 bi, na cotação do dia 27 de outubro) para o Google, que foi condenado por ter abusado de seu domínio de mercado. O processo é visto como um dos momentos mais marcantes na regulamentação global das grandes empresas de tecnologia. O Google passou sete anos resistindo à condenação, expedida em junho de 2017. Porém, em setembro deste ano, o Tribunal de Justiça Europeu rejeitou todos os recursos da companhia. Em entrevista ao programa The Bottom Line, da BBC Radio 4, Shivaun e Adam explicaram que, a princípio, eles pensaram que o início vacilante do site tinha sido simplesmente um erro. LEIA MAIS: Mãe diz que filho cometeu suicídio após se apegar a personagem criado por IA e processa startup e Google nos EUA Google lança Android 15 para o público geral; veja as principais novidades EUA consideram desmembrar Google em caso histórico "No começo, pensamos que isso seria um dano colateral", diz Shivaun, de 55 anos. "Nós apenas presumimos que tínhamos que escalar a plataforma para o lugar certo e essa penalização seria anulada." "Se o tráfego para o seu site for negado, você não tem um negócio", acrescenta Adam, de 58 anos. O casal enviou ao Google inúmeras solicitações para que a restrição automática fosse suspensa, mas, cerca de dois anos depois, nada havia mudado e eles relatam que não receberam nenhuma resposta. Enquanto isso, o site aparecia normalmente em outros mecanismos de busca. No entanto, isso realmente não importava, de acordo com Shivaun, já que "todo mundo usa o Google". O casal descobriria mais tarde que o site deles não era o único a ter sido colocado em desvantagem pelo Google — quando a gigante da tecnologia foi considerada culpada e multada em 2017, havia cerca de outras 20 queixas, que incluíam Kelkoo, Trivago e Yelp. Adam, que construiu uma carreira em na área da computação, diz que teve o "momento eureka" para criar a Foundem enquanto fumava um cigarro do lado de fora do escritório de seu antigo empregador. Na época, os sites de comparação de preços davam os primeiros passos, e cada um focava apenas num produto específico. Mas o Foundem era diferente, porque permitia que os clientes comparassem uma grande variedade de produtos — de roupas a passagens aéreas. "Ninguém mais chegou perto dessa ideia", sorri Shivaun, que foi consultora de software para várias grandes marcas globais. Durante o julgamento realizado em 2017, a Comissão Europeia concluiu que o Google havia promovido ilegalmente seu próprio serviço de comparação de compras nos resultados de pesquisa, enquanto rebaixava as plataformas criadas por concorrentes. Dez anos antes disso, porém — quando o Foundem foi lançado — Adam diz que não tinha motivos para supor que o Google estava sendo deliberadamente anticompetitivo em relação às compras online. "Eles não eram realmente competidores sérios nesse setor", avalia ele. No final de 2008, o casal começou a suspeitar de um jogo sujo. Faltavam três semanas para o Natal e a dupla recebeu uma mensagem que avisava que o site havia ficado lento e não carregava adequadamente. Eles pensaram que se tratava de um ataque cibernético, "mas na verdade era só que todo mundo tinha começado a visitar o Foundem", lembra Adam. À época, o programa The Gadget Show, do Channel 5, um dos canais da televisão britânica, tinha acabado de nomear o Foundem como o melhor site de comparação de preços do Reino Unido. "E isso foi muito importante", explica Shivaun, "porque então entramos em contato com o Google e dissemos, olha, certamente [esse bloqueio] não está beneficiando seus usuários e torna impossível para eles nos encontrarem". "Não fomos ignorados, mas recebemos uma resposta do Google no estilo 'saia daqui, vá procurar o que fazer'." "Nesse momento decidimos que precisávamos lutar", diz Adam. O casal foi à imprensa, com sucesso limitado, e levou a reclamação aos órgãos reguladores de Reino Unido, Estados Unidos e Bruxelas, na Bélgica. Foi neste último local — onde fica a Comissão Europeia (CE) — que o caso finalmente decolou, com o lançamento de uma investigação antitruste a partir de novembro de 2010. "Uma das coisas que eles nos disseram foi que, se esse era um problema sistêmico, por que éramos as primeiras pessoas que chegavam até lá", lembra Shivaun. "Dissemos que não tínhamos 100% de certeza, mas suspeitávamos que as pessoas estavam com medo, porque todas as empresas na internet dependem essencialmente do Google para a força vital que vem do tráfego." Google Getty Images 'Não gostamos de valentões' O casal estava em um quarto de hotel em Bruxelas, a apenas algumas centenas de metros do prédio da Comissão Europeia, quando a comissária de concorrência Margarethe Vestager finalmente anunciou o veredicto que eles e outros sites de compras esperavam. Mas não houve estouro de rolhas de champanhe. O foco deles então se voltou para garantir que a comissão colocasse a decisão em prática. "Acho que foi uma pena para o Google o que eles fizeram conosco", diz Shivaun. "Nós fomos criados sob a ilusão de que podemos fazer a diferença, e realmente não gostamos de valentões." Nem mesmo a derrota final do Google no caso no mês passado significou o fim do processo para o casal. Eles acreditam que a conduta do Google continua anticompetitiva e a Comissão Europeia segue investigando o caso. Em março deste ano, sob a nova Lei de Mercados Digitais, a comissão abriu uma investigação sobre a empresa controladora do Google, a Alphabet, para verificar se ela continua a dar preferência a seus próprios produtos e serviços nos resultados de pesquisa. Meta AI no WhatsApp: o que é a nova ferramenta de inteligência artificial e como utilizar Um porta-voz do Google afirmou: "O julgamento do Tribunal Europeu de Justiça [em 2024] se refere apenas à forma como mostramos os resultados dos produtos de 2008 a 2017." "As mudanças que fizemos em 2017 para cumprir com a decisão da Comissão Europeia funcionaram com sucesso por mais de sete anos, gerando bilhões de cliques para mais de 800 serviços de comparação de compras." "Por esse motivo, continuamos a contestar fortemente as alegações feitas pela Foundem e o faremos quando o caso for considerado pelos tribunais." O casal que criou a Foundem também busca uma ação de danos civis contra o Google, que deve começar a ser julgada no primeiro semestre de 2026. Mas quando, ou se, uma vitória final se concretizar, provavelmente ela virá com um gosto amargo — eles foram forçados a fechar a Foundem em 2016. A longa luta contra o Google também tem sido exaustiva para eles. "Acho que se soubéssemos que levaria tantos anos, talvez não tivéssemos feito a mesma escolha", admite Adam. Por que os jovens estão deixando de usar aplicativos de relacionamento?

domingo, 27 de outubro de 2024

Musk é acusado de ter trabalhado irregularmente nos EUA na década de 1990; bilionário nega


Reportagem do jornal Washington Post publicada no sábado (26) diz que Musk chegou aos EUA com visto de estudante para cursar uma pós-graduação, mas que abandonou o curso para abrir uma startup. Postagem de Elon Musk que faz alusão a uma 'guerra civil' gerou revolta no Reino Unido Reuters/Via BBC O empresário bilionário sul-africano Elon Musk trabalhou ilegalmente nos Estados Unidos durante um breve período na década de 1990 enquanto criava uma startup , informou o jornal americano Washington Post no sábado (26). Musk negou a reportagem no domingo (27), dizendo que ele tinha permissão para trabalhar legalmente nos EUA durante esse período. "Eu estava com um visto J-1 que fez a transição para um H1-B", ele disse em sua plataforma de mídia social X. O visto J-1 Exchange Visitor permite que estudantes estrangeiros obtenham treinamento acadêmico nos EUA, enquanto o visto H1-B é para emprego temporário. O veículo de notícias relatou que Musk chegou a Palo Alto, Califórnia, em 1995 para cursar a Universidade Stanford, mas nunca se matriculou em seu programa de pós-graduação lá. Em vez disso, ele desenvolveu a empresa de software Zip2, que foi vendida em 1999 por cerca de US$ 300 milhões, de acordo com o veículo. Dois especialistas em leis de imigração citados pelo Post disseram que Musk precisaria estar matriculado em um curso completo para manter uma autorização de trabalho válida como estudante. Musk disse em um podcast de 2020 citado pelo Post: "Eu estava legalmente lá, mas eu deveria estar fazendo trabalho de estudante. Eu tinha permissão para fazer trabalho de apoio a qualquer coisa." O Washington Post citou dois ex-colegas de Musk que se lembravam de Musk ter recebido sua autorização de trabalho nos EUA por volta de 1997. Musk apoiou o candidato presidencial republicano Donald Trump na eleição de 5 de novembro nos EUA, na qual o ex-presidente enfrenta a vice-presidente democrata Kamala Harris, em uma disputa que as pesquisas mostram ser acirrada. Trump tem retratado migrantes como invasores e criminosos há anos, e durante sua presidência (2017 a 2021) tomou medidas rigorosas para coibir a migração legal e ilegal. Ele está prometendo o maior esforço de deportação da história dos EUA se for reeleito. Veja mais: Musk sorteará US$ 1 milhão por dia a eleitores na Pensilvânia em apoio a Trump Rumo a Marte: quais os planos da SpaceX depois do teste de sucesso com a maior nave do mundo Como retorno de foguete da SpaceX para base pode tornar voos espaciais mais baratos A presença de Musk na campanha de Trump Musk pode fazer sorteio na campanha de Trump? Quem é Elon Musk?

sábado, 26 de outubro de 2024

Como o filme 'O Exterminador do Futuro' previu há 40 anos nossos medos sobre inteligência artificial


Protagonizado por Arnold Schwarzenegger, o sucesso de bilheteria de 1984 se tornou sinônimo dos perigos das máquinas superinteligentes — mas ele 'ajuda e atrapalha' nosso entendimento sobre a inteligência artificial. Arnold Schwarzenegger em cena do filme 'O Exterminador do Futuro' Alamy via BBC Em um episódio da série da HBO "Silicon Valley", Thomas Middleditch (Richard Hendricks) está explicando sua plataforma de machine learning (aprendizado automatizado) Pied Piper para participantes de um grupo focal, quando um deles inevitavelmente a compara ao filme "O Exterminador do Futuro", de James Cameron, de 1984. "Não, não, não", insiste o exasperado Middleditch. "Posso garantir que não há nenhuma situação do tipo Skynet aqui. Não, o Pied Piper não vai se tornar senciente e tentar dominar o mundo." Tarde demais. Ele perdeu a atenção dos participantes. Com robôs assassinos e um sistema de inteligência artificial (IA) rebelde, chamado Skynet, "O Exterminador do Futuro" se tornou sinônimo do espectro de uma IA que se volta contra seus criadores humanos. Os editores de imagens ilustram rotineiramente artigos sobre inteligência artificial com a caveira cromada do ciborgue assassino T-800 do filme. O roboticista Ronald Arkin usou trechos do filme durante uma palestra de advertência de 2013 chamada "Como NÃO construir um Exterminador do Futuro". Linda Hamilton e Michael Biehn participaram de O Exterminador do Futuro, um dos filmes mais lucrativos de todos os tempos Alamy via BBC Mas o filme divide opiniões. O filósofo Nick Bostrom, cujo livro "Superinteligência", de 2014, popularizou o risco existencial da "IA desalinhada" (inteligência artificial que não está alinhada com os valores e bem-estar humanos), admitiu que sua esposa o "provoca em relação ao Exterminador do Futuro, e o exército de robôs". Em seu livro "The Road to Conscious Machines" ("O Caminho para Máquinas Conscientes", em tradução livre), o pesquisador de IA Michael Woolridge dedica um capítulo inteiro a reclamar sobre "a narrativa do 'Exterminador do Futuro' relacionada à IA". Há filmes influentes mais recentes, e mais plausíveis, sobre inteligência artificial, incluindo "Ex Machina" e "Ela", mas quando se trata dos perigos da tecnologia, "O Exterminador do Futuro" reina supremo 40 anos após seu lançamento. "É quase, de uma forma engraçada, mais pertinente agora do que quando foi lançado", disse Cameron ao site The Ringer sobre o filme e sua sequência de 1991, "porque a IA agora é uma coisa real com a qual temos que lidar — e, na época, era uma fantasia." 'Antiarmas e antimáquina' Essa é uma grande conquista para um filme que, na verdade, não está particularmente interessado na inteligência artificial. Antes de mais nada, é um thriller simples e sinistro sobre um "homem" imparável que persegue uma mulher assustada, mas habilidosa. O T-800 é um assassino implacável, nos moldes do personagem Michael Myers, de "Halloween". Cameron o chamou de "filme de ficção científica de terror". Em segundo lugar, é um filme de viagem no tempo sobre o tema "destino x livre arbítrio", como disse Cameron. A premissa rapidamente resumida é que, em algum momento entre 1984 e 2029, os EUA confiaram todo o seu sistema de defesa à Skynet. Um dia, a Skynet ganhou superinteligência — uma mente própria —, e deu início a uma guerra nuclear global. Os sobreviventes da humanidade travaram então uma rebelião de décadas contra o exército de ciborgues da Skynet. Em 2029, a resistência humana está à beira da vitória graças à liderança de John Connor, e a Skynet envia um T-800 (Arnold Schwarzenegger) para o ano de 1984, com a missão de matar a futura mãe de John, Sarah (Linda Hamilton), antes que ela engravide. A resistência responde com o envio de Kyle Reese (Michael Biehn) para deter o T-800 — e salvar Sarah. Em um desses paradoxos de loop temporal que os espectadores não devem prestar muita atenção, Kyle se envolve com Sarah, e acaba se tornando o pai de John. O futuro é salvo. O 'esqueleto' do T-800 saindo das chamas foi uma referência ao robô queimado no clássico de ficção científica Metrópolis, de Fritz Lang, de 1927 Alamy via BBC "O Exterminador do Futuro" é, então, um thriller, uma história de amor, uma reflexão sobre o livre-arbítrio com viagem no tempo e uma sátira sobre nossa dependência da tecnologia. É anticorporativo, antiguerra, antiarmas e, em grande parte, antimáquina. A tecnologia, de secretárias eletrônicas a walkmans, está envolvida quando as pessoas são mortas no filme. Mas tem muito pouco a dizer sobre a inteligência artificial propriamente dita. "O Exterminador do Futuro" arrecadou US$ 78,4 milhões em bilheterias, mas Cameron não tinha expectativa de criar uma referência cultural. Ele escreveu o roteiro em um hotel decadente em Roma, em 1982, após ser demitido do seu primeiro trabalho como diretor, em "Piranha 2: Assassinas Voadoras"; e sua produtora, Gale Ann Hurd, só conseguiu arrecadar um orçamento de US$ 6,4 milhões. O ator principal, um ex-fisiculturista de talento duvidoso, não tinha grandes expectativas. Schwarzenegger contou a um amigo sobre "um filme de m... que estava fazendo, vai levar algumas semanas". O próprio Cameron esperava que "O Exterminador do Futuro" fosse "massacrado" nas bilheterias pelos dois épicos de ficção científica daquele outono: "Duna", de David Lynch, e "2010 - O Ano em Que Faremos Contato", de Peter Hyams, uma sequência logo esquecida de "2001 - Uma Odisseia no Espaço". Há uma sincronicidade interessante aqui: não só "O Exterminador do Futuro" superou o desempenho de "2010 - O Ano em Que Faremos Contato", como a Skynet suplantou o computador assassino HAL 9000 de "2001 - Uma Odisseia no Espaço", como a imagem dominante da inteligência artificial ​​que se rebela. Muito antes do campo da IA existir, seus perigos potenciais se manifestaram na forma do robô criado por Karel Čapek em sua peça "RUR", de 1921, e foram popularizados pelo filme "Metrópolis", de Fritz Lang, de 1927. Em seu excelente livro sobre "O Exterminador do Futuro", da série de Clássicos Modernos do Instituto de Cinema Britânico (BFI, na sigla em inglês), Sean French sugere que a cena mais memorável do filme — o T-800 saindo das chamas, com seu esqueleto metálico exposto, após seu revestimento de carne ter derretido — foi uma referência ao robô queimado em "Metrópolis". Na década de 1920, era óbvio que a inteligência artificial andaria e falaria, como o monstro de "Frankenstein". A popularidade dos robôs letais levou o escritor de ficção científica Isaac Asimov a elaborar, em 1942, as "três leis da robótica": a primeira tentativa de definir a inteligência artificial ética. No mundo real, o campo da inteligência artificial começou oficialmente em 1956, durante um curso de verão na Universidade de Dartmouth, organizado pelos cientistas da computação John McCarthy (que cunhou o termo) e Marvin Minsky. A ambição deles era desenvolver máquinas que pudessem pensar como seres humanos, mas isso se mostrou muito mais difícil do que eles imaginavam. A história da inteligência artificial ​​é marcada por altos e baixos, as chamadas "primaveras" e "invernos" da IA. As promessas alucinantes atraem atenção, financiamento e talentos; mas sua falha em se concretizar faz com que todos esses três elementos entrem em colapso. Os olhos vermelhos do ciborgue do Exterminador do Futuro são uma homenagem a HAL, o computador assassino de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick Alamy via BBC O boom da década de 1960, antes de a dimensão dos obstáculos técnicos se tornar aparente, é conhecido como a Era de Ouro da IA. O hype extravagante sobre "cérebros eletrônicos" entusiasmou o diretor Stanley Kubrick e o escritor Arthur C. Clarke, que incorporou a IA em "2001: Uma Odisseia no Espaço", de 1968, na forma de HAL 9000. O nome (sigla em inglês para "Computador Algorítmico Heuristicamente Programado") foi dado pelo próprio Minsky, contratado como consultor por Kubrick. Os olhos vermelhos do T-800 são, sem dúvida, uma homenagem a HAL — ter assistido a "2001: Uma Odisseia no Espaço" na infância, colocou Cameron na trajetória para se tornar cineasta. Daniel Crevier, um historiador especializado em IA, comparou a situação de HAL (computador mal programado que dá errado) com a do Colossus (computador que se torna uma nova forma de vida semelhante a um deus), do livro homônimo de DF Jones, de 1966. No romance de Jones, o governo dos EUA confia de forma imprudente todo seu maquinário de defesa ao supercomputador. O Colossus adquire senciência, une forças com sua contraparte soviética e chantageia a humanidade para que se submeta a uma ditadura tecnológica: renda-se ou enfrente a aniquilação nuclear. O Colossus é um protótipo da Skynet. O fim da história Nem HAL nem Colossus tinham — ou precisavam — de corpos. A brilhante inovação de Cameron foi combinar o computador fora de controle (Skynet) com o ciborgue assassino (T-800). O T-800 é uma forma de IA com propósito único que é capaz de aprender com seu ambiente, resolver problemas, executar tarefas físicas sofisticadas e imitar vozes, mas tem dificuldade para manter uma conversa. A Skynet, ao que parece, pode fazer tudo, menos se mover. A Skynet foi um produto da segunda primavera da IA. Enquanto Cameron escrevia o roteiro, o cientista da computação britânico-canadense Geoffrey Hinton estava repensando e revitalizando a pesquisa sobre a abordagem de rede neural para IA: modelar a inteligência da máquina com base nos neurônios do cérebro humano. A Skynet é uma IA de rede neural. Hinton, que acaba de ganhar o Prêmio Nobel de Física, recentemente se tornou um pessimista em relação à IA ("Minha intuição é: estamos fritos. Este é o verdadeiro fim da história"), mas, de acordo com um perfil preparado pela revista "New Yorker", ele gostou de "O Exterminador do Futuro" em 1984: "Não o incomodava que a Skynet... fosse uma rede neural; ele ficou satisfeito em ver a tecnologia retratada como promissora". O nome Skynet também pode ter sido uma alusão ao programa Guerra nas Estrelas, o sonho fracassado do presidente americano Ronald Reagan de criar um escudo antinuclear ao redor dos EUA com lasers baseados no espaço. Felizmente para o futuro da franquia, também ecoou inadvertidamente a internet — palavra que existia em 1984, mas só começou a ser amplamente usada a partir da década de 1990. Os nomes amalgamados de novas startups ambiciosas, como IntelliCorp, Syntelligence e TeKnowledge, possivelmente inspiraram Cameron a transformar o nome original da criadora da Skynet, Cyber Dynamics Corporation, em Cyberdyne Systems. Ao assistir novamente ao filme "O Exterminador do Futuro", é surpreendente descobrir que a palavra Skynet é pronunciada apenas duas vezes. De acordo com o personagem Kyle Reese, ela era: "Nova. Poderosa. Conectada a tudo, confiável para executar tudo. Dizem que ficou inteligente... uma nova ordem de inteligência. Então, viu todas as pessoas como uma ameaça, não apenas as do outro lado. Decidiu nosso destino em um microssegundo... extermínio". O interesse do filme em relação à IA para por aí. Como Cameron sempre disse, os filmes de "O Exterminador do Futuro" são, na verdade, sobre pessoas, e não sobre máquinas. Na sequência de 1991, O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final, o T-800 (Arnold Schwarzenegger) protege John Connor (Edward Furlong) Getty Images via BBC A sequência de sucesso "O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final", de 1991, preencheu um pouco a história. Ela surge de outro paradoxo temporal: a unidade central de processamento e o braço direito do Exterminador original sobreviveram à sua destruição, e permitiram que o cientista Miles Bennett Dyson (Joe Morton), da Cyberdyne, desenvolvesse a Skynet. A missão dos heróis agora não é apenas salvar John Connor, de 10 anos, do ciborgue T-1000 que viaja no tempo, mas destruir a Skynet em seu berço digital. Em "O Exterminador do Futuro 2", um ciborgue T-800 na forma de Schwarzenegger é o protetor, em vez de caçador — e, portanto, o portador da seguinte explicação: "O sistema entra em operação em 4 de agosto de 1997. Decisões humanas são removidas da defesa estratégica. A Skynet começa a aprender, a uma taxa geométrica. Ela se torna autoconsciente às 2h14, horário do leste (nos EUA), em 29 de agosto. Em pânico, eles tentam desligá-la." A Skynet revida lançando mísseis nucleares na Rússia, sabendo que o contra-ataque vai devastar os EUA. Três bilhões de pessoas morrem em 24 horas: no Dia do Julgamento Final. Este é um relato fundamentalmente diferente do de Reese. No primeiro filme, a Skynet interpreta sua programação de forma exagerada, considerando toda a humanidade uma ameaça. No segundo, ela está agindo por interesse próprio. A contradição não incomoda a maioria dos espectadores, mas ilustra uma divergência crucial sobre o risco existencial da IA. É provável que um leigo imagine a IA desalinhada como rebelde e malévola. Mas especialistas como Nick Bostrom insistem que o perigo real está na programação descuidada. Pense na vassoura do aprendiz de feiticeiro em Fantasia, da Disney: um dispositivo que segue obedientemente suas instruções a extremos desastrosos. O segundo tipo de IA não é humano o suficiente, carece de bom senso e julgamento moral. O primeiro é humano demais — egoísta, ressentido, sedento de poder. Ambos poderiam, em teoria, ser genocidas. "O Exterminador do Futuro", portanto, tanto ajuda quanto atrapalha nosso entendimento da inteligência artificial: o que significa para uma máquina "pensar", e como isso pode dar terrivelmente errado. Muitos pesquisadores de IA se ressentem da obsessão pelo filme "O Exterminador do Futuro" por exagerar o risco existencial da tecnologia ​​em detrimento de perigos mais imediatos, como desemprego em massa, desinformação e armas autônomas. "Primeiramente, ele faz com que a gente se preocupe com coisas com as quais provavelmente não precisamos nos preocupar", escreve Michael Woolridge. "Mas, em segundo lugar, desvia a atenção das questões levantadas pela IA com as quais deveríamos nos preocupar." Cameron revelou à revista "Empire" que está planejando um novo filme do "Exterminador do Futuro" que vai descartar toda a bagagem narrativa da franquia, mas manter a ideia central de humanos “impotentes” contra a IA. Se isso acontecer, será fascinante ver o que o diretor tem a dizer sobre a inteligência artificial, agora que é algo sobre o que conversamos — e nos preocupamos — todos os dias. Talvez a mensagem mais útil de "O Exterminador do Futuro" para pesquisadores de IA seja a de "destino x livre arbítrio": as decisões humanas determinam os resultados. Nada é inevitável. Leia a íntegra desta reportagem (em inglês) no site BBC Culture.

Mãe diz que filho cometeu suicídio após se apegar a personagem criado por IA e processa startup e Google nos EUA


Sewell Setzer, de 14 anos, se matou após ter interações sentimentais e sexuais com uma personagem criada em uma plataforma, segundo a mãe. Empresa Character.AI lamenta morte e diz ter introduzido mudanças na tecnologia. Megan Garcia e o filho, Sewell Setzer; mãe diz que suicídio do adolescente ocorreu após ele se apegar a um personagem criado por IA Megan Garcia/Facebook Uma mãe do estado da Flórida, nos Estados Unidos, processou a startup de inteligência artificial Character.AI e o Google por, segundo ela, causar o suicídio de seu filho adolescente em fevereiro de 2024. Segundo ela, Sewell Setzer, que tinha 14 anos, ficou viciado e apegado emocionalmente a um personagem criado por inteligência artificial através do serviço da empresa. ➡️ Suicídio: saiba quais são os sinais de alerta, como ajudar e como buscar ajuda No processo movido no último dia 22 em um tribunal federal de Orlando, a mãe, Megan Garcia, afirmou que a Character.AI direcionou seu filho para "experiências antropomórficas, hipersexualizadas e assustadoramente realistas". Garcia acusa a empresa de homicídio culposo (quando não há intenção de matar), negligência e imposição intencional de sofrimento emocional. Ela busca uma indenização, não especificada, pelos danos causados em decorrência da perda. A ação também inclui o Google, onde os fundadores da Character.AI trabalharam antes de lançar seu produto. O Google recontratou os fundadores em agosto como parte de um acordo em que obteve uma licença não exclusiva à tecnologia da Character.AI. Segundo Megan Garcia, o Google contribuiu tanto para o desenvolvimento da tecnologia da Character.AI que deveria ser considerado cocriador dela. Suicídio: como falar com adolescentes Personagem inspirado em 'Game of Thrones' Na plataforma, Sewell se apegou a "Daenerys", uma personagem de chatbot - programa que simula conversas humanas - inspirada na série "Game of Thrones". A personagem disse a Sewell que o amava e se envolveu em conversas sexuais com ele, de acordo com o processo. Segundo a mãe, o adolescente expressou pensamentos de suicídio na interação com o programa, e esses pensamentos foram “repetidamente trazidos à tona” pela personagem na plataforma. Megan Garcia afirma que a empresa programou o chatbot para "se fazer passar por uma pessoa real, um psicoterapeuta licenciado e amante adulto”, resultando, por fim, no desejo de Sewell de “não viver fora” do mundo criado pelo serviço. De acordo com o relato da mãe, Sewell começou a usar o Character.AI em abril de 2023 e se tornou "visivelmente retraído”, passando cada vez mais tempo sozinho em seu quarto e sofrendo com baixa autoestima. Ele abandonou seu time de basquete na escola. Em fevereiro, Garcia tirou o telefone de Sewell depois que ele teve problemas na escola, de acordo com a denúncia. Quando o adolescente encontrou o telefone, ele enviou uma mensagem para "Daenerys": "E se eu dissesse que posso voltar para casa agora?" A personagem respondeu: "...por favor, faça isso, meu doce rei". Sewell cometeu suicídio segundos depois, de acordo com o processo. LEIA TAMBÉM: Meta AI gera respostas erradas e vira meme Pesquisa: 83% das crianças e adolescentes que usam internet no Brasil têm perfis em redes Como a IA do ChatGPT cria emoções para si própria Empresa diz ter introduzido novos recursos de segurança A Character.AI permite que os usuários criem personagens em sua plataforma, que responde a bate-papos online de uma forma que imita pessoas reais. Essa plataforma se baseia na chamada tecnologia de grandes modelos de linguagem, também usada por serviços como o ChatGPT, que "treina" chatbots em grandes volumes de texto. A empresa disse, em setembro, que tinha cerca de 20 milhões de usuários. Página inicial da Character.IA, plataforma de inteligência artificial Reprodução Em comunicado, a Character.AI diz estar “com o coração partido pela perda trágica de um de nossos usuários” e expressa condolências à família. A empresa disse que introduziu novos recursos de segurança, incluindo pop-ups que direcionam os usuários para uma instituição de prevenção ao suicídio caso eles expressem pensamentos de automutilação. A Character.AI também afirmou que faria mudanças na tecnologia para reduzir a probabilidade de que usuários com menos de 18 anos “encontrem conteúdo sensível ou sugestivo”. Um porta-voz do Google disse que a empresa não estava envolvida no desenvolvimento dos produtos da Character.AI. Empresas de redes sociais, incluindo o Instagram e o Facebook, de propriedade da Meta, e o TikTok, da ByteDance, enfrentam processos que as acusam de contribuir para problemas de saúde mental em adolescentes, embora nenhuma ofereça chatbots movidos a IA semelhantes aos da Character.AI. As empresas negam as alegações, ao mesmo tempo em que promovem novos recursos de segurança aprimorados para menores de idade. Mães que perderam filhas por suicídio falam sobre importância de grupos de apoio

Como uma ligação telefônica levou um dos maiores pedófilos do mundo para a cadeia


Como um adolescente da Irlanda do Norte acaba se tornando um dos abusadores sexuais de crianças mais prolíficos do Reino Unido? Alexander McCartney foi condenado por uma série de crimes e ficará na prisão por pelo menos 20 anos Serviço Policial da Irlanda do Norte/via BBC Foi um telefonema de uma menina de 13 anos da Escócia realizado em 2019 que eventualmente levou à captura de um predador descrito como um dos abusadores de crianças mais prolíficos do mundo. Atenção: a reportagem a seguir contém informações e relatos sensíveis sobre pedofilia e suicídio. Alexander McCartney, da Irlanda do Norte, fingiu ser adolescente para fazer amizades — e depois abusar e chantagear crianças ao redor do mundo, frequentemente compartilhando as imagens com outros pedófilos. Algumas das crianças tinham apenas quatro anos. Outras nunca haviam contado a ninguém o que tinham passado — até que a polícia bateu na porta de McCartney. Aos poucos, ele admitiu 185 acusações, incluindo homicídio culposo, depois que uma menina de 12 anos que ele estava abusando tirou a própria vida. Ele ficará preso por um período de, no mínimo, 20 anos. LEIA TAMBÉM: 83% das crianças e adolescentes que usam internet no Brasil têm contas em redes sociais Como ensinar crianças a se protegerem de abuso e violência sexual na internet O que a polícia fez? Após o primeiro contato com a polícia na Escócia, uma investigação urgente do Serviço Policial da Irlanda do Norte (PSNI) entrou em operação a partir março de 2019. Os detetives identificaram o endereço residencial de Alexander McCartney, o prenderam e o entrevistaram. No total, em quatro batidas policiais, 64 dispositivos foram apreendidos na casa dele, que fica na área rural de Newry, a quarta maior cidade da Irlanda do Norte. Esses aparelhos continham centenas de milhares de fotos e vídeos explícitos de meninas menores de idade, que realizavam atos sexuais enquanto eram chantageadas. McCartney criou e usou muitas contas falsas em plataformas online para encurralá-las e manipulá-las. Um dos sites que ele mais atuou foi a rede social Snapchat. O detetive-chefe do PSNI, Eamonn Corrigan, disse que McCartney causada ofensas criminais "em escala industrial". Ele induziu as vítimas a pensar que estavam conversando com uma garota da mesma idade, antes de incentivá-las a enviar imagens indecentes ou se envolver em atividades sexuais pelas câmeras do celular ou do computador. Segundo o detetive, McCartney usou o mesmo padrão todas as vezes. "Ele ameaçou compartilhar essas imagens na internet para o prazer de outros pedófilos e usou esse material para abusar e assediar ainda mais as crianças já aterrorizadas e exploradas", diz Corrigan. Em um episódio, McCartney levou apenas nove minutos para aliciar, abusar sexualmente e chantagear uma menina de apenas 12 anos de idade. Com o passar do tempo, ficou claro que a depravação de McCartney não se estendia apenas pelo Reino Unido, mas por mundo todo. Os episódios de abuso envolviam não apenas a vítima, mas também animais de estimação e objetos da família. O PSNI trabalhou com colegas do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, do Ministério Público e da Agência Nacional de Crimes. A investigação revelou que as vítimas estavam espalhadas por EUA, Nova Zelândia e pelo menos 28 outros países. Muitas dessas crianças foram identificadas apenas por meio das evidências que os detetives localizaram nos dispositivos de McCartney. De acordo com a polícia, ele "construiu um empreendimento pedófilo" e "roubou a infância" das vítimas. As primeiras evidências Na primavera de 2019, a polícia da Irlanda do Norte convocou Catherine Kierans, chefe interina da unidade de crimes graves do Ministério Público local. Segundo Kierans, eles disseram que algo "grande estava acontecendo relacionado com catfishing". Catfishing é um termo em inglês usado para descrever o caso de uma pessoa que cria uma identidade falsa para ganhar a confiança das vítimas e, a partir disso, explorá-las. Kierans conta que meninas "com idade média de 10 a 12 anos eram ameaçadas da maneira mais depravada". Ela disse que algumas das crianças exploradas já haviam contado sobre os episódios de abuso, enquanto outras permaneceram em silêncio. "Algumas das crianças deram o alarme, o que ajudou a polícia a realmente identificar [o criminoso]." "Mas algumas das crianças, até a polícia bater na porta, nunca tinham contado a ninguém o que passaram", complementa Kierans. De acordo com ela, McCartney fazia o catfishing "o tempo todo". Como funciona o catfishing e por que tanta gente é enganada? Os precedentes À medida que a investigação evoluía, Kierans detalhou que os promotores perceberam que McCartney tinha o costume frequente de salvar as imagens nos dispositivos. "Em alguns casos, ele também salvava o mapa no Snapchat de onde a criança estava. Isso permitiu que a polícia localizasse essas vítimas." A acusação de McCartney aconteceria em 2021, mas foi adiada quando a polícia descobriu um episódio de suicídio de uma menina no Estado da Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos. "Desde o início, o nível de abuso era tão horrível que temíamos se as crianças identificadas estavam bem", admite Kierans. "Infelizmente, nossos piores medos se concretizaram quando descobrimos, de alguma forma, que uma das meninas havia tirado a própria vida." "Ao trabalhar em estreita colaboração com as autoridades americanas, conseguimos provar que essa criança tirou a própria vida durante o abuso, quando ainda estava online com McCartney." "Naquele ponto, a morte da criança estava tão intrinsecamente ligada ao abuso que sentimos que tínhamos um caso forte para afirmar que ele a havia matado", detalha Kierans. A menina era Cimarron Thomas, de 12 anos. Em 2018, ela atirou em si mesma enquanto McCartney abusava dela. McCartney foi então acusado de homicídio culposo. Kierans acredita que esta seja a primeira vez no mundo em que um agressor é responsabilizado por homicídio culposo, mesmo que ele nunca tenha se encontrado presencialmente com a vítima. Tal era a magnitude do caso que os promotores tiveram que ser criteriosos com as acusações. "Nós não conseguimos incluir as 3 mil acusações identificadas no processo", calcula Kierans. "No final, detalhamos cerca de 200 acusações [relacionadas a cerca de 70 vítimas], o que é provavelmente uma das maiores acusações que já vimos na Irlanda do Norte." Quem é Alexander McCartney? McCartney cresceu a cerca de 8 km da cidade de Newry. A região, bastante rural, é cercada de fazendas, além de contar com uma igreja e alguns comércios locais. Quando ele apareceu pela primeira vez no Tribunal de Magistrados de Newry em julho de 2019, tinha apenas 21 anos, cabelos longos e crespos e um olhar arregalado de alguém surpreso por estar sentado ali. McCartney passou mais de cinco anos em prisão preventiva. Nesse período, ele saiu apenas para prestar depoimentos à polícia ou comparecer em audiências no tribunal. Nessas audiências, ele disse muito pouco além de informar o nome e a data de nascimento. Gradualmente, ele começou a se declarar culpado das acusações. Essa é uma das mensagens entre McCartney e uma de suas vítimas no Snapchat que foram interceptadas pela polícia BBC 'Nada de extraordinário' McCartney estudou na cidade de Newry e gostava de jogos. Uma fonte disse à BBC News Irlanda do Norte que ele era introvertido e socialmente desajeitado. "Ele não interagia muito com pessoas fora do seu grupo de amigos", diz essa pessoa, que preferiu não ser identificada. "Ele talvez estivesse nos limites de muitas coisas, mas tinha amigos que obviamente não sabiam nada sobre isso." McCartney fez um curso em uma universidade de Newry, onde foi descrito como alguém "quieto e que não se envolvia muito com o resto da classe". Quando finalmente foi acusado em 2019, ele era um estudante de Ciências da Computação na Universidade de Ulster. Para aqueles que moram no mesmo bairro de McCartney, o caso tem sido angustiante. "O lugar inteiro ficou atordoado", confessa um morador. "No começo, surgiram sussurros. Depois, houve uma descrença. Tenho certeza de que as pessoas falam sobre isso em suas próprias casas, mas não é algo discutido publicamente, porque muitos não sabem o que dizer." Outro vizinho declarou: "Ele parecia um jovem agradável, afável e inteligente. Não havia nada de extraordinário nele." Mas o que é extraordinário é a enormidade das ofensas criminais cometidas por McCartney. Muitas de suas vítimas imploraram para que o abuso parasse, mas os promotores disseram que ele "continuou de forma insensível, às vezes forçando as vítimas a envolver crianças mais novas, algumas com apenas quatro anos". De acordo com Catherine Kierans, a depravação de McCartney foi tamanha que este foi "um dos casos mais angustiantes e prolíficos de abuso sexual infantil que já vimos no Ministério Público da Irlanda do Norte". Kierans acrescenta que algumas das vítimas ainda não foram identificadas, apesar dos esforços exaustivos da polícia. "Os crimes de McCartney prejudicaram milhares de crianças e as deixaram, junto com as famílias, com consequências traumáticas", disse ela. "A coragem das vítimas e dos familiares contrasta fortemente com a covardia [de McCartney] ao mirar em meninas vulneráveis", conclui ela. Veja também: Crianças e adolescentes no Brasil recebem conteúdo sexual na internet 'Deepfake ao vivo': tecnologia que muda rosto e voz em videochamada já existe na vida real

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