quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Após fechar escritório no Brasil, X anuncia vaga de gerente no país


Em fevereiro, em meio a ordens judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF), a empresa comunicou o fechamento de sua filial no Brasil. Rede social X, do bilionário Elon Musk AP Photo/Rick Rycroft A rede social X, do bilionário Elon Musk, indicou que pretende contratar um gerente de parcerias para o Brasil. A vaga foi publicada nesta quarta-feira (6), menos de três meses após a empresa anunciar o fechamento de seu escritório no país. Segundo a companhia, a pessoa contratada vai gerenciar o relacionamento do X com parceiros de conteúdo, que incluem empresas de mídia, ligas esportivas e criadores, além de criar pacotes de patrocínio para anunciantes em conjunto com esses parceiros para impulsionar a monetização. O X afirmou em agosto que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes tinha ameaçado multar e prender a responsável pelo escritório do X no Brasil. Rachel de Oliveira Villa Nova Conceição. "Como resultado, para proteger a segurança de nossa equipe, tomamos a decisão de encerrar nossas operações no Brasil, com efeito imediato. O serviço X continua disponível para a população do Brasil", disse a empresa, na ocasião. O STF intimou a rede social e exigiu um novo representante legal para a empresa. O X não cumpriu o que classificou como "ordens ilegais e secretas" de Moraes, e, em 30 de agosto, o ministro determinou o bloqueio da plataforma no país. Relembre como foi o fechamento do escritório do X no Brasil

O que Musk pode ganhar com Trump na presidência?


Após colocar seu nome, dinheiro e plataforma atrás de Trump, Musk tem muito a ganhar com a reeleição do republicano. Entenda. Elon Musk (à esquerda), bilionário e dono da rede social X, e Donald Trump, eleito presidente dos EUA. David Swanson/Reuters/Alex Brandon/AP O retorno de Donald Trump à Casa Branca também pode ser uma vitória para um de seus apoiadores mais vocais: Elon Musk. O homem mais rico do mundo passou a noite da eleição no resort de luxo de Trump, na Flórida, onde outros apoiadores também acompanhavam a apuração dos votos. De lá, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou vídeos e fotos nas redes sociais. "O povo da América deu a @realDonaldTrump um mandato cristalino para a mudança esta noite", escreveu Musk na sua rede social, o X (antigo Twitter), quando a vitória de Trump começou a parecer quase certa. E em seu discurso de vitória no Palm Beach Convention Center, Trump passou vários minutos elogiando Musk e contando o pouso bem-sucedido de um foguete fabricado por uma das empresas de Musk, a SpaceX. Musk deu seu apoio ao republicano quase imediatamente após a tentativa de assassinato de Trump em Butler, Pensilvânia, em julho. Como um dos apoiadores mais importantes do presidente eleito, o bilionário da tecnologia doou mais de US$ 119 milhões (R$ 20,6 milhões) para financiar um Super PAC (um comitê de ação política) com o objetivo de reeleger Trump. Ele também passou as últimas semanas antes do dia da eleição realizando um esforço para fazer as pessoas votarem nos Estados indecisos, que incluía uma doação diária de US$ 1 milhão aos eleitores. A doação se tornou objeto de uma contestação legal, mas um juiz decidiu que era procedente. Após colocar seu nome, dinheiro e plataforma atrás de Trump, Musk tem muito a ganhar com a reeleição do republicano. O presidente eleito disse que em um segundo mandato, ele convidaria Musk para sua administração para eliminar o desperdício de recursos públicos. Musk se referiu ao esforço potencial como o "Departamento de Eficiência Governamental", ou DOGE, o nome de um meme e criptomoeda que ele popularizou. O empresário também pode se beneficiar da presidência de Trump por meio de sua propriedade da SpaceX, que já domina o negócio de enviar satélites governamentais para o espaço. Com um aliado próximo na Casa Branca, Musk pode tentar capitalizar ainda mais esses laços governamentais. O empresário bilionário criticou rivais, incluindo a Boeing, pela estrutura de seus contratos governamentais, que ele diz desincentivar a conclusão de projetos dentro do orçamento e do prazo. A SpaceX também começou a construir satélites espiões no momento em que o Pentágono e as agências de espionagem americanas parecem prontas para investir bilhões de dólares neles. A fabricante de veículos elétricos de Musk, a Tesla, pode, enquanto isso, colher ganhos de uma administração que Trump disse que seria definida pela "menor carga regulatória". No mês passado, a agência dos EUA encarregada de regulamentar a segurança nas estradas revelou que estava investigando os sistemas de software de direção autônoma da Tesla. Musk também foi criticado por supostamente tentar impedir que os trabalhadores da Tesla se sindicalizassem. O sindicato United Auto Workers entrou com acusações de práticas trabalhistas injustas contra Trump e Musk depois que os dois falaram sobre Musk ter supostamente demitido trabalhadores em greve durante uma conversa no X. Trump também prometeu reduzir os impostos sobre as corporações e os ricos. Essa é outra promessa que Musk provavelmente espera ver cumprida. No Brasil, a plataforma X passou mais de um mês bloqueada em meio a uma queda de braço entre Musk e o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciada no ano passado. As tensões tiveram início quando o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news, determinou a suspensão de contas de redes sociais de diversas pessoas ligadas aos protestos golpistas de janeiro de 2023 em Brasília. Outras empresas cumpriram a ordem, mas o X não. Musk não suspendeu as contas e ainda acusou o Supremo de censura, publicando provocações e ironias em sua rede social destinadas a Alexandre de Moraes. No fim, Musk deixou de publicar suas provocações e sua empresa voltou atrás na decisão de descumprir ordens judiciais dadas pela Justiça brasileira.

Ações da Truth Social e Tesla disparam no pré-mercado após eleição de Trump


Rede social de Trump vivia período ruim em setembro, mas ações começaram a subir em outubro devido ao aumento das expectativas de que ele poderia ser eleito. Donald Trump e Elon Musk Reprodução As ações da Truth Social e da Tesla, empresas de Donald Trump e Elon Musk, já disparavam nesta quarta-feira (6) no pré-mercado, após Trump ser eleito o novo presidente dos Estados Unidos. O crescimento da Truth Social, a rede social de Trump que foi criada em 2022 para rivalizar com o antigo Twitter, estava na casa dos 30%. Já a montadora de veículos elétricos Tesla, de Musk, crescia em torno de 12%. Efeito Trump: dólar dispara, juros futuros dos EUA avançam e bitcoin bate recorde As ações da Truth Social já haviam começado a subir em outubro, devido ao aumento das expectativas de que Trump poderia ser eleito. No fim de setembro, a situação era completamente diferente. Os papéis da companhia viviam um período ruim e chegaram a despencar mais de 40%, por conta de resultados muito baixos apresentados nos balanços corporativos. É que, em agosto, a Truth Social mostrou uma receita de cerca de US$ 837 mil, um número considerado muito baixo para uma empresa com valor de mercado avaliado em aproximadamente US$ 4,7 bilhões. E a volta de Trump ao X naquele mês pesou ainda mais sobre as ações da companhia. Apoio de Musk O bilionário Elon Musk, fundador de empresas como a Tesla e a SpaceX, além de dono da rede social X, anunciou oficialmente o apoio a Trump em julho, horas depois de o ex-presidente sobreviver a uma tentativa de assassinato durante um comício em Butler, na Pensilvânia. Desde então, ele fez doações milionárias para a campanha do político e chegou a sortear US$ 1 milhão (R$ 5,6 milhões) por dia para eleitores registrados na Pensilvânia, considerado um dos estados-chave para decidir a eleição presidencial americana. Mundo reage à eleição de Trump

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Inteligência artificial será uma das áreas de TI mais demandadas no Brasil em 2025; veja salários


Com investimentos crescentes, trabalho com IA oferecerá salários de até R$ 20 mil no próximo ano; empresas de tecnologia, bancos e varejo serão as principais contratantes, diz consultoria. Camilly Alves, jovem de 20 anos que já trabalha com inteligência artificial. Rafael Leal/g1 Inteligência artificial será uma das áreas com maior demanda de contratações em TI no Brasil em 2025, segundo o Guia Salarial 2025 da consultoria Robert Half, divulgado nesta terça-feira (5) — veja todos os cargos e salários em alta na tabela abaixo. A demanda por profissionais especializados em IA continua alta, já que as empresas buscam aproveitar essa inovação para aprimorar processos, desenvolver novos produtos e tomar decisões importantes com base em dados, de acordo com a Robert Half. 'Ganho mais de R$ 20 mil': como é trabalhar com IA Como começar a trabalhar com IA? Veja dicas de brasileiros da área Além de IA, também aparecem como áreas aquecidas para 2025 os serviços de TI (suporte e operações), desenvolvimento web e redes. Salários O Guia Salarial revela que, em 2025, um profissional iniciante no cargo de especialista em inteligência artificial e machine learning (aprendizado de máquina) poderá ganhar, em média, R$ 16 mil por mês. Para profissionais de nível pleno e sênior, os salários médios podem chegar a R$ 18 mil e R$ 21 mil, respectivamente, segundo a consultoria. Embora o número de vagas tenha aumentado, o levantamento revela que as empresas ainda enfrentam dificuldades para encontrar profissionais com habilidades técnicas em IA, incluindo automação e aprendizado de máquina. "Após o boom do ChatGPT, todo o mercado se voltou para a IA. Abriu-se um 'hidrante para a gente beber água'. Tem um monte de possibilidade, mas poucas pessoas para trabalhar", disse Chris Faig, vice-presidente de tecnologia da Microsoft Brasil, em entrevista ao g1 em maio deste ano. ➡️Sobre a tabela: o levantamento divide a faixa salarial das profissões em três possibilidades, sendo a primeira ("salário inicial") para o candidato que é novo no trabalho ou ainda está desenvolvendo habilidades relevantes, e a última ("salário final") para o profissional mais experiente, com especializações e certificações. Oportunidades em IA Segundo especialistas na área ouvidos pelo g1, o profissional de IA pode trabalhar em dois pilares: 🧠 Inteligência artificial preditiva (ou clássica): trata-se de uma inovação que já estava mais presente no cotidiano das pessoas. Ela está no reconhecimento facial do app de banco, em carros semiautônomos, drones, como assistente pessoal em alto-falantes inteligentes, na câmera do seu celular e na plataforma de streaming, quando recomenda um filme ou uma música. 🎨 Inteligência artificial generativa (ou GenAI): justamente a que deu origem ao ChatGPT. Além de conversar com o usuário, podendo tirar dúvidas gerais, essa IA cria conteúdos, imagens, vídeos e músicas. Hoje, além do ChatGPT, também estão disponíveis no mercado o Gemini (do Google), Copilot (Microsoft) e o Meta AI. ➡️ E onde eu posso trabalhar com IA? Em empresas de qualquer setor que estejam investindo na tecnologia: varejo, finanças, alimentos, bebidas, educação, finanças, comunicação, entre outras. Ainda segundo a Robert Half, os setores que irão liderar as contratações de profissionais de tecnologia no próximo ano são empresas de tecnologia, bancos, startups em geral e companhias de atacado e varejo. Saiba quais são as carreiras aquecidas em outras áreas Confira, abaixo, outros destaques de carreira em TI identificados pelo Guia Salarial 2025: Cargos mais demandados em tecnologia: 👨‍💼 Gerente de TI (generalista) 👩‍💻 Desenvolvedor(a) Back-end 🔐 Coordenador(a) de Segurança da Informação 📋 Gerente de Projetos Habilidades técnicas mais demandadas: 🤖 Inteligência Artificial 💻 Linguagens de Programação / Desenvolvimento Web ☁️ Computação em Nuvem 🕶️ Tecnologia Imersiva Habilidades comportamentais mais demandadas: 🌟 Liderança 💡 Inteligência Emocional 🎨 Pensamento Criativo 🔍 Pensamento Crítico LEIA TAMBÉM: Segurança da informação tem salário de R$ 38 mil, mas não encontra profissionais; veja como entrar Programação ainda vale a pena? Dá dinheiro? Profissionais contam como está o setor (e dão dicas) Meta AI no WhatsApp: o que é a nova ferramenta de inteligência artificial e como utilizar Conheça o GPT-4o, novo modelo de IA usado pelo ChatGPT iPhone 16 é lançado com novo botão para controlar a câmera; veja preços no Brasil

Lojas Marisa sofre ataque cibernético e avalia extensão do incidente


A companhia disse que suspendeu temporariamente parte dos seus sistemas de forma preventiva. Lojas Marisa fica com site e aplicativo fora do ar após ataque cibernético Reprodução A Lojas Marisa informou nesta terça-feira (5) que sofreu um ataque cibernético do tipo "ransomware" que gerou indisponibilidade temporária em parte de seus sistemas. A companhia disse que tomou as medidas de segurança e controle apropriadas e suspendeu temporariamente parte dos sistemas de forma preventiva. "Esse período limitado não causou impactos significativos nas operações da companhia. Nossas lojas físicas estão funcionando normalmente", afirmou a empresa em comunicado. A Lojas Marisa acrescentou que está conduzindo uma avaliação completa do incidente para apurar sua extensão e a eventual necessidade de adoção de medidas adicionais. "Até o momento, a companhia atesta que a ameaça foi neutralizada sem maiores impactos a suas operações e sistemas", disse.

SpaceX lança 1º satélite de madeira do mundo


Equipamento, desenvolvido por pesquisadores do Japão, promete revolucionar a exploração espacial com sustentabilidade e durabilidade. SpaceX lança 1º satélite de madeira do mundo (imagem ilustrativa) Divulgação/Reuters O primeiro satélite de madeira do mundo, construído por pesquisadores japoneses, foi lançado ao espaço nesta terça-feira (5). Chamado de LignoSat, o satélite desenvolvido pela Universidade de Kyoto e pela construtora Sumitomo Forestry, foi lançado para a Estação Espacial Internacional em uma missão da SpaceX, do bilionário Elon Musk. Posteriormente, será lançado em órbita a cerca de 400 km acima da Terra. Nomeado em homenagem à palavra latina para "madeira", o LignoSat, do tamanho da palma da mão, tem a tarefa de demonstrar o potencial cósmico do material renovável na exploração do espaço. "Com madeira, um material que podemos produzir por nós mesmos, seremos capazes de construir casas, viver e trabalhar no espaço para sempre", disse Takao Doi, um astronauta que voou no Ônibus Espacial e estuda atividades espaciais humanas na Universidade de Kyoto. Com um plano de 50 anos de plantar árvores e construir casas de madeira na Lua e em Marte, a equipe de Doi decidiu desenvolver um satélite de madeira certificado pela Nasa para provar que o material tem qualidade espacial. "Os aviões do início dos anos 1900 eram feitos de madeira", disse o professor de ciências florestais da Universidade de Kyoto, Koji Murata. "Um satélite de madeira também deve ser viável." A madeira é mais durável no espaço do que na Terra, porque não há água ou oxigênio que possam apodrecê-la ou inflamá-la, acrescentou Murata. Um satélite de madeira também minimiza o impacto ambiental no final de sua vida útil, dizem os pesquisadores. Satélites desativados devem reentrar na atmosfera para que não se tornem detritos espaciais. Os satélites convencionais de metal criam partículas de óxido de alumínio durante a reentrada, mas os de madeira simplesmente queimariam, com menos poluição, disse Doi. "Satélites de metal podem ser banidos no futuro", afirmou. "Se pudermos provar que nosso primeiro satélite de madeira funciona, queremos lançá-lo para a SpaceX de Elon Musk."

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

O plano de Brasil e China que pode 'furar' domínio da Starlink de Musk


Os dois países negociam um memorando de entendimento sobre internet via satélite após ápice da crise entre Musk e autoridades no Brasil. Modelo de satélite de órbita baixa durante a 19ª Exposição Internacional da Indústria Automobilística de Xangai Getty Images via BBC Os governos do Brasil e da China preparam um plano que, se implementado, pode ajudar a diminuir a dominância que a empresa Starlink tem sobre o serviço de internet via satélite no Brasil. A Starlink pertence ao bilionário Elon Musk. O plano prevê o início das operações da empresa chinesa de satélites SpaceSail no Brasil, que pretende operar no mercado brasileiro hoje liderado pela Starklink. A informação foi confirmada à BBC News Brasil pelo secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações, Hermano Barros Tercius. A ideia, segundo Tercius, é que Brasil e China assinem memorandos de entendimento sobre o assunto durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao país, no dia 20 de novembro. Ainda não há prazo, no entanto, para que a companhia comece a operar no país. Procurada, a embaixada da China não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem. A assinatura dos memorandos, se ocorrer, acontecerá pouco mais de dois meses depois do ápice da crise entre Musk e autoridades brasileiras, a qual culminou, em agosto, com a suspensão do X (antigo Twitter) no Brasil. A SpaceSail é uma empresa privada chinesa sediada em Xangai e atua no mercado de internet banda larga provido por satélites de órbita baixa. Atualmente, a companhia conta com 18 satélites, mas seus planos incluem o lançamento de até 15 mil até 2030. A título de comparação, estima-se que a Starlink tenha 6 mil. Conhecidos como LEO (Low Earth Orbit), estes satélites são menores e formam verdadeiras “constelações” ao redor da Terra. Eles ficam a uma distância de aproximadamente 549 km em relação à superfície terrestre, enquanto os convencionais ficariam a quase 1.000 km. Por estarem mais próximos, o tempo para a transmissão de dados é menor, o que permite uma internet mais rápida e confiável. No Brasil, a Starlink de Elon Musk é líder e detém 45,9% do mercado de internet via satélite, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mas o agravamento das tensões entre Musk e autoridades brasileiras levantou rumores sobre os eventuais impactos da dependência do país em relação à empresa do bilionário. Contatos em meio à crise com Musk No Brasil, a Starlink de Musk já é líder no mercado de internet via satélite Getty Images via BBC Os contatos entre a SpaceSail e o Brasil começaram oficialmente em meados de agosto. No dia 20 daquele mês, uma comitiva liderada pelo presidente da empresa, Jie Zheng, reuniu-se com representantes do governo brasileiro, entre eles o vice-presidente, Geraldo Alckmin. Os planos da empresa, apresentados à época, incluem entrar em operação no Brasil até 2025. Para isso, no entanto, a empresa precisa de autorizações junto à Anatel para que, entre outras coisas, a companhia possa construir a infraestrutura em solo que permita que o sinal dos seus satélites possam ser acessados no Brasil. A SpaceSail funcionaria de forma semelhante à Starlink e outros serviços de internet via satélite. O usuário precisaria instalar uma pequena antena para conseguir acessar a internet. Segundo Hermano Tercius, um dos memorandos de entendimento negociados entre Brasil e China prevê a colaboração técnica necessária para que serviços como o da SpaceSail possam entrar em funcionamento no país. “A gente está evoluindo nos textos e nas discussões pra gente ver se a gente assina [o memorando]. Assim, ficaria uma intenção mais concreta de colaboração, que ainda não é um compromisso. [O memorando] É uma intenção de colaborar com o que pode estar faltando para eles [SpaceSail] anteciparem [a entrada em operação]”, diz Tercius à BBC News Brasil. Ele esteve na China em outubro e se reuniu com representantes do governo chinês sobre o assunto. O secretário afirmou ainda que não está definido se o memorando vai envolver apenas os ministérios de comunicações dos dois países ou se a SpaceSail e a Telebras, estatal brasileira no setor de telecomunicações, também vão participar do documento. Uma possibilidade é que a Telebras, que já mantém contratos com o governo federal, possa utilizar os serviços da SpaceSail para fornecer internet de banda larga a escolas ou outras instalações de interesse do governo brasileiro. LEIA TAMBÉM Juiz nega bloqueio de sorteios de Musk com doações de US$ 1 milhão Musk é acusado de ter trabalhado irregularmente nos EUA na década de 1990 O casal que processou o Google e ganhou R$ 14 bilhões Tercius disse não saber se a crise envolvendo Elon Musk e o Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram influência nas negociações entre os dois governos. Segundo ele, a busca por novos fornecedores de internet via satélite é uma tentativa do Brasil de evitar a formação de "monopólios" no setor. "A gente procura, é lógico, evitar monopólios e ter essa competição para que saibamos quem presta o melhor serviço e quem oferece um custo melhor para que a população tenha mais acessibilidade a este tipo de serviço [...] Independentemente de como vai evoluir a situação da Starlink, a gente espera que haja maior quantidade de prestadores”, afirma o secretário. O secretário disse ainda que o governo brasileiro levou à China a proposta de que parte dos lançamentos dos satélites da constelação da SpaceSail sejam feitos a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. “O que a gente tentou foi ver com eles a possibilidade de, além deles prestarem serviço ao Brasil, eles possam usar nossa base lançamento de foguetes para lançar os satélites daqui [...] vai ser bom para eles porque pode agilizar o cronograma de funcionamento deles, e para nós também é bom porque daria um melhor uso à base de Alcântara”, diz Tercius. Segundo ele, outro memorando de entendimento que está sendo negociado com a China é sobre a construção de um satélite geoestacionário para atender o Brasil. De acordo com o secretário, ainda não há definição sobre se este novo satélite atenderia apenas às necessidades de comunicação ou se também poderia ser usado nos sistemas de defesa brasileiro. Tensão e domínio O ápice da crise entre Musk e as autoridades brasileiras aconteceu no dia 30 de agosto, quando o STF decidiu suspender as operações do X (antigo Twitter, que Musk comprou em 2022). A suspensão do X no Brasil foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes após a plataforma fechar seu escritório no Brasil, ficar sem representante legal no país e se recusar a cumprir determinações da Corte relacionadas a inquéritos que investigam milícias digitais. Musk reagiu às decisões do STF e fez diversas críticas diretas a Moraes. Segundo o bilionário, as decisões seriam um atentado à liberdade de expressão. A crise, porém, espirrou em outro negócio de Musk: a rede de satélites de órbita baixa Starlink. O STF chegou a determinar o bloqueio das contas da empresa no Brasil depois que o X deixou de pagar multas aplicadas pela Corte. Em 8 de outubro, o STF autorizou o retorno do funcionamento do X no Brasil após a empresa, segundo a Corte, atender às exigências feitas pelo tribunal. A escalada da crise em direção à Starlink, no entanto, levou a rumores de que a empresa poderia ter seu funcionamento suspenso no Brasil, a exemplo do que aconteceu com o X. E isso deixou setores da economia e até militares preocupados. A Starlink é um braço da SpaceX, a companhia de exploração espacial de Elon Musk. A empresa fornece serviços de internet por meio de uma enorme rede de satélites. No Brasil, ela é frequentemente utilizada por pessoas e instituições que vivem em áreas remotas, onde não há infraestrutura local como cabos e postes — caso de boa parte da Amazônia. Especialistas no assunto afirmam que a empresa tem hoje a maior constelação de satélites operando no mundo e que é capaz de atender a pelo menos 37 países. No Brasil, a ascensão da empresa no mercado foi meteórica. Em janeiro de 2023, segundo a Anatel, a Starlink era a quinta principal provedora do mercado e responsável por 4,7% do mercado de internet via satélite. Um ano e meio depois, em julho deste ano, a empresa já havia assumido a liderança com 45,9% de participação no mercado. Atualmente, além de fornecer internet de banda larga para pessoas físicas em áreas isoladas, ela também fornece conexão para embarcações da Marinha, instalações militares do Exército e para plataformas e navios da Petrobras. Apesar de Hermano Tercius dizer que não sabe se a crise entre Musk e as autoridades brasileiras influenciaram na decisão do governo de buscar novos fornecedores de internet via satélite, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o bilionário não é visto com bons olhos. Ao longo das eleições presidenciais de 2022, Musk declarou apoio ao então presidente Jair Bolsonaro (PL). Em meio à crise com o STF, ele acusou o ministro Alexandre de Moraes de ter interferido no resultado das eleições vencidas por Lula. Em agosto, Lula disse que Musk precisava respeitar as leis brasileiras e que o Brasil não poderia ter “complexo de vira-latas”. “Ele tem que respeitar a decisão da Suprema Corte Brasileira. Se quiser bem, se não quiser, paciência. Se não for assim, esse país nunca será soberano, esse país não é um país que tem uma sociedade com complexo de vira-lata. Porque o cara americano gritou e a gente fica com medo. Não! Esse cara tem que aceitar as regras desse país”, disse Lula em entrevista à Rádio MaisPB, da Paraíba. Para o diretor de tecnologia da empresa Sage Networks, Thiago Ayub, a liderança da Starlink se deve à qualidade do serviço oferecido em comparação com seus atuais competidores. “Essa dominância da Starlink se revela nos indicadores que observamos esse ano, como a de 90% das cidades da Amazônia contendo clientes do serviço ou da preocupação revelada pelas Forças Armadas do Brasil diante de uma possível suspensão do serviço diante do atrito entre a empresa e o STF”, diz Ayub. Ele avalia, porém, que ampliar o número de fornecedores de internet via satélite pode ser bom para o país. “Ter múltiplos fornecedores do mesmo produto é um indicador de saúde de qualquer mercado, mas nesse em especial, por ser estratégico, é essencial que o Brasil consiga atrair outros competidores da Starlink na categoria LEO para atender tanto o setor público como o privado”, afirma. Do ponto de vista chinês, obter novos mercados para este setor é uma das prioridades do governo. Em 2020, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, um dos órgãos executivos mais importantes do país, elencou a criação de uma nova infraestrutura de internet via satélite como um dos principais objetivos do país no curto e médio prazos. A presença de Musk na campanha de Trump

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...