domingo, 5 de janeiro de 2025

Influenciadoras digitais travam batalha judicial para decidir qual delas é a mais 'básica' da internet


Está é a primeira vez que uma disputa sobre estéticas digitais vira assunto de um tribunal de justiça, abrindo um novo horizonte de debates com relação a direitos autorais nas plataformas sociais. Petição entregue por advogados de Sydney Gifford (à esquerda) à justiça do Texas busca acusar Alyssa Sheil (direita) de copiar estética. Imagem: Reprodução Em abril de 2024, a influenciadora digital norte-americana Sydney Nicole Gifford decidiu recorrer às vias legais para impedir que Alyssa Sheil, outra criadora de conteúdo, copie a sua estética "sad beige" nas redes sociais. A petição sobreviveu às fases iniciais e será colocada para julgamento neste ano. Está é a primeira vez que uma disputa sobre estéticas digitais vira assunto de tribunais de justiça -- o que vem intrigando especialistas em plataformas digitais e direitos autorais. (veja mais sobre o processo abaixo). ...👉 O que a estética sad beige? Segundo o dicionário Cambridge, o termo "sad beige" é usado para descrever a tendência de vestir-se em tons de marrom claro e outras cores neutras. Essa estética surgiu como uma moda entre pais para compor o guarda-roupa de seus filhos, mas se espalhou pelas redes sociais entre influenciadores digitais que buscam exibir um estilo comedido, sóbrio e minimalista. A petição montada pelos advogados da Gifford reúne mais de 60 páginas de supostas evidências que respaldariam a acusação do alegado plágio comemtido por Alyssa, o que inclui o uso de roupas as mesmas tonalidades, acessórios, pose e enquadramentos fotográficos semelhantes. Apesar da briga entre as evolvidas, não é preciso navegar por muito tempo nas plataformas para perceber o mar de conteúdos idênticos ao que cada uma delas possa defender como uma criação autêntica: a hashtag #sadbeige, que faz alusão à trend de roupas e acessórios 'básicos', tem mais de 12 mil postagens apenas no Instagram. O copia-e-cola da internet Para Issaaf Karhawi, professora e pesquisadora em comunicação digital da Universidade de São Paulo (USP), a reciclagem de conteúdos processada por influenciadores no mundo digital pode ser explicada através do conceito de templatização, cunhado, originalmente, por Tama Leaver, Tim Highfield e Crystal Abidin. O conceito de templatização define um modelo repetitivo do que é considerado uma 'boa estética' no Instagram. Quase como se tivéssemos ritualizado essa publicação de imagens, tornando todo o processo puro mimetismo O copia-e-cola das referências estéticas entre influenciadores digitais é capturada pelo perfil "shitbloggerpost" no Instagram. Nos carrosséis, é possível verificar publicações de contas diferentes, mas que bebem de inspirações essencialmente idênticas. Initial plugin text Karhawi pontua que o desejo por repetição tem relação com a lógica de algorítimos de redes sociais, em que métricas de engajamento determinam o tipo de conteúdo que vale ser publicado ou não. "Os influenciadores pertencem a uma economia de atenção, que é dataficada, e a estética dentro das plataformas também fica amarrada desses contornos. Ou seja, os influenciadores publicam o que eles imaginam que as plataformas esperam deles, em um processo que definimos como sendo a construção de um imaginário algorítmico. Na prática, se eles percebem que uma pose, um ambiente físico ou um figurino 'performam bem', fica evidente que eles vão investir nisso", explica a acadêmica. O processo e seu ineditismo Na petição entregue em abril a uma corte distrital do Texas, os advogados de Sydney sustentam que, ao postar conteúdos parecidos, Alyssa violou leis de direitos autorais, além de "apropriação indevida", "interferência sobre relações de negócios", "enriquecimento indébito" e "práticas injustas de comércio e competição". Os advogados ainda alegam que a jovem "trabalhou ao longo dos últimos 5 anos e devotou centenas de horas para estabelecer sua única identidade de marca e credibilidade", o que a possibilitou criar um negócio que vale "centenas de milhares de dólares". As similaridades entre os conteúdos postados por Sydney e Alyssa em ambientes digitais como Instagram, TikTok e páginas da Amazon Storefront (produtos que contam com o "carimbo" de influenciadores de moda que são comercializados nas páginas do e-commerce) são listadas no documento. Petição entregue à corte distrital do Texas por advogados de Sydney Gifford acusa influenciadora "rival" de plágio Imagem: Reprodução A defesa de Alyssa rejeitou todas as acusações, afirmando que a jovem "nunca infringiu nenhum trabalho de Gifford" e que o "os conteúdos de Sheil foram e são desenvolvidos independentemente". À "Bloomberg Law", os advogados da jovem disseram que a ação expressa um "precedente preocupante" para que influenciadores passem a exercer controle sobre mercados digitais, ao se apropriarem de "certos esquemas de cor e certos tipos de fotos". Em novembro do ano passado, o juiz magistrado Dustin Howell, que instruiu o processo, determinou que parte das queixas fossem rejeitadas, mas que se prossiga o julgamento com base nas acusações de violação de direitos autorais e a "apropriação indevida". Agora, a questão vai ser apreciada pelo juiz distrital Robert Pitman, que dará o veredicto. O julgamento ainda não tem data marcada, mas deve ocorrer ainda no início deste ano. Apesar das semelhanças claras entre os conteúdos postados pelas influenciadores, Pedro Henrique Ramos, professor em estudos da internet na Ibmec e sócio do escritório Baptista Luz em práticas midiáticas, de tecnologia e proteção de dados, vê baixo o risco de um "efeito cascata" originado a partir do caso. Dois motivos concorrem para isso, na visão do especialista. O primeiro deles é que não existe base jurídica para reconhecer a figura do influenciador como sendo de uma marca. "Existe uma proteção conhecida no mundo todo por trade dress, um dispositivo legal que barra a apropriação de elementos distintivos de uma marca ou empresa, como fontes tipográficas e esquemas de cores. Mas isso se aplica exclusivamente a marcas,", explica Ramos. Ramos pondera também que, sob o ponto de vista do direito autoral, é preciso comprovar uma semelhança quase absoluta para que uma ação da justiça realmente aconteça. Esse cenário torna-se mais nebuloso quando a determinada estética reivindicada tem circulação ampla na internet. "Lembrar não é suficiente, é preciso provar que a pessoa está usando a sua imagem, gerando, assim, uma confusão aos olhos do público; é preciso também provar que o seu material é dotado de distintividade. Agora, quem pode ser considerada dona da estética clean girl, ou da estética minimalista, ou dark academia, ou outras estéticas que estão em voga em TikTok ou Pinterest? É uma questão bastante subjetiva, por que são referências e colagens que estão em circulação há muito tempo", analista o especialista. Quem são as influenciadoras envolvidas no caso Sydney Gifford, 24, ganhou centenas de milhares de seguidores ao inundar o feed das suas contas do TikTok e Instagram com roupas, acessórios, utensílios e itens de decoração que recebe da Amazon, através do programa de influenciadores digitais da companhia norte-americana. Nos produtos que promove junto ao público, a influencer abusa de texturas minimalistas e tons de bege. Já Alyssa Sheil, 21, também se diz entusiasta do minimalismo estilístico. Ao portal "The Verge", ela disse que as cores terrosas a deixam mais relaxada. A jovem também participa do programa de parceria com influenciadores da Amazon, de onde tira a maior parte da sua receita como criadora de conteúdo. Antes de se enfrentaram na justiça, as influenciadoras se encontraram no final de 2022 e, depois, trabalharam juntas um ensaio fotográfico no início de 2023, quando viviam na capital texana. Dias depois do ensaio, Sydney relata ter "recebido com surpresa" o fato de ter sido bloqueada por Alyssa em todas redes sociais. Do outro lado, Alyssa descreve ao portal "The Verge" que se incomodou com o comportamento "passivo agressivo" de Sydney durante os dois encontros, o que incluía comentários "invejosos" sobre a diferença de idade entre elas. Depois de perderem contato, a decisão de Sydney em recorrer às vias legais ocorreu depois que seus seguidores avisaram que Alyssa estava plagiando a estética bege triste, culminando na ação judicial.

sábado, 4 de janeiro de 2025

O que esperar da inteligência artificial em 2025


Áreas como saúde, exploração espacial, neurociência ou mudança climática, entre outras, serão beneficiadas ainda mais pelo avanço da informática, dizem especialistas A inteligência artificial está marcando um momento definidor na história da tecnologia — e o ano de 2025 trará ainda mais surpresas. Getty Images A inteligência artificial está marcando um momento definidor na história da tecnologia — e o ano de 2025 trará ainda mais surpresas. Não é fácil fazer uma previsão do que esperar, mas é possível destacar tendências e desafios que definem o futuro imediato da IA para o próximo ano. Entre eles, o desafio dos chamados "médico centauro" ou "professor centauro", fundamental para quem está desenvolvendo inteligência artificial. A explosão da ciência baseada em IA A IA virou uma ferramenta fundamental para se enfrentar grandes desafios científicos. Áreas como saúde, astronomia e exploração espacial, neurociência ou mudanças climáticas, entre outras, vão se beneficiar ainda mais no futuro. O programa AlphaFold — desenvolvido pelo grupo Alphabet, do Google, e que ganhou o Prêmio Nobel em 2024 — determinou a estrutura tridimensional de 200 milhões de proteínas, praticamente todas as conhecidas. Seu desenvolvimento representa um avanço significativo na Biologia Molecular e na Medicina. Isso facilita a concepção de novos medicamentos e tratamentos. Em 2025, isso começará a acontecer — e com acesso gratuito ao AlphaFold para quem for desenvolver remédios e tratamentos. Já a rede ClimateNet utiliza redes neurais artificiais para realizar análises espaciais e temporais precisas de grandes volumes de dados climáticos, essenciais para compreender e mitigar o aquecimento global. A utilização do ClimateNet será essencial em 2025 para prever eventos climáticos extremos com maior precisão. Meta AI no WhatsApp: o que é a nova ferramenta de inteligência artificial e como utilizar Leia também: Justiça dos EUA suspende tentativa de aumentar regulação sobre operadoras de internet 'Bug do milênio' completa 25 anos: por que o caos digital na virada do século nunca aconteceu Diagnósticos médicos e decisões jurídicas: o papel da IA A justiça e a Medicina são considerados campos de alto risco. Neles é mais urgente do que em qualquer outra área estabelecer sistemas para que os humanos tenham sempre a decisão final. Os especialistas em IA trabalham para garantir a confiança dos usuários, para que o sistema seja transparente, que proteja as pessoas e que os humanos estejam no centro das decisões. Aqui entra em jogo o desafio do "doutor centauro". Centauros são modelos híbridos de algoritmo que combinam análise formal de máquina e intuição humana. Um "médico centauro + um sistema de IA" melhora as decisões que os humanos tomam por conta própria e que os sistemas de IA tomam por conta própria. O médico sempre será quem aperta o botão final; e o juiz quem determina se uma sentença é justa. Os especialistas acreditam que em um futuro próximo os médicos terão programas que diagnosticarão doenças sozinhos Getty Images A IA que tomará decisões no nosso lugar Agentes autônomos de IA baseados em modelos de linguagem são a meta para 2025 de grandes empresas de tecnologia como OpenAI (ChatGPT), Meta (LLaMA), Google (Gemini) ou Anthropic (Claude). Até agora, estes sistemas de IA fazem recomendações. Em 2025, no entanto, espera-se que eles tomem decisões por nós. Os agentes de IA realizarão ações personalizadas e precisas em tarefas que não sejam de alto risco, sempre ajustadas às necessidades e preferências do usuário. Por exemplo: comprar uma passagem de ônibus, atualizar a agenda, recomendar uma compra específica e executá-la. Eles também poderão responder nosso e-mail — tarefa que nos toma muito tempo diariamente. Nessa linha, a OpenAI lançou o AgentGPT, e o Google lançou o Gemini 2.0. Essas plataformas podem ser usadas para o desenvolvimento de agentes autônomos de IA. Por sua vez, a Anthropic propõe duas versões atualizadas de seu modelo de linguagem Claude: Haiku e Sonnet. A inteligência artificial permitirá que computadores realizem operações como responder e-mails automaticamente Getty Images O uso do nosso computador pela IA O programa Sonnet consegue usar um computador do mesmo jeito que uma pessoa. Isso significa que ele consegue mover o cursor, clicar em botões, digitar texto e navegar por telas. Ele também permite funcionalidade para automatizar a área de trabalho. Ele permite que os usuários concedam a Claude acesso e controle sobre certos aspectos de seus computadores pessoais. Esta capacidade apelidada de "uso do computador" poderá revolucionar a forma como automatizamos e gerimos as nossas tarefas diárias. No comércio eletrônico, agentes autônomos de IA poderão fazer uma compra no lugar do usuário. Eles prestarão assessoria na tomada de decisões de negócios, gerenciarão estoques automaticamente, trabalharão com fornecedores de todos os tipos, inclusive logísticos, para otimizar o processo de reabastecimento, atualizarão o status de envio até a geração de faturas, etc. No setor educacional, eles poderão customizar os planos de estudos dos alunos. Eles identificarão áreas para melhoria e sugerirão recursos de aprendizagem apropriados. Caminharemos em direção ao conceito de "professor centauro", auxiliado por agentes de IA na educação. Para evitar erros, alguns sistemas sempre exigirão que as pessoas aprovem operações confidenciais Getty Images O botão 'aprovar' A noção de agentes autônomos levanta questões profundas sobre o conceito de "autonomia humana e controle humano". O que significa realmente "autonomia"? Esses agentes de IA criarão a necessidade de pré-aprovação. Quais decisões permitiremos que estas entidades tomem sem a nossa aprovação direta (sem controle humano)? Enfrentamos um dilema crucial: saber quando é melhor ser "automático" na utilização de agentes autônomos de IA e quando é necessário tomar a decisão, ou seja, recorrer ao "controle humano" ou à "interação humano-IA". O conceito de pré-aprovação vai ganhar grande relevância na utilização de agentes autônomos de IA. O pequeno ChatGPT no celular 2025 será o ano da expansão dos modelos de linguagem pequena e aberta (SLM). São modelos de linguagem que futuramente poderão ser instalados num dispositivo móvel, permitindo controlar o nosso telefone por voz de uma forma muito mais pessoal e inteligente do que com assistentes como a Siri. SLMs são compactos e mais eficientes, não requerem servidores massivos para serem usados. Estas são soluções de código aberto que podem ser treinadas para cenários específicos. Eles podem respeitar mais a privacidade do usuário e são perfeitos para uso em computadores e celulares de baixo custo. Eles têm potencial para adoção no nível empresarial. Isto será viável porque os SLMs terão um custo menor, mais transparência e, potencialmente, maior transparência e controle. Os SLMs permitirão integrar aplicações de recomendações médicas, de educação, de tradução automática, de resumo de textos ou de correção ortográfica e gramatical instantânea. Tudo isso em pequenos dispositivos sem a necessidade de conexão com a internet. Entre as suas importantes vantagens sociais, eles podem facilitar a utilização de modelos linguísticos na educação em áreas desfavorecidas. E podem melhorar o acesso a diagnósticos e recomendações com modelos de SLM de saúde especializados em áreas com recursos limitados. O seu desenvolvimento é essencial para apoiar comunidades com menos recursos. E podem acelerar a presença do "professor ou médico centauro" em qualquer região do planeta. Avanços na regulamentação europeia da IA Em 13 de junho de 2024, foi aprovada a legislação europeia sobre IA, que entrará em vigor em dois anos. Ao longo de 2025, serão criadas normas e padrões de avaliação, incluindo padrões ISO e IEEE. Em 2020, a Comissão Europeia havia publicado a primeira Lista de Avaliação para IA Confiável (ALTAI). Esta lista inclui sete requisitos: agência humana e supervisão, robustez técnica e segurança, governança e privacidade de dados, transparência, diversidade, não discriminação e equidade, bem-estar social e ambiental e responsabilidade. Essa lista constitui a base das futuras normas europeias. Ter padrões de avaliação é fundamental para auditar sistemas de IA. Por exemplo: o que acontece se um veículo autônomo sofrer um acidente? Quem assume a responsabilidade? O quadro regulamentar abordará questões como estas. Mecanismos de governança Dario Amodei, CEO da Anthropic, em seu ensaio intitulado "Machines of Loving Grace" ("Máquinas de graça amorosa", em tradução livre), de outubro de 2024, expõe a visão das grandes empresas de tecnologia: "Acho que é essencial ter uma visão verdadeiramente inspiradora do futuro, e não apenas um plano para apagar incêndios." Existem pontos de vista contrastantes de outros pensadores mais críticos. Por exemplo, aquele representado por Yuval Noah Harari e discutido em seu livro Nexus: Uma Breve História das Redes de Informação, da Idade da Pedra À Inteligência Artificial. Portanto, precisamos de regulamentação. Isso proporciona o equilíbrio necessário para o desenvolvimento de uma IA confiável e responsável e para poder avançar nos grandes desafios para o bem da humanidade destacados por Amodei. E, com eles, ter os mecanismos de governança necessários como um "plano para apagar incêndios". *Francisco Herrera Triguero é professor de Inteligência Artificial na Universidade de Granada e diretor do Instituto Andaluz de Pesquisa em Ciência de Dados e Inteligência Computacional na Espanha. *Este artigo foi publicado no The Conversation e reproduzido sob a licença Creative Commons. Clique aqui para ler a versão original em espanhol. Meta revela Movie Gen, gerador de vídeos com inteligência artificial

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Justiça dos EUA suspende tentativa de aumentar regulação sobre operadoras de internet


A Comissão Federal de Comunicações (FCC) restabeleceu em 2024 regras sobre neutralidade de rede, que obrigam provedores a tratar dados e usuários igualmente sem oferecer vantagens para quem paga mais. Mas um tribunal federal concluiu que a agência não tem autoridade para retomar esta regulação. Tribunal federal de Ohio, nos EUA, derrubou norma da FCC que tratava sobre neutralidade de rede James Yarema/Unsplash A Justiça dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira (3) que os órgãos reguladores americanos ultrapassaram sua autoridade ao retomar regras sobre neutralidade de rede, informou a agência France Presse. A decisão contraria o governo do presidente Joe Biden, em fim de mandato. A neutralidade de rede é um princípio que determina que os dados e os usuários na internet devem ser tratados igualmente e que os provedores precisam ser reguladores para evitar abusos, como oferecer vantagens ou mais velocidade para quem paga mais. Em 2021, Biden assinou um decreto que encorajava a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) a restabelecer regras sobre neutralidade de rede. Elas tinham sido criadas em 2015, no governo de Barack Obama, e derrubadas em 2017, sob a gestão de Donald Trump, que será empossado novamente em 20 de janeiro. Em abril de 2024, a FCC votou para restabelecer as regras sobre neutralidade de rede e ampliar sua supervisão nessa área. O que a Justiça, por meio de um tribunal federal de Ohio, afirmou agora é que a medida "ressuscitou o regime regulatório a mãos de ferro da FCC". De acordo com a decisão, o órgão não tem autoridade estatutária "para impor sua desejada política de neutralidade de rede". Segundo o grupo de defesa de direitos na internet Free Press, o regime de neutralidade de rede proíbe que provedores bloqueiem, reduzam a velocidade ou cobrem pelo conteúdo e aplicativos acessados por clientes de banda larga. Gigantes dos serviços de internet vêm lutando contra a regulamentação há anos, argumentando que devem ser livres para fazer negócios à sua maneira. Matt Wood, vice-presidente de políticas de internet da Free Press, advertiu que a decisão da Justiça dos EUA permitirá à FCC sob o governo Trump "abdicar de sua responsabilidade de proteger aos usuários de internet contra práticas comerciais sem escrúpulos". ‘Brain rot’ e ansiedade nas redes sociais

Apple faz acordo para encerrar processo em que é acusada de ouvir conversas de usuários via Siri


Donos de dispositivos móveis alegaram que a empresa gravava conversas particulares e divulgava a anunciantes após os usuários ativarem o assistente de voz de forma não intencional. Apple, que negou ter cometido irregularidades, aceitou pagar US$ 95 milhões para encerrar ação. iPhones 16 em evento da Apple em Cupertino, Califórnia REUTERS/Manuel Orbegozo A Apple aceitou pagar US$ 95 milhões para encerrar uma ação coletiva que alega que a assistente de voz Siri violou a privacidade de usuários na Califórnia, nos Estados Unidos. Os donos de dispositivos móveis reclamaram que a Apple gravava rotineiramente suas conversas particulares após eles ativarem a Siri de forma não intencional, e a empresa, depois, divulgava essas conversas a terceiros, como anunciantes. Ao concordar com o arquivamento do processo, a Apple negou ter cometido irregularidades. O acordo preliminar foi apresentado na noite de terça-feira (31) no tribunal federal de Oakland e requer a aprovação do juiz distrital Jeffrey White. Os assistentes de voz normalmente são ativados quando as pessoas usam palavras específicas, como "Hey, Siri". Dois autores no processo disseram que suas menções a tênis Air Jordan e restaurantes Olive Garden acionaram anúncios desses produtos. Outro disse que recebeu propagandas de um tratamento cirúrgico de marca após discuti-lo, segundo ele em particular, com seu médico. A Apple e seus advogados não responderam a pedidos de comentários feitos nesta quinta-feira (2). Os advogados dos autores da ação não responderam de imediato a pedidos semelhantes. Os US$ 95 milhões representam cerca de nove horas de lucro para a Apple, cujo lucro líquido foi de US$ 93,74 bilhões em seu ano fiscal mais recente. Uma ação judicial semelhante em nome dos usuários da assistente de voz do Google está pendente no tribunal federal de San José, Califórnia, no mesmo distrito do tribunal de Oakland. Os autores da ação são representados pelos mesmos escritórios de advocacia do caso da Apple. iPhone 16 é lançado com novo botão para controlar a câmera; veja preços no Brasil

Telegram permite que contas oficiais concedam selo de verificação a terceiros para combater golpes na plataforma


Novidade é mais uma das mudanças implementadas pela empresa após a prisão de seu CEO, que enfrentou acusações de contribuir para crimes como abuso sexual infantil e tráfico de drogas devido à falta de colaboração do Telegram com investigações. Telegram permite que contas oficiais concedam selo de verificação a terceiros para combater golpes na plataforma Divulgação/Telegram O Telegram anunciou a criação de um selo azul exclusivo que permitirá que "serviços oficiais de terceiros" verificados aprovem o selo para outras contas na plataforma. Com a novidade, em vez de o Telegram conceder o selo de verificação, contas já verificadas poderão "aprovar" o selo azul para outros usuários e grupos. O mensageiro já oferece verificação para figuras públicas, como artistas e famosos, e também para empresas. Segundo a empresa, o novo recurso complementa essas opções de verificação já disponíveis. "Serviços oficiais de terceiros agora podem atribuir ícones de verificação adicionais às contas de usuários e conversas. Esse sistema descentralizado auxiliará na prevenção de fraudes e na redução da desinformação", disse a empresa. Como fica a identificação Selo personalizado concedido por empresas já verificadas no Telegram Divulgação/Telegram Usuários e grupos verificados por uma conta oficial receberão um selo personalizado, como um livro, um vegetal ou um ícone de texto, que aparecerá na frente do nome. "Apenas o Telegram pode atribuir o selo de verificação oficial aos chats. Os verificadores de terceiros usam ícones completamente diferentes", explica a empresa em sua política de verificação. Ao acessar o perfil dessa conta, o Telegram mostra um breve texto explicando o motivo da verificação e quem aprovou o selo. A mudança, justificada como uma medida para combater golpes e desinformação, ocorre alguns meses após o CEO do app, Pavel Durov, ter sido preso sob a alegação de que o Telegram se recusa a colaborar com investigações, o que contribui para crimes como abuso sexual infantil, tráfico de drogas e fraude na plataforma. Após a prisão do CEO, a empresa atualizou seu FAQ, informando que, a partir daquele momento, passaria a moderar conteúdos nos grupos. No dia 4 de setembro de 2024, em resposta à pergunta "Há conteúdo ilegal no Telegram. Como faço para retirá-lo?", a empresa afirmava: "Todos os bate-papos do Telegram e bate-papos em grupo são privados entre seus participantes. Não processamos nenhuma solicitação relacionada a eles". Já no dia 6 de setembro, a resposta foi alterada para: "Todos os aplicativos do Telegram têm botões 'Denunciar' que permitem sinalizar conteúdo ilegal para nossos moderadores - com apenas alguns toques". Traduzir, criar imagens e mais: quais tarefas do dia a dia o Meta AI no WhatsApp consegue O que é o 5G puro? DTV+: o que é TV 3.0, que oferece melhor qualidade de imagem e recursos interativos

Regra da União Europeia que exige conexão USB-C em todos os celulares já está em vigor


Medida, que também vale para fones, câmeras, computadores e até teclados, visa reduzir o desperdício de carregadores obsoletos e gerar economia para os consumidores. O fim da 'salada de cabos' A partir de agora, todos os novos aparelhos eletrônicos vendidos na União Europeia devem sair de fábrica com a conexão USB-C. A regra, que entrou em vigor em 28 de dezembro de 2024, é considerada inédita, sendo a primeira lei desse tipo no mundo. Com a mudança, o bloco europeu busca reduzir custos e diminuir a produção de resíduos, segundo a agência France Presse (AFP). "Desde hoje, todos os novos telefones móveis, tablets, câmeras fotográficas, fones de ouvido, alto-falantes, teclados e muitos outros dispositivos eletrônicos novos vendidos na UE deverão estar equipados com uma porta de carregamento USB tipo C", publicou o Parlamento Europeu no X. A lei foi aprovada em 2022 após um embate com a gigante Apple, dona do iPhone. Todas as empresas tiveram até o fim de 2024 para se adaptar às novas regras. Os fabricantes de computadores, porém, terão um prazo adicional, a partir de 2026, para se adequar. A maioria dos aparelhos eletrônicos, especialmente os celulares Android, já utiliza esse tipo de carregador. No entanto, a Apple demonstrou resistência, argumentando que regulamentações desse tipo "sufocam a inovação". Em 2023, com o lançamento do iPhone 15, a Apple passou a adotar o USB-C em todos os seus novos smartphones. O que é USB-C Samsung Galaxy S24 Ultra e iPhone 15 conectados por um cabo USB-C Henrique Martin/g1 A tecnologia USB tipo C surgiu em 2014, criada pelo USB Implementers Forum (USB-IF), grupo que reúne fabricantes de softwares líderes do mercado. Juntas, essas empresas desenvolvem os padrões a serem adotados nas especificações técnicas do Universal Serial Bus (USB). Nos anos seguintes, o USB-C conquistaria o mercado pela praticidade, tamanho e velocidade de transmissão de dados. A própria Apple já tinha adotado o padrão para Macbook, iPad e os fones de ouvido Airpod. "Além de alimentar (energizar aparelhos), o USB-C tem diversos protocolos, que permitem transmitir dados de áudio, vídeo e redes (internet), por exemplo", conta ao g1 Murilo Zanini de Carvalho, professor de engenharia de computação do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Uma das inovações da tecnologia também é que o cabo é reversível. Ou seja, pode ser inserido "de cabeça para cima" ou "para baixo" nos dispositivos e funciona da mesma forma. A lei do carregador único também busca simplificar a vida dos europeus e reduzir custos para os consumidores, permitindo a compra de aparelhos eletrônicos sem a necessidade de adquirir um novo carregador, segundo a União Europeia. A iniciativa ainda pretende diminuir a quantidade de carregadores obsoletos. A Comissão Europeia estimou que a nova lei pode gerar uma economia de pelo menos 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão) por ano. Meta AI no WhatsApp: o que é a nova ferramenta de inteligência artificial e como utilizar O que é o 5G puro? Soletra: saiba como jogar no g1

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Venezuela multa TikTok em R$ 60 milhões após morte de três adolescentes


Multa será usada para criar fundo de apoio às vítimas de desafios virais nas redes sociais. Decisão veio após a morte de três adolescentes no país. Depois do Reino Unido, Nova Zelândia também veta TikTok em celulares do governo Reuters/Dado Ruvic A Venezuela multou o TikTok em US$ 10 milhões (mais de R$ 60 milhões) na última segunda-feira (30). Caracas acusa a plataforma chinesa de “negligência” no controle de jogos on-line, após a morte de três adolescentes venezuelanos que aceitaram um desafio perigoso que circulava na rede social. O Supremo Tribunal da Venezuela ordenou que o TikTok faça o pagamento nos próximos oito dias em razão de "sua negligência ao não implementar as medidas necessárias e adequadas para impedir a disseminação de publicações que evocam desafios virais", informou a juíza Tania D'Amelio. "Com a multa imposta, o Estado venezuelano criará um fundo para as vítimas do TikTok, destinado a compensar os danos psicológicos, emocionais e físicos causados aos usuários, especialmente se forem crianças e adolescentes", acrescentou o juiz. O processo vinha sendo examinado desde 21 de novembro, quando a Justiça decidiu intervir, após a morte de três adolescentes e o envenenamento de outros 200 em várias escolas do país. Menores desdenham da educação e dizem ganhar muito dinheiro vendendo cursos Os jovens inalaram substâncias químicas promovidas como parte de desafios virais veiculados pelo TikTok. No final de novembro, o presidente venezuelano Nicolás Maduro sugeriu que os representantes da plataforma chinesa fossem convocados perante os tribunais após a morte dos três jovens que realizaram esses desafios. O TikTok está sofrendo pressão em vários países, inclusive nos Estados Unidos, onde tem mais de 170 milhões de usuários. As autoridades norte-americanas suspeitam que o aplicativo esteja espionando os internautas, coletando informações pessoais e servindo de propaganda chinesa. O TikTok refuta essas acusações. De acordo com uma lei assinada este ano, o proprietário chinês do TikTok, a ByteDance, deve se desfazer do popular aplicativo até janeiro ou correrá o risco de ser banido nos EUA. Mas o presidente eleito Donald Trump, que assume o cargo em janeiro e tem sua própria rede social, se opõe a isso, argumentando que isso só favoreceria o Instagram e o Facebook. Outros processos Em novembro, um grupo de sete famílias francesas anunciou que iria processar a rede social chinesa no tribunal em Créteil, região metropolitana de Paris. Os pais de sete adolescentes criaram um coletivo que acusava o algoritmo da rede social de expor seus filhos a conteúdos que os colocam em risco de vida. A iniciativa foi a primeira do gênero na Europa. Também em novembro, o Canadá ordenou o fechamento da filial canadense do TikTok, citando "riscos específicos à segurança nacional", mas sem proibir o acesso e o uso do aplicativo no país. Já o Brasil ordenou que o TikTok tomasse medidas para proteger os dados pessoais de menores. Quais foram os youtubers que mais cresceram no Brasil em 2024? Meta AI no WhatsApp: o que é a nova ferramenta de inteligência artificial e como utilizar Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...