terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Anel com 'ChatGPT', robô que resfria sua comida e mais: os destaques do primeiro dia da CES 2025


Consumer Electronics Show ainda conta com robô que organiza seus objetos e cadeira gamer com ajuste térmico. Maior feira anual de eletrônicos de consumo do mundo acontece entre os dias 7 e 10 de janeiro em Las Vegas, nos Estados Unidos. CES 2025 (Consumer Electronics Show) REUTERS/Steve Marcus A CES 2025 (Consumer Electronics Show) começou oficialmente nesta terça-feira (7) em Las Vegas, nos Estados Unidos. A feira, que segue até sexta-feira (10), é considerada a maior do mundo no setor de tecnologia. Algumas inovações tecnológicas foram apresentadas pelas marcas antes mesmo da abertura do evento. Confira abaixo algumas delas: Robô que 'assopra' e esfria comidas e bebidas Robô Nékojita FuFu, que 'sopra' para que alimentos esfriem Divulgação/Yukai Engineering A startup japonesa Yukai Engineering apresentou um robô portátil que resfria comidas e bebidas quentes para você. Chamado de Nékojita FuFu, o robô foi desenvolvido para ajudar pessoas com alta sensibilidade ao calor, segundo a empresa. Ele tem formato de gato e, por ser portátil, pode ser usado tanto em casa quanto fora, como em restaurantes. Os testes feitos pela própria Yukai mostram que o dispositivo reduz a temperatura de água quente de 88°C para 71°C em até 5 minutos. Aspirador-robô que 'pega suas bagunças' do chão Aspirador-robô que 'pega suas bagunças' do chão Reprodução/Roborock A empresa Roborock chamou a atenção na CES 2025 ao apresentar um aspirador-robô inovador com braço mecânico para retirar objetos do chão. Batizado de Saros Z70, o dispositivo usa inteligência artificial para identificar itens no caminho, removê-los do espaço e continuar a limpeza. Entre os exemplos citados pela Roborock, o robô é capaz de pegar meias, sapatos e lenços, devolvendo-os aos locais designados. O usuário pode configurar onde o robô deve deixar cada item, segundo a empresa. Para identificar os objetos no ambiente, o robô utiliza uma câmera instalada no braço mecânico e outra posicionada na lateral do equipamento. Ao todo, o Saros Z70 é capaz de reconhecer 108 obstáculos diferentes. Anel com 'ChatGPT' integrado Anel com 'ChatGPT integrado Reprodução/Instagram Evie Ring Já pensou em um anel com o ChatGPT integrado? Essa é a mais ou menos a proposta do EvieAI, um dispositivo com chatbot integrado que promete monitorar e auxiliar sua saúde, mas sem oferecer qualquer informação disponível na internet. De acordo com a Movano, empresa responsável pelo anel, o EvieAI foi treinado com mais de 100 mil revistas médicas escritas por profissionais da área. Assim, todas as informações fornecidas pelo dispositivo vêm dessas fontes especializadas. Segundo o site The Verge, o CEO da Movano, John Mastrototaro, disse que se você perguntar algo sobre eleições, o anel não irá responder. "[Ele] não vai te dizer porque não tem nenhuma informação sobre isso", disse. Tecnologia vestível: g1 testa anel, óculos e relógio que fazem mais do que aparentam Cadeira gamer com aquecimento e resfriamento Project Arielle, cadeira com resfriamento e aquecimento da Razer Divulgação/Razer A fabricante de produtos gamer Razer apresentou o Project Arielle, a primeira cadeira gamer do mundo com recursos de aquecimento e resfriamento. A cadeira possui botões integrados que permitem ajustar a velocidade do ventilador e ativar ou desativar o aquecedor. "Com três velocidades de ventoinha ajustáveis para resfriamento personalizado, o fluxo de ar do Project Arielle melhora a dissipação de calor e pode reduzir a temperatura em 2°C a 5°C em ambientes secos, mantendo você fresco, confortável e focado durante sessões de jogo", afirmou a empresa. Veja mais: g1 testou: tecnologia para vestir O que é o 5G puro? Pesquisadores criam roda flexível que se adapta a pisos acidentados

Musk elogia decisão da Meta de dar fim ao serviço de checagem de posts


Empresa de Mark Zuckerberg passará a adotar o mesmo sistema do X, que pertence a Musk, onde os próprios usuários poderão adicionar correções aos posts. Zuckerberg citou ainda uma suposta guerra contra censura, em fala que se alinha com as de Musk. Montagem com fotos dos bilionários Mark Zuckerberg, dono do Facebook, e Elon Musk, dono do Twitter Mandel Ngan/AFP e Alain Jocard/AFP O bilionário Elon Musk elogiou a decisão da Meta de deixar de fazer a checagem de conteúdos postados no Instagram e no Facebook. "Isto é legal", postou em seu perfil no X nesta terça-feira (7), após o anúncio feito pela rival. Começando pelos Estados Unidos, a empresa de Mark Zuckerberg passará a adotar o mesmo sistema do X, que pertence a Musk, onde os próprios usuários poderão adicionar correções aos posts, como complemento ao conteúdo. No X, isso é chamado de "notas da comunidade". Initial plugin text A presidente-executiva do antigo Twitter, Linda Yaccarino também elogiou a decisão da rival. "A checagem de fatos e a moderação não pertencem às mãos de um grupo seleto de guardiões que podem facilmente introduzir seus vieses nas decisões. São um processo democrático que deve estar nas mãos de muitos", postou. 'Parceria' com Trump Ao anunciar a medida, Zuckerberg mencionou também que a Meta estará alinhada com Donald Trump, que assumirá a presidência dos Estados Unidos no próximo dia 20. Na última segunda-feira (6), a Meta anunciou que Dana White, chefão do UFC (Ultimate Fighting Championship) e notório apoiador de Trump se juntará ao conselho da empresa. "Vamos trabalhar com o presidente Trump para pressionar os governos de todo o mundo, que visam perseguir empresas americanas e pressionando para implementar mais censura", afirmou o dono da Meta. No vídeo em que falou sobre o fim da checagem de fatos, Zuckerberg criticou países da Europa e da América Latina, sem citar nomes. O bilionário afirmou que os EUA possuem "proteções constitucionais mais fortes", e que "a Europa tem um número crescente de leis que institucionalizam a censura e dificultam a construção de algo inovador". E que "os países latino-americanos têm tribunais secretos que podem ordenar que as empresas retirem as coisas silenciosamente". Mark Zuckerberg anuncia que Meta vai encerrar sistema de checagem de fatos Falas de rivais se alinham O discurso de Zuckerberg se alinha com falas de Musk, que já foi anunciado no comando do Departamento de Eficiência do novo governo. Outros empresários que vieram da área de tecnologia deverão participar da gestão Trump. No Brasil, o secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação, João Brant, disse que o dono da Meta fez referência ao Supremo Tribunal Federal. "É uma declaração fortíssima, que se refere ao STF como ‘corte secreta’, ataca os checadores de fatos (dizendo que eles ‘mais destruíram do que construíram confiança’) e questiona o viés da própria equipe de ‘trust and safety’ da Meta – o que ‘justifica’ uma manobra para fugir da lei da Califórnia e levar a equipe para o Texas." Em 2024, o X chegou a ser suspenso no Brasil por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, porque a rede social deixou de ter representante no Brasil e também não pagou multas acumuladas por não cumprir determinações da Justiça brasileira. Na ocasião, o X se referiu a essas ordens como sendo "ilegais" e disse não iria cumpri-las. Musk afirmou que Moraes estava "destruindo" a liberdade de expressão. Pouco mais de um mês depois da suspensão, no entanto, a empresa cumpriu todas as exigências de Moraes e voltou a funcionar no Brasil, um dos países com mais usuários para o X.

Secretário do governo Lula critica Meta e aponta indireta ao STF em fala de Zuckerberg sobre 'tribunais secretos' na América Latina


Big tech anunciou fim do sistema de checagem de fatos e adoção no Facebook e Instagram das chamadas 'notas de comunidade', mesmo mecanismo utilizado pelo X. Para João Brant (Políticas Digitais), Meta deixará de proteger direitos individuais e medidas são convite ao 'ativismo da extrema-direita'. Secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação da Presidência, João Brant GloboNews/Reprodução O secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação do governo Lula, João Brant, criticou nesta terça-feira (7) o anúncio de Mark Zuckerberg, CEO da Meta, sobre mudanças no tratamento de conteúdos postados nas suas plataformas, como o Instagram e o Facebook. Em uma postagem no Instagram, João Brant afirma que, com as mudanças anunciadas, a Meta vai dar "total peso à liberdade de expressão individual" e deixará de "proteger direitos individuais e coletivos", abrindo espaço para o que chamou de "ativismo da extrema-direita". Na publicação, Brant também diz que a atitude de Zuckerberg "explicita a aliança" da Meta com o governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Tal alinhamento com o político de direita, na avaliação do secretário de Políticas Digitais de Lula, terá como objetivo "enfrentar União Europeia, Brasil e outros países que buscam proteger direitos no ambiente online". João Brant também menciona na postagem trecho da declaração de Zuckerberg, na qual o CEO da Meta afirma, sem apresentar provas, que 'tribunais secretos' da América Latina "ordenam remoção silenciosa de conteúdos" em redes sociais. Para o secretário, tal passagem da fala de Zuckerberg é uma indireta ao Supremo Tribunal Federal (STF), que recentemente travou embates judiciais com o proprietário do X, Elon Musk. "É uma declaração fortíssima, que se refere ao STF como ‘corte secreta’, ataca os checadores de fatos (dizendo que eles ‘mais destruíram do que construíram confiança’) e questiona o viés da própria equipe de ‘trust and safety’ da Meta – o que ‘justifica’ uma manobra para fugir da lei da Califórnia e levar a equipe para o Texas", pontua Brant. Anúncio da Meta 'preocupa', diz Haddad Entrevista com Fernando Haddad GloboNews Em entrevista à GloboNews, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a mudança de postura da Meta sobre checagem e tratamento de conteúdos "preocupa" o governo brasileiro. Haddad citou a disseminação de conteúdos falsos nas eleições presidenciais de 2018 e 2022 no Brasil. "Nos preocupa, nós vimos o que aconteceu em 2018 e em 2022. Estamos em um mundo mais complicado. Temos que cuidar da nossa democracia, da integridade das pessoas, das instituições e das informações", disse Haddad ao Estúdio i. Fim do sistema de checagem Mark Zuckerberg anuncia que Meta vai encerrar sistema de checagem de fatos A Meta anunciou nesta terça que está encerrando o seu programa de verificação de fatos para adotar as "notas de comunidade", um recurso similar ao implementado pela plataforma X, de Elon Musk. O anúncio da mudança foi feito por Mark Zuckerberg, em uma publicação no Instagram. "Vamos nos livrar dos verificadores de fatos e substituí-los por Notas da Comunidade, semelhantes ao X, começando nos EUA", disse Zuckerberg. "Isso significa que identificaremos menos conteúdos problemáticos, mas também reduziremos a remoção acidental de postagens e contas de pessoas inocentes", completou o CEO da Meta. Procurada pelo g1, a Meta enviou um comunicado em que confirma as mudanças anunciadas pelo CEO. "Permitiremos que as pessoas se expressem mais, eliminando restrições sobre alguns assuntos que são parte de discussões na sociedade e focando a moderação de conteúdo em postagens ilegais e violações de alta severidade", disse Joel Kaplan, vice-presidente de assuntos globais a big tech. Elogio a Trump e ataque a países latino-americanos Mark Zuckerberg, CEO da Meta AP Photo/David Zalubowski No vídeo, Zuckerberg também menciona o presidente eleito dos EUA, Donald Trump. Ele expressa entusiasmo, afirmando que finalmente poderá trabalhar ao lado de Trump no próximo mandato, que terá início no dia 20 de janeiro. "Vamos trabalhar com o presidente Trump para pressionar os governos de todo o mundo, que visam perseguir empresas americanas e pressionando para implementar mais censura", afirmou o dono da Meta. O bilionário afirmou que os EUA possuem "proteções constitucionais mais fortes", e que "a Europa tem um número crescente de leis que institucionalizam a censura e dificultam a construção de algo inovador". Sem apresentar provas, ele também afirmou que "os países latino-americanos têm tribunais secretos que podem ordenar que as empresas retirem as coisas silenciosamente".

Meta, dona de Instagram e Facebook, encerrará sistema de checagem de fatos e adotará 'notas de comunidade' como no X


Mudança foi anunciada por Mark Zuckerberg, CEO da Meta, em um vídeo publicado no Instagram. Mark Zuckerberg, CEO da Meta Reuters A Meta anunciou nesta terça-feira (7) que está encerrando o seu programa de verificação de fatos para adotar as "Notas da Comunidade", um recurso similar ao implementado pela plataforma X, de Elon Musk. O anúncio da mudança foi feito pelo CEO da empresa, Mark Zuckerberg, em uma publicação no Instagram. "Agora, nosso foco será em filtros para combater violações legais e de alta gravidade. Para casos de menor gravidade, iremos depender de denúncias antes de tomarmos qualquer ação", afirmou o empresário no vídeo. Ainda não está claro se a mudança será implementada em todos os mercados onde a Meta atua ou apenas nos Estados Unidos. O g1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da empresa e aguarda uma resposta. O mecanismo que a Meta adotará é semelhante ao utilizado pelo X, de Elon Musk. Nesse sistema, a moderação de conteúdo é realizada pelos próprios usuários, que podem adicionar notas explicativas às publicações. O objetivo dessas notas é fornecer contexto adicional, especialmente em casos de conteúdo enganoso ou potencialmente polêmico. "É hora de voltar às nossas raízes em torno da liberdade de expressão. Estamos substituindo os verificadores de fatos por Notas da Comunidade, simplificando nossas políticas e focando em reduzir erros. Ansioso pelo próximo capítulo", escreveu o bilionário na publicação. Esta reportagem está em atualização.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

CES 2025: startup japonesa lança robô que 'assopra' para esfriar comidas e bebidas quentes para você


Equipamento portátil utiliza tecnologia para simular sopros humanos e promete facilitar o consumo de alimentos quentes, especialmente para quem tem sensibilidade. CES 2025: startup japonesa lança robô que 'assopra' para esfriar comidas e bebidas quentes para você Divulgação/Yukai Engineering A startup japonesa Yukai Engineering apresentou um robô portátil que resfria comidas e bebidas quentes para você. A novidade foi anunciada durante a CES 2025, considerada a maior feira de tecnologia do mundo, que acontece em Las Vegas (EUA). Chamado de Nékojita FuFu, o robô foi desenvolvido para ajudar pessoas com alta sensibilidade ao calor, segundo a empresa. Ele tem formato de gato e, por ser portátil, pode ser usado tanto em casa quanto fora, como em restaurantes. O dispositivo utiliza um ventilador interno para gerar ar frio e conta com um algoritmo que controla o ritmo e a intensidade do sopro, "simulando o comportamento humano enquanto reduz efetivamente a temperatura dos alimentos". "O robô não apenas ajuda você a apreciar um café quente. Ele pode facilitar o consumo de sopa quente por idosos e reduzir o trabalho dos pais ao ajudar crianças a comerem com menos assistência", disse a Yukai Engineering em comunicado. "Diferente de canecas tradicionais que reduzem calor, o Nékojita FuFu é um dispositivo independente que pode ser acoplado a qualquer utensílio de borda reta", completou. Robô Nékojita FuFu, que 'assopra' para que alimentos esfriem Divulgação/Yukai Engineering Os testes feitos pela própria Yukai mostram que o dispositivo reduz a temperatura de água quente de 88°C para 71°C em até 5 minutos. A ideia de criar o mini-robô surgiu durante um evento da Yukai Engineering, quando um líder da equipe comentou sobre a dificuldade de soprar a comida quente de seu bebê. Segundo ele, a prática o deixava frequentemente sem fôlego e tonto. A empresa diz que planeja lançar o Nékojita FuFu no Japão em algum momento deste ano por ¥ 3.800 (algo em torno de R$ 150). Robô Nékojita FuFu, que 'assopra' para que alimentos esfriem Divulgação/Yukai Engineering LEIA TAMBÉM: Os grandes avanços da humanidade que teriam sido impossíveis sem a cola O que esperar da inteligência artificial em 2025 Regra da União Europeia que exige conexão USB-C em todos os celulares já está em vigor O fim da 'salada de cabos' Traduzir, criar imagens e mais: quais tarefas do dia a dia o Meta AI no WhatsApp consegue O que é o 5G puro?

Chefão do UFC e apoiador de Trump se junta ao conselho da Meta semanas antes do início do novo governo nos EUA


Dana White, um dos apoiadores mais famosos de Donald Trump, está entre os três novos integrantes do conselho administrativo empresa que controla Instagram, WhatsApp e Facebook. Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, disse que admira White como empreendedor. Presidente do UFC, Dana White, fala em gravação para a última noite da Convenção Nacional do Partido Republicano nesta quinta-feira (27) Convenção Nacional do Partido Republicano/AP O presidente-executivo do UFC (Ultimate Fighting Championship), Dana White, foi anunciado nesta segunda-feira (6) como novo integrante do conselho administrativo da Meta, dona do Instagram, do WhatsApp e do Facebook. White é um dos apoiadores mais conhecidos de Donald Trump, que, em 20 de janeiro, assumirá mais uma vez o cargo de presidente dos Estados Unidos. Durante a campanha, White classificou o então candidato como "o ser humano mais firme, mais resiliente que eu já vi". Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, disse em seu perfil que Dana White transformou o UFC em um dos empreendimentos esportivos mais valiosos e populares do mundo. "Eu o admiro como empreendedor e pela sua capacidade de construir uma marca tão amada", afirmou. Além de White, os novos integrantes do conselho administrativo da Meta são John Elkann, presidente-executivo da empresa de investimento Exor, e o investidor Charlie Songhurst.

domingo, 5 de janeiro de 2025

Influenciadoras digitais travam batalha judicial para decidir qual delas é a mais 'básica' da internet


Está é a primeira vez que uma disputa sobre estéticas digitais vira assunto de um tribunal de justiça, abrindo um novo horizonte de debates com relação a direitos autorais nas plataformas sociais. Petição entregue por advogados de Sydney Gifford (à esquerda) à justiça do Texas busca acusar Alyssa Sheil (direita) de copiar estética. Imagem: Reprodução Em abril de 2024, a influenciadora digital norte-americana Sydney Nicole Gifford decidiu recorrer às vias legais para impedir que Alyssa Sheil, outra criadora de conteúdo, copie a sua estética "sad beige" nas redes sociais. A petição sobreviveu às fases iniciais e será colocada para julgamento neste ano. Está é a primeira vez que uma disputa sobre estéticas digitais vira assunto de tribunais de justiça -- o que vem intrigando especialistas em plataformas digitais e direitos autorais. (veja mais sobre o processo abaixo). ...👉 O que a estética sad beige? Segundo o dicionário Cambridge, o termo "sad beige" é usado para descrever a tendência de vestir-se em tons de marrom claro e outras cores neutras. Essa estética surgiu como uma moda entre pais para compor o guarda-roupa de seus filhos, mas se espalhou pelas redes sociais entre influenciadores digitais que buscam exibir um estilo comedido, sóbrio e minimalista. A petição montada pelos advogados da Gifford reúne mais de 60 páginas de supostas evidências que respaldariam a acusação do alegado plágio comemtido por Alyssa, o que inclui o uso de roupas as mesmas tonalidades, acessórios, pose e enquadramentos fotográficos semelhantes. Apesar da briga entre as evolvidas, não é preciso navegar por muito tempo nas plataformas para perceber o mar de conteúdos idênticos ao que cada uma delas possa defender como uma criação autêntica: a hashtag #sadbeige, que faz alusão à trend de roupas e acessórios 'básicos', tem mais de 12 mil postagens apenas no Instagram. O copia-e-cola da internet Para Issaaf Karhawi, professora e pesquisadora em comunicação digital da Universidade de São Paulo (USP), a reciclagem de conteúdos processada por influenciadores no mundo digital pode ser explicada através do conceito de templatização, cunhado, originalmente, por Tama Leaver, Tim Highfield e Crystal Abidin. O conceito de templatização define um modelo repetitivo do que é considerado uma 'boa estética' no Instagram. Quase como se tivéssemos ritualizado essa publicação de imagens, tornando todo o processo puro mimetismo O copia-e-cola das referências estéticas entre influenciadores digitais é capturada pelo perfil "shitbloggerpost" no Instagram. Nos carrosséis, é possível verificar publicações de contas diferentes, mas que bebem de inspirações essencialmente idênticas. Initial plugin text Karhawi pontua que o desejo por repetição tem relação com a lógica de algorítimos de redes sociais, em que métricas de engajamento determinam o tipo de conteúdo que vale ser publicado ou não. "Os influenciadores pertencem a uma economia de atenção, que é dataficada, e a estética dentro das plataformas também fica amarrada desses contornos. Ou seja, os influenciadores publicam o que eles imaginam que as plataformas esperam deles, em um processo que definimos como sendo a construção de um imaginário algorítmico. Na prática, se eles percebem que uma pose, um ambiente físico ou um figurino 'performam bem', fica evidente que eles vão investir nisso", explica a acadêmica. O processo e seu ineditismo Na petição entregue em abril a uma corte distrital do Texas, os advogados de Sydney sustentam que, ao postar conteúdos parecidos, Alyssa violou leis de direitos autorais, além de "apropriação indevida", "interferência sobre relações de negócios", "enriquecimento indébito" e "práticas injustas de comércio e competição". Os advogados ainda alegam que a jovem "trabalhou ao longo dos últimos 5 anos e devotou centenas de horas para estabelecer sua única identidade de marca e credibilidade", o que a possibilitou criar um negócio que vale "centenas de milhares de dólares". As similaridades entre os conteúdos postados por Sydney e Alyssa em ambientes digitais como Instagram, TikTok e páginas da Amazon Storefront (produtos que contam com o "carimbo" de influenciadores de moda que são comercializados nas páginas do e-commerce) são listadas no documento. Petição entregue à corte distrital do Texas por advogados de Sydney Gifford acusa influenciadora "rival" de plágio Imagem: Reprodução A defesa de Alyssa rejeitou todas as acusações, afirmando que a jovem "nunca infringiu nenhum trabalho de Gifford" e que o "os conteúdos de Sheil foram e são desenvolvidos independentemente". À "Bloomberg Law", os advogados da jovem disseram que a ação expressa um "precedente preocupante" para que influenciadores passem a exercer controle sobre mercados digitais, ao se apropriarem de "certos esquemas de cor e certos tipos de fotos". Em novembro do ano passado, o juiz magistrado Dustin Howell, que instruiu o processo, determinou que parte das queixas fossem rejeitadas, mas que se prossiga o julgamento com base nas acusações de violação de direitos autorais e a "apropriação indevida". Agora, a questão vai ser apreciada pelo juiz distrital Robert Pitman, que dará o veredicto. O julgamento ainda não tem data marcada, mas deve ocorrer ainda no início deste ano. Apesar das semelhanças claras entre os conteúdos postados pelas influenciadores, Pedro Henrique Ramos, professor em estudos da internet na Ibmec e sócio do escritório Baptista Luz em práticas midiáticas, de tecnologia e proteção de dados, vê baixo o risco de um "efeito cascata" originado a partir do caso. Dois motivos concorrem para isso, na visão do especialista. O primeiro deles é que não existe base jurídica para reconhecer a figura do influenciador como sendo de uma marca. "Existe uma proteção conhecida no mundo todo por trade dress, um dispositivo legal que barra a apropriação de elementos distintivos de uma marca ou empresa, como fontes tipográficas e esquemas de cores. Mas isso se aplica exclusivamente a marcas,", explica Ramos. Ramos pondera também que, sob o ponto de vista do direito autoral, é preciso comprovar uma semelhança quase absoluta para que uma ação da justiça realmente aconteça. Esse cenário torna-se mais nebuloso quando a determinada estética reivindicada tem circulação ampla na internet. "Lembrar não é suficiente, é preciso provar que a pessoa está usando a sua imagem, gerando, assim, uma confusão aos olhos do público; é preciso também provar que o seu material é dotado de distintividade. Agora, quem pode ser considerada dona da estética clean girl, ou da estética minimalista, ou dark academia, ou outras estéticas que estão em voga em TikTok ou Pinterest? É uma questão bastante subjetiva, por que são referências e colagens que estão em circulação há muito tempo", analista o especialista. Quem são as influenciadoras envolvidas no caso Sydney Gifford, 24, ganhou centenas de milhares de seguidores ao inundar o feed das suas contas do TikTok e Instagram com roupas, acessórios, utensílios e itens de decoração que recebe da Amazon, através do programa de influenciadores digitais da companhia norte-americana. Nos produtos que promove junto ao público, a influencer abusa de texturas minimalistas e tons de bege. Já Alyssa Sheil, 21, também se diz entusiasta do minimalismo estilístico. Ao portal "The Verge", ela disse que as cores terrosas a deixam mais relaxada. A jovem também participa do programa de parceria com influenciadores da Amazon, de onde tira a maior parte da sua receita como criadora de conteúdo. Antes de se enfrentaram na justiça, as influenciadoras se encontraram no final de 2022 e, depois, trabalharam juntas um ensaio fotográfico no início de 2023, quando viviam na capital texana. Dias depois do ensaio, Sydney relata ter "recebido com surpresa" o fato de ter sido bloqueada por Alyssa em todas redes sociais. Do outro lado, Alyssa descreve ao portal "The Verge" que se incomodou com o comportamento "passivo agressivo" de Sydney durante os dois encontros, o que incluía comentários "invejosos" sobre a diferença de idade entre elas. Depois de perderem contato, a decisão de Sydney em recorrer às vias legais ocorreu depois que seus seguidores avisaram que Alyssa estava plagiando a estética bege triste, culminando na ação judicial.

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...