Jornais no mundo todo repercutiram a decisão de abandonar o uso de checagem independente de fatos no Facebook e no Instagram. Mark Zuckerberg anunciou o fim da checagem independente de fatos no Facebook e Instagram. Reuters via BBC Jornais no mundo todo repercutiram a decisão de abandonar o uso de checagem independente de fatos no Facebook e no Instagram, substituindo-os por "notas da comunidade", em um modelo semelhante ao do X, em que comentários sobre a precisão do conteúdo das postagens são deixados a cargo dos próprios usuários. Em vídeo publicado no blog da empresa na terça-feira (7/1), o presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, disse que os moderadores profissionais são "muito tendenciosos politicamente" e que era "hora de voltar às nossas raízes, em torno da liberdade de expressão". ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Uma análise publicada no jornal britânico The Guardian afirma que a decisão de Zuckerberg inaugura uma fase de "política partidária da gigante de redes sociais", com o seu CEO "perseguindo o apoio de Trump". "A Meta está mudando para a direita, seguindo os ventos políticos predominantes que sopram nos Estados Unidos. Uma era mais partidária agora se aproxima para a gigante da mídia social e seus líderes corporativos, embora o próprio Mark Zuckerberg tenha poucas políticas pessoais além da ambição", afirma uma análise do editor de tecnologia do Guardian, Blake Montgomery. "O CEO Zuckerberg anunciou as mudanças enquanto tenta ganhar aprovação do novo governo de Donald Trump, demonstrando até onde ele está disposto a ir para ganhar a aprovação do presidente eleito", diz a análise. "Zuckerberg acredita que Trump está ditando os termos do discurso dominante em 2025." "O Facebook e o Instagram são tão grandes que seus termos de serviço definem, na prática, a janela de Overton [espectro de ideias toleradas na sociedade em determinado momento] para conversas online em todo o mundo." O Guardian também publicou um artigo de opinião do jornalista Chris Stokel-Walker, autor de livros sobre o YouTube e o TikTok, intitulado: "Uma nova era de mentiras: Mark Zuckerberg acaba de inaugurar um evento de extinção da verdade nas redes sociais". "O comentário mais 'apito de cachorro' [mensagem cifrada enviada a grupos políticas — nesse caso, aos eleitores de Trump] foi uma observação de que a Meta estaria movendo o que restava de suas equipes de confiança, segurança e moderação de conteúdo para fora da Califórnia liberal e sua moderação de conteúdo dos EUA agora seria baseada no Texas, um Estado republicano ferrenho", diz Stokel-Walker. "Só faltou no vídeo Zuckerberg usar um boné MAGA (sigla em inglês para "torne a América grande de novo", o slogan de Trump) e portar uma espingarda", diz o texto. "De certa forma, você não pode culpar Zuckerberg por se curvar para Donald Trump. O problema é que sua decisão tem enormes ramificações", diz o artigo. "Este é um evento de nível de extinção para a ideia de verdade objetiva nas mídias sociais – um organismo que já estava em sistema de suporte de vida, mas sobrevivia em parte porque a Meta estava disposta a financiar organizações independentes de verificação de fatos para tentar manter algum elemento de veracidade, livre de viés político." 'Repensando obediência à esquerda democrata' Em editorial na quarta-feira (8/1), o jornal Wall Street Journal elogiou a decisão de Zuckerberg. "Um resultado da vitória de Donald Trump é que os CEOs das empresas estão repensando sua obediência à esquerda democrata. O exemplo mais recente é a decisão bem-vinda da Meta esta semana de abandonar seu regime de censura", afirma o jornal no editorial intitulado "O mea culpa sobre liberdade de expressão de Mark Zuckerberg". "Em um mea culpa para entrar para história, o CEO Mark Zuckerberg retirou na terça-feira a maioria dos controles de liberdade de expressão da plataforma." O Wall Street Journal lembra que, nos últimos anos, a Meta adotou políticas de checagem de informação. O jornal afirma que isso foi feito para agradar políticos democratas. "Zuckerberg está redescobrindo a coragem de suas convicções de liberdade de expressão. Em seus primeiros anos, o Facebook adotou uma abordagem de não intervenção na moderação de conteúdo. Mas após a eleição de 2016, os democratas criticaram a plataforma por não fazer mais para remover a desinformação russa, que eles alegaram ter ajudado Trump a vencer." O jornal critica o modelo de moderação implementado pela Meta — e que será abandonado após o anúncio de Zuckerberg feito na terça-feira (8/1). "O Facebook então estabeleceu um sistema obscuro no qual parceiros terceirizados certificados, como veículos de comunicação e organizações sem fins lucrativos, checavam os fatos das postagens. As postagens classificadas como enganosas ou falsas eram rebaixadas nos feeds de usuários. O viés de esquerda nas checagens de fatos estimulou uma reação conservadora e pressão para emendar a Seção 230 para limitar as proteções de responsabilidade para plataformas online." O jornal sugere que a estratégia da Meta é se aproximar de Trump e dos republicanos — e também do eleitorado americano. "Essas mudanças podem ser motivadas em parte pelo desejo da Meta de reparar a relação com os republicanos que em breve controlarão Washington e evitarão mais regulamentação [das Big Techs]. Mas Zuckerberg sem dúvida também está respondendo à mensagem que os eleitores enviaram ao eleger Trump: interrompam o imperialismo progressista." "Alguns conservadores pediram maior regulamentação das plataformas de mídia social sob a justificativa de que elas são praças públicas de fato. Mas Musk e Zuckerberg estão mostrando como os mercados, incluindo os mercados políticos, estão resolvendo o problema da censura. Mais controle do discurso do governo tornaria isso pior." O New York Times afirma que a moderação de conteúdo nas redes sociais é retirada das mãos das plataformas e colocadas nas mãos dos usuários. "A Meta gostaria de apresentar seu próximo verificador de fatos — aquele que identificará falsidades, escreverá correções convincentes e alertará outros sobre conteúdo enganoso. É você." Diz, ainda, que "uma reviravolta assim teria sido inimaginável após as eleições presidenciais de 2016 ou mesmo de 2020, quando as empresas de mídia social se viam como guerreiras involuntárias na linha de frente de uma guerra de desinformação". "Mentiras generalizadas durante a eleição presidencial de 2016 desencadearam reação pública e debate interno nas empresas de mídia social sobre seu papel na disseminação das notícias falsas. As empresas responderam investindo milhões em esforços de moderação de conteúdo, pagando verificadores de fatos terceirizados, criando algoritmos complexos para restringir conteúdo tóxico e lançando uma enxurrada de rótulos de advertência para retardar a disseminação de falsidades — movimentos vistos como necessários para restaurar a confiança pública."
quarta-feira, 8 de janeiro de 2025
'Meta mudou para direita, seguindo ventos políticos nos EUA': as reações da imprensa internacional ao fim da checagem no Facebook e Instagram
Jornais no mundo todo repercutiram a decisão de abandonar o uso de checagem independente de fatos no Facebook e no Instagram. Mark Zuckerberg anunciou o fim da checagem independente de fatos no Facebook e Instagram. Reuters via BBC Jornais no mundo todo repercutiram a decisão de abandonar o uso de checagem independente de fatos no Facebook e no Instagram, substituindo-os por "notas da comunidade", em um modelo semelhante ao do X, em que comentários sobre a precisão do conteúdo das postagens são deixados a cargo dos próprios usuários. Em vídeo publicado no blog da empresa na terça-feira (7/1), o presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, disse que os moderadores profissionais são "muito tendenciosos politicamente" e que era "hora de voltar às nossas raízes, em torno da liberdade de expressão". ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Uma análise publicada no jornal britânico The Guardian afirma que a decisão de Zuckerberg inaugura uma fase de "política partidária da gigante de redes sociais", com o seu CEO "perseguindo o apoio de Trump". "A Meta está mudando para a direita, seguindo os ventos políticos predominantes que sopram nos Estados Unidos. Uma era mais partidária agora se aproxima para a gigante da mídia social e seus líderes corporativos, embora o próprio Mark Zuckerberg tenha poucas políticas pessoais além da ambição", afirma uma análise do editor de tecnologia do Guardian, Blake Montgomery. "O CEO Zuckerberg anunciou as mudanças enquanto tenta ganhar aprovação do novo governo de Donald Trump, demonstrando até onde ele está disposto a ir para ganhar a aprovação do presidente eleito", diz a análise. "Zuckerberg acredita que Trump está ditando os termos do discurso dominante em 2025." "O Facebook e o Instagram são tão grandes que seus termos de serviço definem, na prática, a janela de Overton [espectro de ideias toleradas na sociedade em determinado momento] para conversas online em todo o mundo." O Guardian também publicou um artigo de opinião do jornalista Chris Stokel-Walker, autor de livros sobre o YouTube e o TikTok, intitulado: "Uma nova era de mentiras: Mark Zuckerberg acaba de inaugurar um evento de extinção da verdade nas redes sociais". "O comentário mais 'apito de cachorro' [mensagem cifrada enviada a grupos políticas — nesse caso, aos eleitores de Trump] foi uma observação de que a Meta estaria movendo o que restava de suas equipes de confiança, segurança e moderação de conteúdo para fora da Califórnia liberal e sua moderação de conteúdo dos EUA agora seria baseada no Texas, um Estado republicano ferrenho", diz Stokel-Walker. "Só faltou no vídeo Zuckerberg usar um boné MAGA (sigla em inglês para "torne a América grande de novo", o slogan de Trump) e portar uma espingarda", diz o texto. "De certa forma, você não pode culpar Zuckerberg por se curvar para Donald Trump. O problema é que sua decisão tem enormes ramificações", diz o artigo. "Este é um evento de nível de extinção para a ideia de verdade objetiva nas mídias sociais – um organismo que já estava em sistema de suporte de vida, mas sobrevivia em parte porque a Meta estava disposta a financiar organizações independentes de verificação de fatos para tentar manter algum elemento de veracidade, livre de viés político." 'Repensando obediência à esquerda democrata' Em editorial na quarta-feira (8/1), o jornal Wall Street Journal elogiou a decisão de Zuckerberg. "Um resultado da vitória de Donald Trump é que os CEOs das empresas estão repensando sua obediência à esquerda democrata. O exemplo mais recente é a decisão bem-vinda da Meta esta semana de abandonar seu regime de censura", afirma o jornal no editorial intitulado "O mea culpa sobre liberdade de expressão de Mark Zuckerberg". "Em um mea culpa para entrar para história, o CEO Mark Zuckerberg retirou na terça-feira a maioria dos controles de liberdade de expressão da plataforma." O Wall Street Journal lembra que, nos últimos anos, a Meta adotou políticas de checagem de informação. O jornal afirma que isso foi feito para agradar políticos democratas. "Zuckerberg está redescobrindo a coragem de suas convicções de liberdade de expressão. Em seus primeiros anos, o Facebook adotou uma abordagem de não intervenção na moderação de conteúdo. Mas após a eleição de 2016, os democratas criticaram a plataforma por não fazer mais para remover a desinformação russa, que eles alegaram ter ajudado Trump a vencer." O jornal critica o modelo de moderação implementado pela Meta — e que será abandonado após o anúncio de Zuckerberg feito na terça-feira (8/1). "O Facebook então estabeleceu um sistema obscuro no qual parceiros terceirizados certificados, como veículos de comunicação e organizações sem fins lucrativos, checavam os fatos das postagens. As postagens classificadas como enganosas ou falsas eram rebaixadas nos feeds de usuários. O viés de esquerda nas checagens de fatos estimulou uma reação conservadora e pressão para emendar a Seção 230 para limitar as proteções de responsabilidade para plataformas online." O jornal sugere que a estratégia da Meta é se aproximar de Trump e dos republicanos — e também do eleitorado americano. "Essas mudanças podem ser motivadas em parte pelo desejo da Meta de reparar a relação com os republicanos que em breve controlarão Washington e evitarão mais regulamentação [das Big Techs]. Mas Zuckerberg sem dúvida também está respondendo à mensagem que os eleitores enviaram ao eleger Trump: interrompam o imperialismo progressista." "Alguns conservadores pediram maior regulamentação das plataformas de mídia social sob a justificativa de que elas são praças públicas de fato. Mas Musk e Zuckerberg estão mostrando como os mercados, incluindo os mercados políticos, estão resolvendo o problema da censura. Mais controle do discurso do governo tornaria isso pior." O New York Times afirma que a moderação de conteúdo nas redes sociais é retirada das mãos das plataformas e colocadas nas mãos dos usuários. "A Meta gostaria de apresentar seu próximo verificador de fatos — aquele que identificará falsidades, escreverá correções convincentes e alertará outros sobre conteúdo enganoso. É você." Diz, ainda, que "uma reviravolta assim teria sido inimaginável após as eleições presidenciais de 2016 ou mesmo de 2020, quando as empresas de mídia social se viam como guerreiras involuntárias na linha de frente de uma guerra de desinformação". "Mentiras generalizadas durante a eleição presidencial de 2016 desencadearam reação pública e debate interno nas empresas de mídia social sobre seu papel na disseminação das notícias falsas. As empresas responderam investindo milhões em esforços de moderação de conteúdo, pagando verificadores de fatos terceirizados, criando algoritmos complexos para restringir conteúdo tóxico e lançando uma enxurrada de rótulos de advertência para retardar a disseminação de falsidades — movimentos vistos como necessários para restaurar a confiança pública."
terça-feira, 7 de janeiro de 2025
O Assunto #1380: O cavalo de pau de Zuckerberg em direção ao trumpismo

Em anúncio, o CEO da Meta acenou a Donald Trump e afirmou que os verificadores 'têm sido muito tendenciosos politicamente e destruíram mais confiança do que criaram'. Você pode ouvir O Assunto no g1, no GloboPlay, no Spotify, no Castbox, no Apple Podcasts, na Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou na sua plataforma de áudio preferida. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio. De supetão, o CEO da Meta apareceu em suas redes sociais com um anúncio de peso histórico: a empresa que controla Facebook, Instagram e WhatsApp vai se livrar dos checadores de fatos e vai colocar a moderação nas mãos dos usuários, em um modelo parecido como faz o X, a rede social de Elon Musk. No vídeo, Mark Zuckerberg disse que se trata de "um momento de voltar às nossas origens em torno da liberdade de expressão" e falou em pressionar governos que, segundo ele, perseguem empresas americanas para implementar mais censura – num esforço conjunto com Donald Trump, que assume a presidência dos Estados Unidos no próximo dia 20. O empresário criticou nominalmente a legislação para redes sociais da União Europeia, que, segundo ele, “institucionaliza a censura”, e os supostos “tribunais secretos” de países latino-americanos, que estariam ordenando “retirar coisas silenciosamente” das plataformas. Para explicar a maior mudança nas políticas de moderação na história das redes sociais, Natuza Nery conversa com Pablo Ortellado, professor de gestão de políticas públicas da USP e colunista do jornal O Globo. Na entrevista, Ortellado também analisa a aproximação de Zuckerberg a Trump e como as novas medidas respingam no Brasil. O que você precisa saber: Meta, dona de Instagram e Facebook, encerrará sistema de checagem de fatos para adotar 'notas de comunidade' como no X 'Mudança radical': por que mudanças no Facebook e no Instagram aproximam Zuckerberg ainda mais de Trump Secretário do governo Lula critica Meta e aponta indireta ao STF em fala de Zuckerberg sobre 'tribunais secretos' na América Latina MARCELO LINS: Discurso mostra guinada radical da Meta Mark Zuckerberg, CEO da Meta AP Photo/David Zalubowski
'Nova era': entenda o vai-e-vem na relação de Zuckerberg e Trump

Chefão da Meta, dona do Instagram e do Facebook, disse que empresa vai acabar com sistemas de checadores de fatos e afrouxar moderação. Mesmo após receber ataques na campanha eleitoral, o empresário se reaproximou de Trump após a eleição. Mark Zuckerberg anuncia que Meta vai encerrar sistema de checagem de fatos A decisão da Meta de dispensar checadores de fatos no Instagram e no Facebook é mais um passo na reaproximação da empresa de Mark Zuckerberg com Donald Trump, que assumirá um novo mandato como presidente dos Estados Unidos no próximo dia 20. A Meta deixará de contar com jornalistas para usar um sistema em que o conteúdo é revisado pelos próprios usuários. O modelo é parecido com as Notas da Comunidade do X, plataforma de Elon Musk, apoiador e integrante do novo governo de Trump. O chefão da Meta disse na terça-feira (7) que esse é o momento da Meta "voltar às nossas raízes em torno da liberdade de expressão" e que a empresa vai trabalhar com Trump para impedir a "censura" de outros países contra companhias americanas. Ele também declarou que o Instagram e o Facebook vão sugerir mais conteúdo político aos usuários. "Parece que estamos em uma nova era agora. E estamos começando a receber feedback de que as pessoas querem ver esse conteúdo novamente", afirmou. O anúncio desta terça indica que a Meta vai: Substituir checadores de fatos por Notas da Comunidade, em que o conteúdo é analisado pelos usuários, e não por jornalistas; Reduzir a moderação em postagens sobre temas como imigração e gênero – a empresa vai permitir relacionar orientação sexual a doença mental, por exemplo; Afrouxar filtros de moderação para focar apenas no que a Meta considera como violações graves ou severas – no caso de violações leves, a empresa só vai analisar se alguém denunciar o conteúdo; Mostrar mais conteúdo político novamente, depois de reduzir sugestões desse tipo de conteúdo no passado; Transferir sua equipe de moderação de conteúdo da Califórnia para o Texas, em uma tentativa de reduzir as preocupações com o viés político de seus moderadores. A relação entre Zuckerberg e Trump Trump foi eleito para seu primeiro mandato como presidente dos EUA em 2016. A disputa foi marcada pelo uso indevido de dados de milhões de usuários do Facebook para direcionar publicidade política, no que ficou conhecido como o escândalo Cambridge Analytica. Zuckerberg admitiu em 2020 que sua empresa estava atrasada na luta contra desinformação. Após falas controversas de Trump e pressão de funcionários, o empresário disse que suas plataformas passariam a moderar mensagens do político. Em janeiro de 2021, o Instagram e o Facebook suspenderam os perfis de Trump por entenderam que o político estimulou a invasão ao Congresso dos EUA por apoiadores que não concordaram com a vitória de Joe Biden na eleição de 2020. "Acreditamos que os riscos de permitir que o presidente continue usando os nossos serviços durante esse período são simplesmente muito grandes", disse Zuckerberg, ao anunciar a decisão, que também foi tomada por outras plataformas. No fim daquele ano, Trump revelou planos de criar sua própria rede social, a Truth Social. Segundo ele, o objetivo era "enfrentar a tirania das 'gigantes da tecnologia'" que o tinham silenciado na internet. As contas de Trump no Instagram e no Facebook foram desbloqueadas em janeiro de 2023, seguindo a medida tomada semanas antes pelo X (então Twitter), que já estava sob o controle de Musk. Mark Zuckerberg e Donald Trump AP Foto/Godofredo A. Vásquez; AP Photo/Evan Vucci Em sua campanha para a eleição de 2024, Trump atacou o presidente da Meta várias vezes. "Semana passada, o esquisito – ele é um esquisito – do Mark Zuckerberg veio à Casa Branca, puxou meu saco a noite inteira", disse o republicano em julho de 2022, um ano e meio após ele ter deixado a presidência. Em 2024, o político chamou Zuckerberg de "inimigo do povo" e disse que o executivo "passaria o resto de sua vida na prisão" se tentasse interferir na eleição. Depois, suavizou e agradeceu o empresário por não se envolver na disputa. Após a vitória de Trump, os dois se reuniram para um jantar em Mar-a-Lago, onde o republicano tem residência. O movimento também foi feito por empresários como Jeff Bezos, da Amazon, Tim Cook, da Apple, e Sam Altman, da OpenAI. Em dezembro, a Meta doou US$ 1 milhão para o fundo de posse de Trump, numa tentativa de melhorar o relacionamento com o presidente eleito. A empresa também anunciou Joel Kaplan, ex-integrante do governo do republicano George W. Bush como vice-presidente de assuntos globais, e Dana White, apoiador de Trump, como integrante de seu conselho administrativo. Na terça-feira, após o anúncio de Zuckerberg, Trump foi questionado sobre as mudanças. O presidente eleito dos EUA admitiu que suas ameaças "provavelmente" influenciaram os planos da Meta. LEIA TAMBÉM: Musk elogia decisão da Meta de dar fim ao serviço de checagem de posts Decisão da Meta de encerrar sistema de checagem 'preocupa', diz Haddad 'Fiquei preocupado com essa decisão', diz Marcelo Lins sobre encerramento de programa de verificação de fatos da Meta
Meta passa a permitir que doença mental seja vinculada a gênero ou orientação sexual em posts no Facebook, Instagram e Threads

Alteração nas políticas de discurso de ódio foram publicadas nesta terça-feira. Mudança, registrada nas páginas em inglês, não aparece no conteúdo direcionado ao Brasil. Fachada da Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, em foto de 7 de março de 2023 Jeff Chiu/AP A Meta alterou nesta terça-feira (7) a política contra discurso de ódio em posts no Facebook, Instagram e Threads. As diretrizes passaram a permitir, entre outros pontos, que termos referentes a doenças mentais sejam vinculadas a gênero ou orientação sexual. "Nós permitimos alegações de doença mental ou anormalidade quando baseadas em gênero ou orientação sexual, dado o discurso político e religioso sobre transgenerismo e homossexualidade", diz o texto com as novas diretrizes. A política tem texto mais curto do que a versão anterior, de 29 de fevereiro de 2024. A atualização ocorreu para locais como Estados Unidos e Reino Unido e foi divulgada no mesmo dia que Mark Zuckerberg anunciou que a empresa está encerrando o programa de verificação de fatos. Ao selecionar a página em português do Brasil, a versão que aparece ainda é a de 10 meses atrás, sem essas alterações. O g1 questionou a Meta sobre a eventual aplicação da nova política também no Brasil e aguarda resposta. Mark Zuckerberg anuncia que Meta vai encerrar sistema de checagem de fatos A nova versão abre espaço, por exemplo, para que usuários utilizem discursos com “linguagem insultuosa no contexto de discussão de tópicos políticos ou religiosos, como ao discutir direitos transgêneros, imigração ou homossexualidade”. Ao mesmo tempo, algumas restrições foram retiradas. Uma delas, por exemplo, proibia explicitamente a “autoadmissão de intolerância com base em características protegidas [de discriminação], incluindo, mas não se limitando a: homofóbica, islamofóbica, racista”. Outra mudança diz respeito à troca do termo "discurso de ódio" por "conduta de ódio". Em um trecho que foi mantido, as diretrizes da Meta continuam barrando conteúdos que ataquem “conceitos, instituições, ideias, práticas ou crenças associadas a características protegidas, que provavelmente contribuirão para danos físicos iminentes, intimidação ou discriminação contra as pessoas associadas a essa característica protegida”. Veja quais trechos foram incluídos na nova versão - eles estão destacados abaixo: [Na introdução] Às vezes, as pessoas usam linguagem exclusiva de sexo ou gênero ao discutir acesso a espaços frequentemente limitados por sexo ou gênero, como acesso a banheiros, escolas específicas, funções militares, policiais ou de ensino específicas e grupos de saúde ou apoio. Outras vezes, elas pedem exclusão ou usam linguagem insultuosa no contexto de discussão de tópicos políticos ou religiosos, como ao discutir direitos transgêneros, imigração ou homossexualidade. Finalmente, às vezes as pessoas xingam um gênero no contexto de um rompimento romântico. Nossas políticas são projetadas para permitir espaço para esses tipos de discurso. [No trecho que cita quais tipos de conteúdos não devem ser postados] [Publicações que contêm] Exclusão econômica, o que significa negar acesso a direitos econômicos e limitar a participação no mercado de trabalho. Nós permitimos conteúdo que defenda limitações de gênero em empregos militares, policiais e de ensino. Também permitimos o mesmo conteúdo com base na orientação sexual, quando o conteúdo é baseado em crenças religiosas. [Publicações que contêm] Exclusão social, o que significa coisas como negar acesso a espaços (físicos e online) e serviços sociais, exceto para exclusão baseada em sexo ou gênero de espaços comumente limitados por sexo ou gênero, como banheiros, esportes e ligas esportivas, grupos de saúde e apoio e escolas específicas. [Publicações que contêm] Características mentais, incluindo, mas não se limitando a alegações de estupidez, capacidade intelectual e doença mental, e comparações sem suporte entre grupos de PC com base na capacidade intelectual inerente. Nós permitimos alegações de doença mental ou anormalidade quando baseadas em gênero ou orientação sexual, dado o discurso político e religioso sobre transgenerismo e homossexualidade e o uso comum, não sério, de palavras como "esquisito". Veja quais trechos foram retirados na nova versão - eles estão destacados abaixo: [Na introdução] Acreditamos que as pessoas usam suas vozes e se conectam mais livremente quando não se sentem atacadas com base em quem são. É por isso que não permitimos condutas de ódio no Facebook, Instagram ou Threads. Isso cria um ambiente de intimidação e exclusão e, em alguns casos, pode promover violência offline. [No trecho que cita quais tipos de conteúdos não devem ser postados] [Publicações que contêm] Autoadmissão de intolerância com base em características protegidas, incluindo, mas não se limitando a: homofóbica, islamofóbica, racista. Conteúdo direcionado a uma pessoa ou grupo de pessoas com base em suas características protegidas, com alegações de que elas têm ou espalham o novo coronavírus, são responsáveis pela existência do novo coronavírus ou estão espalhando deliberadamente o novo coronavírus. LEIA TAMBÉM: O que são as notas de comunidade que a Meta quer implementar? Por que fim de checagem aproxima Zuckerberg ainda mais de Trump Secretário do governo Lula critica Meta e aponta indireta ao STF Traduzir, criar imagens e mais: quais tarefas do dia a dia o Meta AI no WhatsApp consegue
O que são as notas de comunidade que a Meta quer implementar?
Nesta terça-feira (7), a Big Tech anunciou que vai substituir o sistema de checagem pelo de notas de comunidade; funcionamento do novo mecanismo é semelhante ao da Wikipédia. Mark Zuckerberg anuncia que Meta vai encerrar sistema de checagem de fatos
A Meta anunciou que encerrará seu programa de verificação digital nos Estados Unidos para substituí-lo por um sistema de notas de comunidade, semelhante ao utilizado pela rede social X, nesta terça-feira (7).
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, anunciou a mudança por meio de um comunicado em vídeo (veja acima).
Como funcionam as notas de comunidade?
As notas de comunidade são uma ferramenta de moderação coletiva de conteúdos. Elas aparecem abaixo de algumas publicações potencialmente enganosas.
O X (antigo Twitter) as utiliza desde 2021, e em 2022 foram amplamente implementadas na rede social, comprada pelo bilionário Elon Musk em 2022 e renomeada como X.
As notas são propostas e redigidas por usuários voluntários, que precisam se inscrever previamente, e não são editadas pelas equipes do X.
Depois, "outros usuários avaliam se a nota é útil ou não, com base em critérios como a pertinência das fontes e a clareza das informações", explicou à AFP Lionel Kaplan, presidente da agência de criação de conteúdos em redes sociais Dicenda.
"Se houver avaliações positivas suficientes, a nota aparecerá abaixo do post, fornecendo informações adicionais", detalhou.
As avaliações "levam em conta não apenas o número de colaboradores que classificaram uma publicação como útil ou inútil, mas também se as pessoas que a avaliaram parecem pertencer a diferentes esferas", explica o X em seu site oficial.
O princípio é semelhante ao da Wikipédia. "Nós nos baseamos nos usuários mais ativos de uma rede social ou plataforma para aumentar a qualidade dos conteúdos", acrescentou Kaplan.
A Meta, que anunciou que seu programa de notas será similar ao da X, considera o sistema "menos parcial" do que o fact-checking.
'Mudança radical': por que fim de checagem de fake news no Facebook e Instagram aproxima Zuckerberg ainda mais de Trump
Quais são os riscos?
O Facebook possui um programa de fact-checking em mais de 26 idiomas que remunera mais de 80 organizações de mídia em todo o mundo, incluindo a AFP, para usar suas verificações de fatos em suas plataformas, como WhatsApp e Instagram.
Com as avaliações, "o problema é que a verificação depende da multidão", aponta Christine Balagué, professora do Instituto Mines-Télécom e fundadora da rede de pesquisa "Good in Tech", que trabalha com desinformação.
"A multidão pode dizer o certo, mas também pode haver pessoas mal-intencionadas que estão ali para disseminar informações erradas", alerta.
"Essa decisão afetará os usuários que buscam informações precisas e confiáveis", comentou no X Angie Drobnic Holan, diretora americana da Rede Internacional de Fact-Checking (IFCN, na sigla em inglês).
"Os checadores nunca demonstraram parcialidade em seu trabalho, e essas críticas vêm de pessoas que acreditam que podem exagerar os fatos e mentir sem serem refutadas ou contraditadas", acrescentou, destacando o clima de pressão política nos Estados Unidos às vésperas da posse do presidente eleito Donald Trump.
Bill Adair, cofundador da IFCN, afirmou que é "preocupante ver Mark Zuckerberg ecoar os ataques políticos aos checadores, já que ele sabe que os participantes de seu programa assinaram uma carta de princípios que exige transparência e imparcialidade".
Trump, que foi especialmente crítico em relação à Meta e ao seu CEO nos últimos anos, acusando a empresa de viés progressista, declarou que "provavelmente" influenciou a decisão.
Decisão da Meta de encerrar sistema de checagem 'preocupa', diz Haddad
As avaliações são eficazes contra a desinformação?
Pesquisadores mostraram que as notas de contexto "reduzem a disseminação de desinformação em cerca de 20%" no X, admitiu Balagué.
E, embora esse sistema "não seja 100% confiável", Kaplan acredita que as notas de contexto são eficazes.
Ele considera que permitem processar um maior volume de informações do que o fact-checking, que é "complicado de aplicar". Também destaca o funcionamento "democrático", que permite "ter e confrontar diferentes pontos de vista".
O X, no entanto, é frequentemente acusado de permitir a difusão de informações falsas desde que Musk reduziu drasticamente as equipes de moderação.
Mas, segundo o especialista, isso se deve principalmente ao fato de que "o X incentiva o radicalismo", tornando os conteúdos falsos mais visíveis do que em outras plataformas.
A Meta informou que os usuários poderão começar a se inscrever a partir de segunda-feira para escrever notas assim que o programa for lançado, mas não forneceu detalhes sobre os critérios de participação.
A empresa também anunciou que dará aos usuários mais controle sobre a quantidade de conteúdo político que desejam ver no Facebook, Instagram ou Threads.
Resta saber se esse sistema aumentará a disseminação de informações falsas. De acordo com Kaplan, a Meta não tem necessariamente interesse em destacar conteúdos controversos, pois isso poderia desagradar os anunciantes.
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Decisão da Meta de encerrar sistema de checagem 'preocupa', diz Haddad
Mark Zuckerberg anunciou que a empresa está encerrando o seu programa de verificação de fatos para adotar as "notas de comunidade", em que os próprios usuários fazem correções. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista à GloboNews nesta terça-feira (7) que a decisão da Meta, empresa dona do Instagram e do Facebook, de encerrar o sistema de checagem de fatos "preocupa" o governo brasileiro.
"Tivemos hoje um anúncio de uma importante organização de comunicação mundial, global dizendo que vai retirar dos seus controles os filtros de fake news, aderindo um pouco a mentalidade de que liberdade de expressão inclui calúnia, mentira, difamação e tudo mais, o que nos preocupa".
Haddad citou a disseminação de conteúdos falsos nas eleições presidenciais de 2018 e 2022 no Brasil.
"Nos preocupa, nós vimos o que aconteceu em 2018 e em 2022. Estamos em um mundo mais complicado. Temos que cuidar da nossa democracia, da integridade das pessoas, das instituições e das informações", disse Haddad.
Fim do sistema de checagem
Mark Zuckerberg anuncia que Meta vai encerrar sistema de checagem de fatos
A Meta anunciou nesta terça que está encerrando o seu programa de verificação de fatos para adotar as "notas de comunidade", um recurso similar ao implementado pela plataforma X, de Elon Musk.
O anúncio da mudança foi feito por Mark Zuckerberg, em uma publicação no Instagram.
"Vamos nos livrar dos verificadores de fatos e substituí-los por Notas da Comunidade, semelhantes ao X, começando nos EUA", disse Zuckerberg.
"Isso significa que identificaremos menos conteúdos problemáticos, mas também reduziremos a remoção acidental de postagens e contas de pessoas inocentes", completou o CEO da Meta.
Procurada pelo g1, a Meta enviou um comunicado em que confirma as mudanças anunciadas pelo CEO.
"Permitiremos que as pessoas se expressem mais, eliminando restrições sobre alguns assuntos que são parte de discussões na sociedade e focando a moderação de conteúdo em postagens ilegais e violações de alta severidade", disse Joel Kaplan, vice-presidente de assuntos globais a big tech.
'Mudança radical': por que fim de checagem de fake news no Facebook e Instagram aproxima Zuckerberg ainda mais de Trump

Meta passará a usar, "inicialmente nos Estados Unidos", as chamadas "notas da comunidade", em modelo semelhante ao adotado pelo X de Elon Musk. Mark Zuckerberg anuncia que Meta vai encerrar sistema de checagem de fatos A Meta anunciou que está abandonando o uso de checagem independente de fatos no Facebook e no Instagram, substituindo-os por "notas da comunidade", em um modelo semelhante ao do X, em que comentários sobre a precisão do conteúdo das postagens são deixados a cargo dos próprios usuários. Em um vídeo publicado no blog da empresa nesta terça-feira (7/1), o presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, disse que os moderadores profissionais são "muito tendenciosos politicamente" e que era "hora de voltar às nossas raízes, em torno da liberdade de expressão". Joel Kaplan, que substituiu Nick Clegg e é hoje o principal executivo de políticas da Meta, escreveu que a dependência da empresa de moderadores independentes era "bem intencionada", mas muitas vezes resultava na censura dos usuários. Ativistas contra o discurso de ódio na internet criticaram a medida — e sugeriram que a mudança é motivada pela intenção de Zuckerberg de se aproximar de Donald Trump, que toma posse no próximo dia 20 de janeiro. "O anúncio de Zuckerberg é uma tentativa flagrante de agradar a próxima administração Trump — com implicações prejudiciais", disse Ava Lee, do Global Witness, grupo que se descreve como dedicado a cobrar a responsabilização das grandes empresas de tecnologia por seus atos. "'Alegar evitar a 'censura' é uma manobra política para evitar assumir a responsabilidade pelo ódio e pela desinformação que as plataformas encorajam e facilitam", acrescentou. Musk elogia decisão da Meta de dar fim ao serviço de checagem de posts Ao invés de checadores independentes, Facebook deverá ter notas, como na rede social X Getty Images via BBC Copiando o X O atual programa de verificação de fatos da Meta, criado em 2016, avalia publicações que parecem falsas ou enganosas por organizações independentes de checagem. Publicações sinalizadas como imprecisas podem ganhar rótulos com informações adicionais aos usuários e serem movidas para baixo nos feeds dos usuários. Isso agora será substituído, inicialmente nos Estados Unidos, pelo que é conhecido como "notas da comunidade", feitas pelos próprios usuários, que podem acrescentar contexto ou esclarecimentos a postagens que consideram incorretas ou imprecisas. 'Fiquei preocupado com essa decisão', diz Marcelo Lins sobre encerramento de programa de verificação de fatos da Meta A Meta diz que "não tem planos imediatos" para dispensar seus checadores de fatos terceirizados no Reino Unido ou na União Europeia. O novo sistema de notas da comunidade foi copiado do X, que o introduziu após ser adquirido e rebatizado por Elon Musk. A Fundação Molly Rose, do Reino Unido, descreveu o anúncio como uma "grande preocupação com a segurança online". "Estamos esclarecendo urgentemente o âmbito dessas medidas, incluindo se elas se aplicarão ao suicídio, à automutilação e ao conteúdo depressivo", disse o seu presidente, Ian Russell. "Essas medidas podem ter consequências terríveis para muitas crianças e jovens." A organização de checagem de fatos Full Fact — que participa do programa do Facebook para verificação de publicações na Europa — disse que "refuta as alegações de parcialidade" feitas pela empresa. O presidente-executivo do órgão, Chris Morris, descreveu a mudança como "decepcionante e um retrocesso que corre o risco de ter um efeito inibidor em todo o mundo". Zuckerberg jantou na casa de Trump na Flórida, em Mar-a-Lago, há dois meses Getty Images via BBC 'Uma mudança radical' A publicação no blog do Meta informa que também "reverteria o avanço da missão" na área de regras e políticas, destacando a remoção de restrições em assuntos como "imigração, gênero e identidade de gênero" e argumentando que o tema tem gerado discussões e debates políticos. "Não é certo que coisas possam ser ditas na TV ou no plenário do Congresso, mas não em nossas plataformas", diz o texto. As mudanças ocorrem no momento em que as empresas de tecnologia e seus executivos se preparam para a posse do presidente eleito, Donald Trump, no dia 20 de janeiro. Trump já foi um crítico voraz da Meta e de sua abordagem à moderação de conteúdo, chamando o Facebook de "um inimigo do povo" em março de 2024. Mas as relações entre ele e Zuckerberg melhoraram desde então: o CEO da Meta jantou na casa de Trump na Flórida, em Mar-a-Lago, no último mês de novembro e a empresa doou US$ 1 milhão (cerca de R$ 6,2 milhões) para um fundo para o evento de posse de Trump. Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta Getty Images via BBC Em mais um gesto de aproximação, Zuckerberg anunciou na segunda-feira (6/1) que Dana White, presidente-executivo do Ultimate Fighting Championship (UFC) e apoiador de longa data de Trump, passaria a fazer parte do conselho administrativo da Meta. "As eleições mais recentes parecem sinalizar um ponto de virada cultural para, mais uma vez, dar prioridade à liberdade de expressão", disse Zuckerberg no vídeo que publicou nesta terça-feira. A substituição de Nick Clegg — um liberal-democrata britânico — por Kaplan por como principal executivo de políticas da Meta também foi interpretada como um sinal da mudança da empresa em relação à moderação e de realinhamento de suas prioridades. Kate Klonick, professora associada da Faculdade de Direito da Universidade de St John, disse que as mudanças refletem uma tendência "que parecia inevitável nos últimos anos, especialmente desde a aquisição do X por Musk". "A gestão privada do discurso nestas plataformas tornou-se cada vez mais um ponto político", disse ela à BBC News. Enquanto, no passado recente, as empresas de tecnologia enfrentaram pressão para criar mecanismos de confiança e segurança para lidar com questões como assédio, discurso de ódio e desinformação, está agora em curso um "retrocesso radical na direção oposta", ela acrescenta. 'Convite à extrema direita' No Brasil, o governo Lula reagiu à decisão por meio do secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, João Brant, que criticou o fim da checagem profissional em um post no LinkedIn: "Significa um convite para o ativismo da extrema direita reforçar a utilização dessas redes como plataformas de sua ação política." "Facebook e Instagram vão se tornar plataformas que vão dar total peso à liberdade de expressão individual e deixar de proteger outros direitos individuais e coletivos", completou. Ele também comentou sobre o fato de Zuckerberg ter feito referência, no vídeo em que postou detalhando as medidas, a "cortes secretas" na América Latina. Para ele, o CEO da Meta fez tacitamente referência ao Supremo Tribunal Federal (STF).
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