segunda-feira, 7 de abril de 2025

Apple tem perdas pelo 3º dia consecutivo após tarifaço de Trump


Criadora do iPhone perdeu US$ 104 bilhões, na contramão da maioria das gigantes do setor, que apresentaram ganhos nesta segunda-feira (7). Logo da Apple Unsplash/ Zhiyue A Apple perdeu US$ 104 bilhões (R$ 615 bilhões) em valor de mercado nesta segunda-feira (7). É o 3º dia seguido de negociações com quedas da empresa, uma das mais impactadas pelo tarifaço anunciado na última semana por Donald Trump. A empresa vale US$ 637 bilhões (R$ 3,7 trilhões) a menos do que na quarta-feira (2), quando Trump anunciou novas taxas de importação, segundo levantamento da Elos Ayta. O valor da empresa encolheu 18% em três dias. Entre as chamadas "Sete Magníficas", além da Apple, a Tesla perdeu US$ 90 bilhões (R$ 530 bilhões), e a Microsoft, US$ 15 bilhões (R$ 90 bilhões). As demais (Nvidia, Amazon, Meta e Alphabet) tiveram o primeiro dia de alta desde o tarifaço. Considerando as variações das sete empresas, houve um crescimento de US$ 32 bilhões (R$ 190 bilhões) nesta segunda. Na quinta (3) e na sexta-feira (4), as marcas tinham acumulado perda de US$ 1,8 trilhão (R$ 10,6 trilhões). A Apple tem 90% dos iPhones fabricados na China e deverá ser atingida em cheio pela alta de tarifas, segundo o jornal The New York Times. Os custos para a empresa produzir no país devem subir em US$ 8,5 bilhões (R$ 50 bilhões), segundo a empresa de investimentos Morgan Stanley. O iPhone, o iPad e o Apple Watch trazem a maior parte do faturamento anual da empresa, de cerca de US$ 400 bilhões (R$ 2,3 trilhões), segundo o NYT. Agora, a empresa deve decidir se os novos custos serão absorvidos, o que reduzirá sua margem de lucro, ou repassados aos consumidores. Se as novas taxas forem repassadas para clientes, o preço do iPhone 16 Pro Max nos EUA pode subir de US$ 1.599 para quase US$ 2.300, segundo afirmou a Reuters com base em projeções da empresa de investimentos Rosenblatt Securities, que estima aumento de custos em 43%. Duelo de inteligência artificial: Galaxy S25 x iPhone 16 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta

Homem tenta enganar juíza com falso advogado criado por IA, é descoberto e leva esculacho: 'Não gosto de ser enganada'


Autor do vídeo move ação trabalhista e usou vídeo para apresentar argumentos. Juíza do caso não gostou de não ter sido informada sobre o uso da tecnologia. Advogado 'falso' feito com IA aparece em audiência judicial nos EUA Divisão de Apelações de Nova York/Reprodução Uma juíza dos Estados Unidos interrompeu uma audiência judicial após perceber que um dos participantes era um "advogado falso" criado por inteligência artificial (IA). O avatar digital tentava apresentar argumentos em um processo, mas foi barrado rapidamente. "Não gosto de ser enganada", afirmou a magistrada. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O caso aconteceu em 26 de março, em um tribunal de apelações de Nova York. O responsável pela tentativa, Jerome Dewald, move uma ação trabalhista e usou um vídeo feito com IA para apresentar seus argumentos. "O recorrente enviou um vídeo para sua argumentação", disse a juíza Sallie Manzanet-Daniels. "Ok. Vamos ouvir esse vídeo agora." Na tela, apareceu um homem sorridente, de aparência jovem, com um penteado impecável, camisa social e suéter. "Que o tribunal me permita falar", começou ele. "Venho aqui humildemente para apresentar meu argumento diante de um painel de cinco juízes..." "Ok, espere um pouco", interrompeu Manzanet-Daniels. "Esse é o advogado do caso?", questionou a juíza. "Fui eu que gerei isso. Essa pessoa não é real", respondeu Dewald. Foi então que o homem revelou que, na verdade, a pessoa que aparecia no vídeo era um avatar gerado por inteligência artificial. A juíza não gostou. "Seria bom saber disso quando você fez sua solicitação. Você não me informou, senhor", disse Manzanet-Daniels antes de ordenar que desligassem o vídeo. "Não gosto de ser enganada", afirmou. Mais tarde, Dewald escreveu uma carta de desculpas ao tribunal, dizendo que não tinha intenção de causar problemas. Como não tinha advogado para representá-lo no processo, ele justificou que precisava apresentar seus argumentos legais por conta própria e acreditou que o avatar poderia fazer isso de forma mais clara do que ele, sem tropeços e hesitações. Em entrevista à Associated Press, Dewald disse que pediu permissão ao tribunal para exibir um vídeo pré-gravado e, em seguida, usou um produto de uma empresa de tecnologia para criar o avatar. Inicialmente, ele queria gerar uma réplica digital de si mesmo, mas não conseguiu. "O tribunal ficou realmente irritado com isso", admitiu Dewald. "Eles me deram uma bronca daquelas." O homem afirmou que tenta se manter atualizado sobre tecnologia e recentemente assistiu a um seminário online patrocinado pela Associação Americana de Advogados sobre o uso de IA no mundo jurídico. O caso dele continua pendente na Justiça. LEIA TAMBÉM China cutuca Trump e publica vídeo de 1987 em que Reagan diz que tarifaço leva a pobreza, desemprego e 'guerras comerciais' Ao lado de Netanyahu, Trump defende saída de palestinos de Gaza: 'Lugar mais perigoso da Terra' VÍDEO: Paraquedista fica preso no teto de estádio na França ao tentar pousar durante partida de rúgbi Casos recentes Homem usou 'advogado de IA' para apresentar argumentos em audiência judicial nos EUA Divisão de Apelações de Nova York Mesmo advogados "de verdade" já tiveram problemas ao usar inteligência artificial de forma inadequada. Em junho de 2023, dois advogados e um escritório de advocacia foram multados em US$ 5.000 (R$ 29,5 mil) por um juiz de Nova York depois de usarem uma ferramenta de IA para fazer uma pesquisa jurídica, o que resultou na citação de casos fictícios inventados pelo chatbot. À época, o escritório envolvido alegou que cometeu um "erro de boa-fé" ao não perceber que a inteligência artificial poderia inventar informações. No final daquele ano, mais decisões judiciais falsas criadas por IA foram citadas em documentos legais apresentados pela equipe de Michael Cohen, ex-advogado pessoal do ex-presidente Donald Trump. Cohen assumiu a culpa, dizendo que não sabia que a ferramenta do Google que usava para pesquisa jurídica também poderia produzir chamadas "alucinações" de IA. No mês passado a Suprema Corte do Arizona começou a usar intencionalmente dois avatares gerados por IA, semelhantes ao que Dewald utilizou em Nova York, para resumir decisões judiciais ao público. No site do tribunal, os avatares — chamados "Daniel" e "Victoria" — dizem que estão ali "para compartilhar notícias". VÍDEOS: mais assistidos do g1

Discord: o que é a rede social usada para cometer crimes contra adolescentes?


Fantástico deste domingo (6) revelou que autoridades têm se infiltrado em comunidades da plataforma para investigar crimes contra menores. - Discord Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Ivan Radic/Flickr Policiais e promotores de várias regiões do país têm se infiltrado no Discord, aplicativo popular entre adolescentes, para investigar crimes contra menores, incluindo chantagem com fotos íntimas, indução à automutilação e incitação ao suicídio. Essas operações foram mostradas em uma reportagem do Fantástico neste domingo (6). Mas, afinal, o que é o Discord? O Discord é uma plataforma de comunicação digital que permite que os usuários conversem por meio de mensagens de texto, voz e vídeo. No Brasil, a plataforma está disponível para usuários a partir dos 13 anos (veja mais abaixo). O aplicativo é usado principalmente por adolescentes que querem jogar e conversar ao mesmo tempo, e, inclusive, foi desenvolvida com esse propósito. Segundo o site oficial do Discord, os empresários Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy criaram a plataforma em 2015 em busca de uma “maneira confiável de conversar enquanto jogavam on-line". Por meio de transmissões ao vivo de vídeos, os usuários assistem e participam dos jogos e fazem comentários. Agressores se aproveitam dessas transmissões em vídeo ao vivo, por exemplo, para chantagear vítimas a cumprir desafios sob a ameaça de ter fotos íntimas vazadas, conforme reportagem do Fantástico mostrou em maio de 2023. O foco da plataforma é a troca de mensagens de texto e em áudio, segundo o The Washington Post. O jornal norte-americano também destaca que o aplicativo conquistou ainda mais usuários durante a pandemia e com o aumento da busca por redes sociais alternativas ao Twitter (atual X). Atualmente, o Discord tem 200 milhões de usuários mensais globalmente, dos quais 93% jogam on-line, segundo o próprio aplicativo. 'Central da Família' Em setembro de 2023, o aplicativo lançou a ferramenta "Central da Família" (ou "Family Center", em inglês), que permite que pais ou responsáveis sejam informados sobre parte das atividades de seus filhos na plataforma. A ferramenta permite que os responsáveis saibam com quais usuários seu filho adolescente está conversando e de quais comunidades do Discord ele participa. No entanto, eles não poderão ver o conteúdo dessas conversas. A empresa orienta que a ativação da Central da Família seja feita junto com o filho adolescente, já que a atividade da conta não será compartilhada sem a aprovação dele. Entenda: Para ativar a ferramenta, é necessário que você tenha o aplicativo Discord no celular. No aplicativo, você vai acessar a opção "Central da Família", que pode ser encontrada em "Configurações do usuário". Então, clique em "ativar Central da Família". Nessa etapa, o adolescente vai precisar fornecer a você o código QR que será gerado no aplicativo dele. Ele fica disponível na guia da "Central da Família", na opção "Conectar com o pai". Você deve escanear o código fornecido pelo seu filho com seu aplicativo Discord. Depois que o adolescente aceitar a conexão, os dois terão acesso total à Central da Família. Rede sem lei: no Discord, criminosos violentam e humilham meninas menores de idade Estupro virtual: abusadores usam fotos falsas para chantagear vítimas

Acordo de venda do TikTok é suspenso após objeção da China


A reprovação veio em resposta ao anúncio de tarifas feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O acordo para separar os ativos norte-americanos do TikTok foi suspenso após a China sinalizar que não aprovaria a operação. Esta foi uma resposta ao anúncio de tarifas feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo fontes familiarizadas com o assunto. "Tínhamos algo como um acordo em relação ao TikTok — não exatamente um acordo, mas algo muito próximo. Depois, a China mudou os termos por causa das tarifas. Se eu desse um pequeno desconto nas tarifas, eles aprovariam esse acordo em 15 minutos. Isso mostra o poder que as tarifas têm”, declarou Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, segundo a agência AFP. Na sexta-feira (4), Trump prorrogou por 75 dias o prazo para que a ByteDance vendesse os ativos do aplicativo de vídeos curtos nos Estados Unidos a um comprador não chinês. Caso contrário, o TikTok será proibido no país, como determina uma lei aprovada em 2024. O acordo — cuja estrutura estava praticamente finalizada até a última quarta-feira, segundo uma das fontes — previa a separação das operações do TikTok nos EUA em uma nova empresa sediada no país. O controle majoritário e a gestão ficariam sob responsabilidade de investidores norte-americanos. A ByteDance, por sua vez, teria menos de 20% de participação. Segundo uma fonte, o acordo já havia sido aprovado pelos investidores atuais, pelos novos investidores, pela ByteDance e pelo governo dos Estados Unidos. No entanto, a ByteDance afirmou no sábado que ainda há divergências sobre os termos. "Continuamos em negociações com o governo dos EUA, mas ainda não foi alcançado um consenso. As duas partes têm diferenças significativas em vários pontos-chave", afirmou a empresa em comunicado publicado em sua conta oficial na rede social chinesa WeChat. "Acordos desse tipo estão sujeitos a procedimentos de revisão, conforme a legislação chinesa", acrescentou. A Embaixada da China em Washington, ao ser questionada sobre o status do acordo, declarou: "A China já expressou sua posição sobre o TikTok em diversas ocasiões. Sempre respeitamos e protegemos os direitos legítimos das empresas, e nos opomos a práticas que violem os princípios básicos da economia de mercado." A Associated Press foi a primeira a noticiar a oposição da China ao acordo. "O acordo ainda precisa ser ajustado para garantir que todas as aprovações necessárias sejam obtidas", afirmou Trump nas redes sociais, justificando a prorrogação do prazo inicialmente fixado para expirar no sábado. "Esperamos continuar trabalhando de boa fé com a China, embora, pelo que sei, eles não estejam muito satisfeitos com nossas tarifas recíprocas." TikTok Dado Ruvic/Illustration/Reuters Impactos do tarifaço Atualmente, a China enfrenta uma tarifa de 54% sobre produtos exportados para os EUA, após Trump anunciar um aumento de 34% nesta semana, o que provocou uma retaliação por parte de Pequim na sexta-feira. Trump afirmou que poderia reduzir essas tarifas como parte de um acordo com a ByteDance para viabilizar a venda do TikTok, aplicativo utilizado por cerca de 170 milhões de americanos. Trump afirmou ainda que sua administração está em contato com quatro grupos distintos para uma possível transação envolvendo o TikTok, mas não revelou os nomes. Um dos principais obstáculos à concretização do negócio é a aprovação do governo chinês, que até o momento não assumiu publicamente o compromisso de autorizar a venda. As recentes declarações de Trump indicam uma oposição renovada por parte de Pequim. "Estamos ansiosos para trabalhar com o TikTok e com a China para concluir o acordo", escreveu Trump na sexta-feira. "Não queremos que o TikTok 'fique no escuro'", completou. O Congresso aprovou a legislação no ano passado com apoio bipartidário, citando riscos de que o governo chinês pudesse utilizar o TikTok para espionagem e operações de influência nos Estados Unidos. O então presidente democrata Joe Biden sancionou a lei. Alguns parlamentares pressionam Trump a aplicar a legislação, que determinava o encerramento das operações do TikTok até 19 de janeiro, caso a ByteDance não concluísse a venda dos ativos norte-americanos. Trump iniciou seu segundo mandato em 20 de janeiro e optou por não aplicar a medida. Em janeiro, o Departamento de Justiça comunicou à Apple e ao Google que não faria cumprir a lei, o que levou as empresas a restaurarem o aplicativo para novos downloads. A nova ordem de Trump estabelece um novo prazo, até meados de junho, para a concretização do acordo. As negociações conduzidas pela Casa Branca se concentram em um plano no qual os principais investidores não chineses da ByteDance aumentariam suas participações e assumiriam o controle das operações do TikTok nos EUA, segundo reportagens da Reuters. O plano prevê a criação de uma entidade independente nos EUA para operar o TikTok e a redução da participação chinesa na nova empresa para menos de 20%, conforme exigido pela legislação norte-americana, evitando assim uma proibição do aplicativo no país. O Susquehanna International Group, de Jeff Yass, e a General Atlantic, de Bill Ford — ambos com assentos no conselho da ByteDance — estão liderando as negociações com a Casa Branca, conforme informou a Reuters.

domingo, 6 de abril de 2025

O mundo oculto sob as sombras do algoritmo do YouTube


Há um lado secreto do YouTube, que vai além do algoritmo — e não é nada parecido com o que você conhece. A grande maioria dos cerca de 14,8 bilhões de vídeos da plataforma praticamente nunca foi vista. Até agora. Há um lado secreto do YouTube, que vai além do algoritmo — e não é nada parecido com o que você conhece Getty Images Este ano marca o 20º aniversário do YouTube. Desde seu início modesto como um espaço para amadores, o YouTube se transformou em uma plataforma de vídeos tão colossal que a empresa se autodenomina a nova Hollywood. O YouTube é o serviço de streaming de TV número um do mundo, onde os usuários assistem bilhões de horas de conteúdo todos os dias. A audiência dos principais youtubers supera com frequência a dos grandes estúdios. Para efeito de comparação, estima-se que 823 milhões de ingressos de cinema foram vendidos nos EUA e no Canadá em 2024. Enquanto isso, somente o vídeo de maior sucesso do MrBeast acumulou 762 milhões de visualizações, cerca de uma visualização para cada 10 pessoas no planeta. Essa é a visão do YouTube que a empresa promove — habilidosa, profissional, divertida e estrondosa — mas, de uma perspectiva, tudo isso é uma fachada. Por outro ângulo, a essência do YouTube é mais parecida com um vídeo de 2020 que eu vi. Antes de eu assistir, ele só tinha sido visualizado duas vezes. Um homem aponta a câmera para fora da janela do seu quarto enquanto uma tempestade começa no auge do inverno. "Aqui está", diz ele. "A neve caindo." O som de uma TV é reproduzido ao fundo. Um pássaro pousa em uma cerca próxima. 19 minutos se passam. Nada acontece. "As conversas que estamos tendo sobre o YouTube são baseadas em uma visão limitada do que a plataforma realmente é", diz Ryan McGrady, pesquisador da Iniciativa para Infraestrutura Pública Digital da Universidade de Massachusetts Amherst, nos EUA. "Quando nos concentramos apenas no que é popular, perdemos a noção de como a grande maioria das pessoas, na verdade, usa o YouTube para fazer uploads, e ignoramos o papel que ele desempenha em nossa sociedade." Passei o último mês mergulhado em uma das primeiras amostras verdadeiramente aleatórias do YouTube já coletadas fora da empresa. Vi um lado da internet que, às vezes, parece perdido, um lado repleto de uma autoexpressão genuína, sem filtros. É um mundo inteiro que o algoritmo do YouTube, que tudo vê, não mostra a você. "O YouTube não é apenas um veículo para profissionais", afirma McGrady. "Contamos com ele como o braço de vídeo padrão da internet. O YouTube é uma infraestrutura. É uma ferramenta essencial que as pessoas comuns usam para se comunicar." Para desvendar esse lado do YouTube, McGrady e seus colegas criaram uma ferramenta que busca vídeos aleatoriamente. O mecanismo vasculhou mais de 18 trilhões de URLs potenciais antes de coletar uma amostra grande o suficiente para uma análise científica real. Entre as descobertas, os pesquisadores estimam que o vídeo mediano foi assistido apenas 41 vezes; as postagens com mais de 130 visualizações estão, na verdade, no terço superior do conteúdo mais popular do serviço. Em outras palavras, a grande maioria do YouTube é praticamente invisível. A maioria destes vídeos não foi feita para ser vista por nós. Eles existem porque as pessoas precisam de um sótão digital para armazenar suas memórias. É uma internet que não é moldada pelas pressões de cliques e algoritmos — um vislumbre de um lugar onde o conteúdo não precisa ter desempenho, onde ele pode simplesmente existir. No ambiente selvagem Doze anos atrás, uma mulher dos EUA chamada Emily publicou um vídeo no YouTube chamado "sw33t tats". Descobri que o conteúdo é ainda mais antigo, gravado por volta de 2008. No vídeo, Emily, que pediu para não revelar seu nome completo, está sentada em seu dormitório na faculdade. Ela mantém a boca aberta enquanto sua irmã mais nova pega uma caneta para escrever algo na parte interna do lábio dela. "Pare de se mexer!", grita a irmã enquanto começa a escrever, e as meninas mal conseguem segurar o riso. Emily exibe o lábio aberto para a câmera, e sua irmã faz o mesmo, revelando sua própria "tatuagem". Mas a imagem está desfocada; o que quer que essas tatuagens falsas tenham dito se perdeu no tempo. Emily, hoje com 34 anos e morando na cidade de Nova York, havia esquecido que esse vídeo existia até eu perguntar a ela sobre ele. "Nem me lembro por que fiz o upload", diz ela. "Acho que queria enviá-lo para minha irmã, mas também precisava liberar espaço no meu disco rígido. Eu só precisava de um lugar para colocá-lo. Não sei, é engraçado e estranho. Fico feliz que ainda esteja aqui." "Temos a tendência de supor que o motivo para usar a rede social é tentar ser um influenciador, ou você é o Joe Rogan ou é um fracasso. Mas essa é a maneira errada de pensar sobre isso", afirma Ethan Zuckerman, que lidera a pesquisa sobre o YouTube como diretor da Iniciativa para Infraestrutura Pública Digital da Universidade de Massachusetts Amherst. O YouTube disse à BBC que é incorreto afirmar que a plataforma não permite que você veja vídeos com poucas visualizações ou conteúdo de canais pequenos. A função do algoritmo é ajudar as pessoas a encontrar os vídeos que desejam assistir e que vão agregar valor a elas, acrescenta o YouTube, e às vezes isso inclui vídeos com um número pequeno de visualizações. "A mágica do YouTube é que, independentemente de um vídeo ter 60 visualizações ou seis milhões, as pessoas podem encontrar uma comunidade, aprender uma nova habilidade, se divertir ou compartilhar sua voz com o mundo", afirma Boot Bullwinkle, porta-voz do YouTube. "Todos os canais começam da mesma folha em branco, a partir da qual podem criar um público e desenvolver um negócio." Zuckerman e seus colegas não foram os primeiros a vasculhar o submundo do YouTube. Entre 2009 e 2012, por exemplo, os iPhones incluíram um recurso que permitia aos usuários publicar vídeos diretamente no YouTube com apenas alguns toques. O YouTube informou que os uploads móveis aumentaram 400% por dia. A menos que as pessoas adicionassem um título personalizado, o nome de todos esses vídeos seguia um formato padrão, o que os torna facilmente pesquisáveis mais de uma década depois. Alguns usuários online exploraram esses vídeos, que aparentemente chegam a milhões. Um deles até criou um player customizado que os exibe alternadamente. Sem as recomendações do algoritmo, você descobre que o YouTube é um estudo do cotidiano, diz Zuckerman, pessoas documentando pequenos momentos de suas vidas e usando as ferramentas disponíveis para trocar ideias. No Sul da Ásia, por exemplo, Zuckerman diz que o YouTube e redes semelhantes parecem funcionar como uma ferramenta de mensagens de vídeo para pessoas com pouco ou nenhum conhecimento. A maior parte do YouTube vem de fora dos EUA, na verdade. O laboratório de Zuckerman estima que mais de 70% dos vídeos do YouTube estão em idiomas diferentes do inglês. Você encontra pescadores na América do Sul acenando de um barco, ou dois operários da construção civil falando em hindi sobre a saudade que sentem de casa. Vídeos como estes se enquadram na categoria de conteúdo que ele chama de "amigos e família", em que todos os comentários e interações vêm de pessoas que parecem conhecer o usuário pessoalmente. "Se algum desses vídeos se tornasse viral, significaria que algo deu terrivelmente errado. Não é para isso que serve a maior parte do YouTube", explica Zuckerman. Pequenos momentos A maior parte do YouTube não assistido é menos divertida do que o "sw33t tats", o que, com todo o respeito à Emily, é um patamar baixo. O conteúdo é sem graça o suficiente para derreter seu cérebro. Uma noiva se prepara para uma sessão de fotos. Um coreano ranzinza desabafa sobre política. Seis segundos de um instrutor de artes marciais, desprovido de contexto. Imagens da câmera no painel de um carro com dificuldade para sair de uma vaga no estacionamento. Uma mulher anuncia um cavalo para venda em 2018. Gravações de tela intermináveis e banais de videogames — o estudo da Universidade de Massachusetts Amhurst descobriu que as pessoas jogando videogames parecem representar quase 20% do YouTube. De vez em quando, você se depara com algo divertido ou, mais frequentemente, simplesmente estranho. Três homens dando tapas de forma performática nos traseiros uns dos outros ao som de uma música de James Brown. Uma mulher avalia uma marca de mortadela fatiada (não é "tão ruim"). Ou vejamos o caso do canal "Space Stuff and Other Stuff", que pode ser traduzido como "Coisas espaciais e outras coisas", no qual um garoto faz um rap sobre o planeta Netuno e compartilha suas condolências após o falecimento da rainha Elizabeth 2ª. Aparentemente, este último vídeo se enquadra na categoria "outras coisas". Alguns vídeos são de cortar o coração. Ouvi um homem idoso descrever como está vivendo em um carro em uma fazenda, trocando trabalho manual por um lugar para ficar. Houve uma homenagem comovente a um gato que morreu. "Kiko não sobreviveu", diz Tyler, seu dono, segurando as lágrimas. "Está tudo tão silencioso aqui sem ele". Depois de algumas dezenas de vídeos, parei para assistir a uma jovem bailarina flutuando delicadamente pelo palco, indo e voltando na frente de uma multidão silenciosa. "Como pesquisadores, passamos muito tempo com esse material. Pode ser muito parecido com ver as fotos pessoais dos outros", diz Zuckerman. "A maior parte é entediante, mas às vezes é comovente e até assombroso. E, de vez em quando, você encontra algo que parece incrivelmente revelador sobre como os seres humanos se comunicam." Mas meus vídeos favoritos foram, de longe, os de Bill "The WoofDriver" Hellman. Ele tem 58 anos e trabalha no setor imobiliário nos arredores de Baltimore, nos EUA. Mas essa não é sua paixão. O que realmente interessa a Hellman são seus cães, e a maneira única como cuida deles. "Você nunca viu nada assim antes", diz ele em um vídeo. Garanto que ele está certo. Hellman construiu mais de 50 veículos personalizados que ele usa para levar seus quatro huskies para o que ele chama de "corrida de trenó urbana". Ele usa a rede social para documentar suas aventuras nas trilhas do leste dos EUA. A cena se parece um pouco com as corridas de trenós puxados por cães de Iditarod (uma famosa corrida anual no Alasca). Só que aqui, os cães geralmente são amarrados na lateral de suas várias engenhocas lentas, bicicletas reclinadas e carrinhos elétricos para passear com cachorros. Pelo que parece, os cães de Hellman gostam de participar. Ele postou mais de 2,4 mil vídeos no YouTube nos últimos 14 anos, muitos dos quais incluem canções de rock originais. (Hellman diz que compôs mais de 100 músicas do WoofDriver, na verdade.) Ele se dedica muito a isso, saindo com drones e grupos de amigos para documentar suas jornadas. Hellman até pagou para receber o apoio de celebridades por meio da plataforma Cameo para promover seus vídeos. Mas, apesar de todo o esforço, seu canal costuma despertar pouco interesse. Muitos vídeos têm visualização na casa dos dois dígitos. "Na maioria das vezes, não tenho uma audiência grande, mas isso não me incomoda. Eu fiquei tão entusiasmado com a felicidade que isso gerou nos cachorros que, em algum momento, pensei: 'Preciso compartilhar isso'", conta Hellman. "Talvez isso inspire alguém a cuidar melhor de seus cães, mas, na verdade, eu uso o YouTube como uma nuvem, para ter um lugar para documentar minhas aventuras." O YouTube não paga as contas, e o WoofDriver não está vendendo nada — embora ele tenha prazer em compartilhar as dimensões caso você queira construir seu próprio trenó urbano para cães. "Eu só faço isso por causa da alegria que me traz", diz Hellman. 'Se você procurar, vai encontrar' O YouTube aleatório geralmente não se parece com os vídeos altamente produzidos do WoofDriver, mas ele é uma boa representação em um aspecto. Assim como o conteúdo de Hellman, a maior parte do teor destes vídeos "invisíveis" do YouTube varia de neutro a extremamente positivo. O mesmo não pode ser dito sobre o que chega ao topo. Pesquisas sugerem que o algoritmo do YouTube amplifica a negatividade, reforça estereótipos e oferece aos usuários pouco controle sobre o conteúdo que eles não querem ver. Ao longo dos anos, o YouTube tem enfrentado cada vez mais críticas sobre preocupações relacionadas a discurso de ódio, extremismo político e desinformação. Assim como outras plataformas de rede social, o YouTube tem sido usado por cartéis de drogas e terroristas como uma ferramenta de promoção e recrutamento. O YouTube afirma que a empresa emprega um conjunto de diretrizes para a comunidade desde seus primórdios para estabelecer o que é permitido na plataforma. A empresa diz que redobrou os esforços para lidar com suas responsabilidades. Uma forma de o YouTube medir seu sucesso é por meio da sua "taxa de visualização de conteúdo com violações". Em 2017, para cada 10 mil visualizações no YouTube, de 63 a 72 visualizações vinham de conteúdo que violava as políticas do YouTube, mas hoje este número caiu para de oito a nove visualizações, de acordo com a empresa. O YouTube diz que oferece aos usuários várias maneiras de gerenciar as recomendações e os resultados de pesquisa da plataforma, como a exclusão do histórico de exibição. Os vídeos 'não assistidos' do YouTube são um documentário oculto da vida humana Getty Images Quando a Iniciativa para Infraestrutura Pública Digital decidiu estudar o YouTube, parte do ímpeto foi documentar o quão comum é o discurso de ódio e a desinformação na plataforma. "Se você procurar, vai encontrar", diz McGrady. Mas, em comparação com o total de vídeos no YouTube, isso é extremamente incomum. Ainda assim, não importa o quão raro seja um vídeo prejudicial se ele obtiver milhões de visualizações, acrescenta McGrady. Por isso, o conteúdo prejudicial continua sendo um problema grave no YouTube. Nos últimos anos, o Google enfrentou uma onda de escrutínio por parte de formuladores de políticas públicas, com novas leis e uma enxurrada de regulamentações propostas — sem mencionar uma série de processos antitruste. Mas quando o debate sobre regulamentação se volta para os vídeos no YouTube, o foco é quase sempre o conteúdo que se torna viral, diz McGrady. Isso ignora as obrigações que o YouTube deveria ter porque, de acordo com ele, a empresa está gerindo uma infraestrutura essencial. "A internet é profundamente problemática, e não podemos ignorar a maneira como as empresas de tecnologia estão exacerbando esses problemas", observa McGrady. "O que me deixa esperançoso é que quando você encontra uma maneira de ver como as pessoas estão realmente usando a web, grande parte ainda parece com os primórdios da internet. É expressão, comunicação, conexão. Basicamente, é um lugar em que pessoas comuns compartilham entre si e fazem coisas maravilhosas." O YouTube sobre o qual falamos — aquele repleto de celebridades, escândalos e conteúdo viral fabricado — conta apenas parte da história. A maior parte existe em momentos de silêncio, em cinegrafistas trêmulos e vozes destinadas a ninguém em particular. Assisti a centenas destes vídeos. Cada um deles está aberto ao público, mas também está claro que a maioria das pessoas não fez o upload deste conteúdo para estranhos. Foi como se eu estivesse descobrindo um segredo, um documentário extenso e sem curadoria da vida humana. Mas assisti-los também me pareceu um trabalho, em comparação com o entretenimento gerado pelo doomscrolling — hábito de rolar o feed sem parar, não importa quão nocivo seja o conteúdo — que você obtém com o algoritmo. Por fim, fechei as abas do meu navegador, e voltei para a página inicial do YouTube, de volta ao mundo polido da internet corporativa. 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta Cursos de 'IA do job' prometem dinheiro e ensinam a usar fotos de modelos sem autorização

Microsoft faz 50 anos: como a big tech saiu de uma garagem e se tornou um império bilionário da tecnologia


Em 1975, Bill Gates e Paul Allen fundaram a Microsoft, criadora do Windows, Word, Excel, Copilot e tantas outras tecnologias que moldaram o mundo digital. O cofundador e ex-CEO da Microsoft, Bill Gates, fala durante um evento de comemoração do 50º aniversário na sede da Microsoft, sexta-feira, 4 de abril de 2025, em Redmond, Washington. AP Photo/Jason Redmond Microsoft revolucionou a computação desde sua fundação em 1975. Ao longo de décadas, empresa de Bill Gates estabeleceu um império no mundo digital. Seja em escritórios, salas de aula ou até mesmo na agricultura, as tecnologias da Microsoft são onipresentes. Fundada em há 50 anos em uma simples garagem, a gigante da tecnologia comemorou seu aniversário nesta sexta-feira (4) com uma trajetória que revolucionou a computação a partir do sistema operacional Windows, que tornou os computadores pessoais acessíveis às massas. Além disso, seu pacote Office se tornou sinônimo de trabalho moderno nos escritórios, e durante a pandemia de Covid-19, o Microsoft Teams possibilitou o trabalho remoto e a educação à distância ao redor do mundo. Atualmente, a plataforma de comunicação tem mais de 320 milhões de usuários diários, transformando o trabalho remoto de uma exceção para a norma. Agora, a Microsoft, com sede em Redmond, nos Estados Unidos, se encontra em um momento crucial. Dominando indústrias como computação em nuvem, sistemas operacionais e ferramentas de desenvolvimento, será que o gigante da tecnologia também liderará a transição para a era da inteligência artificial (IA) — ou sua dominância de mercado é motivo de preocupação? 'Doei US$ 100 bilhões para caridade, mas meus filhos não ficarão pobres quando eu morrer', diz Bill Gates Gigantes da tecnologia acumulam US$ 3,8 trilhões em perdas no governo Trump Da garagem ao protagonismo na tecnologia Paul Allen e Bill Gates, fundadores da Microsoft, recriaram clássica foto de 1981 em 2013 Reprodução/Twitter Tudo começou em 1975, em uma pequena garagem em Albuquerque, Novo México, nos EUA. Dois amigos de faculdade e programadores, Bill Gates (19 anos) e Paul Allen (22 anos), tinham uma visão simples, mas revolucionária: tornar os computadores acessíveis a todos. Para isso, os amigos criaram um software para o Altair 8800, um dos primeiros computadores pessoais da época, fabricado pela MITS. Esse foi o primeiro grande sucesso da empresa, recém-nomeada Micro Computer Software, e marcou o início da Microsoft no mundo da tecnologia. Logo após a fundação da Microsoft, Gates e Allen mudaram a empresa para o estado de Washington em 1979, quando as vendas dos softwares já haviam ultrapassado 1 milhão de dólares. Um marco importante para os jovens fundadores foi a parceria com a IBM em 1980, que estabeleceu o MS-DOS (Microsoft Disk Operating System) da Microsoft como o sistema operacional padrão na indústria de PCs. O lançamento do Windows, alguns anos depois, criou as bases para a futura dominância da Microsoft no mercado de software. Ao longo das últimas cinco décadas, a Microsoft se adaptou continuamente às mudanças tecnológicas e expandiu seus negócios para novas áreas. Ela não é mais apenas uma empresa de software, mas um império tecnológico global com presença em quase todos os setores. Os números falam por si: em março de 2025, a Microsoft é a terceira empresa mais valiosa do mundo, atrás da fabricante do iPhone, Apple, e da fabricante de chips, NVIDIA. Bill Gates se tornou o cofundador mais famoso da marca e foi o homem mais rico do mundo entre 1995 e 2017, 27 anos consecutivos, segundo a revista Forbes. Já Paul Allen, que faleceu em 2018 enquanto lutava contra um câncer no sistema linfático, deixou a Microsoft em 1983, quando foi diagnosticado com câncer pela primeira vez, mas permaneceu em um cargo simbólico até os anos 2000. Apenas 2 dos top 10 bilionários da tecnologia viram suas fortunas encolherem em um ano; veja quem O futuro está na IA Satya Nadella, CEO da Microsoft, em 27 de fevereiro de 2019 Tobias SCHWARZ/AFP Apesar de seu imenso poder no mercado, a Microsoft se encontra no início de uma nova era definida por duas letras: IA. A empresa está investindo bilhões em pesquisa, construindo vastos data centers ao redor do mundo e desenvolvendo seus próprios chips de inteligência artificial. A transformação é liderada pelo atual CEO Satya Nadella, que assumiu a liderança em 2014 e tomou duas decisões estratégicas que remodelaram o futuro da Microsoft. Primeiro, ele deslocou o foco da empresa para a computação em nuvem, revolucionando seu modelo de negócios e fontes de receita. Em segundo lugar, ele posicionou a IA como o núcleo da estratégia de longo prazo da Microsoft, reconhecendo desde cedo o imenso potencial dessa tecnologia. As ferramentas da Microsoft alimentadas por IA, como o Copilot, já lidam com tarefas rotineiras, redigem e-mails, analisam dados e geram conteúdo criativo. A empresa pretende moldar ainda mais como as pessoas trabalham, se comunicam e inovam. Embora a Microsoft promova a IA como uma impulsionadora de produtividade, críticos alertam para a possibilidade de enormes perdas de empregos devido à automação. Preocupações éticas também são um grande tema, que vão desde riscos à privacidade de dados até a desinformação gerada pela IA. Antonio Krüger, CEO do Centro Alemão de Pesquisa em Inteligência Artificial (DFKI) — uma parceria público-privada — afirma que a IA está começando a "influenciar diretamente a criação de valor nas empresas". "Grandes empresas de tecnologia como a Microsoft estão se esforçando para fortalecer sua posição nessa área", disse Krüger à DW, expandindo a transformação "muito além dos processos tradicionais de escritório e impactando significativamente os setores industriais e econômicos centrais em toda a Europa". Usuários processam LinkedIn por divulgar dados privados para treinar IA CEOs de big techs têm lugar de destaque na posse de Trump, e Musk comemora 'retorno do rei' A Microsoft pode ser parada? Para muitas empresas e governos, a Microsoft se tornou quase indispensável. Só na Alemanha, 96% das autoridades públicas utilizam o software da empresa, e 69% dependem de seus data centers, segundo o provedor global de dados Statista. As empresas dependem da infraestrutura de nuvem da Microsoft, dos serviços de segurança e das ferramentas impulsionadas por IA, enquanto as agências governamentais armazenam dados sensíveis nos data centers da Microsoft e utilizam seu software para tarefas administrativas. Pelo menos 1,4 bilhão de PCs e laptops em todo o mundo rodam o Windows, mostram dados internos fornecidos pela Microsoft. Mas essa integração profunda tem um preço — para muitos, mudar de plataforma é quase impossível. Especialistas como Krüger alertam para o chamado efeito lock-in, que significa que, uma vez que uma organização adote completamente o ecossistema da Microsoft, a transição para outra plataforma se torna extremamente difícil e cara. Essa dependência reforça o domínio da Microsoft no mercado, tornando quase impossível para os concorrentes desafiarem a empresa de forma eficaz. Para os governos, surge a questão: deve uma única empresa ter tanto controle sobre a infraestrutura digital crítica? Embora os formuladores de políticas, especialmente na União Europeia (UE), defendam uma regulação mais rígida ou uma maior diversificação dos provedores de tecnologia para reduzir a dependência da Microsoft, alternativas viáveis realmente permanecem escassas. Mas Krüger acredita que, em vez de focar na regulação, a UE deveria começar a construir um campeão europeu de software de IA. "Somos fundamentalmente competitivos em tecnologia, mas se não desenvolvermos modelos de IA em grande escala na Europa, não desempenharemos um papel significativo no cenário tecnológico global", acrescentou. Inovação em um mundo dominado pela IA A expansão global da Microsoft não mostra sinais de desaceleração, já que a empresa busca aprimorar ainda mais suas capacidades de IA no futuro. A companhia planeja integrar seus modelos mais profundamente nas aplicações cotidianas, ao mesmo tempo em que fortalece seu principal negócio de nuvem. Levando ainda mais a fronteira tecnológica, a empresa, em fevereiro, apresentou seu mais novo chip Majorana 1 — o primeiro chip quântico do mundo que a Microsoft afirma que "realizará computadores quânticos capazes de resolver problemas significativos em escala industrial em anos, não em décadas". "Nós demos um passo atrás e dissemos: ‘OK, vamos inventar o transistor para a era quântica. Que propriedades ele precisa ter?'”, disse Chetan Nayak, membro técnico da Microsoft, em comunicado. "E foi assim que chegamos aqui – é a combinação particular, a qualidade e os detalhes importantes em nossa nova pilha de materiais que permitiram um novo tipo de qubit e, em última análise, toda a nossa arquitetura." Veja mais: Bill Gates elogia Brasil pelo combate à fome Entenda a polêmica da trend do 'Studio Ghibli'

sexta-feira, 4 de abril de 2025

'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta direto para o rolê dos jovens


Geração Z, que são os nascidos entre 1995 e 2010, vem trocando os smartphones por câmeras digitais dos anos 2000 em busca de fotos mais naturais, menos perfeitas e com uma boa dose de nostalgia. 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta Elas são pequenas, têm poucos megapixels e estavam esquecidas no fundo da gaveta... até agora. As câmeras digitais que fizeram sucesso nos anos 2000, como a Cyber-shot, da Sony, caíram no gosto da Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010). Elas têm aparecido em festas, viagens e até nas escolas, onde a restrição ao uso de celulares fez os alunos recorrerem a outros objetos, como máquinas fotográficas. "Usar a mesma câmera que a minha mãe usava dá uma sensação boa de nostalgia. É uma experiência muito diferente do que no celular", diz a influenciadora Yasmin Maccari, de 20 anos. Também não basta ter uma só. Yasmin tem quatro, sendo três do modelo Cyber-shot, que pertenceram à mãe e à tia dela. Ela diz que usa suas câmeras para registrar momentos especiais com as amigas e já chegou a utilizá-las até mesmo em campanhas publicitárias. O estudante de medicina João Pedro Ferreira, de 21 anos, diz adorar fotografia e, em 2023, comprou sua primeira Cyber-shot usada, por R$ 175. Ele diz preferir usar o equipamento justamente por ele não entregar a perfeição forçada que os celulares de hoje em dia colocam nas fotos. "Ela tem muito menos megapixels que meu celular, mas, ainda assim, a qualidade fica muito bacana", diz. João Pedro Ferreira, de 21 anos, comprou sua primeira Cyber-shot em 2023. Arquivo pessoal A Cyber-shot, marca da Sony, virou sinônimo desse tipo de equipamento, mas outras linhas, como Canon PowerShot, Nikon Coolpix, Kodak EasyShare e Panasonic Lumix, também marcaram época. 📸 Para entender esse movimento, o g1 ouviu Karine Karam, professora de comunicação e publicidade da ESPM e sócia da Markka Consultoria, e o fotógrafo Paulo Barba. Eles apontam três fatores principais para essa tendência: 🔙 a Geração Z tem grande interesse e curiosidade pela estética dos anos 2000. Celebridades e influenciadores ajudaram a popularizar esse resgate — desde posts em formato mais cru até editoriais com visual retrô. A estética Y2K ("year 2000" ou "anos 2000", em português) está em alta e a câmera compacta virou um símbolo disso, explica Karine Karam; 📵 o excesso de processamento de imagem nos celulares após a captura tem incomodado muita gente. A maioria dos modelos atuais usam inteligência artificial (IA) para aprimorar as fotos, mas nem sempre o resultado parece natural; 🤗 as câmeras digitais estão associadas a momentos especiais e trazem uma dose de nostalgia. Por isso, é comum ver jovens usando esses dispositivos em shows, viagens e aniversários, por exemplo. Procura alta, preço também 🤑 Fotos de Yasmin Maccari, de 20 anos, feitas com uma Sony Cyber-shot. Yasmin Maccari Como essas câmeras saíram de linha há anos e não são mais fabricadas, quem quer uma precisa recorrer a modelos de segunda mão, ou seja, usados. Lojas on-line que vendem esse tipo de produto viram a demanda crescer — a OLX, por exemplo, registrou alta de 563% nas buscas por esse tipo de produto nos dois primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2024, o Enjoei observou um aumento de 101% na busca por câmeras digitais clássicas em comparação com 2023. Câmeras influenciadora da influenciadora Yasmin Maccari. Arquivo pessoal Os jovens ouvidos pelo g1 disseram que a alta procura fez os preços dispararem. João Pedro contou que pagou R$ 175 na sua Cyber-shot DSC-W730 em 2023, mas hoje é difícil encontrar o mesmo modelo por menos de R$ 500 ou R$ 600. "Tem muita gente tirando proveito desse sucesso, cobrando muito caro por uma câmera antiga. Às vezes, vem só a câmera, sem nenhum acessório", completa Yasmin Maccari. A popularidade das câmeras digitais chegou até nas escolas. Yasmin contou que, seu antigo colégio, em Criciúma (SC), a proibição do uso de celulares levou as crianças a começarem a levar câmeras digitais. "Agora, as câmeras tomaram conta do campus, capturando amizades, sorrisos e laços que ficarão para sempre na memória", escreveu a instituição de ensino em uma publicação no Instagram para divulgar a tendência entre os alunos. Fotos de celular estão sem graça? Parece que sim 📱 Imagens feitas por João Pedro Ferreira, de 21 anos, com uma Sony Cyber-shot. João Pedro Ferreira João Pedro acredita que a conveniência de fotografar com o celular "esvaziou o ato de registrar momentos". Para ele, antes havia mais reflexão ao fazer uma foto, e as Cyber-shots resgataram essa experiência. "Com elas, você guarda o momento com mais intensidade. É outro propósito", diz. "As fotos ficam maravilhosas, mesmo com o flash ligado, o que também dá um charme. Hoje, prefiro mil vezes fotografar com a minha câmera do que com o celular. A experiência é outra", diz Yasmin Maccari. A influenciadora Yasmin Maccari, de 20 anos, diz preferir fazer fotos com câmera do que com celular Arquivo pessoal Enquanto os celulares produzem imagens padronizadas e hipereditadas, as Cyber-shots devolvem o controle criativo – e até os "erros" de ângulo e qualidade se tornam parte do estilo, analisa Karine Karam, professora da ESPM. Para Paulo Barba, que também é especialista em fotografia de celular, as tecnologias de processamento de imagem e inteligência artificial nos smartphones deixam as fotos menos naturais – e isso tem gerado muitas reclamações. "Quando você abre a câmera do celular, a imagem parece natural. Mas, ao apertar o botão, o aparelho processa tudo para aumentar a nitidez e reduzir o ruído, e a IA piorou isso. Às vezes, o resultado fica exagerado. Nas Cyber-shots, nada disso acontece – a imagem é bem mais natural", explica Paulo. 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