domingo, 13 de abril de 2025

'Geração Z não está em negação sobre celular. Eles não dizem que é bom, mas sentem-se presos', diz autor de 'Geração Ansiosa'


Em entrevista à BBC, o autor do livro 'Geração Ansiosa', Jonathan Haidt, detalha os efeitos do telefone celular e das redes sociais sobre a infância atual e o que pode ser feito para livrar as crianças do uso excessivo de telas. Para Jonathan Haidt, as crianças 'foram sugadas para se tornarem apenas consumidores de conteúdo e isso é tudo o que elas fazem' BBC Katty Kay (BBC): Seu livro foi publicado há um ano e causou imensas discussões.Os pais precisam de ajuda. Sei disso por experiência própria. É muito difícil tirar os filhos da frente das telas, se todos os seus amigos estão grudados nas telas deles. É uma dependência que exige ações coletivas. Desde que conversei com Jonathan Haidt, o autor do livro A Geração Ansiosa: Como a Infância Hiperconectada Está Causando uma Epidemia de Transtornos Mentais (Ed. Cia. das Letras, 2024), não consigo tirar da cabeça uma frase que ele me disse durante a entrevista. "Não conheço um membro da Geração Z que esteja em negação, que diga 'Não, nós adoramos os celulares, os celulares são bons para nós'", contou Haidt. "Todos eles veem o que está acontecendo, mas se sentem aprisionados." Saiba como ativar proteção para controlar tempo e atividade de crianças no celular Será que alguma coisa realmente mudou no último ano, desde a publicação do livro de Haidt? Todo o alvoroço que surgiu sobre os telefones celulares terá sido apenas um momento passageiro de ansiedade parental coletiva ou aquilo realmente trouxe o tipo de ação que muitos pais esperavam? Assim que foi publicado, A Geração Ansiosa despertou uma avaliação global do uso do telefone celular entre as crianças. Conversei com o autor para saber se ele ainda é da opinião de que o excesso de tempo em frente às telas está colocando a infância em risco. Confira abaixo a entrevista, editada para maior concisão e clareza. Katty Kay (BBC): Seu livro foi publicado há um ano e causou imensas discussões. Eu gostaria de começar pedindo uma espécie de resumo sobre onde estamos sobre os diversos aspectos do que você está tentando fazer: telefones celulares nas escolas, classificação etária, redes sociais, como fazer para que as crianças tenham mais tempo livre para se divertirem. O que está indo bem e o que não está, em relação a todas estas questões, nos Estados Unidos? Jonathan Haidt: Eu sabia que o livro seria popular. Mas eu não me havia preparado para que esta questão se espalhasse como fogo na mata por todo o mundo, não apenas nos Estados Unidos. Em todo o planeta, a vida familiar se transformou em uma luta sobre o tempo em frente às telas. Todo mundo odeia. Todo mundo vê isso. O que decolou mais rapidamente foram as escolas livres de celulares, porque é algo que pode ser feito com muita facilidade. É difícil ensinar em uma sala de aula quando metade dos alunos estão assistindo a vídeos curtos e jogando videogames. Por isso, os professores odiaram os celulares desde o princípio, mas ficaram com medo, especialmente nos Estados Unidos. Talvez seja o mesmo no Reino Unido, mas, nos Estados Unidos, existem muitos pais que querem poder se comunicar todo o tempo com seu filho. Eles acham que têm o direito de verificar como seus filhos estão. "E se algo der errado? Preciso estar presente." Daí, vem o excesso de cuidado... Kay: Existe, então, um paradoxo, porque você tem os pais que são superpreocupados com os celulares. Eles observam o que os celulares fazem com seus filhos, mas não querem que seus filhos abandonem seus celulares quando vão para a escola. Haidt: Veja, as pessoas são complicadas! Existem multidões dentro delas. Eu não deveria dizer que todos observaram o problema porque existem muitos pais que acreditam que o celular é uma corda de segurança. Eles veem o mundo como um lugar muito perigoso e ameaçador. Por isso, logo no início deste processo, achei que haveria essa questão muito americana da superproteção, pois realmente temos muito mais criminalidade do que a Europa ou o Canadá. Mas o que me surpreendeu, depois de estudar esta questão por um longo período, é que a superproteção se disseminou e varreu todos os países de língua inglesa nos anos 1990. Por isso, todos os países de língua inglesa passaram por isso ao mesmo tempo. E, agora, todos eles estão tomando medidas com muita rapidez. Eu diria que o Reino Unido e a Austrália estão na liderança, em termos de realmente aprovar legislação a este respeito. Kay: Aqui nos Estados Unidos, observamos algumas batalhas no Congresso, mas nada aconteceu em nível nacional. O que vejo são Estados individuais promulgando leis para impedir que as crianças tenham celulares nas escolas. Haidt: É verdade, já que não temos legislaturas operantes nos Estados Unidos. Nós temos o Congresso. E o Congresso, na verdade, não pode fazer nada se alguém questionar. Por isso, desde o princípio, não considerei que conseguiríamos um mínimo que fosse de ajuda do Congresso. Eu me concentrei nos 50 Estados americanos, no Reino Unido, Austrália e União Europeia. Se conseguirmos mudanças legislativas nestas regiões, será uma vitória. Kay: É cedo demais para vermos qual foi o impacto nas escolas que proibiram os telefones celulares? Temos algum dado sobre isso ou apenas supomos que elas terão melhores resultados? Haidt: Temos relatos de escolas que passaram a ser livres de celulares. E eu desafio as pessoas a procurarem uma escola que realmente seja livre de celulares e não apenas durante o horário das aulas. Se for apenas uma restrição durante o horário das aulas, a escola não é livre de celulares. Isso causa todo tipo de problemas. Todas as crianças ficam no celular entre uma aula e outra. Mas, entre as escolas realmente livres de celulares, onde você entrega o telefone pela manhã e o recebe de volta à noite, os relatos são muito positivos. O comentário mais comum é que os problemas de disciplina diminuem. Há muito menos brigas, muito menos drama. O absenteísmo é baixo. A escola é muito mais divertida quando você consegue realmente conversar com seus amigos, brincar e rir com eles. Por isso, o absenteísmo diminui, os atrasos também e as crianças chegam no horário. Mas o mais estimulante para mim é que a maioria diz que voltamos a ouvir risos nos corredores. Por isso, todos os relatos são muito positivos. Muitas vezes, existe resistência na primeira semana ou quinzena, mas o que a maioria deles diz que termina por aí. Kay: De onde vem a resistência? Haidt: Algumas das crianças não gostam e alguns pais não gostam. Mas conversei com centenas e centenas de diretores de escolas. O que eles me dizem é que esperavam forte resistência dos pais, o que, na verdade, não aconteceu. Porque este ano é diferente. O zeitgeist [o espírito da época] mudou. Na verdade, tudo começou no Reino Unido, antes mesmo de sair meu livro. Você tinha escolas livres de smartphones. Elas viralizaram em fevereiro do ano passado e meu livro só foi publicado em março. Agora, o ambiente é outro e as escolas estão prontas para agir. Existem estudos acadêmicos que foram ambíguos. Mas, quando você os examina... Houve um que saiu no Reino Unido e foi publicado na revista The Lancet. Ele dizia que as escolas livres de celulares não ajudam. Não, não é verdade. O estudo examinou cerca de oito escolas que tinham uma política de mochilas, o que não é muito bom, e 11 ou 15 escolas que tinham uma política de proibição em sala de aula. Parecia que havia uma leve diferença de políticas. Mas são escolas muito diferentes. Temos uma postagem na plataforma Substack demonstrando que este estudo da The Lancet não mostra nada deste tipo. Houve um estudo no Reino Unido realizado pelo think tank [centro de pesquisa e debates] Policy Exchange, que examinou várias centenas de escolas britânicas. E apenas cerca de 10% delas são realmente livres de celulares. Se você observar as escolas do Reino Unido que são realmente livres de celulares e compará-las com as demais, irá encontrar benefícios acadêmicos e comportamentais. Kay: Quero voltar para algo que você disse no começo, sobre os anos 1990 e como aquela se tornou uma época de medo. Sou mãe que trabalha a vida inteira. Tenho quatro filhos – dois deles nasceram nos anos 1990, um em 2000 e outro, em 2006. Por isso, cada um deles teve experiências diferentes com as telas. Mas, pelas pesquisas que realizei, algo mais aconteceu entre os anos 1980 e 1990, que foi uma espécie de expansão do que consideramos ser um bom pai ou mãe – e, mais especificamente, uma boa mãe, certo? As mães estavam trabalhando em tempo integral e ainda cumprindo com uma parte esmagadora dos afazeres domésticos. Mas não é só isso. Nas minhas pesquisas, as mulheres de hoje em dia estão fazendo mais ou menos a mesma parcela de tarefas domésticas que as suas bisavós faziam no início do século 20. O caso é que a sociedade, de alguma forma, considerava que nós não seríamos boas mães se não passássemos uma enorme parcela do nosso tempo com nossos filhos, sempre correndo nos fins de semana para levá-los a eventos. E, de alguma forma, talvez particularmente se você fosse uma mãe que trabalha, a culpa meio que explodia. Eu sinto que as telas – e vi isso com meus próprios filhos – simplesmente se tornaram uma forma de alívio para os pais, e as mães em particular, de quem a sociedade simplesmente pedia algo que era impossível. Haidt: Cada palavra que você disse é verdade. Vou apenas tentar acrescentar algo. Este é um quebra-cabeça. E tenho um gráfico muito bizarro no livro, que mostra que a quantidade de tempo que as mães e os pais passam com seus filhos permaneceu razoavelmente estável nos anos 1980 e até nos anos 1990. E, de repente, em meados dos anos 1990, ela disparou, pelo menos nos Estados Unidos. Algo mudou nos anos 1990. E foi este padrão que você comentou. Kay: Ótimo, eu me mudei para os Estados Unidos em 1996, logo cheguei no momento exato! [risos] Haidt: Agora, você chegou lá! É isso mesmo! Isso realmente aconteceu. As mulheres, hoje em dia, têm menos filhos que suas avós, trabalham fora de casa, ao contrário das suas avós, e passam mais tempo com seus filhos. Ou seja, grande parte disso ficou com as mulheres. Mas por que isso aconteceu? A melhor resposta vem deste livro realmente maravilhoso chamado Paranoid Parenting ["Criação de filhos paranoica", em tradução livre], de Frank Furedi. Ele é um sociólogo britânico e se concentra no que aconteceu no Reino Unido, não nos EUA. Mas ele indica que o mesmo ocorreu nos Estados Unidos e no Canadá. E o que aconteceu, segundo ele, é que nós perdemos a confiança nas outras pessoas. E, quando isso aconteceu, deixamos de confiar nos nossos vizinhos. E não confiamos nas pessoas para quem encaminhamos nossos filhos. Criar filhos sempre foi meio que um projeto coletivo. Quando você perde isso, fica cada família por si. E isso significa que são principalmente as mães que ficam sozinhas. Kay: Dentro do seu tipo de meta-análise das telas, crianças e escolas e se podemos ou não ter celulares nas escolas, nós realmente precisamos abordar estas questões antes de podermos, de fato, livrar nossos filhos dessa dependência das telas? Haidt: Precisamos entender estas questões em primeiro lugar, se quisermos compreender tudo o que acontece historicamente. Mas eu não diria que precisamos lidar com estas questões primeiro porque, francamente, nós não vamos enfrentá-las. Falo em reverter o declínio da comunidade. Sabe, eu compareço a todo tipo de reuniões sobre isso. Existem todos os tipos de fundações, Veja, a tecnologia muda a sociedade... Kay: Você poderia simplesmente consertar tudo, Jon? [risos] Quero dizer, sei o que você fez sobre os celulares nas escolas, mas, de verdade, intensificar isso? Haidt: [risos] Sim. Vamos consertar a comunidade em seguida! Não, nós não vamos restaurar nossa confiança nos vizinhos para podermos deixar nossos filhos saírem de casa. Isso não vai acontecer. Na verdade, provavelmente iremos piorar muito com a era da inteligência artificial, quando não teremos ideia do que é verdade. Nós não iremos saber novamente o que é verdade por muito tempo. Talvez nunca mais saibamos. Precisamos nos adaptar a isso. E acho que a forma de nos adaptarmos a esta ofensiva da tecnologia é dizer "OK, sabe? As crianças não são adultos." Precisamos nos concentrar no que será necessário para permitir que as crianças desenvolvam seus cérebros de forma saudável ao longo da puberdade. Esta é a minha missão. Precisamos oferecer às crianças menos tempo de tela. Tempo muito menos fragmentado. Sem TikTok. Sem vídeos curtos. Este é o pior – e dar a eles muito mais experiência, interagindo com as pessoas. Kay: O que você diria para as famílias mais pobres, onde os dois pais precisam trabalhar em diversos empregos e para quem a invenção do conteúdo em telas que deixa seus filhos pequenos ocupados é literalmente uma corda de salvação? Existe ou não um argumento diferente para elas? Haidt: Sim, existe. A forma de compreender isso é que, nos anos 1990, quando todos nós éramos tecno-otimistas, a internet era incrível. A internet, inicialmente, era incrível. Mas as crianças ricas tinham computadores e acesso à internet e os pobres não tinham. Nos anos 1990, tínhamos algo de bom, sabe? Era a igualdade educacional. Bill Gates e todos os tipos de filantropos doaram centenas de milhões de dólares. "Vamos fazer com que todas as crianças tenham computadores." Por isso, no início dos anos 2000, todos nós éramos tecno-otimistas e pensávamos: "Muito bem, eu não tenho confiança de que meu filho ande três quarteirões até uma loja, mas ele está em um computador? O que poderá acontecer? Ele está aprendendo! Isso é ótimo!" Nós achamos bom que os nossos filhos ficassem no andar de cima, com um computador. E, é claro, esta é uma das ideias centrais da série Adolescência, da Netflix, como você sabe. Os pais pensam que seus filhos estão seguros quando estão em um computador. E, nos anos 1990, a maioria deles estava. Havia também algumas coisas ruins, mas a maioria deles estava. Mas, quando a internet é dominada, ou pelo menos a infância é dominada por três ou quatro grandes empresas – TikTok, Snap, Meta e Google – que usam algoritmos para enviar conteúdo para elas, para mantê-las conectadas, tudo fica muito mais sombrio. Agora, as crianças nos computadores não estão aprendendo a programar. Elas não estão aprendendo nenhum conhecimento útil. Elas estão simplesmente deitadas ali, consumindo conteúdo. É quando tudo fica muito doentio e muito sombrio. Mas nós não percebemos. Por isso, o que aconteceu agora é que a questão da igualdade educacional se inverteu. Costumava ser "conseguir computadores para as crianças pobres". Mas, nos anos 2000, ficou claro que os ricos, especialmente as pessoas do Vale do Silício, não deixam seus filhos terem acesso a este tipo de coisas. Por isso, agora, o grande imperativo da igualdade educacional é que precisamos oferecer às crianças pobres a mesma proteção que têm os ricos. Precisamos fazer com que elas fiquem menos tempo nas telas. Você disse que elas são literalmente uma corda de salvação. Eu diria que não, elas não são literalmente uma corda de salvação. Elas são literalmente um deturpador de mentes. Kay: Muito do que você escreve e a forma como você escreve é dirigida aos adultos. Se você fosse às escolas e conversasse com os alunos do ensino médio, qual seria o argumento mais eficaz que você poderia apresentar para eles? Haidt: Fico feliz por você ter feito esta pergunta porque, pouco antes da entrevista, eu estava em uma conversa de uma hora com a minha equipe. Estamos criando uma versão de A Geração Ansiosa para crianças de 8 a 12 anos de idade, que ainda não têm smartphone. O ponto principal que queremos transmitir é que existem empresas que querem fisgar vocês. E eles já fisgaram a maior parte das crianças. Se vocês olharem para as crianças mais velhas, elas não estão se divertindo. Elas estão sozinhas, estão tristes. Porque todas elas foram sugadas para se tornarem apenas consumidores de conteúdo e isso é tudo o que eles fazem. Você quer ter uma vida incrível e emocionante? Você quer fazer coisas? Quer se divertir com seus amigos? Então não siga este caminho. Não deixe que essas empresas enganem e fisguem você. Uma das principais ideias de A Geração Ansiosa é que este não é um livro sobre telas. É um livro sobre a infância. Que tipo de infância queremos para os nossos filhos? Nota dos editores: O TikTok declarou à repórter da BBC Marianna Spring que mantém configurações de segurança "líderes no setor" para os adolescentes. E A Meta (proprietária do Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads) menciona suas próprias ferramentas para oferecer "experiências positivas e apropriadas para cada idade". Conheça mais sobre as medidas tomadas pelas empresas de redes sociais em relação à segurança das crianças online neste link. Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Innovation. Hackers deixam Coreia do Norte bilionária com criptomoedas Cursos de 'IA do job' prometem dinheiro e ensinam a usar fotos de modelos sem autorização O que é stalker e como perceber o crime

'Teoria do aeroporto': influencers testam trend do TikTok de chegar só 15 minutos antes para pegar voo


Tendência desafia recomendações de companhias aéreas, que pedem chegada com 2 a 3 horas de antecedência. Vídeos no TikTok mostram pessoas tentando chegar ao aeroporto apenas 15 minutos antes do embarque. Reprodução Chegar ao aeroporto com apenas 15 minutos de antecedência: essa é a teoria que influenciadores no TikTok têm colocado à prova em vídeos que viralizaram na rede social. A trend tem ganhado força principalmente nos Estados Unidos e, por lá, ficou conhecida como "airport theory" — ou "teoria do aeroporto", em português. A prática, no entanto, contraria o que orientam as companhias aéreas brasileiras: chegar com 2 a 3 horas de antecedência, dependendo do voo. O g1 encontrou alguns desses vídeos no TikTok, a maioria publicados por influenciadores gringos, que embarcariam em voos domésticos, ou seja, dentro do mesmo país. Em alguns casos, quem conseguiu chegar ao portão de embarque em até 15 minutos estava em um aeroporto relativamente vazio, segundo as imagens. "Um aeroporto pequeno pode dar a falsa impressão de que é possível chegar faltando poucos minutos, mas isso é irreal. Em aeroportos grandes, como o de Guarulhos, isso se torna ainda mais difícil", diz Flavia Maciel, gerente de gestão do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. "É possível, mas não é uma estratégia vencedora para a maioria das pessoas", disse o influenciador de viagens Brian Kelly em um vídeo em que testa a teoria e já soma mais de 530 mil visualizações. "Consegui com quatro minutos de sobra, então, tecnicamente, deu certo, mas não vale o estresse", afirmou Malia, outra influenciadora de viagem, em um vídeo com 38 mil visualizações no TikTok. Vídeos no TikTok sobre a trend do 'Airport Theory' Reprodução/TikTok Mesmo com como check-in on-line e totens de autoatendimento, que agilizam parte dos processos de embarque, a técnica dos 15 minutos não é recomendada no Brasil e a prática pode levar o passageiro a perder o voo", alerta Flavia Maciel. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) lembra ainda que etapas como despacho de bagagem, inspeção por raio-X, revista aleatória e checagem de documentos pela imigração, no caso de voos internacionais, são tarefas que fazem parte do embarque e podem levar tempo. Em casos em que não for possível chegar a tempo ao aeroporto, a orientação é entrar em contato com a companhia aérea para informar a situação. Segundo Flavia, cada empresa adota um procedimento diferente: há casos em que o cliente pode ser realocado em outro voo, mas também existe a possibilidade de a companhia se recusar a oferecer reembolso. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que questões operacionais como essa são definidas por protocolos internos das companhias e associações do setor. Por isso, orientou entrar em contato diretamente com as empresas ou seus representantes. Quando devo chegar ao aeroporto? ✈️ Passageiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos Rovena Rosa/Agência Brasil As companhias aéreas brasileiras adotam orientações semelhantes sobre o tempo de chegada ao aeroporto. As três principais recomendam antecedência de 3 horas para voos internacionais. Para voos domésticos, orientam que o passageiro chegue com pelo menos 1h30 a 2 horas antes. "Para os voos internacionais, pedimos que o passageiro chegue com 3 horas de antecedência porque há etapas como checagem de documentos pela Receita Federal e verificação de bagagens, por exemplo. Nesse caso, o controle é mais criterioso, já que a pessoa está saindo do país", explica Flavia Maciel. Ela diz que, enquanto o passageiro se prepara para embarcar, várias etapas ocorrem simultaneamente para viabilizar o voo — como checagem e abastecimento da aeronave, carregamento de bagagens e o processo de cargas, incluindo alimentos que serão servidos a bordo. LEIA TAMBÉM: Brasil volta a exigir visto para turistas dos EUA, Canadá e Austrália 6 das estradas mais extraordinárias do mundo Turistas podem ser barrados nos EUA? Tire essa e outras dúvidas e evite perrengues Downgrade no avião: veja como o passageiro deve proceder 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta Veja o ranking dos passaportes mais poderosos do mundo

'Por suposto respeito à privacidade, adolescentes estão morrendo ou cometendo crimes graves na internet'


Vanessa Cavalieri, juíza da Vara da Infância e Juventude do Rio, analisa a série 'Adolescência' e orienta pais sobre como lidar com a vida online dos filhos. Para a juíza Vanessa Cavalieri, série 'Adolescência' se tornou fenômeno por expor riscos a que adolescentes estão expostos na internet BBC/Netflix No top 10 de séries mais vistas da história da Netflix, Adolescência virou um fenômeno global ao retratar a história de um menino de 13 anos acusado de matar uma colega de escola. O enredo provocou debates nas redes sociais e mobilizou reportagens. Mas não surpreendeu a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro. "A série não mexeu tanto comigo porque trata de algo que vejo e falo há anos", afirma. Desde o lançamento da produção, em 13 de março, o telefone de Cavalieri não para de tocar, com pedidos de entrevistas e palestras sobre o tema. Para ela, a produção se tornou um sucesso de audiência e impactou o público por expor uma realidade que muitos desconhecem ou ignoram: os riscos a que adolescentes estão expostos na internet. "Muitas famílias acham que, se o filho está em casa, mexendo no celular ou no computador em seu quarto, ele está seguro. Mas isso não é necessariamente verdade." A magistrada destaca que a série aproxima o telespectador da história ao apresentar um protagonista comum. "Ele vem de uma família trabalhadora, com pais amorosos e cuidadosos, que não foram negligentes de forma significativa. Ele poderia ser colega dos nossos filhos na escola, frequentar o mesmo clube, morar no nosso condomínio. Isso choca, porque nos faz perceber que uma tragédia assim pode estar perto de nós." Instagram proíbe menores de 16 anos de fazerem lives sem autorização dos pais 'Minha filha não queria mais voltar para a escola': o sofrimento de vítimas de nudes feitos com IA A juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro BBC/Rosane Naylor Há dez anos à frente da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Rio, Cavalieri observa que o perfil dos adolescentes envolvidos em infrações mudou. "Antes, eram jovens em situação de alta vulnerabilidade socioeconômica, envolvidos em crimes como tráfico de drogas e roubos. Mas, desde 2019, temos um novo grupo: adolescentes de classe média e alta, alunos de escolas particulares, que praticam crimes digitais e planejam ataques em escolas." Mas um padrão se manteve: a maioria é cometida por meninos. "Cerca de 90% dos casos registrados na cidade envolvem garotos. Isso vale para qualquer classe social e tanto para crimes digitais quanto presenciais." No ambiente digital, ela afirma ter observado um aumento dos crimes de ódio ou cometidos em comunidades de ódio, e a grande maioria dos envolvidos são meninos. "Raramente vemos meninas nesses casos, com exceção daquelas que participam de comunidades de automutilação e suicídio, principalmente em plataformas como o Discord", diz. O que é Discord, a rede social usada para cometer crimes contra adolescentes? "Por outro lado, notamos um aumento da misoginia, homofobia e supremacia branca, incluindo ideologias neonazistas, e, nesses casos, os envolvidos são quase exclusivamente meninos. No Brasil, não houve ataques em escolas praticados por meninas, por exemplo; todos foram planejados ou executados por meninos." Ela nota um crescimento no ressentimento de meninos com relação a pautas de gênero — o que podem levá-los a ser atraídos para movimentos como os incels. Retratado na série, o termo é uma abreviação de "celibatários involuntários" (do inglês involuntary celibates) e é marcado pelo discurso de ódio contra as mulheres. Por isso, diz Cavalieri, o debate sobre masculinidades, de forma equilibrada, é urgente. "Hoje, um menino em desenvolvimento, que nem sabe quem é ainda, que está descobrindo sua sexualidade e o lugar do masculino na sociedade, muitas vezes é massacrado com falas de que 'nenhum homem presta', 'todo homem é abusador'. Essa generalização é muito ruim", afirma. "Alguns escutam isso de forma muito radical. E esse radicalismo pode acabar levando o pêndulo para o outro extremo. Precisamos encontrar um equilíbrio", adiciona. "Precisamos ensinar os meninos sobre relações respeitosas, de afeto. Eles sofrem com exclusão, falta de pertencimento e de afeto. Seria importante ensinar que há um caminho de descoberta da sexualidade com amor, com envolvimento emocional." A seguir, a juíza elenca quatro lições que pais e educadores podem tirar da série para se reconectar com a vida online de seus filhos. 1. Estudar sobre a adolescência Quando assumiu a vara, Cavalieri percebeu que apenas o conhecimento jurídico não era suficiente para lidar com os casos que surgiam. "Queria muito fazer um trabalho efetivo, um trabalho que conseguisse efetivamente ressocializar, educar e recuperar os jovens que seguiram um caminho equivocado", diz. "Fui estudar adolescência, com uma abordagem multidisciplinar na neurociência, psicanálise, psicologia e psiquiatria. Queria entender por que esses adolescentes se envolviam em atos infracionais e como evitar a reincidência", conta. "Chegou uma hora que comecei a entender como funcionava a cabeça dos adolescentes, o que era o tal do córtex pré-frontal imaturo que tanta gente menciona e o que isso implica. O que essa imaturidade cerebral influencia o comportamento dos adolescentes." "Eles parecem adultos, mas ainda estão em desenvolvimento. São impulsivos e têm dificuldade em adiar recompensas. Por isso, precisam da orientação de adultos para tomar boas decisões. Precisamos de letramento em adolescência." A juíza afirma que os pais devem estudar e buscar conhecimento sobre essa fase. "É importante ter letramento na adolescência, para os pais entenderem o que é natural, o que passa na mente do adolescente e quais são suas necessidades." 'Sua filha não está dormindo, sua filha vai ser vítima de um estupro virtual', diz agente infiltrado no Discord para combater crimes contra menores 2. Compartilhar experiências Cavalieri alerta que muitos pais perdem a conexão com os filhos na adolescência. "Precisamos ter mais compaixão pelos adolescentes", diz. "Com uma criança de dois ou três anos, vemos pais muito pacientes e dispostos a entrar em brincadeiras infantis. Então você brinca de fazer de conta, canta a musiquinha da Dona Aranha o dia inteiro. Só que quando chega na adolescência, não temos paciência com o universo adolescente", diz. "Vamos nos afastando porque não conseguimos olhar para eles com compaixão. Precisamos descer do pedestal de adulto e nos equiparar um pouquinho a eles, para poder ter conexão e conversa." Ela sugere que os pais se interessem pelo universo dos filhos. "Eu vou falar por mim. Por exemplo, eu fui apresentada uns anos atrás pela minha filha mais velha, quando ela tinha 13 anos, a um cantor que eu não conhecia, que é super famoso, o Harry Styles. Me lembro que a primeira música que ela me mostrou, pensei que fosse David Bowie. E entendi que havia ali um ponto de conexão com a minha filha", relata. "Talvez eu não saísse da minha casa para ir no show por conta própria, mas fui porque eu queria estar com ela, dividindo essa experiência. Falta isso: nos interessarmos pelo universo deles." A dica vale para o ambiente online, diz a magistrada. "Eu e minhas filhas compartilhamos entre nós coisas vídeos no Instagram que achamos que a outra vai gostar. Isso é uma forma da gente criar ali vínculo. " 3. Monitoramento da atividade online Para Cavalieri, é um erro interpretar monitoramento como invasão de privacidade. "Em nome a esse suposto respeito à privacidade, adolescentes estão morrendo ou cometendo crimes graves; pessoas estão se suicidando ou sendo vítimas de golpes gravíssimos. Isso porque os pais não supervisionaram o uso da internet", afirma. "A internet é um lugar perigoso. Assim como os pais não consideram invasão de privacidade perguntar aonde um adolescente vai ou virem um filho conversando com uma pessoa estranha, temos que o olhar para o ambiente virtual da mesma forma, lembrando que é tão ou mais perigoso do que a rua." Ela recomenda o uso de aplicativos de controle parental, como o Custody ou Change, que também usam GPS para localizar o aparelho dos adolescentes em tempo real. "Os pais devem ter todas as senhas e logins para emergências", diz. "E o GPS nunca deve ser desabilitado. Isso é fundamental para a segurança dos adolescentes e pode ser decisivo em caso de emergência." Celulares e crianças: veja como ativar proteção para controlar tempo e atividade de seu filho na internet 4. Estabelecer limites claros Além do monitoramento, Cavalieri afirma que é essencial estabelecer limites claros para o tempo de conexão à internet. "Depressão, obesidade e outros problemas de saúde estão ligados ao uso excessivo de telas. O ideal é que o celular fique fora do quarto e seja bloqueado na hora de dormir", diz. Ela lembra que especialistas, assim como diretrizes do governo, recomendam que crianças não tenham celulares e que adolescentes precisem de regras claras. "É preciso definir quais conteúdos são proibidos. Por exemplo, apostas online são restritas a maiores de 18 anos e extremamente viciantes", afirma. Segundo a juíza, um dos principais pontos de atenção é o tempo de uso das telas e o horário para desligar os aparelhos. "As telas e as redes sociais são altamente viciantes. Estudos mostram que plataformas como Instagram e Facebook ativam no cérebro as mesmas áreas de prazer e recompensa que a cocaína. É esse o nível de impacto que estamos discutindo", alerta. O guia preparado pelo governo federal para uso de telas define que crianças menores de dois não não devem usar telas, e, entre 3 e 5 anos, o tempo máximo deve ser de uma hora por dia. A Sociedade Brasileira de Pediatria também faz recomendações: crianças menores de três anos não devem usar telas. Entre 3 e 6 anos, o uso deve ser permitido apenas em situações excepcionais. "Por exemplo, se a criança estiver doente e precisar fazer nebulização, pode assistir a um desenho para se acalmar", explica. Entre 6 e 12 anos, segundo a SBP, o tempo total de exposição às telas deve ser de, no máximo, uma hora por dia. Para adolescentes acima de 12 anos, o ideal é limitar entre duas e três horas diárias. "Mas isso inclui todas as telas, não só redes sociais", ressalta Cavalieri. "O ideal seria, no máximo, meia hora por dia de TikTok." A juíza alerta que um dos maiores problemas da geração atual é a privação crônica do sono causada pelo uso excessivo de telas. "Crianças e adolescentes estão dormindo menos do que o necessário – entre nove e 11 horas por noite. Isso afeta o crescimento, a atenção e o aprendizado. Há crianças diagnosticadas com déficit de atenção sem terem TDAH, quando na verdade sofrem de privação de sono", diz. Por isso, Cavalieri recomenda que o celular não fique no quarto e seja bloqueado à noite. "Se a hora de dormir é nove ou dez da noite, o celular, o computador e qualquer outro aparelho precisam ser bloqueados até a manhã seguinte", afirma. Saiba como ativar proteção para controlar tempo e atividade de crianças no celular Discord: o que é a rede social usada para cometer crimes contra adolescentes?

sábado, 12 de abril de 2025

Após levar 'Capitão Kirk' e brasileiro ao espaço, Blue Origin aposta em missão feminina com Katy Perry


Artista se junta à noiva de Jeff Bezos e outras quatro mulheres em voo marcado para segunda-feira (14). Ator William Shatner, o Capitão Kirk, de "Jornada nas estrelas"; o brasileiro Victor Hespanha e a cantora Katy Perry Blue Origin, Instagram e g1 Depois de enviar nomes como William Shatner, o Capitão Kirk, de "Jornada nas estrelas", e o brasileiro Victor Hespanha ao espaço, a Blue Origin prepara um voo com tripulação exclusivamente feminina, com a cantora Katy Perry a bordo. A missão, marcada para segunda-feira (14), às 10h30 (horário de Brasília), foi chamada de NS-31 por ser o 31º lançamento da nave New Shepard. Este será o 11º voo da empresa de foguetos de Jeff Bezos com passageiros. Ao todo, 52 pessoas já foram ao espaço com a cápsula, segundo a companhia. Será um voo suborbital, em que a nave não ultrapassa os limites da atmosfera terrestre. Ainda assim, o veículo planeja superar a Linha de Kárman, ponto a 100 km de altitude usado por convenção como o início do espaço. "Enquanto no voo orbital a nave consegue circular a Terra, ou seja, partir e retornar à atmosfera a partir de um mesmo ponto, o voo suborbital não tem velocidade para completar essa trajetória, então a nave sobe até um ponto máximo e depois cai em queda livre de volta à Terra", explicou o astrofísico Cassio Barbosa, em reportagem do g1 em 2021. Voo orbital x suborbital: entenda as diferenças da viagem da SpaceX para as da Blue Origin 🚀Celebridades no espaço e 'pausa' da Blue Origin A empresa espacial de Jeff Bezos começou a enviar turistas e celebridades para o espaço em julho de 2021. Bezos participou da 1ª missão tripulada da New Sheaprd, que também marcou o primeiro voo espacial de uma tripulação civil sem piloto. Em outubro daquele ano, foi a vez do ator William Shatner, famoso por interpretar o Capitão Kirk na série "Jornada nas estrelas". Então com 90 anos de idade, ele se tornou a pessoa mais velha a ir ao espaço. 'Capitão Kirk' recebe medalhinha da viagem. Blue Origin O Brasil também teve um representante: em junho de 2022, o engenheiro Victor Hespanha embarcou em uma nave da empresa e se tornou o segundo brasileiro a viajar ao espaço. Em setembro de 2022, um foguete da Blue Origin caiu pouco após o lançamento, devido a uma falha. A missão não era tripulada, e ninguém ficou ferido, segundo a companhia. Após o incidente, a empresa interrompeu os voos com passageiros por quase dois anos. O retorno aconteceu em maio de 2024, com uma missão que levou seis turistas ao espaço. 👩‍🚀Quem vai estar na nova missão? Além de Katy, a missão contará com outras cinco mulheres, incluindo a jornalista Lauren Sánchez, noiva de Bezos. Veja abaixo. Segundo a Blue Origin, esta será a primeira tripulação exclusivamente feminina a ir ao espaço desde a missão Vostok 6, de 1963, em que a russa Valentina Tereshkova viajou sozinha. Katy Perry vai ao espaço com tripulação 100% feminina g1 Katy Perry vai viajar ao espaço em missão da Blue Origin com tripulação feminina Turistas deixam cápsula após 8º voo espacial da Blue Origin SpaceX faz 8º voo da Starship, recupera foguete, mas perde contato com a nave

Governo Trump isenta eletrônicos de novas tarifas e alivia impacto para consumidores e gigantes da tecnologia


Anúncio acontece em meio à guerra tarifária entre EUA e China, centro de fabricação do iPhone. Os Estados Unidos eliminaram as tarifas sobre smartphones, computadores e outros dispositivos eletrônicos Pongsawat Pasom/Unsplash O governo Trump isentou celulares, computadores e outros eletrônicos das 'tarifas recíprocas' anunciadas pelo presidente Donald Trump no início do mês. A medida foi divulgada na noite desta sexta-feira (11) pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. Com a decisão, esses produtos ficam de fora das tarifas de 154% impostas à China e da alíquota de 10% aplicada à maioria dos outros países. A isenção deve reduzir o impacto no bolso dos consumidores americanos e beneficiar grandes empresas do setor, como Apple e Samsung. A medida ocorre em meio à escalada da guerra comercial entre os EUA e a China. Na quinta-feira (10), Trump havia anunciado uma tarifa de 145% sobre produtos importados do país asiático — principal polo de produção de eletrônicos como o iPhone. Para os países que, segundo ele, "não retaliaram de forma alguma", as tarifas foram reduzidas temporariamente para 10%, por um período de 90 dias. Isso porque, com as tarifas, muito produtos de tecnologia fabricados fora dos EUA chegariam mais caros para os consumidores do país. A isenção também inclui outros componentes eletrônicos, como semicondutores, células solares e cartões de memória — itens que, em geral, não são fabricados nos EUA e cuja produção doméstica exigiria anos de estruturação, segundo a Bloomberg. Trump quer iPhone feito nos EUA, mas aparelho custaria 3 vezes mais, diz analista 5 perguntas e respostas rápidas sobre o tarifaço de Trump

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Fórmula E: veja como as inovações da categoria devem sair das pistas e chegar no seu carro elétrico


O g1 foi aos bastidores da etapa de São Paulo da categoria para mostrar as tecnologias que podem inspirar soluções para os carros de passeio nos próximos anos. A Fórmula 1 sempre foi uma grande impulsionadora de novas tecnologias para carros. Dela surgiram inovações como os freios ABS, controle de tração, volante multifuncional e vários avanços nos motores. Mas uma parte importante do progresso tecnológico vem agora de outras categorias. A Fórmula E, competição entre carros 100% elétricos, deu um novo impulso ao desenvolvimento de tecnologias que vão das pistas para as ruas. Uma inovação interessante da Fórmula E que pode chegar aos carros de produção é uma nova solução de recarga de baterias, mais eficiente e rápida. Na etapa de Jeddah, na Arábia Saudita, a categoria começou a testar um sistema de carregamento ultrarrápido durante a corrida, semelhante ao famoso pit stop dos carros a combustão. Além da solução de carregamento, as montadoras também podem explorar novas soluções de regeneração de energia, de propulsão, entre outras. Veja abaixo como podem funcionar algumas delas. Fórmula E é uma das categorias que ajuda as montadoras na criação de novas tecnologias Divulgação | Porsche Da rua para as pistas Quando a Fórmula E começou, equipes como Nissan, Porsche, Mahindra e Yamaha não tinham experiência no desenvolvimento de carros de fórmula, muito menos com motores 100% elétricos. No caso da Nissan, o elétrico Leaf ajudou no desenvolvimento do carro de Fórmula E, explica Tommaso Volpe, chefe da equipe da montadora na Fórmula E. “Primeiro fizemos a jornada da rua para a pista, e agora está começando o caminho inverso, da pista para as ruas”, explica Volpe. Nesta temporada, o carro de Fórmula E chegou à terceira geração e traz evoluções consideráveis. A aceleração de 0 a 100 km/h, por exemplo, ficou um segundo mais rápida. Agora, um carro da categoria leva apenas 1,82 segundo para atingir essa marca. Apesar de a velocidade máxima continuar em 322 km/h, a arrancada ficou 30% mais rápida. O novo sistema de tração nas quatro rodas foi um dos responsáveis por esse bom resultado. Na geração passada, apenas as rodas traseiras despejavam potência no chão. Carros da Fórmula E já desenvolvem soluções para os carros elétricos de rua Divulgação | Nissan Veja mais na ficha técnica abaixo: Potência no modo normal: 250 kW (aproximadamente 390 cv); Potência do modo ataque: 350 kW (aproximadamente 470 cv); Bateria: 38 kWh; Peso do carro: 860 kg; Peso da bateria: 280 kg; 0 a 100 km/h: 1,82 segundo; Velocidade máxima: 322 km/h. Time da Nissan tem mais engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento de softwares do que mecânicos Vinicius Montoia | g1 Para tornar a Fórmula E mais dinâmica, a categoria utiliza um dispositivo chamado "modo ataque" (attack mode), que libera mais potência para o carro durante cinco minutos. Esse modo fornece 100 kW adicionais ao piloto. Com o modo ataque, a potência do carro aumenta de 390 para 470 cv, o que equivale a adicionar a potência de um motor 1.0. Segundo a Porsche, a principal tecnologia vinda do time da Fórmula E para seus carros de rua foi o modo ataque. O novo Porsche Taycan Turbo GT, lançado no Brasil em março deste ano, adotou a tecnologia desenvolvida nas pistas e isso o entrega 163 cv de potência, elevando a potência máxima do sistema para 952 cv. A evolução veio do time de corrida, uma vez que o Taycan Turbo S disponibilizava o antigo "Push to Pass" (botão de ultrapassagem) que elevava a potência em 95 cv e só podia ser acionada a cada 10 segundos. O atual Modo Ataque pode ser acionado novamente a cada quatro segundos. "É uma função bastante útil em caso de ultrapassagens em estradas ou utilização em circuito", diz Leandro Rodrigues Sabes, gerente sênior de comunicação da Porsche Brasil. A quarta geração dos carros da Fórmula E já está em desenvolvimento. Os engenheiros da Nissan afirmam que o novo modelo será capaz de entregar 600 kW de potência, o que corresponde a 800 cv. Desenvolvimento do motor elétrico Na Fórmula E, todas as equipes utilizam o mesmo chassi. Isso é diferente da Fórmula 1, em que há um grande desenvolvimento no design dos carros durante a temporada para melhorar o desempenho. Por essa razão, grande parte do orçamento das equipes da Fórmula E são destinados à criação de novas tecnologias para motores, transmissões e baterias, especialmente para a regeneração de energia. “Isso não é coincidência. Há mais marcas envolvidas na Fórmula E do que em qualquer outra categoria, porque o esporte é muito relevante para a indústria automotiva devido ao foco na evolução dos motores elétricos", argumenta Volpe, da Nissan. Volpe diz ainda que sua equipe foca em aperfeiçoar componentes, especialmente aqueles diretamente ligados à bateria e às partes técnicas do motor e dos freios. Engenheiros preparam carro para a etapa de São Paulo Vinicius Montoia | g1 “Nossa meta é maximizar a eficiência energética. Ou seja, garantir que toda a energia liberada pela bateria seja transformada em tração”, diz. Para a Porsche, o aprendizado com motorsport é fundamental, sobretudo por se tratar de uma marca totalmente focada em carros esportivos, segundo Sabes. "No automobilismo, temos a oportunidade de colocar tecnologias a prova em condições de alto estresse repetidas vezes", diz. "O Porsche 99X [utilizado na Fórmula E], concebido sob o regulamento da terceira geração, nos trouxe maior liberdade para desenvolvimento dos componentes, principalmente no eixo traseiro: motor elétrico, inversor de pulso, câmbio e software", afirma. Carregamento ultrarrápido Carregador ultrarrápido, destacado pela seta, terá capacidade de 600 kW e vai carregar bateria em 30 segundos Vinicius Montoia | g1 Nesta temporada, foi introduzido um sistema de carregamento de 600 kW. Ele consiste em um grande carregador portátil, localizado nos boxes. Durante a corrida, o carregador é conectado ao carro e libera cerca de 4 kW em apenas 30 segundos, aumentando a autonomia do carro de Fórmula E em aproximadamente 10%. Embora pareça pouco, essa diferença pode ser crucial para ganhar uma corrida ou ficar pelo caminho. “Esse sistema não será utilizado em todas as etapas. No entanto, usar um carregador ultrarrápido nos dá experiência para lidar com as baterias de carros elétricos enquanto carregam”, explica Volpe. “Isso nos ajudará a otimizar o carregamento ultrarrápido, inclusive para carros de passeio, aumentando a potência. Assim, evitamos o chamado 'range anxiety', que é o medo de ficar sem energia em um veículo elétrico, além de reduzir pela metade o tempo de carregamento.” De acordo com Sabes, todo aprendizado é valioso para o aprimoramento de veículos de passeio. "Como o uso de energia durante as corridas é limitado, precisamos buscar eficiência em todos os componentes onde temos liberdade de atuar", afirma o executivo. De acordo com ele, saber a potência total de carregamento não basta. O importante é saber em qual janela ela estará disponível. E isso se transmite para os carros de rua. "Na primeira versão do Taycan, o 270 kW de potência estavam disponíveis somente a partir de 32º [da bateria] e [com o mínimo de] 10% do estado de carga. No novo Taycan, mesmo com uma potência maior (320 kW), este valor está disponível já a partir de 15º", diz. "Se antes o Taycan levava 22 minutos para carregar a bateria, agora ele leva 18 minutos, mesmo com a bateria tendo 12% a mais de capacidade. Este é o tipo de aprendizado que pode ser adquirido trabalhando com sistema de alta potência." Dirigir um carro elétrico exige novos costumes Fórmula E já desenvolve sistema de carregamento ultrarrápido Vinicius Montoia | g1 Devido ao seu conjunto motriz diferente, dirigir um carro elétrico tem suas particularidades. Ao contrário de um carro a combustão — em que a potência e o torque aumentam gradualmente —, o veículo elétrico oferece torque instantâneo. Isso significa que, se a ficha técnica indica 20 kgfm de torque, essa força estará totalmente disponível ao pisar no acelerador, exigindo mais cuidado para evitar acidentes. No entanto, o piloto reserva da equipe Nissan, Sérgio Sette Câmara, afirma que é mais fácil dirigir um carro elétrico do que um veículo a combustão. “Alguns carros a combustão possuem câmbio manual, o que aumenta a complexidade. Muitas pessoas hoje em dia não sabem dirigir um carro com transmissão manual. Mesmo os automáticos têm uma resposta mais lenta”, afirma o piloto. “Isso não acontece no carro elétrico. Se o motorista pisa 30% no acelerador, o carro entrega 30% da potência, e assim por diante”, explica Sette Câmara. A frenagem dos carros elétricos é bem diferente. Apesar de terem freio-motor, os carros elétricos, devido à regeneração de energia, possuem uma tecnologia chamada “one-pedal” ou “e-pedal”, que permite dirigir usando apenas o pedal do acelerador. Nesse sistema, ao pisar no acelerador, o carro acelera, e ao levantar o pé, o carro freia. Isso facilita o controle da velocidade com uma única ação, sem precisar usar o sistema de freio convencional (pastilhas e discos). Essa frenagem não está relacionada ao sistema de freios tradicional. Funciona assim: imagine um ímã. Para que ele "grude", é necessário ter um polo negativo no ímã e um positivo no local onde ele será fixado, e vice-versa. Bateria de carros elétricos produzidos em massa poderão ser carregadas na metade do tempo Divulgação | Nissan Para o motor elétrico tracionar o carro para frente, ele é polarizado em um sentido. Quando se tira o pé do acelerador, a polarização se inverte, fazendo o carro frear sem usar as pastilhas de freio. “Quando a polarização se inverte, ocorre a regeneração de energia, ou seja, a energia é enviada de volta para a bateria. Quase não usamos o sistema de freio convencional; o disco de freio está praticamente de enfeite”, diz Sette Camara. “Na Fórmula E, usamos a mesma pastilha de freio durante toda a temporada. Na Fórmula 1, os discos de freio são trocados quase todos os dias.” Dessa forma, é possível economizar nas trocas de pastilhas e recuperar muita eletricidade para as baterias. Segundo os engenheiros da Nissan, 80% da energia recuperada durante a corrida vem desse tipo de frenagem. Aperfeiçoamento de software O próximo passo é transferir os avanços da Fórmula E para os carros de produção em massa. Embora os dados técnicos do carro de terceira geração da Fórmula E já sejam conhecidos, ainda é necessário maximizar a eficiência energética antes de implementá-los na linha de produção. Assim como em um laboratório, os carros e peças usados na Fórmula E são muito caros. Mas há a possibilidade de que muitas dessas inovações cheguem à sua garagem, especialmente quando se tornarem mais acessíveis. “Os materiais e soluções inovadoras da Fórmula E podem ser testados em carros de rua assim que se tornarem mais acessíveis. Ou seja, entram em produção em massa quando o custo diminui”, alega o líder da equipe da Nissan de Fórmula E. Tommaso Volpe explica que as tecnologias da Fórmula E precisam ficar mais acessíveis para a produção em massa Divulgação | Nissan De acordo com o chefe da equipe Nissan, há outra área em que a Fórmula E pode ser muito útil: a evolução de softwares que ajudam a gerenciar a utilização da energia da bateria. “O gerenciamento de energia na Fórmula E é extremamente sofisticado. É onde se pode ganhar ou perder uma corrida. A liberação ou regeneração de energia mostra o quão inteligente pode ser nosso software, nossa equipe de engenheiros e nossos pilotos. Esse nível de sofisticação é valioso para todas as equipes”, explica Tommaso Volpe. A administração de energia, seja em carros de competição ou de rua, como diz Tommaso, “é ouro para as fabricantes”. Esses computadores, que tomam decisões cada vez mais rápidas, podem estender a autonomia ou liberar mais potência. Os carros elétricos têm mostrado grande flexibilidade nesse aspecto. “Começamos com tecnologias das ruas para as pistas. Agora estamos invertendo o jogo, passando a experiência adquirida nas pistas para as ruas. Neste capítulo da história do carro elétrico, estamos focando no desenvolvimento de soluções para aumentar a eficiência do conjunto motriz e na evolução do software de gerenciamento de energia”, conclui o chefe de equipe.

Programador dá contragolpe pelo WhatsApp e descobre golpista em cadeia


Após sofrer ameaças no aplicativo, vítima criou página para identificar localização de quem estava do outro lado da conversa. Programador dá contragolpe pelo WhatsApp Reprodução São comuns golpes no WhatsApp que atraem vítimas com falsas ofertas de emprego, pedidos de empréstimo e cobranças indevidas. E, em geral, não é possível saber muito sobre quem está por trás deles. Em um caso, o golpista ameaçou a vítima, dizendo que ela devia para uma facção criminosa e cobrando que a pessoa lhe mandasse dinheiro. "Vou encostar agora mesmo aí na sua casa e te cobrar de outra forma", dizia uma das mensagens. A vítima era um programador que decidiu criar um contragolpe: um site que mostra a localização de quem o acessa. Pelo WhatsApp, ele enviou um link ao bandido, dizendo que era um comprovante de pagamento. O golpista clicou e, sem perceber, aceitou uma mensagem do navegador que pedia acesso à sua localização. Essa informação foi enviada para o programador. Assim, foi possível descobrir que o autor das ameaças estava no endereço listado como uma penitenciária na cidade de Osório (RS), a mais de 1.000 km da vítima, que mora no estado do Rio de Janeiro. Alerta do Google Chrome sobre acesso a localização do usuário Reprodução "As pessoas costumam falar que essas ligações vêm da cadeia, mas nunca é possível provar isso. Dessa vez, vimos que isso realmente acontece ", disse ao g1 Pedro Bessa, o programador que criou o contragolpe. Ele criou a ferramenta no fim de 2024, mas, há duas semanas, fez uma postagem sobre o projeto. O conteúdo viralizou no LinkedIn, com quase 60 mil curtidas. Nos comentários, muitos disseram que também já foram alvos de tentativas de golpes. "A repercussão mostrou que é uma dor muito comum das pessoas. Muita gente me procurou pedindo ajuda sobre isso, querendo dar um jeito", disse Pedro, que decidiu não registrar um boletim de ocorrência sobre esse caso. Como descobrir o que o Google sabe sobre você Disponível apenas para programadores O programador conta que seria possível tentar obter ainda mais informações, tendo acesso ao microfone e à rede de internet que o golpista está usando. Para isso, seria preciso contar com mais distração do bandido e torcer para ele dar acesso a esses dados. "Pensei em utilizar a câmera, mas achei que a mensagem do navegador ficaria muito evidente. Então, fui só com a localização, que é mais comum", contou. O código foi publicado no GitHub, plataforma usada por desenvolvedores, mas não está disponível para o público geral. Para virar um aplicativo, por exemplo, seria necessário ter uma estrutura de servidores e se atentar para as regras de privacidade do Google Play Store e da App Store, por exemplo. Isso porque a mesma ferramenta que identifica a localização de um golpista também pode ser usada para rastrear quem não fez nada errado, o que muito provavelmente a faria ser bloqueada pelas lojas de aplicativos. No modelo atual, em que o código tem uso restrito e não serve para fins comerciais, a iniciativa não é ilegal, explica Rafael Zanatta, diretor da Data Privacy Brasil. "Seria um problema se ele tentasse monetizar, comercializar isso", afirmou. "Produziria um risco bem grande para direitos fundamentais se fosse usado por maridos abusadores, stalkers, pessoas que exploram a informação de localização". Nesse caso, o aplicativo poderia ser enquadrado na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) por realizar tratamento de dado pessoal sem base legal adequada. Isso porque, apesar de pedir consentimento, a página conta com a falta de conhecimento de quem a acessa. "Do jeito que ele criou e está operacionalizando, não há nenhum ilícito. É como uma legítima defesa, em que ele faz o golpista ceder a informação de localização para poder interromper o golpe". LEIA TAMBÉM: 'Stalking': entenda quando a perseguição na internet se torna crime 'Sangue nas mãos': o que disse funcionária da Microsoft demitida após protesto Por que câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta para o rolê dos jovens Governo começa a enviar mensagens para celulares roubados

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...