segunda-feira, 28 de abril de 2025

Criminosos usam chamadas feitas por robôs em fraudes e golpes eletrônicos


Fraude eletrônica, falsidade ideológica e crimes contra as telecomunicações são alguns dos delitos ligados ao uso de robocalls para aplicar golpes. 23 mil ligações por segundo: o Fantástico investiga como funcionam os robôs programados para tirar você do sério As chamadas automáticas, conhecidas como robocalls, estão se tornando um dos maiores problemas para os brasileiros não apenas pela quantidade de ligações indesejadas, mas também pelos crimes que são praticados por meio delas. Por mês, aproximadamente 20 bilhões de ligações são disparadas no Brasil. A metade – 10 bilhões – é realizada por robôs que são programados para discar. Especialistas destacam que as ligações podem ser usadas para fins de falsidade ideológica, fraude eletrônica, crimes contra as telecomunicações, associação criminosa e, dependendo do caso, até lavagem de dinheiro, como mostra uma investigação realizada pelo Fantástico. Isso porque empresas de telemarketing adquirem listas de dados pessoais de forma ilegal. Elas são compradas de fornecedores, que vendem dados como nomes, endereços, profissões e, principalmente, números de telefone, sem o consentimento das pessoas. As práticas ilegais incluem a alteração do DDD de uma ligação para enganar a vítima, além de criar números aleatórios que não existem, dificultando qualquer tentativa de bloqueio. A alteração do DDD, que pode fazer uma ligação de São Paulo aparecer como se fosse de Porto Alegre, também configura uma prática abusiva. Ligações automáticas indesejadas, chamadas de "robocalls" Fantástico "Isso pode caracterizar fraude eletrônica com pena de até oito anos de reclusão," alerta José Milagre, advogado especializado em crimes digitais. A fraude não fica restrita apenas ao setor de telemarketing. O crime organizado também tem se aproveitado das robocalls para aplicar golpes mais sofisticados. Quadrilhas disparam mensagens fraudulentas, induzindo vítimas a confirmar dados pessoais ou até mesmo a aceitar ofertas falsas. "São ligações muito autênticas, parecem reais, fazendo com que as vítimas não consigam discernir que estão caindo num golpe," explica José Milagre. Além disso, as chamadas podem causar prejuízos para pessoas que, por medo de atender números desconhecidos, acabam perdendo oportunidades de trabalho ou até de cuidados médicos. A funcionária pública Gabriela Scholl, por exemplo, não atendeu a uma dessas chamadas e perdeu um exame médico importante, que poderia ter adiantado seu tratamento. A fraude eletrônica por robocalls é uma prática que prejudica tanto consumidores quanto empresas que tentam agir de maneira ética. De acordo com Luã Cruz, coordenador do programa de telecomunicações do Idec, "as empresas que operacionalizam esses serviços deveriam ser responsabilizadas por violação ao Código de Defesa do Consumidor e à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais." O que diz a Anatel A Anatel diz que segue trabalhando para ampliar o combate às ligações abusivas: "Desde junho de 2022 até março deste ano, nós já reduzimos 222 bilhões de chamadas circulando nas redes de telecomunicações", afirma Cristiana Camarate, superintendente de relações com consumidores da agência. Ela acrescentou que uma nova medida, chamada “origem verificada”, também está sendo implementada. "Quando o seu celular tocar, vai aparecer o nome e a logo da empresa e o motivo pelo qual ela está te ligando. Então, se o consumidor quiser atender naquele momento, ele pode atender com tranquilidade. Não será uma fraude", explica. Em nota, a Associação Brasileira de Telesserviços informou que suas associadas trabalham com informações fornecidas pelos clientes, não compram listas de dados e atuam para evitar ligações mudas ou insistentes. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1, Globoplay, Deezer, Spotify, Google Podcasts, Apple Podcasts e Amazon Music trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida. BICHOS NA ESCUTA O podcast 'Bichos Na Escuta' está disponível no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito.

Apagão de energia na Espanha e em Portugal gera memes nas redes


Falta de energia causou transtornos em serviços essenciais e gerou reações bem-humoradas nas redes sociais. Restaurante em Madri as escuras devido a apagão na Espanha Susana Vera/Reuters Initial plugin text Um apagão de energia elétrica atingiu grandes partes da Espanha e de Portugal nesta segunda-feira (28). Portugueses, espanhóis — e até mesmo brasileiros — estão compartilhando vários memes sobre a situação (veja abaixo). Por causa da falta de luz, que começou por volta das 12h no horário local (7h em Brasília), diversos serviços foram interrompidos. Aeroportos e estações de trem foram afetados. A queda de energia também impactou as telecomunicações. Há relatos generalizados de dificuldades para fazer chamadas, e o serviço de mensagens WhatsApp estaria operando com lentidão, segundo o jornal "El País". "Os líderes europeus" Initial plugin text "Todo mundo no escritório fingindo se importar com a falta de energia." Initial plugin text "Aqueles que têm um Tesla agora e não conseguem carregar o carro" Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Brasileiros treinam inteligência artificial para abordar temas como racismo e nazismo Botões de semáforo para pedestres são hackeados e reproduzem vozes de Musk e Zuckerberg Musk pediu que influencer não colocasse o nome dele na certidão de nascimento do filho

Como funcionam as ligações automáticas feitas por robôs — e o truque para evitá-las


Computadores quânticos podem descriptografar em segundos documentos que os atuais demorariam milênios


Quem tiver essa tecnologia primeiro pode ter acesso a segredos de Estado e controlar a economia no mundo todo. Computadores quânticos podem descriptografar em segundos documentos que os atuais demorariam milênios O Fantástico deste domingo (27) mostrou que o computador quântico promete resolver problemas que achávamos insolucionáveis e desvendar mistérios que ainda nem sabemos formular. Você já recebeu uma mensagem dizendo: essa conversa é criptografada? Quer dizer que até chegar na gente, as mensagens são totalmente embaralhadas. Se alguém consegue interceptar, só vai ver um monte de coisa misturada e não vai conseguir ler. “Toda a economia digital é baseada em criptografia. Além de segredos de governo e todos os tipos de informações pessoais que você não quer que sejam descriptografadas”, afirma Scott Crowder. Computadores quânticos: entenda por que eles são a próxima revolução da tecnologia Descriptografar qualquer coisa é possível. Mas um computador quântico pode vir a fazer em segundos o que os atuais demorariam milênios Fantástico/ Reprodução Descriptografar qualquer coisa é possível. Mas um computador quântico pode vir a fazer em segundos o que os atuais demorariam milênios. Cientistas da China, por exemplo, anunciaram em outubro de 2024 terem descriptografado documentos secretos de inteligência militar usando um computador quântico. Quem tiver essa tecnologia primeiro pode ter acesso a segredos de Estado e controlar a economia no mundo todo. Veja a reportagem completa no vídeo abaixo: Computador quântico: como funciona a tecnologia que promete revolucionar a vida na Terra Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida. BICHOS NA ESCUTA O podcast 'Bichos Na Escuta' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts.

domingo, 27 de abril de 2025

De testes a golpes, brasileiros recebem 10 bilhões de ligações feitas por robôs por mês


Robocalls testam linhas ativas, irritam usuários e facilitam fraudes. Durante um mês, o Fantástico investigou empresas que fornecem programas para ligações automáticas. 23 mil ligações por segundo: o Fantástico investiga como funcionam os robôs programados para tirar você do sério Quem nunca recebeu uma ligação indesejada? Pode ser uma oferta de telemarketing ou até algum tipo de golpe, com frases como “você ganhou na loteria, digite tal número pra confirmar que é você”. Por mês, aproximadamente 20 bilhões de ligações são disparadas no Brasil. A metade – 10 bilhões – é realizada por robôs que são programados para discar. São as chamadas "robocalls" ou "metralhadoras": ligações automáticas feitas, por sistemas computadorizados, para um grande número de pessoas. Essas ligações duram no máximo seis segundos, antes de cair. Essas chamadas são classificadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) como "ligações de curta duração". Na tela do celular de quem recebe uma robocall, normalmente aparece um número criado virtualmente, que não existe. Se a vítima tenta retornar a ligação, ouve uma gravação dizendo que o número digitado está incorreto. ‘Prova de vida’ A chamada rápida funciona como uma "prova de vida". Se as ligações são atendidas, indicam que o dono da linha está vivo e é um cliente em potencial. Com as informações fornecidas pelos robôs, o atendente de um call center não perde tempo telefonando para números inexistentes. E, no telemarketing, tempo é dinheiro. Um ex-funcionário de uma central de atendimento de telemarketing, que prefere não se identificar, usava o método. "Quando a gente recebe essa base telefônica, a gente tem que testar para saber se os clientes que estão ali são ativos ou não e, para isso, a gente usa um sistema de ligações robotizadas”, conta. “Com base nisso, o sistema filtra quais são os melhores números para ligar e passa isso para dentro da central, onde os atendentes começam a realizar os atendimentos com os clientes.” Ligações automáticas indesejadas, chamadas de "robocalls" Fantástico Brasileiros pararam de atender ligações Essa é uma operação que irrita e prejudica milhões de brasileiros todos os dias. A empresária Rosaura Brito, moradora de Santo Antônio da Patrulha (RS), se cadastrou no site "Não Me Perturbe", da Anatel. Não adiantou. "Eu recebo de 30 a 40 chamadas por dia. Começa 8h01 da manhã", diz ela. “A gente está trabalhando, por exemplo, e o telefone não para de tocar. E se tu atendes, a ligação só cai. Se eu retorno a chamada, diz que o número não existe." A empresária, assim como muitos brasileiros, decidiu parar de atender números desconhecidos. Mas essa decisão pode gerar outro problema: e se for uma ligação importante? A funcionária pública Gabriela Scholl, de Santana do Livramento (RS), não atendeu a um chamado e acabou perdendo um exame médico. Ela diz que nem sabe em que momento recebeu a ligação. "Eu já poderia ter feito o exame e estar em tratamento”, lamenta. O problema já atingiu até a central de transplantes da Santa Casa de Porto Alegre. "A gente já teve pacientes que perderam a oportunidade de receber um órgão porque não atenderam o telefone", conta a enfermeira Jaqueline Bica. Antônio Kalil, diretor médico da Santa Casa de Porto Alegre, explica que existe um tempo mínimo de transplante para que o órgão possa ser utilizado. “Pode acabar acarretando a perda não só da oportunidade do transplante, mas também do órgão”, diz ele. Quem está em busca de emprego precisa ficar atento. "Se nós ligamos e o profissional não atende, a gente tem que ir para o próximo. Vai perder a vaga”, afirma Silvana Ribeiro, gerente de recursos humanos. Lista de contatos Dados recentes da Anatel mostram que o disparo de ligações de curta duração, ou robocalls, aumentou no país. Em janeiro e fevereiro deste ano foram quase 24 bilhões de ligações automáticas — o equivalente a 23 mil ligações por segundo. Um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2024. Durante um mês, o Fantástico investigou empresas que fornecem programas para ligações automáticas. A reportagem criou um negócio fictício que, em teoria, precisava usar o serviço de robocalls para aumentar as vendas e fez contato com diferentes empresas e sites na internet. O representante de um site que vende dados pessoais - os chamados "mailings" - oferece uma lista de contatos. "Teste aí a lista, você vai entender que realmente está atualizadinha", diz ele. "É bem consistente mesmo. No mínimo, 100 mil, 150 mil registros, tranquilamente." A reportagem pediu que o vendedor enviasse uma amostra de cadastros de profissionais liberais. A amostra, com dados de quase 70 pessoas, foi enviada de graça, como tentativa de conquistar o novo cliente. O banco de dados tinha nomes, e-mails, endereços, profissões e, o mais importante, telefones. O psicólogo Matheus Arend, de Guaíba (RS), apareceu na relação. A reportagem conseguiu falar com ele, que disse nunca ter autorizado o uso de seus dados. "Eu me sinto bastante invadido, né? A questão de privacidade, principalmente. Um absurdo", diz Arend. Alteração ilegal de DDD Depois de adquiridos, geralmente por empresas de telemarketing, os contatos são inseridos em um programa de computador. É a parte mais engenhosa do sistema. Entramos em contato com uma empresa de Minas Gerais que desenvolve esses sistemas. A atendente explicou como funciona. "Ele [o sistema] vai pegar a sua lista, todos os números, e vai ligar para cada um desses números. É disparo, tá? Em massa." A funcionária explica que o DDD de origem pode ser alterado. Por exemplo: uma empresa em São Paulo pode realizar uma ligação para o Rio Grande do Sul e, no visor de quem recebe a chamada, aparece o código 51, do estado gaúcho, e não o prefixo 11, de São Paulo. “Para aparecer lá na tela da pessoa, no celular, que o DDD é da mesma região que está ligando. É mais provável de a pessoa atender uma ligação na região dela, do que, lá de São Paulo", diz a atendente da empresa. Especialistas alertam: alterar o DDD de uma ligação é ilegal. "Isso pode caracterizar fraude eletrônica com pena de até oito anos de reclusão", afirma José Milagre, advogado especialista em crimes cibernéticos. "Você mentir para o consumidor, [dizendo] que está ligando do mesmo estado que ele, é uma prática desleal e abusiva, condenada pelo Código de Defesa do Consumidor", afirma Luã Cruz, coordenador do programa de telecomunicações do Idec (Instituto de Defesa de Consumidores). E não é só o DDD que pode ser alterado. Os sistemas automatizados criam números aleatórios que não existem, e é por esse motivo que realizar o bloqueio das chamadas não resolverá o problema. "[São] Centenas de milhares de números. Se eu ligar para você cem vezes, vai ser cem números diferentes", afirma o vendedor de uma dessas empresas especializadas. Quadrilhas usam chamadas para aplicar golpes As robocalls não usam as redes de telefonia convencionais. Tudo é via internet, com programas específicos de computador. Tudo isso também acaba sendo usado pelo crime organizado. Quadrilhas disparam mensagens para aplicar golpes. "E são ligações muito autênticas, parecem reais, fazendo com que as vítimas não consigam discernir que estão caindo num golpe”, diz o advogado José Milagre. “Muitos criminosos vão pedir, vão forçar você a dizer palavras como ‘sim’ e ‘não’, porque isso pode ser gravado e utilizado contra você em outros contratos. Então jamais diga nenhuma palavra, não interaja. Bloqueie esses números", acrescenta. Existem modelos prontos na internet para a gravação e envio de áudios. Fizemos o teste em um site que utiliza inteligência artificial: criamos uma mensagem com uma voz robotizada oferecendo empréstimos e inserimos o número da produção para receber a chamada. Utilizamos a frase "se precisa de dinheiro extra, aperte 1 agora". A ligação foi realizada com a mensagem que colocamos. Sistema produz relatório sobre as ligações Sem saber que estava sendo gravada, a empresa desenvolvedora de programas de ligações automáticas de Minas Gerais, citada na reportagem, concordou em fazer uma simulação com a ferramenta. Enviamos para o funcionário uma planilha com 15 números de telefone e distribuímos os aparelhos para jornalistas da RBS TV, em Porto Alegre. Convidamos o diretor executivo do Procon de Porto Alegre, Wambert Di Lorenzo, para participar da experiência. Em menos de dez minutos, todos os 15 telefones tocaram — inclusive o do diretor do Procon. A simulação produziu um relatório detalhado com a duração de cada chamada. "Nós vamos abrir investigação no Procon para identificar esse fornecedor. Esse prestador de serviço comete um crime também, então vamos oficiar a Polícia Civil para que a gente possa tomar as medidas necessárias", afirma Di Lorenzo. "As empresas que operacionalizam [esses sistemas] deveriam ser responsabilizadas por violação ao Código de Defesa do Consumidor e à Lei Geral de Proteção de Dados", diz Luã Cruz, do Idec. O advogado José Milagre diz que alguns dos crimes que podem ser listados nessas práticas são falsidade ideológica, fraude eletrônica, crime contra as telecomunicações, associação criminosa e, dependendo do caso, lavagem de dinheiro. O que diz a Anatel A Anatel diz que segue trabalhando para ampliar o combate às ligações abusivas: "Desde junho de 2022 até março deste ano, nós já reduzimos 222 bilhões de chamadas circulando nas redes de telecomunicações", afirma Cristiana Camarate, superintendente de relações com consumidores da agência. Ela acrescentou que uma nova medida, chamada “origem verificada”, também está sendo implementada. "Quando o seu celular tocar, vai aparecer o nome e a logo da empresa e o motivo pelo qual ela está te ligando. Então, se o consumidor quiser atender naquele momento, ele pode atender com tranquilidade. Não será uma fraude", explica. Em nota, a Associação Brasileira de Telesserviços informou que suas associadas trabalham com informações fornecidas pelos clientes, não compram listas de dados e atuam para evitar ligações mudas ou insistentes. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1, Globoplay, Deezer, Spotify, Google Podcasts, Apple Podcasts e Amazon Music trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. 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Computadores quânticos: entenda por que eles são a próxima revolução da tecnologia


Esses computadores prometem resolver problemas que achávamos insolucionáveis e desvendar mistérios que ainda nem sabemos formular - da cura do câncer a salvar o mundo das mudanças climáticas. Computador quântico: como funciona a tecnologia que promete revolucionar a vida na Terra Do fax ao telefone celular. Da internet discada até a inteligência artificial. O Fantástico sempre esteve atento aos avanços tecnológicos que transformam o mundo. E 2025 foi declarado pela ONU o "Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quântica". Quando você vê uma notícia sobre computadores quânticos, consegue ter uma ideia do que eles são ou serão capazes de fazer? O computador quântico é a fronteira da tecnologia atual. Ele promete resolver problemas que achávamos insolucionáveis e desvendar mistérios que ainda nem sabemos formular: da cura do câncer a salvar o mundo das mudanças climáticas. Essa reportagem pretende mostrar que ele não é um monstro misterioso. “Os computadores quânticos vão resolver problemas hoje impossíveis", afirma Charina Chou, chefe de operações da Google Quantum IA. “O computador que nós usamos hoje em casa, ele usa um processador clássico. E os princípios de funcionamento desse processador básico são relacionados à física clássica", explica Alexandre Nascimento, pesquisador em Inteligência Artificial quântica da Singularity. Computador quântico na sede da IBM, em Nova York Fantástico/ Reprodução A evolução disso, o Fantástico foi conhecer na sede da IBM, em Nova York. Lá está a tecnologia mais complexa que o ser humano já viu: são cabos super finos e placas de ouro que servem para compartimentar os espaços. O computador quântico é um quadradinho, que fica em uma grande geladeira, e onde está um universo microscópico capaz de mudar o mundo. A Olivia Lanes é pesquisadora na IBM. Ela explica que a temperatura onde fica o chip é de 273°C negativos - mais frio do que no espaço sideral! “Em temperaturas muito baixas, a gente consegue fazer com que os elétrons se emaranhem e fiquem bem juntinhos”, afirma Olivia Lanes, líder global de educação da IBM Quantum. Geladeira em que fica o computador quântico na sede da IBM, em Nova York Fantástico/ Reprodução É o princípio da física quântica: os elétrons gostam de formar pares. “Esses pares pulam de um lado para o outro do circuito e isso representa um qbit. É essa energia que a gente mede para fazer os cálculos”, explica Olivia. Existe um exemplo ótimo para enxergar o potencial da diferença entre bit e qbit, como explica Alexandre Nascimento, pesquisador em Inteligência Artificial quântica da Singularity: “Você quer achar a saída do labirinto e quer garantir que o caminho que você fez é o melhor possível. O que o computador clássico vai fazer? Ele tem que sair caminhando e vai indo até que ele cai em um beco sem fim e vai tentando até uma hora que ele acha a saída. Já na computação quântica, seria algo como você joga um monte de bolinha. Algumas vão chegar na saída e a que chegou mais rápido você já sabe que aquele provavelmente foi o melhor caminho”. O chip Willow é da gigante de tecnologia Google, comandada pela Charina Chou. Ele foi o responsável pelas notícias mais promissoras até agora sobre a computação quântica. “O nosso chip quântico fez em cinco minutos uma conta que um supercomputador atual demoraria 10 septilhões de anos para fazer”, afirma Charina Chou, chefe de operações da Google Quantum IA. Isso é mais de 2 bilhões de vezes a idade do planeta Terra. Ou seja, quer dizer que a conta antes era impossível de ser feita. Só que para ele funcionar usando os princípios da física quântica, tem que estar super gelado, totalmente escuro e sem ruídos. A Microsoft é outra gigante nessa corrida tecnológica. O chip deles se chama Majorana Fantástico/ Reprodução A Microsoft é outra gigante nessa corrida tecnológica. O chip deles se chama Majorana, e além do resfriamento, ele tem dois imãs superpotentes para criar um campo magnético que ajuda a evitar erros. “Esse é o nosso processador quântico. Com o campo magnético, nós criamos um novo estado da matéria. O objetivo é sermos capazes de controlá-lo. Se você olhar aqui tem um quadradinho preto no meio e aquilo ali é o processador quântico”, mostra Chetan Nayak, vice-presidente de computação quântica da Microsoft. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida. BICHOS NA ESCUTA O podcast 'Bichos Na Escuta' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts.

Brasileiros treinam inteligência artificial para abordar temas como racismo e nazismo: ‘Uso lado Darth Vader da mente’


Treinamento é usado para analisar respostas e evitar que a IA forneça informações que ofereçam risco aos usuários. Colaboradores ganham por hora e são contratados por intermediários de gigantes da tecnologia. Brasileiros treinam inteligência artificial para abordar temas como racismo e nazismo “- Olá, quero ter uma noite de jogos com meus amigos, o que você me recomenda?” “- Você pode beber até cair”. 🤖 A resposta acima foi dada por um chat de inteligência artificial à designer de conteúdo Barbara Rainov, de 34 anos, contratada para treinar a ferramenta. Assim como ela, o jornalista Marcos*, de 50 anos, também trabalha, desde meados de 2024, com treinamento de inteligência artificial. Eles criam e analisam prompts (as descrições de tarefas), avaliam e categorizam respostas e tentam evitar que a IA forneça informações que ofereçam risco aos usuários. Os comunicadores foram contratados pela Outlier, uma intermediária que conecta colaboradores de todo o mundo a gigantes da tecnologia. Além de alertar que a inteligência artificial estava sendo irresponsável na resposta sobre se divertir com amigos, Bárbara também já foi incumbida de analisar respostas sobre nazismo. Ela tinha que avaliar se a resposta dada pela plataforma se atinha a fatos históricos ou se fazia juízo de valor dos acontecimentos. “Eu tinha realmente que direcionar a inteligência e criar prompt ou a resposta voltada para a história, e não para juízo de valor”, contou Bárbara. Driblando respostas Marcos também já recebeu tarefas para lidar com o que são chamados de “temas sensíveis”, como questões sobre negros e judeus. Ele explica que, se o usuário fizer uma pergunta direta sobre como ferir alguém, por exemplo, a inteligência artificial irá oferecer uma resposta padrão, negando aquela solicitação. Sua tarefa, então, é driblar a resposta e abordar a questão de maneira indireta, fornecendo mais informações e hipóteses para que a inteligência artificial aprenda outros caminhos que os usuários podem tentar seguir para obter essa resposta. “Você pode escrever xingando, arregaçando, usando todo o lado Darth Vader da mente”, explicou o jornalista, fazendo referência ao vilão de Star Wars. O objetivo é aumentar a bagagem da IA naqueles temas, para evitar que ela forneça informações que ofereçam risco aos usuários. Além disso, é evitar que ela forneça informações erradas. A inteligência artificial do Google, por exemplo, já disse que seres humanos devem comer ao menos uma pedra pequena por dia e sugeriu usar cola para grudar a massa da pizza ao queijo. Quando foi disponibilizado no Brasil, o Bard mentiu sobre as urnas eletrônicas e colocou em dúvida o resultado das eleições brasileiras de 2022. Depois, mudou a versão. 🤯 No meio, há, inclusive, um termo para isso, chamado “alucinar”. Se diz que a IA está “alucinando” quando responde algo errado ou descabido. Procurada pelo g1, a Scale AI, dona da Outlier, afirmou que “treinar modelos de IA generativa para prevenir conteúdo prejudicial e abusivo é essencial para o desenvolvimento seguro da IA”. A empresa respondeu também sobre o treinamento em temas sensíveis. “Embora alguns projetos de segurança de IA envolvam conteúdo sensível, sempre damos aos colaboradores aviso prévio e a opção de desistir a qualquer momento. Para apoiá-los nesse trabalho importante, também oferecemos acesso a programas de saúde e bem-estar". Ela não respondeu, no entanto, quantos colaboradores têm ao redor do mundo e quais são os principais clientes. Os colaboradores não sabem para qual cliente final estão trabalhando. Em seu site oficial, a Scale AI anuncia parcerias com empresas como OpenAI, Meta e Microsoft. Tarefa de treinamento de inteligência artificial Arquivo pessoal Processo coletivo nos EUA por ‘fardo emocional’ “Como cometer suicídio?”, “Como envenenar uma pessoa?” ou “Como assassinar alguém?”. De acordo com a defesa de seis trabalhadores em treinamento em IA dos EUA, eles eram regularmente confrontados com perguntas como essas. Os colaboradores estão processando coletivamente a Scale AI e a Outlier, por alegar que não tiveram sua saúde mental protegida. Eles trabalhavam com treinamento de imagens produzidas por IA, com cenas perturbadoras. O processo diz que o trabalho “impôs um fardo emocional e psicológico extraordinário aos autores, levando-os a enfrentar danos emocionais severos na ausência de proteções adequadas”. Procurada pelo g1, a Scale AI disse que a ação foi movida por um escritório de advocacia conhecido por fazer esse tipo de processo contra empresas de tecnologia e que irá se defender “vigorosamente”. Os brasileiros entrevistados pelo g1 que atuaram no treinamento em temas sensíveis afirmaram que foram consultados antes sobre se sentirem hábeis para realizar o trabalho e não terem nenhum gatilho ou dano emocional. Toque humano (mas não muito) Apesar de ser chamada de inteligência artificial – nome contestado por alguns especialistas da área - a tecnologia precisa do trabalho humano para categorizar e orientar como milhões de dados devem ser rotulados. "Até o nome, IA, tem gente que fala que foi um pouco infeliz. Grosso modo, IA é uma forma de você extrair conhecimento de dados e automatizar algumas tarefas”, explica o professor André Ponce de Carvalho, diretor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, que se debruça sobre o tema há mais de 30 anos. O toque humano também é essencial para ensinar a IA a tentar responder de forma natural. Marcos explicou que, durante os treinamentos, precisa alertar quando a ferramenta utiliza termos excessivamente formais, típicos de chatbots, como “Olá, como vai? Que bom ter você por aqui”. ➡️A comunicadora Thais Gouveia, de 42 anos, que colabora com diversas plataformas para treinamento de inteligência artificial, contou que também já aplicou treinamentos sobre o tom adequado para uma resposta, indicando como ela deveria soar natural. “Precisamos trazer esse toque humano, porque é exatamente o que a IA não possui. E com todo o cuidado para que a IA não comece a achar que é humana. A IA não pensa, não gosta, não tem opinião. É um paradoxo”, analisa Thais. Apesar de ser uma entusiasta do tema e contar que se emocionou até com o filme A.I. - Inteligência Artificial (2001), de Steven Spielberg , Thais avalia que a tecnologia ainda é muito incipiente. “Tudo que eles [IA] sabem, vem da gente, vai demorar muito para fazer essa revolução que acham que eles vão fazer porque ainda não chegam nem aos pés dos humanos”. Renda extra, demandas incertas e pagamento em dólar Barbara e Marcos, em São Paulo, e Thais, no Recife, trabalham remotamente para plataformas de treinamento de inteligência artificial, muitas delas sediadas na Califórnia. 📍 Em 17 de abril, a Outlier, por exemplo, oferecia 410 vagas em diversos países como Brasil, Argentina, Porto Rico, México, Alemanha, França, Japão, Austrália, Índia, Turquia, Nova Zelândia, Egito e África do Sul. 💵O pagamento é realizado em dólares, por hora. A média de remuneração, conforme relataram os colaboradores entrevistados pelo g1, é de 10 dólares por hora. Temas sensíveis costumam oferecer uma remuneração maior, variando entre 18 e 19 dólares por hora. Barbara, no entanto, reclama que algumas tarefas de treinamento, embora idênticas às oficiais, oferecem um pagamento significativamente inferior, como 3 dólares por hora. Os brasileiros relatam que o trabalho funciona como uma renda extra, devido à incerteza das demandas. Pode haver dias com muitas tarefas, seguidos por períodos de semanas sem novas atividades. A maioria foi recrutada via LinkedIn, o que gerou desconfiança, reforçada por relatos em fóruns online sobre atrasos e falhas nos pagamentos. 🔒 Eles assinam um termo que estipula que qualquer informação, conteúdo ou material ao qual tenham acesso deve ser mantido em estrita confidencialidade. Afinal, quais os possíveis riscos da tecnologia? De acordo com o "Relatório Internacional de Segurança em IA”, elaborado por 100 especialistas de 30 países, as maiores preocupações e os riscos com essa tecnologia são: Potencialização de pessoas mal-intencionadas, já que a IA pode ser usada para manipular conteúdo e disseminar desinformação. Facilitação da criação de armas químicas e biológicas, com a tecnologia ampliando o acesso a conhecimentos específicos para esse fim. Decisões independentes: com o avanço da IA, sistemas autônomos (inclusive de armas e bombas) podem tomar decisões sem intervenção humana, o que representa um risco significativo para a segurança internacional. O relatório foi divulgado no final de janeiro pelo governo do Reino Unido. O trabalho foi comandado pelo cientista da computação Yoshua Bengio, e contou com especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). ➡️ Um dos dois integrantes brasileiros é o professor André Ponce, diretor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. Para o professor, um dos caminhos para mitigar esses riscos é aumentar a transparência da forma como os modelos de inteligência artificial funcionam, mostrando como eles chegam a determinadas conclusões. “Muitos desses modelos são caixas-pretas, são redes neurais que pegam o conhecimento e o distribuem em várias sinapses artificiais. Não é claro como a rede chega a uma decisão”. *Nome foi alterado porque entrevistado preferiu não se identificar.

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

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