terça-feira, 29 de abril de 2025

Atendeu e a ligação caiu? Saiba como robôs usam chamadas como 'provas de vida'


As chamadas automáticas, conhecidas como robocalls, são disparadas por sistemas computadorizados e têm como principal objetivo atingir o maior número possível de pessoas em um curto intervalo de tempo. Robocalls: entenda como as chamadas indesejadas funcionam como 'provas de vida' Quem nunca recebeu uma ligação indesejada? Uma oferta de telemarketing, um aviso falso de que você ganhou na loteria ou, pior ainda, um golpe. Essas chamadas têm se tornado cada vez mais comuns no Brasil, onde, por mês, aproximadamente 20 bilhões de ligações são feitas, sendo 10 bilhões delas realizadas por robôs. As chamadas automáticas, conhecidas como robocalls, são disparadas por sistemas computadorizados e têm como principal objetivo atingir o maior número possível de pessoas em um curto intervalo de tempo. Elas duram, em média, apenas seis segundos, tempo suficiente para identificar se a linha está ativa. Para os consumidores, o efeito é irritante, já que muitas vezes, ao atender, a ligação simplesmente cai. "Eu não sei qual é a finalidade disso", diz um morador, refletindo o desconforto de muitos. O fato de a ligação cair é, na verdade, uma técnica chamada "prova de vida". "Se a ligação é atendida, isso indica que o dono da linha está vivo e ativo", explica Cristiana Camarate, superintendente de Relações com Consumidores da Anatel. Isso permite que os robôs filtrem números válidos para que as empresas possam direcionar suas estratégias de marketing para consumidores ativos. A prática é amplamente utilizada por centrais de telemarketing para reduzir o tempo gasto com chamadas que não levariam a resultados. "Quando a gente recebe essa base telefônica, a gente tem que testar para saber se os clientes estão ativos", conta um ex-funcionário de call center. Ele revela que, a partir desse filtro, os atendentes passam a ligar apenas para números "ativos". Ligações automáticas indesejadas, chamadas de "robocalls" Fantástico A empresária Rosaura Brito, de Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul, recebe entre 30 a 40 chamadas por dia. Mesmo tendo se cadastrado no site "Não Me Perturbe" da Anatel, ela continua sendo bombardeada por essas ligações automáticas. "Eu estou trabalhando, e o telefone não para de tocar", conta. Rosaura se vê obrigada a não atender números desconhecidos, mas isso pode resultar em problemas, como o ocorrido com Gabriela Scholl, funcionária pública de Santana do Livramento, que perdeu a oportunidade de fazer um exame médico porque não atendeu a uma dessas chamadas. Essas chamadas também afetam serviços essenciais, como hospitais. "Já tivemos pacientes que perderam o transplante porque não atenderam o telefone", relata Jaqueline Bica, enfermeira da Santa Casa, no Rio Grande do Sul. No setor de recursos humanos, Silvana Ribeiro, gerente de RH, alerta que candidatos que não atendem às chamadas podem perder vagas de emprego. Em janeiro e fevereiro deste ano, o Brasil registrou cerca de 24 bilhões de robocalls, um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2024. Esse fenômeno vem gerando uma série de problemas para os brasileiros. Enquanto isso, a Anatel segue combatendo as ligações abusivas. Desde 2022, a agência reduziu 222 bilhões de chamadas circulando nas redes de telecomunicações e implementa novas medidas como o sistema "Origem Verificada", que permitirá ao consumidor ver a identidade da empresa antes de atender a ligação. Entretanto, a prática não se limita ao telemarketing. Quadrilhas do crime organizado também se aproveitam dessas tecnologias para aplicar golpes. Especialistas alertam que os criminosos frequentemente gravam palavras como "sim" ou "não" durante a conversa, que podem ser usadas para fraudar contratos. Investigações realizadas pelo Fantástico também revelaram que empresas de telemarketing frequentemente compram listas com dados pessoais, incluindo números de telefone, e os utilizam para disparar essas ligações automáticas. "Eu me sinto invadido, é um absurdo", afirmou Matheus Arend, psicólogo de Guaíba, no Rio Grande do Sul, cujo número apareceu em uma dessas listas. Além de ilegal, a prática de alterar o DDD das ligações para fazê-las parecerem locais também é comum e é considerada uma fraude. Isso é feito para aumentar a probabilidade de o consumidor atender à chamada, sem saber que está lidando com um sistema automatizado. Empresas de telemarketing e especialistas em crimes cibernéticos alertam que a utilização desses sistemas é passível de punição. José Milagre, advogado especializado em crimes digitais, destaca que, dependendo do caso, as empresas podem ser acusadas de falsidade ideológica, fraude eletrônica e até mesmo associação criminosa. "São ligações muito autênticas, parecem reais, fazendo com que as vítimas não consigam discernir que elas estão caindo num golpe", explica. "É importante destacar que muitos criminosos vão pedir, vão forçar você a dizer palavras como sim e não, porque isso pode ficar gravado e ser utilizado contra você em outros contratos. Então jamais diga nenhuma palavra, não interaja, bloqueie esses números". Em resposta ao aumento das robocalls, a Anatel afirma que está intensificando o combate a essas práticas. A previsão é que, com o sistema "Origem Verificada", os consumidores consigam identificar as chamadas legítimas, dando-lhes mais segurança e controle sobre as ligações que recebem. Para aqueles que continuam sendo incomodados por essas chamadas, a recomendação é clara: bloquear os números desconhecidos e não interagir com elas. No entanto, a falta de uma solução definitiva e a continuidade das chamadas automáticas geram frustração para milhões de brasileiros que, cada vez mais, esperam um pouco de sossego. Veja a reportagem completa no vídeo abaixo: 23 mil ligações por segundo: o Fantástico investiga como funcionam os robôs programados para tirar você do sério Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1, Globoplay, Deezer, Spotify, Google Podcasts, Apple Podcasts e Amazon Music trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. 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segunda-feira, 28 de abril de 2025

'Machosfera' brasileira: canais misóginos do YouTube transformam ódio em lucro com anúncios, doações e vendas online


Influenciadores da machosfera movimentam milhares de reais na plataforma com conteúdo que promove ódio contra as mulheres, segundo pesquisa realizada pelo NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) . YouTube Rashidul Islam/Unsplash Quando criou o blog Escreva Lola Escreva, em 2008, a professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e blogueira feminista não imaginava que dar visibilidade a casos de machismo e misoginia a colocaria no centro de uma campanha sistemática de ódio online. Muito menos que, anos depois, esse mesmo discurso violento se tornaria altamente lucrativo. "Desde a primeira semana de blog tinha comentários misóginos, mas não necessariamente ameaças", relata Lola, que criou seu blog para ter liberdade editorial para falar sobre feminismo, cinema, literatura, política, entre outros temas. "Em 2010, chegou até mim um link para sites masculinistas e comunidades no Orkut. Comecei a entrar e vi que eles já falavam sobre mim enquanto eu nem sabia da existência deles." Com o avanço da internet, esses grupos masculinistas ampliaram e diversificaram o discurso de ódio contra as mulheres e conquistaram legiões de seguidores. Hoje, conseguem monetizar vídeos e transformam a misoginia em um negócio rentável, movimentando milhares de reais com conteúdos que pregam o controle sobre mulheres, deslegitimam o feminismo e reforçam estereótipos de gênero. Atualmente, 137 canais no YouTube no Brasil publicam conteúdo explicitamente misógino, somando mais de 105 mil vídeos e cerca de 152 mil inscritos. Pesquisa identifica 137 canais com conteúdo misógino no YouTube no Brasil Os dados são de uma pesquisa realizada pelo NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para o Ministério das Mulheres. Ela foi divulgada em dezembro do ano passado. A pesquisa mapeou a chamada "machosfera" e descobriu que cerca de 80% desses canais adotam pelo menos uma estratégia de monetização, que incluem anúncios, doações em transmissões ao vivo, assinaturas e venda de serviços e produtos. "A machosfera se divide em subculturas com diferentes níveis de misoginia, como os red pills, incels e até nomes menos conhecidos, como os ‘pick-up artists', que ensinam técnicas de manipulação para conquistar mulheres e reforçam estereótipos de gênero", diz Débora Salles, coordenadora do NetLab da UFRJ. "Observamos que o ódio contra as mulheres se transformou num negócio rentável, não só para esses canais, mas principalmente para as plataformas. Nesse caso, para o YouTube." 'Adolescência': como surgiu a sinistra 'machosfera' retratada pela série O mercado da misoginia Entre as estratégias para monetizar, a mais comum entre os canais analisados é a exibição de anúncios no YouTube: 52% deles exibem ao menos um vídeo com publicidade. Em seguida, está o Programa de Membros da plataforma – ferramenta que permite ao público pagar uma assinatura mensal em troca de conteúdos exclusivos –, adotado por 28% dos canais misóginos. As assinaturas podem custar de R$12,50 a R$ 149 por mês, segundo a pesquisa. No entanto, uma das formas mais lucrativas de monetização são os Super chats – doações feitas por espectadores durante transmissões ao vivo. Em 257 lives de oito canais, o estudo identificou uma arrecadação total que supera R$ 68 mil, com uma média de R$ 267 por transmissão. Além das ferramentas da plataforma, 28% dos canais analisados também vendem cursos, produtos e serviços ou recebem doações por Pix. Em alguns casos, influenciadores chegam a cobrar R$ 1 mil por consultas individuais que abordam desde "treinamento emocional" até conteúdos que naturalizam violência psicológica e humilhação. No caso da venda de e-books anunciados, os preços ofertados variam entre R$ 17,90 e R$ 397. "Atualmente, as redes sociais são baseadas em uma economia da atenção que premia conteúdos sensacionalistas e divisivos", diz Mariana Valente, professora da Universidade de St.Gallen e diretora do InternetLab, centro independente de pesquisa focado em internet e direitos humanos. "Isso faz com que a plataforma não tenha interesse em controlar e eliminar esses conteúdos." ‘Machosfera’: o que prega o movimento machista que cresce nas redes sociais Machosfera: o que é o movimento machista das redes sociais que virou caso de polícia Políticas de proteção falhas O YouTube proíbe, segundo suas diretrizes de uso, conteúdos que promovam violência ou discurso de ódio com base em sexo, gênero ou orientação sexual. As regras se aplicam a vídeos, transmissões ao vivo, comentários e até links externos. A empresa afirma que, ao identificar esse tipo de conteúdo – inclusive por meio de denúncias –, ele é removido. Na prática, a eficácia dessas políticas tem se mostrado limitada. A pesquisa aponta que os produtores de conteúdo da machosfera empregam diversas estratégias para fugir da moderação do YouTube, como uma linguagem própria para mascarar o caráter misógino das mensagens. "Percebemos que as plataformas e, mais especificamente, o YouTube, não estão conseguindo dar conta desse problema", afirma Salles. "Quem tem o poder de tirar esse conteúdo do ar é a plataforma, mas ela faz isso sem cumprir regras transparentes sobre quem pode ficar e por que fica, ou quem sai e por que sai." A blogueira feminista Lola viveu essa ambiguidade em 2018, quando tentou criar um canal no YouTube e descobriu que estava banida — apesar de nunca ter publicado vídeos nem infringido regras nos poucos comentários que havia feito na plataforma. Professora Lola Aronovich Arquivo pessoal "Suspeito que meu nome tenha sido usado por grupos masculinistas para comentários de ódio até que eu estivesse banida", conta Lola. "Criei outro canal com um novo e-mail, que também foi removido no ano passado após denúncias dos masculinistas. Hoje, não posso ter nenhum tipo de remuneração lá." "É revoltante, porque eu não conheço quase nenhuma feminista que ganha dinheiro no YouTube, mas antifeminista é o que mais tem, e eles ganham muito dinheiro com isso", completa a blogueira. Procurada, a assessoria do YouTube não respondeu até a publicação deste texto. Problema além do digital Segundo especialistas, a cultura da machosfera ajudou a criar um ambiente tóxico para as mulheres nas redes sociais, especialmente aquelas com algum tipo de atuação pública – como políticas, jornalistas e influenciadoras digitais. Elas são constantemente hostilizadas e têm as vidas diretamente afetadas. A criadora de conteúdo Ana Schreder diz que passou a ser alvo constante de ataques desde que viralizou no TikTok rebatendo comentários da comunidade red pill. Embora tenha mudado o foco dos vídeos para temas como autoconhecimento e bem-estar, a violência persistiu. "Eles se incomodam absurdamente com o meu jeito de ser. Só o fato de eu estar na internet, sendo mulher, falando da minha vida, da minha autoestima, sem tentar agradar a homens, já é motivo para ataques", afirma Schreder. "Pegam vídeos meus do TikTok, publicam no X (antigo Twitter), fazem reações no YouTube, e os comentários são nojentos." Além de conteúdo com misoginia disfarçada, a pesquisa também encontrou vídeos que encorajam, relativizam ou justificam abusos e violências contra mulheres, utilizando argumentos que culpabilizam as vítimas ou normalizam comportamentos violentos. "Meninos muito jovens têm acesso a esses conteúdos e vão naturalizando piadas que vão desde ‘lugar de mulher é na cozinha' até um comentário de ‘se sua namorada te desagrada, você dá um tapão na cara dela'", ressalta a diretora do InternetLab. Segundo a pesquisa, o número de vídeos da machosfera no YouTube aumentou significativamente desde 2022, com 88% publicados nos últimos três anos. No mesmo período, os dados de violência contra mulheres também aumentaram. Entre 2021 e 2023, o número de feminicídios subiu de 1.347 para 1.463, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Casos de violência doméstica e familiar também cresceram quase 10% entre 2022 e 2023. Embora a pesquisa não estabeleça uma relação direta entre o crescimento desses discursos e o aumento da violência, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, afirmou à reportagem que o ódio contra as mulheres disseminado nas redes repercute no país inteiro. "Esse tipo de discurso termina por autorizar a violência que tem crescido contra meninas, adolescentes e mulheres idosas no Brasil", afirma Gonçalves. "Estamos vivendo um momento muito complicado e, para o governo federal, uma regulação mínima das plataformas é estratégica. Para o Ministério das Mulheres, essa regulação é fundamental para que as mulheres não vivam nessa situação constante de violência." Discord: o que é a rede social usada para cometer crimes contra adolescentes? Desafio da regulação Ao longo dos anos, à medida que o blog de Lola Aronovich se consolidava como uma das principais referências do movimento feminista no Brasil, os ataques misóginos e a perseguição por parte de grupos masculinistas também se intensificavam. As agressões incluíam ameaças diretas e até a criação de sites com o objetivo de difamar sua imagem. Lola afirma que ainda recebe ameaças diretas com frequência. "Todo final de ano eles me ligam para dizer que vai ser meu último Natal e Ano Novo viva. Muita gente me pergunta como lido com isso e, infelizmente, a gente se acostuma. É horrível dizer isso, porque não deveríamos ter que nos acostumar, mas é verdade." O ativismo de Lola e suas denúncias ao longo dos anos resultaram, em 2018, na aprovação da chamada Lei Lola – a primeira legislação brasileira a incluir o termo misoginia, e que atribui à Polícia Federal a responsabilidade de investigar a disseminação de conteúdos de ódio contra mulheres na internet. No entanto, cerca de sete anos após a criação, a blogueira afirma que a lei ainda não foi devidamente implementada. "Desde que a lei foi criada, tentamos marcar uma reunião com a direção da Polícia Federal para discutir questões básicas, como a criação de um canal específico de denúncias e os critérios de aplicação da lei, mas até hoje não conseguimos avançar." Especialistas destacam que a falta de regulamentação eficaz da internet, somada à não aplicação das leis existentes, permite que conteúdos misóginos sigam circulando e gerando lucro. Sem regulação, as plataformas não são obrigadas a removê-los. Segundo Mariana Valente, o Marco Civil da Internet, aprovado em 2014, foi um passo importante ao estabelecer diretrizes para responsabilizar provedores em casos específicos, como a divulgação não consensual de imagens íntimas. No entanto, ela ressalta que a legislação ainda é insuficiente para enfrentar o conjunto de violências digitais com base em gênero. Segundo especialistas, a regulação não pode ser vista como solução única e precisa estar atrelada a um conjunto de políticas públicas que envolvam diferentes áreas, como educação, saúde, segurança e justiça. "Isso tem que ser adotado como um objetivo por muitos atores sociais", afirma Valente.

'Me assustei com os comentários', diz influenciadora que viralizou ao simular parto de uma bebê reborn


Postado originalmente em 2022, o vídeo de Carolina Rossi simulando o nascimento de uma boneca voltou a ganhar repercussão nas redes sociais após um encontro de 'mães' de bebê reborn em São Paulo. Influenciadora Carolina Rossi, também conhecida como 'Sweet Carol', realizando um 'parto' da boneca bebê reborn Reprodução/Instagram Um vídeo da influenciadora Carolina Rossi, também conhecida como "Sweet Carol", simulando o "parto" de uma bebê reborn viralizou nas redes sociais, gerando críticas e memes, especialmente no X. Bebê reborn é o nome dado a bonecas feitas para parecerem bebês de verdade. Por serem mais realistas, esses modelos costumam ser bem mais caros que bonecas convencionais. Na internet, é possível encontrar versões que custam cerca de R$ 400, mas algumas chegam a quase R$ 1.300. O g1 verificou que o vídeo de Carolina foi publicado originalmente em 2022 no TikTok, onde ultrapassou 115 milhões de visualizações. A gravação foi repostada na última semana no Instagram, onde acumulava 4 milhões de visualizações até a manhã desta segunda-feira (28). Em entrevista ao g1, Carolina confirmou que o vídeo é antigo e que voltou a viralizar após um encontro de mulheres com suas bebês reborns, realizado neste mês no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Ela explicou que, no post, compartilhou apenas um trecho de segundos do "parto", e que o vídeo completo, que traz mais detalhes do processo de dar à luz, foi postado no YouTube. Initial plugin text No vídeo da influenciadora, a boneca aparece dentro de uma espécie de bolsa amniótica e com um "cordão umbilical". Carolina rasga a bolsa, remove o líquido e retira a boneca. "É assim que nasce uma bebê reborn", diz a legenda da postagem feita no último sábado (26). "Me assustei com a repercussão depois de ver a quantidade de comentários e algumas páginas de fofoca mostrando o vídeo. Muita gente veio criticar sem nem me conhecer, dizendo que eu preciso ser internada. Muitos também acham que eu sou colecionadora de bebê reborn, mas não sou", disse a influenciadora. Ela afirma trabalhar com conteúdo ASMR, sigla em inglês para Autonomous Sensory Meridian Response, que pode ser traduzida como resposta sensorial autônoma dos meridianos. Vídeos de ASMR normalmente mostram ações consideradas satisfatórias pelos usuários, que podem ser apreciadas visualmente ou por meio do áudio. "Dentro do segmento de ASMR, existe algo chamado roleplay, em que a gente interpreta personagens e profissões, por exemplo. Eu posso ser professora, médica ou contadora de histórias. Em 2022, interpretei uma obstetra usando uma bebê reborn, e acabou viralizando", conta Carolina. Nos comentários, muita gente criticou o "parto" da boneca. "Saudades de quando nunca tinha assistido um parto de bebê reborn", comentou uma pessoa. "Estou traumatizada", disse outra. "Triste é saber que perdi esses 50 segundos pra sempre [assistindo ao vídeo]", enfatizou outra. Também teve quem brincasse com a aparência da bebê reborn. "A bebê já nasceu cansada. Olha a cara dela de 'eu quero um pingado e um cigarro'". "O neném já veio com cara de desconfiado", comentou outra pessoa. Repercussão sobre bebê reborn no X Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text sverificou que o vídeo de Carolina foi publicado originalmente em 2022 no TikTok, onde ultrapassou 115 milhões de visualizações. A gravação foi repostada na últimasno Instagram, onde acumulava 4 milhões de visualizações até a manhã desta segunda-feira (28). 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta Brasileiros treinam inteligência artificial para abordar temas como racismo e nazismo Cursos de 'IA do job' prometem dinheiro e ensinam a usar fotos de modelos sem autorização

Amazon planeja lançar hoje 27 satélites de internet para competir com Starlink


Missão Kuiper Atlas 1 deve decolar às 20h, na Flórida, e marca a entrada da empresa de Jeff Bezos na disputa com a rede de satélites de Elon Musk. Foguete Atlas V da United Launch Alliance (ULA) que planeja levar os primeiros satélites de internet da Amazon para o espaço. Divulgação/ United Launch Alliance A Amazon deve lançar nesta segunda-feira (28) seus primeiros satélites do Projeto Kuiper, que promete competir com a Starlink, rede de internet via satélite da SpaceX, de Elon Musk. Batizada de Kuiper Atlas 1, a missão está prevista para decolar às 20h em Brasília, da estação espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. Os 27 satélites desta primeira fase do projeto serão acoplados a um foguete Atlas V da empresa United Launch Alliance (ULA). O serviço de internet da Amazon que quer competir com empresa de Elon Musk A previsão é de 75% de condições meteorológicas favoráveis para o lançamento, que já foi adiado anteriormente devido ao mau tempo. O Projeto Kuiper, subsidiária da Amazon, chega com anos de atraso em relação à Starlink, que desde 2019 ampliou sua presença global e hoje conta com mais de 6.750 satélites ativos, atendendo mais de cinco milhões de clientes. A rede da SpaceX também tem sido usada para garantir acesso à internet em zonas de guerra e desastres naturais, como na Ucrânia e no Marrocos. Jeff Bezos investiu US$ 10 bilhões (cerca de R$ 56,7 bilhões) no Kuiper. A empresa pretende colocar 3.200 satélites na órbita terrestre baixa — até 1.900 km de altitude — e iniciar a operação até o fim de 2025. O preço do serviço ainda não foi divulgado, mas a Amazon promete uma opção de baixo custo. A Amazon planeja acelerar os lançamentos nos próximos meses e anos, com mais de 80 voos reservados por meio da United Launch Alliance (uma joint venture formada pelas empresas aeroespaciais americanas Boeing e Lockheed Martin), a francesa Arianespace, a Blue Origin, do próprio Bezos, e a SpaceX. Os satélites do Kuiper se juntam à crescente constelação de dispositivos em operação na órbita baixa, junto com a Starlink, a europeia OneWeb e a chinesa Guowang. Veja mais: O que é e como funciona a Starlink, serviço de internet de Elon Musk Katy Perry no espaço: Blue Origin divulga imagem da tripulação no espaço

Ligações automáticas: entenda por que o 'Não Me Perturbe' é incapaz de conter robôs


Nem todas as empresas aderiram à plataforma que bloqueia chamadas abusivas, e outras conseguem burlar os filtros da Anatel, dizem especialistas. 'Não Me Perturbe' não funciona? Por que pessoas recebem ligações de telemarketing Desde 2019, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e as operadoras de telecomunicações disponibiliza a plataforma "Não Me Perturbe", que dá aos usuários a opção de bloquear chamadas abusivas de telemarketing. Ainda assim, muitos brasileiros continuam a ser incomodados por ligações excessivas. Essas chamadas incluem as "robocalls" — aquelas em que o telefone toca, a pessoa atende, mas ninguém fala e a ligação cai. Uma reportagem do Fantástico investigou empresas que fornecem programas para ligações automáticas e mostrou como funciona esse mercado que irrita e prejudica os brasileiros, com testes de "provas de vida" e até a aplicação de golpes. Nesse contexto, o "Não Me Perturbe" poderia amenizar o problema, mas a plataforma se mostra limitada na hora de conter as ligações. ➡️ Por que isso acontece? Três especialistas em telecomunicações explicaram ao g1 que apenas os maiores bancos e empresas de telecomunicações aderiram ao programa da Anatel. Segundo eles, empresas de vendas, marketing e até golpistas ignoram o cadastro no "Não Me Perturbe". E eles ainda evitam possíveis punições da Anatel ao falsificar o número e o endereço que aparecem no identificador de chamadas. Essa prática é chamada de spoofing, explica Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks. "O 'Não Me Perturbe' é eficiente na aplicação para as operadoras tradicionais de telecomunicações brasileiras, e também para os call centers brasileiros sérios e de grande porte, mas há caminhos alternativos que vêm de fora e acabam pulando esses filtros", explica Luciano Saboia, diretor de telecomunicações da consultoria IDC. Plataforma "Não Me Perturbe" ajuda bloquear ligações indesejadas Reprodução Ao g1, a Anatel disse que o cumprimento das medidas pelas empresas é constantemente monitorado, seja por meio do envio de dados periódicos sobre tráfego e bloqueios, seja por fiscalizações específicas. O órgão também mencionou um Despacho Decisório de 2024, no qual foi implementado um sistema para que as prestadoras de telefonia informem a origem das chamadas indesejadas. Segundo eles, as prestadoras de telefonia móvel e fixa enviam, por meio de uma atualização do Sistema Coleta de Dados da Anatel, relatórios sobre o tráfego recebido, incluindo chamadas com indícios de alteração do número telefônico. "A partir de agora, os relatórios devem ser enviados por meio da nova ferramenta. Essa coleta de dados permitirá à Anatel identificar irregularidades e agir com maior agilidade para proteger o consumidor", afirmou. Especialistas afirmam que combater o contato excessivo e fraudulento é um desafio tanto para as operadoras quanto para a Anatel. E reconhecem que o órgão tem tomado medidas no enfrentamento desse tipo de abordagem. Na página de participantes do "Não Me Perturbe" (saiba mais ao fim da reportagem) constam as operadoras de telecomunicação Algar, Claro, Oi, Sercomtel, Sky, TIM, e Vivo, além de 64 instituições financeiras. Por que recebemos ligações mudas que desligam sozinhas – e como evitá-las Novo sistema poderá identificar empresas "Essas ligações (excessivas) são um problema nos EUA, no Canadá e na Coreia do Sul, para citar alguns países. E, em cada um deles, existe uma abordagem diferente", afirma Ari Lopes, especialista em telecomunicações da empresa Omdia. Uma das medidas que o governo diz que está em fase de implementação no Brasil contra os que driblam o "Não Me Perturbe" é o programa "Stir Shaken" ou "Origem Verificada", como será chamada no Brasil, segundo a Anatel. Essa solução exibe no celular do consumidor não apenas o número, mas também o nome da empresa, sua logomarca, além do motivo da ligação e um selo que confirma a origem da chamada, explicou a Anatel. "É uma solução que visa autenticar a identidade do chamador e aumentar a segurança das comunicações telefônicas", disse Luciano Saboia. "Mas tudo isso ainda é um futuro próximo. A Anatel, as operadoras móveis e os fabricantes dos smartphones ainda estão amadurecendo e implantando essas funcionalidades para conter as robocalls", completou Thiago Ayub. Segundo os especialistas, o "Origem Verificada" não vai impedir chamadas de números com origem fraudada, mas permitirá que o usuário opte por não atender ligações que não exibam o selo de identificação de origem garantido pelo protocolo. Como será o recurso da Anatel contra ligações fraudulentas g1/Luísa Rivas O que fazer por enquanto? "Para não receber ligações de telemarketing de empresas não participantes ao Não Me Perturbe, efetue o bloqueio diretamente no seu celular através da agenda ou aplicativo específico de sua preferência", diz o site da ferramenta. A Anatel recomenda ainda que o consumidor que continua recebendo chamadas indesejadas mesmo sendo cadastrado no "Não Me Perturbe" informe a empresa que faz as ligações. Quem receber as ligações deve registrar o nome do prestador de telemarketing e o número da chamada. Com essas informações, a pessoa pode entrar em contato com a empresa para relatar o possível uso irregular de recursos de numeração. "Caso não haja uma solução para o problema, recomenda-se acionar a ouvidoria da prestadora e, se necessário, utilizar o número do protocolo de atendimento para registrar uma reclamação na Anatel", informou a agência. ➡️ NÃO PERTURBE É GRATUITO - o cadastro na ferramenta é gratuito e deve ser feito pelo site naomeperturbe.com.br. "Você pode solicitar o bloqueio de ligações realizadas pelas empresas de telecomunicações participantes que ofertam seus serviços através de telemarketing ativo e pelos bancos participantes referente às ofertas de empréstimo consignado e cartão de crédito consignado", diz o site. O prazo para efetivação da solicitação é de até 30 dias. O bloqueio não se aplica a ligações que forem realizadas ao consumidor para: confirmação de dados, prevenção a fraudes, realização de cobranças e retenção de solicitações de portabilidade, com ou sem oferta de refinanciamento e oferta de outros produtos bancários e outras modalidades de crédito. LEIA TAMBÉM: Por que recebemos ligações mudas que desligam sozinhas – e como evitá-las

Web Summit Rio: Paes anuncia ‘Rio AI City’ e promete colocar cidade entre os 10 maiores hubs de IA do mundo


Projeto anunciado pelo prefeito do Rio durante o primeiro dia do maior evento de tecnologia do mundo, no Riocentro, tem como objetivo transformar a capital fluminense no maior polo de data centers da América Latina. Rio recebe até quarta o Web Summit, maior evento de tecnologia do mundo O prefeito Eduardo Paes (PSD) anunciou, durante o primeiro dia de Web Summit Rio 2025, no domingo (27), um projeto ambicioso que pode colocar o Rio de Janeiro entre os maiores hubs de IA do mundo até 2032. O "Rio AI City" promete transformar a capital fluminense no maior polo de data centers da América Latina e um dos dez maiores do mundo em 7 anos. O que é a IA física, aposta de gigante da tecnologia para acelerar criação de robôs humanoides Pelo menos esse é o plano de Paes, que tem como objetivo atrair para o Parque Olímpico, na Zona Oeste, investimentos bilionários em inteligência artificial (IA) e consolidar o Rio como epicentro de inovação sustentável. Com investimento inicial em infraestrutura de 1,8 gigawatts (GW) até 2027 – e expansão para 3 GW até 2032 –, o complexo vai operar exclusivamente com energia limpa e sistema de resfriamento com "água ilimitada", garantindo operações de latência zero para supercomputadores. O projeto inclui conexão direta ao Porto Maravilha, reforçando a integração urbana e tecnológica da região. Atualmente o Porto Maravilha já abriga o IMPA Tech e o Porto Maravalley, hub de inovação. "Como todos sabem, o mundo está vivenciando uma aceleração tecnológica sem precedentes. Aqui no Rio, não somos apenas observadores. Queremos impulsionar a revolução da IA e garantir que ela sirva bem ao público. É por isso que também estou muito feliz em anunciar que construiremos a ‘Rio AI City’. O maior hub de data center da América Latina e um dos maiores do mundo", anunciou o prefeito. A “Rio AI City” pretende apoiar a inovação impulsionada por inteligência artificial. A iniciativa espera criar condições ideais para a instalação de novos supercomputadores, como o já existente Santos Dumont, localizado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e administrado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. LEIA TAMBÉM: TV 3.0 é o próximo passo da televisão brasileira, diz diretor da TV Globo no Rio Web Summit O Web Summit 2025 deve injetar mais de R$ 170 milhões na economia da cidade, segundo a Prefeitura do Rio Divulgação Segundo Paes, o "Rio AI City" será a espinha dorsal de um ecossistema que inclui o Porto Maravalley e o Mata Maravilha, projeto de R$ 4,5 bilhões que pretende construir e integrar uma nova marina, parques, hotéis e centros de tecnologia em 200 mil m². A prefeitura acredita que o plano combina crescimento tecnológico com qualidade de vida e deve atrair startups e empresas globais para o Rio de Janeiro. O prefeito também anunciou que o Web Summit Rio está confirmado na cidade com uma edição por ano até 2030. Ao todo serão oito edições do maior evento de tecnologia do mundo na cidade. Segundo estudos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, do Invest.Rio e da Riotur, o impacto econômico total estimado das oito edições previstas até 2030 é de R$ 1,8 bilhão. Somente a edição de 2025 deve injetar mais de R$ 170 milhões na economia da cidade, com destaque para o setor de hospedagem. Eduardo Paes no Web Summit 2025 Divulgação

O que é a IA física, aposta de gigante da tecnologia para acelerar criação de robôs humanoides


Nvidia acredita que conceito pode ajudar dispositivos a realizarem mais complexas no mundo real. Em março, a empresa lançou o Isaac Gr00t N1, modelo treinado para ajudar robôs a manusearem objetos. Demonstração de robô com modelo Isaac Gr00t N1, da Nvidia Divulgação/Nvidia A Nvidia, gigante de chips e semicondutores, se prepara para o que vem após a inteligência artificial generativa, marcada pelo lançamento de serviços como o ChatGPT, Gemini e Copilot. Agora, a aposta da empresa é a inteligência artificial física. A ideia é permitir que robôs humanoides e dispositivos como braços robóticos de fábricas consigam fazer ações complexas no mundo real, explicou nesta segunda-feira (28) o diretor-executivo da Nvidia na América Latina, Marcio Aguiar, durante o Web Summit Rio. "Estamos nos movendo para a era da IA física, em que robôs auxiliam humanos em tarefas de forma repetitiva e muito mais eficiente", disse o executivo. A Nvidia lançou em março o Isaac Gr00t N1, modelo de inteligência artificial que serve de base para outras empresas criarem seus próprios robôs humanoides. A empresa afirma que a novidade ajuda a acelerar a criação desses dispositivos porque o modelo já é pré-treinado para agarrar, mover e passar objetos de uma mão para a outra, além de fazer tarefas que exigem várias etapas. A partir dele, desenvolvedores e pesquisadores podem fazer o chamado pós-treinamento para tarefas específicas em seu contexto. "Se você quer dar a um humanoide poder de raciocínio, nós trazemos o cérebro", disse o executivo em entrevista ao g1. "A Nvidia não fabrica nenhum robô, nenhum drone, nenhuma câmera, mas dá para todos esses fabricantes esse poder computacional". A empresa diz que outros modelos de IA generativa, como GPT, da OpenAI, e Llama, da Meta, não compreendem tão bem o mundo físico, o que limita a ação de robôs treinados a partir deles. Com o conceito de IA física, modelos são treinados para ter mais compreensão de espaço e de regras de física do mundo real. Esse treinamento é feito por uma técnica chamada de aprendizado por reforço, em que dispositivo consegue identificar imprevistos e encontrar uma solução rapidamente. Isso permite que robôs se tornem bons para embalar caixas, construir veículos ou circular em ambientes sem supervisão, por exemplo.

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