segunda-feira, 6 de outubro de 2025

'Eu salvei o TikTok, vocês me devem essa': Trump faz 1ª publicação do ano no app e se dirige a jovens


Trump em vídeo no TikTok Reprodução/TikTok Em sua primeira publicação em quase um ano no TikTok, o presidente Donald Trump compartilhou, nesta segunda-feira (6), um vídeo em que afirma ter salvado o aplicativo e diz que os jovens devem essa a ele. "A todos os jovens do TikTok: eu salvei o TikTok, então, vocês me devem essa. Vocês estão olhando para mim na Sala Oval e, um dia, um de vocês vai estar sentado aqui nessa cadeira e vai estar fazendo um ótimo trabalho também", disse. Veja no vídeo abaixo. A declaração foi feita cerca de 10 dias após Trump assinar uma ordem executiva que define os termos de um acordo para transferir o controle das operações do aplicativo nos EUA. Segundo o presidente, o acerto com a empresa chinesa ByteDance, dona do TikTok, abrirá caminho para que a plataforma permaneça ativa no país, e de forma "segura". 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Initial plugin text A rede social chinesa é apontada pelos EUA como um risco à segurança nacional porque permite à China coletar dados e espionar usuários americanos. A ByteDance nega a acusação. Pelo decreto, a operação do TikTok no país ficará sob responsabilidade de uma nova empresa americana, que terá de concluir a transição até 16 de dezembro. Essa companhia terá sede nos EUA e não poderá ter mais de 20% de capital estrangeiro. Na ocasião, Trump afirmou que o presidente da China, Xi Jinping, aprovou o acordo para a venda da rede social. "Falei com o presidente Xi. Tivemos uma boa conversa, contei a ele o que estávamos fazendo, e ele disse para prosseguirmos", disse. O TikTok e a ByteDance não se manifestaram. Já o Ministério das Relações Exteriores da China disse, nesta sexta-feira (26), que o governo "respeita a vontade das empresas e as incentiva a conduzir negociações comerciais com base nas regras de mercado para chegar a soluções que estejam em conformidade com as leis e regulamentações chinesas e alcancem um equilíbrio de interesses". "Esperamos que os EUA proporcionem um ambiente de negócios aberto, justo e não discriminatório para empresas chinesas que investem nos Estados Unidos", disse a jornalistas o porta-voz do ministério, Guo Jiakun, sem dar mais detalhes sobre o acordo. EUA anunciam acordo com a China para a venda da rede social TikTok

Dona do ChatGPT fecha acordo bilionário com AMD e pode ter até 10% da fabricante de chips


Sam Altman, CEO da OpenAI Yuichi YAMAZAKI / AFP A AMD informou nesta segunda-feira (6) que fornecerá chips de inteligência artificial para a OpenAI, dona do ChatGPT, em um acordo de vários anos que pode render bilhões de dólares em receita anual. O contrato também dará à criadora do chatbot a opção de comprar até cerca de 10% da fabricante de chips. O acordo marca um endosso importante aos chips e ao software de IA da AMD, uma das principais rivais da Nvidia, e deverá envolver a implantação de centenas de milhares de chips de IA, equivalentes a 6 gigawatts, ao longo de vários anos, começando no segundo semestre de 2026. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo executivos da AMD, a parceria pode gerar dezenas de bilhões de dólares em receita anual. O efeito cascata da transação deve impulsionar a empresa a receber mais de US$ 100 bilhões em novas receitas em quatro anos, somando a OpenAI e outros clientes. Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais "Vemos esse acordo como transformador, não apenas para a AMD, mas para a dinâmica do setor", afirmou o vice-presidente executivo da empresa, Forrest Norrod, à Reuters. A AMD disse que a OpenAI construirá uma instalação de 1 gigawatt com base na próxima geração de chips MI450 a partir do próximo ano. O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou em comunicado que o acordo ajudará a empresa a construir a infraestrutura necessária para atender à demanda por inteligência artificial. Como parte do contrato, a AMD emitiu uma garantia que dá à OpenAI o direito de comprar até 160 milhões de ações da fabricante por 1 centavo de dólar cada, conforme metas e marcos definidos entre as duas empresas. A AMD tem 1,62 bilhão de ações em circulação e é avaliada em US$ 267,23 bilhões. As ações fecharam na sexta-feira a US$ 164,67, enquanto a OpenAI tem avaliação de US$ 500 bilhões. Fome por chips Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas A OpenAI trabalha com a AMD há anos, contribuindo com informações sobre o design de gerações anteriores de chips de IA, como o MI300X. A empresa de São Francisco (EUA) tem buscado garantir o fornecimento de microprocessadores para atender às suas necessidades futuras. Em setembro, a Nvidia anunciou um investimento de até US$ 100 bilhões na OpenAI, com planos de fornecer pelo menos 10 gigawatts de sistemas e implementar 1 gigawatt de seus chips de próxima geração, Vera Rubin, no fim de 2026. Além da Nvidia, gigantes da computação em nuvem como Alphabet e Amazon produzem seus próprios processadores. A OpenAI também está desenvolvendo seu chip próprio de IA em parceria com a Broadcom. Uma pessoa familiarizada com o assunto disse à Reuters que o acordo com a AMD não altera os planos de computação em andamento da OpenAI. Anatel tira obrigatoriedade do prefixo 0303 em ligações de telemarketing iPhone Air: primeiras impressões do celular fininho e quais são seus rivais

TikTok recomenda conteúdo sexual e pornografia para crianças, denuncia relatório


TikTok recomenda conteúdo sexual e pornografia para crianças, denuncia relatório Getty Images O algoritmo do TikTok recomenda pornografia e conteúdo sexualizado para contas de crianças, afirma um novo relatório da Global Witness (organização de defesa dos direitos humanos). Pesquisadores da organização criaram perfis falsos de crianças de 13 anos e ativaram as configurações de segurança, mas ainda assim receberam indicações de buscas com termos sexualmente explícitos. Essas recomendações direcionaram a vídeos sexuais, incluindo imagens de penetração. O TikTok afirmou estar comprometido a oferecer experiências seguras e adequadas para menores de idade. Além disso, a empresa disse ter tomado medidas imediatas após ser informada do problema pela Global Witness. As quatro contas falsas foram criadas entre julho e agosto deste ano. Os pesquisadores usaram datas de nascimento falsas, fingindo ser adolescentes de 13 anos, e não foram solicitados a fornecer outras informações para confirmar suas identidades. Pornografia Os riscos invisíveis do TikTok para crianças Os pesquisadores da Global Witness também ativaram o "modo restrito" da plataforma, que, segundo o TikTok, impede que os usuários vejam "temas adultos ou complexos, como... conteúdo sexualmente sugestivo". Mesmo sem realizar buscas, os pesquisadores encontraram termos abertamente sexuais sendo sugeridos na seção "você pode gostar" do aplicativo. As sugestões levavam a vídeos de mulheres simulando masturbação, exibindo roupas íntimas em locais públicos ou mostrando os seios. Em casos extremos, o conteúdo incluía filmes pornográficos explícitos de sexo com penetração. Esses vídeos estavam incorporados a materiais aparentemente inofensivos, em uma estratégia bem-sucedida de driblar a moderação da plataforma. Ava Lee, da Global Witness, disse à BBC que as descobertas foram um "grande choque" para os pesquisadores. Segundo Lee, "o TikTok não está apenas falhando em impedir que crianças acessem conteúdo inapropriado — ele está sugerindo isso a elas assim que criam uma conta". A Global Witness é um grupo ativista que investiga como grandes empresas de tecnologia influenciam discussões sobre direitos humanos, democracia e mudanças climáticas. Os pesquisadores da organização identificaram o problema em abril, enquanto conduziam outros estudos. Vídeos removidos A Global Witness informou o TikTok, que afirmou ter tomado medidas imediatas para resolver o problema. Mas no final de julho e agosto deste ano, o grupo repetiu o levantamento e constatou que o aplicativo ainda recomendava conteúdo sexual. O TikTok afirmou ter mais de 50 recursos projetados para proteger adolescentes: "Estamos totalmente comprometidos a fornecer experiências seguras e adequadas à idade". O aplicativo disse também que remove 9 em cada 10 vídeos que violam suas diretrizes antes mesmo de serem visualizados. Após ser alertado pela Global Witness, o TikTok afirmou ter tomado medidas para "remover conteúdo que violava nossas políticas e lançar melhorias em nosso recurso de sugestão de pesquisa". No Reino Unido, crianças de 8 a 17 anos passam de duas a cinco horas por dia online, segundo pesquisa da Ofcom. O estudo mostra que quase todas as crianças acima de 12 anos têm celular e assistem a vídeos em plataformas como YouTube e TikTok. O TikTok introduziu um limite de tempo de tela de 60 minutos por padrão para menores de 18 anos em 2023, mas esse limite pode ser desativado por meio de configuração. Em março de 2025, uma denúncia publicada pela BBC mostrou que o TikTok lucra com transmissões ao vivo de conteúdo sexual feito por adolescentes. O aplicativo retém cerca de 70% dos valores pagos. O TikTok sabia da exploração de crianças e adolescentes em transmissões ao vivo e realizou investigação interna em 2022, segundo denúncias de um processo do Estado americano de Utah. A acusação afirma que a empresa ignorou o problema porque "lucrou significativamente" com a exploração. O TikTok afirmou que a ação, em andamento nos Estados Unidos, desconsidera as "medidas proativas" adotadas para melhorar a segurança da plataforma. LEIA TAMBÉM: Como a IA é usada para criar deepfakes com síndrome de Down em conteúdo sexual lucrativo Stalking: saiba identificar e o que fazer quando se é vítima de perseguição Apple remove apps que rastreavam polícia de imigração nos EUA após pressão de Trump Legislações de proteção infantil Em 25 de julho deste ano, os Códigos Infantis da Lei de Segurança Online (Online Safety Act's Children's Codes) entraram em vigor no Reino Unido, impondo às plataformas digitais o dever legal de proteger crianças na internet. A medida faz com que alguns serviços, principalmente sites pornográficos, passem a verificar a idade dos usuários no Reino Unido. A lei tem como objetivo tornar a rede mais segura, especialmente para menores, e é implementada e fiscalizada pela Ofcom, agência reguladora da mídia no país. As empresas devem adotar "controle de idade altamente eficaz" para impedir que menores de idade acessem pornografia. Também precisam ajustar seus algoritmos para bloquear conteúdo que incentive automutilação, suicídio ou transtornos alimentares. O descumprimento pode resultar em multa de até 18 milhões de libras (R$ 118 milhões) ou 10% da receita global das companhias — prevalece o valor mais alto. Executivos também podem ser presos. Em casos graves, a Ofcom pode solicitar ordem judicial para retirar sites ou aplicativos do ar no Reino Unido. A mudança na lei gerou um amplo debate no Reino Unido. Parte dos especialistas e ativistas defende regras mais rígidas e até o banimento de menores de 16 anos das redes sociais. Ian Russell, presidente da Fundação Molly Rose, criada após a morte da filha dele de 14 anos, disse estar "consternado com a falta de ambição" nos códigos da Ofcom. A principal instituição filantrópica para crianças no Reino Unido, a Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC, na sigla em inglês), criticou que a legislação vigente não garante a proteção em aplicativos de mensagens privadas, como o WhatsApp. Segundo a entidade, a criptografia de ponta a ponta "continua a representar risco inaceitável para crianças". Nesse tipo de criptografia, as mensagens são codificadas ao deixar o telefone da pessoa que as envia e só conseguem ser decodificadas no telefone de quem as recebe. Defensores da privacidade, por outro lado, dizem que os métodos de verificação de idade adotados pelo Reino Unido são invasivos e ineficazes. Silkie Carlo, diretora da Big Brother Watch, uma ONG britânica que promove campanhas sobre privacidade e direitos civis, afirmou que essas regras podem levar a "violações de segurança, invasão de privacidade, exclusão digital e censura". Tiktok e regulação no Brasil O TikTok é uma das redes sociais mais populares do Brasil, presente em 46% dos celulares, atrás de Instagram (91%) e Facebook (76%), segundo pesquisa Mobile Time/Opinion Box. Estimativas extraoficiais apontam cerca de 100 milhões de usuários no país, que tem 213 milhões de habitantes. Em junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou a regulamentação de plataformas digitais, definindo que empresas podem ser responsabilizadas por conteúdos criminosos postados por terceiros. Conteúdos graves, como mensagens antidemocráticas, pornografia infantil e incentivo ao suicídio, devem ser removidos ativamente, enquanto outros só precisam ser apagados após notificação. No dia 18/09, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que estabelece a responsabilidade de empresas de tecnologia de proteger menores de 18 anos de conteúdos prejudiciais. "É um equívoco acreditar que as big techs tomarão a iniciativa de se autorregular. Esse equívoco já custou a vida de várias crianças e adolescentes. Vários países avançaram na criação de dispositivos legais para a proteção de crianças e adolescentes no meio digital", afirmou o presidente. A regulação desse segmento ficará a cargo da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Tocanna: quem é a cantora feita por IA do hit proibidão 'São Paulo' Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais Por que a nova IA do Google virou a queridinha dos vídeos bizarros e bobos no TikTok

domingo, 5 de outubro de 2025

Como a inteligência artificial é usada para criar deepfakes com síndrome de Down em conteúdo sexual lucrativo


Como a inteligência artificial é usada para criar deepfakes com síndrome de Down em conteúdo sexual lucrativo BBC Alice relembra o dia em que ela viu pela primeira vez a conta deepfake no Instagram usando sua imagem. "O que passou pela minha cabeça foi simplesmente surpresa e humilhação", contou à BBC a jovem de 17 anos. A conta falsa usava fotos e vídeos do seu corpo. Seu rosto foi editado com inteligência artificial, fazendo parecer que ela era uma pessoa com síndrome de Down. O perfil tinha 25 mil seguidores e levava os usuários para conteúdo adulto em websites externos. Alice enviou mensagens diretas para a conta diversas vezes, pedindo aos criadores que a derrubassem. Ela os informou que era menor de idade, mas não recebeu resposta. "Foi muito assustador observar a completa desconsideração pela minha idade ou pelos meus sentimentos", declarou ela. O perfil faz parte de uma tendência perturbadora de contas criadas com deepfake simulando deficiências para ganhar dinheiro, segundo descobriu a BBC. As personagens no Instagram, geradas por IA, usam imagens de corpos de mulheres reais sem o seu consentimento, provavelmente retiradas de contas públicas nas redes sociais. Filtros de IA alteram seus rostos para criar imagens de pessoas com síndrome de Down. As contas falsas postam mensagens sexualmente sugestivas para gerar engajamento. Em troca, os usuários que consomem o conteúdo respondem com observações sexualmente explícitas. Estas contas retiram dados das mulheres "sem o seu consentimento e os usam para capitalizar a deficiência como forma de ganhar dinheiro", segundo a pesquisadora sênior em ética de IA Eleanor Drage, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. "É efetivamente prejudicial para pessoas como Alice", afirma ela. A monetização desta tendência ocorre em outro lugar. Todas as contas encontradas pela BBC direcionam os usuários para outros perfis, no serviço pago por assinatura OnlyFans, conhecido por hospedar conteúdo sexual. Os perfis no OnlyFans usam o mesmo nome das contas falsas do Instagram, mas sem o filtro de síndrome de Down. Eles mostram os corpos de diferentes mulheres, com seus rostos ocultos ou cortados. O OnlyFans proíbe conteúdo não consensual gerado por IA, o que pode ser a razão por trás da estratégia de cortar os rostos das mulheres, em vez de criar deepfakes com elas. A BBC não conseguiu determinar se as outras mulheres autorizaram para que seus corpos aparecessem nas contas do OnlyFans. Com "diversas mulheres diferentes fazendo parte de um único perfil", o resultado é uma "rede de exploração", segundo Drage. Alice afirma que denunciou a conta para o Instagram, mas recebeu uma resposta automática, alegando que o usuário não violou as normas da plataforma. Deepfakes sexualmente explícitos contrariam a política do Instagram, mas os vídeos deepfake usando o corpo de Alice não eram sexualmente explícitos. Cópia de tela de uma das contas deepfake no Instagram BBC Em busca das pessoas que criaram as contas, a BBC investigou o mundo dos autoproclamados "Gerentes de IA do OnlyFans" — pessoas que criam influenciadores com IA para promover contas de conteúdo adulto e ganhar dinheiro com elas. Encontramos um "gerente" francês de nome Dorian. Ele mantinha um canal no YouTube com centenas de tutoriais de vídeo para criar influenciadores com IA e um canal no Telegram com milhares de assinantes. Em um dos seus tutoriais no YouTube, ele conta que "uma das melhores coisas com a IA é que você pode criar qualquer nicho sob demanda". "Você quer uma e-girl gótica? Vamos lá. Uma modelo de fitness latina? Tudo bem. Você quer algo ainda mais louco que isso?" Ele cita outros exemplos do que chama de mercado de "nicho", como modelos trans ou com nanismo. "Você pode criar qualquer personagem instantaneamente e dominar nichos pouco atendidos ou em alta tendência", ele conta. Analisando as contas que ele afirma possuir no seu canal no Telegram e as imagens de personagens que ele criou com IA, visíveis nos seus tutoriais no YouTube, a BBC encontrou evidências de que um dos chamados "nichos" explorados por Dorian é a síndrome de Down. No Telegram, ele compartilhou uma cópia de tela de uma de suas contas de "influenciadora", incluindo o rosto. A BBC identificou a silhueta, o fundo e a sequência de postagens com uma conta deepfake no Instagram, que se apresenta como sendo uma pessoa com síndrome de Down. Também identificamos, em segundo plano, uma modelo com síndrome de Down gerada por IA em um dos tutoriais de Dorian. Não temos evidências para sugerir que Dorian tivesse feito os deepfakes de Alice. A BBC tentou entrar em contato com ele no Telegram e no Instagram, além de escrever para os endereços associados aos seus negócios. Mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. Este tipo de conta não prejudica apenas as pessoas que têm seu conteúdo roubado. Elas também afetam a comunidade com síndrome de Down como um todo. Jeremy e Audrey são ativistas e produtores de podcasts com síndrome de Down nos Estados Unidos. Eles estão profundamente preocupados com esta tendência. "Acho que não está certo que eles tenham uma deficiência falsa", afirma Audrey. "Eu e Jeremy temos síndrome de Down e adoramos isso. Ela é única e eu adoro. É meio que a melhor coisa da minha vida. E, com esses deepfakes, parece que estou sendo usada." "Estão fazendo isso por dinheiro", lamenta Jeremy. "Por favor, parem com isso." Audrey e Jeremy conversaram com a BBC do seu estúdio na Califórnia, nos Estados Unidos The Audrey and Jeremy Show O YouTube respondeu às descobertas feitas pela BBC. A plataforma declarou ter cancelado os canais de Dorian, por violar suas políticas de spam, scam e práticas enganosas. A empresa Meta, proprietária do Instagram, afirmou à BBC que todas as contas que denunciamos já haviam sido removidas da plataforma, exceto uma. A remoção se deu por desrespeito às suas regras, como a proibição da personificação de terceiros ou a promoção de serviços sexuais. A conta que usou a imagem de Alice não está mais ativa. A BBC também informou o OnlyFans sobre suas descobertas. A plataforma respondeu que "todos os criadores passam por profunda verificação das suas identidades, para garantir que eles têm mais de 18 anos e consentimento de uso das imagens". O OnlyFans afirmou que todo o conteúdo é moderado e que a plataforma não permite imagens deste tipo. LEIA TAMBÉM: 'Atriz' criada por inteligência artificial gera protestos em Hollywood Como a inteligência artificial ajudou a salvar o Google O risco das imagens perfeitas geradas por inteligência artificial

sábado, 4 de outubro de 2025

Os perigos de deixar que a IA organize sua próxima viagem


Os turistas que usam a inteligência artificial para criar itinerários de viagem precisam ficar vigilantes e verificar todas as informações antes da partida Getty Images O fundador e diretor da empresa Evolution Treks Peru, Miguel Ángel Gongora Meza, se preparava para uma caminhada através dos Andes em uma cidade no interior do Peru, quando ouviu uma conversa curiosa. Dois turistas não acompanhados conversavam amigavelmente sobre seus planos de caminhar sozinhos nas montanhas, até o "Cânion Sagrado de Humantay". "Eles me mostraram a cópia de tela, redigida de forma convincente e repleta de adjetivos fulgurantes", conta ele. "Mas não é verdade. O Cânion Sagrado de Humantay não existe!" "O nome é uma combinação de dois lugares que não têm relação com a descrição. Os turistas pagaram cerca de US$ 160 [cerca de R$ 850] para chegar a uma estrada rural nos arredores de Mollepata [no Departamento peruano de Cusco] sem um guia nem [destino]." Mais do que isso, Gongora Meza afirma que esse erro aparentemente inocente poderia ter custado a vida dos viajantes. "Este tipo de desinformação é perigoso no Peru", explica ele. "A altitude, as mudanças climáticas e a acessibilidade dos caminhos precisam ser planejadas. Quando você [usa] um programa [como o ChatGPT], que combina imagens e nomes para criar uma fantasia, você pode acabar em uma altitude de 4 mil metros, sem oxigênio e sem sinal [telefônico]." Em poucos anos, ferramentas de inteligência artificial (IA), como o ChatGPT, Microsoft Copilot e Google Gemini, deixaram de ser uma mera novidade para se tornar parte integrante do planejamento de viagens de milhões de pessoas. Uma pesquisa indica que 30% dos turistas internacionais passaram a usar ferramentas de IA generativa e sites especializados criados por IA, como Wonderplan e Layla, para ajudar a organizar suas viagens. Estes programas podem oferecer dicas de viagem valiosas quando funcionam adequadamente. Mas também podem induzir as pessoas a situações frustrantes e até perigosas, quando suas informações estão erradas. Alguns turistas estão aprendendo esta lição quando chegam ao seu destino e descobrem que receberam informações incorretas ou foram direcionados para um lugar que só existe na imaginação cabeada de um robô. Dana Yao e seu marido vivenciaram recentemente esta situação. Ela é criadora de conteúdo e mantém um blog sobre viagens no Japão. No início deste ano, o casal usou o ChatGPT para planejar uma caminhada romântica até o topo do monte Misen, na ilha de Itsukushima. Depois de visitar a cidade de Miyajima sem problemas, eles saíram às 15 horas para subir até o pico da montanha a tempo para o pôr do sol, exatamente como instruiu o ChatGPT. "Foi aí que surgiram os problemas", conta Yao, "quando estávamos prontos para descer [a montanha] de teleférico." "O ChatGPT disse que o último teleférico descia às 17h30, mas, na verdade, ele já estava fechado. Por isso, ficamos presos no topo da montanha." A IA frequentemente oferece aos viajantes informações imprecisas e inverídicas. Às vezes, chega a criar destinos inexistentes. Getty Images Em 2024, uma reportagem da BBC contou que o site Layla informou usuários que havia uma Torre Eiffel em Pequim, na China. E também sugeriu a um visitante britânico uma rota de maratona pelo norte da Itália que era totalmente inviável. "Os itinerários não tinham muita lógica", disse o viajante. "Passamos mais tempo no transporte do que em outro lugar." Segundo uma pesquisa realizada em 2024, 37% das pessoas pesquisadas que usaram IA para ajudar a planejar suas viagens relataram que ela não conseguia fornecer informações suficientes, enquanto cerca de 33% afirmaram que as recomendações geradas por IA incluíram informações falsas. Estas questões decorrem da forma de geração das respostas pela IA. O professor de aprendizado de máquina Rayid Ghani, da Universidade Carnegie Melon, nos Estados Unidos, explica que programas como o ChatGPT talvez pareçam oferecer conselhos úteis e racionais, mas a forma como ele obtém as informações faz com que você nunca tenha total certeza se ele está ou não contando a verdade. "Ele não sabe a diferença entre conselhos de viagem, orientações ou receitas", segundo Ghani. "Ele só conhece palavras." "Por isso, ele fica emitindo palavras que fazem com que qualquer coisa que ele diga pareça realista e é daí que surgem muitas das questões subjacentes." Os grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT, trabalham analisando imensas coleções de textos e reunindo palavras e frases que, estatisticamente, parecem respostas apropriadas. Às vezes, este processo gera informações perfeitas e precisas. Mas, em outras ocasiões, você recebe o que os especialistas em IA chamam de "alucinação" — as ferramentas simplesmente inventam coisas. Mas, como os programas de IA apresentam alucinações e respostas factuais da mesma forma, muitas vezes é difícil para os usuários diferenciar o que é real e o que não é. No caso do "Sagrado Cânion de Humantay", Ghani acredita que o programa de IA provavelmente tenha reunido palavras que pareciam apropriadas para a região. Da mesma forma, analisar todos aqueles dados não oferece necessariamente a uma ferramenta como o ChatGPT uma compreensão útil do mundo físico. Ele pode facilmente confundir uma caminhada de lazer de 4 km atravessando uma cidade com uma escalada de 4 km na encosta de uma montanha. Isso, sem falar nos casos de desinformação pura e simples. Diversos governos estudam a criação de regulamentações sobre IA que ajudarão a identificar a desinformação antes que viralize Getty Images Uma reportagem recente da revista Fast Company contou sobre um incidente ocorrido com um casal, que viajou até o local de um teleférico panorâmico na Malásia que eles haviam visto no TikTok. Só quando chegaram é que eles descobriram que a estrutura simplesmente não existia. Eles assistiram a um vídeo totalmente gerado por IA, seja para despertar engajamento ou por algum outro propósito desconhecido. Incidentes como este fazem parte de uma tendência maior de criações feitas por IA que podem alterar sutilmente (ou não tão sutilmente assim) os nossos sentidos em relação ao mundo. Um exemplo recente ocorreu em agosto, quando criadores de conteúdo perceberam que o YouTube vinha usando IA para alterar seus vídeos sem permissão, "editando" sutilmente imagens de roupas, cabelos e rostos de pessoas reais. A Netflix também ficou em maus lençóis ao empregar IA no início de 2025. Suas tentativas de "remasterizar" antigas séries de comédias criaram distorções surreais nos rostos de astros consagrados da televisão dos anos 1980 e 1990. Com o uso cada vez maior de IA para fazer estas pequenas alterações sem o nosso conhecimento, a fronteira entre a realidade e um novo mundo de sonhos, refinado pela IA, pode estar começando a desaparecer também da visão dos turistas. O psicoterapeuta clínico Javier Labourt estuda como viajar pode ajudar a melhorar nossa saúde mental e nosso sentido de conexão em geral. Ele receia que a proliferação desses problemas possa anular os benefícios intrínsecos oferecidos pelo turismo. Labourt acredita que viajar oferece uma oportunidade única. Podemos interagir com pessoas que, de outra forma, nunca conheceríamos e ainda aprender pessoalmente sobre diferentes culturas. Tudo isso pode gerar maior empatia e compreensão. Mas, quando as alucinações da IA oferecem desinformação aos usuários, elas trazem uma narrativa falsa sobre um dado lugar, antes mesmo que os turistas saiam de casa. Vigilância e regulamentação Existem atualmente tentativas de regulamentar como a IA apresenta suas informações aos usuários. Diversas propostas, da União Europeia e dos Estados Unidos, pretendem estabelecer a inclusão de marcas d'água ou outros sinais indicadores, que permitam aos observadores saber quando algo foi alterado ou gerado por IA. Mas Rayid Ghani acredita que esta seja uma batalha difícil. "Existe muito trabalho por aí em relação à desinformação. Como detectá-la? Como ajudar as pessoas [a identificá-la]? Hoje em dia, a mitigação é uma solução mais confiável do que a prevenção." Se estas regulamentações forem aprovadas, os viajantes poderão identificar vídeos ou imagens geradas por IA com mais facilidade. Mas as novas regras provavelmente não irão ajudar quando um chatbot de IA inventar algo no meio da conversa. Os especialistas — incluindo o CEO (diretor-executivo) da Google, Sundar Pichai — alertam que as alucinações podem ser uma "característica inerente" dos grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT ou o Gemini da Google. Por isso, se você for usar IA, a única forma de se proteger é permanecer vigilante. Uma sugestão de Ghani é ser o mais específico possível nas suas consultas e verificar absolutamente tudo. Ele reconhece que o turismo traz dificuldades específicas em relação a este método, pois os viajantes, muitas vezes, fazem perguntas sobre destinos que eles não conhecem. Mas, se uma ferramenta de IA oferecer uma sugestão de viagem que pareça perfeita demais, desconfie. Ghani conclui destacando que o tempo gasto para verificar as informações geradas por IA, em alguns casos, pode tornar o processo tão trabalhoso quanto planejar a viagem pelos métodos antigos. Para Javier Labourt, o segredo para viajar bem, com ou sem IA, é manter a mente aberta e se adaptar quando as coisas dão errado. "Tente afastar a decepção por ter sido enganado por alguém", sugere ele. "Se você já estiver ali, como irá resolver? Você já está fazendo uma viagem incrível, sabe?" Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Travel. Voo atrasado ou cancelado: veja quais são os direitos dos passageiros Visto americano: mais pessoas terão que passar por entrevista a partir do dia 2 6 das 10 rotas de voo com mais turbulência do mundo estão na América do Sul

Stalking: saiba identificar e o que fazer quando se é vítima de perseguição


Stalking: entenda o que é esse crime, saiba identificar e veja como denunciar Centenas de mensagens ou ligações de uma mesma pessoa. Comentários invasivos em redes sociais. Perfis falsos que acompanham a sua rotina, a de seus familiares ou amigos. Notar que uma pessoa está sempre no mesmo local e horário que você. Esses são apenas alguns sinais de uma série de situações que podem indicar que alguém é vítima de stalking (ou "perseguição", na tradução do inglês). O caso se assemelha ao que aconteceu com a médica psiquiatra do Distrito Federal Laura Campos, de 34 anos. Em um vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais e que já alcança mais de 1 milhão de visualizações, Campos contou que é vítima de stalking de um ex-paciente há mais de quatro anos. "Ele teve duas consultas comigo em 2019, e depois eu nunca mais o vi. Dois anos depois, em abril de 2021, ele começou a me seguir no Instagram. No começo, ele apenas reagia a alguns stories, sem nada ofensivo. Mas depois, começou a mandar umas mensagens estranhas, como 'não precisa ter medo de mim', e aí eu bloqueei o perfil dele", conta Laura. A prática de stalking foi incluída no Código Penal em 2021 e, segundo a lei, o crime pode acontecer tanto no mundo físico quanto no digital. Entenda nesta reportagem o que é Stalking e como denunciar. Veja como e quando denunciar o 'stalking', crime de perseguição Daniel Ivanaskas/G1 Como identificar? Como mostrou uma reportagem do g1 de 2023, a principal característica desse crime é a repetição. Assim, o crime consiste em uma série de comportamentos que, acontecendo de forma repetitiva, tolhem qualquer forma de liberdade da vítima — de não se sentir confortável em publicar conteúdo nas redes sociais até ter medo de andar na rua. As formas em que o assédio pode ocorrer são variadas. No entanto, cabe destacar: muitas mensagens de uma mesma pessoa em diversas oportunidades, mesmo sinalizando que não quer ter aquele contato; muitas ligações seguidas; comentários, principalmente com teor negativo, em publicações feitas em redes sociais; o stalker pode criar perfis falsos em redes sociais para acompanhar o que você posta caso seja bloqueado; familiares e/ou amigos começam a ser seguidos pelo stalker ou pelos mesmos perfis falsos; a vítima percebe que alguém está sempre nos mesmos locais e horários que você; a vítima recebe comentários que mostram que aquela pessoa te viu ou sabe sobre a sua rotina, como dizer exatamente a roupa que você estava usando ou uma foto de algo seu ou de um lugar em que você esteve. Além disso, especialistas destacam que o stalking geralmente está associado a outros crimes, como ameaça, extorsão ou violência psicológica, por exemplo. O que caracteriza o crime de 'stalking' na internet? O termo "stalkear" muitas vezes parece banal, utilizado para se referir a prática de bisbilhotar os posts de pessoas. A curiosidade, por si só, não configura nenhum tipo crime. O delito ocorre quando isso passa a influenciar na vida de quem é acompanhado. A lei diz que a perseguição deve ser reiterada, ou seja, acontecer diversas vezes. Na prática, o crime de "stalking" digital se dá quando a tentativa de contatos é exagerada: o autor passa a ligar repetidas vezes, envia inúmeras mensagens, faz inúmeros comentários nas redes sociais e cria perfis falsos para driblar eventuais bloqueios. Além disso, o "stalker" muitas vezes, usa malwares (programas espiões) para infectar dispositivos móveis ou o computador da vítima. A partir daí, o criminoso pode ter histórico de localização, chamadas, agenda de contatos e publicações da pessoa. Na maioria dos casos, a instalação desse tipo de software, também chamado de "stalkerware", acontece por meio de um acesso físico ao aparelho celular – ou seja, alguma pessoa da convivência da vítima pega o aparelho e baixa o programa. Mas também existem casos em que os apps vêm "disfarçados" e as vítimas podem ser levadas a instalá-los em seus dispositivos sem perceber. Criminoso costuma criar perfis falsos e fazer diversas tentativas de contato Daniel Ivanaskas/Arte G1 Quando e como denunciar? Quando uma pessoa se sentir perseguida a ponto de ter que alterar a sua rotina por medo do "stalker", é hora de procurar a polícia, segundo especialistas. A pessoa que sofre esse tipo de perseguição deve procurar a delegacia mais próxima ou a delegacia eletrônica para fazer o registro do boletim de ocorrência. Não é preciso conhecer o "stalker" para fazer a denúncia. Em muitos casos on-line, os perseguidores utilizam perfis falsos para enviar mensagens – e a polícia pode pedir para as empresas de mídias sociais compartilharem informações sobre o dono daquela conta. Para que a polícia possa dar prosseguimento à investigação, a vítima precisa fazer uma representação, que é dizer às autoridades que deseja que o agressor seja processado. É preciso juntar provas? Não é preciso apresentar provas na hora do registro da ocorrência, mas a recomendação é reunir evidências da perseguição. As vítimas de crimes na internet podem, por exemplo, fazer a captura de tela de uma mensagem, mas o ideal é buscar meios que ajudem a comprovar a autenticidade das informações, segundo explicou a advogada Christiany Pegorari Conte em entrevista ao g1, em 2021. Uma das possibilidades é registrar uma ata notarial, método em que um cartório pode reconhecer que um conteúdo realmente estava em um app ou página da internet em uma determinada data. No entanto, esta opção não garante que não houve adulteração na conversa. Outra possibilidade é buscar empresas que prestam serviços de registro de provas digitais. Esse método oferece mais garantias de que uma informação não foi adulterada.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

'Bolha' da IA pode estourar? Trilhões em investimentos esbarram em baixo retorno


Jeff Bezos, fundador da Amazon, defende os investimentos maciços em IA na Tech Week 2025, que aconteceu em Turim, na Itália MARCO BERTORELLO/AFP Os investimentos astronômicos em inteligência artificial (IA) continuam: na semana passada, a gigante Nvidia anunciou que vai investir US$ 100 bilhões (R$ 534 bilhões) para ajudar a OpenAI, dona do ChatGPT, a construir data centers. Os investimentos em IA dispararam em todo o mundo, e devem chegar a US$ 1,5 trilhão (R$ 8,01 trilhões) neste ano e passar de US$ 2 trilhões (R$ 10,68 trilhões) em 2026, quase 2% do PIB mundial, segundo a empresa americana Gartner. 🔎 Mas como são possíveis essas quantias astronômicas, se o retorno dos investimentos, pelo menos por enquanto, continua insignificante? "Os investidores normalmente não dão US$ 2 bilhões a uma equipe de seis pessoas sem produto, e, no entanto, é isso que está acontecendo agora", reconheceu Jeff Bezos, fundador da Amazon, na última sexta-feira (3), durante uma conferência de tecnologia na Itália. "Essas bolhas industriais podem ser benéficas porque, quando a poeira baixa e restam os vencedores, a sociedade se beneficia dessas invenções", disse Bezos. O bilionário investiu na startup americana Perplexity, rival do ChatGPT. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Embora o retorno desse investimento ainda seja baixo, "não há dúvida entre os investidores de que a IA é a tecnologia mais revolucionária", comparável ao uso da eletricidade, disse Denis Barrier, diretor do fundo de investimento Cathay Innovation. O Vale do Silício "está mais focado em aproveitar a oportunidade" do que em se preocupar com os riscos, acrescentou. Data centers são a bola da vez A tensão geopolítica impulsiona o frenesi envolvendo principalmente a construção de data centers, que consomem grande quantidade de energia. Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas Entre 2013 e 2024, o investimento privado em IA atingiu US$ 470 bilhões (R$ 2,51 trilhões) nos Estados Unidos (quase um quarto apenas no último ano), seguido pela rival China, com US$ 119 bilhões (R$ 635,46 bilhões), segundo relatório da Universidade de Stanford. Poucas empresas concentram a maior parte do mercado, com a OpenAI na liderança. Em março de 2025, ela levantou aproximadamente US$ 40 bilhões (R$ 213,6 bilhões), o que elevou seu valor estimado para cerca de US$ 500 bilhões (R$ 2,67 trilhões), segundo analistas. Data centers de IA no Brasil poderão consumir mesma energia de 16 milhões de casas Data centers serão construídos no espaço em até 20 anos, diz Bezos 'Financiamento circular' Dirigida por Sam Altman, a Open AI está no centro de uma explosão de investimentos em IA: ela supervisiona o projeto Stargate, que conseguiu US$ 400 bilhões (R$ 2,14 trilhões) dos US$ 500 bilhões (R$ 2,67 trilhões) previstos para 2029 para data centers no Texas. Apoiado pela Casa Branca, o consórcio inclui o banco Softbank, e as gigantes de tecnologia Oracle, Microsoft e Nvidia, esta última alvo frequente de críticas por praticar o "financiamento circular", ou seja, investir em startups que usam os fundos para comprar seus chips. Alguns analistas consideram que esse comportamento infla uma bolha que pode estourar. O acordo com a OpenAI "provavelmente alimentará essas preocupações", indicou Stacy Rasgon, da Bernstein Research. Nos primeiros seis meses de 2025, a OpenAI gerou cerca de US$ 4,3 bilhões (R$ 22,96 bilhões) em receita, publicou nesta semana o veículo especializado The Information. Diferentemente da Meta ou do Google, que possuem reservas substanciais, a OpenAI e concorrentes como Anthropic ou Mistral precisam ser criativas na busca de fundos para preencher essa lacuna. Para os defensores dessa tecnologia, a explosão de receita da OpenAI é uma questão de tempo: seu assistente ChatGPT, lançado há menos de três anos, atende 700 milhões de pessoas, quase 9% da população mundial. Data center da Meta em Indiana, nos Estados Unidos Divulgação/Meta Vai ser como a bolha da internet? Alimentar o apetite digital da IA custará até US$ 500 bilhões (R$ 2,67 trilhões) ao ano em investimentos globais em data centers até 2030, o que vai exigir US$ 2 trilhões (R$ 10,68 trilhões) de receita anual para viabilizar os gastos, segundo a consultoria Bain & Company. A empresa considera que, mesmo com estimativas otimistas, a indústria da IA enfrenta um déficit de US$ 800 bilhões (R$ 4,27 trilhões). A OpenAI planeja gastar mais de US$ 100 bilhões (R$ 534 bilhões) até 2029, o que significa que ainda está longe de ser lucrativa. No âmbito energético, a pegada digital global da IA poderia alcançar 200 gigawatts até 2030, o que equivale ao consumo anual de eletricidade no Brasil, a metade dos Estados Unidos. Mas muitos analistas permanecem otimistas. "Mesmo com a preocupação com uma possível bolha da IA, consideramos que o setor se encontra em seu momento 1996, o auge da internet. E, definitivamente, não em seu momento 1999, antes do estouro da bolha", comentou o Dan Ives, da Wedbush Securities. A longo prazo, "muito dinheiro vai desaparecer, e haverá muitos perdedores, assim como durante a bolha da internet, mas a web se manteve", acrescentou Ives. Bezos comparou o atual fluxo de investimentos em IA com outra bolha, a dos laboratórios de biotecnologia nos EUA, no ano 2000, impulsionada pelos avanços da pesquisa genética, mas cujo valor despencou em poucos meses. No caso da IA, "os benefícios serão imensos", garantiu o empresário. "Isso afetará todas as empresas do mundo, melhorando a qualidade de seu trabalho e sua produtividade", disse o magnata. "Estamos na era de ouro das viagens espaciais, da inteligência artificial, da robótica (...) Nunca houve um momento melhor para se entusiasmar com o futuro", concluiu Bezos. O lavador de pratos que criou a Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo

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