sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Qual iPhone escolher: 16 ou 17?


5 diferenças entre o iPhone 17 e o iPhone 16 Olhando de perto, o iPhone 16 e o iPhone 17 são muito parecidos. Mesmo posicionamento das câmeras na traseira, dos botões, do acabamento em vidro e... parou por aí. O iPhone 17, recém-lançado no Brasil, representa um dos maiores saltos da Apple na comparação com as gerações anteriores. O iPhone 16, lançado no ano passado, ainda tem a vantagem de oferecer um preço menor. Nas lojas da internet consultadas no meio de outubro, o iPhone 16 custava na faixa dos R$ 5 mil. O iPhone 17 saía por volta de R$ 8 mil. Para ajudar na escolha, o Guia de Compras testou e comparou os dois modelos. A Apple vende ainda o iPhone 16e (na faixa dos R$ 4 mil) e outros três iPhones mais caros e com mais recursos (o novo Air e os 17 Pro/Pro Max), com preços a partir de R$ 10.500. Veja a seguir os resultados e, ao final, a conclusão e como foram feitos os testes. iPhone 17 iPhone 16 Design e especificações Apesar da semelhança externa, o iPhone 17 evoluiu bastante na comparação com o iPhone 16. ✅ A tela aumentou de 6,1 para 6,3 polegadas. iPhone 16 (à esquerda) e iPhone 17 (à direita): parecidos, mas não iguais Henrique Martin/g1 📺 A taxa de atualização do display passou de 60 Hz para 120 Hz. Isso significa quantas vezes a tela “pisca” para trocar uma imagem e, quanto maior, mais rápido aparece a informação para quem está usando o aparelho. E é um diferencial na hora de ver vídeos e jogar. É uma funcionalidade que os fabricantes de celulares com sistema Android já oferecem há alguns anos. Além disso, a tela está mais brilhante no iPhone 17. Esse aumento de brilho é perceptível colocando os dois aparelhos ao lado com letras brancas em fundo escuro. Veja abaixo. iPhone 16 (à esquerda) e iPhone 17 (à direita): a tela do 17 é levemente mais brilhante nas partes em branco Henrique Martin/g1 📦 O armazenamento do modelo mais em conta cresceu de 128 GB para 256 GB. 🔋A capacidade da bateria aumentou (leia mais sobre isso adiante). 🤳A câmera grande angular na traseira passou de 12 megapixels para 48 megapixels. A de selfies, de 12 para 18 megapixels. Câmera frontal do iPhone 17 Henrique Martin/g1 Ambos têm estrutura em alumínio com proteção com “Ceramic Shield” na frente. O iPhone 17 utiliza a segunda geração desse vidro especial, que promete uma resistência maior contra arranhões. iPhone 16 (à esquerda) e iPhone 17 (à direita) vistos por trás Henrique Martin/g1 Por conta da tela maior, o peso e as dimensões também mudaram um pouco: o iPhone 17 pesa 177 gramas e mede 149,6 x 71,5 x 8 mm – 0,1 mm mais fino que o modelo de 2024. O iPhone 16, 170 gramas e mede 147,6 x 71,6 x 7,8 mm. O iPhone 16 está disponível nas cores ultramarino, verde-acinzentado, rosa, branco e preto. Já o iPhone 17 vem nas cores lavanda, sálvia, azul-névoa, branco e preto. Ambos rodam o iOS 26, a versão mais recente do sistema operacional da Apple, e são compatíveis com a Apple Intelligence, inteligência artificial da fabricante. Desempenho e bateria A mudança do chip A18 (no iPhone 16) para o A19 (no iPhone 17) traz um aumento nos resultados dos testes de desempenho, sempre a favor do iPhone 17. Nos testes de vídeo (que avalia games e reprodução de vídeos), o iPhone 17 deu um grande salto, com ganhos de até 35% na comparação entre os dois modelos – é possível jogar sem perder detalhes, de forma mais fluida. Ambos rodaram muito bem os aplicativos e não travaram durante o uso. Mas o que muda mesmo é a duração de bateria. Desde o iPhone 15 (veja o teste), a Apple vem aprimorando o gerenciamento de energia. Após 13h30 de uso, a bateria do iPhone 16 chegou a 30% de carga restante. Depois de 12 horas de uso, a bateria do iPhone 17 chegou a 49% de carga restante. Câmeras A principal mudança nas câmeras do iPhone 16 para o 17 é na lente frontal. Tirar selfies ficou mais divertido, já que a Apple adotou um sensor quadrado (e não retangular) para a câmera frontal de 18 megapixels. Esse recurso está presente nos iPhones mais recentes, como o Air e a linha 17 Pro. Desse modo, é possível fazer fotos na vertical, como é o padrão, e na horizontal sem precisar mudar a posição do celular. Dá para fazer automaticamente conforme entram mais pessoas na cena, ou só tocar na tela. Selfie no iPhone Air: câmera ajusta o enquadramento de forma automática. Recurso também funciona nos iPhones 17 e 17 Pro. Fábio Tito/g1 Além disso, o ajuste de zoom é feito de forma automática com o recurso Center Stage, que foca no rosto do fotógrafo e aproxima/afasta sozinho dependendo da cena. Na qualidade da imagem na comparação com as selfies de 12 megapixels do iPhone 16, não há muita diferença. Já nas câmeras traseiras, os resultados também são similares, tanto de dia quanto à noite. Como no zoom. E no modo retrato – que teve algumas mudanças na coloração. ooças na coloração A única grande diferença da câmera traseira é o fato de a grande angular agora ir de 12 megapixels do iPhone 16 para 48 megapixels. No iPhone 17, a impressão é que a foto ficou mais nítida. As fotos ficam com maior resolução, mas, novamente, não há muita diferença nos resultados. Mesmo na macro. O iPhone 17 saía por volta de R$ 8 mil.sapor volta de R$ 8 mil. Conclusão O iPhone 17 representa uma grande evolução na linha, que se mantinha quase igual desde o iPhone 14. Todo ano a Apple mudava uma ou outra coisa, agora é um smartphone bastante interessante. Se você tem os iPhones mais antigos e já fora de linha (11, 12, 13, 14 ou 15), compensa bastante seguir para o iPhone 17. Agora, se você continua no iPhone 15 ou 16, as mudanças são grandes, mas não justificam a troca pelo preço do 17 agora. Onde entra o iPhone 16e nessa lista? O iPhone 16e é o celular mais básico da marca, por algumas razões: possui apenas uma câmera traseira – contra duas do iPhone 17 –, uma bateria maior e alguns recursos de sistema a menos. O fator de interesse nele é o preço: já dava para encontrá-lo na faixa de R$ 3.800 a R$ 4.000 no meio de outubro nas lojas da internet. São valores menores que um iPhone 14, por exemplo. Vale também para quem quiser testar a Apple Intelligence, a inteligência artificial da fabricante, que não funciona nos modelos iPhone 15 (somente nos 15 Pro/Pro Max) nem nos mais antigos.     Como foram feitos os testes Para os testes de desempenho, foram utilizados três aplicativos: PC Mark e 3D Mark, da UL Laboratories, e o GeekBench 6, da Primate Labs. Eles simulam tarefas cotidianas dos smartphones, como processamento de imagens, edição de textos, duração de bateria e navegação na web, entre outros. Esses testes rodam em várias plataformas – como Android, iOS, Windows e macOS – e permitem comparar o desempenho entre elas, criando um padrão para essa comparação. Para os testes de bateria, as telas dos smartphones foram calibradas para 70% de brilho, para poder rodar o PC Mark. Isso nem sempre é possível, já que nem todos os aparelhos permitem esse ajuste fino. A bateria foi carregada a 100% e o teste rodou por horas até chegar ao final da carga. Ao atingir 20% ou menos de carga, o teste é interrompido e mostra o quanto aquele smartphone pode ter de duração de bateria, em horas/minutos. Os produtos foram cedidos para o teste e serão devolvidos. Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável. Mais finos que um lápis: g1 testa o iPhone Air e o Galaxy S25 Edge

O aplicativo indiano que quer desafiar a supremacia do WhastApp


Veja os vídeos que estão em alta no g1 Nas últimas semanas, o Arattai, aplicativo desenvolvido pela empresa de tecnologia indiana Zoho, tornou-se uma sensação viral no país. A companhia afirma ter registrado sete milhões de downloads em "sete dias da última semana", sem especificar as datas. De acordo com a empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, os downloads do aplicativo não chegaram a 10 mil em agosto. Arattai, que significa bate-papo no idioma tâmil, teve um lançamento discreto em 2021. A Índia é o maior mercado do WhatsApp e faz parte do cotidiano da população do país BBC/Getty Images 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Como funciona e como ativar a nova ferramenta do WhatsApp para resumir conversas com IA O repentino aumento em sua popularidade está sendo associado ao incentivo do governo federal à autossuficiência, em um momento em que a Índia lida com os impactos das altas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos em seus produtos. "Produzir na Índia e gastar na Índia", uma mensagem que tem sido repetida nas últimas semana pelo primeiro-ministro, Narendra Modi, e seus ministros. O ministro da Educação do país, Dharmendra Pradhan, reforçou esse discurso há cerca de duas semanas, ao publicar no X sobre o Arattai, pedindo para que as pessoas usem "aplicativos feitos na Índia [para se manterem] conectadas". Desde então, vários outros ministros e líderes empresariais também publicaram sobre o Arattai. A Zoho afirma que o incentivo do governo "com certeza contribuiu para o aumento repentino nos downloads do Arattai". "Em apenas três dias, nós vimos um aumento nas inscrições de 3 mil para 350 mil. Em termos de usuários ativos, vimos um salto de 100 vezes, e esse número continua a aumentar", disse o CEO da Zoho, Mani Vembu, à BBC, acrescentando que isso também mostra que os usuários estão "entusiasmados com um produto nacional capaz de atender às suas necessidades e preferências únicas". A companhia não divulgou detalhes sobre o número exato de usuários ativos, mas especialistas dizem que ainda está longe dos 500 milhões de usuários mensais ativos, que o WhatsApp, da Meta, possui na Índia. A Índia é o maior mercado do WhatsApp e o aplicativo se tornou parte do cotidiano do país, usado para tudo, desde enviando mensagens de bom dia até gestão de negócios. A empresa de inteligência de mercado Sensor Tower afirma que mais de 95% dos usuários ativos mensais do Arattai em setembro estavam baseados na Índia BBC O Arattai possui recursos semelhantes ao WhatsApp, permitindo que os usuários enviem mensagens e façam chamadas de voz e vídeo. Ambos os aplicativos também oferecem ferramentas de negócios e, assim como o WhatsApp, o Arattai afirma ter sido desenvolvido para funcionar bem em celulares básicos e até mesmo com conexões de internet lentas. Muitos usuários elogiaram o Arattai nas redes sociais, alguns destacaram sua interface e design, enquanto outros afirmaram que o aplicativo se assemelhava ao WhatsApp em termos de usabilidade. Várias pessoas também sentiram orgulho por ser um aplicativo feito na Índia e incentivam outras a baixá-lo. Veja mais: Como o WhatsApp Web virou porta de entrada para ataque hacker com foco no Brasil Chefões das big techs se preparam para 'fim dos tempos': devemos nos preocupar também? O Arattai não é o primeiro aplicativo indiano a sonhar em substituir gigantes internacionais. No passado, aplicativos desenvolvidos na Índia como Koo e Moj foram apresentados, respectivamente, como alternativas ao X e ao TikTok (depois que o governo indiano baniu o aplicativo chinês em 2020), mas eles nunca conseguiram manter o sucesso inicial. Mesmo o ShareChat, antes considerado o grande rival do WhatsApp, acabou moderando suas ambições. O escritor e analista de tecnologia Prasanto K Roy, que mora em Nova Déli, diz que será difícil para o Arattai romper a extensa base de usuários do WhatsApp, principalmente porque o aplicativo da Meta já abriga um grande número de empresas e serviços de governo em sua plataforma. O sucesso do Arattai vai depender de sua capacidade de não apenas de atrair novos usuários, mas de retê-los, algo que não pode ser sustentado apenas pelo sentimento nacionalista. "O produto precisa ser bom, mas mesmo assim é improvável que consiga substituir um aplicativo que tem bilhões de usuários no mundo todo", acrescenta Roy. Alguns especialistas também levantaram preocupações sobre a privacidade de dados no Arattai. Embora o aplicativo ofereça criptografia de ponta a ponta para chamadas de voz e vídeo, essa proteção ainda não se estende às mensagens de texto. "O governo quer estabelecer a rastreabilidade das mensagens, alegando motivos de segurança, e isso pode ser feito facilmente sem criptografia de ponta a ponta", explica Shashidhar KJ, editor do MediaNama, um portal que cobre políticas de tecnologia na Índia. "Mas isso coloca a privacidade das pessoas em risco", pontua. A Arattai diz que está trabalhando ativamente para implementar a criptografia de ponta a ponta também para as mensagens de texto. "Inicialmente, nós planejávamos lançar o aplicativo só depois da criptografia, o que aconteceria em alguns meses", disse Mani Vembu. "Mas os prazos foram antecipados e estamos tentando disponibilizar recursos e infraestrutura essenciais o mais rápido possível O WhatsApp, por sua vez, já oferece criptografia de ponta a ponta em mensagens e chamadas, mas de acordo com sua política, ele pode compartilhar metadados — como mensagens ou registros de ligações — com governos sob circunstâncias legalmente válidas. As leis de internet da Índia exigem que as plataformas de redes sociais compartilhem dados de usuários com o governo federal em certas circunstâncias. Contudo, obter esses dados de empresas internacionais é difícil e demorado. Gigantes globais como a Meta e o X também contam com apoio jurídico e financeiro para resistir às solicitações governamentais que considerem injustas. Em 2021, o WhatsApp processou o governo indiano por causa das novas regras digitais para regular o conteúdo em redes sociais e plataformas de streaming, argumentando que elas violavam as proteções de privacidade do WhatsApp. O X também apresentou ações judiciais contra o poder do governo de bloquear ou remover conteúdo. Diante disso, especialistas se perguntam: será que o Arattai, um aplicativo de fabricação indiana, conseguiria atender às exigências do governo que podem colocar em risco os direitos de privacidade dos usuários. Rahul Matthan, especialista em direito tecnológico, afirma que, até que haja mais clareza sobre a arquitetura de privacidade do Arattai e a posição de seu CEO em relação ao compartilhamento de dados com o governo, muitas pessoas podem não se sentir confortáveis em usá-lo. Já Roy avalia que a Zoho pode se sentir obrigada a atender ao governo, principalmente pelo fato de ministros federais estarem promovendo o aplicativo. Além disso, pode não ser fácil para uma startup indiana resistir quando solicitada a cumprir as leis do país e as exigências das autoridades. Quando questionado sobre o que faria se recebesse esses pedidos, Mani Vembu disse que a empresa "quer que seus usuários mantenham o controle total sobre seus dados, cumprindo as regras e regulamentações de tecnologia da informação do país". "Assim que a criptografia de ponta a ponta estiver totalmente implementada, nem nós teremos acesso ao conteúdo das conversas. Seremos transparentes com nossos usuários sobre quaisquer obrigações legais", afirmou. A experiência mostra que as chances estão contra os aplicativos indianos, especialmente com o domínio de gigantes como WhatsApp e Facebook. Resta saber se o Arattai vai conseguir se destacar, ou se vai desaparecer assim como tantos outros. Veja mais: TikTok recomenda conteúdo sexual e pornografia para crianças, denuncia relatório Cidade do Japão limita uso de dispositivos digitais a duas horas por dia Torres com câmeras se espalham e levantam alerta sobre privacidade

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Celular descarregando rápido? Veja quando é hora de trocar a bateria


Veja os vídeos que estão em alta no g1 Trocar a bateria nem sempre é sinônimo de gasto desnecessário. Em alguns casos, o investimento pode prolongar a vida útil do celular (veja mais abaixo). O ideal é que o celular e a bateria durem por um tempo parecido e, consequentemente, que o usuário não precise trocar a bateria antes do aparelho, explica Eduardo Pouzada, professor do curso de Engenharia Eletrônica do Instituto Mauá de Tecnologia. Segundo ele, a ideia de substituir a bateria está ligada a uma prática que era mais comum há cerca de 10 anos, quando essa troca podia ser feita pelo próprio usuário. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja como localizar celular perdido pelo computador, seja iPhone ou Android Celular carregando Karolina Grabowska/Pexels "Antes, até era possível abrir o compartimento do celular onde fica a bateria e fazer essa troca com facilidade. Hoje, as baterias ficam 'coladas' no aparelho e só profissionais especializados podem fazer essa troca com segurança", explica o professor. Mesmo assim, dependendo do uso e do estado do celular, ainda pode valer a pena investir em uma nova bateria. De maneira geral, Eduardo Pouzada destaca alguns fatores que podem indicar que a trocar a bateria é vantajosa. São eles: o celular está relativamente novo e em bom estado, geralmente com até dois anos de uso (pode variar conforme os cuidados do usuário); o problema está restrito à bateria. Isso porque, se o aparelho apresenta outras falhas, como dificuldade em abrir aplicativos, a troca da bateria não resolverá o problema; a bateria não está sendo suficiente para o uso. São casos em que a pessoa usa mais do que a média o celular para realizar atividades que gastam bateria, como gravar vídeos e jogar; a bateria está rendendo menos do que o indicado no manual do celular (varia conforme o aparelho). Como e onde trocar a bateria 👉​ As baterias devem ser compradas em redes de assistência técnica autorizadas pelo fabricante do celular, segundo Euclides Chuma, professor da Unicamp e membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE). Isso evita a compra de produtos falsificados. ⚠️ A troca deve ser feita por profissionais da assistência técnica autorizada. Não tente trocar a bateria sozinho, pois isso pode danificar o aparelho. ♻️​ É importante também descartar a bateria antiga corretamente, ou seja, com a própria assistência técnica ou junto ao fornecedor. "Isso é necessário porque essas peças são feitas de metais pesados, que, além de demorarem para se decompor, são tóxicos para as pessoas e o meio ambiente", pontua Chuma. Como monitorar a saúde da bateria Para ficar ainda mais de olho na bateria do seu celular, alguns aparelhos permitem o monitoramento da saúde da bateria. Embora nem todos os dispositivos Android tenham esse recurso, todos os iPhones possuem. Veja como verificar a saúde da bateria no iPhone: Vá até os "Ajustes"; Navegue até o menu "Bateria"; Toque em "Saúde da Bateria"; Consulte a porcentagem em "Capacidade Máxima". A Apple inclui um aviso quando esse limite é atingido e sugere realizar uma manutenção. Passo a passo para consultar a 'Saúde de Bateria' do iPhone Reprodução VEJA TAMBÉM: ⚡Deixar o celular carregar até 100% estraga a bateria? Como o WhatsApp Web virou porta de entrada para ataque hacker com foco no Brasil Torres com câmeras se espalham e levantam alerta sobre privacidade

'Se tiver apagão, todos serão afetados': Anatel alerta para risco de concentração de data centers no Brasil

Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem alertado o governo federal sobre os riscos da concentração de centrais de processamento de dados em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. O presidente do conselho diretor da autarquia, Carlos Baigorri, afirmou nesta quinta-feira (16), que o ideal seria que os data centers ficassem mais espalhados pelo território brasileiro até para se ter maior garantia de segurança do sistema de dados do país. "Quando você coloca todos os ovos numa mesma cesta e tem um problema isso tem uma repercussão muito grande para todo país", disse Baigorri à Reuters após evento na FGV. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Como funciona um data center? E por que ele pode consumir tanta energia e água? "Falamos com o Ministério das Comunicações sobre como diversificar e desconcentrar para mitigar e reduzir riscos...temos alertado que a concentração dos data centers traz riscos", afirmou. "Se você tiver um apagão, um terremoto ou incidente, todos seriam afetados. É preocupante do ponto da gestão de riscos concentrar a infraestrutura digital em poucos locais", acrescentou. A desconcentração também ajudaria na ampliação da conectividade e no fortalecimento da soberania digital, afirmou, citando que a concentração das instalações de dados do país está associada à infraestrutura de cabos submarinos. "Essas são duas estruturas que andam juntas...mas hoje o que nos preocupa é a concentração em algumas cidades como Rio, São Paulo e Fortaleza", disse ele. "No Rio e São Paulo você tem a concentração do poder econômico e isso gera atração (de novos empreendimentos aos mesmos locais), em Fortaleza, os 17 cabos submarinos que chegam ao Brasil chegam lá na Praia do Futuro, o que gera concentração também", afirmou. No mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). O programa busca impulsionar o desenvolvimento de setores que reúnam empresas em áreas como computação em nuvem e inteligência artificial. Segundo o governo federal, a MP estimula a desconcentração regional, reduzindo contrapartidas para investimentos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No Projeto de Lei Orçamentário Anual (PLOA) 2026, o governo reservou R$5,2 bilhões para o Redata. A partir de 2027, o programa contará também com benefícios da reforma tributária. Veja mais: Primeiros data centers de IA no Brasil podem consumir mesma energia de 16 milhões de casas; conheça os projetos

Música de Adele em homenagem a Charlie Kirk é outro caso de excessos da IA


Inteligência artificial simula vozes de famosos: veja Frank Sinatra cantando Britney Spears e Michael Jackson interpretando Adele "Obrigado, Adele, é uma música magnífica". Mensagens como essa podem ser lidas entre as centenas de comentários publicados em um vídeo do YouTube que presta homenagem a Charlie Kirk, o ativista conservador assassinado em 10 de setembro. No entanto, a música publicada nessa plataforma digital foi gerada com inteligência artificial (IA) e não tem nada a ver com a estrela britânica. A IA agora pode criar músicas a partir de simples instruções de texto, imitando as vozes de artistas famosos sem o consentimento deles. De fato, existem homenagens semelhantes criadas com IA no YouTube com milhões de visualizações e atribuídas a estrelas como Ed Sheeran e Justin Bieber. Em muitos casos, as vozes não são semelhantes às dos artistas originais, mas muitos internautas continuam acreditando e demonstrando interesse pelos conteúdos falsos gerados por IA que inundam a internet. "Receio que o que tornava a internet tão incrível no início tenha desaparecido. Ela foi substituída por conteúdos medíocres criados por golpistas que buscam ganhar dinheiro", disse à AFP Alex Mahadevan, do instituto especializado em mídia Poynter. Músicas criadas por IA para homenagear Charlie Kirk são disponibilizadas no YouTube Reprodução/YouTube "Não totalmente humano" A política do YouTube exige que os criadores revelem se utilizaram IA em suas publicações. No entanto, essa menção geralmente não aparece de forma visível e costuma estar escondida na descrição do vídeo, onde pode passar facilmente despercebida. Um novo grupo gerado por IA chamado The Velvet Sundown lançou álbuns e reuniu mais de 200.000 ouvintes em uma conta verificada no Spotify. Nas redes sociais, o grupo se descreve como "nem totalmente humano, nem totalmente máquina". Essa tendência levanta questões delicadas sobre se as semelhanças vocais e visuais devem ser protegidas por direitos autorais. "Acredito firmemente que a imagem de uma pessoa deve ser protegida contra a reprodução em ferramentas de IA", afirmou Mahadevan. Uso indevido da IA Lucas Hansen, cofundador da ONG CivAI, considera improvável uma proibição total, mas diz que espera restrições no âmbito comercial. "Também pode haver restrições na distribuição, mas as leis existentes são muito menos rigorosas em relação a conteúdos não monetizados", explicou Hansen à AFP. Em junho, a Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos (Recording Industry Association of America) anunciou que as principais gravadoras haviam processado dois geradores de música com IA, entre eles o Suno, por suposta violação de direitos autorais. No ano passado, mais de 200 artistas, entre eles Katy Perry e Nicki Minaj, escreveram uma carta aberta aos desenvolvedores de IA e às plataformas tecnológicas. No documento, eles afirmaram que as ferramentas de treinamento baseadas em músicas existentes "desvalorizam nosso trabalho e nos impedem de receber uma remuneração justa". "Devemos nos proteger contra o uso indevido da IA que rouba a voz e a imagem dos artistas profissionais, viola os direitos dos criadores e destrói o ecossistema musical", afirmaram os artistas.

Como Sofá na Caixa foi de sucesso viral nas redes à explosão de reclamações de clientes


Veja os vídeos que estão em alta no g1 A catarinense Rebeca Alvarez, de 24 anos, se casou em abril e escolheu um sofá da marca Sofá na Caixa para decorar seu novo apartamento com o marido. "Dia 22 de julho fiz meu pedido, estamos construindo nossa vida do zero, como alugamos um apartamento pequeno, achamos que o Sofá na Caixa seria a melhor opção, pelas milhões de propagandas, e como saíram até na [revista] Forbes, resolvemos confiar", conta a esteticista. Em reportagem publicada em fevereiro de 2024 na revista Forbes, o fundador da Sofá na Caixa, Rubens Stuque, contava sobre como faturou R$ 1,6 milhão na primeira semana de operação da empresa e planejava vender 50 mil sofás e faturar R$ 90 milhões no primeiro ano de atividade. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "O prazo de entrega era 26 de agosto, o que já é um prazo grande em comparação a qualquer fábrica de móveis, mas aceitei. Porém se passaram 78 dias do pedido, um pagamento alto via Pix, e nada de sofá e nem de resposta deles", contou Rebeca à BBC News Brasil no dia 9 de outubro. Assim como Rebeca, diversos consumidores têm passado por problemas ao comprar produtos da Sofá na Caixa, que enfrenta uma explosão de reclamações e centenas de processos na Justiça movidos por clientes insatisfeitos. Reclamações contra a Sofá na Caixa no Procon-SP cresceram 126% em 2025, com atraso na entrega como principal queixa Divulgação via BBC Entre as principais queixas, estão atrasos na entrega, dificuldade para obter resposta da empresa nos canais de atendimento e para cancelar pedidos e receber o dinheiro de volta. Segundo o Procon-SP, o número de reclamações contra a empresa mais do que dobrou entre 2024 e 2025. Já foram 614 só neste ano, de janeiro a agosto, um aumento de 126% em relação a todo ano passado, quando houve 272 queixas. A Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, já recebeu este ano 88% mais reclamações sobre produtos não entregues pela Sofá na Caixa do que em todo o ano de 2024. A cada duas queixas no sistema ProConsumidor da secretaria, uma é sobre sofás não entregues. No Reclame Aqui, a Sofá na Caixa somava 7.861 reclamações até 13 de outubro, sendo 5.419 delas apenas nos últimos 12 meses. No site, a fabricante é classificada como não recomendada pelos consumidores, e apenas 13% dizem que voltariam a comprar da empresa. Em entrevista à BBC News Brasil, o fundador da Sofá na Caixa, Rubens Stuque, reconhece as dificuldades enfrentadas por parte dos clientes, mas afirma que os pedidos em atraso representam apenas 6,5% dos cerca de 100 mil sofás já entregues desde que a empresa começou a operar, em fevereiro de 2024. Stuque diz ainda que resolver os pedidos em atraso e devolver o dinheiro dos clientes que optaram pelo cancelamento é hoje a "prioridade número um". "Temos um compromisso com o Procon de, até o fim do ano, diminuir essas reclamações pela metade", diz ele. Conforme o Procon-SP, após a abertura de um processo de fiscalização contra a empresa em julho devido ao aumento de reclamações, a Sofá na Caixa compareceu a uma reunião presencial no final daquele mês, regularizou seu cadastro junto ao órgão de defesa do consumidor e se comprometeu a resolver as reclamações. Porém, nesta quarta-feira (15/10), a empresa foi novamente notificada pelo Procon-SP por não ter cumprido o plano acordado. Se a Sofá na Caixa não apresentar soluções efetivas para as dezenas de queixas de consumidores, a empresa será multada, terá de responder na Justiça e será incluída na lista "Evite Esses Sites" do Procon, informou o órgão. Segundo Stuque, que falou à BBC antes da segunda notificação pelo Procon-SP, entre as medidas tomadas até agora para resolver os problemas estão o aumento da produção para atender à demanda, a redução na variedade de produtos para aumentar a produtividade e uma equipe dedicada a responder às reclamações pendentes. O empresário diz que a Sofá na Caixa conta hoje com três fábricas próprias, emprega 320 funcionários diretos e gera cerca de 1 mil empregos indiretos. Com um investimento inicial de R$ 700 mil feito pelos próprios fundadores, o executivo diz que a empresa faturou R$ 57 milhões em 2024, e a expectativa é chegar a R$ 117 milhões neste ano, o que representaria um crescimento de 105%. "Esse crescimento foi controlado, poderia ter sido 300%, mas controlamos, justamente pela capacidade de produção e logística hoje", diz Stuque. Do viral nas redes à explosão de reclamações A Sofá na Caixa vende sofás modulares, compostos por peças individuais que podem ser combinadas de diferentes maneiras para criar modelos personalizados. Feitos com uma espuma especial, os módulos são vendidos comprimidos em caixas. Uma vez fora da embalagem, as peças se expandem, recuperando a forma original. Fundada em 2024, a empresa ganhou fama com uma eficiente campanha de marketing, com uma grande quantidade de anúncios impulsionados nas redes sociais e influenciadores testando o produto que viralizou nas redes. Antes da Sofá na Caixa, Rubens Stuque foi fundador da empresa de móveis para áreas externa Eco Flame Garden e foi homenageado em 2022 na lista Forbes Under 30 da revista Forbes, que destaca empreendedores de até 30 anos, por seu trabalho naquela empresa. Questionada pela BBC News Brasil sobre os critérios para inclusão de Stuque na lista, a Forbes disse que não iria se pronunciar. "O modelo de negócios da Sofá na Caixa responde a um problema muito grande, tanto do fabricante, quanto do consumidor", avalia Marcelo Prado, diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi). "Moramos hoje empilhados uns sobre os outros, em imóveis pequenos, em que há muita dificuldade de passar no elevador o sofá, que é um móvel grande. Tem que içar, não é qualquer elevador que entra, não dá pra subir pela escada às vezes", diz o consultor especializado no setor de móveis há mais de 30 anos. Prado observa que a espuma comprimível também reduz o custo de transporte. "Quando você transporta colchão, sofá, ou qualquer coisa feita em espuma, se transporta muito ar. Então, quando você põe isso numa caixa fechada a vácuo, tira todo o ar, a metragem cúbica é muito menor, você também ganha com a logística e com os materiais de embalagem", enumera. Para o consultor, esse pioneirismo da empresa, além de sua estrutura totalmente digital de vendas e estratégia de marketing agressiva, ajudam a explicar as dificuldades enfrentadas pela companhia agora. "O pioneirismo traz um desafio. Traz uma vantagem, porque você chega primeiro, mas tem um ônus", diz Prado. "Tem que ter muito cuidado, muito planejamento, e lidar com a coisa passo a passo, porque a reação do mercado não é necessariamente controlada, ainda mais quando seu grande promotor ou gerador de fluxo é a internet", prossegue. "A loja física é previsível, você tem mais facilidade de controlar e menos risco. A internet, se aquilo viralizar, pode gerar um fluxo muito maior do que a empresa pode atender." Foi o que aconteceu com a Sofá na Caixa, segundo uma pessoa com conhecimento dos negócios da empresa, que preferiu falar à BBC News Brasil sob anonimato. "Acho que vendeu mais do que produz, sistematicamente. Porque foi um boom muito grande. Ele [Stuque] deveria ter pausado as vendas para atender [aos pedidos já realizados]", opina essa pessoa. A paulistana Maíra Della Negra, de 45 anos, foi uma das afetadas pelos produtos não entregues pela Sofá na Caixa. Após 20 anos morando em Vinhedo, no interior de São Paulo, a psicóloga conta que se mudou de volta para a capital paulista e escolheu uma poltrona da marca para seu novo apartamento. "Logo quando comprei, não tinha um código de rastreio, achei estranho, mas OK. Fui cobrando e não tinha uma resposta. E aí começa: 'Olá, estamos com problema na produção, estamos com problema nisso, estamos com problema naquilo'", diz Maíra. Além de ficar irritada com as respostas da empresa, ela diz que se incomodou ao ver que tinha muita gente reclamando e que ninguém fazia nada a respeito: "Pensei, 'não é possível, a gente precisa se juntar'." Foi assim que Maíra criou um perfil no Instagram e um grupo de WhatsApp para clientes insatisfeitos, que chegou a reunir mais de 50 consumidores com pedidos em atraso, alguns deles, com compras feitas ainda no fim de 2024 e nunca entregues. Na quarta-feira (15/10), o perfil "Nunca Sai da Caixa", criado por Maíra, foi suspenso pelo Instagram. Problemas com matéria-prima A BBC News Brasil questionou o fundador da empresa se a Sofá na Caixa de fato vendeu mais sofás do que tinha capacidade de produzir. Rubens Stuque nega, mas afirma que sua produção foi afetada pela aplicação pelo governo federal, em julho deste ano, de direitos antidumping sobre as importações de poliol originárias da China e dos Estados Unidos. O poliol é um dos principais insumos na fabricação de poliuretano, matéria-prima utilizada na indústria de espumas, e a sobretaxa encareceu e reduziu a oferta do produto no Brasil, segundo representantes do setor. A decisão do governo foi resultado de um processo de investigação iniciado em janeiro de 2024, a pedido da Dow Brasil, única fabricante nacional de poliol. A Dow alegou que as importações chinesas e americanas estavam causando danos à indústria doméstica. Mas fabricantes de móveis e colchões questionam a capacidade da companhia de atender à toda demanda nacional. Associações do setor questionaram a medida junto ao governo e, ainda em julho, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) disse que ela poderia ser revista. Procurado pela BBC News Brasil, o MDIC informou que "o tema ainda está em discussão e sem data prevista para apresentar a decisão". "Isso [o antidumping sobre importações de poliol] não afetou só a gente, afetou todo o setor colchoeiro", diz Stuque. "Fornecedores de poliol retiraram o produto [do mercado], alongando o tempo de venda, sabendo que teria esse aumento de taxa e eles poderiam ganhar mais." Segundo o empresário, esse é um dos fatores que explicam os atrasos aos clientes, embora não seja o principal. Além disso, ele cita problemas logísticos com transportadoras. Questionado sobre a possibilidade de pausar vendas e anúncios até a regularização dos pedidos em atraso, Stuque diz que isso não é viável, diante das centenas de pessoas que hoje dependem da empresa. "Aumentamos nosso prazo de entrega, diminuímos a variedade de produtos. Mas são 1 mil pessoas envolvidas no projeto, e os atrasos representam 6,5% [do total de pedidos], nosso foco é a eliminação desses pedidos [em atraso]", diz o empresário, acrescentando que cerca de 60% dos pedidos do grupo de WhatsApp de clientes insatisfeitos criado por Maíra já tiveram seus problemas resolvidos. Stuque refuta, por fim, a acusação de muitos desses clientes insatisfeitos de que a empresa seria um "golpe" ou um "esquema de pirâmide". "A gente não tolera esse tipo de comunicação como 'golpe', 'estelionato'. Todos os dias são feitas soluções de pedidos, de problemas. Muitos clientes têm sim uma resposta, mas não é a resposta que eles gostariam." Meu produto não chegou: o que fazer? O advogado Stéfano Ferri, especialista em Direito do Consumidor e membro da comissão de Direito Civil da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Campinas, explica os passos que o consumidor deve tomar em casos de produtos não entregues. "O primeiro ponto é sempre registrar todos os contatos que as pessoas fazem com a empresa, seja por e-mail, WhatsApp, se for por ligação, lembrar de pedir o número de protocolo, porque tudo isso facilita quando você precisa buscar o Judiciário posteriormente", diz Ferri. O Código de Defesa do Consumidor estabelece que o vendedor é responsável pela entrega do produto dentro do prazo estipulado. Caso o produto não seja entregue, o consumidor pode recorrer à Justiça para exigir o cumprimento forçado da oferta. Outra opção, caso o cumprimento não seja possível, é aceitar outro produto equivalente ou rescindir o contrato, com direito à devolução dos valores pagos. Caso opte por entrar com um processo, isso pode ser feito na Justiça comum ou no Juizado Especial Cível (JEC), antes conhecido como Tribunal de Pequenas Causas. O Juizado Especial pode ser acessado se a causa não superar 40 salários mínimos vigentes (equivalente a R$ 60.720 em outubro de 2025). A vantagem é que não há custo judicial para entrar com a ação e, se o consumidor perde, ele não precisa pagar honorários de sucumbência em primeira instância — valores pagos pela parte perdedora em um processo ao advogado da parte vencedora. No tribunal, também é possível entrar com a ação sem advogado, mas Ferri não recomenda a prática. "Fica muito mais difícil o acompanhamento do processo. E, eventualmente, se a pessoa precisar recorrer, ela vai ter que buscar um advogado", argumenta. O gaúcho Felipe Beckert tentou esse caminho, após não receber o sofá que comprou em janeiro. Ele diz que, depois de tentar diversas vezes cancelar o pedido e reaver o valor diretamente com a empresa, entrou em junho com uma ação no Juizado Especial Cível no Rio Grande do Sul. Em outubro, houve uma audiência de conciliação entre as partes — uma etapa obrigatória em ações movidas no Juizado Especial —, mas a empresa não mandou representantes. "Quando isso acontece, se pede para que seja decretada a revelia da empresa. O caso vai a julgamento, e muito provavelmente o juiz vai considerar como verdade as alegações do autor [da ação] e pode ser até que a empresa venha a pagar uma multa pelo não comparecimento", diz Ferri. Quanto à possibilidade de indenização por danos morais, o advogado explica que isso é possível pela lei, mas improvável num caso como o enfrentado pelos clientes da Sofá na Caixa. "Tem que ter um cenário em que o consumidor passa por um constrangimento, algo mais grave. Não basta o simples inadimplemento para ter direito ao dano moral", explica o advogado. Por fim, Ferri diz que o consumidor também pode recorrer a canais oficiais de reclamação como os Procons estaduais, a plataforma Consumidor.gov.br do governo federal ou sites privados como o Reclame Aqui. E pode expor seus problemas com a empresa nas redes sociais, se assim o desejar, desde que não extrapole o limite da reclamação, passando a ofender a empresa ou difamá-la — nesses casos, o consumidor pode acabar se expondo ao risco de ser processado pela empresa. Após o pedido de entrevista feito pela BBC News Brasil, os consumidores ouvidos pela reportagem relataram que a Sofá na Caixa acelerou o processo de resolução dos problemas. A empresa nega e diz que a condução dos casos ocorre normalmente. A recém-casada Rebeca conseguiu a devolução do seu dinheiro, assim como o gaúcho Felipe. A psicóloga Maíra recebeu seu produto quase três meses depois da compra.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

As mulheres que decidiram confrontar a Meta após perderem seus bebês: 'Anúncios lembram tudo que perdi'


Veja os vídeos que estão em alta no g1 Qual o tamanho do meu bebê com seis semanas de gravidez? Qual é a data prevista para o parto? Quando devo marcar minha primeira consulta médica? Estas são algumas perguntas que as mulheres digitam nos mecanismos de busca quando descobrem que estão grávidas. Com Sammi Claxon, não foi diferente. Logo depois que ela começou a procurar respostas, os algoritmos detectaram que ela estava grávida e começaram a bombardeá-la com anúncios. Mas quando ela perdeu o bebê devido a um aborto espontâneo, os anúncios não pararam. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Após seu primeiro aborto espontâneo em 2021, Sammi teve mais quatro nos três anos seguintes. "Assim que você recebe o resultado positivo, você se sente como uma mãe", diz Sammi. "Você tem esse plano para o futuro na cabeça e quando isso te é tirado, é horrível." Sentimentos de vergonha e constrangimento fizeram com que Sammi se sentisse isolada. Sammi Claxon teve cinco abortos espontâneos BBC/Arquivo pessoal/Sammi Claxon Ela recorreu às redes sociais em busca de apoio e se lembra de ver seu feed repleto de anúncios relacionados a bebês, o que para ela foi devastador. Sammi, de Nottinghamshire, na Inglaterra, acabou se afastando das redes sociais, diz ela, para preservar sua saúde mental. Assim como Sammi, Tanya O'Carroll foi impactada por anúncios direcionados do Facebook quando descobriu que estava grávida em 2017. "Achei isso simplesmente enervante – isso foi antes mesmo de eu contar às pessoas na minha vida privada", disse ela à BBC. Em março, após Tanya entrar com uma ação judicial, o Facebook concordou em parar de direcionar anúncios a um usuário individual usando dados pessoais. A ação judicial de Tanya argumentou que o sistema de publicidade direcionada do Facebook se enquadra na definição de marketing direto do Reino Unido, dando aos indivíduos o direito de se opor. Veja mais: Facebook exclui grupo que vendia garrafas de bebidas usadas e tinha 11 mil pessoas Como o WhatsApp Web virou porta de entrada para ataque hacker com foco no Brasil 'Anúncios assustadores e invasivos' A Meta – dona do Facebook e do Instagram – afirmou que os anúncios em suas plataformas só poderiam ser direcionados a grupos de no mínimo 100 pessoas, e não a indivíduos, portanto, não seriam considerados marketing direto. Mas a Autoridade de Proteção de Dados do Reino Unido discordou. Tanya afirma que a Meta concordou em parar de usar seus dados pessoais para fins de marketing direto, "o que, em termos não jurídicos, significa que basicamente consegui desativar todos os anúncios assustadores, invasivos e direcionados no Facebook". Pelo que ela e seus advogados sabem, ela é agora a única entre os mais de 50 milhões de usuários do Facebook no Reino Unido que não é alvo de anúncios personalizados. Tanya acrescenta que agora há mais de 10 mil pessoas que se opuseram à Meta para que a empresa pare de usar seus dados para marketing direto – o que pode levar a novos processos judiciais. Mas o caso não mudou nada para muitas mulheres que perderam seus bebês, mas ainda assim foram "bombardeadas" com anúncios relacionados à gravidez. Rhiannon Lawson planejava seu bebê quando descobriu que estava grávida BBC/Arquivo pessoal/Rhiannon Lawson Entre elas estão Rhiannon Lawson, de Suffolk, na Inglaterra, que disse à BBC que ver aquelas duas linhas azuis em seu teste de gravidez encheu ela e seu parceiro, Mike, de "esperança". Como muitos outros futuros pais, eles deram um nome ao bebê em desenvolvimento. "Nós o batizamos de Fantus — em homenagem a um personagem infantil que víamos constantemente quando visitávamos amigos na Dinamarca", diz Rhiannon. Mas, após um sangramento no início da gravidez, um teste mostrou que Rhiannon havia sofrido um aborto espontâneo com oito semanas. Em outubro do ano passado, ela descobriu que estava grávida novamente e, desta vez, ficou mais tranquila com alguns exames iniciais. Mas então veio o ultrassom de 20 semanas, que revelou que o bebê – que o casal chamou de Hudson – tinha uma forma grave de síndrome do coração esquerdo hipoplásico, uma doença cardíaca congênita rara em que o lado esquerdo do coração é subdesenvolvido. "Não havia como seguir em frente", diz ela, e Hudson nasceu morto em março, com 22 semanas. Devastados, Rhiannon e seu parceiro usavam as redes sociais para obter apoio, além de jogar jogos de palavras online juntos. Rhiannon engravidou duas vezes, mas perdeu os dois bebês BBC/Arquivo pessoal/Rhiannon Lawson Mas, depois de se despedir do filho, o casal ainda se deparou com anúncios relacionados a bebês em seus celulares. "Aplicativos de gravidez ainda enviam notificações de marcos. Lojas de bebês oferecem descontos em itens que nunca precisaremos. Anúncios de carrinhos de bebê e itens essenciais para recém-nascidos aparecem nas rolagens de tela", afirma Rhiannon. "A tecnologia não entende a perda e, nos momentos em que menos esperamos, ela nos lembra com uma precisão devastadora do que não temos mais." Veja mais: Chefões das big techs se preparam para 'fim dos tempos': devemos nos preocupar também? TikTok recomenda conteúdo sexual e pornografia para crianças, denuncia relatório 'Consinta ou pague' No final de setembro, a Meta anunciou que lançaria um serviço de assinatura para usuários que não querem ver anúncios no Reino Unido. Isso significa que, para parar de ver anúncios, eles terão que pagar 2,99 libras (R$ 22) por mês. O modelo de publicidade, conhecido como "consinta ou pague", é uma forma de os proprietários de plataformas digitais gerarem receita com usuários que se recusam a ser rastreados. Mas Rhiannon afirma que isso não ajudará pessoas como ela. "Se eles [Meta] se importassem com seus usuários, cobrar para que não vejam conteúdo perturbador parece irracional", diz ela. Hayley Dawe diz que foi alvo de anúncios, apesar de ter mudado suas preferências BBC Após três tentativas malsucedidas de fertilização in vitro (FIV), Hayley Dawe e seu parceiro Anthony ficaram "chocados" ao descobrir que estavam esperando gêmeos e imediatamente se juntaram a vários grupos online de gêmeos e vasculharam a internet em busca de dicas e conselhos. Eles já tinham uma filha de seis anos, então estavam animados com as duas novas adições. Mas essa empolgação se transformou em devastação quando um exame ainda no início da gravidez confirmou que uma das gêmeas havia morrido uma semana antes. E no dia do próximo exame, a sala ficou em silêncio, pois sua outra gêmea também não tinha batimentos cardíacos — e havia morrido no dia anterior. "Eu fiquei devastada", diz ela. Hayley buscou apoio em fóruns online, mas se viu confrontada com anúncios de, entre outros itens, roupas de maternidade, travesseiros de gravidez e aplicativos de monitoramento de gravidez. Para Hayley, sair das redes sociais "não era uma opção", pois foi lá que ela encontrou outras mulheres passando por experiências semelhantes. A Meta afirma que os usuários do Facebook podem bloquear o acesso a tópicos de anúncios que não desejam ver por meio de suas configurações, que oferecem parentalidade como um tópico ao lado de coisas como chocolate, jogos de tabuleiro e luta livre. Hayley diz que ficou chocada ao ver que gravidez não foi listada como uma categoria separada e afirma que desativar a opção de parentalidade não fez diferença, com pelo menos cinco anúncios de gravidez aparecendo depois. Ela marcou alguns dos anúncios como spam, mas afirma que, três semanas depois, ainda estava sendo exposta a repetidas promoções de gravidez. Assim como Rhiannon, Hayley não é a favor de uma assinatura paga. "Por que tenho que pagar quando há opções para alterar preferências que parecem não funcionar?", questiona. Arturo Bejar diz que o botão 'marcar como spam' faz muito pouco BBC/Arquivo pessoal/Arturo Bejar As experiências de Sammi, Rhiannon e Hayley com o acionamento de conteúdo não são nenhuma surpresa para o ex-funcionário da Meta Arturo Bejar. "O [botão] marcar como spam não estava conectado a nada", diz Arturo, que fazia parte da equipe de gerência sênior. "Descobrimos que, em alguns casos, os relatórios de ajuda estavam sendo descartados porque eram muitos." Ele trabalhou para a Meta entre 2009 e 2015 e novamente de 2019 a 2021. Bejar também prestou depoimento ao Congresso dos EUA em 2023 sobre como acreditava que a Meta não estava mantendo os usuários seguros. "Eles adoram dizer que se importam, mas o que importa é atrair mais usuários para suas plataformas, para que possam ganhar mais dinheiro. Acho isso imperdoável. É desumano", acrescenta. Em resposta, um porta-voz da Meta disse: "Levamos essas preocupações a sério e continuamos a melhorar a sensibilidade e a precisão da forma como os anúncios são veiculados." "Nossos sistemas são projetados para compartilhar o conteúdo mais relevante e útil, mas não são perfeitos e alguns anúncios podem ocasionalmente parecer insensíveis ou mal colocados. À medida que continuamos a refinar nossos modelos, incentivamos as pessoas a optarem por bloquearem certas categorias." 'Me lembra de tudo o que perdi' A jornalista da BBC Hayley Compton perdeu três bebês BBC Sei como esses anúncios são angustiantes, porque faço parte do mesmo clube de pais do qual ninguém quer fazer parte. Dei à luz minha filha Liliana em 18 de abril de 2020. Carreguei-a por 40 semanas e, então, seu coração parou de bater dentro de mim — dois dias após a data prevista para o parto. Passei algumas horas preciosas tentando memorizar seu rosto, seu peso em meus braços e a sensação de sua pele ao toque. Tenho dificuldade com a palavra "perda", porque não a perdi como um molho de chaves entre as almofadas do sofá. Desde a morte de Liliana, tive uma filha e um filho, e outros dois abortos espontâneos. Sempre digo que sou mãe de dois bebês que posso segurar nos braços — e três que carrego no coração. Quando estou no meu mais vulnerável, vasculhando as redes sociais em busca de apoio, sou bombardeada por anúncios direcionados de bebês rindo, barrigas de gravidez exuberantes, famílias felizes, me lembrando de tudo que perdi. Veja mais: SP registra 4 casos de deepfakes sexuais em escolas, aponta levantamento da SaferNet; Brasil tem casos em 10 estados Influenciador morre durante transmissão ao vivo na França e acende alerta

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