sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Por que Elon Musk quer produzir robôs humanoides


Robô humanoide Optimus Getty Images via BBC Ele já apareceu em showrooms da Tesla, nas linhas de produção da empresa — e até posou ao lado de Kim Kardashian. Mas a visão de Elon Musk para o robô humanoide Optimus é muito mais ambiciosa do que isso. Desde que o apresentou pela primeira vez em um evento da Tesla em 2022, o bilionário da tecnologia tem dito que o robô de sua empresa poderá desempenhar um papel enorme nos lares e na vida de pessoas em todo o mundo. Junto com os táxis-robôs autônomos e os caminhões Cybertruck, Musk acredita que os robôs da Tesla são peça-chave para consolidar a presença da empresa no campo da inteligência artificial (IA). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos que estão em alta no g1 E os investidores que aprovaram, na quinta-feira, seu pacote salarial de 1 trilhão de dólares (cerca de R$ 5,6 trilhões) parecem concordar. Uma das metas que Musk precisa cumprir para receber esse pagamento astronômico é entregar um milhão de robôs com IA na próxima década. Mas a grande aposta da Tesla em robôs humanoides tem base científica — ou é ficção? Neo: quanto custa robô que pode lavar, dobrar e passar suas roupas EUA e China travam corrida por robôs que prometem substituir humanos em casa e no trabalho; conheça os projetos E se um robô cuidar de você ou dos seus pais na velhice? Grande potencial O Vale do Silício está mirando alto nos humanoides. Um relatório divulgado pelo banco Morgan Stanley na sexta-feira previu que a Apple — que, segundo rumores, também estaria desenvolvendo robôs desse tipo — poderia faturar US$ 133 bilhões (cerca de R$ 750 bilhões) por ano até 2040 com a tecnologia. A Foxconn, por sua vez, estaria implantando robôs humanoides em sua fábrica da Nvidia, no Texas. A ideia de uma inteligência artificial avançada dentro de um corpo com forma humana é, ao menos em teoria, uma combinação incrivelmente poderosa. Ela permitiria que a tecnologia interagisse com o mundo físico — e sim, inclusive conosco. Enquanto muitas empresas têm desenvolvido robôs humanoides para uso industrial e fabril — como a britânica Humanoid — algumas já planejam levar a tecnologia para dentro de casa. O Neo, robô da empresa 1X, com lançamento previsto para 2026, promete executar tarefas simples como esvaziar a lava-louças, dobrar roupas e buscar objetos. O preço? US$ 20 mil (cerca de R$ 115 mil) — mas com uma ressalva: segundo o Wall Street Journal, o robô é na verdade controlado por uma pessoa usando um headset de realidade virtual. Neo: conheça robô que pode lavar, dobrar e passar suas roupas O analista Brian Hopkins, da Forrester, afirmou que a queda no custo dos componentes, somada aos avanços na destreza dos robôs e na inteligência artificial, está tornando os humanoides viáveis em diferentes contextos. "De armazéns e restaurantes a cuidados com idosos e segurança, novos usos estão ganhando força rapidamente", escreveu em seu blog. "Se as tendências atuais se mantiverem, os robôs humanoides poderão transformar profundamente muitas indústrias de serviços físicos até 2030." Musk já havia dito a investidores que seus robôs "têm potencial para, com o tempo, se tornarem mais importantes do que o próprio negócio de veículos". Depois da aprovação de seu pacote salarial, ele foi além: declarou acreditar que o Optimus pode ser "o maior produto de todos os tempos — muito maior que os celulares, maior que qualquer coisa". Robô humanoide da empresa de Elon Musk 'luta' Kung Fu O empresário também sugeriu que o projeto poderia impulsionar as ambições de IA da Tesla, especialmente no avanço de sistemas de inteligência artificial geral (AGI) — capazes de igualar habilidades humanas. "O Tesla AI pode desempenhar um papel na AGI, já que treina com base no mundo real — especialmente com o advento do Optimus", escreveu ele na rede X, em 2022. Em outro ponto desse mesmo setor, o Atlas, robô hidráulico da Boston Dynamics, cativou milhões de pessoas no YouTube com suas acrobacias e coreografias de dança. Os vídeos virais mostrando seus saltos, giros, cambalhotas e mortais ilustram os avanços da robótica nos últimos anos — agora potencializados pela explosão da IA, que permite que esses sistemas executem tarefas cada vez mais complexas. Atlas: robô humanoide da Boston Dynamics agora pode pegar e arremessar objetos Quando foi aposentado no ano passado, o Atlas foi substituído por um novo modelo totalmente elétrico, que, segundo os desenvolvedores, é capaz de dobrar sua estrutura metálica de formas ainda mais impressionantes. Mas muitos dos especialistas em robótica com quem a BBC conversou ao longo dos anos costumam revirar os olhos quando ouvem falar de empresas de tecnologia moldando robôs à imagem humana. Na prática, há pouca razão para que robôs tenham pernas. Os mecanismos e o hardware necessários para criá-las são muito mais complexos e custosos. Como resumiu um cientista: "rodas são muito mais eficientes." E melhor nem perguntar por que um robô precisaria ter cabeça. Do ponto de vista psicológico, porém, os humanoides sempre exerceram um fascínio profundo sobre nós — algo refletido há décadas na ficção científica. Basta lembrar de personagens como C-3PO, de Star Wars; Bender, de Futurama; ou o Exterminador do Futuro para entender que os humanos tendem a se sentir mais à vontade diante de algo que se parece conosco. Na vida real, contudo, as máquinas humanoides costumam ser muito menos refinadas — e mais desajeitadas, limitadas e cheias de falhas — do que suas contrapartes da ficção. Mas isso parece estar mudando com o avanço de modelos como o Optimus e outros robôs mais elegantes, que nos aproximam cada vez mais daquele desconfortável "vale da estranheza". O robô da Tesla tem aparecido em contextos públicos com mais frequência — recentemente, servindo hambúrgueres e pipoca aos clientes da lanchonete da empresa em Hollywood. Sam Altman, diretor da OpenAI (criadora do ChatGPT), disse em maio não acreditar que o mundo esteja preparado para os humanoides — embora também os tenha descrito como "um momento que está prestes a chegar". Apesar da rivalidade pública entre ele e Elon Musk, neste caso parece haver um ponto de convergência: os robôs estão vindo, e Musk certamente tem o poder, a influência e o dinheiro para fazer isso acontecer. Conheça o robô faxineiro eleito uma das melhores invenções do ano

Por que Elon Musk pode estar mais perto de se tornar um trilionário


Acionistas da Tesla aprovam plano de pagamento de US$ 878 bilhões para Elon Musk Acionistas da Tesla aprovaram nesta quinta-feira (06) um pacote de remuneração recorde para o CEO (diretor-executivo) da empresa, Elon Musk, que pode chegar a quase US$ 1 trilhão. Se conseguir cumprir várias metas e conquistar essa remuneração, Musk se tornaria o primeiro trilionário do mundo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O acordo, sem precedentes, teve 75% dos votos e recebeu aplausos estrondosos da plateia na assembleia anual da empresa. Musk, que já é o homem mais rico do mundo, precisa aumentar drasticamente o valor de mercado da empresa de carros elétricos ao longo de 10 anos. Se ele conseguir isso e atingir várias outras metas, será recompensado com centenas de milhões de novas ações. A magnitude do possível pagamento gerou críticas, mas o conselho da Tesla argumentou que Musk poderia deixar a empresa se o acordo não fosse aprovado — e que a companhia não podia se dar ao luxo de perdê-lo. Após o anúncio, Musk subiu ao palco em Austin, nos Estados Unidos, e dançou ao som de gritos com seu nome. "O que estamos prestes a iniciar não é apenas um novo capítulo do futuro da Tesla, mas um livro completamente novo", disse ele. "Outras assembleias de acionistas são um tédio, mas as nossas são incríveis. Olha só isso. É sensacional", comemorou. Os objetivos que Musk precisa cumprir na próxima década para maximizar seus ganhos incluem aumentar o valor de mercado da Tesla de US$ 1,4 trilhão (no momento desta publicação) para US$ 8,5 trilhões. Ele também precisa colocar um milhão de veículos autônomos robotáxis em operação comercial. Mas suas primeiras declarações nesta quinta-feira (6) focaram no robô Optimus, que tem aspecto humano e é projetado para realizar tarefas repetitivas e variadas. Isso frustou alguns analistas e entusiastas da Tesla que querem que Musk se concentre em revitalizar o ramo de veículos elétricos da empresa. Musk disse que todo mundo gostaria de um robô Optimus Reuters via BBC Mais tarde, Musk se referiu ao FSD, sigla de "direção totalmente autônoma" em inglês, dizendo que a empresa está "quase confortável" em permitir que os motoristas "enviem mensagens de texto enquanto dirigem". Órgãos reguladores dos EUA estão investigando o recurso de direção autônoma da Tesla após vários acidentes — como carros passando por semáforos vermelhos ou dirigindo na contramão, alguns resultando em acidentes e ferimentos. As ações da Tesla subiram ligeiramente no pregão após o fechamento do mercado, mas acumulam alta de mais de 62% nos últimos seis meses. As vendas caíram desde que Musk se alinhou ao presidente dos EUA, Donald Trump — uma relação que se desfez em maio. Dan Ives, analista da consultoria Wedbush Securities e defensor de longa data da gestão de Musk, chamou o bilionário de "o maior ativo da Tesla" em uma nota publicada após a deliberação dos acionistas. "Continuamos acreditando que a valorização da IA [inteligência artificial] ​​está sendo desbloqueada e acreditamos que a caminhada rumo a uma valorização da TSLA [Tesla] impulsionada pela IA nos próximos 6 a 9 meses já começou", afirmou. Musk já detinha 13% das ações da Tesla. Bônus já foi bloqueado pela Justiça dos EUA Os acionistas haviam ratificado duas vezes um pacote de remuneração no valor de dezenas de bilhões de dólares, caso ele conseguisse um aumento de dez vezes no valor de mercado da empresa — o que o empresário conseguiu. Mas um juiz de Delaware rejeitou este acordo de remuneração argumentando que os membros do conselho da Tesla eram muito próximos de Musk. A Suprema Corte de Delaware está atualmente analisando a decisão do juiz de primeira instância. O novo pacote de remuneração para Musk foi rejeitado por vários grandes investidores institucionais, incluindo o fundo soberano da Noruega, o maior fundo soberano do mundo; e o Sistema de Aposentadoria dos Funcionários Públicos da Califórnia (CalPERS), o maior fundo de pensão pública dos EUA. Isso deixou Musk mais dependente do volume excepcionalmente grande de investidores individuais da Tesla. Musk e seu irmão Kimbal, que também faz parte do conselho da Tesla, tiveram permissão para votar na reunião desta quinta. Nas últimas semanas, membros do conselho de administração da Tesla ajudaram a pressionar pelo novo pacote de remuneração de Musk com uma campanha de marketing intensa que irritou alguns especialistas em governança corporativa. Um vídeo publicado no site votetesla.com mostrou a presidente do conselho, Robyn Denholm, e a diretora Kathleen Wilson-Thompson elogiando Musk. Pacote trilionário para Musk está condicionado ao cumprimento de algumas metas ambiciosas para a Tesla Reuters via BBC

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Brasil recebeu quase 2 milhões de TV boxes ilegais da China em 1 ano, diz associação; esquema também opera na Argentina e no Paraguai


Como foi a operação que derrubou apps de streaming pirata no Brasil O Brasil foi o destino de 1,7 milhão de TV boxes irregulares da China em 2023, informou ao g1 a Alianza, associação de empresas contra pirataria audiovisual na América Latina, com base em seu levantamento mais recente. Os aparelhos costumam sair de fábrica com serviços de streaming pirata como o My Family Cinema e o TV Express, que estão entre os 14 que foram derrubados nos últimos dias após uma investigação na Argentina. Ainda segundo a associação, a maioria dos dispositivos chega ao país por navio, sendo cerca de 50% para o Porto de Santos (SP) e 21% para o Porto de Paranaguá (PR). Os dados são obtidos após uma análise dos registros de importações com foco em dados como o preço e o peso de cargas, explicou o presidente do conselho da Alianza, Jorge Alberto Bacaloni. "É um trabalho bastante difícil, que exige a dedicação de pessoas para analisar as remessas. A Alianza faz isso de tempos em tempos para entender por onde os aparelhos entram", afirmou. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O que você achou do novo formato de vídeo que abre esta reportagem? O Paraguai também é destino comum das TV boxes irregulares fabricadas na China. A Alianza registrou a chegada de 450 mil aparelhos ao país em 2023, mas já tinha notado um pico de 2,1 milhões de dispositivos em 2019. "A queda em 2023 pode se dever ao fato de que as informações estejam sendo mais ocultadas. Não necessariamente menos equipamentos estão sendo importados", afirmou Bacaloni. Modelos de TV boxes como Duosat e BTV, vendidos no Brasil sem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), são alguns dos que tinham os serviços piratas. BadBox 2.0: mais de 370 mil TV boxes foram infectadas no Brasil, diz relatório 'Pane geral' em TV boxes piratas: como é a solução que promete combater caixinhas irregulares Ligações de números parecidos: como são feitas as chamadas adulteradas que irritam usuários Mensagem de erro em aplicativos de streaming piratas foram publicadas nas redes sociais Reprodução As 14 plataformas derrubadas são: My Family Cinema, TV Express, Eppi Cinema, Vela Cinema, Cinefly, Vexel Cinema, Humo Cinema, Yoom Cinema, Bex TV, Jovi TV, Lumo TV, Nava TV, Samba TV e Ritmo TV. Os serviços cobravam de US$ 3 a US$ 5 por mês (de R$ 16 a R$ 27 por mês) para liberar acesso a conteúdo como filmes, séries e transmissões esportivas, violando direitos autorais. Com a derrubada dos serviços, muitos consumidores que pagaram pelas assinaturas recorreram até mesmo ao ReclameAqui, apesar de as queixas estarem relacionadas a plataformas com conteúdo pirateado. O Procon-SP informou ao g1 que o consumidor "abdica de seus direitos" ao adquirir um produto ou serviço mesmo sabendo que ele é irregular. "Até por uma questão prática, em tese, a empresa da qual ele adquiriu o produto ou serviço pode nem estar regularizada, o que impede que órgãos como o Procon-SP a notifique", disse o órgão de defesa do consumidor. Esquema com equipes de marketing e TI O Ministério Público Fiscal de Buenos Aires, na Argentina, abriu uma investigação em setembro de 2024 depois de uma denúncia da Alianza. Em agosto de 2025, a Justiça da Argentina autorizou buscas em quatro escritórios de empresas que funcionavam como centrais do esquema de conteúdo pirateado. Um dos escritórios tinha cerca de 100 funcionários com foco em marketing, vendas, atendimento a clientes e tradução de aplicativos. "Eles tinham funcionários dedicados a monitorar o bloqueio de seus serviços, que eram reajustados quando bloqueados", disse Bacaloni, da Alianza. Policiais apreenderam 88 notebooks, 10 pen drives, 37 discos rígidos e 568 cartões de recarga para liberar conteúdo nas TV boxes. Autoridades encontraram ainda 9,4 milhões de pesos argentinos (cerca de R$ 35 mil) e US$ 3.900 (R$ 21 mil), além de carteiras digitais com US$ 120 mil (R$ 640 mil) em criptomoedas. Os serviços só ficaram indisponíveis semanas depois porque a estrutura técnica do esquema estava hospedada na China, o que exigiu mais tempo para interromper seu funcionamento. A estimativa é que o esquema teve faturamento anual entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões (de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão), segundo a Alianza. Esquema de streaming pirata na Argentina tinha funcionários dedicados a monitorar bloqueio de serviços Reprodução TV box é ilegal? As TV boxes, também conhecidas como aparelho de IPTV e caixinhas de TV, podem ser usadas no Brasil, mas precisam ter sido homologadas pela Anatel. A lista de aparelhos autorizados pela agência pode ser encontrada neste link ao selecionar o filtro "Tipo de produto" e selecionar "Smart TV Box". "O processo de homologação é realizado para garantir que o equipamento atenda aos requisitos técnicos definidos pela Anatel em relação à emissão de radiofrequências, à segurança cibernética e ao uso regular das redes de telecomunicações", diz a agência. A Anatel afirma que colabora com entidades como a Alianza, a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) e a Agência Nacional do Cinema (Ancine) para bloquear o funcionamento das TV boxes não homologadas e o conteúdo de serviços de streaming pirata. "Além de possibilitar a pirataria, TV Boxes piratas podem interferir em outros aparelhos legítimos e permitir ataques hackers às redes de seus usuários", diz a agência. Policiais apreenderam dinheiro e dispositivos eletrônicos em escritório alvo de busca em operação contra streaming pirata Reprodução

Acionistas da Tesla aprovam plano de pagamento de US$ 878 bilhões para Elon Musk


Elon Musk REUTERS/Nathan Howard Elon Musk conquistou uma vitória expressiva nesta quinta-feira (6). Os acionistas da Tesla aprovaram um pacote de remuneração de até US$ 878 bilhões para o presidente-executivo da empresa, válido pelos próximos dez anos. O pagamento dependerá de metas específicas. (leia abaixo) O resultado reforça o apoio à visão do executivo de transformar a montadora de veículos elétricos em uma potência global de inteligência artificial e robótica. A proposta foi aprovada com mais de 75% dos votos. As ações da Tesla subiram cerca de 1% após o fechamento do mercado. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Durante a assembleia de acionistas, realizada em Austin, Texas, Musk subiu ao palco acompanhado por robôs dançarinos. "O que estamos prestes a iniciar não é apenas um novo capítulo do futuro da Tesla, mas um livro completamente novo", disse ele. "Esta será realmente uma grande história." "Outras assembleias de acionistas são um tédio, mas as nossas são incríveis. Quer dizer, olha só isso. É sensacional", acrescentou. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na mesma ocasião, foram reeleitos três diretores do conselho da Tesla. Também foi aprovado um plano de remuneração alternativo para os serviços de Musk, após o atraso de um pacote anterior por conta de uma ação judicial. Além disso, os acionistas votaram a favor de uma proposta que prevê eleições anuais para todos os membros do conselho. Analistas avaliam que o resultado da votação favorece as ações da Tesla, cuja valorização está atrelada à visão de Elon Musk de popularizar veículos autônomos, ampliar o uso de robotáxis nos Estados Unidos e comercializar robôs humanoides — apesar de sua retórica política de extrema-direita ter impactado negativamente a imagem da marca neste ano. Vitória esperada A vitória de Musk já era amplamente esperada, uma vez que o bilionário pôde exercer integralmente seus direitos de voto, correspondentes a cerca de 15% de participação na empresa. A medida ocorreu a mudança da sede da montadora de Delaware para o Texas, onde uma ação judicial havia barrado um pacote de remuneração anterior. A aprovação veio apesar da resistência de grandes investidores, entre eles o fundo soberano da Noruega. O conselho da Tesla havia dito que Musk poderia se demitir caso o pacote salarial não fosse aprovado. A votação também deve reduzir a preocupação de investidores sobre uma possível dispersão do foco de Musk, causada por seu envolvimento com temas políticos e pela gestão de outras empresas, como a fabricante de foguetes SpaceX e a startup de inteligência artificial xAI. O conselho e diversos investidores que apoiaram a proposta afirmam que o pacote de quase US$ 1 trilhão traz benefícios de longo prazo aos acionistas, pois Musk só receberá o valor se a Tesla atingir uma série de metas previamente estabelecidas. Entre as metas de Musk para os próximos dez anos estão: a entrega de 20 milhões de veículos; a operação de 1 milhão de robotáxis; a venda de 1 milhão de robôs; e a obtenção de até US$ 400 bilhões em lucro operacional. Para que ele receba a remuneração prevista, o valor de mercado da Tesla também precisa acompanhar esse crescimento — subindo de US$ 1,5 trilhão para US$ 2 trilhões, e depois alcançando US$ 8,5 trilhões.

Meta lucrou US$ 16 bilhões com anúncios de golpes e produtos ilegais em 2024, diz agência


A empresa Facebook é uma das principais avaliadas durante investigações Dado Ruvic / REUTERS A Meta lucrou cerca de US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios de golpes e produtos proibidos, apontam documentos internos da empresa obtidos pela agência Reuters. O valor corresponde a 10% da receita anual da empresa. Os arquivos mostram que, por pelo menos três anos, a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp falhou em identificar e bloquear uma quantidade enorme de anúncios fraudulentos. Esses conteúdos expuseram bilhões de usuários a golpes de comércio eletrônico, investimentos falsos, cassinos ilegais e venda de produtos médicos proibidos. Segundo um relatório interno de dezembro de 2024, a Meta exibe aos usuários, todos os dias, cerca de 15 bilhões de anúncios classificados como de “alto risco”, com fortes indícios de fraude. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Deu ruim: lançamento de óculos da Meta é marcado por falhas Outro documento indica que a empresa arrecada aproximadamente US$ 7 bilhões por ano com esse tipo de publicidade. Grande parte das fraudes foi cometida por anunciantes sinalizados pelos sistemas de alerta internos da empresa. Mesmo assim, a Meta só bloqueia contas quando seu algoritmo indica que há 95% de certeza que o anunciante está cometendo fraude. Se o sistema apontar que o anunciante é um provável golpista, mas com menor grau de certeza, a Meta aplica taxas maiores, como forma de penalidade, segundo os documentos. A intenção seria desestimular a publicação de anúncios suspeitos. Os relatórios indicam ainda que quem clica em anúncios fraudulentos tende a receber mais conteúdo do tipo. Isso ocorre devido ao sistema de personalização da Meta, que mostra anúncios com base nos interesses e interações dos usuários. Os documentos foram produzidos entre 2021 e 2025 nas divisões de finanças, lobby, engenharia e segurança. O material reflete os esforços da Meta para medir o tamanho do abuso em suas plataformas — e também sua hesitação em adotar medidas que possam prejudicar seus interesses comerciais. Meta diz que número estimado era 'abrangente' Em um comunicado enviado à Reuters, o porta-voz da Meta, Andy Stone, afirmou que os documentos vistos pela reportagem “apresentam uma visão seletiva que distorce a abordagem da Meta em relação a fraudes e golpes”. A estimativa interna da empresa de que obteria 10,1% de sua receita de 2024 com golpes e outros anúncios proibidos era “aproximada e excessivamente abrangente”, disse Stone. A empresa determinou posteriormente que o número real era menor, porque a estimativa incluía “muitos” anúncios legítimos também, afirmou ele. Ele se recusou a fornecer o número atualizado. “A avaliação foi feita para validar nossos investimentos planejados em integridade – incluindo o combate a fraudes e golpes – o que fizemos”, disse Stone. “Combatemos agressivamente fraudes e golpes porque as pessoas em nossas plataformas não querem esse conteúdo, os anunciantes legítimos não o querem e nós também não”, acrescentou. "Nos últimos 18 meses, reduzimos em 58% as denúncias de anúncios fraudulentos em todo o mundo. Em 2025, até agora, removemos mais de 134 milhões de anúncios fraudulentos", disse Stone. Plataformas envolvidas em um terço dos golpes nos EUA Outros relatórios indicam que a empresa prometeu reforçar o combate a fraudes. Em um documento de 2024, a Meta estabeleceu reduzir em até 50% os golpes com anúncios em alguns mercados. Há também registros de gerentes elogiando equipes por esforços bem-sucedidos nesse trabalho. Ao mesmo tempo, os documentos mostram que a própria pesquisa da Meta indica que seus produtos se tornaram um pilar da economia global de fraudes. Em uma apresentação de maio de 2025, a equipe de segurança da empresa estimou que as plataformas da Meta estavam envolvidas em um terço de todos os golpes bem-sucedidos nos EUA. A Meta também reconheceu, em outros documentos internos, que alguns de seus principais concorrentes estavam fazendo um trabalho melhor na eliminação de fraudes em suas plataformas. "É mais fácil anunciar golpes nas plataformas da Meta do que no Google", concluiu uma análise interna da Meta em abril de 2025 sobre comunidades online onde fraudadores discutem suas atividades. O documento não apresenta os motivos por trás dessa conclusão. Preparando-se para multas de até US$ 1 bi Os documentos deixam claro que a Meta pretende reduzir, no futuro, seu fluxo de receita ilícita. Mas a empresa teme que cortes abruptos na receita de publicidade fraudulenta possam impactar suas projeções de negócios, segundo um documento de 2025 que discute o impacto da chamada "violação de receita" — anúncios que violam os padrões da Meta, como golpes, jogos ilegais, serviços sexuais ou produtos de saúde duvidosos. Os registros mostram que a Meta planeja tentar reduzir a parcela de receita do Facebook e do Instagram proveniente de anúncios fraudulentos. Ao mesmo tempo, a empresa reconheceu internamente que multas regulatórias para esse tipo de anúncio são inevitáveis e podem chegar a até US$ 1 bilhão, segundo um documento interno. No entanto, essas multas seriam muito menores do que a receita da Meta com anúncios fraudulentos, segundo um outro documento de novembro de 2024. A cada seis meses, a empresa obtém US$ 3,5 bilhões apenas com os anúncios considerados de "maior risco legal", como aqueles que falsamente representam marcas ou figuras públicas, ou que apresentam outros sinais de engano. O valor, segundo o documento, provavelmente supera "o custo de qualquer acordo regulatório envolvendo anúncios fraudulentos". Em vez de tomar medidas voluntárias para revisar os anunciantes, a liderança da Meta decidiu agir apenas diante da perspectiva de uma ação regulatória iminente. Andy Stone, porta-voz da empresa, contestou essas interpretações, afirmando que a Meta não age apenas quando é pressionada: “Essa não é a política da empresa”, disse ele. Ataque no WhatsApp pode roubar senhas de usuários; veja como se proteger iPhone Air: primeiras impressões do celular fininho e quais são seus rivais Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

'RH da pirataria' e centrais na Argentina: os detalhes da operação contra apps de streaming ilegal no Brasil


Como foi a operação que derrubou apps de streaming pirata no Brasil A derrubada de serviços de streaming pirata como o My Family Cinema e o TV Express foi resultado de uma investigação na Argentina contra um esquema bilionário que focava em clientes no Brasil. Fora do ar há cerca de uma semana, os serviços eram usados por modelos de TV boxes como Duosat e BTV, vendidos no Brasil sem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) (saiba mais abaixo). O My Family Cinema informou que "devido a questões de direitos autorais, esta marca deve encerrar permanentemente seus serviços". Nas redes sociais, dezenas de brasileiros reclamaram que os serviços não estavam funcionando. E, apesar de estarem relacionadas a plataformas com conteúdo pirateado, as queixas chegaram até mesmo ao ReclameAqui, site que recebe reclamações de empresas legítimas. Entre sábado (1º) e terça-feira (4), 14 serviços já tinham saído do ar, segundo a Alianza, associação de empresas contra pirataria audiovisual na América Latina que denunciou o esquema na Argentina. A entidade diz que o número de serviços derrubados deverá subir para 28 até o final de novembro. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O que você achou do novo formato de vídeo que abre esta reportagem? Os aplicativos tinham cerca de 6,2 milhões de assinantes ativos, sendo 4,6 milhões no Brasil, segundo a Alianza. A associação diz que os serviços chegaram a 8 milhões de usuários em junho e suspeita que o Mundial de Clubes, realizado neste período, levou a um pico de contratações. Clientes dos serviços de streaming pirata pagavam de US$ 3 a US$ 5 por mês cada um (entre R$ 16 e R$ 27 por mês) para ter acesso indevido a conteúdo como filmes, séries e transmissões esportivas. A prática gerou um alerta em entidades como La Liga, que administra o campeonato espanhol e passou a contribuir com a investigação. A estimativa é que o esquema teve faturamento anual entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões (de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão), segundo a Alianza. E foi derrubado após uma investigação que começou ainda em 2024. A Anatel não participou dessa investigação, mas orienta usuários de TV boxes a comprarem apenas aparelhos certificados pela agência para "garantir a segurança do consumidor e evitar a prática de atividades ilícitas". BadBox 2.0: mais de 370 mil TV boxes foram infectadas no Brasil, diz relatório 'Pane geral' em TV boxes piratas: como é a solução que promete combater caixinhas irregulares Ligações de números parecidos: como são feitas as chamadas adulteradas que irritam usuários Mensagem de erro em aplicativos de streaming piratas foram publicadas nas redes sociais Reprodução Como foi a investigação? A operação partiu de uma denúncia feita pela Alianza, que, em 2024, decidiu investigar por conta própria o aplicativo MagisTV (também conhecido como UniTV e HTV), que oferece acesso indevido a conteúdos protegidos por direitos autorais. Representantes da associação compraram modelos de TV boxes com o MagisTV em diferentes revendedores para obter mais informações sobre essas plataformas. Em setembro de 2024, a entidade apresentou uma denúncia para o departamento de investigação de crimes cibernéticos do Ministério Público Fiscal de Buenos Aires, que iniciou uma investigação formal. Escritório na Argentina alvo de busca em operação contra serviços de streaming pirata Reprodução Em agosto de 2025, a Justiça autorizou buscas em quatro escritórios de empresas que pareciam legítimas, mas funcionavam como centrais do esquema de conteúdo pirata. Um desses escritórios tinha cerca de 100 funcionários contratados de acordo com a legislação trabalhista da Argentina e com apoio até mesmo de um setor de Recursos Humanos. Policiais apreenderam 88 notebooks, 10 pen drives, 37 discos rígidos e 568 cartões de recarga para liberar conteúdo nas TV boxes. Autoridades encontraram ainda 9,4 milhões de pesos argentinos (cerca de R$ 35 mil) e US$ 3.900 (R$ 21 mil), além de carteiras digitais com US$ 120 mil (R$ 640 mil) em criptomoedas. Policiais apreenderam dinheiro e dispositivos eletrônicos em escritório alvo de busca em operação contra streaming pirata Reprodução Por que o esquema estava na Argentina? Apesar de ser o centro desse esquema, a Argentina não é o principal destino das TV boxes ilegais. O país tem um mercado relativamente pequeno para as caixinhas de TV, que têm como público-alvo usuários em países como Brasil, México, Equador e África do Sul. Mas o mercado restrito na Argentina também contribui para que o esquema seja levado para lá, avaliou Jorge Alberto Bacaloni, presidente do conselho da Alianza. "No Brasil, há um mercado enorme. Com certeza, há alguém no Brasil investigando. Mas ninguém tentaria procurá-los em um país com um mercado menor porque imaginariam que o negócio não estaria baseado lá". A organização criminosa incluía ainda ex-executivos e funcionários ativos de grandes empresas de conteúdo, segundo a Alianza. "Com os problemas em relação ao câmbio, a Argentina é um país muito barato. E é um país com pessoas muito qualificadas para administrar esses serviços", disse Bacaloni. Quais plataformas saíram do ar? As 14 plataformas derrubadas são: My Family Cinema, TV Express, Eppi Cinema, Vela Cinema, Cinefly, Vexel Cinema, Humo Cinema, Yoom Cinema, Bex TV, Jovi TV, Lumo TV, Nava TV, Samba TV e Ritmo TV. Os serviços só ficaram indisponíveis semanas depois da operação policial porque os escritórios na Argentina eram responsáveis apenas pelas áreas de marketing e vendas. A estrutura técnica estava hospedada na China, o que exigiu mais tempo para interromper seu funcionamento. TV box é ilegal? As TV boxes, também conhecidas como aparelho de IPTV e caixinhas de TV, podem ser usadas no Brasil, mas precisam ter sido homologadas pela Anatel. A lista de aparelhos autorizados pela agência pode ser encontrada neste link ao selecionar o filtro "Tipo de produto" e selecionar "Smart TV Box". "O processo de homologação é realizado para garantir que o equipamento atenda aos requisitos técnicos definidos pela Anatel em relação à emissão de radiofrequências, à segurança cibernética e ao uso regular das redes de telecomunicações", diz a agência. A Anatel afirma que colabora com entidades como a Alianza, a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) e a Agência Nacional do Cinema (Ancine) para bloquear o funcionamento das TV boxes não homologadas e o conteúdo de serviços de streaming pirata. "Além de possibilitar a pirataria, TV Boxes piratas podem interferir em outros aparelhos legítimos e permitir ataques hackers às redes de seus usuários", diz a agência.

Por que a inteligência artificial não conseguia imaginar uma mulher como eu — até agora


Jess Smith, ex-nadadora paralímpica australiana Jessica Smith via BBC Quando Jess Smith carregou uma foto sua em um gerador de imagens por inteligência artificial (IA) no verão, ela não esperava passar por um experimento social. A ex-nadadora paralímpica australiana queria incrementar seu retrato e carregou uma foto sua de corpo inteiro. E avisou especificamente a ferramenta que faltava uma parte do seu braço esquerdo, abaixo do cotovelo. Mas o ChatGPT não conseguia criar a imagem que ela pedia. E, apesar de diversos pedidos, os resultados foram praticamente os mesmos: uma mulher com dois braços ou com um dispositivo metálico, representando uma prótese. Smith perguntou à IA por que era tão difícil criar a imagem que ela pediu. A resposta foi que não havia dados suficientes para trabalhar. "Foi uma percepção importante para mim que, é claro, a IA é um reflexo do mundo em que vivemos hoje e do nível de desigualdade e discriminação existente", afirma ela. Até o início de outubro, Smith não conseguia criar uma imagem de si própria. Mas, depois que a BBC perguntou ao ChatGPT o motivo da dificuldade, ela tentou novamente e conseguiu. Smith ficou surpresa ao descobrir que, agora, o chatbot consegue produzir um retrato preciso de uma mulher com um só braço, como ela. "Oh, meu Deus, funcionou, é incrível que ele tenha sido finalmente atualizado", conta ela à BBC. "É um grande avanço." Talvez não pareça grande coisa, mas este é um ponto importante para milhões de pessoas com deficiência. "A representação na tecnologia significa não ser visto apenas como uma reflexão tardia, mas como parte do mundo que está sendo construído", afirma Smith. "A IA está evoluindo e, quando ela evoluir com base na inclusão, todos nós nos beneficiaremos. É mais do que um progresso tecnológico, é um progresso da humanidade." Um porta-voz da OpenAI, responsável pelo ChatGPT, declarou que, recentemente, a empresa "fez melhorias significativas" do seu modelo de geração de imagens. "Sabemos que os desafios permanecem, particularmente em termos de representação justa, e estamos trabalhando ativamente para melhorar isso, incluindo o refinamento dos nossos métodos pós-treinamento e acrescentando novos exemplos com diversidade, para ajudar a reduzir o viés ao longo do tempo", informou a empresa. Embora a IA, agora, reconheça a deficiência de Smith, Naomi Bowman ainda vivencia um problema similar. Ela só tem visão de um olho e pediu ao ChatGPT para omitir o fundo de uma fotografia. A IA fez a alteração, mas também "mudou completamente o meu rosto e igualou meus olhos". "Mesmo quando expliquei especificamente que eu tenho uma condição em um dos olhos e pedi que ele deixasse meu rosto sem alteração, ele não conseguiu editar a foto", ela conta. Inicialmente, Bowman achou engraçado, mas, agora, ela fica triste, "pois mostra o preconceito inerente na IA". Ela pede que os modelos de IA sejam "treinados e testados rigorosamente para reduzir o preconceito da IA e garantir que os conjuntos de dados sejam suficientemente abrangentes para que todos sejam representados e tratados de forma justa". Algumas pessoas preocupadas com o impacto ambiental da IA também já criticaram a criação de imagens no ChatGPT. Representação cultural Os especialistas afirmam que o preconceito na inteligência artificial, muitas vezes, reflete os mesmos pontos cegos existentes na sociedade como um todo, não apenas as deficiências mal representadas. Abran Maldonado é CEO (diretor-executivo) da Create Labs, uma empresa americana criadora de sistemas de IA culturalmente conscientes. Ele afirma que a diversidade na IA começa nas pessoas envolvidas no treinamento e na marcação dos dados. "É questão de quem está na sala onde os dados estão sendo construídos", explica ele. "Você precisa de representação cultural na etapa de criação." Nem tudo é representado corretamente na internet. Maldonado destaca que, se as pessoas que vivenciaram as experiências não forem consultadas, a IA sairá perdendo. Um exemplo conhecido é um estudo do governo americano em 2019, que concluiu que os algoritmos de reconhecimento facial identificam rostos asiáticos e afroamericanos com muito menos precisão, em comparação com caucasianos. Conversas desconfortáveis Mesmo vivendo com um só braço, Jess Smith não se considera deficiente. Ela afirma que as barreiras que ela enfrenta são sociais. "Se eu usar um banheiro público e precisar manter a torneira abaixada, isso prejudica minha capacidade, não porque não posso fazer, mas porque o designer não pensou em mim", ela conta. Smith acredita que existe o risco de que a mesma omissão ocorra no mundo da IA, onde os sistemas e espaços são construídos sem considerar a todos. Quando Smith compartilhou sua experiência original no LinkedIn, alguém enviou a ela uma mensagem para dizer que seu aplicativo de IA criou uma imagem de uma mulher com um braço só. "Tentei criar e aconteceu o mesmo, não consegui gerar a imagem", ela conta. Ela informou a pessoa, mas nunca recebeu resposta. Isso ocorre com frequência nas conversas sobre deficiências, segundo Smith. "A conversa é muito constrangedora, desconfortável e as pessoas se afastam." Ouça neste link o episódio do programa The Artificial Human (em inglês), da BBC Rádio 4, que deu origem a esta reportagem.

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