quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Espanha determina que World exclua todos os dados de íris escaneadas no país

Projeto do criador do ChatGPT já coletou dados de mais de 500 mil pessoas na Espanha. Operação já tinha sido interrompida em março por ordem da Justiça no país. Empresa quer escanear a íris de toda a população mundial para coletar dados O órgão fiscalizador de proteção de dados da Espanha determinou nesta quinta-feira (19) que a World exclua todos os dados de íris escaneadas no país, segundo a Reuters. A decisão veio da Agência Espanhola de Proteção de Dados ao entender que o empreendimento pode ser uma violação das regras de proteção de dados da União Europeia. A Espanha não é o primeiro país a ir nesta direção. Em novembro, a República Dominicana também suspendeu o escaneamento no país. A World disse ao g1 em 11 de dezembro que a operação na Espanha "está atualmente em uma pausa temporária por iniciativa própria do projeto." Não é a primeira vez que a Espanha se posiciona contra a World. Em março, o Tribunal Supremo da Espanha manteve a proibição temporária do escaneamento de íris, rejeitando um recurso movido pelos proprietários da organização. A decisão também segue uma preocupação global sobre privacidade dentro deste projeto criado por Sam Altman, CEO da OpenAI (empresa do ChatGPT). Escaneamento no Brasil No Brasil, a World já coletou dados de 189 mil pessoas, segundo dados desta quinta-feira (19) divulgados pela própria empresa. Quem aceita oferecer seus dados ganha tokens da Worldcoin, moeda digital da empresa que pode ser convertida para o real. O projeto levanta questionamentos sobre como vai tratar informações biométricas de milhões de pessoas e qual é a finalidade da coleta desses dados, que são considerados sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Funcionários da Amazon entram em greve em sete locais nos EUA dias antes do Natal


Paralisação atinge instalações da empresa em cidades como Nova York, Atlanta e São Francisco, de acordo com sindicato. Empresa diz que não espera nenhum efeito em suas operações, em meio a um dos períodos mais movimentados do ano. Trabalhadores fazem manifestação em frente a centro de distribuição da Amazon na Califórnia, nos EUA Reuters/Daniel Cole Funcionários da Amazon.com em sete instalações da empresa dos Estados Unidos abandonaram o trabalho nesta quinta-feira (19), em meio à correria das compras de fim de ano, com o objetivo de pressionar o varejista a negociar contratos com o sindicato de trabalhadores. Funcionários de armazéns em cidades como Nova York, Atlanta e São Francisco estão participando da greve contra a Amazon, de acordo com o sindicato International Brotherhood of Teamsters, que representa cerca de 10.000 trabalhadores, incluindo motoristas que realizam entregas, em 10 das instalações da empresa. A Amazon, no entanto, disse que não espera nenhum efeito em suas operações durante um dos períodos mais movimentados do ano. Os sindicatos representam cerca de 1% da força de trabalho horária da Amazon, o segundo maior empregador privado do mundo depois do Walmart e que conta com instalações em diversas áreas metropolitanas do país. O sindicato havia dito à Amazon que 15 de dezembro seria o prazo final para as negociações. Trabalhadores dos armazéns, então, votaram para iniciar a greve. "Se seu pacote atrasar durante as férias, você pode culpar a ganância insaciável da Amazon", disse o presidente do International Brotherhood of Teamsters, Sean O'Brien, na quarta-feira. "Demos à Amazon um prazo claro para vir à mesa e fazer o que é certo pelos nossos membros. Eles ignoraram. Esta greve é ​​deles." Em resposta, um porta-voz da Amazon disse que o sindicato "intencionalmente enganou o público" e "ameaçou, intimidou e tentou coagir" funcionários e motoristas terceirizados a se juntarem à greve. Observadores disseram que era improvável que a Amazon viesse à mesa para negociar, pois isso poderia abrir a porta para mais ações sindicais. Ela emprega mais de 800.000 pessoas em seus armazéns nos EUA e tem mais de 600 centros de distribuição, estações de entrega e outras instalações no país. A Amazon tem enfrentado desafios legais nos EUA. A empresa apresentou objeções ao Conselho Nacional de Relações Trabalhistas (NLRB) sobre uma votação sindical de 2022 em Staten Island, alegando parcialidade entre os funcionários da agência. A empresa também contestou a constitucionalidade do NLRB em um processo federal em setembro. No início deste ano, a empresa anunciou um investimento de US$ 2,1 bilhões para aumentar os salários dos funcionários de distribuição e transporte nos EUA, aumentando os salários-base dos funcionários em pelo menos US$ 1,50 para cerca de US$ 22 por hora, um aumento de aproximadamente 7%. VEJA TAMBÉM: União Europeia multa Meta em milhões de euros por violação de dados em 2018 ANPD determina que X suspenda tratamento de dados de menores de 18 anos para treinamento de IA Telegram promove conteúdo extremista a usuários, revela estudo obtido pela BBC Números desconhecidos no WhatsApp adicionam usuários a grupos sem autorização

Celular Seguro terá bloqueio parcial para permitir rastreio e recuperação de aparelhos


Ao optar por essa nova modalidade de bloqueio, o usuário que foi roubado ou furtado permite que o celular fique ativo e possa voltar a se conectar à rede de telefonia. Celular Seguro Darlan Helder/g1 O programa Celular Seguro disponibiliza a partir desta quinta-feira (19) uma atualização que traz uma nova modalidade de bloqueio parcial que vai atingir apenas a linha telefônica e aplicativos, como os de bancos. Ao optar por essa nova modalidade de bloqueio, o usuário que foi roubado ou furtado permite que o celular fique ativo e possa voltar a se conectar à rede de telefonia. Com isso, abre a possibilidade também de que o aparelho seja rastreado e possa ser recuperado pela polícia. Programa Celular Seguro já tem mais de 57 mil bloqueios em 6 meses Os usuários vão continuar podendo acionar o bloqueio geral, que estava vigente até agora, e que além da linha e dos aplicativos atinge o IMEI (identidade do celular), impossibilitando o rastreio do aparelho. Processo de recuperação De acordo com o Ministério da Justiça, responsável pelo Celular Seguro, as operadoras de telefonia vão comunicar quando um aparelho, que está na lista do bloqueio parcial, se reconectar à rede usando um novo chip. Em seguida, o ministério repassará essa informação à Secretaria de Segurança Pública do estado onde essa operação aconteceu, possibilitando que a Polícia Civil realize ações para recuperá-lo. O ministério informou ainda que deve lançar novas funções dentro do Celular Seguro nos próximos 90 dias. Entre elas está a possibilidade de que as pessoas consultem a lista dos aparelhos com restrição. O objetivo é que, no momento da compra de um celular, as pessoas possam se certificar de que ele não foi alvo de furto, roubo ou extravio. Além disso, o ministério planeja lançar a verificação automática de novas linhas em aparelhos com restrição, o que permitirá a integração do Celular Seguro com uma plataforma nacional em gestação na pasta e que pretende criar um programa nacional de recuperação de celulares. Outra ação planejada pelo ministério é criar uma notificação automática para celulares que estão na lista de restrição, que será enviada no momento em que ele for habilitado e se reconectar à rede de telefonia. A notificação visa alertar a pessoa de que aquele aparelho está sendo buscado e deve ser devolvido.

ChatGPT chega oficialmente ao WhatsApp; veja como usar


IA já pode ser usada no app de mensagens em português. OpenAI também lançou chamadas telefônicas com o ChatGPT, mas recurso está disponível apenas nos EUA. ChatGPT chega oficialmente ao WhatsApp; veja como usar Reprodução/X A OpenAI anunciou na quarta-feira (18) que o ChatGPT está oficialmente disponível no WhatsApp. A inteligência artificial pode responder a perguntas, auxiliar na redação de textos, oferecer dicas, traduzir idiomas e desempenhar outras funções (veja como usar). A novidade já está disponível em português. Nos testes realizados pelo g1, o ChatGPT no WhatsApp afirmou que não consegue interpretar áudios enviados e nem criar imagens. Além disso, a OpenAI anunciou que já é possível realizar chamadas telefônicas e interagir com o robô por voz. No entanto, essa funcionalidade está disponível, por enquanto, apenas nos EUA. "Agora você pode falar com o ChatGPT ligando para 1-800-ChatGPT (1-800-242-8478) nos EUA ou enviando uma mensagem do WhatsApp para o mesmo número, disponível em qualquer lugar onde o ChatGPT esteja", disse a empresa na rede social X. Vale lembrar que, antes, já era possível usar o Copilot, IA da Microsoft, no app de mensagens da Meta. Ele funciona com a mesma tecnologia do ChatGPT, já que a Microsoft é parceira e investidora da OpenAI. ChatGPT 'cria' voz do Papai Noel para interações por áudio e vídeo Como usar o ChatGPT no WhatsApp abra o WhatsApp e envie uma mensagem para o número +1-800-242-8478 (1-800-ChatGPT). você pode encontrar o número na busca do aplicativo, digitando diretamente (veja como fazer). Ou, se preferir, salve o número na agenda do seu celular e inicie a conversa por lá. WhatsApp já tem o Meta AI Exercicíos de inglês e matemática no Meta AI. Reprodução/WhatsApp Desde outubro, o WhatsApp tem a sua própria inteligência artificial, o Meta AI. Assim como outras IAs, ela pode ajudar em tarefas como elaboração de textos, planejamento de atividades e criação de imagens. A tecnologia pode ser acessada pelo ícone de círculo azul, localizado na busca do aplicativo, ou ao digitar "@Meta AI" em um chat. O recurso também está disponível no site meta.ai. LEIA TAMBÉM: ChatGPT 'cria' Papai Noel com inteligência artificial para conversar por vídeo; g1 testou WhatsApp lança atalho para chave PIX e estuda permitir transferências dentro do aplicativo Anatel disponibiliza serviço que permite compartilhar localização em chamadas de emergência WhatsApp começa a liberar recurso que converte áudios em textos; veja como usar O que é o 5G puro? Traduzir, criar imagens e mais: quais tarefas do dia a dia o Meta AI no WhatsApp consegue

WhatsApp lança atalho para chave PIX e estuda permitir transferências dentro do aplicativo


Recurso substitui pagamentos com cartão de débito entre pessoas físicas no aplicativo. Objetivo é analisar uso para entender se usuários querem uma integração mais profunda com o PIX. Atalho para chave PIX no WhatsApp Divulgação/WhatsApp O WhatsApp começou a liberar nesta quinta-feira (19) um recurso que permite mostrar chaves PIX em seu perfil no aplicativo. Ele é opcional e ficará disponível para todos até o final de janeiro (veja abaixo como adicionar a sua chave). A novidade foi anunciada no mesmo dia em que o WhatsApp suspende sua opção para pagamentos com cartão de débito entre pessoas físicas. Por enquanto, só será possível fazer pagamentos no aplicativo em transações de pessoas para empresas. Mas a plataforma não descarta lançar uma integração com o PIX para permitir transferências entre pessoas físicas, indicou o chefe do WhatsApp no Brasil, Guilherme Horn, em entrevista ao g1. Segundo o WhatsApp, o atalho para chaves PIX ajudará principalmente prestadores de serviços que recebem de diversos clientes, mas também facilitará transferências entre amigos e familiares sem a necessidade da tradicional pergunta "qual é o seu PIX?". "O PIX é a forma preferida do brasileiro fazer transações financeiras, fazer pagamentos entre pessoas físicas. Todos os números mostram isso. E, por isso, optamos por concentrar transferências entre pessoas com PIX", disse Horn, ao g1. O executivo afirmou que a regulamentação sobre o PIX está avançando e que existem outras soluções técnicas que permitiriam aumentar uma integração com este meio de pagamento, mas isso deve ficar para outra etapa. "Começamos com essa solução de copiar a chave PIX e colar no aplicativo", disse. "É a partir dessa utilização que vamos fazer pesquisa para entender. As pessoas querem, de fato, uma integração mais profunda ou não? Isso é suficiente? E, de acordo com o que entendermos que é o desejo das pessoas, é por onde vamos seguir". WhatsApp começa a liberar recurso que converte áudios em textos; veja como usar Como adicionar chave PIX no WhatsApp Na tela da conversa, clique no ícone do clipe de papel; Selecione a opção "PIX"; Insira o tipo da chave, o conteúdo (celular, CPF, e-mail ou chave aleatória) e o nome usado na conta; Escolha quem pode ver a chave PIX no seu perfil; Clique em "Adicionar". Depois do cadastro, basta clicar no ícone do clipe de papel e escolher qual chave será enviada na conversa. Os seus contatos também poderão ver a informação ao clicarem na sua foto dentro da conversa e selecionarem o botão "PIX". Como adicionar chave PIX no WhatsApp Divulgação/WhatsApp Problemas com Meta AI e spam A Meta, dona do WhatsApp, do Instagram e do Facebook, liberou em outubro sua ferramenta de inteligência artificial. Batizada de Meta AI, ela gera textos e fotos, mas foi criticada no Brasil por mostrar informações erradas. O chefe do WhatsApp no país destacou que o aplicativo é um caminho natural para as pessoas testarem o Meta AI e defendeu a eficiência do modelo frente aos rivais. "Fazemos muita pesquisa para entender a capacidade do nosso modelo [Llama, que alimenta o Meta AI] em relação a concorrentes", afirmou. "O que a gente tem visto é que ele é extremamente avançado. Então, isso nos deixa bastante confortáveis." Nos últimos meses, muitas pessoas também foram incluídas sem autorização em grupos de jogos de aposta e de propaganda. O executivo disse que o WhatsApp tem feito campanhas para incentivar usuários ativarem a restrição de quem pode te colocar em grupos – veja como habilitar. "O WhatsApp tem muitas funcionalidades de privacidade e segurança para proteger o próprio usuário, para ele sozinho criar suas proteções", afirmou. "Eu diria que hoje, no Brasil, o spam não é um problema". Em um dos casos, desconhecidos conseguiram adicionar usuários a grupos mesmo quando essa restrição estava ativada, como mostrou o g1. Mas, segundo Horn, essa foi uma questão específica que já foi resolvida. Ainda de acordo com o executivo, um dos objetivos do WhatsApp em 2024 foi ajudar usuários a lidarem com a sobrecarga de informações. Por isso, o aplicativo lançou recursos de transformar mensagens de áudio em texto e de criar listas de contatos. "Para o ano que vem, vemos um potencial muito grande em canais", disse. O recurso começou a ser liberado no Brasil em 2023. "Esperamos dar uma atenção maior nessa área porque já passam de 500 milhões de usuários acessando o tempo todo os canais." Golpes no Whatsapp: saiba como se proteger

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Senado compra programa de reconhecimento facial por IA considerado controverso por especialistas; entenda

Aplicativo coletou, sem consentimento, mais de 50 bilhões de imagens na internet. Empresa é alvo de disputas judiciais no exterior e pode ferir lei brasileira de dados, avalia jurista. O Senado oficializou em novembro a compra de uma licença para utilizar um programa de identificação de pessoas baseado em inteligência artificial. O sistema "Clearview AI", criado pela empresa americana de mesmo nome, será fornecido por uma representante nacional com sedes em Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF). O programa é considerado, por especialistas em tecnologia, como um dos mais populares e problemáticos no mundo por ter coletado, sem consentimento, bilhões de imagens na internet (entenda mais abaixo). A ferramenta deverá ser utilizada por agentes da Polícia do Senado. O software, na prática, potencializa a identificação de pessoas. Por meio da comparação de fotografias de um rosto e registros em um banco de dados, o aplicativo permite reconhecer um indivíduo, indicando, por exemplo, nome e perfis em redes sociais. Congresso discute regras para inteligência artificial no Brasil ➕ O Clearview AI não funciona em tempo real. Especialistas afirmam que o aplicativo não é, portanto, uma ferramenta de vigilância. O programa entra em campo na fase de investigação, depois que um crime ou evento acontece. O Senado comprou a licença de utilização do programa por R$ 87.680, sem licitação — medida justificada por haver somente um representante da Clearview AI no Brasil. A contratação atendeu a um pedido da Secretaria de Polícia do Senado. Ao justificar a pertinência da compra, o órgão afirmou que a ferramenta vai "suprir" uma "lacuna" na capacidade de resposta a infrações. Segundo o contrato, a empresa deverá assegurar à Casa consultas ilimitadas no programa, além de treinamento operacional e suporte. O negócio será válido até novembro de 2025 e poderá ser renovado. Inteligência artificial desafia criatividade humana Controvérsia dos dados A origem do banco de dados é responsável pela polêmica em torno da plataforma. O arquivo é totalmente formado por imagens e dados coletados — sem autorização dos donos — em sites, redes sociais, fotos e outras diversas fontes públicas disponíveis na internet. Significa dizer que você, o leitor desta reportagem, provavelmente pode ter tido imagens coletadas. Em seu site, a Clearview AI afirma que este é o "maior banco de dados" do mundo e que a taxa de precisão do sistema é superior a 99%. Mais de 50 bilhões de imagens abastecem o sistema, segundo dados da empresa que atende órgãos de segurança de diversos países. 🔎 O número seria suficiente para reunir cerca de seis fotos de cada ser humano atualmente vivo no planeta, segundo estimativa populacional das Nações Unidas. Sob o argumento de que a coleta de imagens violou o direito à privacidade de usuários, a fonte dos registros se tornou o centro de diversas disputas judiciais envolvendo a empresa ao redor do planeta. A briga judicial de maior destaque tem ocorrido nos Estados Unidos. Em Chicago, um tribunal federal julga uma ação coletiva que pode terminar, em janeiro de 2025, com acordo para que a empresa assegure percentual de ações — ou receita — a americanos que se sentiram lesados. Em paralelo às disputas jurídicas, nos últimos anos, grandes empresas de tecnologia — Meta e Google, por exemplo — pediram que a Clearview AI parasse de captar dados em suas plataformas. O que é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)? Filtro inicial A Polícia do Senado afirmou, em documento que justifica a contratação, que a inteligência artificial será utilizada "apenas como filtro inicial de pessoas" e que agentes reais — de carne e osso — seguirão como analistas para confirmar informações do sistema. Os policiais legislativos são responsáveis por apurar infrações penais ocorridas nas dependências da Casa ou contra bens, serviços e interesses do Senado. Também cabe ao órgão garantir a segurança e integridade física de pessoas e do patrimônio. Segundo a polícia, o uso de IA vai permitir uma "identificação rápida e precisa de pessoas de interesse". "Incrementando, em última análise, a segurança geral para os frequentadores do Senado Federal (sejam autoridades, servidores, colaboradores ou visitantes) e para o patrimônio público", justificou. No documento, o órgão mencionou a depredação de vândalos golpistas em 8 de janeiro de 2023 como um caso em que a ausência de mecanismos ágeis dificultou a localização de suspeitos. A demora, de acordo com a polícia, criou uma "sensação de ineficiência dos aparatos policiais, tendo em vista a impunidade lastreada no anonimato da multidão". Proteção de dados Especialistas em direito digital e IA avaliam que o uso da ferramenta contratada pelo Senado pode ir contra a legislação que protege dados no Brasil — a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Isso porque a lei estabelece que o dono de um dado tem de consentir com a finalidade de uso das informações por uma empresa. Qualquer utilização fora das hipóteses previstas é considerada inadequada e passível de punição. As grandes empresas de tecnologia, que tiveram dados coletados pela Clearview, já afirmaram que a criação do banco de dados da empresa violou políticas e termos de uso das plataformas. Segundo elas, todo esse processo ocorreu sem consentimento. Professor de Direito Digital na Fundação Getúlio Vargas (FGV), o advogado Luiz Augusto D'Urso afirma que, para oferecer serviços no Brasil, mesmo sendo estrangeira, a Clearview AI tem de se adequar às regras da LGPD. "Vale dizer: mesmo o dado estando disponível na internet, que seria o rosto das pessoas, não é permitido, pela LGPD, que as pessoas simplesmente utilizem essa informação para reconhecimento facial", diz. O contrato firmado pelo Senado estabelece que a empresa contratada terá de assegurar que dados coletados na Casa seguirão regras da Lei Geral de Proteção de Dados. Também deverá se comprometer a manter em sigilo dados pessoais compartilhados com a plataforma. Há ainda duas regras que terão de ser seguidas pela empresa contratada: adequação de procedimentos internos à LGPD; e obrigação de comunicar, em até 24 horas, eventuais violações aos dados. Apesar disso, o advogado lembra que, juridicamente, ainda não há pacificação em torno de sistemas de reconhecimento facial. "A tecnologia, eu entendo ser possível ser utilizada para investigações policiais. Agora, outra coisa é a origem do banco de dados." Luiz Augusto D'Urso afirma, ainda, que tudo indica que, por não ter autorização do titular dos dados para a coleta das fotos, os registros armazenados pela Clearview AI estariam em desconformidade com a LGPD. "De acordo com o que se sabe da origem desses dados, entendo que o Senado não deveria utilizar esse banco de dados. Inclusive esse contrato e tratamento poderiam ser questionados pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados [ANPD], que tem o dever de fiscalizar não só empresas privadas, mas também órgãos públicos", avalia. O que diz o Senado Procurado pelo g1, o Senado não respondeu — de forma direta — se a Casa avalia que o aplicativo está dentro das regras previstas na lei de proteção de dados. A Casa se limitou a dizer, em nota, que o contrato "inclui obrigatoriamente cláusulas que garantem a observância das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados". "Assegurando assim a proteção dos direitos fundamentais de liberdade e desenvolvimento da personalidade. A previsão de cláusula que garanta o correto uso da informação, mais do que uma exigência legal, é o equilíbrio entre a atividade policial e a garantia de privacidade", acrescentou. O Senado afirmou, ainda, que uso de ferramentas de reconhecimento facial é "uma prática já adotada por outras instituições públicas no Brasil", listando, por exemplo, o Ministério da Justiça e Polícia Federal. "O intuito de uso do Clearview AI é unicamente atuar como uma ferramenta que organiza informações disponíveis em fontes abertas na internet, sendo utilizado para fortalecer as ações de inteligência e segurança pública, auxiliando na análise de ameaças que possam atingir o Senado Federal", declarou a Casa na nota.

Como bilionários e donos de big techs se aproximam de Trump antes de 2° mandato


Muitos dos antigos críticos e adversários do presidente eleito se aproximaram dele desde a vitória nas urnas. Trump apareceu recentemente na abertura do pregão da Bolsa de Valores de Nova York, em evento que marcou seu anúncio como 'pessoa do ano' da revista Time Spencer Platt/Getty Images Na manhã de segunda-feira (16/12), durante sua primeira coletiva de imprensa desde que venceu as eleições nos EUA em novembro, Donald Trump pareceu se deleitar com a amplitude de seu apoio. "No primeiro mandato, todo mundo estava brigando comigo", ele disse. "Neste mandato, todo mundo quer ser meu amigo." Pode ter sido um exagero tipicamente trumpiano, mas o contraste entre a forma como seu primeiro mandato presidencial começou — e terminou — e a atual transição para seu segundo mandato, oito anos depois, é impressionante. Apenas nas últimas semanas, muitos dos antigos críticos e adversários do presidente eleito se aproximaram dele. Jeff Bezos, da Amazon, Mark Zuckerberg, da Meta, e Sam Altman, da OpenAI, prometeram milhões de dólares em doações para as festividades da posse de Trump. O CEO do TikTok, Shou Zi Chew, se encontrou com o republicano em Mar-a-Lago, sua propriedade na Flórida, na segunda-feira. Durante seu primeiro mandato, Trump tentou banir a plataforma de rede social de propriedade chinesa, que os conservadores classificavam na época como um risco à segurança nacional. O presidente eleito agora se opõe a uma tentativa atual de banir a plataforma — desta vez, do governo Joe Biden —, em parte porque poderia ajudar o Facebook, que ele acusou de contribuir para sua derrota nas eleições de 2020. A proibição está programada para entrar em vigor antes da posse de Trump. Outros também fizeram a viagem para a Flórida ou planejam fazer. Trump afirma que tarifas brasileiras são altas e que EUA pretendem cobrar valor parecido Na véspera do Dia de Ação de Graças, Zuckerberg, dono do Facebook, que já baniu Trump uma vez, foi jantar no clube particular do presidente eleito na Flórida. O chefe do Google, Sundar Pichai, também disse que planeja uma reunião com o republicano. E quando Trump apareceu, na semana passada, na Bolsa de Valores de Nova York para tocar o sino na abertura do pregão, evento que marcou seu anúncio como "pessoa do ano" da revista Time, executivos de alto escalão de grandes empresas dos EUA se reuniram para assistir. "Isso marca um momento de grande promessa para nossa nação", postou Marc Benioff, CEO da Salesforce e proprietário da Time, no X (antigo Twitter). "Estamos ansiosos para trabalhar juntos para promover o sucesso e a prosperidade americana para todos." A atitude cada vez mais complacente não se limita apenas aos conselhos de administração das empresas. Na mídia, também houve uma mudança. As personalidades da emissora MSNBC Joe Scarborough e Mika Brzezinski, que apresentam o programa Morning Joe, visitaram Mar-a-Lago para se reunir com Trump no mês passado. "É hora de fazer algo diferente, e isso começa não apenas falando sobre Donald Trump, mas conversando com ele", disse Brzezinski. E, no último sábado, a rede ABC News — que é propriedade da Disney Corporation — anunciou que estava pagando a Trump US$ 15 milhões e honorários advocatícios para resolver um processo de difamação relacionado a comentários feitos, em março, pelo apresentador do noticiário matinal George Stephanopoulos. Os processos de difamação contra veículos de notícias exigem a comprovação de malícia ou descaso irresponsável pela verdade — e outras organizações de imprensa conseguiram se defender de processos anteriores de Trump. No entanto, com o retorno do republicano ao poder em breve — e a ameaça feita por ele na segunda-feira de novos processos contra a CBS, o Des Moines Register e a fundação do Prêmio Pulitzer —, o custo para a ABC e a Disney pode ter mudado. Uma batalha legal prolongada com o presidente eleito foi aparentemente considerada intragável. Trump é o 10° presidente dos EUA a figurar duas vezes na revista Time Brigas 'dormentes' Nos corredores do poder em Washington, uma dinâmica semelhante parece estar em jogo. Os republicanos do Senado, que pareciam cautelosos em confirmar alguns dos indicados políticos mais controversos de Trump, como o apresentador da Fox News Pete Hegseth para o cargo de secretário de Defesa, estão aderindo à medida que enfrentam uma pressão cada vez maior não apenas de Trump, mas também de seus apoiadores, que alertam sobre as terríveis consequências para quem não cooperar. Até mesmo alguns democratas estão entrando em contato com o novo governo Trump. O senador da Pensilvânia, John Fetterman, disse que consideraria apoiar Hegseth, e manifestou seu apoio a algumas escolhas de Trump. Outros críticos de Trump no Congresso estão adotando uma abordagem pragmática. No domingo, o senador independente de Vermont, Bernie Sanders, sugeriu que estaria aberto a apoiar Robert F. Kennedy Jr., conhecido por ser cético em relação às vacinas, como secretário de Saúde de Trump, dizendo que ele compartilhava das preocupações sobre os impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde. Há oito anos, a história era diferente. Os democratas estavam prometendo resistência total ao presidente recém-eleito. No dia seguinte à sua posse, milhões de pessoas saíram às ruas em protesto. Os oponentes políticos de Trump se entrincheiraram e lutaram por cada centímetro de terreno político, impedindo com sucesso as tentativas conservadoras de revogar as reformas do sistema de saúde apoiadas pelos democratas e de gastar dezenas de bilhões de dólares em um muro na fronteira entre os EUA e o México, além de lutar contra mudanças na lei de imigração nos tribunais. Depois que o mandato presidencial de Trump terminou em controvérsia e caos quatro anos depois, com seus apoiadores invadindo o Capitólio dos EUA, dezenas de corporações americanas poderosas — incluindo American Express, Microsoft, Nike e Walgreens — cortaram relações com Trump, assim como com republicanos que contestaram os resultados da eleição de 2020. Muitos membros do próprio partido de Trump condenaram o ex-presidente. Desta vez, tal evidência de resistência — pelo menos por enquanto — é difícil de discernir. O senador republicano de Kentucky, Mitch McConnell, que, como líder da maioria no Senado, criticou duramente Trump em 2021, mas se opôs à sua condenação por impeachment, tem feito advertências severas sobre os perigos de uma política externa "America First" ("Estados Unidos em primeiro lugar"). Mas McConnell, de 82 anos, renunciou à sua posição de liderança no Senado no início deste ano — e é improvável que tente a reeleição em 2026. Há pouco que Trump ou seus apoiadores possam fazer para ameaçá-lo neste momento. Enquanto isso, mais de uma dúzia de democratas do Congresso disseram que não vão participar da cerimônia de posse de Trump em 20 de janeiro. "Não acho que este seja um momento para comemoração", afirmou a congressista do Texas Jasmine Crockett. "Acho que se tivéssemos um republicano tradicional, em que houvesse discordâncias, eu provavelmente estaria lá." Mas, embora alguns democratas possam ficar em casa, os preparativos da festa para Trump e seus partidários estão a todo vapor — e, dados os comentários dele na segunda-feira, o presidente eleito parece saber disso. No entanto, quando Trump assumir o cargo e começar a tentar implementar sua pauta de deportações em massa e tarifas comerciais, a oposição pode aumentar — tanto dos democratas em busca de oportunidades políticas, quanto dos interesses empresariais afetados negativamente. Assim, as brigas de que Trump se lembra do seu primeiro mandato poderiam ressurgir rapidamente.

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