terça-feira, 23 de setembro de 2025

Uber, iFood e outros: estudo mostra que apps seguem sem garantir trabalho justo no Brasil


Trabalhadores de app sofrem com baixos salários, jornadas longas e custos próprios, apontou relatório Rowan Freeman/Unsplash Exploração, salários baixos e falta de direitos básicos. Esses são os principais problemas enfrentados por quem trabalha em plataformas digitais de entrega, transporte e serviços sob demanda no Brasil. A conclusão vem do relatório “Endividamento e Precariedade: O retrato do trabalho em plataforma no Brasil”, elaborado pelo Projeto Fairwork Brasil em parceria com a Universidade de Oxford. O estudo analisou 10 plataformas populares no país, como apps de transporte e aulas particulares, com base em cinco critérios que definem o que seria um trabalho justo. São eles: remuneração, condições, contratos, gestão e representação. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Cada critério pode render até dois pontos para a empresa, um por atender ao requisito básico e outro por ir além, oferecendo condições mais avançadas. No total, uma plataforma pode somar até 10 pontos. Segundo os pesquisadores, os resultados foram alarmantes. Apenas duas empresas (InDrive e Superprof) conseguiram pontuar, e mesmo assim, apenas um ponto cada. Nenhuma das outras plataformas demonstrou conformidade com os critérios avaliados. InDrive e Superprof foram reconhecidas por pagarem, pelo menos, o equivalente ao salário mínimo por hora, já descontados os custos do trabalho, como combustível ou manutenção de equipamentos. Veja o ranking abaixo: Entre agosto de 2023 e agosto de 2025, os pesquisadores entrevistaram diversos trabalhadores de aplicativos. Os relatos foram duros: baixa remuneração, jornadas longas e insegurança financeira fazem parte da rotina. Muitos também contaram que estão se endividando para continuar trabalhando, seja para pagar manutenção de veículos, multas, seguros ou até empréstimos incentivados pelas próprias plataformas. De acordo com a organização, mesmo com a melhora nos indicadores econômicos do país, os trabalhadores de aplicativos continuam expostos a riscos elevados, ausência de proteção social e práticas de gestão que dificultam melhorias nas condições de trabalho. O relatório também apontou que o modelo atual de trabalho plataformizado representa um retrocesso histórico, comparável ao século XIX, quando não havia proteção social para trabalhadores formais. A falta de avanços regulatórios no Brasil e em outros países da América Latina agrava esse cenário. Como as empresas são avaliadas A avaliação das plataformas é realizada com base em cinco princípios fundamentais que definem os parâmetros mínimos de "trabalho decente". Cada categoria é dividida em 2 pontos, um para presença de requisito básico e outro para uma condição mais avançada de empregabilidade. Veja abaixo o descritivo das categorias da pesquisa e quem pontuou em qual: Remuneração justa: para pontuar, as plataformas precisam mostrar que o trabalhador não fica com ganhos abaixo de um limite mínimo, mesmo depois dos custos. A InDrive e a Superprof pontuaram no primeiro item, porque havia evidências de que pagam acima do salário mínimo por hora, garantem pagamentos em dia e permitem que o trabalhador defina seus preços. Já no segundo critério, nenhuma plataforma comprovou que, após os custos, o rendimento final chegue ao salário mínimo local. Quem pontuou: InDrive e Superprof (só no primeiro item). Condições Justas: nesse princípio, as plataformas deveriam demonstrar que reconhecem os riscos do trabalho e adotam medidas para reduzi-los. Nenhuma empresa apresentou evidências suficientes. O relatório conclui que as plataformas não garantem segurança nem proteção social, e que mecanismos como seguros e botões de emergência mostraram-se limitados. Também cita que a pressão por produtividade pode aumentar a vulnerabilidade dos trabalhadores. Quem pontuou: nenhuma. Contratos justos Para pontuar com base neste princípio, é preciso que as plataformas tenham contratos claros, acessíveis e ofereçam recursos legais em caso de descumprimento. De acordo com o relatório, mesmo que os contratos estejam disponíveis, nenhuma plataforma recebeu ponto porque não ficou comprovado que eles sejam transparentes, livres de cláusulas abusivas e em conformidade com normas de proteção de dados. Quem pontuou: nenhuma. Gestão justa: o relatório destaca que as plataformas precisam oferecer canais de comunicação efetivos e políticas contra discriminação. Foram identificados canais como chats, mas considerados limitados, especialmente em situações de bloqueio de contas. Também não houve evidências de políticas de inclusão ou combate à discriminação. Por isso, nenhuma pontuou nesse princípio. Quem pontuou: nenhuma. Representação justa: segundo o estudo, as plataformas deveriam garantir espaço para expressão coletiva dos trabalhadores, sem retaliação, além de engajamento real em negociações. Nenhuma empresa apresentou comprovação nesse sentido. Quem pontuou: nenhuma. Metodologia Os pontos são atribuídos apenas quando a plataforma consegue demonstrar satisfatoriamente a implementação dos princípios. A ausência de um ponto não indica necessariamente que o princípio não seja cumprido, apenas que não foi possível evidenciar a conformidade. A pontuação segue uma série de etapas. Inicialmente, a equipe local reúne as evidências e atribui pontuações preliminares. Em seguida, essas evidências são enviadas a revisores externos para avaliação independente. Esses revisores incluem membros das equipes do Fairwork em outros países, bem como da equipe central. Após a avaliação, todos os revisores se reúnem para discutir e definir a pontuação final. As plataformas têm a oportunidade de enviar informações adicionais para obter pontos que não receberam inicialmente. As pontuações finais são publicadas no relatório anual do Fairwork do país e, antes da divulgação, as empresas avaliadas podem revisar e comentar os resultados. O que dizem especialistas? A professora Maria Aparecida Bridi, da UFPR, alerta que a tecnologia das plataformas está sendo usada para reproduzir práticas antigas de exploração, contrariando as promessas da economia digital. O professor Ricardo Festi, da UnB, destaca que os relatos mostram uma degradação acelerada das condições de trabalho, com aumento do sofrimento e da discriminação. Já a coordenadora da pesquisa no Brasil, Julice Salvagni, da UFRGS, afirma que os dados revelam uma precariedade persistente e profunda, com violações de direitos fundamentais. “É essencial que esses relatos sejam formalizados em um relatório. O país não pode continuar ignorando a falta de proteção para esses trabalhadores”, afirma Salvagni. O professor Rodrigo de Lacerda Carelli, da UFRJ, também coordenador do projeto, reforça que a classificação dos trabalhadores como autônomos tem sido usada para negar direitos básicos, impedindo que as empresas ofereçam condições mínimas de trabalho decente. Defender home office nas redes custou o emprego deles

Pai de Elon Musk é acusado de abusar sexualmente de seus filhos e enteados, diz New York Times


Errol Musk, pai de Elon Musk, em foto de 2025 REUTERS/Esa Alexander Uma investigação do jornal norte-americano The New York Times, divulgada nesta terça-feira (23), aponta que Errol Musk, pai do bilionário Elon Musk, é acusado de abuso sexual infantil em casos envolvendo familiares. Segundo o jornal, os episódios teriam envolvido cinco filhos e enteados de Errol e ocorrido na África do Sul, onde ele nasceu e vive atualmente, e também na Califórnia, nos Estados Unidos. Para a investigação, o NYT disse ter analisado mais de 50 e-mails, cartas, anotações pessoais, mensagens e textos que detalham os abusos atribuídos a Errol. Procurado, Errol negou as acusações e afirmou que os relatos "são falsos e absurdos". 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Elon Musk e seu advogado também foram procurados, mas não comentaram, de acordo com o jornal. O Times relata que a primeira acusação contra Errol ocorreu em 1993 e envolveu uma de suas enteadas, que tinha 4 anos na época. Membros da família Musk também o acusaram de abusar de duas de suas filhas e de um enteado. Errol Musk, pai de Elon Musk, em foto de 2025 REUTERS/Shamil Zhumatov Mais recentemente, em 2023, familiares e um assistente social tentaram intervir após um episódio de abuso envolvendo outro filho de Errol, de 5 anos. "As alegações de abuso geraram conflitos dentro da família Musk, com alguns parentes recorrendo a Elon Musk, filho mais velho de Errol, em busca de ajuda. Por volta de 2010, um familiar escreveu a Elon uma carta de cinco páginas relatando algumas das acusações e pedindo que ele interviesse", escreveu o NYT. Não se sabe se o bilionário chegou a ler a carta enviada, mas alguns familiares afirmaram que ele tentou interceder diante das denúncias. Elon Musk observa o encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa REUTERS/Kevin Lamarque O jornal lembra que Elon e o pai não mantêm mais uma relação próxima. O empresário já declarou publicamente que Errol havia feito "quase todas as coisas más que você poderia imaginar". A declaração foi dada em 2017 à revista Rolling Stone. Até o momento, três investigações sobre o caso foram abertas, segundo registros policiais, judiciais e relatos de familiares. Duas foram arquivadas, e não há informações sobre o andamento do terceiro inquérito, de acordo com o New York Times. Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais iPhone Air: primeiras impressões do celular fininho e quais são seus rivais Mãe processa Roblox e Discord após filho de 15 anos sofrer abuso online

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Brecha no WhatsApp permitiu espionar alvos com versões desatualizadas do app


WhatsApp Reuters/Thomas White Um grupo de usuários de WhatsApp para iPhone e Mac pode ter sido atingido por uma campanha de espionagem que aproveitou uma brecha no aplicativo. A estimativa é de que cerca de 200 pessoas em todo o mundo tenham sido alvos da operação. Elas receberam alertas do WhatsApp com instruções para restaurar seus dispositivos e sempre manter o aplicativo atualizado. Os ataques teriam sido concluídos graças a uma falha no processo de sincronização de mensagens entre dispositivos. O erro foi corrigido e informado pela plataforma no final de agosto. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo o WhatsApp, uma verificação incompleta na etapa de sincronização permitia a terceiros processar no dispositivo da vítima conteúdos de sites maliciosos. Ainda de acordo com o aplicativo, a brecha poderia ser explorada em conjunto com uma falha da Apple em que a execução de arquivos de imagem mal-intencionados corromperia a memória do dispositivo. O WhatsApp e a Apple afirmaram que as vulnerabilidades podem ter sido exploradas em ataques contra alvos específicos. A falha afetou usuários das seguintes versões: WhatsApp para iOS (antes da versão 25.21.73) WhatsApp Business para iOS (antes da versão 25.21.78) WhatsApp para Mac (antes da versão 25.21.78) Para encontrar a versão do WhatsApp no seu dispositivo da Apple, clique em "Ajustes" (o ícone da engrenagem) e, então, em "Ajuda". Ataque 'zero-clique' A vulnerabilidade no WhatsApp permitiu o chamado ataque "zero-clique", segundo a empresa de cibersegurança ISH Tecnologia. Um ataque "zero-clique" é aquele em que o usuário não realiza nenhuma ação – como clicar em links ou baixar arquivos suspeitos – e, mesmo assim, seu dispositivo é invadido. "É um ataque muito sofisticado que envolve conhecimento avançado da vulnerabilidade", afirmou Paulo Trindade, gerente de Serviços de Segurança Cibernética da ISH Tecnologia. Com a possibilidade de enviar arquivos maliciosos para a vítima, cibercriminosos podem instalar programas espiões para ter o controle de praticamente todo o celular, incluindo câmera, microfone e histórico de chamadas. "Essas vulnerabilidades ocorrem em diversos sistemas. Ao escrever o código, pode não haver uma falha, mas ela surge ao ser combinada com outros fatores", disse Trindade. LEIA TAMBÉM: Lula e Janja encontram chefe do TikTok em Nova York e rede cita investimentos no Nordeste Nvidia anuncia investimento de até US$ 100 bilhões na OpenAI, dona do ChatGPT Crescimento do PIX e falhas de segurança: por que ataques a bancos têm se repetido? Deu ruim: lançamento de óculos da Meta é marcado por falhas

Suicídios de adolescentes impulsionam onda de processos contra plataformas de IA nos EUA


Adolescente na cama mexendo no celular. Freepik Casos de pais acusando na Justiça aplicativos de inteligência artificial de prejudicarem a saúde mental e até incentivarem o suicídio de filhos adolescentes têm se multiplicado nos Estados Unidos nos últimos meses. Segundo as famílias, plataformas como o ChatGPT, da OpenAI, e a Character.AI foram negligentes e incentivaram o sofrimento de jovens. Essas ferramentas oferecem chatbots: canais de conversa projetados para fornecer interações semelhantes às humanas. A OpenAI e a Character.AI lamentaram os casos e anunciaram novos recursos de proteção a menores de idade (veja mais abaixo). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O ChatGPT é uma ferramenta de uso amplo, que busca auxiliar os usuários em tarefas práticas. Já a Character.AI permite criar e interagir com personagens virtuais, que vão de figuras históricas a conceitos abstratos. O aplicativo se popularizou entre jovens em busca de apoio emocional. Confira alguns processos que ganharam repercussão: Mãe diz que filho se apegou a personagem de IA Saiba como ativar proteção para controlar tempo e atividade de crianças no celular Em outubro de 2024, Megan Garcia entrou com um processo contra a Character.AI no tribunal de Orlando (EUA). Ela alega que o filho de 14 anos, Sewell Setzer III, se matou após desenvolver interações sentimentais e sexuais com uma personagem criada na plataforma, segundo a Reuters. O adolescente conversava com "Daenerys", uma personagem de chatbot inspirada na série "Game of Thrones" e compartilhava pensamentos suicidas. Megan afirma que o chatbot foi programado para “se passar por uma pessoa real, um psicoterapeuta licenciado e amante adulto”, o que teria aumentado o isolamento do garoto em relação ao mundo real. Além da Character.AI, Megan também processou o Google, alegando que a gigante de tecnologia contribuiu significativamente para o desenvolvimento da startup e deveria ser considerada sua cocriadora. A Character.AI foi fundada por ex-engenheiros do Google. Eles retornaram à empresa em agosto como parte de um acordo que deu à gigante de tecnologia uma licença não exclusiva da tecnologia da startup, segundo a Reuters. Mas o porta-voz do Google, José Castañeda, disse em um comunicado que a big tech e a Character.AI são empresas completamente separadas e não relacionadas, segundo a AFP. Segundo o The Washington Post, um dia após Megan entrar com o processo, a Character.AI anunciou pela primeira vez um recurso que exibe alertas automáticos a usuários que digitam frases relacionadas a automutilação ou suicídio, direcionando-os a canais de ajuda. Em novembro de 2024, outras duas famílias processaram a empresa no tribunal do Texas (EUA), em casos envolvendo saúde mental, mas que não terminaram em morte. Eles alegam que a plataforma expôs seus filhos a conteúdo sexual e incentivou a automutilação. Um dos casos envolve um adolescente autista de 17 anos que supostamente sofreu uma crise de saúde mental após usar a plataforma. O outro acusa a Character.AI de incentivar um menino de 11 anos a matar os pais por terem limitado seu tempo de tela. Regras para redes sociais: o que está em jogo na lei contra adultização e nas propostas de regulação das big techs Pais acusam ChatGPT de homicídio culposo OpenAI Reuters/Dado Ruvic Em agosto, os pais de Adam Raine, de 16 anos, processaram a OpenAI e o presidente-executivo da companhia, Sam Altman, no tribunal de São Francisco (EUA). Eles alegam que o ChatGPT contribuiu para a morte do adolescente. De acordo com a ação, Raine conversou por meses com o chatbot sobre suicídio. Os pais afirmam que a ferramenta validou pensamentos autodestrutivos, forneceu instruções sobre métodos letais e até se ofereceu para redigir uma nota de despedida, segundo a Reuters. A família pede indenização e acusa a empresa de homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e de falhas de segurança no produto. ➡️Como a OpenAI reagiu A OpenAI disse estar “profundamente triste” com a morte e destacou que o ChatGPT possui salvaguardas, como redirecionar usuários em crise para linhas de apoio, segundo a Reuters. Após o processo, a empresa anunciou que o ChatGPT terá recursos de controle parental, que ajudam pais a monitorarem como seus filhos adolescentes usam o aplicativo. A atualização será liberada em outubro, segundo a empresa. Além disso, na terça-feira (16), a OpenAI anunciou que o ChatGPT poderá acionar autoridades se identificar que adolescentes estão com pensamentos suicidas durante o uso da ferramenta. A medida faz parte de um pacote de proteção para menores de 18 anos, que também inclui verificação de idade e novas ferramentas de proteção. Por que redes sociais têm tantos casos de exposição de crianças mesmo com sistemas de detecção 'Como ativar proteção no celular para limitar tempo e atividade do seu filho online Caso de Juliana Peralta Na terça-feira (16), os pais de Juliana Peralta, de 13 anos, acionaram a justiça no Colorado (EUA). Ela tirou a própria vida em novembro de 2023 após conversar por três meses com um chatbot da Character.AI, inspirado no personagem de videogame Omori. O jogo é descrito por usuários do IMDb, plataforma de críticas e avaliações online, como sendo de grande impacto psicológico. Segundo o processo, obtido pelo The Washington Post, o robô não sugeriu que a adolescente buscasse ajuda, não alertou os pais nem relatou o caso às autoridades, mantendo a interação mesmo diante do relato de intenção suicida. A família afirma que o app “rompeu os vínculos saudáveis” da adolescente com parentes e amigos. A Character.AI disse ao jornal norte-americano que leva a segurança a sério e tem investido em mecanismos de proteção. Plataformas sem IA como foco também são alvo de processos Mãe processa Roblox e Discord após filho de 15 anos sofrer abuso online Embora não tenham a inteligência artificial como núcleo, plataformas como Roblox e Discord também têm sido processadas por famílias nos EUA. Os casos envolvem adolescentes que sofreram assédio dentro dos aplicativos e acabaram tirando a própria vida. Essas plataformas são focadas em jogos e comunicação digital, sendo muito populares entre crianças e adolescentes. Segundo o The New York Times, só em 2025, mais de 20 processos federais nos EUA acusaram o Roblox de facilitar exploração sexual infantil. Um dos casos mais recentes é o de Becca Dallas, que entrou no dia 12 de setembro com um processo contra Roblox e Discord após a morte do filho, Ethan, de 15 anos. Ele era autista e cometeu suicídio em 2024, depois de anos de conversas com um homem de 37 anos que fingia ser adolescente nas plataformas e o chantageava para enviar fotos íntimas. Ao g1, o Roblox lamentou o caso e reconheceu que a segurança infantil é um desafio para toda a indústria de jogos online. Já o Discord afirmou que está “comprometido com a segurança”, e que exige que os usuários tenham pelo menos 13 anos. Onde buscar ajuda: CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde); UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro e hospitais; Centro de Valorização da Vida (CVV) – telefone 188 (ligação gratuita) ou site. O CVV oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, com atendimento 24 horas por dia, sigiloso e gratuito.

Lula e Janja encontram chefe do TikTok em Nova York e rede cita investimentos no Nordeste


Lula e Shou Zi Chew se encontraram nesta segunda-feira em Nova York Getty Images/BBC O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou nesta segunda-feira (22/9) com o diretor-executivo do TikTok, Shou Zi Chew, em Nova York, durante sua passagem pela cidade para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Foi a primeira vez que o petista se reuniu com representantes da rede social chinesa, uma das mais populares do Brasil e do mundo. Segundo dois membros do governo brasileiro ouvidos em caráter reservado, o encontro durou em torno de 30 minutos, foi feito a pedido da empresa e contou com a participação, ao menos parcial, da primeira-dama Janja Lula da Silva. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A presença da primeira-dama no encontro consta de sua agenda oficial. Em maio, Janja foi alvo de críticas após ter feito, segundo relatos vazados à imprensa, comentários sobre o funcionamento do TikTok durante uma visita oficial à China. Na época, Lula saiu em defesa dela e disse que teria pedido ao presidente chinês, Xi Jinping, que enviasse um responsável da empresa ao Brasil para discutir a atuação da companhia no país. Segundo um membro do governo que participou da reunião e que conversou com a BBC News Brasil em caráter reservado, o TikTok anunciou a intenção de fazer investimentos no Brasil. Entre eles, estariam sendo discutidos projetos para a construção de data centers no Ceará. Além de Janja e Lula, também participaram da reunião o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e o ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Camilo Santana. O Ceará é considerado um Estado estratégico no setor de tecnologia da informação brasileiro por concentrar pontos de chegada de cabos submarinos que transmitem sinais de internet. Como funciona um data center? E por que ele pode consumir tanta energia e água? 'Cidades' de servidores, água do subsolo e energia de milhões de casas: como serão os primeiros data centers de IA no Brasil Polêmica com Janja na China O encontro de Lula com o diretor do TikTok aconteceu quatro meses depois de uma polêmica envolvendo a primeira-dama durante a visita oficial do petista à China, em maio, em torno da atuação da companhia. Na ocasião, relatos publicados por veículos como Folha de S. Paulo e G1, apontaram que, durante um jantar, a primeira-dama teria se dirigido diretamente ao presidente chinês, Xi Jinping, e cobrado que a rede fosse mais firme em relação à moderação de conteúdo para evitar a exposição de mulheres e crianças a conteúdos inapropriados. O episódio na época foi criticado pela oposição. A intervenção da primeira-dama teria sido interpretada como uma quebra de protocolo indesejada. Ao centro, Lula e Janja durante visita à China em maio BBC/Reuters Além disso, a oposição acusou Janja e Lula de pedir ajuda a Xi Jinping para aumentar a moderação de conteúdo da rede, acusando o governo de trabalhar para censurar conteúdos. Segundo uma pessoa que acompanhou o encontro desta segunda-feira, Janja participou de parte do encontro, mas não ficou claro em que medida ela foi ativa durante as conversas mantidas entre Lula e o diretor-executivo da empresa. Essa mesma fonte afirmou que a regulação de mídias sociais foi um dos temas debatidos durante o encontro e que a empresa teria se mostrado informada sobre o projeto de lei sobre regulação econômica das plataformas enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional sobre o assunto. Ainda segundo esta fonte, executivas que acompanhavam o diretor do TikTok afirmaram que a empresa defenderia medidas para garantir um ambiente mais seguro nas redes sociais, mas não houve informações sobre se a rede apoiará ou não o projeto de regulação de mídias sociais do governo. O TikTok é uma das redes sociais mais populares do Brasil, ganhando terreno de forma exponencial nos últimos anos. O TikTok está em terceiro lugar como a rede social mais presente em telefones celulares brasileiros de acordo com a pesquisa Mobile Time/Opinion Box, divulgada em abril deste ano. De acordo com o levantamento, o TikTok está presente em 46% dos telefones celulares brasileiros, atrás apenas do Facebook (76%) e Instagram (91%). A empresa não divulga seus dados oficiais, mas estimativas extraoficiais apontam que o TikTok teria em torno de 100 milhões de usuários no Brasil. Ainda segundo uma pessoa que participou da reunião, Lula e Shou Zi Chew não discutiram as informações divulgadas nos Estados Unidos sobre uma negociação para que bilionário Larry Elisson, da gigante de informática Oracle, comprasse o controle do TikTok nos Estados Unidos. Elisson é apontado como um empresário simpático à gestão do presidente norte-americano Donald Trump. A BBC News Brasil procurou a assessoria de imprensa do TikTok no Brasil e nos Estados Unidos, mas não recebeu nenhuma resposta sobre o conteúdo da reunião. Veja mais: Trump diz que EUA e China fecharam acordo sobre TikTok e estende prazo para venda da rede Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas

Nvidia anuncia investimento de até US$ 100 bilhões na OpenAI, dona do ChatGPT


Ilustração mostra o logotipo da NVIDIA e a placa-mãe do computador REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração A Nvidia, empresa de tecnologia que desenvolve processadores de inteligência artificial, anunciou nesta segunda-feira (22) que vai investir até US$ 100 bilhões na OpenAI, dona do ChatGPT. As duas companhias afirmaram que vão trabalhar juntas na construção de 10 gigawatts em datacenters de IA equipados com sistemas da Nvidia. Segundo elas, o investimento deve envolver milhões de GPUs para a infraestrutura de próxima geração da tecnologia da OpenAI. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A primeira fase desses datacenters deve entrar em operação no segundo semestre de 2026, usando o processador Vera Rubin, descrito pela Nvidia como um "superchip" para aplicações de "inteligência artificial e ciência acelerada". "Esta parceria de investimento e infraestrutura marca o próximo salto - implantando 10 gigawatts para alimentar a próxima era de inteligência", disse Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia. OpenAI e Nvidia Divulgação/OpenAI "A infraestrutura de computação será a base para a economia do futuro, e utilizaremos o que estamos construindo com a Nvidia para criar novos avanços de IA e capacitar pessoas e empresas com eles em escala", afirmou Sam Altman, CEO da OpenAI. "Estamos entusiasmados em implantar os 10 gigawatts de computação com a Nvidia para ultrapassar a fronteira da IA e dimensionar os benefícios dessa tecnologia para todos", completou Greg Brockman, cofundador e presidente da OpenAI. Em comunicado, as empresas disseram que vão divulgar mais detalhes da parceria "nas próximas semanas". LEIA TAMBÉM: Crescimento do PIX e falhas de segurança: por que ataques a bancos têm se repetido? Trump diz que Xi Jinping aprovou acordo sobre TikTok; China não confirma iPhone Air: primeiras impressões do celular fininho da Apple e quais são seus rivais Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais iPhone Air: primeiras impressões do celular fininho e quais são seus rivais Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas

domingo, 21 de setembro de 2025

Crescimento do PIX e falhas de segurança: por que ataques a bancos têm se repetido?


PF prende 8 por ataques hackers contra bancos A tentativa de invadir o sistema da Caixa Econômica Federal em 12 de setembro foi apenas mais um dos ataques planejados contra o PIX. Nos últimos dois meses, hackers conseguiram movimentar mais de R$ 1,2 bilhão de instituições financeiras. No caso do ataque à Caixa, o plano não foi concretizado. A Polícia Federal (PF) prendeu oito pessoas em flagrante, apreendeu um computador roubado do banco e disse que o grupo pode estar envolvido com as fraudes anteriores. A PF afirmou que o grupo conseguiu um notebook e uma credencial de acesso por meio do gerente de uma agência da Caixa no bairro do Brás, na cidade de São Paulo. O inquérito também indica que o banco alertou sobre a roubo do dispositivo. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo g1. O método foi parecido com os ataques contra a C&M Software e a Sinqia: bandidos acessaram senhas e sistemas internos para retirar valores das contas reservas das empresas, usadas para processar movimentações financeiras. Não houve ataque hacker à estrutura do Banco Central nem roubo de dinheiro de contas de clientes dos bancos. Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que os ataques têm se repetido porque: o PIX cresceu muito desde sua criação em 2020 e se tornou mais visado por criminosos que buscam brechas de segurança em sistemas; faltam padrões de segurança mais elevados para todos os integrantes do PIX, além dos bancos mais conhecidos. A C&M Software e a Sinqia estão entre os seis intermediários que ligam instituições financeiras ao Banco Central. São os chamados Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI), que viraram alvo dos hackers. "Quando muitas instituições dependem de um mesmo intermediário, ele se torna um alvo atrativo. A concentração se torna um risco iminente. Há um único ponto de falha", explicou Nathália Carmo, sócia da consultoria de segurança cibernética IAM Brasil. Os ataques aproveitaram que a C&M Software e a Sinqia eram conhecidas dos sistemas dos bancos para fazer transações sem muitas barreiras, disse Nathália. Para ela, o monitoramento sobre esses intermediários precisa aumentar. "Quem deveria manter essa infraestrutura em conformidade é o intermediário. Ele precisa manter a segurança. É algo que foge da responsabilidade do banco", afirmou. As pistas que ajudaram a revelar ataque contra a C&M Software Por que ataque à C&M Software foi um dos mais graves já registrados no Brasil Novas regras após ataques Após os ataques, o Banco Central decidiu antecipar o prazo para todas as instituições de pagamento serem obrigadas a pedir autorização para continuarem operando. Em vez de dezembro de 2029, o limite agora é maio de 2026. Uma instituição de pagamento não autorizada consegue operar, mas não segue todas as regras do Banco Central. Dos 936 participantes do PIX, 78 não têm autorização expressa do Banco Central, segundo dados publicados pelo próprio órgão em 17 de setembro. BC reforça regras de instituições financeiras para impedir atuação do crime organizado A expectativa é que, com a exigência da autorização, haja mais controle sobre padrões de segurança das empresas. "Quando uma instituição é autorizada e está na lupa do BC diariamente, ela tem mais obrigações e precisa melhorar suas políticas de segurança e contra lavagem de dinheiro", explicou Abdul Assal, diretor de desenvolvimento de negócios da empresa de tecnologia financeira Galileo. Com o precedente criado após o caso da C&M Software, o Banco Central quer agora "separar o joio do trigo" e manter no sistema financeiro apenas quem tem condições de manter padrões mais elevados, avaliou Assal. "A instituição vai passar por um batalhão de análise e, caso seja aprovada, significa que ela realmente está aderente a todas aqueles requerimentos do BC". O que mais pode ser feito? Além das novas regras para instituições financeiras, é preciso haver mais filtros contra movimentações suspeitas, incluindo com uso de inteligência artificial, alertou Rocelo Lopes, CEO da empresa de compra e venda de criptomoedas SmartPay. "Se o banco puder pesquisar quem é o detentor da conta e no que ele está envolvido, ele poderá decidir segurar a transação. Criar políticas para poder identificar esse tipo de coisa seria o melhor caminho para o sistema centralizado". O segmento financeiro é o mais protegido, mas, com mais instituições a cada dia, precisa aumentar seu nível de maturidade, avaliou o diretor-geral da Netscout, Geraldo Guazzelli. "A maior fragilidade hoje, apesar de todo o ambiente, é o uso de credenciais legítimas obtidas com o roubo ou a compra", afirmou. "Mas a credencial por si não é algo que vai garantir o sucesso. Tem que ser encontrada uma falha. É uma associação de fatores".

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...