quinta-feira, 23 de outubro de 2025

'Minha filha foi vítima de um grupo satânico online – e eu me senti impotente para ajudar'


Adolescente com celular BBC/Getty Images Aviso: o artigo contém informações que podem ser consideradas perturbadoras Quando uma menina de 14 anos começou a conversar com outros adolescentes pela internet, sua mãe não se preocupou muito. Mas, em poucas semanas, Christina (nome fictício) percebeu que o comportamento da filha havia saído do controle. A adolescente havia caído nas redes do grupo satanista de extrema direita chamado 764, formado principalmente por adolescentes e jovens que buscam fazer mal às meninas. Pelo menos quatro adolescentes britânicos foram presos em conexão com as atividades do grupo internacional, entre eles Cameron Finnigan, membro do 764, de Horsham, em West Sussex, condenado a seis anos de prisão em janeiro. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Como ativar proteção no celular para limitar tempo e atividade do seu filho online Veja os vídeos que estão em alta no g1 Christina acredita que a filha foi alvo do grupo 764 depois de visitar uma sala de bate-papo onde as pessoas discutiam automutilação. O grupo convence as vítimas a praticar atos sexuais, se automutilar e até mesmo tentar o suicídio durante chamadas de vídeo ao vivo, enquanto seus membros assistem. Segundo Christina, um integrante do 764 ganhou a confiança de sua filha antes de manipulá-la e coagí-la. Ela relatou: "Vi minha mãe ser diagnosticada com câncer de mama em estágio quatro e lutar pela vida, e não foi tão difícil quanto ver minha filha se deteriorar". "Ela se deteriorou mais rápido e pior do que assistir alguém essencialmente morrendo de câncer." Christina disse que tirar a filha do controle do grupo 764 foi um grande desafio. "Eu ficava dizendo: 'apenas bloqueie-os, pare de falar com eles', mas eu não estava vendo o nível de influência que já existia, nem o nível de medo", contou. "Eles a esmagaram completamente para fazê-la sentir que não era absolutamente nada sem eles ou com eles." Christina e a filha estão reconstruindo a vida aos poucos, e ela diz querer que outros pais entendam o perigo que esses grupos representam. "Minha filha parou de dormir. Parou de comer", afirmou. "Como mãe, eu me sentia sozinha. Eu estava assustada, estava desamparada, sem esperança." A Agência Nacional do Crime (NCA, na sigla em inglês) considera grupos como o 764 uma das "ameaças online mais graves e sérias" com as quais lida atualmente. Rob Richardson, vice-chefe da divisão de combate ao abuso sexual infantil online da NCA, afirma que os membros desses grupos estão cada vez mais jovens e que seus crimes são pouco denunciados. "Conseguir falar com as vítimas costuma ser bastante desafiador do ponto de vista da aplicação da lei", disse Richardson. "Muitas vezes, elas não se reconhecem como vítimas, o que torna tudo ainda mais difícil. As meninas jovens são extremamente vulneráveis." O conselho aos pais é que demonstrem interesse no que elas estão fazendo na internet, usem controles parentais e, se possível, tentem ter conversas sem julgamentos." A Fundação Molly Rose, criada em memória de Molly Russell, de 14 anos, que cometeu suicídio após ser exposta a conteúdo nocivo na internet, afirma estar alarmada com o "crescimento explosivo" de grupos como o 764. Andy Burrows, CEO da fundação, disse: "Sabemos que eles estão operando abertamente em grandes plataformas que a maioria das crianças deste país usa todos os dias. Esses grupos estão na linha de frente da ameaça de suicídio e automutilação que nossos adolescentes enfrentam." A rede 764 foi fundada em 2020 por um adolescente americano, Bradley Cadenhead, então com 15 anos. Acredita-se que o nome tenha sido inspirado em parte do código postal de sua cidade natal, no Texas. Segundo a polícia, o grupo integra uma rede internacional de grupos de extrema direita que adotam o que os policiais chamam de "ideologia aceleracionista militante". Veja mais: Após vídeo de Felca, juíza alerta sobre perigo de redes sociais para crianças: 'Internet é lugar público e perigoso' Por que redes sociais têm tantos casos de exposição de crianças mesmo com sistemas de detecção Em conversas online, Finnigan — que entrou para o grupo 764 depois de a filha de Christina ter sido alvo — se gabava com outros membros de suas tentativas de induzir crianças a se machucarem. Após sua prisão, Finnigan, então com 18 anos, foi questionado pela polícia sobre o que sabia a respeito do grupo 764. Finnigan disse: "Eles extorquem pessoas com problemas raciais, de saúde mental ou que sejam mentalmente vulneráveis para que qualquer um possa realmente se aproveitar". Finnigan se declarou culpado por incentivar o suicídio e por possuir um manual de terrorismo e imagens indecentes de uma criança. Na sentença, o juiz afirmou que Finnigan representava "alto risco de causar sérios danos ao público". A polícia antiterrorismo alerta que o grupo representa uma "ameaça imensa". Desde 2009, a unidade de Combate ao Terrorismo do Sudeste do Reino Unido é responsável por coordenar a resposta regional contra o terrorismo e oferecer apoio especializado às forças policiais de Hampshire, Kent, Surrey, Sussex e do Thames Valley. A detetive superintendente Claire Finlay, chefe da unidade, disse: "O caso de Cameron Finnigan realmente expôs o controle que esses grupos online exercem. Parte do nosso trabalho é justamente fazer com que pais, responsáveis e tutores estejam mais cientes do perigo e do que os jovens estão sendo levados a fazer." No ano passado, o FBI (a polícia federal americana) emitiu um alerta sem precedentes sobre o grupo 764, afirmando que ele "usa ameaças, chantagem e manipulação para controlar as vítimas e levá-las a gravar ou transmitir ao vivo automutilações, atos sexuais explícitos e/ou suicídios". O grupo costuma buscar meninas vulneráveis nas redes sociais, sobretudo em comunidades sobre automutilação ou saúde mental. Integrantes se comunicam com elas por aplicativos de mensagens como Discord e Telegram, e frequentemente enviam material de abuso infantil com conteúdo sexual explícito. O órgão revelou ter aberto investigações contra 250 pessoas ligadas ao 764 e a outras redes online. Prisões relacionadas ao grupo já foram feitas por crimes de abuso infantil, sequestro e homicídio em pelo menos oito países, incluindo o Reino Unido. Em entrevista ao podcast Assume Nothing: Creation of a Teenage Satanist, nova série da BBC que investiga o grupo 764, o principal responsável pela investigação do caso de Cameron Finnigan afirmou temer que mais jovens sejam influenciados a cometer crimes violentos. Ele disse: "Cada vez mais pessoas que, inicialmente, se envolveram com o [764] por acharem divertido explorar pessoas vulneráveis ou fazer trotes com falsas ameaças de bomba acabam sendo radicalizadas dentro do próprio grupo". Veja mais: Regras para redes sociais: o que está em jogo na lei contra adultização e nas propostas de regulação das big techs Recomendações de como agir em casos do tipo? O governo federal brasileiro publicou uma cartilha em 2020 com orientações sobre a proteção de crianças e adolescentes na internet. "A melhor prevenção é a informação, pois ao conhecerem os reais riscos e ameaças, as crianças e os adolescentes poderão se prevenir." Há sete principais recomendações no material: Seja exemplo Controle o acesso das crianças à internet Conscientize os pequenos sobre os perigos da internetComo os pais podem ajudar na experiência e segurança digital dos filhos Mantenha um diálogo aberto com as crianças Estabeleça um tempo diário de acesso à internet Instale firewalls e antivírus Instale um programa de controle parental Onde buscar ajuda em casos de assédio, abuso ou risco de suicídio Se você ou alguém que conhece foi vítima de assédio ou abuso, na internet ou fora dela, há serviços públicos que oferecem orientação e acolhimento: O Fala.BR, plataforma da Controladoria-Geral da União (CGU), permite registrar denúncias de assédio, abuso e outras irregularidades. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, do Ministério das Mulheres, fornece informações sobre direitos e indica serviços de apoio e proteção mais próximos. Em situações de emergência, é possível acionar o 190, contatar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) ou denunciar violações de direitos humanos pelo Disque 100. Se houver sinais de risco de suicídio ou se você perdeu alguém por suicídio, também existem canais de ajuda: O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo telefone 188, chat, e-mail ou postos de atendimento. Para jovens de 13 a 24 anos, o Pode Falar, da Unicef, oferece atendimento por chat. Em emergências, especialistas recomendam acionar o 193 (Bombeiros), o 190 (Polícia Militar) ou o 192 (Samu). Na rede pública, há atendimento gratuito nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Também é possível consultar o Mapa da Saúde Mental, que reúne locais de atendimento gratuito em todo o país. Quem perdeu alguém por suicídio pode procurar a Associação Brasileira dos Sobreviventes Enlutados por Suicídio (Abrases), que oferece grupos de apoio e assistência especializada. Veja mais: Como os pais podem ajudar na experiência e segurança digital dos filhos Saiba como ativar proteção para controlar tempo e atividade de crianças no celular

Apple perde ação histórica no Reino Unido por cobrança abusiva de comissões de desenvolvedores de apps


Logotipo da Apple Unsplash/ Zhiyue A Apple abusou de sua posição dominante no mercado para cobrar comissões injustas de desenvolvedores de aplicativos, decidiu um tribunal de Londres nesta quinta-feira (23). O Tribunal de Apelações de Competição (CAT, na sigla em inglês) decidiu contra a Apple após o julgamento de uma ação movida por milhões de usuários do iPhone e do iPad no Reino Unido. ➡️O CAT determinou que a Apple abusou de sua posição dominante de outubro de 2015 até o final de 2020 ao eliminar a concorrência no mercado de distribuição de aplicativos e ao “cobrar preços excessivos e injustos” como comissão dos desenvolvedores. A Apple afirmou que vai recorrer da decisão, dizendo que ela “parte de uma visão equivocada sobre a próspera e competitiva economia de aplicativos”. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A bigecth vem enfrentando crescente pressão de reguladores nos Estados Unidos e na Europa por causa das taxas cobradas dos desenvolvedores. O valor da ação foi estimado em cerca de 1,5 bilhão de libras (US$ 2 bilhões) pelos autores do processo. ➡️Uma audiência no próximo mês vai decidir como serão calculadas as indenizações e também analisar o pedido da Apple para recorrer da decisão. A decisão desta quinta-feira ocorre após a Apple ter sido denunciada a reguladores antitruste da União Europeia por criar regras na App Store, criadas para conter o domínio das grandes empresas de tecnologia. Ação coletiva histórica Rachael Kent, acadêmica britânica que moveu o processo, argumentou que a Apple obteve “lucros exorbitantes” ao excluir toda concorrência na distribuição de aplicativos e nas compras dentro dos apps. Os advogados dela afirmaram, no início do julgamento em janeiro, que a “posição de monopólio de 100%” da Apple permitiu impor condições restritivas e comissões excessivas aos desenvolvedores, algo que a empresa negou. O CAT afirmou, em sua decisão, que os desenvolvedores foram cobrados a mais pela diferença entre uma comissão de 17,5% sobre as compras de aplicativos e a taxa cobrada pela Apple, que, segundo os advogados de Kent, normalmente era de 30%. O tribunal também concluiu que os desenvolvedores repassaram 50% dessa cobrança adicional aos consumidores. “Essa decisão ignora como a App Store ajuda os desenvolvedores a prosperar e oferece aos consumidores um local seguro e confiável para descobrir aplicativos e realizar pagamentos com segurança”, disse um porta-voz da Apple. Ações coletivas no Reino Unido O caso foi o primeiro processo coletivo contra uma gigante da tecnologia a ir a julgamento sob o regime britânico de ações coletivas, que completou 10 anos neste ano e já certificou diversos casos bilionários para julgamento, embora até agora com sucesso limitado para os consumidores. Há, no entanto, muitos outros processos aguardando julgamento, incluindo um contra o Google sobre a comissão que a empresa cobra de desenvolvedores de aplicativos para acesso à Play Store. Esse caso está previsto para começar em outubro de 2026 e será julgado juntamente com uma ação semelhante movida pela Epic Games, que também mantém litígios paralelos com a Apple nos Estados Unidos. Outras gigantes da tecnologia, incluindo Amazon e Microsoft, também enfrentam ações de grande valor no CAT. Kent afirmou em comunicado que a decisão mostra que o regime de ações coletivas do Reino Unido está funcionando e “envia uma mensagem clara: nenhuma empresa, por mais rica ou poderosa que seja, está acima da lei”.

Netflix sofre impacto bilionário por disputa tributária no Brasil; entenda


Veja os vídeos que estão em alta no g1 Uma disputa envolvendo a cobrança de impostos no Brasil chamou atenção durante a divulgação do balanço financeiro mais recente da Netflix. Na terça-feira (21), a plataforma de streaming anunciou que teve lucro de US$ 2,5 bilhões no mundo entre julho e setembro, abaixo dos US$ 3 bilhões que os analistas esperavam. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Com isso, as ações da companhia recuaram, e o valor de mercado da Netflix passou de US$ 527 bilhões (R$ 2,8 trilhões) para US$ 494 bilhões (R$ 2,6 trilhões) no mesmo dia. A Netflix normalmente não divulga dados de quanto fatura no Brasil. Mas, desta vez, explicou a investidores que uma cobrança de impostos no país afetou seus resultados. Entenda o caso abaixo. O impacto tributário do Brasil na Netflix A empresa afirmou que o resultado veio abaixo do esperado devido a uma disputa tributária "em andamento" no país, que a obrigou a registrar uma despesa de US$ 619 milhões (cerca de R$ 3,3 bilhões) no terceiro trimestre. O caso envolve a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), um imposto cuja aplicação foi ampliada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto, afetando também outras empresas. 💰 A Cide é um tributo federal usado para regular setores da economia e financiar políticas públicas específicas. Um exemplo é a Cide-Combustíveis, cobrada sobre petróleo e derivados para bancar obras de transporte e programas ambientais. 🍿 No caso da Netflix, o impasse envolve a cobrança da Cide Royalties, conhecida também como Cide-Tecnologia — uma taxa sobre pagamentos ao exterior ligados ao uso de tecnologia. O objetivo é estimular a inovação nacional e aumentar a arrecadação. 🌎 Nos serviços de streaming, a Cide não incide sobre a assinatura em si, mas sobre a remessa de dinheiro ao exterior — ou seja, pagamentos feitos por empresas estrangeiras por serviços digitais. 🇧🇷 O imposto é cobrado desde 2001 no Brasil. Com isso, a importação de serviços e tecnologias fica sujeita a um pagamento de 10% sobre a remessa ao exterior. "O impacto acumulado dessa despesa (aproximadamente 20% referente a 2025 e o restante ao período de 2022 a 2024) reduziu nossa margem operacional em mais de cinco pontos percentuais no terceiro trimestre", afirmou a Netflix no balanço. A decisão do STF Em agosto deste ano, o STF decidiu manter a constitucionalidade da Cide sobre remessas ao exterior, abrangendo qualquer tipo de contrato, incluindo serviços administrativos e direitos autorais, e não apenas a importação de tecnologia. Por seis votos a cinco, o colegiado negou o Recurso Extraordinário (RE) 928.943, que questionava a legalidade da tributação. O julgamento no STF foi 6 a 5, com o voto vencedor do ministro Flávio Dino, prevalecendo sobre o relator inicial, Luiz Fux, que defendia uma interpretação mais restrita do tributo. “Mais do que uma questão tributária, estamos falando da defesa da soberania tecnológica do Brasil e da capacidade de desenvolver soluções para os nossos desafios", enfatizou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, à época da decisão. "Sobretudo nesse contexto de ataques à soberania nacional e à economia do nosso país, o STF assegura um instrumento que é capaz de gerar empregos, combater as desigualdades, garantir saúde e educação, promover o desenvolvimento sustentável e criar oportunidades para nossa gente.” Segundo a pasta, o tributo é a principal fonte de financiamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), respondendo por 74% da composição do FNDCT, sendo este o principal instrumento de subsídio público da CT&I no país. Flávia Holanda Gaeta, advogada tributarista e sócia fundadora do FH Advogados, lembra que o caso da Cide não surgiu a partir da Netflix, mas sim de uma interpretação mais ampla do tributo: "Empresas que não estavam tributando a Cide — por estarem discutindo judicialmente ou se defendendo de autos de infração na via administrativa — serão prejudicadas e poderão repassar os custos para o consumidor. No entanto, muitas empresas no Brasil já pagam regularmente a Cide sobre licenças de uso, transferência de tecnologia, serviços técnicos, assistência administrativa e royalties de qualquer natureza", afirma Gaeta. "A grande discussão sempre foi sobre a interpretação do enquadramento da Cide, incluindo se seria necessário tributar importação de serviços mesmo sem transferência de tecnologia." O processo teve início em 2002, a partir de um pedido da Scania, do setor automotivo, que questionava a cobrança da Cide sobre remessas feitas à matriz da companhia na Suécia. Embora a decisão recente do STF não envolvesse a Netflix diretamente, o caso teve repercussão geral, ou seja, todas as instâncias do Judiciário devem seguir o mesmo entendimento. No caso das plataformas de streaming, como Netflix, Disney+, Amazon Prime e HBO Max, o imposto é cobrado sobre o dinheiro que a matriz recebe fora do país pelo uso de tecnologia, sistemas e conteúdos que permitem oferecer os serviços no Brasil. No caso da operação brasileira, a Netflix paga à matriz nos EUA por serviços que permitem a oferta de assinaturas de streaming aqui no país. Esse tipo de pagamento é o que passou a ser enquadrado na Cide-Tecnologia, segundo decisão do STF. O vice-presidente financeiro da empresa de streaming, Spencer Neumann, comentou que a cobrança da Cide sobre as operações da empresa é algo "único no mundo". Ele lembrou que a empresa já havia conseguido decisão favorável em instância inferior em 2022, que concluía que a Netflix não estava sujeita à Cide. "É um imposto único. Nenhum outro imposto se parece ou se comporta dessa forma em qualquer grande país em que operamos", disse Neumann. A Strima, associação que representa serviços de streaming como Disney, Globo, HBO, Netflix e Amazon, não se pronunciou até a publicação da reportagem. Custo adicional Especialistas em tributação alertam que a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a Cide Tecnologia pode afetar fortemente as empresas — e, no caso das plataformas de streaming, até elevar o preço das assinaturas no Brasil para cobrir os custos do imposto. "Se a empresa não estava provisionando [estimando] ou recolhendo essa contribuição, ou se estava contestando judicialmente e perdeu a causa, o reconhecimento dessa dívida tributária pode, sim, gerar um impacto financeiro considerável e afetar os lucros", afirma Morvan Meirelles Costa Junior, advogado tributarista e sócio do escritório Meirelles Costa Advogados. "E isso é mais provável considerando que o mercado brasileiro é relevante para a Netflix", acrescenta. Ele também afirma que a carga tributária no Brasil é uma das mais elevadas e complexas do mundo, gerando redução de lucratividade, insegurança jurídica e altos custos de conformidade (com as leis). "A grande discussão sempre foi sobre a interpretação do enquadramento da Cide, incluindo se seria necessário tributar importação de serviços mesmo sem transferência de tecnologia." Luísa Macário, advogada tributarista e sócia do Macário Menezes Advogados, reforça que "mesmo sem desembolso imediato, a empresa precisa constituir provisões para litígios e riscos fiscais, o que impacta diretamente o lucro líquido reportado aos acionistas". Ela explica ainda que a complexidade tributária brasileira impõe custos significativos, especialmente no setor de serviços e tecnologia, e que a Reforma Tributária tende a aumentar a carga, que hoje gira em torno de 14% e pode chegar a cerca de 25% no setor de streaming. Plataformas como Disney+, Prime Video, HBO Max e Spotify devem sentir impactos semelhantes. "Se o aumento de carga tributária se confirmar com a reforma, as empresas terão de escolher entre repassar o custo ao consumidor, encarecendo as assinaturas, ou absorver parte dele, reduzindo margens de lucro", afirma. "O caso da Netflix mostra que o Brasil continua sendo um mercado relevante, mas com risco fiscal alto e tendência de aumento de tributação sobre o consumo digital", diz Macário. *Com informações da agência Reuters Netflix Reuters/Dado Ruvic

Pane global na nuvem da Amazon fez camas inteligentes travarem durante a madrugada


Nuvem da Amazon cai e derruba serviços no mundo todo A pane global na AWS, serviço de computação em nuvem da Amazon, afetou não só aplicativos populares como Canva, Duolingo, iFood e Fortnite, mas também camas inteligentes da empresa Eight Sleep, nos Estados Unidos. Nas redes sociais, usuários relataram que as camas ligaram e desligaram sozinhas, sem possibilidade de controle. Em alguns casos, elas chegaram a ficar inclinadas ou começaram a esquentar sozinhas, sem que fosse possível ajustar a posição ou a temperatura. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Cama inteligente da Eight Sleep. Reprodução/Eight Sleep "No momento, estou tentando dormir e minha cama ficou travada no modo relaxamento. Não há como ajustá-la manualmente", escreveu um cliente na rede social X. "Parece que está ligando e desligando sozinha, e não há como pará-la ou controlá-la", relatou outro usuário. O número de reclamações fez com que o CEO da Eight Sleep, Matteo Franceschetti, se pronunciasse sobre o problema no X. "A interrupção da AWS afetou alguns de nossos usuários desde a noite passada, interrompendo seu sono. Essa não é a experiência que queremos proporcionar e quero pedir desculpas por isso", disse o executivo no dia 20 de outubro. Cama inteligente da Eight Sleep. Reprodução/Eight Sleep "Estamos restaurando todos os recursos conforme a AWS retorna. Todos os dispositivos estão funcionando, com alguns apresentando atrasos no processamento de dados", completou em seu post. Cama ajusta temperatura e reproduz sons As camas vendidas pela Eight Sleep, chamadas de Pod 5, têm controle de temperatura, elevação e podem emitir sons para melhorar a qualidade do sono. O sistema inclui um cobertor movido a energia hidráulica, conectado a uma capa inteligente que cria uma experiência térmica imersiva de cima para baixo, segundo a empresa. Essa mesma capa tem tecnologia de aquecimento e resfriamento, com temperaturas que variam de 12 °C a 43 °C. "O Pod personaliza as experiências de temperatura, elevação e despertar para que você e seu parceiro durmam do seu jeito", diz a empresa no site. Isso permite, por exemplo, que um lado da cama fique mais quente enquanto o outro permaneça mais frio. Cama Pod 5 pode ter temperatura dedicada em cada lado. Reprodução/Eight Sleep Pane no serviço de nuvem da Amazon Uma falha na Amazon Web Services (AWS), serviço de computação em nuvem da Amazon, causou instabilidade em vários sites e aplicativos por cerca de 15 horas na segunda-feira (20). Empresas como iFood, Mercado Livre e PicPay, entre muitas outras, foram afetadas. A AWS identificou às 4h11 (horário de Brasília) um problema ligado aos sistemas de banco de dados e de servidores virtuais voltados para empresas que utilizam seu serviço de nuvem. À tarde, muitos serviços ainda tiveram instabilidade, segundo o Downdetector, que monitora falhas em sites e aplicativos. A Amazon Web Services informou que "todos os serviços da AWS retornaram às operações normais" às 19h01. A AWS informou que o problema aconteceu na região US-EAST-1, como é chamado seu grupo de data centers no norte da Virgínia, nos Estados Unidos. A empresa tem 38 regiões de data centers em todo o mundo, incluindo uma no Brasil. Ataque no WhatsApp pode roubar senhas de usuários; veja como se proteger Torres com câmeras se espalham e levantam alerta sobre privacidade Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Ligações de números parecidos: como são feitas as chamadas adulteradas que irritam usuários


Robocalls: entenda como as chamadas indesejadas funcionam como 'provas de vida' Você já recebeu ligações em excesso feitas por números de celular muito parecidos ao seu? Esse tipo de chamada vem supostamente de números em que apenas os quatro dígitos finais são diferentes. Mas, na maioria das vezes, elas não são realmente feitas pelos números que aparecem no celular. As ligações têm dados adulterados por meio de "spoofing numérico", uma técnica que pode ser realizada com programas de computador. No cenário atual, esse problema tem até 2028 para ser completamente resolvido. Esse é o prazo que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) definiu para operadoras aderirem ao sistema de autenticação nas suas chamadas (saiba mais abaixo). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "Spoofing" significa "falsificação" em inglês. No caso das ligações, envolve modificar o número do autor para se disfarçar como uma linha telefônica comum e induzir a vítima a atender a chamada. A adulteração costuma ser feita por meio de servidores VoIP (sigla em inglês para "Voz sobre Protocolo de Internet"), programas que conseguem se conectar à rede de telefonia via internet. Esses servidores costumam ser usados para administrar ramais dentro de empresas, por exemplo. Mas atraem pessoas com fins indevidos por permitem mudar o número de origem. Quais celulares terão selo de ligação segura contra robocalls 'Não Me Perturbe' e prefixo 0303: o que mudou nas regras do telemarketing Alguns programas VoIP permitem alterar os metadados da ligação, isto é, informações complementares da chamada. Isso inclui o nível de prioridade, a existência ou não de mensagens pré-gravadas e o CallerID, como é chamado tecnicamente o número de origem. Ao adulterar o número, os verdadeiros autores das chamadas podem se camuflar para tentar aplicar golpes. Em alguns casos, as ligações podem ficar mudas, indicando que ela foi uma chamada descartada de call centers ou que serviu para verificar se o seu número está ativo. "As ligações mudas são normalmente feitas através de sistemas de telemarketing. A ligação é completada, mas os atendentes não têm tempo de pegar. Então, acaba ficando mudo", explicou Wanderson Castilho. "Também pode ser para ver as linhas ativas e ter um banco de dados mais certeiro, seja para fazer golpe ou vender algo". Por que recebemos ligações mudas que desligam sozinhas – e como evitá-las Verificação de ligações A solução definitiva para esse problema é a autenticação de ligações, sistema criado pela Anatel em parceria com operadoras que está sendo implementada por empresas, como bancos e call centers. A partir de 17 de novembro, ligações de empresas que fazem mais de 500 mil ligações por mês deverão mostrar na tela do celular um selo com o símbolo ✅. Esse selo vai mostrar que o número teve a sua autenticidade confirmada pelo sistema da Anatel. O objetivo é proteger consumidores de golpes e chamadas indesejadas. Mas a exigência para que as ligações de todas sejam autenticadas só começa em 2028. A autenticação faz parte do Origem Verificada, uma iniciativa mais ampla de segurança que busca garantir que chamadas são realmente feitas a partir dos números que aparecem no seu celular (veja como vai funcionar). E o que fazer até lá? Enquanto o Origem Verificada não é implementado para todas as ligações, a saída é aderir a algumas medidas para tentar, ao menos, reduzir a quantidade de chamadas indesejadas. Uma delas é o "Não Me Perturbe", que acaba com ligações de operadoras de telefonia e bancos legítimos. O serviço está disponível em www.naomeperturbe.com.br, mas não impede ligações de golpistas e de empresas de outros setores. 'Não Me Perturbe' não funciona? Por que pessoas recebem ligações de telemarketing Alguns celulares Android contam com recursos que identificam e bloqueiam boa parte das chamadas suspeitas. Esse tipo de ferramenta costuma ser encontrada ao acessar a página de Configurações e pesquisar por "Proteção ID" ou "Spam". O iPhone também conta com o recurso "Perguntar motivo da ligação", que faz todas as chamadas serem atendidas automaticamente por um robô (saiba mais aqui). Uma alternativa é baixar aplicativos de terceiros como o Whoscall e o Truecaller, que podem identificar e bloquear chamadas, mas cobram por recursos avançados. Em último caso, a saída é bloquear chamadas de números desconhecidos, o que acaba com o problema, mas pode fazer você perder ligações realmente importantes. A Anatel também orienta consumidores a registrar reclamações em seu site caso o problema não seja resolvido. A página está disponível neste link. Como é uma ligação de número autenticado no Android g1/Thalita Ferraz 23 mil ligações por segundo: o Fantástico investiga como funcionam os robôs programados para tirar você do sério Fim das robocalls? Veja se seu celular é compatível com ferramenta contra golpes

Meta demite 600 pessoas do time de 'superinteligência artificial', diz site


Mark Zuckerberg, CEO da Meta ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP A Meta demitiu cerca de 600 pessoas do seu time de "superinteligência artificial", informou nesta quarta-feira (22) uma reportagem do site Axios. Em memorando, a empresa disse que as saídas devem tornar a equipe menos burocrática e dar mais agilidade aos trabalhos. "Ao reduzir o tamanho de nossa equipe, menos conversas serão necessárias para tomar uma decisão, e cada pessoa terá mais carga, mais escopo e impacto", disse o diretor de IA da Meta, Alexandr Wang, no memorando obtido pelo Axios. "Este é um grupo talentoso de indivíduos e precisamos de suas habilidades em outras partes da empresa".

Manifesto contra IA superinteligente reúne príncipe Harry, artistas e ex-estrategista de Trump


O príncipe britânico Harry e Meghan, duque e duquesa de Sussex REUTERS/Andrew Kelly/Foto de arquivo Um grupo que inclui o príncipe Harry e sua mulher, Meghan Markle, artistas, líderes religiosos e Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, assinou um manifesto que pede a proibição do desenvolvimento de inteligência artificial “superinteligente”. A carta foi divulgada nesta quarta-feira (22) pelo instituto Future of Life, fundado em 2014. Ela afirma: “Pedimos a proibição do desenvolvimento de superinteligência, que só deve ser suspensa quando houver amplo consenso científico de que será feita de forma segura e controlável, com forte apoio público.” Outros signatários da declaração incluem o comentarista político conservador Gleen Beck, o cofundador da Apple Steve Wozniak, a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson e o fundador do grupo Virgin, Richard Branson. Líderes cristãos e evangélicos também aparecem na lista. Veja os vídeos que estão em alta no g1 No texto introdutório, o manifesto reconhece que as ferramentas de IA podem trazer benefícios à saúde e à prosperidade. Ao mesmo tempo, diz que grandes empresas de tecnologia têm como objetivo declarado construir uma superinteligência “capaz de superar significativamente todos os humanos em praticamente todas as tarefas cognitivas.” Isso, segundo o texto, levanta preocupações que vão desde recessão econômica e perda de liberdade e dignidade humanas até riscos à segurança nacional e uma até mesmo possível extinção da espécie. Quem assinou a carta Príncipe Harry Megan Markle Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump Glenn Beck, comentarista político Steve Wozniak, cofundador da Apple Richard Branson, fundador da Virgin Will.i.am, artista Kate Bush, cantora Stephen Fry, ator Joseph Gordon-Levitt, ator Susan Rice, ex-assessora de segurança nacional de Barack Obama Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda Em nota pessoal, o príncipe Harry afirmou que “o futuro da IA deve servir à humanidade, não substituí-la”. “Acredito que o verdadeiro teste do progresso não será o quão rápido avançamos, mas quão sabiamente conduzimos esse avanço. Não há segunda chance”, escreveu.

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...