quarta-feira, 10 de julho de 2024

Órgão ligado ao governo prorroga prazo para Meta informar que parou de usar de dados de usuários para treinar inteligência artificial


ANPD manteve ordem para empresa suspender prática e vai analisar pedido de reconsideração. Meta disse, na semana passada, estar 'desapontada' com a decisão anterior. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) decidiu prorrogar o prazo dado à Meta – big tech responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp – para a empresa suspender, no Brasil, a validade da nova política de privacidade da empresa sobre o uso dos dados pessoais dos usuários. O órgão é uma autarquia federal ligada ao Ministério da Justiça. Pela primeira decisão, do dia 2 de julho, a Meta tinha cinco dias para dizer ao governo que tinha suspendido a política – e comprovar a suspensão. O prazo foi renovado nesta quarta-feira (10) por mais cinco dias. Os novos termos de uso passaram a permitir que a empresa use dados de publicações abertas de usuários, como fotos e textos, para treinar sistemas de inteligência artificial (IA) generativa. ⚠️ Por que isso importa? Porque o conteúdo que milhões de pessoas postam no Instagram e no Facebook está servindo para treinar inteligência artificial sem a empresa oferecer contrapartidas, nem informações detalhadas sobre onde a ferramenta poderá ser usada. A prática foi alvo de questionamento na Europa e, no Brasil, pelo Instituto de Defesa de Consumidores (Idec). Meta passa a coletar dados das redes para IA. Saiba passo a passo para desativar Na nova decisão, a ANPD também adiou a análise do recurso da Meta que tenta derrubar a decisão por completo – ou seja, liberar o uso dos dados para treinar os sistemas de IA da empresa. O adiamento vale "até a realização de análise técnica das medidas propostas e apresentação de plano de conformidade pela Meta, com a especificação de prazos concretos para a implementação das medidas [...] ou de documentação que comprove a sua entrada em vigor". Em nota divulgada na semana passada, quando a ANPD determinou a suspensão da política de privacidade, a Meta disse estar "desapontada" com a decisão. A empresa defende que sua abordagem para a inteligência artificial está de acordo com a legislação brasileira. "Treinamento de IA não é algo único dos nossos serviços, e somos mais transparentes do que muitos participantes nessa indústria que têm usado conteúdos públicos para treinar seus modelos e produtos," diz o comunicado. "Nossa abordagem cumpre com as leis de privacidade e regulações no Brasil, e continuaremos a trabalhar com a ANPD para endereçar suas dúvidas. Isso é um retrocesso para a inovação e a competividade no desenvolvimento de IA, e atrasa a chegada de benefícios da IA para as pessoas no Brasil", prossegue a Meta. O que a Meta diz sobre a coleta de dados para treinar IA e como desativar Por que a prática está sendo questionada? Como impedir Instagram e Facebook de usarem suas fotos para treinar IA 'Balanceamento' de interesses A ANPD também definiu, na nova decisão, prazo de 10 dias para a conclusão de um teste de balanceamento sobre a nova política de dados da Meta e de seus serviços. Esse teste é definido em manuais da própria Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) como uma ponderação sobre o que deve prevalecer: os interesses de uma empresa ou cidadão ao usar dados de outras pessoas, ou os direitos e liberdades fundamentais dos titulares desses dados. "O que a LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados] exige não é o impacto zero, mas, sim, que eventuais impactos sejam minimizados e levados em consideração na adoção de salvaguardas a fim de assegurar que, no caso concreto, os interesses que justificam a realização do tratamento são compatíveis com o respeito aos direitos e as liberdades fundamentais do titular", diz um guia da ANPD sobre o tema publicado em fevereiro. O passo a passo para desativar a coleta de informações no Instagram g1 Grupo Globo atualiza princípios editoriais para incluir uso de inteligência artificial

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