terça-feira, 18 de março de 2025

Meta, dona do Facebook, tenta impedir venda de livro de ex-diretora com denúncias contra a empresa


Autora de "Careless People", Sarah Wynn-Wiliams cita episódio de assédio sexual e diz que executivos da Meta tentaram agradar censores do governo chinês. Empresa diz que acusações são falsas. Livro "Careless People", de Sarah Wynn-Williams, que faz acusações contra a Meta Flatiron via AP A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, tenta impedir a circulação de um livro de memórias recém-publicado de Sarah Wynn-Williams, ex-diretora de políticas públicas da empresa, alegando que as acusações feitas por ela são falsas e nunca deveriam ter sido divulgadas. Em "Careless People: A Cautionary Tale of Power, Greed and Lost Idealism" ("Pessoas Descuidadas: Um Alerta sobre Poder, Ganância e Idealismo Perdido", em tradução livre), Sarah Wynn-Williams relata detalhes de seu período de trabalho na Meta, entre 2011 e 2017. No livro, Wynn-Williams faz denúncias de assédio sexual contra Joel Kaplan, que era vice-presidente global para políticas públicas na época e hoje é diretor de assuntos internacionais da Meta. Político republicano, Kaplan é aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A autora também escreveu que a Meta, na época conhecida apenas como Facebook, teria explorado a possibilidade de entrar no lucrativo mercado da China agradando os censores do governo chinês e aceitando suas condições. Uma das ideias da empresa, segundo a autora afirma no livro, era enviar conteúdos publicados em Hong Kong ou Taiwan para que um órgão de censura de Pequim revisasse. "Foi sugerido que, como parte das negociações para a entrada da empresa na China, os dados dos usuários de Hong Kong poderiam ser usados como moeda de troca", afirmou Wynn-Williams em entrevista à emissora pública NPR. Fachada da Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, em foto de 7 de março de 2023 Jeff Chiu/AP Outro caso: Ex-diretora da Meta denuncia abuso e discriminação contra mulheres na empresa Meta consegue bloquear promoção do livro A Meta buscou arbitragem judicial para tentar impedir a circulação do livro, alegando que ele viola um contrato com cláusulas de não difamação que Wynn-Williams assinou quando trabalhava com a equipe de assuntos globais da empresa. Na semana passada, o árbitro que analisou o caso, Nicholas Gowen, atendeu ao pedido da Meta para proibir Wynn-Williams de promover o livro. Com a decisão, as duas partes terão que iniciar negociações privadas para resolver o caso. "Esta decisão confirma que o livro de Sarah Wynn-Williams é falso e difamatório e nunca deveria ter sido publicado", declarou o diretor de comunicações da Meta, Andy Stone, na plataforma X. Stone também afirmou que "não é nenhum segredo" que a empresa tinha interesse pelo mercado chinês e explorava "muitas ideias". "Sabem o que não aconteceu? Nunca começamos a oferecer nossos serviços na China", acrescentou. Leia também: Meta iniciará testes, nos EUA, de recurso polêmico anunciado por Zuckerberg em janeiro Meta vai instalar 50 mil km de cabos submarinos em cinco países, incluindo o Brasil Meta, dona de Instagram e Facebook, encerrará sistema de checagem de fatos

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