quarta-feira, 11 de março de 2026

Grupo ligado ao Irã reivindica ciberataque a empresa de tecnologia médica dos EUA e diz que foi resposta a ataque em escola


Ciberataque REUTERS/Kacper Pempel/Illustration/File Photo Um grupo de hackers vinculado ao Irã reivindicou, nesta quarta-feira (11), a autoria de um ataque cibernético em larga escala contra a gigante americana de tecnologia médica Stryker, em retaliação à ofensiva militar contra o Irã. O ataque destruiu mais de 200 mil sistemas e extraiu 50 terabytes de dados, afirmou o grupo de hackers Handala em um comunicado. "Nossa grande operação cibernética foi um sucesso completo", acrescentou, especificando que realizou o ataque cibernético em resposta ao "ataque brutal à escola de Minab", onde morreram 150 pessoas, segundo as autoridades iranianas. O grupo de hackers alegou que o ataque afetou os escritórios da Stryker em 79 países e que todos os dados roubados estão "nas mãos dos povos livres do mundo". "Este é apenas o começo de um novo capítulo na guerra cibernética", acrescentou o grupo Handala, que ameaçou diretamente "líderes sionistas e seus grupos de pressão". A Stryker reportou uma "interrupção global da rede" em seu "ambiente da Microsoft como resultado de um ciberataque". "Não temos indícios de ransomware ou malware e acreditamos que o incidente está contido", disse. Segundo fontes citadas pelo The Wall Street Journal, as interrupções começaram pouco depois da 1h00 (horário de Brasília) desta quarta-feira. O grupo Handala reivindicou nas últimas semanas a autoria de uma série de ciberataques contra empresas israelenses e do Golfo Pérsico. Desde o início da guerra no Irã, desatada em 28 de fevereiro por uma ofensiva israelense-americana, o grupo reivindicou ataques cibernéticos contra infraestruturas israelenses, assegurando que tem "acesso total" às câmeras de segurança de Jerusalém. O grupo Handala é conhecido por sua afiliação "ao regime iraniano", disse o chefe de inteligência cibernética da empresa israelense Check Point. "Nós os vínhamos rastreando há anos", assinalou. Um relatório do Google Threat Intelligence, publicado no começo deste ano, destacou que a atividade maliciosa do grupo Handala "consistiu principalmente em operações de hackeamento e vazamento de dados, mas tem incorporado cada vez mais o doxxing (publicação de dados privados na internet) e táticas concebidas para promover o medo, a incerteza e a dúvida". Dispositivos com Windows - inclusive os móveis e smartphones conectados às redes da Stryker - foram apagados remotamente, assinalou o relatório. Fundada em Kalamazoo (Michigan), a Stryker é uma gigante global de dispositivos médicos com cerca de 56.000 funcionários e receita projetada de US$ 25,12 bilhões em 2025 (cerca de R$ 138 bilhões, na cotação da época). Fabrica de implantes ortopédicos e instrumentos cirúrgicos a leitos hospitalares e sistemas de cirurgia robótica. O grupo Handala anunciou posteriormente que também havia realizado um ataque contra a Verifone, empresa especializada em pagamentos eletrônicos. A AFP não pôde verificar de forma independente as afirmações do grupo, e a Verifone não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

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