
O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, rejeitou nesta terça-feira (12) a acusação de Elon Musk de que ele teria traído a missão original da empresa, criada para servir ao interesse público. Segundo Altman, Musk é quem estaria interessado em assumir o controle da OpenAI com o objetivo de lucrar com a organização. Em um processo aberto em agosto de 2024, Musk acusou Altman e a OpenAI de tê-lo convencido a doar US$ 38 milhões para a instituição, que na época não tinha fins lucrativos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O julgamento, que está na terceira semana, pode definir o futuro da OpenAI e de seus dirigentes, em um momento em que a empresa avalia abrir seu capital no mercado, com uma estimativa de valor que pode chegar a US$ 1 trilhão. Ao ser questionado por seu advogado no tribunal federal de Oakland, Califórnia, Altman negou a alegação de Musk de que ele e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, que também é réu, tentaram "roubar uma instituição de caridade". Vídeos em alta no g1 Altman afirmou que "é difícil até mesmo envolver minha cabeça nesse enquadramento" e que ele espera que "à medida que a OpenAI continue a se sair bem, a organização sem fins lucrativos se sairá ainda melhor". Os advogados de Musk tentaram apresentar Altman como alguém que teria mentido a respeito de seus planos para a OpenAI. Musk afirmou no início do julgamento que "ter alguém que não seja confiável no comando da IA, é um perigo muito grande para o mundo todo." O homem mais rico do mundo pede cerca de US$ 150 bilhões em indenizações à OpenAI e à Microsoft, um dos principais investidores da empresa. Os valores, segundo a ação, deveriam ser destinados a uma organização sem fins lucrativos ligada à OpenAI. Musk também solicita o afastamento de Altman e Brockman de seus cargos. Altman recusa oferta Elon Musk em foto de setembro de 2025 REUTERS/Daniel Cole A OpenAI foi cofundada em 2015 por vários empreendedores, incluindo Musk e Altman. A empresa tentou mostrar que Musk sabia sobre o plano com fins lucrativos antes de deixar seu conselho de administração em 2018, mas queria o controle da empresa e está processando porque se arrepende de ter perdido possíveis riquezas. A OpenAI criou uma entidade com fins lucrativos em março de 2019. Perguntado se Musk se opunha ao plano com fins lucrativos, Altman disse "muito pelo contrário". Altman lembrou que Musk chegou a exigir uma participação de 90% na OpenAI e disse que estava "extremamente desconfortável" em ceder o controle majoritário, mesmo quando Musk diminuiu suas exigências. "Eu tinha muita experiência com startups, tinha visto muitas brigas pelo controle", disse ele, citando a SpaceX de Musk como um exemplo em que os fundadores de empresas com bom desempenho consolidaram o poder para garantir o controle permanente. Altman também disse que, embora ele e outros líderes da OpenAI quisessem ficar ao lado de Musk, ele se recusou a fazer uma fusão da empresa com a Tesla, a empresa de carros elétricos de Musk. "Acho que não teríamos a capacidade de garantir que (nossa) missão fosse cumprida", disse ele. "Fundamentalmente, a Tesla precisa atender a seus clientes e vender carros." Honestidade de Altman questionada Durante o interrogatório, o advogado de Musk, Steven Molo, questionou a honestidade de Altman. Ele citou o depoimento de um ex-membro da diretoria da OpenAI de que Altman promoveu uma "cultura tóxica de mentiras" e de sete ex-funcionários da OpenAI que disseram que Altman não era confiável. "Você enganou as pessoas quando fez negócios?", perguntou Molo a Altman. "Acredito que sou uma pessoa de negócios honesta e confiável", respondeu Altman. "Essa não é a minha pergunta. Você já enganou as pessoas quando fez negócios?" "Acho que não." Altman surpreso O julgamento marca um confronto entre os gigantes da tecnologia, com Musk se apresentando como defensor das pessoas comuns contra os perigos da IA e os titãs do Vale do Silício que se preocupam mais com o dinheiro. Isso ocorreu depois que a OpenAI arrecadou centenas de bilhões de dólares de grandes empresas de tecnologia e investidores para investir em poder de computação. Altman disse que a OpenAI arrecadou US$175 bilhões de investidores privados ao longo de sua existência. A saída de Musk da empresa provocou sentimentos contraditórios dentro da OpenAI, disse Altman, com algumas pessoas preocupadas com a possibilidade disso impedir o financiamento para a companhia, enquanto outras ficaram aliviadas por se livrarem das cobranças de Musk sobre progressos dos pesquisadores. "Acho que o Sr. Musk não sabia como administrar um bom laboratório de pesquisa", disse Altman. "Ele desmotivou alguns de nossos pesquisadores mais importantes." O presidente da OpenAI, Bret Taylor, também testemunhou nesta terça-feira e afirmou que a OpenAI recebeu uma oferta formal de aquisição de um consórcio liderado pela empresa rival de Musk, a xAI, em fevereiro de 2025, seis meses após Musk ter processado a empresa. "Fiquei surpreso", disse Taylor. "Essa proposta era para adquirir essa organização sem fins lucrativos por um grupo de investidores com fins lucrativos, o que parecia contraditório com o espírito da ação judicial." Os depoimentos podem ser concluídos nesta semana, e os jurados poderão começar a deliberar se os réus são responsáveis até 18 de maio. A juíza distrital dos EUA, Yvonne Gonzalez Rogers, que supervisiona o julgamento, determinará as medidas corretivas. Em depoimentos anteriores, o ex-cientista-chefe da OpenAI, Ilya Sutskever, declarou que passou cerca de um ano reunindo provas para os diretores da OpenAI sobre o "padrão consistente de mentiras" de Altman, enquanto o presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, chamou o investimento de sua empresa na OpenAI de "risco calculado". Outros que testemunharam incluem Brockman e Shivon Zilis, ex-membro da diretoria da OpenAI que também é mãe de quatro dos filhos de Musk.
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