quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Por que as gigantes de tecnologia fazem demissões em massa apesar de lucros recordes


A indústria da tecnologia dos EUA atravessa um bom momento e ainda assim continua a realizar demissões em massa. Analisamos o que está por trás dessa nova onda. Google, Amazon, Meta, Microsoft e outras empresas protagonizaram ondas de demissões em massa Getty Images via BBC Elas ditam o ritmo das bolsas dos Estados Unidos e são extremamente valorizadas em Wall Street. As empresas de tecnologia conhecidas como as "Sete Magníficas" não param de crescer em vendas, lucro e valor. Segundo analistas, todas venderão 12% a mais este ano e outros 12% em 2025. Muito acima de empresas semelhantes de outras indústrias. Alphabet (controladora do Google), Apple, Amazon, Meta e Microsoft ganharam juntas cerca de US$ 327 bilhões em 2023, 25,6% a mais do que no ano anterior. Um número próximo, por exemplo, do PIB total da Colômbia ou do Chile. E ainda assim esse grupo exclusivo, ao qual também pertencem Tesla e Nvidia, passa por uma fase de demissões, em alguns casos em massa, e que se somam às realizadas no ano passado. Após uma primeira redução de sua força de trabalho em julho de 2023, a Microsoft voltou a demitir em 2024, cortando 1.900 funcionários depois de fechar um acordo de compra da Activision Blizzard por US$ 69 bilhões. O mesmo acontece com a Amazon, que eliminará 35% da força de trabalho da plataforma Twitch e mais uma centena de funcionários da Amazon Prime depois de realizar um corte de 9.000 pessoas no ano passado. As empresas de tecnologia contrataram muitos funcionários durante a pandemia Getty Images Celular pode ser aliado para descobrir câmeras escondidas em quartos; veja como se proteger Além das gigantes, muitas outras empresas menores se juntaram à onda. No total, quase 32.000 trabalhadores foram demitidos de 122 empresas de tecnologia desde o início do ano, de acordo com o site Layoff.fyi, citado pela Reuters. E ainda restam mais de 10 meses pela frente. O Paypal terá este ano 2.500 funcionários a menos, o Spotify 1.500, o eBay 1.000 e o Snapchat 500 – para dar exemplos de empresas bem conhecidas da indústria da tecnologia. Esse cenário tem levado muitos a comparar o que está acontecendo com o início dos anos 2000, quando a ascensão da internet levou à bolha pontocom, ou o frenesi especulativo e à subsequente queda nos preços das ações de muitas empresas baseadas na Internet durante o final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Para Mathieu Racheter, analista-chefe da consultoria Julius Baer, a comparação não se sustenta porque o valor das ações das empresas de tecnologia de megacapitalização ainda não atingiu o nível da bolha das líderes dos anos 2000. Baer acrescenta que as "Sete magníficas" geram muito dinheiro, o que ajudaria em caso de possíveis problemas. Mas o que está, então, por trás dessa segunda onda de cortes? 1. Inteligência artificial e mudanças estratégicas "A história do setor tecnológico inclui a ascensão e a queda de grandes empresas que acabam sendo afetadas pela disrupção e sendo substituídas por outras mais inovadoras da geração seguinte", lembra Brice Prunas, gerente de Inteligência Artificial da empresa de gestão de ativos ODDO BHF AM. Foi assim que aconteceu com a bolha pontocom. E, nesta década, o boom dos modelos de Inteligência Artificial (IA) representa uma revolução. "Tomemos como exemplo a empresa para aprender línguas Duolingo. Parte de seu pessoal demitido (ou "desvinculado" para usar o termo usado pela empresa) são escritores e tradutores, que serão substituídos por algoritmos", explica o site Quarck. O boom da inteligência artificial levou o setor de tecnologia a uma reorientação Getty Images A IA é rápida. O que um redator humano leva entre 60 e 90 minutos para escrever, a IA pode fazer em 10 minutos ou menos. No início deste ano, um relatório da Goldman Sachs disse que a IA poderia substituir o equivalente a 300 milhões vagas de emprego em tempo integral. "Já vimos isso na bolha tecnológica dos anos 2000, as disrupções sempre levam as empresas a uma realocação dentro de sua estrutura", diz Javier Molina, analista sênior de mercados da eToro. “De um lado, vemos mudanças estratégicas e fechamento de divisões e, de outro, uma reorientação para a Inteligência Artificial. Isso leva à eliminação de certos empregos em muitos processos que são automáticos", diz Molina. É a forma de aumentar a produtividade. LEIA TAMBÉM: Conheça a Gemini Advanced, versão avançada da IA mais poderosa do Google Entenda o que são os 'celulares burros' e por que o modelo tem adeptos pelo mundo 2. A lembrança de 2022 e o encerramento de projetos O setor de tecnologia eliminou 168.032 empregos em 2023 e foi responsável pelo maior número de demissões em todas as indústrias, de acordo com um relatório da consultoria Challenger, Gray & Christmas, Inc. Em meio à onda de euforia pelo sucesso que alcançaram durante a pandemia, muitas empresas do Vale do Silício aumentaram as contratações e expandiram seus planos de crescimento com a ideia de que o vento continuaria soprando a seu favor. Mas não foi assim que aconteceu e, quando os ventos mudaram, começaram as demissões em massa em 2022, que continuaram por grande parte de 2023. Outra das razões que conspirou contra os novos projetos foi o aumento da taxa de juros do Federal Reserve, o Banco Central americano, em resposta à inflação descontrolada. Tomar dinheiro emprestado é agora mais caro e muitas empresas de tecnologia requerem muito capital, especialmente nas fases iniciais de desenvolvimento. "Os recentes aumentos nas taxas de juros acentuaram a situação limite de muitos projetos, que em outros tempos podiam investir, aspirando crescer e alcançar lucros em uma fase posterior", diz Andrés Allende, gerente do fundo DIP Value Catalyst da A&G funds. “No entanto, agora, o efeito dominó do financiamento mais caro secou os investimentos. Isso leva ao fechamento de mais e mais projetos tecnológicos", acrescenta. Com os cortes, as empresas buscam estar o mais saudável possível em um momento de incerteza econômica. "Abaixo das 'mega-caps' (empresas de megacapitalização), muitas empresas menores estão passando por momentos muito difíceis, o que explica as reduções nos quadros de funcionários", diz Prunas, da ODDO. 3. Um ciclo brutal E até mesmo as mega-caps recorreram a cortes de custos para saciar a demanda por maiores lucros de seus investidores. Mas é que “os ciclos em tecnologia costumam ser assim, bruscos... mas também mais rápidos e flexíveis. Em breve, muitas dessas empresas e projetos serão adaptados e voltarão a inovar. Aqueles que sobreviverem podem voltar a ter oportunidades muito promissoras", explica Allende. "Até que o novo ciclo ganhe vida - já começamos a ver alguns sinais - as dificuldades do setor de tecnologia podem impactar de forma relevante o consumo e o investimento em outros setores, já que muitas vezes os empregos em tech tem níveis de renda muito acima da média", acrescenta o especialista da A&G. Os analistas concordam que é preciso diferenciar o que acontece nas pequenas empresas, que é uma questão de sobrevivência, do que acontece com as gigantes da tecnologia, que têm mais margem e grandes quantidades de capital para enfrentar as turbulências. LEIA TAMBÉM: Conheça o satélite da Nasa que deve trazer detalhes inéditos sobre os oceanos Como é o chip cerebral implantado pela empresa de Elon Musk em uma pessoa Por que seres humanos estão implantando chips no próprio corpo Assista ao vídeo abaixo para saber as diferenças entre o iPhone 15 e o Galaxy S24 Duelo de celulares: Galaxy S24 x iPhone 15

Com apoio da Nasa, SpaceX lança sonda lunar de empresa privada

Missão tem como objetivo enviar equipamentos para recolher dados sobre a Lua. Nasa deseja enviar astronautas ao satélite natural nos próximos anos. A SpaceX lançou um módulo lunar robótico, na madrugada desta quinta-feira (15), a bordo de um foguete Falcon 9. O lançamento faz parte de uma missão da empresa norte-americana Intuitive Machines. Anteriormente, a decolagem estava prevista para a madrugada de quarta-feira (14), mas acabou adiada. O lançamento desta quinta-feira foi feito às 3h05, horário de Brasília. O foguete partiu do Centro Espacial Kennedy da Nasa, na Flórida. Até a última atualização desta reportagem, todas as etapas do procedimento estavam dentro do esperado. A previsão é que o módulo lunar chegue à Lua no dia 22 de fevereiro. Se o pouso acontecer, de fato, a missão marcará o retorno dos Estados Unidos ao satélite natural após mais de 50 anos. A missão, chamada de IM-1, conta um módulo de pouso de mais de quatro metros de altura da Intuitive Machines. Esta é a primeira tentativa de uma missão lunar da empresa norte-americana. Apesar de a missão ter sido planejada pela iniciativa privada, a ação tem o apoio da Nasa. A agência norte-americana optou por contratar empresas para levar equipamentos científicos até a Lua, com o objetivo de enviar astronautas ao satélite natural da Terra nos próximos anos. Em janeiro, a empresa Astrobotic tentou uma missão parecida, que acabou falhando após um vazamento de combustível.

Zuckerberg testa Apple Vision Pro, critica rival e diz que prefere óculos da Meta: 'melhor produto e ponto final'


Bilionário também alfinetou os fãs da concorrente dizendo que 'alguns fanboys ficam chateados sempre que alguém se atreve a questionar se a Apple será a líder em uma nova categoria'. Zuckerberg testa Apple Vision Pro, critica rival e prefere óculos da Meta: 'melhor produto e ponto final' Kay Nietfeld/pool photo via AP Em um vídeo publicado no seu Instagram, o presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, fez uma análise do Vision Pro, os novos óculos de realidade virtual da Apple. O bilionário demonstrou insatisfação com o produto da rival e rasgou elogios para o dispositivo de sua própria empresa. A Apple ainda não comentou as declarações de Zuckerberg. O g1 tenta contato com a empresa. Zuck começa dizendo que finalmente experimentou o Vision Pro e admite que o concorrente tem pontos fortes diferentes, mas que o seu produto é melhor para a grande maioria das pessoas. Segundo ele, o Meta Quest 3 é sete vezes mais barato que os óculos da Apple. "Depois de usar o Vision Pro, não acho apenas que o Quest 3 tem o melhor valor. Acho que o Quest é o melhor produto e ponto final”, disse Zuckerberg. Dono da Meta alfineta fãs da concorrente 🔥 Initial plugin text O dono do Facebook também alfinetou os fãs da Apple, afirmando que alguns deles podem ficar incomodados com o questionamento dele. "Vocês sabem que alguns fanboys ficam chateados sempre que alguém se atreve a questionar se a Apple será a líder em uma nova categoria. A realidade é que cada geração da computação tem um modelo aberto e outro fechado. E sim, no segmento de celular, o modelo fechado da Apple venceu, mas nem sempre é assim". Ele completa: "Se você voltar à era do PC, o modelo aberto da Microsoft foi o vencedor. Nesta próxima geração, o Meta Quest será o modelo aberto, e eu realmente quero ter certeza de que o modelo aberto vencerá novamente. O futuro ainda não está escrito", completou. O Apple Vision Pro foi apresentado pela primeira vez em junho de 2023 e marcou a entrada da empresa nesse segmento. Com a promessa de chegar ao mercado em 2024, o produto começou a ser vendido agora em fevereiro nos EUA por US$ 3.499 (mais de R$ 17 mil, na conversão direta). Já o Meta Quest 3, citado no vídeo de Mark, foi anunciado em junho de 2023 por US$ 499,99 (cerca de R$ 2.480, na cotação atual). Por enquanto, ambos os produtos não estão disponíveis no Brasil. Conheça o Quest Pro, óculos de realidade virtual da Meta Conheça o Quest Pro, óculos de realidade virtual da Meta Conheça o Vision Pro, o óculos de realidade mista da Apple Conheça o Vision Pro, o óculos de realidade mista da Apple Vídeos de pessoas usando o Apple Vision Pro viralizam Vídeos de pessoas usando o Apple Vision Pro viralizam

SpaceX adia lançamento de sonda que pousaria na Lua para esta quinta (15)


Contratada pela empresa norte-americana Intuitive Machines, a SpaceX, de Elon Musk, fará uma nova tentativa de lançamento do foguete SpaceX Falcon 9 com um módulo de pouso na próxima madrugada. Foguete SpaceX Falcon 9 decola do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, carregando satélites Starlink Craig Bailey / Florida Today / via AP Photo A empresa norte-americana Intuitive Machines e a SpaceX adiaram o envio de um foguete com um módulo que pousaria na Lua. A missão estava prevista para esta quarta (14), mas as companhias farão uma nova tentativa nesta quinta-feira (15). A decolagem estava prevista para 0h57 de quarta-feira na Flórida (2h57 de Brasília), mas a Nasa (Agência Espacial dos Estados Unidos) anunciou o adiamento depois de detectar "temperaturas de metano fora do normal antes de introduzir a carga de metano". "Agora, estamos programando para 1h05 (3h05 de Brasília) de quinta-feira", acrescentou a agência espacial americana na rede social X (antigo Twitter). A missão IM-1 pretende enviar um módulo de pouso de mais de quatro metros de altura desenvolvido pela empresa Intuitive Machines, com sede no Texas e fundada em 2013. O aparelho deve decolar em um foguete SpaceX Falcon 9 do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, sudeste dos Estados Unidos. Pouco depois da decolagem, o módulo de pouso deve se separar do estágio superior do foguete e receber energia. Em seguida deve estabelecer comunicação com a sala de controle da Intuitive Machines, localizada em Houston, Texas. "Este é um momento crucial para a exploração espacial, no qual as empresas privadas desempenham um papel cada vez mais vital", afirmou a Intuitive Machines. Esta é a primeira tentativa de missão lunar da empresa, mas a segunda no âmbito do novo programa CLPS da Nasa, que contratou empresas privadas para transportar equipamento científicos até o satélite natural, com o objetivo de preparar o retorno dos astronautas à Lua. Em janeiro, a empresa Astrobotic não conseguiu chegar à Lua devido a um vazamento de combustível e seu módulo de pouso teve que ser destruído deliberadamente em pleno voo. A Nasa assume o risco de fracasso das missões atribuídas a empresas jovens e destaca que tem consciência de que nem todas terão sucesso.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

'Por que decidi contar no TikTok como meu pai matou minha mãe quando eu tinha 3 anos'


Foi depois de ver que havia pessoas "romantizando relacionamentos abusivos" nas redes sociais que Liv Shelby resolveu contar sua história. Liv só descobriu a verdade sobre o que aconteceu com sua mãe aos 11 anos Liv Shelby Quando Liv Shelby postou um vídeo no TikTok sobre a morte de sua mãe, ela não esperava que ele fosse visto por tantas pessoas. Sentada em seu carro e falando para a câmera, foi a primeira vez que ela se abriu publicamente sobre o que aconteceu com sua mãe, Lisa, em 2005. Naquele ano, Liv tinha completado 3 anos. Foi na festa de aniversário dela que seu pai atacou e matou sua mãe. Ela cresceu sabendo que sua mãe havia partido e que seu pai era o responsável por essa ausência. Mas Liv disse que sua família nunca falou sobre a morte, então ela não sabia exatamente o que havia acontecido. 🔎 Tudo mudou oito anos depois quando, em uma aula de informática na escola, ele decidiu escrever o nome da mãe em um buscador na internet. Uma década depois, aos 21 anos, Liv decidiu compartilhar sua história com o mundo. Em seu vídeo de sete minutos, visto mais de 4 milhões de vezes, a jovem fala de forma aberta e emocionada sobre o impacto que o crime teve em sua vida. Liv, que posta regularmente em seu perfil no TikTok para seus 270 mil seguidores, explica que um dos motivos que a levou a contar sua história foi ver e ouvir pessoas “romantizando relações de violência doméstica”, o que a fez ter a necessidade de mostrar as consequências devastadoras que essas relações podem ter. Além disso, ela também quis destacar o impacto que a perda de um dos pais (ou de ambos, se for o caso) pode ter sobre um filho. Liv e a mãe: Lisa foi assassinada em 2005 Liv Shelby Guardando os sentimentos No dia do ataque, Liv estava no Canadá, país onde nasceu. Teve que esperar até aos 8 anos para se mudar para o Reino Unido com a sua avó materna, depois de uma longa e difícil batalha legal pela custódia entre ambos os lados da sua família. Seu pai, Bradley Benham, foi condenado por assassinato de segundo grau (quando não há um plano premeditado) em novembro de 2008 e sentenciado à prisão perpétua com um período mínimo de 12 anos de prisão. De acordo com o relato de Liv no podcast Reliable Sauce, da BBC, seu pai já foi solto da prisão, mas ela não teve contato com ele. Ela disse que durante toda sua vida guardou para si o que sentia e nunca havia falado sobre o que aconteceu com a avó ou com o namorado. “Eu simplesmente tinha isso dentro de mim, desde sempre, e não falei sobre isso com pessoas que me conhecem na vida real”, disse a jovem. Embora tenha sido acompanhada por uma conselheira escolar, ela admitiu que era “muito teimosa” e “não queria falar com ninguém”. “Porque acima de tudo, sem querer ofender, ela não era uma especialista, era uma conselheira muito genérica com quem se tinha uma hora ou meia hora para sentar e conversar”, explicou. "Acho que não estava preparada para o que diria se tivesse ido direto ao assunto." Liv diz que o pior é que mesmo não se lembrando da mãe, ela tem lembranças felizes do pai Liv Shelby "É muito triste" Com base nas suas experiências, Liv acredita que deveria haver um maior reconhecimento das necessidades das crianças que perderam os pais devido à violência doméstica. 🔎 De acordo com os últimos números do Gabinete de Estatísticas Nacionais do Reino Unido, quase metade (45%) das 70 mulheres adultas vítimas de homicídio na Inglaterra e no País de Gales até março de 2023 morreram em decorrência da violência doméstica. De acordo com os números, em quase todos os casos, exceto em um, a pessoa suspeita de ter cometido o homicídio era um homem. O relatório salienta ainda que apenas 8% das vítimas masculinas morreram em homicídios relacionados com a vida doméstica, num total de 30 mortes, sendo que em 11 desses casos havia uma mulher com suspeita. No Brasil, os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que uma mulher foi morta a cada seis horas no país em 2022, o dado mais recente do levantamento. No total, foram 1.437 vítimas de feminicídio no ano passado, um aumento de 6,5% em relação aos 1.347 registrados em 2021. Esse alto índice de mulheres vítimas de feminicídio está relacionado a fatores como a crença de que as mulheres são subalternas aos homens e que suas vontades são menos relevantes, dizem especialistas ouvidos pela BBC News Brasil. Uma visão que faz com que mulheres sejam vistas por muitos homens como objetos de sua propriedade. A violência contra mulheres e meninas e os esforços para combatê-la costumam ser notícia, mas as crianças enlutadas são menos citadas e menos pesquisadas. John Devaney, professor de Serviço Social da Universidade de Edimburgo, afirma que os dados não são registados oficialmente, mas prevê que entre 100 e 250 crianças por ano choram a perda de um dos pais devido a homicídio doméstico no Reino Unido. “Quando um dos pais é morto por um parceiro atual ou antigo, em muitos casos é o outro progenitor da criança (que cometeu o crime)”, diz. Ele defende que deve ser oferecido mais apoio às crianças afetadas. Uma solução possível, pensa Liv, seria nomear um conselheiro especializado para cada criança, algo que a teria ajudado quando era pequena. “Eles designam para você alguém que vai passar por tudo isso com você ou que já conhece sua história; você não precisa sentar e explicar.” Liv diz que a reação ao seu vídeo, com outras pessoas compartilhando suas próprias experiências de homicídio doméstico, a ajudou a se sentir menos sozinha. “Havia muitas pessoas”, diz, “muitas delas conheciam alguém com quem isso havia acontecido, então todos poderiam se identificar”. “É muito triste”, mas reconhece que desta forma conseguiu perceber “que há outras pessoas que passaram pela mesma coisa”.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Ucrânia sugere que Rússia tenha roubado sua internet Starlink em territórios ocupados


Equipamentos foram enviados à Ucrânia pela empresa do bilionário Elon Musk, que diz não fazer negócios com a Rússia. Agência de inteligência ucraniana não disse como equipamentos podem ter sido obtidos pelas forças russas. Antena da internet via satélite Starlink Divulgação/SpaceX Tropas russas foram acusadas de usar equipamentos de internet via satélite enviados à Ucrânia pela empresa Starlink, do bilionário Elon Musk. A agência de inteligência militar ucraniana afirmou neste domingo (11) que o sistema está sendo usado em seus territórios. Os equipamentos foram enviados pela Starlink em fevereiro de 2022, logo após a invasão russa à Ucrânia, como forma de manter a comunicação entre autoridades e campos de batalha. A empresa de Musk diz que não faz negócios com o governo ou o exército russo. "Foram registrados casos de uso russo de dispositivos doados. Está começando a assumir uma natureza sistêmica", disse Andriy Yusov, porta-voz da Direção Principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia. Segundo as autoridades, os terminais de internet da Starlink foram usados por integrantes da 83ª Brigada de Assalto Aéreo da Rússia, que atualmente mantém disputas nas cidades ucranianas de Klishchiivka e Andriivka, na região de Donestsk. A agência de inteligência da Ucrânia afirmou que interceptou comunicação entre dois soldados que estavam configurando a internet via satélite, mas não disse como os equipamentos podem ter sido obtidos pelas forças russas. A Starlink afirmou na quinta-feira (8) que seus terminais não estavam ativos na Rússia e que nunca vendeu os equipamentos em território russo, mas não comentou sobre o possível uso em territórios ocupados ucranianos. "Se a SpaceX obtiver conhecimento de que um terminal Starlink está sendo usado por uma parte sancionada ou não autorizada, investigaremos a reclamação e tomaremos medidas para desativar o terminal, se confirmado", disse a empresa de Musk.

Jack Sweeney: o 'vigia de jatinhos' que irritou Taylor Swift e Elon Musk


Um estudante universitário da Flórida adquiriu o hábito de irritar algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo. Como? Dizendo ao mundo onde estão os aviões privados deles — e quanto carbono emitem. Jack Sweeney diz que não tem intenção de prejudicar aqueles cujos aviões ele monitora Jack Sweeney via BBC Um estudante universitário da Flórida, nos Estados Unidos, adquiriu o hábito de irritar algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo. Como? Ele compartilha onde estão os aviões privados delas — e quanto carbono os jatinhos emitem. Jack Sweeney gostaria de esclarecer alguns detalhes do trabalho que realiza. Por um lado, ele acredita que a cantora Taylor Swift tem algumas músicas boas. Por outro, ele acredita — apesar das constantes ameaças de processos na Justiça — que qualquer pessoa deveria ser capaz de ver para onde o jatinho da artista voa e a frequência das viagens dela. "Gosto de ser justo", disse ele à BBC por e-mail. "Tento compartilhar as informações de todos, não importa quem sejam." Mas são especificamente as informações sobre a localização dos aviões privados dos ricos e poderosos — publicadas nas redes sociais — que têm repetidamente tornado o jovem de 21 anos alvo de notícias e ameaças legais. Sweeney é filho de um controlador de operações de uma companhia aérea e de uma professora, e cresceu nos subúrbios de Orlando. Ele diz que sempre teve interesse em aviação e tecnologia, e particularmente nas empresas SpaceX e Tesla, que pertencem a Elon Musk. Esses interesses gradualmente o levaram a desenvolver um site de rastreamento de aviões — o TheAirTraffic.com — e perfis de redes sociais que rastreiam aeronaves de celebridades, políticos, magnatas e oligarcas. O sistema baseia-se em dados disponíveis publicamente, recolhidos por entusiastas amadores. Durante as viagens, os aviões enviam regularmente informações sobre a localização, e esses sinais podem ser captados por pessoas que usam receptores simples e baratos que estão no solo. Esse grupo de rastreadores de aviões faz parte de uma comunidade maior conhecida como Osint (inteligência de código aberto). Ela é povoada por pessoas que se aprofundam em grandes volumes de dados online disponíveis gratuitamente em busca de informações incriminatórias, perspicazes ou simplesmente interessantes. Trata-se de um grupo heterogêneo, que inclui uma variedade de indivíduos —desde os ligeiramente curiosos até investigadores dedicados e jornalistas empenhados. Celular pode ser aliado para descobrir câmeras escondidas em quartos; veja como se proteger "Originalmente, eu estava fazendo isso apenas como um hobby, pois achei interessante", disse Sweeney, que está atualmente no terceiro ano do curso de Tecnologia da Informação na Universidade da Flórida Central, nos EUA. Com o passar do tempo, ele encontrou um propósito mais específico. Ele diz acreditar "na importância da transparência e da informação pública". E há um ângulo ambiental na abordagem de Sweeney: "Os usuários de jatinhos e aviões particulares estão tentando esconder o impacto negativo das emissões [de carbono]." Os dados coletados pela plataforma criada pelo estudante foram usados em estudos que mostram a enorme pegada de carbono de Swift e comitiva. A cantora defende que comprou compensações de carbono suficientes para neutralizar em duas vezes as emissões de sua última turnê. Mas também há questões de privacidade em jogo. Swift, por meio de seus advogados, afirma que revelar a localização do avião particular da cantora a coloca em risco. Numa carta revelada pela primeira vez pelo jornal americano The Washington Post, os advogados da cantora argumentaram que o rastreamento do avião era uma "questão de vida ou morte" e que não havia "nenhum interesse legítimo ou necessidade pública desta informação, a não ser para perseguir, assediar, e exercer domínio e controle". Sweeney rejeita essas afirmações e diz que há um interesse público fundamental em localizar o avião da estrela pop. A evidência que ele apresenta? Os próprios Swifties, como são descritos os fãs da cantora. "Seus fãs estão realmente interessados", diz ele. "Essas contas de rastreamento têm consistentemente mais apoiadores e fãs [do que detratores]." Conheça o jato de R$ 363 milhões usado em viagem de Beyoncé ao Brasil Taylor Swift durante apresentação no Tokyo Dome, Japão Getty Images via BBC E dadas as turnês mundiais e as inúmeras aparições públicas — incluindo durante jogos importantes da NFL, a liga de futebol americano dos EUA — é relativamente fácil descobrir onde Swift estará em algum momento no futuro, defende o estudante. Nas últimas duas semanas, por exemplo, inúmeras reportagens foram publicadas sobre como ela poderia viajar entre dois compromissos importantes — um show sábado à noite (10/2) em Tóquio, no Japão, e o Super Bowl de domingo (11/2), em Las Vegas, nos Estados Unidos. O Super Bowl é a final da liga de futebol americano e está entre os eventos esportivos mais assistidos em todo o mundo. Muitas dessas informações públicas são mais granulares do que a localização de um avião. Os dados de voo podem mostrar quem é o proprietário de uma aeronave e onde ela está no céu, mas não quem está nela, ou para onde essas pessoas viajam depois que o avião pousou. Mas os representantes jurídicos de Swift dizem que as informações do avião fornecem horários e locais exatos dos movimentos da cantora, e observam que um suposto perseguidor foi recentemente preso do lado de fora da casa dela em Nova York. O assessor da estrela, Tree Paine, disse em comunicado: "As postagens dele [Sweeney] dizem exatamente quando e onde ela estaria." Entenda o que são os 'celulares burros' e por que o modelo tem adeptos pelo mundo Sweeney também deu alguns conselhos à estrela — sugerindo gentilmente que, se a privacidade for a principal preocupação, ela poderia registrar o jato particular por meio de uma entidade corporativa anônima e talvez escolher um código de identificação que não inclua a data de nascimento e as iniciais dela. James Slater, advogado de Sweeney, diz que não espera que Swift tome qualquer outra ação legal. "A carta foi uma tentativa de intimidar Sweeney para que fizesse algo que legalmente ele não era obrigado a fazer", disse ele. "Infelizmente, pessoas com poder e dinheiro costumam fazer isso." "Ele não está fazendo nada ilegal." Os advogados de Swift não responderam a um pedido feito pela BBC News para comentar o assunto. Uma questão é se a base de fãs de Swift ainda seguirá os relatos de Sweeney após as últimas notícias. Depois que a história sobre a carta dos advogados foi publicada no jornal, houve uma enxurrada de publicações nas mídias sociais sobre o caso. Algumas apoiavam Sweeney, mas outras expressavam sentimentos como: "Jack Sweeney quer que Taylor Swift morra como a princesa Diana. Não vou deixar isso acontecer. Estou com muita raiva." Mas essa não é a primeira vez que Sweeney sofre pressão de ricos e famosos. Quando comprou o Twitter (agora X) em 2022, Elon Musk prometeu, em nome da liberdade de expressão, não tomar medidas contra a conta @elonjet, mantida por Sweeney. Algumas semanas depois, no entanto, Musk reverteu o curso de ação, baniu a conta e ameaçou Sweeney com um processo, alegando que as informações divulgadas na @elonjet resultaram em um perseguidor que o rastreou e subiu em sua aeronave enquanto seu filho pequeno estava lá dentro. Como é o chip cerebral implantado pela empresa de Elon Musk em uma pessoa Jato particular de Elon Musk na pista do aeroporto de Pequim no ano passado Getty Images via BBC Posteriormente, a polícia identificou um membro da equipe de segurança de Musk como suspeito pelo ato e disse que o relato de Sweeney não tinha nada a ver com o incidente. Sweeney agora administra uma conta que rastreia o jato de Musk e divulga informações com um atraso de 24 horas, para de cumprir uma regra do site que proíbe o rastreamento de localização em tempo real. Ele também mantém contas em várias redes sociais que monitoram aviões de propriedade de Kim Kardashian, Jeff Bezos, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Donald Trump, entre outros. Mas ele expressou frustração com os caprichos das regras das mídias sociais, observando que a Meta suspendeu as contas do Facebook e do Instagram que acompanham o avião de Swift, mas deixou várias outras contas de rastreamento de aviões — incluindo as que rastreiam a aeronave de Zuckerberg. A BBC entrou em contato com Meta para comentar o caso, mas não recebeu respostas até a publicação dessa reportagem. Enquanto isso, os "vigias de jatinhos" que interagem no servidor de Sweeney no Discord defenderam a posição do estudante — junto com o entusiasmo dele pelo hobby. Alguns também admitiram que são fãs de Swift. "Não tenho dúvidas de que pessoas malucas enviaram ameaças selvagens para ela", disse um comentarista, "mas o aeroporto não é um lugar onde ela está vulnerável". * Com reportagem de Gareth Evans LEIA TAMBÉM: As gêmeas roubadas após nascimento que se reencontraram graças a vídeo no TikTok Vídeos de pessoas usando o Apple Vision Pro fora de casa viralizam nas redes sociais Xiaomi lança Redmi Note 13 com câmera de até 200 MP; veja preços no Brasil Taylor Swift entra na mira de apoiadores de Trump; entenda

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...