quarta-feira, 30 de abril de 2025

Crime de violência psicológica com uso de 'deep nudes' tem pena aumentada; saiba como denunciar


Montagens pornográficas feitas com imagens de vítimas causam danos emocionais graves. Especialistas orientam como reunir provas e denunciar. Quando a violência psicológica envolve inteligência artificial, os seus efeitos costumam ser ainda mais profundos. Unsplash Se o crime de violência psicológica contra a mulher for cometido com uso de tecnologias que alterem a fala ou a imagem da vítima, a sua pena pode ser aumentada. É o caso das "fake nudes" ou "deep nudes", montagens pornográficas falsas feitas a partir de imagens de vítimas com uso de inteligência artificial. A violência psicológica é crime desde 2021 e tem pena de seis a dois anos de prisão, além de multa. Com a mudança, que começou a valer na última quinta-feira (24), a punição pode aumentar em até metade se houver o uso de tecnologia. Isso significa, por exemplo, que uma pena de dois anos pode chegar a três. Para a advogada Juliana Abrusio, especialista em direito digital do escritório Machado Meyer, o aumento da pena faz sentido porque o uso da tecnologia potencializa os danos. "A violência psicológica é qualquer conduta que cause dano emocional à mulher, em detrimento de seu desenvolvimento ou visando controlar suas ações", afirma. "Quando envolve uso de IA, os efeitos costumam ser ainda mais profundos". A especialista destaca que esse tipo de conteúdo é criado e espalhado rapidamente, alcançando um número crescente de pessoas, o que aumenta a extensão e a profundidade do sofrimento. Além disso, a sensação de impotência e medo é ampliada, pois a vítima perde o controle sobre o alcance do conteúdo e é mais difícil identificar os agressores por trás das telas, segundo ela. "Já ouvi mulheres dizerem que preferiam ter levado uma surra a ver montagens pornográficas com suas imagens circulando nas redes”, conta. 'Um dos meus melhores amigos fez deepfake pornô contra mim' G1 Explica: Deepfake Candidatas são vítimas de deep nudes -- manipulações por inteligência artificial em fotos e vídeos, colocando-as em poses eróticas ou atos sexuais O que fazer se for vítima de deepfake 1. Reúna provas Mesmo diante do impacto emocional, é fundamental reunir as provas antes de qualquer tentativa de apagar o conteúdo, alerta a advogada Iolanda Garay, presidente da Associação Nacional das Vítimas de Internet (Anvint). Isso porque, segundo ela, muitas vezes, o autor da publicação apaga o material logo após divulgá-lo ou enviá-lo. “Tire prints, grave vídeos da tela, baixe os arquivos, anote o link do conteúdo e do perfil responsável, o contato (como número de telefone ou @ do perfil), a data e o meio de divulgação (WhatsApp, Telegram, Instagram etc.)”, orienta. Ela aconselha também que, se possível, a vítima registre todo esse material em ata notarial — um documento feito em cartório que dá ainda mais credibilidade às provas — ou por meio de tecnologias como o blockchain. Essas evidências (registradas em ata ou não) são essenciais para que as autoridades consigam identificar a origem do conteúdo e pedir, por exemplo, a quebra de sigilo de IP (número que identifica o dispositivo usado na publicação), segundo a especialista. 2. Denuncie nas plataformas Procure os canais específicos de denúncia das plataformas e registre o acontecimento. Segundo Juliana, após serem notificados, os provedores são obrigados a remover conteúdos íntimos — como fotos ou vídeos com nudez ou atos sexuais — divulgados sem autorização, conforme previsto pelo artigo 21 do Marco Civil da Internet. 3. Registre um boletim de ocorrência Leva as provas disponíveis à delegacia e faça um boletim de ocorrência. Iolanda aconselha que a vítima procure, sempre que possível, uma Delegacia da Mulher. “É um momento muito doloroso e, nesses locais, os profissionais costumam ser mais preparados para oferecer acolhimento emocional adequado”, afirma. "Mas as denúncias podem ser feitas em qualquer delegacia". Também é possível denunciar pelo Ligue 180, canal da Central de Atendimento à Mulher. Isso é indicado, segundo a especialista, principalmente para vítimas que têm dificuldades para ir a uma delegacia. Nos casos em que há envolvimento de crianças ou adolescentes, a orientação é procurar a Polícia Federal ou órgãos especializados, como o Conselho Tutelar ou unidades como o Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente). Com isso será aberta uma investigação que pode encontrar e responsabilizar criminalmente tanto quem criou a imagem manipulada quanto quem a divulgou, segundo as especialistas. ➡️​Dica extra: se possível, busque orientação jurídica durante o processo. Segundo Iolanda Garay, ter o apoio de um profissional especializado ajuda a reduzir o sofrimento e dá mais segurança à vítima. Veja mais: 'Machosfera' brasileira: canais misóginos do YouTube transformam ódio em lucro com anúncios, doações e vendas online 'Deepfake ao vivo': tecnologia que muda rosto e voz em videochamada já existe na vida real

Como estar em 'ilha energética' influenciou apagão em Portugal e Espanha


O apagão histórico na Península Ibérica expôs os pontos fortes e fracos de um sistema elétrico mal conectado ao resto do continente europeu. A Península Ibérica, onde ficam Portugal e Espanha, à noite, vista do espaço Nasa via BBC O grande apagão que deixou milhões de pessoas na Espanha e em Portugal sem energia na segunda-feira (28/04) destacou a situação única de seus sistemas elétricos. Os dois países da Península Ibérica formam o que os especialistas chamam de "ilha energética", com pouca conexão com o resto da Europa. Na segunda-feira, a rede elétrica na Espanha e em Portugal entrou em colapso por motivos ainda sob investigação, privando moradores de energia e outros serviços essenciais, como transporte ferroviário, telecomunicações e atividades comerciais por horas. Embora a energia já tenha sido restaurada, o incidente serviu para destacar as especificidades do sistema elétrico da Península Ibérica, cuja autonomia tem implicações positivas e negativas. Como funciona a 'ilha energética' ibérica? Espanha e Portugal compartilham um sistema elétrico altamente integrado que forma uma "ilha energética". Embora ambos os países não estejam geograficamente isolados, eles têm capacidade muito limitada de importar ou exportar eletricidade para seus vizinhos. A taxa de interconexão da Península Ibérica com os demais países é de aproximadamente 2%, segundo a operadora espanhola Redeia, bem abaixo dos 10% recomendados pela União Europeia para 2022 e da meta de 15% para 2030. Este baixo nível de conectividade deve-se, em parte, à sua localização geográfica no canto sudoeste da Europa, com a cordilheira dos Pireneus servindo de barreira natural entre Espanha e França, além dos obstáculos técnicos e políticos ao aumento da capacidade das ligações com a França ou com o Marrocos, por mar no sul. "Temos conexões muito limitadas com o Marrocos. A única conexão significativa que temos é com a França, e ela é recente. Nesse sentido, somos uma ilha energética", explica Carlos Gutiérrez Hita, professor do Centro de Pesquisa Operacional da Universidade Miguel Hernández, na Espanha. Apesar deste isolamento, a península tem uma vasta rede interna compartilhada, permitindo uma estreita coordenação entre os dois países, gerida pelo Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL), onde portugueses e espanhóis compram e vendem eletricidade diariamente. Gutiérrez Hita descreve o MIBEL como "uma plataforma gigantesca com todas as informações de licitações para usinas e empresas". "A plataforma classifica essas ofertas para criar a função de fornecimento e também coleta previsões de demanda dos distribuidores, muitos dos quais também são geradores", explica ele. Graças a esse modelo conjunto, a energia flui livremente entre Espanha e Portugal, e o preço é quase sempre o mesmo em todas as regiões de ambos os países: "Se em algum momento o preço estiver muito alto em Portugal, ele é um pouco flexibilizado com as interligações de energia da Espanha", diz o professor. Este sistema tem limitações quando ocorrem eventos extremos, como o apagão de grandes proporções da última segunda-feira, já que, em caso de emergência, a capacidade limitada de importação de energia elétrica obriga os dois vizinhos a recorrerem a recursos próprios para resolver a situação. Mas o sistema também tem certas vantagens. As vantagens O fato de Espanha e Portugal formarem uma "ilha energética" trouxe benefícios nos últimos anos, especialmente em tempos de crise. Um exemplo claro foi o chamado "mecanismo ibérico", aprovado pela União Europeia em 2022 após o início da guerra na Ucrânia e a interrupção do fornecimento de gás russo. Graças ao seu status excepcional como um sistema mal interconectado, a Península Ibérica recebeu aprovação para limitar temporariamente o preço do gás usado na geração de eletricidade, o que ajudou a conter os preços do mercado atacadista e a proteger tanto os consumidores quanto as indústrias com uso intensivo de eletricidade. Além disso, embora a insularidade energética limite a capacidade de receber ajuda externa em momentos críticos, ela também promoveu um modelo mais autossuficiente, eficiente e resiliente, pelo menos em condições normais de operação. No momento do apagão de 28 de abril, mais de 75% do consumo de eletricidade da Espanha veio de fontes renováveis, segundo dados da Redeia, que classifica o sistema ibérico como um dos mais verdes do mundo. Carlos Gutiérrez Hita enfatiza que, devido à sua autonomia, Espanha e Portugal foram forçados a desenvolver um sistema mais versátil, variado e poderoso. "Temos mais usinas de combustíveis fósseis, usinas de ciclo combinado, algumas usinas a carvão, embora ainda existam muito poucas, usinas eólicas e fotovoltaicas mais versáteis espalhadas pelo país, e algumas usinas nucleares. Tudo isso permite mais opções", ressalta o especialista. Gutiérrez Hita destaca que a Península Ibérica tem capacidade para gerar muito mais energia do que consome, "especialmente energia renovável, que inclusive foi injetada a preços negativos". Além disso, a coordenação entre Espanha e Portugal permite a otimização do uso dos recursos energéticos com base no preço e na procura. "Se o mercado for menor, você terá menos espaço para distribuir energia. Nessa perspectiva, ter um sistema conjunto é muito melhor", acrescenta. Olhando para o futuro, essa configuração também abre as portas para que Espanha e Portugal se tornem exportadores de energia limpa, desde que a capacidade de suas interconexões com a Europa seja aumentada. As desvantagens O apagão de segunda-feira evidenciou um dos maiores riscos de Espanha e Portugal se tornarem uma ilha energética: a dificuldade de receber apoio externo em caso de emergência. Quando o colapso ocorreu, as interconexões com a França foram automaticamente interrompidas como precaução, e o sistema ibérico teve que ser amplamente restaurado por seus próprios meios. "Assim que a França detectou que havia transferências de energia muito grandes, ela as interrompeu por precaução", explica o professor Carlos Gutiérrez Hita. Com quase nenhuma importação de eletricidade da França e do Marrocos, o sistema ficou sem reserva, embora, após o apagão, ambos os países tenham enviado eletricidade para a península para ajudar a restaurar o fornecimento. "Em um momento difícil, essas coisas podem acontecer: você pode ter uma queda de energia porque ninguém pode tomar o seu lugar", diz o especialista. Outro fator de vulnerabilidade é a intermitência das energias renováveis: embora sejam limpas e abundantes, sua produção depende de fatores meteorológicos, o que exige tecnologias capazes de compensar picos e quedas bruscas. Por outro lado, as tentativas de fortalecer a interconexão elétrica com a Europa enfrentam há anos a oposição da França, que possui uma grande rede de usinas nucleares e, segundo alguns analistas, teme que o aumento das conexões com a Península afete sua posição no mercado. Embora existam planos em andamento para novas ligações entre os Pireneus e o Golfo da Biscaia, sua construção tem sido lenta e dificultada pela oposição de certos setores. Diante dessa situação, especialistas como Gutiérrez Hita insistem na necessidade urgente de investir em baterias, redes inteligentes e sistemas de armazenamento que permitam uma melhor gestão do grande excedente de energia renovável na Península Ibérica. "É viável, mas a um custo alto. O grande desafio tecnológico é fazer baterias mais baratas, que durem mais e poluam menos ao final da vida útil", afirma. Isso permitiria que famílias e comunidades com seus próprios sistemas de energia solar reduzissem sua dependência do sistema centralizado, o que aliviaria a pressão na rede geral e aumentaria o excedente para consumo e exportação. No entanto, o especialista ressalta que, para isso, é essencial que Espanha e Portugal superem o isolamento elétrico e que a União Europeia considere esta questão uma prioridade estratégica.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Trump elogia Bezos após Amazon negar plano de mostrar custo de impostos com tarifaço


Presidente dos EUA descreveu o empresário como 'muito amável' e 'fantástico'. 'Resolveu o problema muito rapidamente e é uma boa pessoa', disse. Donald Trump REUTERS/Nathan Howard O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (29) que o fundador da Amazon, Jeff Bezos, "fez o correto" ao bloquear um plano do site de comércio eletrônico de mostrar aos consumidores o quanto os impostos afetam o preço final dos produtos. Horas antes, o porta-voz da Amazon, Tim Doyle, desmentiu uma reportagem do veículo de comunicação americano Punchbowl News que dizia que a empresa começaria a mostrar "o quanto as tarifas de Trump aumentam o preço de cada produto". A notícia gerou tensão com a Casa Branca. LEIA TAMBÉM: ENTENDA: Por que governo Trump criticou reação da Amazon às tarifas Trump suaviza impacto de tarifas sobre setor automotivo dos EUA Dólar tem 8ª queda seguida e fecha a R$ 5,63, com possível alívio nas tarifas dos EUA Veículos de comunicação americanos reportaram que Trump entrou em contato com Bezos para discutir o assunto. Ao sugerir a confirmação dessa conversa, o presidente descreveu o empresário como "muito amável" e "fantástico". "Resolveu o problema muito rapidamente e é uma boa pessoa." "A equipe por trás da nossa loja de preços ultrabaixos Amazon Haul considerou incluir os custos de importação em alguns produtos. Isso nunca foi aprovado e não acontecerá", disse Tim Doyle, porta-voz da Amazon. "Esse é um ato hostil e político da Amazon. Por que ela não fez isso quando o governo Biden elevou a inflação ao nível mais alto em 40 anos?", havia criticado antes a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Governo processa Meta por permitir golpes com símbolos oficiais e imagens de autoridades


Anúncios fraudulentos aproveitaram desinformação sobre Pix e usaram imagens de políticos; AGU afirma que fraude poderia ter sido evitada e pede a devolução dos lucros obtidos com a veiculação desses anúncios. Logo da Meta, controladora do Facebook, em foto tirada em 28 de outubro de 2021 Justin Sullivan / Getty Images North America / Getty Images via AFP O governo entrou com um processo contra a Meta para barrar o uso de símbolos oficiais e imagens de autoridades em golpes divulgados no Facebook e no Instagram (controlados pela empresa). A iniciativa partiu da Advocacia-Geral da União (AGU), que entrou com a ação nesta segunda-feira (28). Segundo a AGU, ao menos 1.770 anúncios enganosos foram publicados nessas redes sociais entre os dias 10 e 21 de janeiro, com o objetivo de enganar usuários. Os golpes simulam programas do governo, utilizam logotipos oficiais, nomes de órgãos públicos e imagens manipuladas por inteligência artificial de figuras políticas para dar credibilidade às fraudes. O conteúdo prometia, por exemplo, o recebimento de valores via Pix, condicionado ao pagamento de uma suposta taxa — estratégia que se aproveitou de uma onda de desinformação sobre o sistema de pagamentos para atrair vítimas no período. A ação tem como base um estudo do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da UFRJ (NetLab), divulgado em fevereiro. Falhas na moderação e pedido de indenização A AGU afirma que os anúncios tinham erros grosseiros, como nomes de programas inexistentes e padrões gráficos diferentes dos usados pelo governo, e que poderiam ter sido facilmente identificados se houvesse uma análise adequada por parte da plataforma. Mais especificamente, a ação foi movida contra a empresa Facebook Brasil, responsável pela publicidade das plataformas da Meta no país. O governo pede que a Meta indenize a sociedade por danos morais coletivos e devolva os valores ganhos com a veiculação dos anúncios fraudulentos, com os recursos destinados ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos. A AGU também cobra a adoção de medidas mais eficazes de verificação de anúncios. O g1 entrou em contato com a Meta e espera seu posicionamento sobre o tema. UFRJ aponta epidemia de golpes com PIX nas redes

Governo revela projeto para brasileiros 'venderem' dados para empresas; entenda


Projeto é realizado pelo Dataprev, estatal de tecnologia que gerencia dados de inscritos no INSS e em programas de assistência social. Segundo a empresa, objetivo é que titulares tenham controle sobre suas informações pessoais. Rob Pegoraro, Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central), Rodrigo Assumpção (presidente-executivo do Dataprev) e Brittany Kaiser (fundadora da Own Your Data) Vaughn Ridley/Web Summit via Sportsfile A Dataprev, empresa estatal de tecnologia que gerencia dados de milhões de pessoas, anunciou nesta terça-feira (29) um projeto para permitir que brasileiros "vendam" seus dados para empresas em troca de dinheiro. O Dataprev gerencia dados beneficiários do INSS e de programas de assistência social, por exemplo. O objetivo é permitir que os titulares tenham controle sobre seus dados, afirmou o presidente-executivo da estatal, Rodrigo Assumpção, no Web Summit Rio. "Estamos prontos para começar uma iniciativa que certificará os dados referentes a esses contratos e permitirá que os dados sejam monetizados", afirmou Assumpção. A iniciativa está em fase de estudos, mas o chefe do Dataprev acredita que, no início, não deverá existir uma opção para empresas identificarem pessoas específicas em um conjunto de dados. "Acredito que o uso desses dados será menos para identificar indivíduos e mais para identificar tendências de mercado", afirmou. Como deve funcionar? Hoje, o Dataprev já intermedia contratos de empréstimo consignado entre instituições e beneficiários do INSS. Agora, a ideia é criar um meio para que os dados pessoais incluídos nesses contratos sejam usados por terceiros. "Haverá uma opção para o indivíduo autorizar que os dados referentes a este contrato sejam colocados em uma carteira de dados e fiquem disponíveis para monetização", explicou Assumpção. Em seguida, a soma de todos os dados liberados por uma pessoa seria oferecida para empresas. Ainda de acordo com Assumpção, a ideia é que o titular dos dados tenha a opção de interromper o compartilhamento de suas informações a qualquer momento.

Presidente do STF diz que velocidade da evolução tecnológica dificulta regulação da IA


Ministro Luís Roberto Barroso participou de forma remota de um painel do Web Summit Rio 2025. Barroso também falou sobre a possibilidade de substituição parcial dos juízes por IA e do 'embate com o extremismo' no Brasil. O ministro Luís Roberto Barroso participou de forma remota de um painel do Web Summit Rio 2025, um dos maiores eventos de tecnologia do planeta. Raoni Alves / g1 Rio O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou nesta terça-feira (29), durante o Web Summit Rio 2025, que um dos principais desafios para a regulação das ferramentas de IA e outras inovações no Brasil é a velocidade da evolução tecnológica. Em sua fala durante o evento, Barroso lembrou sobre a rápida disseminação das ferramentas de tecnologia atuais em comparação com recursos menos modernos, como o telefone fixo e a internet. "A regulação da IA, como tudo em tecnologia, mas especialmente a inteligência artificial, enfrenta as dificuldades da velocidade das transformações do mundo atual. A velocidade da transformação dificulta em ampla medida essa regulação", comentou Barroso. "O telefone fixo, por exemplo, levou 75 anos para chegar a 100 milhões de usuários. O telefone celular levou 16 anos para chegar a 100 milhões de usuários. A internet levou 7 anos. Já o ChatGPT, que é uma versão comercial importante de IA generativa, chegou em 100 milhões de usuários em 2 meses", disse o ministro do Supremo. Na opinião do presidente do STF, os avanços possíveis no momento são em relação a proteção de direitos fundamentais, liberdade de expressão e fortalecimento da democracia, por exemplo. "Essa é a velocidade da transformação do mundo contemporâneo, de modo que, a gente tem que regular um fenômeno que a gente olha para frente e não consegue ver com clareza o que vai acontecer no futuro muito próximo", argumentou. "Tudo que você consegue fazer é regular o meio de grandes princípios de proteção de direitos fundamentais, liberdade de expressão, liberdades individuais, proteção da democracia contra a desinformação massificada, contra os discursos de ódio e os ataques a democracia", acrescentou Barroso. STF em defesa da democracia O presidente do STF foi um dos destaques do Web Summit Rio 2025, um dos maiores eventos de tecnologia do mundo. Ele participou de forma remota, direto da capital dos Estados Unidos, do painel 'Tecnologia, verdade e a constituição'. Rio recebe até quarta o Web Summit, maior evento de tecnologia do mundo Ao lado de Ronaldo Lemos, fundador do ITS Rio e membro do Conselho de Supervisão Independente da Meta, o ministro do STF também falou sobre o papel da Justiça brasileira no combate a desinformação. Barroso citou o papel das instituições oficiais e da sociedade civil em defesa da democracia. Segundo ele, o Brasil viveu uma "situação muito peculiar". "O Brasil, diferente de outros lugares do mundo, teve um embate muito relevante com o extremismo, com ameaça de golpe de estado. E o STF teve um protagonismo ao lado da sociedade civil e da imprensa, parte da classe política, de oferecer resistência a utilização das plataformas digitais com o ímpeto destrutivo dessas instituições para a preparação para um golpe de estado", comentou. "Foi uma situação muito peculiar. Mas a liberdade de expressão é um valor fundamental na democracia e é preciso preservá-la com a maior intensidade possível. Mas é possível evitar também que o mundo desabe em um abismo de incivilidade com a destruição das instituições e a garantia dos direitos fundamentais", disse Barroso. Substituição parcial de juízes por IA Durante o painel, o presidente do STF também comentou sobre a utilização de novas tecnologias no trabalho da corte suprema do país. Segundo Barroso, o STF já utiliza três ferramentas de inteligência artificial no dia a dia de suas atividades. Para reforçar a importância dessa adesão tecnológica, o juiz lembrou do grande volume de processos em andamento no Brasil. "Com o volume de processos que existe no Brasil, a ferramenta de IA se tornou primordial. O Brasil talvez seja um dos recordistas mundiais em número de processos em andamento. Em dezembro, nós tínhamos 83,8 milhões de processos. Considerando a população adulta em torno de 160 milhões, se a estatística fosse uma ciência fácil, nós poderíamos dizer que um a cada dois adultos está em juízo", argumentou. "Nós temos ferramentas de inteligência artificial no Supremo. Temos a Victor, que identifica quais os casos que tem precedente. Temos a Victória, que agrupa os assuntos que chegam por tema. (...) E mais recentemente, a Maria, que recebe processos com 20 volumes e transforma aquilo em um resumo básico de 5 páginas. Nós utilizamos intensamente como ferramenta auxiliar ao trabalho do Supremo", explicou Barroso. Perguntado se no futuro os juízes poderiam ser substituídos por ferramentas de IA para a tomada de decisões judiciais, o ministro disse que a substituição total não deve acontecer. "Acho que substituição a curto prazo não ocorrerá. A Inteligência Artificial vai ser uma importante ferramenta auxiliar, inclusive para preparar uma primeira versão de uma decisão, uma primeira minuta. Ou tomar decisões de rotina, de mero impulso processual. Mas acho que nesse momento, em nenhuma hipótese, se pode dispensar a supervisão de um juiz e a responsabilidade de um juiz em uma decisão", comentou. Contudo, Barroso acredita que a IA pode dar decisões mais simples, de 1° instância, onde os interessados ainda poderiam recorrer da decisão. "Eu não considero distante no tempo, a possibilidade de, ao menos as questões mais simples, possam ter uma primeira instância decidida por inteligência artificial, sempre com a possibilidade de recurso para uma supervisão humana", disse. "Eu não vejo com preocupação maior o uso da IA. Vejo que ela vai se tornando cada vez mais indispensável para uma boa prestação de Justiça", completou.

Globo lança estação-piloto da TV 3.0


A nova geração de TVs promete melhor qualidade de imagem, som envolvente e interatividade. Paulo Marinho no evento de lançamento da DTV+ g1 A Globo anunciou nesta terça (29) o lançamento de uma estação-piloto da TV 3.0, que será chamada DTV+ no Brasil. A estação-piloto marca o início das transmissões experimentais do novo patamar da TV. A tecnologia tornará o sistema da TV mais inteligente e personalizado, além de melhorar imagem e som. Inicialmente será necessário adquirir um conversor para usufruir da experiência da DTV+. Entre os principais benefícios, a nova geração de TVs promete melhor qualidade de imagem, som envolvente e interatividade, mantendo a TV aberta de graça. O mercado espera que os primeiros usuários possam aproveitar essa inovação já durante a Copa do Mundo de 2026. Segundo o Ministério das Comunicações, dependendo da preparação das emissoras, a nova tecnologia poderá estar em vigor antes mesmo de 2026. Além do Brasil, outros países têm se preparado para adotá-la. No entanto, o objetivo é que, no futuro, os novos televisores já saiam de fábrica com toda essa tecnologia integrada. Nesta reportagem, você saberá: DTV+: o novo nome da TV 3.0 As vantagens da DTV+ (TV 3.0) Depende de internet? Preciso trocar de televisão? Quanto vai custar o conversor? DTV+: o que é TV 3.0, que oferece melhor qualidade de imagem e recursos interativos DTV+: o novo nome da TV 3.0 A primeira televisão, analógica e com imagens em preto e branco, ficou conhecida como 1.0. Anos depois, surgiu a TV 2.0, com imagens em cores e conectividade à internet. Agora, a TV 3.0 representa o próximo patamar da televisão digital e, segundo especialistas, entregará mais interatividade, personalização e qualidade de imagem e som (entenda mais abaixo). Em agosto de 2024, o Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre anunciou o novo nome da TV 3.0 no país, que passou a se chamar Digital Television+ (DTV+). As vantagens da DTV+ (TV 3.0) 🖼️ Melhores imagens: o usuário poderá assistir a conteúdos da TV aberta com mais definição, brilho e contraste, em qualidade 4K e até 8K. 📺 Canais: a tecnologia permite que os canais de TV sejam semelhantes a aplicativos. "Em vez de ficar passando de canal em canal, você terá o aplicativo de cada emissora, algo mais próximo do que já vemos hoje nas Smart TVs", diz Wilson Diniz, secretário de Comunicação Social Eletrônica do Ministério das Comunicações. 🔈Som imersivo: a nova tecnologia oferece uma experiência sonora envolvente, com qualidade de cinema, de acordo com especialistas. 📣 Personalização da publicidade: assim como já acontece nas redes sociais, as emissoras poderão segmentar ainda mais os anúncios, entregando opções personalizadas. "Se a pessoa quer trocar de carro, será possível exibir propagandas que falem diretamente com quem está em busca de um novo veículo," explica Leonora Bardini, diretora de programação da TV Globo. ⚡Interatividade: o público poderá interagir com conteúdos da TV aberta, como votar em enquetes e até comprar produtos exibidos ao vivo. "Assim que ligar e se logar, a TV já vai te conhecer, saber seus gostos e oferecer uma combinação de conteúdo e publicidade. É uma TV personalizada, feita exclusivamente para cada pessoa", diz Leonora Bardini. Depende de internet? Não será necessária conexão à internet para usufruir das vantagens da TV 3.0, explica Wilson Diniz. "A qualidade de imagem 4K, 8K e o som imersivo estarão disponíveis, mesmo que o usuário não tenha conexão", garante. No entanto, conectar a TV à internet permite uma experiência mais completa, ampliando as possibilidades de interatividade e personalização, segundo especialistas. Por exemplo, será possível comprar a mesma roupa que o ator usa na novela ou o bolo que acabou de aparecer no programa de culinária. Além disso, você poderá votar para eliminar um participante de um reality show — tudo diretamente pela televisão. "Em um jogo entre Brasil e Argentina, a TV já saberá que você é torcedor do Brasil e proporcionará uma experiência completa que dialoga com a sua seleção ou time do coração," exemplifica Leonora. "Isso será possível porque você já informou o seu time ao acessar o ge.globo, por exemplo. Tudo estará sincronizado," completa a executiva. Preciso trocar de televisão? Assim como ocorreu na transição do sinal de TV analógico para o digital, inicialmente será necessário adquirir um conversor para usufruir da experiência da DTV+. A expectativa é que, no futuro, os novos televisores já venham de fábrica com suporte à nova tecnologia. Wilson Diniz afirma que as fabricantes fazem parte do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre e estão envolvidas nas discussões da DTV+ desde o início, justamente para preparar o mercado. "Estamos estudando formas de incentivar a adoção da tecnologia, inclusive com incentivos fiscais para os fabricantes que já adotarem a TV 3.0", completou. Quanto vai custar o conversor? Por enquanto, existem apenas protótipos dos conversores de TV 3.0, por isso ainda não é possível definir os preços para o consumidor, conforme explicou o Ministério das Comunicações ao g1. O governo ainda não confirmou se os equipamentos serão distribuídos, mas há discussões sobre a possibilidade de entrega gratuita para famílias de baixa renda, similar ao que ocorreu na expansão do sinal digital. Enquanto isso, a Globo está realizando testes, exibindo alguns recursos da DTV+ em regiões específicas, tanto em aparelhos conectados ao sinal broadcast (antena) quanto no Globoplay. LEIA TAMBÉM: Microsoft Copilot: nova versão da IA ganha voz, visão e raciocínio profundo Como limitar quem pode te colocar em grupos no WhatsApp? O serviço de internet da Amazon que quer competir com empresa de Elon Musk TV 3.0 vai ser interativa e gratuita, e dará acesso à programação de TV aberta e streaming no mesmo lugar Entenda a relação entre 5G, o sinal de TV e antenas parabólicas em 5 pontos iPhone 16 é lançado com novo botão para controlar a câmera; veja preços no Brasil O primeiro tradutor de Libras foi apresentado no Web Summit Rio 2024

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

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