quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Cristiano Amon: quem é o brasileiro eleito entre os 100 líderes mais influentes em IA pela revista Time


Cristiano Amon, CEO da Qualcomm, anuncia fábrica de chips em Campinas Marcelo Brandt/g1 A revista Time incluiu o brasileiro Cristiano Amon na lista das 100 pessoas mais influentes da inteligência artificial em 2025. O executivo aparece na principal categoria da publicação, "líderes", ao lado de nomes como Elon Musk (X, Tesla e SpaceX), Sam Altman (OpenAI) e Mark Zuckerberg (Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp). O reconhecimento da revista é dividido em quatro categorias: "líderes", "inovadores", "moldadores" e "pensadores". 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Amon ocupa os cargos de CEO e presidente da Qualcomm, fabricante americana de processadores para smartphones e redes de telecomunicações. A publicação destaca que, "sob a liderança de Cristiano Amon, a Qualcomm investiu pesadamente em pesquisa e desenvolvimento de IA" e lembra que a empresa é responsável pelo processador Snapdragon, presente em smartphones Android de grandes marcas globais. Além dele, outro brasileiro também entrou na lista: Mike Krieger, cofundador do Instagram e atual diretor de produtos da Anthropic, criadora da IA Claude. Na Time, ele é um dos destaques na categoria "inovadores" (saiba mais abaixo). Quem é Cristiano Amon Cristiano R. Amon, presidente da Qualcomm, na revista Time Reprodução/Revista Time Cristiano R. Amon é doutor em engenharia elétrica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde ingressou em 1988 e se formou em 1992, segundo a própria universidade. Ele entrou na Qualcomm em 1995 como engenheiro. Antes, trabalhou na Ericsson e na Vésper. Em 2018, assumiu o cargo de presidente da empresa, no mesmo ano em que a Qualcomm anunciou a abertura de uma fábrica de chips para smartphones e internet das coisas no Brasil. Em 2021, foi promovido e passou a acumular também o cargo de CEO. Os cinco maiores bilionários brasileiros de tecnologia, segundo a Forbes Atualmente, Amon é responsável pela operação global da companhia e pela unidade de semicondutores, que engloba chips para celulares, produtos de radiofrequência, soluções automotivas e de internet das coisas. Entre os produtos mais conhecidos da empresa estão os processadores Snapdragon, usados em celulares da Samsung, Xiaomi e Motorola, por exemplo. Cristiano Amon, CEO da Qualcomm. Marcelo Brandt/G1 Sob sua gestão, a Qualcomm liderou a estratégia do 5G e expandiu sua atuação para áreas como computação, setor automotivo, realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR). O executivo também teve participação no desenvolvimento das tecnologias 3G e 4G. Em 2019, recebeu da Unicamp o título de Doutor Honoris Causa, concedido a pessoas que prestam contribuições relevantes às ciências, letras, artes ou à sociedade. Na cerimônia, o pai do executivo, Salvador Amon, lembrou da dedicação do filho nos estudos. "Não é porque é meu filho, mas o Cristiano sempre foi um menino fora de série. Muito estudioso. Quando ele entrou na faculdade, ele tinha uma característica: não anotava nada. Eu comprava os livros e ele estudava por lá. Isso fez ele se tornar autodidata", disse. Em publicação no LinkedIn, Amon afirmou estar "incrivelmente orgulhoso" e disse que o título concedido pela Time "reflete o incrível trabalho da Qualcomm para levar a IA ao limite, onde ela pode ter um impacto profundo". Mike Krieger, cofundador do Instagram, também está na lista Brasileiro Mike Krieger, um dos criadores do Instagram Reprodução/Instagram Outro brasileiro na lista é Mike Krieger, que aparece na categoria "inovadores", ao lado de executivos da Tools for Humanity (criadora do protocolo World), da Adobe e da ElevenLabs. Com apenas 24 anos, Krieger ajudou a fundar o Instagram. Em 2024, passou a integrar a Anthropic como diretor de produtos, com foco em melhorar a experiência de uso da plataforma. Nascido em São Paulo, Krieger viveu a maior parte de sua vida na cidade antes de se mudar para os Estados Unidos em 2004, onde estudou na Universidade Stanford. Antes de ser convidado para fundar o Instagram, trabalhou na Meebo, empresa ligada à área de mensageiros instantâneos. Em março de 2010, se juntou a Kevin Systrom para desenvolver um produto inicialmente chamado Burbn, que mais tarde se transformaria no Instagram. LEIA TAMBÉM: Influenciadores mirins só com aval judicial: entenda decisão da Justiça do Trabalho e o que diz a lei Nvidia: o boom de IA ​​que impulsiona empresa mais valiosa do mundo apesar de tensões entre EUA e China Starship, maior nave do mundo, faz lançamento inédito de cargas no espaço Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas Criminosos podem usar suas fotos nas redes para aplicar golpes financeiros?

Nvidia: o boom de IA ​​que impulsiona empresa mais valiosa do mundo apesar de tensões entre EUA e China


O diretor-executivo da Nvidia, Jensen Huang, em um discurso de abertura na Consumer Electronics Show (CES) em Las Vegas, Nevada, em 6 de janeiro de 2025 Getty Images A fabricante de chips de computador Nvidia foi impulsionada por grandes empresas de tecnologia interessadas em expandir suas capacidades em inteligência artificial, apesar das tensões entre os EUA e a China. Na quarta-feira, a empresa divulgou uma receita de US$ 46,7 bilhões (cerca R$ 247,5 bilhões) no segundo trimestre do ano, um aumento de 56% em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, a Nvidia, que tem sido pega no meio de uma guerra comercial entre os EUA e a China, afirmou que "continuou a lidar com questões geopolíticas", e suas ações caíram no pregão após o fechamento. A empresa, que se consolidou como a companhia mais valiosa do mundo, precisou navegar pelas políticas em constante mudança da administração Trump, voltadas a garantir que os EUA mantenham a liderança no desenvolvimento de IA. Nvidia anunciou investimento de meio trilhão de dólares em IA Um boom contínuo de IA Os chips sofisticados da Nvidia têm sido uma parte importante do boom de inteligência artificial. Na quarta-feira, a empresa afirmou que a demanda por seus produtos continua forte, especialmente de grandes empresas de tecnologia, incluindo a Meta, dona do Instagram, e a OpenAI, criadora do ChatGPT, enquanto competem para expandir suas capacidades em IA. "A corrida da IA começou de fato", disse o chefe da Nvidia, Jensen Huang, em uma teleconferência com analistas após a divulgação do relatório, afirmando que os gastos de quatro grandes empresas de tecnologia dobraram, chegando a US$ 600 bilhões por ano (cerca de R$ 3,2 trilhões). "Com o tempo, você pensaria que a inteligência artificial… aceleraria o crescimento do PIB", disse Huang. "Nossa contribuição para isso é uma grande parte da infraestrutura de IA." Colleen McHugh, diretora de investimentos da empresa Wealthify, disse ao programa Today da BBC que a Nvidia está "no centro desse boom de IA". "Ela é praticamente incontestável no mercado de chips para IA", acrescentou. Ela também afirmou que a empresa é "muito dependente" das gigantes de tecnologia para gerar receita e que a continuidade dos gastos com seus chips faria com que os "retornos e o preço das ações da Nvidia continuassem subindo". A receita da empresa proveniente de data centers subiu 56%, para US$ 41,1 bilhões (cerca de R$ 218,2 bilhões), mesmo ficando ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas. Eileen Burbridge, investidora e sócia-fundadora da Passion Capital, disse que a oscilação no preço das ações foi resultado da divisão de data centers "não ter apresentado resultados tão fortes quanto esperava". No entanto, ela afirmou que a empresa teve um crescimento "inacreditável". "Claramente, muito capital entrou, e não acho injusto dizer que houve talvez um pouco de euforia ou até uma pequena bolha", acrescentou. Em julho, a Nvidia se tornou a primeira empresa do mundo avaliada em US$ 4 trilhões (cerca de R$ 21,2 trilhões). A fabricante de chips de IA, com sede em Santa Clara, Califórnia, disse que a receita no trimestre atual provavelmente chegará a US$ 54 bilhões (aproximadamente R$ 286,2 bilhões), superando as expectativas dos analistas de Wall Street. Questões Geopolíticas A Nvidia continua exposta às tensões geopolíticas entre os EUA e a China. A empresa anunciou em julho que retomaria as vendas de seus chips de inteligência artificial de alta performance para a China. A medida ocorreu após o CEO Jensen Huang conseguir convencer o governo Trump a reverter a proibição da venda dos chips H20 da empresa, desenvolvidos especificamente para o mercado chinês. O governo havia imposto a proibição devido a preocupações de que os chips pudessem beneficiar não apenas desenvolvedores de IA chineses, mas também o Exército da China. Na quarta-feira, executivos afirmaram que, no final de julho, o governo dos EUA começou a revisar licenças para a venda de chips H20 destinados especificamente a clientes chineses. A empresa acrescentou que não havia enviado nenhum H20, apesar de alguns clientes baseados na China terem recebido essas licenças nas últimas semanas. O governo dos EUA espera receber 15% da receita gerada com as vendas licenciadas dos chips H20. A Nvidia não incluiu os H20 em suas projeções para o trimestre atual e afirmou que também está fazendo lobby junto ao governo dos EUA para aprovar a venda de seus chips Blackwell para a China, que continua sendo o maior mercado de seus chips. Enquanto isso, analistas observam que a China está estimulando a competição no setor que a Nvidia atualmente domina. "As restrições de exportação dos EUA estão fomentando a fabricação doméstica de chips na China", disse o analista da Emarketer, Jacob Bourne, após a divulgação do relatório. Ele acrescentou que a questão agora é se o "mergulho da Nvidia em robótica" ajudará a empresa a manter seu papel como "indicadora da economia de IA". O imigrante ex-lavador de pratos que fundou a Nvidia, gigante dos microchips que vale mais que Google e Amazon A empresa que ultrapassou Apple e Microsoft e se tornou a mais valiosa do mundo O 'álbum novo' de cantora folk que nem ela conhecia – criado com inteligência artificial

Os cinco maiores bilionários brasileiros de tecnologia, segundo a Forbes


O cofundador do Facebook Eduardo Saverin, em um evento em Cingapura, em 26 de maio de 2016. Roslan Rahman/AFP/Arquivo A Forbes divulgou nesta quinta-feira (28) a lista dos cinco maiores bilionários brasileiros da tecnologia. No topo da lista está Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, e detentor de uma fortuna de R$ 227 bilhões. Ele é conhecido por ser sócio de Mark Zuckerberg, que conheceu enquanto estava na faculdade. A lista também conta com o fundador da Character.AI, Daniel de Freitas, e com o maior acionista individual da Totvs, Laércio José de Lucena Cosentino. Veja lista completa abaixo. Ao todo, a lista dos bilionários brasileiros de 2025 conta com 240 homens — que juntos acumulam um patrimônio de R$ 1,68 trilhão — e 60 mulheres — com um total de R$ 343,7 bilhões, diz a Forbes Brasil. Vicky Safra é a única representante feminina no Top 10. 1. Eduardo Saverin Patrimônio: R$ 227 bilhões Empresa: Facebook e B Capital Saverin nasceu em 1982 na cidade de São Paulo, mas foi criado nos Estados Unidos. Ele se formou em economia em Harvard, onde conheceu Zuckerberg e ajudou a criar o Facebook em 2004. Sua fortuna veio de uma participação minoritária da empresa, que viria a crescer anos mais tarde. Nos anos seguintes, Saverin e Zuckerberg discordaram sobre os rumos da empresa. O embate foi parar na Justiça e foi retratado no filme "A Rede Social" (2010), em que Saverin é interpretado pelo ator Andrew Garfield. O brasileiro fez o investimento inicial necessário para começar as operações da empresa, segundo o livro "Milionários Acidentais", de Ben Mezrich, publicado em 2012. Ele apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2011, após a abertura de capital do Facebook, que fez valorizar sua participação. 2. Daniel de Freitas Patrimônio: R$ 5,8 bilh Empresa: Character.AI Daniel de Freitas, de 35 anos, é formado pela Universidade de São Paulo e por Stanford. Ele trabalhou na Microsoft e no Google, nos EUA. Freitas criou, junto com o norte-americano Noam Shazeer, seu ex-colega no Google, o chatbot inteligente Character.AI. Lançada em setembro de 2022, a empresa foi vendida no início de agosto de 2024 para o Google, tornando Daniel o primeiro brasileiro a ficar bilionário com investimentos em Inteligência Artificial, segundo a Forbes Brasil. 3. Laércio José de Lucena Cosentino Patrimônio: R$ 2,1 bilhões Empresa: Totvs Com 23 anos, em 1983, Consentino fundou a Microsiga junto com o empresário Ernesto Haberkorn, que ocupa a 5ª posição desta lista. A empresa foi rebatizada como Totvs, em 2005, e, no ano seguinte, abriu seu capital na bolsa de valores de São Paulo, iniciando um movimento acelerado de aquisições. A companhia foi uma das pioneiras no Brasil em desenvolver e implantar softwares de gestão. Atualmente, a empresa atua em 41 países. Cosentino deixou a presidência em 2018, após 35 anos no cargo, mas segue como presidente do Conselho de administração e como maior acionista individual, com 8,6% das ações, segundo a Forbes Brasil. 4. José Roberto Nogueira Patrimônio: R$ 1,5 bilhão Empresa: Brisanet Fundador e CEO do Grupo Brisanet, o autodidata José Roberto fundou a empresa em 1998 na cidade de Pereiro (CE) “com o sonho de transmitir sinal de internet a um custo acessível em pleno sertão”, relata a Forbes Brasil. A companhia se expandiu por todo o Nordeste, tornando-se líder em banda larga fixa na região, atendendo os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Em julho de 2024, a empresa anunciou ter alcançado 1,37 milhão de clientes de banda larga fixa. Ele também é sócio-diretor das empresas Nossa Fruta Brasil e Agritech, segundo descrição no Linkedin. 5. Ernesto Mário Patrimônio: R$ 1,4 bilhão Empresa: Totvs O empresário Ernesto Mário Haberkorn detém a segunda maior participação acionária da Totvs, segundo a Forbes. Ele também é palestrante e escritor, publicando o primeiro livro brasileiro sobre gestão em 1968. Lista de bilionários da Forbes 2025: saiba quem são as pessoas mais ricas do mundo

Influenciadores mirins só com aval judicial: entenda decisão da Justiça do Trabalho e o que diz a lei

Menores desdenham da educação e dizem ganhar muito dinheiro vendendo cursos A Justiça do Trabalho proibiu nesta quarta-feira (27) que Instagram e Facebook permitam a atuação de crianças e adolescentes como influenciadores sem autorização judicial. A decisão prevê multa de R$ 50 mil por dia para cada caso irregular. Cabe recurso. O Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentaram no processo uma cópia de inquérito civil que aponta a existência de perfis de crianças e adolescentes com atuação comercial nas duas redes sociais. Procurada, a Meta, dona de ambas as plataformas, disse que não irá comentar. Em junho, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região já havia dado a mesma decisão para a Bytedance, que é dona do TikTok. O que diz a Lei Antes da decisão, a lei já exigia autorização judicial para que menores atuassem como influenciadores. Esses processos tramitam em segredo de Justiça para preservar as crianças, explicaram especialistas ouvidos pelo g1 em 2024 em reportagem sobre menores que vendiam cursos online. No Brasil, o trabalho antes dos 16 anos só é permitido em casos artísticos e com autorização judicial, o que inclui a atuação como influenciador nas redes, explicou em 2024 a advogada Kelli Angelini, especialista em educação digital. A regra está prevista no artigo 149 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A partir dos 14 anos, os menores podem trabalhar como Jovem Aprendiz, modalidade vinculada ao desenvolvimento profissional e pessoal, destacou em 2024 João Francisco Coelho, advogado do programa Criança e Consumo do Instituto Alana. Procurados novamente após a decisão, os dois especialistas confirmaram que essas regras continuam valendo. "A medida não proíbe a participação artística de crianças na internet, mas garante que ela ocorra com proteção, dentro dos limites previstos em lei. Não significa que menores nunca mais poderão atuar, e sim que seus direitos precisam ser preservados", explicou Kelli ao g1 após a decisão da Justiça do Trabalho. "As plataformas sempre alegaram que não cabia a elas fiscalizar. A decisão deixa claro que, sim, as redes têm a obrigação de garantir que crianças atuem como influenciadoras apenas dentro da lei”, afirmou agora João Francisco Coelho. O pedido de autorização deve ser feito no estado em que a criança mora, explicou Angelini. Desde 2018, por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a competência para conceder esse alvará é da Justiça Comum, e não mais da Justiça do Trabalho. Decisão da Justiça A decisão liminar foi concedida pela 7ª Vara do Trabalho de São Paulo em ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Ministério Público de São Paulo. Os órgãos pedem também indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos e a criação de filtros capazes de identificar conteúdos com crianças e adolescentes sem autorização judicial. Para a magistrada, expor menores na internet para fins de lucro sem avaliação da Justiça "gera riscos sérios e imediatos", como: Pressão para produzir conteúdo, com impactos na saúde física e mental; Exposição a ataques virtuais ("haters") e danos à autoestima; Uso indevido da imagem, já que fotos e vídeos podem ser copiados e compartilhados indefinidamente; Prejuízos educacionais, pela dedicação precoce ao trabalho em detrimento da escola; Privação de atividades típicas da infância. Adultização O Senado também aprovou nesta quarta-feira (27) um projeto de lei que cria regras para combater a adultização de crianças no mundo digital, em redes sociais, sites, aplicativos, jogos e outras plataformas. O texto, que já havia passado pela Câmara com alterações, voltou ao Senado e agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta prevê obrigações para provedores de serviços digitais, como vincular contas de crianças e adolescentes a um responsável e remover conteúdos abusivos. O objetivo é reforçar a proteção de menores em ambientes digitais.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Projeto contra adultização nas redes: entenda em 6 pontos texto que vai à sanção de Lula

Senado aprova projeto contra adultização de crianças e adolescentes nas redes O Senado aprovou nesta quarta-feira (27) o projeto de lei que estabelece regras para combater a adultização de crianças e adolescentes em ambientes digitais, como redes sociais, sites, aplicativos e jogos eletrônicos. A proposta passou pelo Senado de forma simbólica e agora segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O tema ganhou força após um vídeo feito pelo influenciador Felca viralizar nas redes sociais. Ele denunciava o uso de crianças e adolescentes sendo expostas em canais privados nas redes. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) publicou uma mensagem em suas redes sociais afirmando que iria pautar a proposta. A Câmara já havia aprovado o texto na semana passada. Veja os principais pontos da medida: 1. Contas vinculadas a responsáveis O texto determina que contas de redes sociais de usuários com até 16 anos sejam obrigatoriamente vinculadas a um responsável legal. ➡️ Isso significa que pais ou responsáveis terão de ser identificados e poderão ser cobrados pelas atividades das crianças e adolescentes na plataforma. 2. Verificação de idade As plataformas precisarão adotar mecanismos confiáveis de checagem de idade. A autodeclaração do usuário — quando a própria criança diz quantos anos tem ao criar uma conta — não será mais aceita. ➡️ A lei prevê que o poder público possa atuar como regulador e certificador dos métodos de verificação, para garantir que crianças não acessem conteúdos impróprios. 3. Conteúdos proibidos Serão considerados impróprios para crianças e adolescentes conteúdos relacionados a: exploração e abuso sexual; pornografia; violência física, assédio e cyberbullying; uso e incentivo a drogas, álcool e tabaco; jogos de azar e apostas; práticas publicitárias predatórias. ➡️ As empresas terão obrigação de remover esse tipo de material e comunicar imediatamente às autoridades nacionais e internacionais em casos de crimes graves, como exploração sexual ou sequestro. 4. Supervisão parental As plataformas deverão oferecer ferramentas de controle parental para permitir que pais e responsáveis acompanhem o conteúdo acessado pelas crianças e limitem o tempo de uso. ➡️ Além disso, quando essas ferramentas estiverem em funcionamento, deverá aparecer um aviso claro e visível na tela. 5. Multas e sanções O projeto prevê punições pesadas para as empresas que descumprirem as regras: Multas que variam de R$ 10 por usuário cadastrado até o limite de R$ 50 milhões. Suspensão temporária ou até definitiva das atividades no Brasil, em casos mais graves. ➡️ Usuários que fizerem denúncias falsas de forma reiterada também poderão sofrer sanções, incluindo a suspensão de contas. 6. Jogos eletrônicos O Senado proibiu o acesso de crianças e adolescentes a jogos eletrônicos que contenham loot boxes (caixas de recompensa que funcionam como apostas). ➡️ O relator da proposta, senador Flávio Arns (PSB-PR), argumentou que esse tipo de prática se assemelha a jogos de azar e poderia incentivar menores de idade ao vício. Próximos passos O projeto segue agora para sanção do presidente Lula. Se virar lei, caberá ao governo regulamentar como será feita a verificação de idade e a fiscalização sobre as plataformas. Quer que eu faça também uma linha-fina chamando o ponto mais impactante (como as multas de até R$ 50 milhões e o controle parental obrigatório), para dar mais força na abertura.

Nvidia: vendas de chips de IA aumentam, mas temor de bolha no setor freia entusiasmo


O lavador de pratos que criou a Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo As vendas de chips para inteligência artificial (IA) da Nvidia seguiram em alta no trimestre encerrado em julho. A procura, porém, não foi forte o bastante para aliviar as preocupações recentes de que o entusiasmo em torno da IA esteja perdendo força. A fabricante de chips e semicondutores informou nesta quarta-feira (27) que sua receita total foi de US$ 46,7 bilhões no período, um aumento de 56% em relação ao ano anterior. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Enquanto isso, o lucro da companhia foi de US$ 26,4 bilhões — ou US$ 1,08 por ação — uma alta de 59% na comparação anual. Os números vieram acima do previso por analistas. A Nvidia também mostrou otimismo ao projetar receita de US$ 54 bilhões para o próximo trimestre (agosto a outubro), ligeiramente acima das estimativas de analistas para o período. “Estamos no início da expansão”, disse o CEO da Nvidia, Jensen Huang, em teleconferência nesta quarta. Ele prevê investimentos de US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões em iniciativas de IA até o final desta década. Os resultados divulgados pela empresa eram aguardados com expectativa, já que a Nvidia se tornou um termômetro do boom da IA. Esse movimento, que dura dois anos, tem levado o mercado de ações a níveis recordes nos Estados Unidos. No embalo da IA, a Nvidia se tornou a primeira empresa de capital aberto a atingir um valor de mercado de US$ 4 trilhões. O índice de referência S&P 500 subiu 69% desde o final de 2022, com o entusiasmo em torno do setor sustentando grande parte do otimismo dos investidores. Receios de bolha no setor Mesmo em meio à euforia geral, surgiram questionamentos sobre se a mania da IA será apenas um reflexo do boom e do colapso das empresas "ponto com" no final dos anos 1990, que mergulhou o Vale do Silício em uma crise de vários anos. Nas últimas semanas, por exemplo, relatórios e declarações de executivos de tecnologia de destaque intensificaram a preocupação dos investidores de que a mania da IA possa ter sido exagerada. Os números mais recentes da Nvidia, referentes a maio a julho, podem reforçar essas percepções, já que as vendas de seus processadores — essenciais nos data centers de IA em construção pelo mundo — não crescem tão rapidamente como antes. O lançamento do ChatGPT, da OpenAI, no final de 2022, desencadeou um fenômeno tecnológico que começa a transformar a sociedade. Os chips de IA integram a divisão de data centers da Nvidia, que registrou receita de US$ 41,1 bilhões, alta de 56% em relação ao mesmo período do ano passado, mas abaixo da estimativa de US$ 41,3 bilhões dos analistas, segundo a FactSet Research. As ações da Nvidia caíram 3% no after-market após a divulgação dos dados do segundo trimestre fiscal, mostrando que o desempenho não foi suficiente para acalmar os investidores. A decepção era quase inevitável, já que o preço das ações subiu mais de dez vezes nos últimos dois anos e meio. “Dizer que as ações estavam precificadas para a perfeição seria um enorme eufemismo”, disse o analista da Investing.com, Thomas Monteiro, à Associated Press. O que vem pela frente? Alcançar o crescimento necessário para levar a Nvidia a um valor de mercado de US$ 5 trilhões tornou-se mais desafiador, já que as vendas anuais da empresa passaram de US$ 44 bilhões no ano fiscal de 2024 para um projetado de US$ 204 bilhões no atual ano fiscal, que termina em janeiro. Isso resultou em taxas de crescimento da receita ano a ano progressivamente mais lentas. Após a receita ter pelo menos dobrado ou triplicado em cinco trimestres consecutivos entre 2023 e 2024, o crescimento vem desacelerando nos últimos quatro trimestres. A Nvidia poderia ter apresentado resultados melhores no último trimestre se o presidente dos EUA, Donald Trump, não tivesse imposto uma proibição que bloqueou a venda de seus chips de IA na China durante o período. No entanto, os investidores já haviam sido avisados de que as restrições custariam cerca de US$ 8 bilhões em vendas de maio a julho, de modo que esse desafio já estava refletido no preço das ações. Trump retirou as restrições à Nvidia na China no início deste mês, em troca de um corte de 15% nas vendas da empresa no país — um acordo que deve impulsionar a receita nos próximos meses, embora não esteja claro com que rapidez. No melhor cenário, a Nvidia pode alcançar entre US$ 2 bilhões e US$ 5 bilhões em vendas de chips de IA para a China, segundo Colette Kress, diretora financeira da empresa. * Com informações da Associated Press Pessoa passa por painel com logomarca da Nvidia na Computex em Taiwan em junho de 2024 Ann Wang/Reuters

Trump 'socialista'? A polêmica decisão do governo dos EUA de comprar parte da Intel


Donald Trump e Intel BBC/Getty Images Donald Trump está levando o governo americano para o mercado de chips. Ele anunciou na última sexta-feira (22/08) que o governo federal iria adquirir participação de 10% na Intel, empresa que faz parte da Fortune 500 (lista anual das 500 maiores empresas dos EUA por receita) e é uma das maiores fabricantes americanas de semicondutores. E o presidente americano insinuou que os EUA podem não ter terminado de aumentar sua carteira de ações. "Farei acordos como esse para o nosso país o dia todo", escreveu ele em sua rede social, a Truth Social. "Também ajudarei as empresas que fazem acordos tão lucrativos com os Estados Unidos." 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A publicação de Trump foi uma resposta a críticas que se acumularam por dias. Os críticos incluem apoiadores da direita, que veem na compra um rompimento da tradição americana e do preceito de um governo enxuto. Além disso, alguns economistas alertam que a promessa de ajudar empresas que fazem acordos com o governo dos EUA aumenta o potencial de corrupção e ineficácia do mercado. "Com isso, as decisões de investimento precisam ser tomadas com base em política, não em economia", disse Tad DeHaven, analista de política econômica do Cato Institute, um think tank (centros de pesquisa e debate que buscam influenciar políticas públicas) libertário. "Isso coloca o governo diretamente na essência do processo decisório de uma grande empresa." Embora Trump diga que os EUA pagaram "zero" pelos cerca de US$ 9 bilhões em ações sem direito a voto da Intel, a transação está longe de ser um presente. Entenda como o governo Trump se tornou sócio da Intel Os EUA converteram subsídios não pagos, designados na Lei de Chips de 2023 (legislação destinada a promover a fabricação nacional de semicondutores), em ações da Intel. A postura de Trump não é totalmente inédita no país. Na crise financeira de 2009, os EUA adquiriram parte da propriedade da General Motors, Citigroup e AIG para evitar a quebra dessas empresas. Essas intervenções foram justificadas pelos então presidentes George W. Bush e Barack Obama como medidas emergenciais para evitar um colapso econômico nacional. O governo Trump justifica a compra de participação na Intel como uma forma de proteger uma indústria vital para a segurança nacional. Mas, para Robert Atkinson, presidente da Information Technology and Innovation Foundation, o objetivo real é outro. "Não se trata realmente de fortalecer a Intel, mas sim de ter controle sobre ela e talvez ganhar mais dinheiro", avalia Atkinson. Se a participação estatal em empresas privadas é uma medida incomum para o governo dos EUA, não é em outros lugares. China e Rússia investem pesadamente em suas empresas nacionais. Até mesmo as democracias europeias têm um histórico de apoiar o que consideram indústrias-chave, como aeroespacial, comunicações e energia. Na terça (26), o secretário de Comércio, Howard Lutnick, delineou uma estratégia semelhante, afirmando que os EUA estão considerando adquirir participações acionárias em empresas de defesa e munições. "A Lockheed Martin obtém 97% de sua receita do governo federal", disse ele. "Se estamos agregando valor fundamental aos seus negócios, acho justo que Donald Trump pense no povo americano." Outro assessor econômico de Trump, Kevin Hassett, sugeriu um plano mais amplo: que esse tipo de intervenção governamental seja o primeiro passo para a criação de um fundo soberano dos EUA. O presidente admira os fundos de investimento administrados por outras nações, como a China e as monarquias do Golfo, como um meio eficaz de gerar receita governamental. Trump indicou que governo dos EUA pode ampliar sua carteira de ações para além da Intel BBC/Getty Images Embora não tenha pressionado o Congresso a autorizar formalmente a criação de um fundo nos EUA, o modelo de investimento da Intel pode fornecer uma rota alternativa sem a supervisão e regulamentação que poderiam vir com a participação mais ativa do Congresso. "Tenho certeza de que em algum momento haverá mais transações, se não neste setor, em outros setores", diz Hassett. Poderiam oferecer mais ativos para tal fundo a golden share (ação preferencial que dá direito a veto a decisões estratégicas) do governo na US Steel, negociada como parte da compra da empresa pelo Japão, e a promessa de investimento estrangeiro em indústrias americanas. Embora Trump frequentemente elogie suas habilidades de negociação e seu conhecimento financeiro, Richard Stern, da conservadora Heritage Foundation, avalia que o controle estatal raramente se iguala ao desempenho do capitalismo de livre mercado. "Mesmo que ele fosse o empresário mais genial que já existiu, a verdade é que parte do que torna os negócios tão bem-sucedidos é que as pessoas envolvidas neles são especializadas. Elas conhecem aquele negócio, aquele produto, aquela área", diz Stern. "Nenhum ser humano pode ser universalmente perfeito na gestão de todos os negócios em todos os setores do planeta." Até agora, poucos políticos republicanos — incluindo aqueles no Congresso, que poderiam exercer supervisão — se manifestaram contra o novo interesse do presidente no capitalismo gerido pelo Estado. O senador Rand Paul, um crítico ocasional de Trump, é uma exceção notável. "Se socialismo é o governo possuir os meios de produção", escreveu ele na rede social X, "o governo possuir parte da Intel não seria um passo em direção ao socialismo?" Como se quisesse enfatizar esse ponto, o senador Bernie Sanders, socialista autodeclarado, manifestou apoio à iniciativa de Trump. "Se as empresas de microchip lucram com as generosas verbas que recebem do governo federal", disse o ex-candidato à presidência em um comunicado, "os contribuintes americanos têm direito a um retorno razoável sobre seus investimentos". A perspectiva de que o poder econômico que Trump está acumulando com essas últimas medidas possa ser exercido por um futuro presidente democrata é outro motivo para o desconforto de alguns conservadores. "Alguém acha que eles vão ficar de braços cruzados enquanto o governo detém 10% de participação na Intel sem ter nada a dizer sobre as políticas da Intel em tecnologia verde, diversidade, responsabilidade corporativa e por aí vai?", questionou DeHaven. Isso não pareceu deter Trump, cujos esforços podem ser parte de uma estratégia maior ou simplesmente a ânsia de um empresário em intervir onde puder — seja direcionando investimentos governamentais, sugerindo que a Coca-Cola mude a fórmula do refrigerante ou recomendando que a Cracker Barrel volte ao seu antigo logotipo. "Todo mundo está se precipitando [em analisar a situação] com os 'ismos' — corporativismo, socialismo, capitalismo de Estado...", disse DeHaven. "No fim das contas, é o trumpismo." Vampetaço x Tarifaço: entenda trend brasileira

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...