segunda-feira, 13 de outubro de 2025

SpaceX lança Starship, maior nave do mundo, pela 11ª vez; foguete pousa com sucesso no oceano


Veja os vídeos que estão em alta no g1 A SpaceX, empresa de foguetes do bilionário Elon Musk, lançou nesta segunda-feira (13) o 11º voo da Starship, nave mais poderosa do mundo. A decolagem, que não é tripulada, aconteceu em Boca Chica, no estado americano do Texas, por volta das 20h25, no horário de Brasília. A missão já teve sucesso no seu primeiro objetivo: pousar o Super Heavy (foguete, que é a parte inferior da nave) no Golfo do México. A cápsula (a parte superior) deve cair no Oceano Índico, o que ainda não aconteceu. Segundo a SpaceX, o propulsor desta missão já foi usado no 8º voo da Starship, em março. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja transmissão ao vivo: SpaceX lança Starship, maior nave do mundo, pela 11ª vez 11º lançamento da Starship Reprodução/SpaceX Gif mostra 11º lançamento da Starship Reprodução O plano para o novo voo prevê uma nova configuração dos motores do propulsor durante a descida. Na trajetória até o pouso no Golfo do México, ele ficará com 13 dos 24 motores acionados. Então, diminuirá para 5 motores no trecho que exige mais precisão na descida. E, depois, ficará com 3 motores para o mergulho no Golfo do México. "O objetivo principal do teste de voo é medir a dinâmica real do veículo enquanto os motores desligam durante a transição entre as diferentes fases", explicou a SpaceX. O plano também prevê que o estágio superior da Starship lance simuladores de satélites da Starlink no espaço e faça experimentos focados no retorno para a plataforma de lançamento em futuras missões. A SpaceX disse que trabalha com a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) e organizações internacionais para integrar as operações de tráfego aéreo. A empresa afirmou que no 10º voo da Starship, em agosto, a FAA reabriu todo o espaço aéreo em apenas 9 minutos, evitando interrupções significativas na região. Local que abriga base da SpaceX, de Musk, agora é oficialmente uma cidade no Texas Nave Starship em foto divulgada pela SpaceX em 13 de outubro de 2025 Divulgação/SpaceX Como foram os outros testes? No primeiro lançamento, em abril de 2023, a Starship explodiu quando ainda estava acoplada ao Super Heavy. Uma falha nos motores fez a empresa ativar um sistema de destruição para explodir o foguete. Veja como foi o 1º lançamento da Starship No segundo teste, em novembro de 2023, o Super Heavy explodiu, mas logo após se separar da nave. A Administração Federal de Avião dos EUA (FAA, na sigla em inglês) investigou o acidente e afirmou que a SpaceX identificou a necessidade de realizar 17 correções na nave. Veja como foi o 2º lançamento da Starship O terceiro voo aconteceu em março de 2024 e durou 50 minutos. A Starship foi destruída, mas a empresa considerou esse teste um avanço porque nunca tinha ido tão longe neste tipo de missão. Veja como foi o 3º lançamento da Starship O quarto teste foi em junho de 2024 e foi o primeiro bem-sucedido. A Starship conseguiu pousar no Oceano Índico, e o Super Heavy, no Golfo do México, como planejado. Starship completou seu 1º voo bem-sucedido na 5ª tentativa Na quinta missão, em outubro de 2024, a empresa conseguiu o retorno inédito do Super Heavy com a captura no ar pelos "braços da plataforma" e o pouso da Starship no Oceano Índico. A cápsula explodiu, como já era esperado, segundo a companhia. A manobra de retorno do foguete para a base de lançamento pode tornar voos espaciais mais baratos. Em teste da SpaceX, propulsor da Starship pousa com sucesso na torre de lançamento No sexto teste, em novembro de 2024, a SpaceX não conseguiu fazer com que o foguete Super Heavy retornasse para a plataforma de lançamento, como aconteceu no mês anterior. O foguete acabou pousando no Golfo do México poucos minutos depois do lançamento, o que estava previsto caso não houvesse condições ou o comando específico do diretor da missão para repetir a manobra. A nave pousou no Oceano Índico cerca de uma 1h após decolar. O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, assistiu à missão do local do lançamento, com Elon Musk. Trump já tinha anunciado que o bilionário iria liderar o novo Departamento de Eficiência Governamental durante o seu mandato. SpaceX lança nave, mas não traz foguete de volta para plataforma No sétimo voo, em janeiro de 2025, a empresa de Musk conseguiu repetir manobra em que o foguete Super Heavy é levado de volta à plataforma de lançamento. SpaceX pousa foguete na plataforma, mas perde contato com nave Starship Mas a SpaceX perdeu o contato com a nave, pouco antes do pouso, o que já tinha acontecido em outros testes. Daquela vez, um vídeo registrou destroços da Starship riscando o céu no Haiti. Por segurança, voos comerciais que cruzavam a região do Caribe foram forçados a desviar de suas rotas. A empresa disse que os destroços caíram em áreas designadas para tal. SpaceX faz 8º voo da Starship, recupera foguete, mas perde contato com a nave No oitavo voo da Starship, no início de março, a SpaceX perdeu novamente o contato com a nave cerca de 10 minutos após o lançamento. Vídeos registraram os destroços da nave no céu na região das Bahamas (veja abaixo). Segundo o governo dos EUA, 240 voos no país foram prejudicados pela explosão. Apesar disso, pela terceira vez, a empresa conseguiu "capturar" em pleno ar o foguete que transportou a nave, pouco antes de ele pousar, e colocá-lo de volta na plataforma de decolagem. Fragmentos de nave da SpaceX rasgam os céus e causam atrasos em voos Na nona missão, que aconteceu em maio, a SpaceX perdeu o controle com a nave 40 minutos após o lançamento. Ela deveria pousar no Oceano Índico. Outra Além disso, a nave não conseguiu abrir a porta para lançar sua carga — oito simuladores de satélites da Starlink, braço da SpaceX no setor de internet. E, apesar de conseguir reaproveitar o foguete propulsor Super Heavy pela primeira vez, perdeu o contato com o equipamento durante a descida. Por que deu (quase) tudo errado no 9º voo da Starship? No décimo voo, em agosto, a Starship conseguiu lançar pela primeira vez carga no espaço, um conjunto de oito simuladores de satélites da Starlink. A nave conseguiu reacender seu motor no espaço e pousou no Oceano Índico. SpaceX lança novo voo da Starship, maior nave do mundo Conheça o maior foguete da história, criado pela empresa de Elon Musk

Facebook exclui grupo que vendia garrafas de bebidas usadas e tinha 11 mil pessoas


De onde estão vindo as bebidas contaminadas com metanol? A Meta removeu um grupo do Facebook que vendia garrafas usadas de bebidas alcoólicas, geralmente aproveitadas para envasar produtos adulterados. A comunidade reunia mais de 11 mil integrantes, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU). No início deste mês, a AGU pediu à empresa que tirasse a página do ar. O órgão afirmou que perfis nas redes da Meta vinham comercializando lacres, tampas, rótulos e garrafas usados na produção clandestina de bebidas. A ação da AGU faz parte dos esforços do governo federal para combater uma alta de casos de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Em nota após a exclusão, a AGU informou que as evidências reunidas, como postagens, nomes de participantes e ações de administradores, foram preservadas e poderão ser usadas em eventual investigação policial. "A venda de garrafas de marcas conhecidas, muitas ainda com rótulos originais, facilita a falsificação e o reenvase de bebidas alcoólicas, prática que tem resultado em graves episódios de intoxicação por metanol e representa risco concreto à saúde pública", disse a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), da AGU, responsável pela notificação. A empresa Facebook é uma das principais avaliadas durante investigações Dado Ruvic / REUTERS A PNDD também informou que o grupo violava as próprias "Políticas de Uso e Padrões da Comunidade" do Facebook, que proíbem a venda de produtos ilegais e falsos, "bem como atividades comerciais que representem risco à segurança do consumidor". Ainda segundo a PNDD, a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon) também havia solicitado "que plataformas de comércio eletrônico suspendam a venda de produtos que possam ser usados na falsificação de bebidas destiladas" para "interromper a comercialização de lacres, tampas, selos e garrafas não colecionáveis". LEIA TAMBÉM: Como o WhatsApp Web virou porta de entrada para ataque hacker com foco no Brasil Torres com câmeras se espalham por cidades e monitoram pessoas sem regras claras Chefões das big techs se preparam para 'fim dos tempos': devemos nos preocupar também? Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais Ataque no WhatsApp pode roubar senhas de usuários; veja como se proteger Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas

sábado, 11 de outubro de 2025

Como o WhatsApp Web virou porta de entrada para ataque hacker com foco no Brasil


Ataque no WhatsApp pode roubar senhas de usuários; veja como se proteger Baixar arquivos suspeitos no WhatsApp Web pode abrir caminho para criminosos assumirem o controle de computadores e roubarem senhas, informaram pesquisadores da empresa de cibersegurança Trend Micro. O vírus, batizado de Sorvepotel, se espalha por meio de arquivos enviados em conversas e grupos de WhatsApp e usam e-mails como uma segunda forma de se espalhar. Caso sejam executados na máquina da vítima, eles se infiltram no computador de forma persistente. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "É aberta uma porta de comunicação e, a partir disso, o sistema de ataque passa a receber instruções externas", explica Marcelo Sanches, líder técnico da Trend Micro Brasil. "A máquina da vítima fica sob comando do atacante". Como o vírus só funciona em computadores com Windows, os cibercriminosos enviam mensagens como "Baixa o ZIP no PC e abre" acompanhadas de comprovantes de pagamento e orçamentos falsos. Segundo a Trend Micro, o ataque se concentra em: roubar credenciais ao exibir versões adulteradas de sites de bancos e corretoras de criptomoedas; assumir o controle do WhatsApp Web para enviar o mesmo arquivo malicioso para todos os contatos da vítima. De acordo com a Trend Micro, 457 das 477 infecções registradas até agora ocorreram no Brasil. Os pesquisadores apontaram o foco no país porque o arquivo faz checagens de idiomas, localização, formato de data para validar que o usuário é brasileiro. O WhatsApp orienta usuários a clicarem apenas em links ou arquivos de pessoas conhecidas e diz que trabalha para tornar o aplicativo mais seguro (leia a nota ao final). 'Atriz' criada por inteligência artificial gera protestos em Hollywood Elon Musk se torna a 1ª pessoa a acumular fortuna de US$ 500 bilhões Mensagem no WhatsApp induz vítima a baixar vírus Reprodução/Trend Micro Até mesmo o nome Sorvepotel indica o direcionamento para o Brasil: os servidores usados pelo vírus para enviar comandos de ataques estão em endereços que lembram a expressão "sorvete no pote". Em computadores infectados, o malware também cria um arquivo de inicialização, garantindo que o sistema malicioso continue ativo mesmo após reiniciar a máquina. Ainda não há registros expressivos de roubo de dados ou bloqueio de arquivos, indicando que o objetivo neste momento é se espalhar para novos dispositivos, segundo a Trend Micro. O ataque também pode fazer com que a conta da vítima seja banida do WhatsApp, já que o envio automático de mensagens para outros contatos pode ser identificado como spam. Como se proteger Os pesquisadores afirmam que criminosos parecem ter como foco computadores corporativos, mas atacam em contas de WhatsApp Web de funcionários, que usam os dispositivos para ver mensagens pessoais. O vírus não explora falhas do WhatsApp, mas aproveita a distração das vítimas, diz Marcelo Sanches, da Trend Micro. Segundo ele, a ação permite transformar a máquina em um "zumbi" sob controle dos hackers. Os pesquisadores da Trend Micro orientam usuários e empresas a: desativar downloads automáticos no WhatsApp restringir downloads em dispositivos corporativos realizar treinamentos sobre riscos de baixar arquivos suspeitos; desconfiar de mensagens que pedem permissões em navegadores; confirmar com a pessoa por outros meios (telefone ou pessoalmente) se o envio do arquivo foi intencional. Leia a nota do WhatsApp: "Independentemente do serviço de mensagens que você use, só clique em links ou abra arquivos de pessoas que você conhece e confia. Estamos sempre trabalhando para tornar o WhatsApp o lugar mais seguro para a comunicação privada, e é por isso que criamos camadas de proteção que oferecem mais contexto sobre com quem você está conversando ao receber uma mensagem de alguém que você não conhece – além de proteger suas conversas pessoais com a criptografia de ponta a ponta."

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Torres com câmeras se espalham por cidades, monitoram pessoas sem regras claras e preocupam especialistas


Torres com câmeras se espalham e levantam alerta sobre privacidade Torres de vigilância com câmeras se multiplicam em frente a prédios residenciais de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas ainda sem regras claras para instalação e operação desse tipo de tecnologia. Apesar da promessa de aumentar a segurança em torno dos condomínios, especialistas afirmam que os equipamentos reforçam uma falsa sensação de proteção. Não existem estudos ou levantamentos que comprovem sua eficácia no combate à criminalidade. "Não há uma padronização técnica", ressalta Thallita Lima, coordenadora do projeto O Panóptico, que monitora o uso de tecnologias de vigilância no Brasil. Ela também aponta para a falta de uma reflexão sobre os impactos do uso do espaço urbano, "já que há totens bem na calçada". 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A expansão desse tipo de tecnologia acontece em um momento em que a população se sente cada vez mais insegura. A violência é a principal preocupação para 28% dos brasileiros, segundo pesquisa da Quaest encomendada pela Genial Investimentos no mês passado. O g1 procurou as prefeituras de São Paulo e do Rio para entender se há regras para a instalação de totens de vigilância. As duas confirmaram que não existe regulamentação específica sobre o tema. O g1 também questionou o que é permitido instalar nas calçadas. Em São Paulo, a administração municipal afirma que adota a chamada "faixa de serviço", que determina calçadas com, no mínimo, 70 cm de largura para a instalação de "árvores, rampas de acesso para pessoas com deficiência, postes de iluminação, sinalização de trânsito, bancos, floreiras, telefones, caixas de correio e lixeiras" (veja aqui). A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano do Rio tem um documento que define a "faixa de serviço" como sendo de, no mínimo, 1 metro para árvores e até 60 centímetros para postes de iluminação pública (veja aqui). Torres privadas de vigilância não são mencionadas por ambas. Em agosto de 2025, a prefeitura do Rio determinou que uma das empresas, a Gabriel, realocasse suas mais de 400 câmeras instaladas em áreas públicas, por já existir um sistema municipal de vigilância e ser necessária autorização para uso desses espaços. ➡️ Em São Paulo e no Rio, o que vale hoje para torres de vigilância é... São Paulo: a instalação em terrenos privados é permitida em locais específicos sem necessidade de comunicar a prefeitura (veja detalhes abaixo). Rio de Janeiro: a escolha dos locais de instalação fica a critério das próprias empresas, sem orientação da prefeitura. Para que as câmeras são usadas Totem de câmera de segurança em São Paulo. Divulgação/Gabriel Essas torres coloridas, com LEDs fortes e câmeras voltadas para calçadas e carros, são oferecidas por empresas como CoSecurity (do Grupo Haganá), Gabriel e White Segurança, que concentram a oferta do serviço nas principais cidades do país. A ideia é monitorar o movimento no entorno dos prédios. Os moradores geralmente têm acesso às imagens por aplicativo — em uma das empresas, o histórico fica disponível por até 14 dias. Em alguns totens, há ainda um botão de pânico que permite acionar a central da empresa, responsável por chamar a polícia ou o Corpo de Bombeiros em situação de risco. Em São Paulo, o diferencial, segundo as empresas, é que as câmeras estão integradas a programas públicos, como o Smart Sampa (da prefeitura) e o Muralha Paulista (do governo estadual). Esses sistemas ajudam a identificar rostos de procurados e placas de veículos roubados. Condomínios e empresas podem, sem custo adicional, aderir voluntariamente aos programas e conectar suas câmeras às centrais de monitoramento, que contam com agentes policiais acompanhando as imagens em tempo real. O Smart Sampa reúne 40 mil câmeras integradas — ao menos 20 mil delas pertencentes a totens de condomínios e empresas parceiras — distribuídas por todas as regiões da cidade, segundo a prefeitura. A CoSecurity afirma ser hoje a maior participante privada do programa, com cerca de 8 mil câmeras (25% da rede). Torre de vigilância da empresa CoSecurity Darlan Helder/g1 Essas câmeras não fazem reconhecimento facial e as imagens podem ser repassadas à polícia mediante solicitação formal. Segundo as empresas, os equipamentos reconhecem apenas placas de veículos, o que pode ajudar na localização de carros roubados. O custo do serviço varia conforme o número de totens contratados. Uma empresa cobra cerca de R$ 1,5 mil por unidade ao mês, enquanto outra afirma que o valor mensal fica entre R$ 389 e R$ 749, dependendo do modelo e dos recursos oferecidos, como botão de pânico. Apesar das promessas de eficiência, há casos de frustração. Recentemente, o Profissão Repórter mostrou que, em um condomínio de São Paulo, moradores passaram a usar vasos de planta para tentar evitar roubos de celular de quem ficava na portaria, já que as torres deixaram de ser eficientes (veja no vídeo abaixo). Moradores de prédio em SP se frustram com totens de câmera e recorrem a vasos de planta para evitar assalto Em outras cidades, têm se multiplicado totens instalados por governos estaduais e prefeituras em espaços públicos, equipados com câmeras e botão de pânico para acionar a polícia em caso de emergência. Esse tipo de equipamento já foi adotado em Curitiba, Manaus, Belém e Recife, explica Pablo Nunes, coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), que acompanha o tema de perto. Totens instalados na calçada Totens de câmera de vigilância em prédios de São Paulo Reprodução/Google Maps O g1 analisou a instalação das torres em São Paulo. Muitas estão fixadas em calçadas, na jardinagem dos condomínios (áreas internas e externas) ou ao lado do portão de acesso dos prédios. A prefeitura de São Paulo explica que, em áreas particulares, não é necessário pedir autorização para instalar os totens. Como exemplo, citou recuos de prédios (distância entre a edificação e os limites de frente, laterais e de fundo do lote), muros ou portões. Em espaços públicos, como calçadas e praças, é preciso obter aprovação da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (CPPU). "É importante destacar que a CPPU analisa esses casos do ponto de vista do impacto da inserção desses elementos na paisagem urbana", disse em nota. No Rio de Janeiro, a prefeitura afirmou que não há "legislação específica" para os totens de vigilância. Em nota, adiantou que "com o aumento de instalação destes equipamentos, determinou que os proprietários retirem as câmeras que obstruem o espaço público até 31 de dezembro". Totem de vigilância na calçada, em São Paulo. Darlan Helder/g1 Na Zona Leste de São Paulo, o g1 flagrou dois totens da empresa Defender instalados em calçadas no bairro da Mooca (veja na imagem acima). Perto dali, no Belém, foi identificado outro equipamento em via pública, desta vez da MasterCam Segurança (veja na imagem abaixo). O g1 questionou as duas companhias sobre a autorização da prefeitura para as instalações, mas não obteve resposta. Totem de vigilância da empresa MasterCam Segurança na região do Belém, na Zona Leste de São Paulo. Darlan Helder/g1 Um totem da Gabriel também foi visto em via pública na região do Brooklin, em São Paulo (veja na imagem abaixo). A empresa negou que há torres irregulares na capital paulista, apenas no Rio, e que está readequando essas instalações, "um processo que deve ser concluído até o fim do ano e envolve 400 equipamentos, o equivalente a 6% dos clientes". A Gabriel não informou onde ficam os totens irregulares. Após novo questionamento sobre a torre no Brooklin, a companhia disse que "atua sempre em conformidade com as diretrizes municipais e em diálogo com as autoridades locais, garantindo que todas as instalações estejam devidamente autorizadas e adequadas aos parâmetros urbanos". Totem de câmera de vigilância da Gabriel instalado na região do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo Darlan Helder/g1 A CoSecurity afirmou que instala os equipamentos sempre dentro dos limites privados do cliente, nunca em calçadas. "Toda infraestrutura é posicionada exclusivamente dentro da área privada do cliente, como recuos". A White Segurança não retornou ao contato do g1 para esclarecer sua atuação. A Prefeitura de São Paulo solicitou ao g1 os endereços e imagens dos totens instalados em calçadas para "apuração", mas não deu retorno sobre esses casos até a última atualização desta reportagem. Eficácia é questionada Pesquisadores de segurança pública que acompanham o tema questionam a eficácia desses totens de vigilância. "Hoje, no Brasil, não há regulação específica para câmeras desse tipo e nem daquelas que fazem reconhecimento de rostos", afirma Pablo Nunes, coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC). "Também não há qualquer regra sobre o que é feito com esses dados depois", completa. Pablo lembra ainda que a segurança privada não oferece uma solução precisa, e ainda pode gerar novos problemas. "Um efeito comum é o deslocamento de manchas criminais para áreas vizinhas sem o mesmo nível de vigilância", diz. O pesquisador também destaca que, quando um totem é instalado na calçada, ele não registra apenas os moradores entrando ou saindo do condomínio. "A partir desse ponto, já não se trata mais de controle de acesso. É uma ampliação do modo de vigilância", avalia. As duas principais empresas, por outro lado, destacam que têm ajudado a solucionar crimes nas cidades onde atuam desde o início de suas operações. A Gabriel, que começou a operar em 2019, afirma ter contribuído para a recuperação de mais de 100 veículos e para o indiciamento de 566 suspeitos. Já a CoSecurity diz que sua tecnologia ajudou na captura de 2 mil foragidos e na prisão em flagrante de 3.245 pessoas desde que passou a integrar o Smart Sampa, em São Paulo. Rua na região do Brooklin com torre de vigilância. Darlan Helder/g1 Para Thallita Lima, do projeto O Panóptico, há riscos adicionais ligados à privacidade e à segurança dos dados. Em caso de vazamento, criminosos podem ter acesso à rotina de uma pessoa específica, além de fotos dos rostos de várias outras, que podem ser usadas em fraudes. "É preciso um protocolo de segurança muito robusto", alerta. Ela acrescenta que as imagens captadas muitas vezes circulam informalmente, como fotos de pessoas consideradas suspeitas que são compartilhadas em grupos de WhatsApp. "Esse tipo de ação pode gerar problemas sérios, porque estamos falando do risco de se fazer justiça com as próprias mãos por meio da tecnologia", explica. Procurada pelo g1 para comentar esse tipo de monitoramento, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) afirmou que o tema é prioridade e está na agenda de discussões para o biênio 2025-2026, com ênfase nas questões envolvendo biometria facial. Reconhecimento facial: veja dilemas na implantação da tecnologia em condomínios Criminosos podem usar suas fotos nas redes para aplicar golpes financeiros? Implante cerebral é usado para controlar assistente virtual Alexa

Chefões das big techs se preparam para 'fim dos tempos': devemos nos preocupar também?


Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mark Zuckerberg teria começado a trabalhar no Koolau Ranch, seu extenso complexo de 1.400 acres (cerca de 5 quilômetros quadrados) na ilha havaiana de Kauai, já em 2014. Está previsto que inclua um abrigo, com os seus próprios suprimentos de energia e alimentos, embora os carpinteiros e eletricistas que trabalham no local tenham sido proibidos de falar sobre isso por acordos de confidencialidade, de acordo com uma reportagem da revista Wired. Um muro de quase dois metros bloqueava a visão do projeto a partir de uma estrada próxima. Quando questionado no ano passado se estava construindo um abrigo para o fim do mundo, o fundador do Facebook respondeu com um "não" categórico. O espaço subterrâneo com cerca de 465 metros quadrados é, segundo ele, "apenas um pequeno abrigo, como um porão". Mark Zuckerberg, CEO da Meta, tem abrigo subterrâneo já pronto BBC/Alex Wong/Getty Images 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 'Bolha' da IA pode estourar? Trilhões em investimentos esbarram em baixo retorno Isso não impediu as especulações — da mesma forma que sua decisão de comprar 11 propriedades no bairro de Crescent Park, em Palo Alto, na Califórnia, aparentemente adicionando um espaço subterrâneo de 650 metros quadrados. Embora suas licenças de construção se refiram a porões, de acordo com o New York Times, alguns de seus vizinhos chamam isso de bunker. Ou a "batcaverna" de um bilionário. Há também especulações em torno de outros líderes do setor de tecnologia, alguns dos quais parecem ter estado ocupados a comprar terrenos com espaços subterrâneos, prontos para serem convertidos em bunkers de luxo avaliados em milhões de reais. Zuckerberg gastou cerca de US$ 110 milhões (cerca de 550 milhões de reais) em imóveis em um bairro de Palo Alto. BBC/Bloomberg via Getty Images Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, falou sobre o "seguro contra o apocalipse". Ele afirmou anteriormente que cerca de metade dos super-ricos possui esse tipo de seguro, sendo a Nova Zelândia um destino popular para a compra de imóveis. Será que eles estão realmente se preparando para uma guerra, para os efeitos das mudanças climáticas ou para algum outro evento catastrófico que o resto de nós ainda não conhece? Sam Altman já especulou sobre se juntar a Peter Thiel em uma propriedade remota na Nova Zelândia no caso de um desastre global. BBC/Getty Images Nos últimos anos, o avanço da inteligência artificial (IA) só veio aumentar essa lista de potenciais problemas existenciais. Muitos estão profundamente preocupados com a rapidez dessa evolução. Ilya Sutskever, cientista-chefe e cofundador da OpenAI, é considerado um deles. Em meados de 2023, a empresa sediada em São Francisco lançou o ChatGPT — o chatbot agora utilizado por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo — e estava trabalhando rapidamente em atualizações. Mas, naquele verão, Sutskever estava cada vez mais convencido de que os cientistas da computação estavam prestes a desenvolver a inteligência artificial geral (AGI) — o ponto em que as máquinas igualam a inteligência humana —, de acordo com um livro da jornalista Karen Hao (veja a entrevista da BBC News Brasil com a autora). "Definitivamente, vamos construir um bunker antes de lançarmos a AGI (inteligência artificial geral)", teria dito Ilya Sutskever. BBC/AFP via Getty Images Em uma reunião, Sutskever sugeriu aos colegas que cavassem um abrigo subterrâneo para os principais cientistas da empresa antes que uma tecnologia tão poderosa fosse lançada ao mundo, relata Hao. "Definitivamente, vamos construir um bunker antes de lançarmos a AGI", ele teria dito, embora não esteja claro a quem ele se referia com "nós". Isso revela um fato curioso: muitos cientistas da computação e líderes tecnológicos renomados, alguns dos quais estão trabalhando arduamente para desenvolver uma forma extremamente inteligente de IA, também parecem profundamente receosos do que ela poderá vir a fazer no futuro. Então, quando exatamente — se é que algum dia — a AGI chegará? E ela poderia realmente ser tão transformadora a ponto de assustar as pessoas comuns? Mark Zuckerberg, na foto com sua esposa Priscilla, disse que o espaço subterrâneo em sua propriedade no Havaí é "como um pequeno abrigo". BBC/Getty Images 'Psicose de IA': o aumento de relatos que preocupa chefe da Microsoft Brasil está entre os 3 países que mais usam o ChatGPT, diz OpenAI Uma chegada mais cedo do que pensamos' Os líderes tecnológicos afirmam que a AGI está chegando. O diretor da OpenAI, Sam Altman, afirmou em dezembro de 2024 que ela chegará "mais cedo do que a maioria das pessoas no mundo imagina". Demis Hassabis, cofundador da DeepMind, previu que isso ocorrerá nos próximos cinco a dez anos, enquanto o fundador da Anthropic, Dario Amodei, escreveu no ano passado que seu termo preferido — "IA poderosa" — poderá estar entre nós já em 2026. Outros têm dúvidas. "Eles mudam as regras o tempo todo", diz Dame Wendy Hall, professora de ciência da computação na Universidade de Southampton. "Depende de com quem você fala." Falamos por telefone, mas quase consegui ouvir ela revirando os olhos. "A comunidade científica afirma que a tecnologia de IA é incrível", acrescenta ela, "mas está muito longe da inteligência humana". Primeiro, seria necessário haver uma série de "avanços fundamentais", concorda Babak Hodjat, diretor de tecnologia da empresa de tecnologia Cognizant. Além disso, é improvável que isso aconteça de uma só vez. Pelo contrário, a IA é uma tecnologia em rápido avanço, está em evolução e há muitas empresas em todo o mundo correndo para desenvolver suas próprias versões. Mas uma das razões pelas quais a ideia entusiasma alguns no Vale do Silício é que ela é considerada um precursor de algo ainda mais avançado: a ASI, ou superinteligência artificial — uma tecnologia que supera a inteligência humana. Foi em 1958 que o conceito de "singularidade" foi atribuído postumamente ao matemático húngaro John von Neumann. Ele se refere ao momento em que a inteligência computacional avança além da compreensão humana. John von Neumann é considerado um dos primeiros a mencionar o conceito de singularidade, muito antes de ele ter um nome — ele era físico, matemático, economista e cientista da computação. BBC/Getty Images Mais recentemente, o livro Genesis, de 2024, escrito por Eric Schmidt, Craig Mundy e o falecido Henry Kissinger, explora a ideia de uma tecnologia superpoderosa que se torna tão eficiente na tomada de decisões e na liderança que acabamos entregando-lhe o controle total. É uma questão de quando, não se, argumentam. Veja mais: O desgastante trabalho humano por trás do ChatGPT: 'Não é tão emocionante quando descobrimos o que envolve' Como a IA consegue prever decisões humanas Dinheiro para todos, sem precisar de um emprego? Os defensores da AGI e da ASI são quase evangelistas em relação aos seus benefícios. Eles argumentam que ela encontrará novas curas para doenças mortais, resolverá as mudanças climáticas e inventará uma fonte inesgotável de energia limpa. Elon Musk chegou a afirmar que a IA superinteligente poderia inaugurar uma era de "renda alta universal". Recentemente, ele endossou a ideia de que a IA se tornará tão barata e difundida que praticamente qualquer pessoa desejará ter seu "próprio R2-D2 e C-3PO pessoais" (referindo-se aos andróides de Star Wars). "Todos terão os melhores cuidados médicos, alimentação, transporte doméstico e tudo o mais. Abundância sustentável", afirmou com entusiasmo. Elon Musk diz que todos vão querer ter seu próprio R2-D2 e C-3PO BBC/AFP via Getty Images É claro que há um lado assustador. Será que essa tecnologia poderia ser sequestrada por terroristas e usada como uma arma poderosa? E se ela decidir por conta própria que a humanidade é a causa dos problemas do mundo e nos destruir? "Se for mais inteligente do que você, então temos que mantê-lo sob controle", alertou Tim Berners Lee, criador da World Wide Web, em entrevista à BBC no início deste mês. "Temos que ser capazes de desligá-la." Os governos estão tomando algumas medidas de proteção. Nos Estados Unidos, onde muitas das principais empresas de IA estão sediadas, o presidente Biden aprovou uma ordem executiva em 2023 que exigia que algumas empresas compartilhassem os resultados dos testes de segurança com o governo federal — embora o presidente Trump tenha revogado parte da ordem, chamando-a de "barreira" à inovação. Enquanto isso, no Reino Unido, o AI Safety Institute (Instituto de Segurança em Inteligência Artificial) — um órgão de pesquisa financiado pelo governo — foi criado há dois anos para compreender melhor os riscos apresentados pela inteligência artificial avançada. E depois há os super-ricos com seus próprios planos de seguro contra o apocalipse. "Dizer que você está 'comprando uma casa na Nova Zelândia' é como dar uma piscadela, sem dizer mais nada", disse Reid Hoffman. O mesmo provavelmente se aplica aos bunkers. Mas há uma falha distintamente humana. Certa vez, conheci um ex-guarda-costas de um bilionário que tinha seu próprio "bunker" e me disse que a primeira prioridade de sua equipe de segurança, se isso realmente acontecesse, seria eliminar o chefe e entrar no bunker. E ele não parecia estar brincando. É tudo alarmismo sem sentido? Neil Lawrence é professor de aprendizado de máquina na Universidade de Cambridge. Para ele, todo esse debate em si é um absurdo. "A noção de Inteligência Artificial Geral é tão absurda quanto a noção de um 'Veículo Artificial Geral'", argumenta ele. "O veículo certo depende do contexto. Usei um Airbus A350 para voar até o Quênia, uso um carro para ir à universidade todos os dias, vou a pé até a cafeteria... Não existe nenhum veículo que possa fazer tudo isso." Para ele, falar sobre AGI é uma distração. A tecnologia que desenvolvemos permite, pela primeira vez, que pessoas comuns conversem diretamente com uma máquina e, potencialmente, façam com que ela execute o que desejam. Isso é absolutamente extraordinário... e totalmente transformador. A grande preocupação é que estamos tão envolvidos nas narrativas das grandes empresas de tecnologia sobre a IGA que estamos perdendo de vista as maneiras pelas quais precisamos melhorar as coisas para as pessoas. As ferramentas atuais de IA são treinadas com montanhas de dados e são boas em identificar padrões: sejam sinais de tumores em exames ou a palavra mais provável de aparecer após outra em uma sequência específica. Mas elas não "sentem", por mais convincentes que suas respostas possam parecer. "Existem algumas maneiras 'enganosas' de fazer com que um Grande Modelo de Linguagem (a base dos chatbots de IA) aja como se tivesse memória e aprendesse, mas elas são insatisfatórias e bastante inferiores às dos seres humanos", afirma Hodjat. Vince Lynch, CEO da IV.AI, com sede na Califórnia, também é cauteloso em relação a declarações exageradas sobre a AGI. "É um ótimo marketing", diz ele. "Se você é a empresa que está construindo a coisa mais inteligente que já existiu, as pessoas vão querer lhe dar dinheiro." Ele acrescenta: "Não é algo que vai acontecer daqui a dois anos. Requer muito processamento, muita criatividade humana, muita tentativa e erro". Quando questionado se acredita que a AGI algum dia se tornará realidade, há uma longa pausa. "Eu realmente não sei." Inteligência sem consciência De certa forma, a IA já superou o cérebro humano. Uma ferramenta de IA generativa pode ser especialista em história medieval em um minuto e resolver equações matemáticas complexas no minuto seguinte. Algumas empresas de tecnologia afirmam que nem sempre sabem por que seus produtos respondem da maneira que respondem. A Meta diz que há alguns sinais de que seus sistemas de IA estão se aprimorando. Pesquisadores estão estudando o cérebro na tentativa de compreender melhor a consciência. BBC No entanto, em última análise, por mais inteligentes que as máquinas se tornem, biologicamente, o cérebro humano ainda leva vantagem. Tem cerca de 86 bilhões de neurônios e 600 trilhões de sinapses, muito mais do que os equivalentes artificiais. O cérebro não precisa fazer pausas entre as interações e está constantemente se adaptando a novas informações. "Se você disser a um ser humano que foi encontrada vida em um exoplaneta, ele aprenderá isso imediatamente e isso afetará sua visão de mundo daqui para frente. Para um LLM (Large Language Model, ou Modelo de Linguagem Grande), ele só saberá disso enquanto você continuar repetindo isso como um fato", diz Hodjat. Os LLMs também não possuem metacognição, o que significa que eles não sabem exatamente o que sabem. Os seres humanos parecem ter uma capacidade introspectiva, às vezes chamada de consciência, que lhes permite saber o que sabem. É uma parte fundamental da inteligência humana — e que ainda não foi reproduzida em laboratório. Veja mais: Como funciona um data center? E por que ele pode consumir tanta energia e água? Ataque no WhatsApp pode roubar senhas de usuários; veja como se proteger

OpenAI planeja construir data center de inteligência artificial na Patagônia argentina, diz governo


Veja os vídeos que estão em alta no g1 A OpenAI, criadora do ChatGPT, assinou uma carta de intenções para construir grande data center de inteligência artificial na Patagônia argentina, anunciou nesta sexta-feira (10) o governo do presidente Javier Milei. O projeto, com o nome de Stargate Argentina, será administrado pela OpenAI em sociedade com a empresa local Sur Energy e representará um investimento de 25 bilhões de dólares (R$ 136 bilhões), informou a Presidência em um comunicado. Ele se enquadra em uma política de incentivos lançada por Milei em 2024 para setores estratégicos que prevê amplos benefícios fiscais e aduaneiros por 30 anos para atrair investimento estrangeiro na Argentina. O anúncio se seguiu a uma reunião que o argentino manteve nesta sexta com diretores da OpenAI e da Sur Energy. O centro de dados é projetado em uma escala suficiente "capaz de abrigar a próxima geração de computação de IA e alcançar uma capacidade de até 500 MW", afirmou a Presidência. Javier Milei, presidente da Argentina, recebeu representantes da OpenAI para anunciar Stargate Argentina, projeto de data center de inteligência artificial no país Reprodução/Governo da Argentina Nem sua localização exata, nem a data de início do projeto foram informados. O projeto tinha sido antecipado por Sam Altman, diretor-geral da OpenAI. O projeto Stargate Argentina, com investimentos em vários países, abrange cerca de 500 bilhões de dólares (R$ 2,7 trilhões) em investimentos em novos centros de dados. Em entrevista à AFP, Fidji Simo, número dois da empresa OpenAI, rechaçou que os investimentos faraônicos em infraestrutura de inteligência artificial possam virar uma bolha, e as definiu como "a nova realidade" para atender à demanda dos usuários. "Trata-se de um novo investimento maciço na potência de cálculo em um momento em que carecemos desesperadamente dela para muitos usos que as pessoas querem", disse Simo. "Acredito que o mundo realmente vai mudar e se dar conta de que a potência de cômputo é o recurso mais estratégico", acrescentou.

Como ChatGPT 'denunciou' suspeito por incêndio que devastou Los Angeles


Incêndio em Palisades gera rajada de fogo BBC Um homem de 29 anos foi preso sob suspeita de ter iniciado o incêndio em Pacific Palisades, em Los Angeles, que matou 12 pessoas e destruiu mais de 6.000 casas em janeiro. As evidências coletadas dos dispositivos digitais de Jonathan Rinderknecht incluíam uma imagem que ele gerou no ChatGPT retratando uma cidade em chamas, disseram autoridades do Departamento de Justiça. Um dos incêndios mais destrutivos da história de Los Angeles, o fogo começou em 7 de janeiro perto de uma trilha de caminhada com vista para o rico bairro costeiro. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O incêndio Eaton, que começou no mesmo dia na região de Los Angeles, matou 19 pessoas e destruiu 9.400 estruturas. A causa desse incêndio permanece desconhecida. O incêndio em Palisades queimou mais de 23.000 acres (9.308 hectares) e causou cerca de US$ 150 bilhões (cerca de R$ 800 bilhões) em danos. Destruindo bairros inteiros, o incêndio durou mais de três semanas, devastando também partes de Topanga e Malibu. Entre as milhares de estruturas destruídas pelos incêndios estavam as casas de várias celebridades, incluindo Mel Gibson, Paris Hilton e Jeff Bridges. Rinderknecht foi preso na Flórida na terça-feira e foi acusado de destruição de propriedade por meio de incêndio, disse o procurador interino dos EUA, Bill Essayli, em uma coletiva de imprensa na quarta-feira em Los Angeles. "Esperamos que a prisão traga alguma justiça a todos os afetados", disse Essayli. Autoridades afirmaram que outras acusações, incluindo homicídio, podem ser apresentadas. Veja mais: Mortos, deslocados e bairros inteiros destruídos: o impacto do pior incêndio da história de Los Angeles Adolescente de 13 anos é detido nos EUA após perguntar ao ChatGPT como matar o amigo na escola Rinderknecht compareceu ao tribunal na Flórida na quarta-feira. Ele não apresentou defesa. Ele deve retornar ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Orlando na quinta-feira para uma audiência de fiança. Não se espera que ele apresente uma defesa oficial até sua audiência de acusação em Los Angeles nas próximas semanas. Rinderknecht vivia e trabalhava na Califórnia e mudou-se para a Flórida pouco depois do incêndio, segundo as autoridades. O incêndio inicial que o Rinderknecht supostamente iniciou no dia de Ano Novo foi chamado de incêndio Lachman. Embora tenha sido rapidamente controlado pelos bombeiros, continuou a arder debaixo da terra, na estrutura radicular da vegetação densa, segundo os investigadores, antes de voltar a deflagrar acima do solo devido a uma tempestade de vento. O suspeito conhecia bem a área porque era um antigo morador de Pacific Palisades, segundo as autoridades. Ele morava a um quarteirão do início da trilha Skull Rock, onde supostamente iniciou o incêndio. Ele o acendeu com uma chama aberta depois de concluir uma corrida como motorista da Uber na véspera de Ano Novo, de acordo com a acusação. Dois passageiros viajaram com Rinderknecht na véspera de Ano Novo. Um dos passageiros disse aos investigadores que se lembrava do motorista parecer agitado e irritado. As autoridades afirmaram ter usado os dados do seu celular para localizá-lo quando o incêndio começou, em 1º de janeiro, mas quando o pressionaram para obter mais detalhes, ele teria mentido aos investigadores. A Uber afirmou que Rinderknecht não estava no aplicativo no momento do incêndio, mas que a empresa trabalhou em colaboração com o Departamento Federal de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF) para ajudar a determinar seu paradeiro usando dados de GPS e outras informações relevantes. A empresa também afirmou que removeu o acesso de Rinderknecht à sua plataforma assim que soube do seu suposto envolvimento no incêndio, mas observou que ele passou na verificação inicial de antecedentes em 2023 e nas verificações anuais subsequentes. As autoridades afirmaram também ter encontrado outras ligações entre Rinderknecht e o incêndio no seu celular, incluindo vídeos que Rinderknecht tinha gravado dos bombeiros que tentavam apagar as chamas. O telefone também mostrou que ele ligou repetidamente para o 911 logo após a meia-noite do dia de Ano Novo, mas não conseguiu falar devido à recepção irregular do celular. Havia uma gravação da tela dele tentando ligar para os serviços de emergência e, em determinado momento, sendo conectado a um atendente. Rinderknecht também perguntou ao ChatGPT: "Você é culpado se um incêndio for causado por seus cigarros?" Os investigadores afirmaram que o suspeito queria "preservar as provas de que tentou ajudar a extinguir o incêndio". "Ele queria criar provas que apontassem para uma explicação mais inocente para a causa do incêndio", dizia a acusação. Os investigadores observaram que Rinderknecht parecia nervoso durante a entrevista realizada em 24 de janeiro deste ano, e sua artéria carótida pulsava sempre que lhe perguntavam quem havia iniciado o incêndio. Em julho de 2024, cinco meses antes de supostamente ter ateado o fogo, Rinderknecht pediu ao ChatGPT para criar uma imagem de uma "pintura distópica" que incluísse uma floresta em chamas e uma multidão de pessoas fugindo do incêndio, de acordo com os investigadores. Sua solicitação à ferramenta de IA incluía o texto: "No meio [da pintura], centenas de milhares de pessoas em situação de pobreza tentam passar por um portão gigantesco com um grande símbolo do dólar. Do outro lado do portão e de toda a parede está um grupo de pessoas mais ricas. "Elas estão relaxando, vendo o mundo pegar fogo e observando as pessoas sofrerem. Estão rindo, se divertindo e dançando." Um mês antes de supostamente atear o fogo, Rinderknecht teria inserido uma mensagem no ChatGPT que incluía o texto: "Eu queimei a Bíblia que tinha. Foi uma sensação incrível. Me senti tão livre." Uma análise externa sobre o incêndio, encomendada pelos supervisores do condado de Los Angeles, concluiu que "políticas desatualizadas" para o envio de alertas de emergência atrasaram os avisos de evacuação, entre outras falhas oficiais. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, considerou a prisão um passo importante para "dar um desfecho aos milhares de californianos cujas vidas foram viradas de cabeça para baixo". Ele acrescentou que o estado estava apoiando a investigação federal sobre o incêndio. Horas após a prisão de Rinderknecht, o Corpo de Bombeiros da Cidade de Los Angeles (LAFD) divulgou seu tão aguardado Relatório de Análise Pós-Ação (AARR) sobre o incêndio em Palisades, que detalhou as primeiras 36 horas de resposta do departamento. O relatório — destinado a identificar lições aprendidas com a resposta e a melhorar a preparação e a resposta para futuros incêndios florestais — concluiu que os bombeiros não dispunham de recursos suficientes para lidar com as condições meteorológicas de alerta vermelho e os ventos com força de furacão que alimentaram o incêndio. O LAFD listou quase 100 desafios que os bombeiros enfrentaram durante o incêndio em Palisades, que durou 25 dias e obrigou muitos bombeiros a trabalhar por 36 a 48 horas seguidas. "Os socorristas enfrentaram as consequências inevitáveis de uma tempestade perfeita: vegetação seca, ventos fortes e incomuns, grande quantidade de brasas, uma paisagem repleta de vegetação combustível, grandes estruturas vulneráveis, diminuição do abastecimento de água e perda do apoio aéreo para combate ao incêndio", afirmou o relatório. Além disso, os bombeiros não conseguiram determinar a origem do incêndio, enfrentaram problemas para chamar bombeiros fora de serviço para responder ao chamado e culparam os chefes dos bombeiros com pouca experiência por lidarem com um incêndio dessa magnitude. Atrasos na comunicação das ordens de evacuação e problemas com a organização de evacuações eficazes e o tráfego também criaram dificuldades. O chefe interino do Corpo de Bombeiros de Los Angeles, Ronnie Villanueva, que substituiu a chefe Kristin Crowley, disse que espera que o relatório "fortaleça a confiança do público na prontidão do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para responder a quaisquer incêndios florestais futuros". O departamento, disse ele, implementou desde então vários novos processos para proteger a cidade, incluindo a atualização da tecnologia de comunicações. O gabinete de Newsom também solicitou uma revisão pelos principais pesquisadores em segurança contra incêndios do país. Veja mais: Veja como localizar celular perdido pelo computador, seja iPhone ou Android Ataque no WhatsApp pode roubar senhas de usuários; veja como se proteger

China desenvolve sistema de vigilância para monitorar estrangeiros no país

Captura de tela de um painel de software de vigilância que permite monitorar estrangeiros NetAskari Quando um pesquisador de ciberse...